segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comentários anónimos e pesca com hora marcada… Como conjugar isto?

O fim de semana teve pesca, Sexta à tarde e Sábado com hora marcada para chegar a Setúbal e jantar com a minha mulher antecipando o seu aniversário.
Não foram grandes pescas, mas a tarde de Sexta valeu um um bom jantar e o meio dia de Sábado, ainda deu para a fotografia. Mas já lá vamos.
A talhe de foice quero contar-vos, entretanto, sobre um comentário enviado por um anónimo.
No Domingo, dia dos "Cravos", de manhã, vim por aqui dar uma volta, deparando-me com dois comentários novos: um, de um novo comentador que gostou do que leu e normalmente se identificou e comentou; outro, de um anónimo, de poucas palavras, nítida e anormalmente ofensivo.
Ao primeiro respondi como normalmente faço; o segundo, deixou-me a pensar... O que faço? Vale a pena fazer algo? Publico... Não publico? Respondo… Não respondo? Recuso... Não recuso?
A verdade é que o blogue já tem 3 anos e tal de vida e nunca tal tinha acontecido?! Senão vejamos:
O leitor anónimo, supostamente zangado, em poucas palavras e referindo-se à última entrada sobre material (http://aminhapesca.blogspot.com/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html) "manda-me" literalmente "... Meter as minhas teses e teorias...", naquele sítio da minha anatomia onde tenho dificuldade em conter a saída de alguns gases, principalmente quando vejo, leio ou oiço certas coisas... Ninguém é perfeito!
Convenhamos... Não é bonito!
Uma outra dificuldade criada à pretensiosa "ordem" dada por este Sr. Anónimo, prende-se com a quantidade enorme de "teses", "teorias" e resultados que as baseiam... Imaginem-me a ter de meter no "tal sítio" tudo o que já escrevi, mais as capturas que fundamentam os escritos?!
Decididamente, o meu "tal sítio" não tem hábito, treino ou capacidade para tanto e congratulo-me por isso.
Vai-se ver, este Sr. Anónimo tem um "tal sítio" com enormes capacidades e pensa que toda a gente é parecida... Mas parece-me que está redondamente enganado.
Brincadeiras à parte... Este tipo de intervenção não se coaduna minimamente com o espírito d' A Minha Pesca ou com o ambiente que por aqui se vive, o que me fez não deixar o caso passar ao lado. Não quero qualifica-lo, mas é bom que tenhamos os pés na terra quanto a intervenções deste tipo. Existem de facto!
Quanto ao Sr. Anónimo, quero informa-lo que o seu anonimato pode não estar salvaguardado, dependendo para tal a escolha que fez do conjunto PC/net utilizado.
As ferramentas de identificação que tenho aqui na página dizem-me que: a partir de Lisboa, esteva cá entre a 1.18.46 e a 1.44.04 horas, da madrugada de Domingo; entrou através de link existente num blogue de pessoal amigo e escreveu um comentário na referida entrada que não publiquei. A mesma ferramenta de identificação deixa-me o IP utilizado, assim como a identificação alfanumérica do servidor de internet, no seu caso a netcabo. Quem sabe… Talvez ainda nos venhamos a conhecer…
Para todos os efeitos, as “teses” e “teorias” que coloco por aqui em vez de no “tal sítio”, acabaram, em tempo de pesca reduzido e procurando pesqueiros que me pareceram adequados ao súbito aumento da temperatura das águas (18º), por resultar em alguns bons peixes.
Na Sexta, iniciei a solo, pelas 15.00 horas e, após trabalho árduo de reposição contínua de iscas, ainda entraram uns Parguetes, algumas Sarguetas de bom tamanho, dois Sargos para aí de meio quilo e este maiorzito da foto.
DSC03890
Coitado do bicho, embora mais gordo que o habitual para esta altura do ano, reparem na barbatana caudal… Sofreu para ali um ataque de dentes grandes… O que teria sido?
Certo é que fez as delícias do Zé Manel, do Joaquim e minhas. Estava um espectáculo!
À conversa animada após o jantar, sucederam a recolha de iscas para o dia seguinte e o merecido descanso.
O Sábado acordou bonito e calmo, antevendo algumas horas de pesca sem percalços e balanços, na companhia do meu amigo Zeca.
