quarta-feira, 30 de março de 2011

Belo pesqueiro?!

"Epá! O gajo enganou-nos! Em vez de colocar aqui as marcas daquele pesqueiro onde capturou os últimos Pargos... está a enfiar-nos o "garruço" com a Feira de Pesca!".
Talvez seja o comentário de alguns de vós que me lêem... mas a verdade é que não há pesqueiro onde se capture tanto peixe, como numa loja de pesca, num clube, num fórum, num café...!
Agora imaginem uma Feira onde se concentram várias destas espécies de locais... o cheiro a peixe deve pairar no ar, qual Chanel nº. 5 para qualquer pescador que se preze!

Até me cresce água na boca, pensando nos importadores, lojistas, federações, associações, clubes, sites e fóruns, abrangendo diversas técnicas com especial incidência no mar e estuário. Só de pensar em três dias de trabalho, intervalados com conversa de pesca até à exaustão, com encontros com pessoal amigo e outros que ainda não se conhece, com a hipótese de pôr as mãos em material, testando-o e discutindo-o ao vivo e a cores... será trabalho isto?
Acho que sim!? Mas é booooommmm!!!

Para vos dar mais um cheirinho do "pesqueiro", aqui fica a planta do Parque de Exposições:



Já viram onde está a água? O pessoal dos pavilhões da frente, quase molha os pés!?

E o enquadramento no Estuário do Sado?
Penso que a imagem seguinte o consegue ilustrar:


Então não é um bom "pesqueiro"? Daqueles onde capturamos peixes com olhos de 5cm e lanternas que ainda vêm acesas lá das profundezas... onde é que eu já ouvi isto?
Como se tal não bastasse para fundearmos por lá umas horitas, ainda podemos levar os filhos para umas sessões de informação sobre Surfcasting, logo ali no areal, gentilmente asseguradas pelo pessoal do Porto de Abrigo (Mário Baptista, Vira...).
E que tal teoria e prática, também no Surfcasting, com o nosso Campeão da modalidade, o José Afonso que lá estará à Vossa disposição entre as 15.00 e as 18.00 horas de Sábado, pelo menos.
E o pacote todo com entrada livre!?
Não vos maço mais! O Boletim Informativo está também aqui em baixo, para uma olhada de última hora!


Agora confessem lá... pode ou não ser um belo pesqueiro? Os sinais estão lá todos!

Só têm de aparecer, participar, interagir...
Para todos vós, até um dia e uma boa noite! Para aqueles que forem "pescar"... até ao fim de semana!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ficheiros guardados... tinham a resposta!


Três dias de pesca tirados a ferros de trabalhos escolhidos, fazendo-me pensar: que raio... então não me tinha reformado para pescar e coiso...?
Na verdade, ando sempre a inventar, não consigo estar quieto... talvez com o tempo isto passe!?

Verdade também que, deste modo, a pesca ganha outra dimensão... aproveita-se ao máximo e torna-se desafiante na medida em que, num curto espaço de tempo, temos de fazer valer os conhecimentos anteriores, agir em conformidade e tomar decisões em cada momento, considerando os sinais apresentados em cada pesqueiro, adequando as acções em função do tempo restante e tirando ilações para o dia seguinte em função da análise de cada jornada que se completa.
Nesta época do ano, os grandes exemplares tendem a frequentar maiores profundidades, cujos pesqueiros são muitas vezes falíveis, por exigirem maior precisão de fundeio. Também as manobras mais demoradas, tanto no que à manobra diz respeito, quanto às deslocações para outros fundos, normalmente mais longas, podem contribuir para o insucesso quando não se acerta nos pesqueiros. Já para não falar das conjugações ventos/aguagens, cujas variações inviabilizam por vezes o fundeio em determinados locais, obrigando-nos a várias tentativas, por vezes seguidas da procura de outros fundos.
Em suma, uma época em que facilmente tudo se pode conjugar para dias de nada ou de muito pouco. Há que recorrer aos "ficheiros arrumados" algum tempo atrás, onde poderemos encontrar respostas que se venham a revelar adequadas, considerando o tipo de pesqueiros que lá se encontram, a época do ano e as dificuldades que pensamos encontrar em função das condições de mar e vento que se apresentam. Tudo enquadrado na melhor gestão possível do tempo útil de pesca.

Relativamente ao tempo útil, teremos de contar ainda com outros factores, como por exemplo, os pequenos almoços demorados e calmos, montagens de última hora banhadas pelo Sol, saídas tardias (serão?)... enfim, mais lenha para a fogueira dos auto desafios que aumentam proporcionalmente à diminuição do tal tempo útil.
Mas é assim que encaro a coisa... não há grande volta a dar!

