quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Teimosias...

É verdade!

Foi o que aconteceu no passado fim de semana... Teimosias!

Os sinais têm de resultar! As leituras de sonda também e etc..

Certo é que os sinais estavam lá e acho que os li mal... Por teimosia!

Lutámos com aguagens chatas, peixe a comer "mole" e por vezes até agressivo, mas pouco consistente no tempo e no espaço; pouco regular quanto ao comportamento de ataque à isca e eu a ir atrás daquilo!?

Já me tinha acontecido... Sou sincero! Mas então, também sou teimoso!

Sexta Feira, lá fomos, eu e o João Martins, em combinação de última hora, e, já me tinha decidido... Aquele pesqueiro e tal... Tem de dar peixe! Estão lá sinais e a época é propícia!? Pois é! Só que as condições actuais de aguagens próximas e desencontradas em rumos que se têm verificado, não dão tréguas e, como já tinha referido na última entrada, obrigam a novas escolhas de pesqueiros sob pena de levar umas secas. Sim, porque não se abandona um pesqueiro que ao fim de algum tempo dá um "Parguito" deste tamanho, fazendo as alegrias do João...


... E muito menos se os sinais se mantêm, sob a forma de roubos contínuos e até algo agressivos, dizendo que o pesqueiro está activo, ou, com a entrada de mais um Parguito ou outro com tamanhos idênticos.
Pior é que, de activo agressivo, passa rapidamente a activo no roubo de iscas mas passivo no que respeita às dificuldades enormes no sentir dos toques; tudo isto ao longo de duas ou mais horas, com acompanhamento daquela aguagem que teima em correr para a proa do barco, diferente do primeiro pesqueiro onde corria ao contrário, embora a distância não parecesse significativa para que tal acontecesse.
Ah, como gostaria de perceber ao pormenor os "porquês"!? Mas não conheço e portanto prevaleceu a teimosia que ainda deu na captura de uma Bica, um Sargo e uns quatro ou cinco Parguitos, mostrando o João, na foto acima, o maior deles.

A volta ao porto antevia o "jantar técnico" que, na companhia também do Fernando Fontes, se compôs de uma Bica, um Sargo e um dos Parguitos, escalados e assados na brasa com os acompanhamentos costumeiros: a batatinha em molho de azeite e alho, a saladinha à Algarvia, o pão alentejano, o vinho... Até parece que ainda lhe sinto o gosto!? Obrigado Zé Beicinho!

Mas adiante!

A conversa rondou os acontecimentos do dia, sem que conseguíssemos ir além de culpar as tais aguagens que eventualmente deslocarão o peixe maior de forma atípica, cabendo-nos encontrá-lo, coisa que não tínhamos conseguido neste dia.
Estava decidido! No dia seguinte iria testar pesqueiros mais a Sul, não sem antes, tentar ali por perto, no pesqueiro novo onde tinha capturado os Sargos a solo, na última pescaria. Alguma coisa se arranjaria, mais que não fosse, a constatação de outros factos para juntar às estatísticas que sempre tenho presentes em cada dia de pesca.

O Sábado acordou limpo, fresquinho e calmo, com pequeno almoço a bordo, enquanto aguardava a chegada do Raimundo, do Victor e do Pedro, já conhecidos destas andanças e com tanta fome de pesca, quanta a minha "azia" do dia anterior, não pelas capturas, mas pela aparente falta de correspondência entre estas, os sinais dos "toques" e as leituras de sonda.

Os meus amigos lá chegaram, carregados de material, comida e sei lá mais o quê... Nas caras, estampados os sorrisos nervosos decorrentes da ansiedade de quem espera grandes e variadas lutas, inspirados talvez no que lêem por aqui, obrigando-me talvez a uma "mea culpa" por infringir tais emoções nos companheiros!?

Lá fomos, baía a fora, com o Raimundo e o Victor em picardias de irmãos, relacionadas com as respectivas capacidades enquanto pescadores, contemplados com o sorriso sonolento do Pedro que não se mete nessas disputas.

