Os escritos que vos deixo, tendo à partida em conta tudo o que por aqui já prosei, partem normalmente de uma ideia e, por vezes, adequam-se conforme pescas anteriores, momentos em que tinha uma intenção mas, por razões diversas, não a consegui concretizar e até por, ao fazer outras pescas, acabar por compor algo diferente do previamente pensado.
O presente artigo, encaixa-se no último caso, atendendo a que, da intenção de escrever sobre as pescarias realizadas de 9 a 11 de Setembro, considerando acontecimentos específicos, sucederam-se respectivamente: a impossibilidade de o concretizar em tempo; outras pescas que culminaram no passado dia 24; e até, trocas de impressões com outros pescadores que me "tocaram numa ferida": nunca me debrucei seriamente sobre a questão das vantagens ou desvantagens de ir cedíssimo para a pesca!? Sinceramente... prefiro vir tardíssimo!
Como se tal não bastasse, cada vez que o tentei, e nem falo de normais saídas pelas 8.00/9.00 horas (cedíssimo para mim), mas sim de sair ainda de noite e começar a pescar ao raiar do dia; só por volta das onze e tal é que começo a apanhar uns peixes... quando começo!? Terá sido castigo por pecado mortal da preguiça?
Certo é que precisaria de sair cedo assiduamente para "sarar" aquela "ferida" que referi... a tal de continuar sem saber coisas que gostaria.
A introdução anterior revela os pensamentos que me assolavam enquanto mirava a foto de entrada, correspondente ao dia 9 de Setembro, na companhia do João Martins, envoltos numa névoa que não deixava perceber a saída às 11.00 horas e de forma alguma prenunciaria para muitos de nós que o primeiro peixe a bordo seria este...
... também que os dois primeiros fossem estes...
... nem pensar que logo a seguir entrasse este (o primeiro grande do João)...
... que comporia esta pesquita de meia hora...
... culminando nesta bela caixa de peixe que nos trouxe a terra por volta das quatro da tarde, felizes e contentes...
... outra vez com o nevoeiro por companhia.
Outras pescas se sucederam, mais ou menos frutuosas, mas sempre com exemplares que podendo não ser o principal objectivo da pesca, sem dúvida a abrilhantaram, não deixando os meus amigos de mãos a abanar, como foi o caso do dia seguinte com o João, o Tózé e o Nuno Mira onde, à falta de Pargos, se conseguiram umas boas Douradas, como esta...
... esta outra...
... e ainda esta.
A felicidade, parece-me algo que devemos ser nós a contribuir para que exista e se acham que não... olhem só para a felicidade do moço da foto seguinte, quando lhe saiu um Besugo, em dia pouco produtivo, mas onde os sinais se apresentavam de modo a que assim não fosse. Coisas da pesca... nem sempre se consegue acertar.
O mesmo não se pode dizer da pesca seguinte, em que o João Martins, à segunda descida de isca, bisa em grandes com este que pesava 6,240 kg...
... logo seguido daquele outro que está agora no chão, ao lado do dele, capturado pelo gajo da Crock e que pesava metade... acho que está criado um "monstro"!?
Depois destes dois, capturámos mais um Safio e uma Dourada, achando que já chegava de peixe e voltámos para terra com muito para contar, durante o habitual jantar técnico que antecederia a última pescaria até ao momento que, não sendo brilhante, ainda permitiu a captura de alguns exemplares, como a Dourada do Carlos Jorge...
... e o Pargo do outro Carlos, em pesqueiro só encontrado tardiamente.
As reflexões iniciais e os resultados documentados, continuam no entanto sem me resolver a tal questão... será que se saísse para a pesca mais cedo não capturaria mais e/ou melhores peixes? Ou será que sou preguiçoso e, nesta minha pesca, nunca chegarei a ser capaz de discernir sobre tal?
Sobre a questão da preguiça, resolvi consultar o dicionário, na procura de justificações para me catalogar, ou não, como preguiçoso convicto e, passando a definição de preguiça como género de mamíferos, desdentados, bradípodes da América do Sul que fisiologicamente não se aplica, encontrei ainda as seguintes:
Sobre a questão da preguiça, resolvi consultar o dicionário, na procura de justificações para me catalogar, ou não, como preguiçoso convicto e, passando a definição de preguiça como género de mamíferos, desdentados, bradípodes da América do Sul que fisiologicamente não se aplica, encontrei ainda as seguintes:
A. Demora ou lentidão em agir.
B. Gosto de estar na cama, de se levantar tarde.
C. Propensão para não trabalhar.
Da análise às definições encontradas e reflectindo sobre o meu próprio comportamento, considerei o seguinte:
- Sobre a demora ou lentidão em agir, nem pensar! Se estou em acção de pesca, tais questões nem se colocam... aquilo é sempre a funcionar, sem agitação, mas com muito poucas paragens!
- Relativamente ao gosto de estar na cama e/ou de me levantar tarde... já depende!?
Se me deito mais tarde, gosto de compensar de manhã; mesmo quando me deito mais cedo, uma coisa tenho de assumir... não gosto de correr logo de manhã, preferindo saborear cada momento que antecede a saída para a pesca, atrasando-a por vezes, quase como "aqueles preliminares"... Não sei se me faço entender!? No entanto, também não acho que tal comportamento faça de mim um seguidor da preguiça!?
- Finalmente, sobre a propensão para não trabalhar... nem pensar! Quem me conhece de há menos ou mais tempo, sabe que se aplica tanto quanto a tal definição do mamífero sul americano!