A introdução é suporte claro ao que se passou na Sexta, Sábado e Domingo passados. Dias de calma, aumentando o tempo útil de pesca em cada um deles, procurando em função do anterior e com sucesso em escadinha. Sempre a subir!

Sexta Feira, algum vento, mais que o anunciado pelo Windguru, eu e o João Martins, saída às dez e tal, para pescar ali pela milha esperando a entrada de algum maiorzito que, mais dia menos dia, vai aparecer por lá.
Peixe a entrar espaçado, com novidades para o João com os seus dois primeiros Sargos Veados.

Este:

E pouco tempo depois, este outro:


O dia estava ganho para o meu amigo!

Estreou-se bem com a espécie!

Pela parte que me tocou, dei-lhe bem nos Sargos legítimos e ainda me saiu este Serrajão, com aquela luta usual à superfície que só termina quando lhe colocamos a cabeça fora de água.


A pesca estava quase terminada, faltava o jantar, a conversa sobre o dia e a antecipação do seguinte que, obviamente me impelia para procurar "vermelhos" mais fora, pois por aqui só um pequenote deu um ar da sua graça.

O Sábado acordou solarengo, com uma calma bem demonstrada na foto que abre a entrada. Nada mexia, fazendo antever grande epopeia, nas mentes do Nuno Mira, do TóZé, do João Maria e na minha, para não variar. Por estranho que vos possa parecer, cada dia que saio para a pesca, parece que o faço pela primeira vez. Espero que nunca me aconteça de outra forma!?

Fomos para mais longe, procurámos, encontrámos ou achámos que sim, fundeámos e desatámos a pescar como se não houvesse amanhã.

O peixe comia intervalado, a sardinha ia sendo consumida, mas sem aquela agressividade de que gostamos, embora por vezes indicativa de peixe maior nas redondezas e as capturas tardavam a acontecer.

Entraram Sarguetas, uma ou outra Patarroxa, um Parguito espaçado, tudo dando ideia que mais cedo ou mais tarde algo importante aconteceria, o que acabou por ser verdade, mas não com a grandeza que gostaríamos.

O João Maria lutou mais forte e trouxe ao poço este Sargo Veado:


O Nuno, lutou duro e venceu este Serrajão de bom tamanho:


Também eu tive luta mais acesa com outro Sargo Veado, conduzindo-o ao estrelato:


Tudo isto, muito espaçado em tempo, num pesqueiro em que os sinais nos foram alimentando esperanças, acabando por nos defraudar quanto a objectivos de maiores capturas, na forma de iscas a subirem e a descerem continua e completamente intactas. Acontece muito nesta altura do ano.

Gerindo o tempo que nos restava, duas hipóteses se colocavam: ir mais para fora e arriscar o gasto de tempo em procuras e fundeios talvez infrutíferos ou, tentar os Sargos e alguma Dourada ou Pargo ali mais à terra.
A segunda opção pareceu-nos a melhor, considerando a gestão do tempo restante.

Procurámos pesqueiro e fundeámos!

O roubo de isca tornou-se um flagelo que aguentámos com muito trabalho, cabeça erguida e muito pouca recompensa, não fora a entrada de mais um Serrajão, 3 ou 4 Sargos e uma Douradita que não atingia o quilo.

Não nos sentimos vencidos, antes vencedores pelo contínuo batalhar e pelas capturas que, não sendo troféus do outro mundo, eram certamente indicadoras da nossa persistência, vontade de conseguir melhor, assim como belos e suculentos petiscos.

Os resultados indicavam que as opções de Domingo teriam de ser outras e que pena eu tinha de que estes meus amigos não pudessem cá estar. Quem sabe, não seria o dia!?

Ao jantar, na companhia do João Martins e de uns secretos de porco preto, foi dissecada a jornada e antecedido o Domingo, na presença do Zé Beicinho que com o Zeca seriam os meus próximos companheiros. Estava decidido! Os mares de fora chamavam-nos e nós ouvíamos interessados!

Era hora de rebuscar os "ficheiros arrumados em pastas fechadas há algum tempo", aproveitar o mar calmo e as aguagens alinhadas.

Saímos para o mar a horas decentes - nove e tal - procurando os tais mares que se revelaram com bons sinais, procedendo-se ao fundeio, após percepção de uma pequena e interessante aguagem, alinhada com um vento fraco, de direcção constante. Perfeito!

