Uma pequena paragem no trabalho, férias com família e amigos, tempo de calma que se pretende intervalado com pesca.
Acordo com Sol já alto e fixo a imagem de calma que o monte me oferece, oiço a passarada e penso que não estou longe da embarcação, assim como o Victor e o João Martins, companheiros deste dia de pesca alternado, durante algumas horas, com a companhia da família que já nos encomendou o jantar.
Até a gata "Lili", moradora no local, me olha nos olhos, como que dizendo: "ouve lá, oh mastronço... é hoje que como tripas frescas"?
Respondo-lhe com ar céptico... talvez!?
Entretanto, viro-me para o pessoal e aconselho a descongelarem qualquer coisa, não vá o diabo tecê-las!?
Tudo isto, enquanto decorrem os preparativos para iniciar os trabalhos de mais um dia de pesca. Maravilha!!!
A previsão meteorológica não é das melhoras, apontando vento para a hora do almoço desta Segunda Feira e... estou indeciso!
Que pesqueiro escolher?
O peixe, provavelmente, continua ali por terra; a temperatura da água é baixa e pode ter alterado este factor; ir para fora, pode não ser a melhor hipótese atendendo a que a entrada do vento vai certamente correr connosco para a terra não se sabe quando; como optar? Vamos ver!? Penso para comigo, enquanto eu e o Victor vencemos a distância que nos separa de Sines, do encontro com o João Martins e dos preparativos finais desta jornada.
Já navegamos na baía e o primeiro pesqueiro está escolhido... vamos arriscar um pouco mais fora que nas últimas jornadas mesmo que o vento não nos deixe lá estar o tempo necvessário, pelo menos tentamos.
Encontramos o fundo que queremos, a marcação está lá, suficiente, fundeamos e iniciamos as hostilidades.
O roubo rápido embora pouco perceptível de iscas inicia-se de imediato e as aspirações ficam em alta, ao ponto de pensarmos que o jantar, para a família, amigos e gata, está garantido... mas não!
Decorre uma hora e tal de "trabalho árduo" e nem sinal de um peixe de jeito, para além de duas Sarguetas, tipo medalha e de algumas Bogas e Cavalas, nada sobe, fazendo-nos pensar em telefonar para os organizadores da paparoca, avisando-os que aquela história de descongelarem umas coisas para o jantar é capaz de se tornar uma realidade, mas optamos por aguardar mais um pouco, mantendo a regularidade das subidas e descidas de iscas; muito por alguns toques que pareciam diferentes e também por um repentino aumento do tempo de desiscagem. Será que o pesqueiro vai sofrer alteração? Nesta altura do ano, acontece e, por vezes, nem mais uma isca é tocada. Ou será que algum predador entrou na área?
A minha iscada toca o fundo, acerto a tensão da linha e aguardo sem nada sentir. Os toques vêem de repente... um, dois, três; rápidos e intensos, levando-me a ferrar alto para ver a ponteira a cabecear desalmada, prenuncio de uma luta jeitosa e subida do primeiro "companheiro para o jantar".
Pfiuuuuu... estava a ver que não!?
A bordo tudo ficou mais atento, sentindo que estava a valer a pena o trabalho e a espera, mas, para além de mais uma Dourada pequena, nada mais se conseguiu antes que o vento nos corresse mais para a terra, procurando conseguir o resto do jantar em ambiente mais cómodo.
Mais procura, mais sondagem, mais fundeio e... iscas para baixo!
A água era mais azul, os primeiros toques tardaram e as iscas nunca foram roubadas na totalidade. Primeiro, nada; depois, roubavam a isca do anzol de baixo; mais tarde a do anzol de cima; mas, os toques sentiam-se melhor, não só por menos profundidade, mas pelo tipo de peixe que por lá andava, começando o Victor por tirar uns Sargos de bom tamanho e até este Veado... lindo!
O jantar já estava garantido, já podia devolver a gracinha à gata e continuar a dizer ao pessoal: "normalmente, para o jantar, arranja-se sempre"!
Mas, ainda não tinha acabado, pois o nosso João Martins, quando já se olhavam os relógios com intenções de regresso ao porto e aos trabalhos que precederiam o jantar técnico alargado, dá o seu grito de guerra... eh láááá!!!
Percebia-se porquê! A sua 7even, cabeceava loucamente, a linha já saía e a luta dava-se... agreste; fazendo subir ao poço mais este exemplar que iluminou os olhos do meu companheiro e abrilhantou a caixinha do pescado!A pesca estava safa, a comida para o jantar também, quer em quantidade, quer em qualidade; e, a conversa de pesca perspectivava-se cheia e longa!
Quanto à gata... tramou-se com as desconfianças e teve de se bater com a enorme parte que lhe coube! O respeitinho é muito bonito!
Brincadeiras à parte, mais uma jornada "difícil", onde o trabalho de equipa, em conjunto com as opções tomadas, se verificou suficientemente produtivo para alegrar todos os intervenientes deste dia de pesca.
Esta Quarta Feira também fomos e ainda foi mais complicado, embora com jantar assegurado; mas, sobre este dia falaremos quando o analisar melhor.
Até lá, uma boa tarde para todos vós e boas leituras, estejam ou não em período de férias.