Tendo em conta as reflexões anteriores, digamos que será mais o prazer de, à minha maneira, gozar cada momento de um dia de pesca e não a preguiça que me fazem ir mais tarde que o que parece ser normal e, consequentemente, não me permitir perceber se teria ganhos significativos com atitude diversa.
Verdade que ter barco próprio e estar num local que tem bons pesqueiros perto, contribui para a manutenção destes horários, pois se assim não fosse teria certamente de rever a coisa; embora quando pescava em Setúbal e fazia normalmente 15 milhas para ir pescar, só entrasse na água por volta das 8.30, conseguindo mesmo assim boas pescarias, tendo em conta os conhecimentos que tinha na época.
Não entendam os leitores esta entrada, como uma crítica a quem pratica os horários da alvorada, antes uma auto punição por assim não o fazer, decorrendo de tal, uma hora do dia sobre a qual não me posso efectivamente pronunciar.
Poderão agora questionar: "então... com esta conversa toda, vais começar a ir cedinho ou não"?
A resposta é: em princípio não!
Isto porque, por um lado, as condições do local e os conceitos que descrevi na entrada anterior, fornecem-me matéria prima e ferramentas passíveis de manterem hipóteses significativas de continuar a evoluir na minha pesca, quer fundeada, quer noutras técnicas; por outro lado, sinto ter tanto para aprender geograficamente sobre Sines e a evoluir nos meus próprios conceitos que, sinceramente, não me apetece correr nessa procura; antes, fazê-la o mais calma e metodicamente possível.
Para terminar por hoje e ainda sobre a preguiça, importa referir que me parece ser esta mais preocupante para aqueles que não sendo preguiçosos acabam por se tornar, quando pensam que os peixes maiores estão lá de boca aberta aguardando as suas reais iscas e subindo continuamente, e, ao verificarem que assim não é, conseguem estar 10 minutos com baixadas desiscadas, em dias que os tais peixes desinteressantes, na verdade actuando como chamariz dos "outros", as destroem em segundos.
Resumindo, não vos posso informar sobre o que se passa entre as 6.00 e as 9.00 da manhã, pois pura e simplesmente também não sei!
Se algum dia o chegar a saber, não tenham dúvidas que coloco por aqui!
Boa tarde a todos os leitores!
Da análise às definições encontradas e reflectindo sobre o meu próprio comportamento, considerei o seguinte:
- Sobre a demora ou lentidão em agir, nem pensar! Se estou em acção de pesca, tais questões nem se colocam... aquilo é sempre a funcionar, sem agitação, mas com muito poucas paragens!
- Relativamente ao gosto de estar na cama e/ou de me levantar tarde... já depende!?
Se me deito mais tarde, gosto de compensar de manhã; mesmo quando me deito mais cedo, uma coisa tenho de assumir... não gosto de correr logo de manhã, preferindo saborear cada momento que antecede a saída para a pesca, atrasando-a por vezes, quase como "aqueles preliminares"... Não sei se me faço entender!? No entanto, também não acho que tal comportamento faça de mim um seguidor da preguiça!?
- Finalmente, sobre a propensão para não trabalhar... nem pensar! Quem me conhece de há menos ou mais tempo, sabe que se aplica tanto quanto a tal definição do mamífero sul americano!
Tendo em conta as reflexões anteriores, digamos que será mais o prazer de, à minha maneira, gozar cada momento de um dia de pesca e não a preguiça que me fazem ir mais tarde que o que parece ser normal e, consequentemente, não me permitir perceber se teria ganhos significativos com atitude diversa.
Verdade que ter barco próprio e estar num local que tem bons pesqueiros perto, contribui para a manutenção destes horários, pois se assim não fosse teria certamente de rever a coisa; embora quando pescava em Setúbal e fazia normalmente 15 milhas para ir pescar, só entrasse na água por volta das 8.30, conseguindo mesmo assim boas pescarias, tendo em conta os conhecimentos que tinha na época.
Não entendam os leitores esta entrada, como uma crítica a quem pratica os horários da alvorada, antes uma auto punição por assim não o fazer, decorrendo de tal, uma hora do dia sobre a qual não me posso efectivamente pronunciar.
Poderão agora questionar: "então... com esta conversa toda, vais começar a ir cedinho ou não"?
A resposta é: em princípio não!
Isto porque, por um lado, as condições do local e os conceitos que descrevi na entrada anterior, fornecem-me matéria prima e ferramentas passíveis de manterem hipóteses significativas de continuar a evoluir na minha pesca, quer fundeada, quer noutras técnicas; por outro lado, sinto ter tanto para aprender geograficamente sobre Sines e a evoluir nos meus próprios conceitos que, sinceramente, não me apetece correr nessa procura; antes, fazê-la o mais calma e metodicamente possível.
Para terminar por hoje e ainda sobre a preguiça, importa referir que me parece ser esta mais preocupante para aqueles que não sendo preguiçosos acabam por se tornar, quando pensam que os peixes maiores estão lá de boca aberta aguardando as suas reais iscas e subindo continuamente, e, ao verificarem que assim não é, conseguem estar 10 minutos com baixadas desiscadas, em dias que os tais peixes desinteressantes, na verdade actuando como chamariz dos "outros", as destroem em segundos.
Resumindo, não vos posso informar sobre o que se passa entre as 6.00 e as 9.00 da manhã, pois pura e simplesmente também não sei!
Se algum dia o chegar a saber, não tenham dúvidas que coloco por aqui!
Boa tarde a todos os leitores!