As teimosias ficaram de lado e testei de imediato o primeiro pesqueiro, logo ali perto, mostrando-se este sem aguagem, pouco activo de início, obrigando-nos a aguardar, atentos... Primeiro uns toques tímidos, depois um outro mais agressivo e zás! Saí o primeiro peixe do dia: a Bica do Pedro:


Os sorrisos e as ansiedades latentes sentiam-se enquanto, a pequenos espaços, entraram mais dois Parguetes, deixando adivinhar que a coisa talvez se viesse a dar. Nem pensar! Tal e qual como na minha passada incursão a este pesqueiro, de repente, parou!
Tentámos de tudo, gastámos tempo e suposto saber, mas, acabámos com iscas a subir e a descer, intactas, obrigando-nos a procurar outros mares, sob pena de ficarmos por ali em termos de capturas!

O plano que tinha delineado no "jantar técnico" prosseguiu e vá de procurar os mares de Sul. Primeiro um mais fora, a 40 metros; depois outro, mais à terra a 36. Ambos, moles no que respeita a sinais; ambos obrigando a gastar tempo e a fazer-me decidir por medidas drásticas e até arriscadas para a época... Vou à borda de água, àquele pesqueiro que já não tento há uns dois anos, vamos ver no que dá!?

Naveguei para Norte e para a terra, pensando relativamente ao pesqueiro: como estarás? As características serão as mesmas? Estarás areado? Terás peixe nesta altura do ano? Veremos!?

A posição do barco coincidiu com a marca do GPS, liguei a sonda. Estava no limpo e naveguei para terra, procurando aquele linha de pedra paralela a esta, em cuja beirada me habituei a ver sinais de peixe e... Lá estavam eles, alongando-se pelo limpo, numa marcação que sempre me deu bons resultados. Será que também os daria desta feita?

Aproei a NW, donde soprava o vento, largando o ferro no limpo, dando cabo para que enterrasse e me aguentasse o barco perto da beirada. O barco aproou ao vento, estabilizou o fundeio e a sonda mostrava-me os 26 metros esperados, carregadinhos de sinais de peixe. Parecia-me que sim?

Mostrei os sinais aos companheiros que, com algum cepticismo e muita vontade de pescar, lançaram os anzóis abaixo, tapados de Sardinha fresca.

Os toques não se fizeram esperar, assim como o rápido roubo de iscas, até que se deu a explosão!
Bicas daqui... Bicas dali... Um Pargo dacolá... Uma pesca que se fez em hora e meia a duas horas, cheia de adrenalina e exemplares que depressa se aproximavam do peso legal na sua totalidade.
Não entrou nenhum exemplar de grande porte, mas valeu pela frequência a que saíam peixes, dos quais vos mostro alguns exemplos.

A maior Bica do Raimundo:


O Maior Pargo a bordo, o do Victor:


Outra Bica para o Victor:


Um dos Sargos do Raimundo:


E, por aí fora, comigo e com o Pedro também a tirarmos o nosso quinhão, esquecendo fotos e aguardando o grande que nunca chegou a aparecer. Quem sabe o fizesse se lá temos ficado até ao cair da noite!?
Mas o pesqueiro morreu um pouco, assim como o entusiasmo, levando-nos a procurar os exemplares mais fundo, onde esbarrámos com a tal aguagem teimosa, de pouco nos valendo a tentativa. Mas que tentámos... Ninguém duvide! Talvez o tenhamos feito de forma desadequada... É possível! Nunca o iremos saber!

A jornada tinha terminado e a navegação para o porto quase coincidia com o esconder do Sol, na linha do horizonte, não conseguindo já ver os sorrisos que por sua vez iluminavam o poço do "mê barquito". Pena os grandes não terem entrado. Mas o Domingo vinha aí, a teimosia estava latente e logo se veria!?

O Domingo foi mais um dia de teimosia, minha e do Zé Beicinho.
Tornámos a correr pesqueiros de fora, com boas imagens de sonda, sinais de comedia, peixe agressivo a picar, tornando-se mole em cada um dos três pesqueiros testados que ainda um destes dias, antes do calor terminar, talvez nos recompenssem de tanta teimosia em os entender, dando-nos mais que a Dourada, os dois Parguetes e o Sargo; únicos peixes que neste dia trouxemos para terra e que nem mereceram as fotos da praxe. Até lá, vamos trabalhar mais um bocado enquanto se pensa o que fazer quando lá se voltar.

Entretanto, deixo-vos com as minhas teimosias, por vezes talvez exageradas, mas sem as quais, parece-me, seria mais difícil compreender as reacções de certos pesqueiros, em certas épocas e com determinadas condições de mar.