As baixadas cheias de sardinha e camarão desceram, provocantes, com o olho em possíveis interessados e, ao fim de alguns minutos, começaram a encontrá-los e não mais os perderam de vista.

Pargos, Safios, Abróteas, uma Moreia... de tudo um pouco subiu a bordo, sendo que tivemos de libertar vários Safios, escolhendo os Pargos em vez destes, na procura de não ultrapassar o peso legal, obrigando-nos este, mesmo assim, a voltar para a terra por volta das 15.30.

Eis alguns exemplos!

O Pargo do Zeca que mostra o tamanho mais usual dos capturados:


Um Alfaquim, para o Zé Beicinho:


O maior exemplar, também pela mão do Zé!


E a caixa de tom rosado, onde tenho o meu quinhão:


Dos Safios, embora tenhamos trazido um com perto de 10 kgs, foram esquecidas as fotos, tal a azáfama a bordo.

E foi assim caros leitores!

Analisando tudo o que se passou, ao longo destas três jornadas, pode talvez inferir-se que, entre outros factores,  uma pesca pensada com base na relação: época do ano / resultados anteriores / estado do mar e do vento / iscas e materiais utilizados /...; pode trazer vantagens significativas. Para tal, é no entanto importante que tenhamos as experiências e resultados anteriores em "ficheiros bem arrumados". Onde e como os arrumamos, pois... cada um sabe de si!

Bom... agora que já falei convosco, tenho de voltar para a organização da feira. Duvido que volte à conversa até essa data.

Se quiserem ou puderem aparecer, pois será com muito gosto que serão recebidos.

Se se derem ao trabalho de clicar naquela imagem, no topo da coluna à direita do corpo do blogue, tem lá informação fresquinha... horários, actividades, eventos... sintam-se à vontade!

Boa noite a todos os leitores.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A agitação anda por aqui em alta!


Boa tarde a todos!

Pois é... devia estar a pescar, mas não! Reuniões, telefonemas, contactos à esquerda, à direita, a Norte, a Sul e pesca... nada!

Como achava que tinha pouco para fazer, atirei-me a isto:


A ideia já vem de trás, a Câmara Municipal e a empresa Águas do Sado, seu principal apoio no projecto Jogos do Sado, onde se enquadra a Feira; gostaram! O Pessoal do Porto de Abrigo, tecnicamente, está a dar apoio à Comissão Organizadora, enfim... pode dizer-se que as condições parecem ter-se reunido e, eis senão quando, Feira de Pesca em Setúbal para a frente!

A coisa parece ter pernas para andar, a aderência de expositores tem sido francamente positiva,  muito pelo trabalho dos parceiros, bastante interessados e à altura, mas... o volume de trabalho aumenta de dia para dia.
Setúbal merece e tem condições para isso, com aquele rio mesmo ali à beirinha, pescadores, lojistas, clubes e mar com fartura, um parque urbano à beira mar plantado, gente que quer apoiar e uma Câmara Municipal com olhos postos no rio... conjunto de factores que aliado a conceitos e estratégias adequadas, tudo indica, poderão fazer a diferença num certame deste género.

Pena os espaços cobertos não serem de outro tipo, mas, em contrapartida os de ar livre e a proximidade do certame ao rio, oferecem condições excelentes, considerando o conceito que se tentou aplicar à feira que não vou aqui descrever, atendendo a que podem tomar contacto com tudo o que se vai passar se clicarem no cartaz (imagem da Feira) que está no canto superior direito das aplicações aqui da página, logo acima da minha foto de perfil.
Ao clicarem poderão ver a imagem em grande, onde constam: lojistas, importadores, clubes e outras entidades como expositores e parceiros já confirmados.
Na informação escrita poderão tomar contacto com os pormenores da feira: organização, conceitos, estratégias, parcerias, apoios, concursos, fotos do local, programa... um pequeno mundo!
Esperemos que o clima ajude... naqueles dias 1, 2 e 3 Abril!

No meio de tudo isto, ando numa agitação... consulto a meteorologia, à espera de uma aberta que, em tempo disponível, me permita uma fuga para Sines, onde posso gozar a calma da marina...


... onde posso agarrar no barco e seguir para o mar, carregadinho de iscas, amostras... sei lá!? O que me der na gana... olhando a esteira do barco, enquanto me aproximo da zona escolhida...


... onde me atiro à sondagem, procurando o ponto mais quente para fundear ou consulto o GPS, para ver qual a melhor deriva para mandar chumbo colorido lá para baixo e animá-lo até à exaustão.