O tempo de pesca seria curto, mas arriscámos os pesqueiros de terra, na procura de surpresas que podem acontecer nestes momentos em que as temperaturas da água aumentam.
As iscadas de Sardinha iniciaram o seu serviço em fundos de 23 metros com boa marcação. A cana com isca viva, iscada com um Peixe Piça, solicitava um ataque de peixe maior, mas, ao fim de uma hora e tal, a trabalhar o pesqueiro, os sinais desvaneceram-se obrigando-nos a procurar outros fundos. Fomos para fora, procurámos, sondámos e fundeámos agora mais fundo… A 48 metros.
A acção de pesca iniciou-se dando bons sinais, tanto pelo tipo de toques, quanto pelo roubo das iscadas. Entraram Sarguetas, Parguetes, Choupas grandes, espaçados no tempo e com promessa de que algo mais interessante poderia acontecer. O tempo esgotava-se e o maior entrou! Cá está ele… Mais uma Saima para o rol!
DSC03892 Não tem dúvida, esta época não me largam, estes listados!
Insistimos mais uma meia hora, mas a luta entre ir ficando ou cumprir com horas combinadas para jantar em Setúbal com a família, pendeu para este último lado e voltámos ao porto, com aquela sensação de que a tarde poderia trazer aqueles maiores que tão insistentemente procuramos.
Outros dias… Outras pescas vão acontecer, este ano mais espaçadas, primeiro pelas condições climatéricas e agora por trabalho. Vamos ver quando volto… Espero que breve.
Até lá divirtam-se e pesquem muito!
Boa noite a todos os leitores

terça-feira, 13 de abril de 2010

Que saudades…

Sonda Brutal
… Tinha eu de estar convosco, mostrar-vos fotos de sonda espectaculares, falar-vos das minhas pescas, agora muito intervaladas, pelo trabalho, a vida… Razões pouco aceitáveis, eu sei! Mas que nos tiram, por vezes, algumas vontades e até a inspiração.
Mas cá estou eu, tentando ser fiel a todos vós que me lêem e continuamente procuram leitura à segunda feira, insistem à terça e, parece-me, esmorecem à quarta, procurando depois outras páginas aqui pelo blogue.
A verdade é que sinto isso e a sensação não é boa, pois gostaria de corresponder, mantendo hábitos que me sinto responsável de ter de algum modo criado. Mas a vida é assim, como a pesca… Irregular, em muitos mais momentos que desejaríamos.
Mas cá estou mostrando a foto de sonda, de um fundo que ao fim dum dia de Zagaia, muito trabalhoso e pouco frutífero me deu o Robalo da foto abaixo:
O Robalito
Atirou-se àquela zagaia, estreando-a nas capturas e salvou-me da grade, neste Domingo em que à última hora me decidi a arriscar, saindo Sábado à noite para Sines e gozando um pouco do “paraíso”, antes da última semana de aulas do 2.º período; pródiga em actividades, reuniões, avaliações e outras coisas mais ou menos interessantes terminadas ou não em “ades” ou “ões”.
Mesmo assim antes o Robalo deste Domingo que o Pampo  do Domingo seguinte (28/Março), dia ainda mais trabalhoso e menos frutífero, também ele tirado à última da hora e dedicado à zagaia por fundos que oscilaram entre os 20 e os 100 metros, em 6 horas consecutivas de conversa com o mar, o barco, os peixes, os fundos… Tão bom!
Cá está o “artista” que acabou por escolher a mesma zagaia que o Robalo, entre tantas testadas nas dezenas de passagens em cada pesqueiro.
O Pampo 
A estas jornadas “tiradas a ferros”, entre longos dias de trabalho, sobrevieram as reuniões de avaliação, a Páscoa, o passeio com a família, a constipação da neta e, quando já se pensava que o 3.º período ia começar sem um intervalito para pescar, eis senão quando… Surge a oportunidade de quatro dias de pesca (Quinta, Sexta, Sábado e Domingo passados) sugeridos pela família e agarrados por mim com unhas e dentes.
Mereço? Não mereço? Não sei!
O que sei é que os aproveitei até ao último momento, como se fora a última vez que pescasse na minha vida.
Alguns de vós comentarão: Este gajo… Para aqui a queixar-se e depois é isto… Quatro dias de pesca sem ninguém o chatear!