Boa noite a todos os leitores.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Vamos mas é... Pescar!


As emoções dos últimos tempos requeriam pesca com tudo o que ela me dá... Paz de espírito, contínua descoberta, aprendizagem, até humildade, e, muitas outras sensações; tantas e tão boas que levariam algumas páginas para descrever... Mais vale espaçá-las em tempo e outros escritos que venham por aí.

A opção que nem sequer o era, por ser a escolha única, deu-se nos passados dias (aqueles do blogue...) e reflecte-se na foto de entrada que passo a pormenorizar.

As condições de mar e vento, prometiam; a companhia dos dois primeiros dias, também; e, a perspectiva de ao terceiro dia ir pescar a solo, dava-me a sensação de poder arrumar ideias sobre o tempo passado, assim como, pescar em função dos resultados das pescas anteriores. Não fora o peso de ter fechado o blogue, tudo seria perfeito, mas, no momento, nem quis pensar nisso.

O Sábado acordou calmo e com algum nevoeiro que fez o favor de cerrar quando já tínhamos saído do Porto de Sines, eu, o Nuno Mira e o Tó Zé, pessoal de Évora que há muito não via.

O Radar e o GPS, informavam-me electronicamente do que à volta se passava e do rumo seguido, impondo-se, no entanto, velocidade baixa e procura de pesqueiros longe de rotas de navegação comercial, considerando a visibilidade reduzida que se verificava.

O primeiro pesqueiro surgiu no écran, a sonda iniciou o seu trabalho, a suposta zona quente descobriu-se, seguindo-se fundeio e, pesca com eles!

O peixe roubava com leveza e matreirice ou, simplesmente, parecia-nos isso por as bocas serem demasiado pequenas para os anzóis que usávamos... Aqueles para "gente crescida"!

Estávamos a 32 metros e a leve aguagem ia para Norte, coisa pouco habitual naquela zona e profundidade.
Os toques sucediam-se ao mesmo ritmo... Mole, pode dizer-se!?
Um toque mais fundo na cana do Nuno e entra o primeiro Sargo, orgulhosamente mostrado pelo pescador esforçado!


O entusiasmo desconfiado estabeleceu-se a bordo, a coisa parecia prometer, mas não!
Um Sargo daqui, outro dali, a pesca compunha-se espaçadamente e sem aquela agressividade de toques, presságio de maiores exemplares, tornando-se pesada, pouco motivadora e acabando por nos indicar mudança de pesqueiro.
Fomos mais fundo, mais fora, fundeámos e os toques iniciaram-se com melhores indícios, dando duas Bicas pequenas e tornando à moleza que já se verificava no pesqueiro anterior. Isto está mau! Pensei com os meus botões... Já vi outros dias destes, com aguagens mais fortes ou mais fracas e de rumos diferentes em pesqueiros não muito afastados, dificultando a localização de predadores talvez devido a tais variações que, transportando odores e movimentos, poderão fazê-los deslocar para zonas e tipos de fundo diferentes da época ou, pior ainda, mantê-los em movimento constante na procura do equilíbrio no que respeita ao consumo energético... Será?
Certo é que, os resultados têm-se apresentado difíceis nestas condições, com as raras excepções verificadas quanto se acerta num local de passagem e a aguagem funciona a nosso favor, ou, numa zona entre bicos onde o peixe possa procurar remansos e se atire espaçado às nossas iscas... Digo eu, neste pensamento em voz alta, sem saber muito bem se estarei certo!? Somente tentando perceber "porquês".
A verdade é que o dia terminou com alguns Sargos parecidos com o que o Nuno vos mostra, duas Bicas para o lado do pequeno, mais uma ou outra Sargueta maiorzita e com pescadores pensativos, embora entusiasmados e satisfeitos pelas experiências efectuadas. Essa é a maravilha da pesca, quando a vivemos intensamente e procuramos, não só o peixe, mas também as razões que nos levam à sua captura ou não!

Salvé Nuno e Tó Zé! Outros dias virão!

Fui jantar e falar dos acontecimentos, aguardando já o Domingo com o Zé Beicinho e o Zeca; pensando já o que faria e que pesqueiros procurar caso as condições se mantivessem.

Eram 09.00 horas e já navegávamos com calmaria e sem nevoeiro, em direcção a um pesqueiro onde já tenho feito zagaia, nunca lá tendo pescado fundeado. Decisão esta, baseada na configuração deste fundo, cheio de pontões. intervalados por alguns limpos, talvez com visitantes que nos interessassem, considerando os pensamentos do dia anterior...
A sonda apresentava marcações interessantes, fundeámos, iniciámos a pesca e a primeira descida deixou-nos os anzóis limpos, sem que sentíssemos um toque de jeito! Mau sinal... Bom Sinal... Mal me quer... Bem me quer...
Postas de sardinha repostas, nova descida, espera... A cana do Zeca dobra-se, dá-se luta conhecida, tudo em suspenso pensando talvez... Jáááá!!! Hummmm... Será bom ou mau? O que quer que fosse, o primeiro peixe a bordo já tinha uma côr bonita... Brilhante... Promissora!

Cá está ele acompanhado do sorriso largo do pescador.


O entusiasmo entrou em alta e ainda não estávamos recuperados, já o Zé Beicinho lutava com outro... O que se segue:


Outro! Disse para comigo, enquanto a minha baixada descia, procurando... Será que só há Pargos neste pesqueiro? Pensava eu, quando fui interrompido por aqueles três toques sequencialmente fundos, ferrei alto e iniciei combate com outro igual, deixando de pensar e concentrando-me na disputa.

Nesta altura, tudo parecia indicar que teríamos que retornar cedo ao Porto para não excedermos o peso, pensarão talvez os leitores!? Mas esses são pensamentos que não cabem na minha desconfiança natural no que respeita aos acontecimentos de pesca, e... Muita fartura inicial e rápida costuma colocar-me de sobreaviso, principalmente tendo em conta a aguagem que estava presente, o pesqueiro que ainda nem tinha sido trabalhado e os resultados do dia anterior.
Algumas questões me ocupavam o pensamento: Estes, tudo indica, Já cá estavam! Estarão acompanhados? Ficarão outros por aqui ou continuarão a aparecer espaçados? Talvez procurando comida ou, quem sabe, algum remanso que os poupe à força da aguagem? Vamos ver!

O roubo rápido e agressivo de iscas era um facto, assim como a sequência de capturas que terminou durante algum tempo, após a última captura, sucedendo-se uma pesca mais calma e trabalhada, esperando mais e melhor.
Sou sincero... Fiquei receoso!
Por um lado, não se abandona um pesqueiro que se mostrou tão profícuo logo à chegada, muito porque, se aqueles o procuraram, algo terá contribuído para tal. Por outro lado, os resultados de outras pescas fazem-me acreditar que sequências de capturas em crescendo, no que se refere a qualidade, indicam normalmente pesqueiros mais consistentes. Infelizmente, não me enganei!
Embora entrassem mais dois Parguitos espaçados e um ou outro Sargo de tamanho médio, o pesqueiro foi nitidamente morrendo ao longo das duas ou mais horas em que insistimos, baixadas para baixo e para cima, roubos contínuos e parcos resultados. Era hora de mudar de pesqueiro e já agora almoçar, repondo calorias necessários aos esforços que estavam para vir.
Lugar ao Bacalhau com Pimentos e à Carne de Vitela Assada, coisas do Zé Beicinho que sabem bem, embora não sejam o que uso quando vou a solo... Obrigam-me a parar e desconcentram-me, guloso como sou!
O dia decorreu, a insistência não diminuiu, mas os resultados mantiveram-se idênticos aos do dia anterior, com a entrada de um ou outro Sarguito como este que mostra o Zeca:


Mas onde raio andam os grandes? Perguntava-me já em hora limite para os procurar. Em algum lado andarão, "díluidos" em tanta água.

O dia de pesca terminou, saldando-se em alguma qualidade, embora com pouco peixe considerando os pescadores em acção. Mais um dia para a história, mais resultados em análise e mais riqueza para utilizar em próximas pescas.
Mas calma! Ainda me faltava um dia a pensar e repensar antes da deita, até porque não seria certamente longo!
Quando vou a solo, nem olho para o relógio! Acordo, faço o que tenho a fazer, olho à volta, penso outra vez e, normalmente, não chego ao primeiro pesqueiro antes das onze... Um quarto para o meio dia!? Boa Hora!