Têm razão! Mas não me estou a queixar, simplesmente sinto necessidade de vos dar alguma explicação por estar tanto tempo sem nada escrever por aqui… Não é uma obrigação. eu sei! Mas é uma questão de respeito por quem aqui vem procurar. Coisas de malta velha… Não liguem!
Vamos mas é passar para o que interessa que isto de filosofar é para filósofos! A malta por aqui quer é pescar!
A pesca nesta altura do ano, complica-se quanto a exemplares maiores. Não porque deixem de existir ou de comer, mudam é de zonas, procurando tendencialmente pesqueiros mais profundos, por vezes longínquos, mais sujeitos a correntes variáveis em intensidade e direcção, o que, coadjuvado pelas mudanças também de intensidade e direcção do vento, tornam as manobras de fundeio mais difíceis, quer de efectuar, quer de manter ao longo da jornada de pesca, obrigando muitas vezes a várias manobras ao longo do dia para que nos mantenhamos em cima do local ou zona escolhidos.
As dificuldades aumentam com ventos laterais à vaga causadores de movimentos muito desconfortáveis do barco ou correntes contrárias ao vento, ocasionando muitas vezes linhas para baixo do barco ou para a proa, promotoras de acções de pesca difíceis e tendentes a moerem a paciência dos mais persistentes.
Estes pensamentos enchiam-me a mente, enquanto guiava para Sines na Quarta Feira à noite, ao som da Vanessa da Mata, antevendo a pesca de Quinta, programada a solo, sem horas; após uma noite que esperava e foi bem dormida.
O Sol já assomava sobre o molhe à popa do barco quando me levantei, observei e cheirei a manhã; gozando tudo a que acho ter direito. Seguiram-se o pequeno almoço, as conversas com quem me cruzei, o controlo sobre o tempo que era meu, talvez atrasando o climax de sair para o mar e entrar no mundo da pesca, onde sei que tudo esqueço, para além da sonda, do GPS, das iscas, dos materiais e da dança ritmada entre as subidas, descidas, toques e consequentes sinais, constante e sistematicamente analisados, sentidos, esperando sempre aquele momento em que a cana é elevada e o peixe, lá ao fundo, a obriga a mostrar o que vale em conjunto com quem a manobra.
Procurei longe e longe fundeei em manobra certa que durou o pouco tempo em que a direcção do vento mudou, a intensidade diminuiu e, de imediato, o barco saiu do pesqueiro deixando-me a pescar no deserto. Levantei ferro, fundeei de novo, montei as iscas e o vento aumentou, assim como a corrente fazendo-me de novo sair do pesqueiro. Desisti e procurei pesqueiro mais fácil, sob pena de gastar demasiado tempo útil de pesca em manobras de fundear sucessivas.
A acção de pesca, fruto das manobras descritas, iniciou-se pelas duas da tarde, em pesqueiro mais à terra, com boa marcação de sonda e onde já só esperava apanhar o jantar e descansar da azáfama, pescando.
A sardinha iniciou o seu trabalho certinho, ritmado. Os sinais prometiam e o primeiro Parguito entrou uma meia hora depois. Se fosse mais cedo tinha-o libertado, mas a vontade de comer peixe fresquinho ao jantar foi mais forte e guardei-o.
O peixe comia de tudo, Sardinha, Cavala e Lula, rápida e agressivamente, indicando que mais cedo ou mais tarde algo aconteceria.
Um Carapau daqueles grandes e gordos, para aí com uns 35/40 cm, foi a vítima seguinte, fazendo-me sorrir por sentir que o jantar, para mim e mais alguém, já estava garantido. Mas não tinha acabado… Dois Sargos um tudo nada maiores que o pé, acabaram por entrar, assim como uma daquelas Choupas azuis, para aí com meio quilo. Nesta altura, já nem queria pensar em mais peixe; o jantar estava garantido, estava arrependido de ter guardado o Parguito de 800 grs que tinha entrado à primeira, mas o mal já estava feito… Lá teria de o comer grelhadinho, com salada à Algarvia e batatinha cozida em molho de azeite, coentrinho e alho… Chatice!
O Sol já baixava, quando, numa das últimas descidas de iscas, senti aquele toque duplo, mais seco e fundo, quase garantido e… Ferrei! Deu-se a luta que antevia uma testa com lista dourada, pertença do peixe a que dá nome. Cá está ela… A última do dia.