Jantámos O Pargo maior, escalado na brasa... Eu, o Zé, a mulher e o amigo Helder do restaurante Flôr de Sines. Tudo acompanhado com um branco especial... Fresquinho! Que rico dia de pesca!

Enquanto descansava do jantar; à frente dum digestivo no Bar do Náutico, numa noite quente e sem humidade, rara em Sines; pensava na sorte que tenho de poder usufruir de tal e analisava os dois últimos dias de pesca...
Pargos, nenhuns ou poucos! Sargos a salvarem a pesca! Irregularidade de comportamentos dos pesqueiros! Aguagens de rumos diversos em distâncias curtas... Tudo isto em pesqueiros já conhecidos. Hummm... Olhei a Lua no início do Crescente e perguntei-lhe: Serás tu a culpada disto?
Então passou-me pela cabeça: o peixe tem de andar em algum lado! Tem de alimentar-se! Se não anda por onde a época o indica, terá de estar algures e tenho de o encontrar!
Está decidido, amanhã "vazo o copo" e vou pescar onde nunca o fiz! Volto ao início e procuro com tudo o que penso saber e que não sabia nesses tempos! Alguma coisa acontecerá... Talvez até a grade!? Que se lixe!

O decisão estava tomada, a sardinha encomendada, o blogue já estava aberto ao público e o sono pesado e longo tomou conta de mim, balanceado pelos leves movimentos que a calmaria imprimia ao Makaira.

Acordei com o Sol a fazer-me suar, maltratando-me pela preguiça, derivada talvez dos cansaços de dois dias de mar, em pé, a pescar continuamente. Olhei-o de soslaio e respondi-lhe: "Tábem"... Já vou!

Saí para o mar, eram para aí umas dez e meia... Onze horas, apercebendo-me ao sair da baía, pela posição dos barcos fundeados e considerando a brisa de Nordeste que se fazia sentir, da existência quase certa de aguagens, apontando mentalmente que tinha de as verificar antes de qualquer manobra de fundeio.

A decisão tomada mantinha-se e resolvi testar pelo menos dois pesqueiros: um mais a terra e, caso não resultasse, outro mais fora. A estratégia estava definida e as tarefas iniciaram-se por zona menos profunda, sondando da pedra para o limpo e de menos para mais fundo, em linhas paralelas.
Ao fim de quase uma hora, encontrei o tal fundo de marcação interessante, a 35 metros; mostrando uma beirada de pontão carregada de peixe na sua base... Uma daquelas marcações a que costumo chamar seguras, mantendo o cepticismo sempre presente. Nunca tinha mesmo pescado em tal local, nem perto!
Fundeei, apercebi-me do rigor do fundeio e vá de pesca!

A sardinha caiu no fundo, adequei a tensão da linha e aguardei... Talvez 30 segundos!?
Três ou quatro toques rápidos e relativamente violentos apanharam-me tão descontraído que, quando levantei a cana, percebi pela pressão que já tinha os anzóis polidos! Mas o que é isto? Para quê tanta agressividade? "Gandas malandros"!? Ah é? Esperem que já conversamos!
Os toques sentidos conjugados com a marcação de sonda que tinha visto, indicavam coisa boa! Isquei rápido e para baixo com comida que os "moços" pareciam famintos!?

A descontracção já lá não estava, substituída pelos sentidos todos em alerta e pensando enquanto as iscas desciam que deveriam ser Sargos, com toda aquela violência, se fosse Pargo teria talvez ficado!? Decidi preparar-me para ferrar estes, de modo a não reagir de imediato aos primeiros toques o que normalmente tende a retirar-lhes a isca da boca. Não me enganei!
Um primeiro toque, leve; depois mais uns dois um pouco menos leves e a seguir... Toque mais fundo e ferragem! Aí vem ele... É Sargo e bicho criado pela certa!

Apresento-vos o primeiro do dia:


Tudo batia certo e sucederam-se outros, tirados a "papel químico" e intervalados com este, com toque, ferragem e luta mais pesada...


Mas o que é isto? Os Sargos endoidaram? Pensava para comigo, enquanto olhava a caixa com receio de atingir o limite legal mais cedo que esperava. Logo hoje que não tenho aqui ninguém para partilhar esta pesca. Paciência! O que é que posso fazer? Nada! Melhor mesmo... É pescar!

No diálogo mudo que comigo estabelecia, cabiam conversas sobre o tal grande que poderia entrar de um momento ao outro, mas, tal como começou também terminou abruptamente! Que raio... Então agora nem tocam na isca? Já sei! Entrou peixe maior, interessou-se, afastou os mais pequenos mas não se decidiu!? Será?
Estas questões fizeram-me estar por ali a tentar com iscadas grandes, pequenas, outra vez grandes, mas pasme-se... Nem mais um toque! Já me tinha acontecido, mas não com peixe desta qualidade. Mais uma para entrar no rol dos resultados e acontecimentos. E agora? Ia-me embora ou seguia com o plano e tentava os exemplares em pesqueiro mais fora?
Olhei as horas, contrariado e resolvi telefonar à minha mulher... Ah e tal, ainda queria testar mais um pesqueiro e coiso... Três dias de pesca, cansaço, conduzir... O que é que achas?
Ao que me respondeu: "tá bom"! Vai lá pescar, descansa e amanhã vem devagar!

Música celestial, compreensão feminina... Chamem-lhe o que quiserem! A minha cara devia parecer um poema... De tal modo que até me senti assim um pouco para o aparvalhado; mas estava negociado e ganho mais um fim de tarde espectacular, mais uma noite dormida a bordo e um jantar de coelho frito, para o qual tinha sido convidado e pensava que ia falhar. Sublime!

Ah! Calma aí! Ainda falta o resto da pescaria! Onde é que eu ia?
Já sei! Faltava o tal exemplar maior... Vamos ver se aconteceu!?

Naveguei para fora, continuando com a estratégia de sondagem que acima referi, até que, pelos 53 metros, encontro um entralhado com boa marcação, marco-o com o cursor e dou uma volta a ver o que o envolve. Encontro um pontão alto a NW e outro, um pouco mais baixo a SE, sendo que, entre o entralhado e ambos os pontões, a marcação de sonda mostrava vida em toda a extensão sondada. Aproei à brisa de NE e fiquei entre o entralhado e o pontão de SE, iniciando de imediato as hostilidades.

Os primeiros toques deram-se de imediato, pequenos mas agressivos, colocando-me em alerta.

A velocidade do roubo de iscas aumentou para níveis de fórmula 1, diminuindo a intensidade dos toques na razão inversa. Respondi com o aumento dos tamanhos das iscas, notando de imediato o maior agressividade nos toques, até que, numa das descidas, após alguns segundos sem nada sentir, dois toques mais violentos levaram-me a uma ferragem alta e luta a condizer com os mesmo, dando origem à captura desta Bica. Linda não é?


A coisa compunha-se e ainda havia lugar para mais um ou dois exemplares. Continuei!

As iscas grandes eram despedaçadas rapidamente, outras mais pequenas desapareciam quase sem se sentir. Imagine-se a quantidade de bocas pequenas que avidamente aguardavam comida lá em baixo... Uma loucura! Insisti nas grandes e, precedida de toque característico, pequeno e seco, sai-me uma Dourada de quilo, colocando-me em alerta máximo e obrigando-me a colocar a questão: será que estás só e abandonada por esses fundos ou anda por aí a tua mãe, talvez o pai ou, quem sabe, algum dos avós?

A resposta não demorou... Ainda não tinha elaborado sobre o assunto, quando outro toque seco, rápido e mais forte, me fez levantar a 7even de 3,60 violentamente!
Não enganava a luta violenta de sacões rápidos e intensos, intervalada com algumas fugas indicadoras do tamanho da bicha, era sem dúvida uma Dourada daquelas maiorzitas! Aqui a têm, com 3,200 kgs de carne excelente.


O limite legal tinha sido praticamente atingido, sendo esta Dourada o exemplar que colocava "a cereja no topo do bolo", entretanto o Sol já procurava o seu leito no horizonte, a paz abraçava-me por decisões tomadas, persistência na procura e resultados conseguidos; razões mais que suficientes para procurar a terra, proceder aos trabalhos de encerramento e... Tratar de comer o coelho frito entre amigos, encerrando a pesca em troca de idéias com o meu amigo João Martins que está lá por Sines, impedido de pescar por razões várias mas cheio de vontade de partilhar comigo sucessos ou insucessos de cada pescaria.

Cá estou convosco, donde não deveria ter saído!