Dourada de Quinta feira
A azáfama da manhã, a pesca que se compôs durante a tarde e esta última Dourada, ocuparam-me o pensamento durante a viagem de volta ao porto, pensando no jantar e na noite e três dias de pesca que ainda tinha ao meu dispor, acompanhado por pessoal amigo que o clima atípico, deste ano de 2010, não permitiu que mais cedo viessem pescar comigo.
O jantar decorreu entre nacos de Parguito e Carapau XL, goles de Pias, história do dia e antevisão da jornada seguinte, já com a presença do João Martins, companheiro de outras pescas, da jornada que se seguia e também pouco amigo de pescas pela madrugada, pelo que combinámos pequeno almoço entre as 9.00 e as 10.00… Boa hora. A vida não é só pesca.
Saímos na Sexta, pelas 10.30 e dirigimo-nos aos mares de fora onde me apercebi que a irregularidade dos ventos e correntes nos fariam certamente sofrer as canseiras do dia anterior que, sinceramente, não me apeteciam, para além de ter ficado curioso em tornar à zona do dia anterior e explorá-la bem, durante todo o dia. Procurei a zona que sondei melhor, encontrando uma boa marcação numa cetomba que caía, após um pontão a 39 metros, para os 54 metros de profundidade, mostrando peixe em toda a extensão sondada. Mesmo como gosto. Fundeámos e fomos à luta.
O peixe comia de tudo a uma velocidade impressionante, adivinhando-se jornada trabalhosa e quem sabe profícua, com a habitual variação de iscas e formato de iscadas, tendo a Sardinha como isca mãe, pela capacidade de atracção sobejamente testada e comprovada.
Entraram Pargos, sem grandes exemplares, outros peixes, com curiosidades no que respeita mais à qualidade e variedade de espécies que propriamente à quantidade, como se pode ver no relatório fotográfico que se segue.
O João e a Choupa Azul:
Choupa JM 
O Sarrajão:
Sarrajão
A surpresa do dia, também pela mão do João:

JM Robalo e Abrótea
Vejam só! Um Robalo no anzol de cima e uma Abrótea no anzol de baixo, a pescar ao fundo!
Pode dizer-se no mínimo… É curioso!
Finalmente a nossa pesca:
Pesca com JM
Certamente não se pode considerar uma grande pesca, mas a qualidade esteve presente e aquele Parguito maior caiu nas mãos do Zé Beicinho que fez o favor de o escalar e grelhar, fazendo as delícias destes dois pescadores que com ele se empanturraram, enquanto esmifravam o dia de pesca ao pormenor mais ínfimo. Bonito não é?
O cansaço já se fazia sentir, sobrevindo obrigatoriamente a deita e o sono longo e profundo antecedendo a chegada dos companheiros de longa data: Raimundo, Pedro e Vitor!
Desta vez, nem tentei procurar outro sítio!
Mais gente a pescar, mais Sardinha a fazer efeito e quem sabe atrairíamos algo maior.
A pesca decorreu com os mesmo sinais, o barco certinho no pesqueiro durante todo o Santo dia e bastante mais peixe, embora os exemplares próximos da meia dezena de quilos ou maiores não tenham comparecido, mas… Vejam lá as fotos!
Um dos Parguitos do Vitor:
Parguinho Vitor I
Um dos Parguitos do Raimundo:
Parguete Raimundo II
Um dos Sargos que entraram, pela mão do Vitor:
Sargo Vitor
A pesca andou assim… Parguito daqui, Sargo dali, Choupa Azul dacolá, com o Pedro  em maré de azar e eu, sempre à espera daquele peixe, a conseguir o melhor exemplar do dia… Este que se apresenta:
Saima 
As Saimas estão a gostar dos meus anzóis, pois que venham enquanto outros maiores não me aparecem.
Foi uma boa pesca que terminámos junto ao molhe Oeste onde procurámos uns Besugos que compareceram tímidos e em pouca quantidade, para compor o rodízio de peixe.
Voltámos ao porto, satisfeitos, acusando eu o cansaço acumulado em três dias de actividade intensa e ainda com um dia de pesca pela frente que, pela sua diferença dos três relatados, merece uma análise própria em entrada posterior que farei assim que o tempo e a inspiração me permitirem.
Até lá, espero que se divirtam se não mais, tanto quanto eu me diverti a pescar e a conversar convosco por aqui.
Boa noite a todos os leitores.