Espero que se divirtam e até ao próximo relato

PS: Esquecia-me... Onde raio andarão os Pargos grandes? Sei onde andaram, aqui há uma ou duas semanas atrás, mas agora onde estão? Na próxima, talvez já saiba!?

domingo, 12 de setembro de 2010

Momentos...


... Uns melhores outros piores, por vezes condicionadores de comportamentos e acções não tão pensadas quanto desejaríamos e, no caso das limitações temporárias que impus no blog, pode dizer-se que me sentia tão azedo quanto o mar, na imagem de abertura.

Analisando as razões do azedume concluo que estas se sediam quer em um momento de vida em que sinto necessidade de alterar, modificar, fazer algo diferente; quer na constatação estatística de que o número de leitores que desfrutam deste espaço é escandalosamente superior aos que comentam, para não falar na quase nula retribuição no que a experiências e técnicas diz respeito.
Então, numa hora mais azeda e não muito feliz, resolvi fechar o blog por completo, pensando em iniciar um outro, com características totalmente diferentes... Do tipo: tomem lá fotos de capturas e agora adivinhem como terá sido!

A contínua auto avaliação obrigou-me a voltar atrás, ao aperceber-me que a pessoa que tomou essa atitude não sou eu, ou, talvez o seja... Em determinados momentos.

Portanto, não vai acontecer nada à "Minha Pesca". Eu vou continuar a escrever, quem lê e comenta porque gosta, vai continuar a poder fazê-lo, e... Etc..

Importa ainda referir que nunca foi minha ideia fechar o blog, abrindo-o unicamente para alguns. Essa é a informação que, por defeito ou minha inépcia, é fornecida pelo servidor.

Até ao próximo relato

Boa noite a todos os leitores

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Pesca ao ritmo de mini férias!


Umas férias diferentes, curtas, salteadas de família que, ora estava por aqui aguardando uns peixes para um jantar, ora por ali pescando comigo.
O lado da filha e neta, pela Zambujeira do Mar, aguardando o pai/avô, com aquele Sargo Veado para escalar ao jantar; a pesca do dia a seguir, de volta a Sines em que, entre outros se capturou este Parguito de três quilos e qualquer coisa, obra do João Martins, companheiro desse dia.

Já estava amanhado quando lhe tirámos a foto... A máquina tinha viajado até à Zambujeira para curtir a neta e tinha ficado no carro... Azar!

Volta a Setúbal e nova ida a Coimbra com o meu sogro, para ver se estava tudo bem. Felizmente estava e a minha mulher olhando para mim, aliviada, pergunta: e se fossemos já para Sines? Sempre fazemos dois ou três dias calmos. Nem olhámos para traz, nem desfizemos as malas... Ala para Sines! Dormir, acordar tarde sem olhar a horas ou combinações de qualquer espécie, talvez apanhar Sol, talvez pescar...
Acordámos no passado Sábado já o Sol ia alto, com mar direito e pouco vento, olhando a pesca como uma boa alternativa para os banhos de Sol... Logo descansaríamos no Domingo.

Onde está a isca? Anda por aí! Encontrámos e andámos para o mar, procurando o primeiro pesqueiro, aquele que sempre procuro para testar, com os sentidos alerta e o pensamento colocado já em outro, caso os testes falhem. Falharam no primeiro, o mesmo não acontecendo no segundo, dando origem a uma pescaria jeitosa, com a minha mulher que não gosta de fotos a ferrar o maior peixe do par que abaixo se vê!


Ambos fazendo parte duma pesca que se compôs para aí em duas horitas, sem stress e ao ritmo do peixe.
Não dava para tirar foto com todos, por isso lá os espalhámos para os mirar e... A máquina estava lá!


Mais uns peixitos e atingíamos o limite legal, mas também... Para quê tanto peixe?

O Sábado estava feito! A alegria estava estampada nos nossos rostos e a conversa cheirava a peixe, com Sardinha e Lula à mistura.

Belo jantar! Bela tertúlia com amigos! Belos dias de descanso que se sucederam!

Hoje voltámos a casa, mas não tarda, estamos caídos outra vez lá por Sines. Depois conto!

Até lá, divirtam-se com o que temos para vos apresentar, pensando: "... Quem dá o que tem, a mais não é obrigado"!

Uma boa noite a todos os leitores.