Todos estes pensamentos, me vão assolando enquanto o trabalho vai saindo e me lembro de repente que já há uns dias não falo convosco. E tantas coisas que sinto ter para falar, histórias ainda por contar, muitas delas a exigirem tempo que de momento não tenho! Mas espera... no meio de tudo isto, fui pescar na quarta-feira passada, dia 23... já nem me lembrava! Vou contar e é para já! Sei lá quando escrevo outra vez?

A semana passada não apresentou aqueles dias calmos de que tanto gostamos, mas a terça, quarta e quinta feiras, pareciam razoáveis. Mais a quinta, dia em que não poderia por lá ficar... a minha filha fazia anos e esse é um dia em que não quero fazer outra coisa que não seja com ela celebrar. Trinta e três, idade bonita! Não há pesca que valha isso!

Havia que aproveitar a terça e quarta, dias com vento, após vendaval... não são dos melhores e a meteorologia não nos dá conta de tudo para estas jornadas.

A ida para Sines aconteceu segunda à tarde, como gosto. Comprei a sardinha, preparei tudo, fui jantar, dormi e acordei com o vento Norte a fazer cantar os brandais dos veleiros, não faltando à verdade com a força prevista para a manhã de terça.

Levei o meu tempo!

Estava só e não tinha pressa nem vontade de ir muito longe, antes preferi gozar a manhã por ali e aguardar a quebra esperada para o meio do dia. Ela aconteceu, mas não como se esperava, mesmo assim insisti e fui para fora do abrigo do Cabo de Sines, onde sondei, procurei, fundeei e pesquei debaixo de tareia da grossa, com vaga de 3 metros e vento cruzado, condições diversas das apregoadas pelo windguru, mas por mim esperadas, no subconsciente, tendo em conta outros dias em que tentei pescar após vendaval.

O peixe levou o seu tempo a entrar no pesqueiro. O barco, ora se aproava ao vento, ora se atravessava à vaga, em movimentos laterais de 90º, ocasionando mau pescar, contínua procura de equilíbrio e a tentativa de evitar a grade, o que consegui com um Sargo de quilo e uma Sargueta grande, daquelas raras por mares do Sul.
O ferro soltou-se por força das condições de mar, indicando-me o caminho da segurança do porto e da calma duma tarde ainda jovem, com jantar já garantido. Amanhã é outro dia, tenho companhia e espero que melhor mar... pensei com os meus botões! Olhei o Makaira na proa e disse-lhe baixinho: vamos mas é embora companheiro!

A quarta acordou com menos vento, ainda assim, com força superior à que gostaria, pois queria ir mais longe... lá à tal zona onde os maiores têm aparecido ultimamente.

O Morais, o Fernando e o Teles,  amigos do tempo de escola, lá em Setúbal, encontraram-se comigo para o pequeno almoço, tudo com a fé em alta e esperando que o vento não nos pregasse partidas.

Saímos para o mar, cedíssimo, por volta das nove, procurando os maiores, com vaga e vento que, tendo caído face ao dia anterior, não estavam propriamente amigos... suportavam-se!

O pesqueiro delineou-se na sonda, com boa marcação, das melhores que lá tenho visto. A acção começou e a cor vermelha iniciou a decoração da arca, em formato de Pargos de quilo e pouco, intervalados por uma ou outra Sargueta e Choupa de tamanhos a condizer com os anzóis 5/0 e as iscadas correspondentes, enquanto o vento se tornava proporcionalmente agreste.

Os sinais estavam lá todos... peixe a roubar, peixe a entrar, ambiente de promessas que nos faziam suportar as condições cada vez mais difíceis, onde um dos mais pequenos a subir foi aquele que o Teles aqui mostra:


A vontade de procurar mares mais calmos já se sentia no ar, mas os sinais continuavam, assim como a vontade de sofrer um pouco mais na procura de maior recompensa que apareceu pela mão do Morais, com esta Dourada que parecia algo maior, talvez pelas dificuldades que as condições de tempo nos colocavam.


As almas cresceram, todos nos atirámos à acção cheios de vontade, mas o certo é que a agressividade do vento e do mar, acabou por nos mandar mais para terra, escapando a humores adversos do reino de Neptuno. Quem manda pode e o resto é conversa!

O abrigo de terra, onde os Sargos tendem a passear por esta altura, permitiu-nos procurar, sondar e fundear calmamente, parar para comer, comentando as peripécias lá de fora e ainda capturar alguns Sargos de bom tamanho compondo a pesca maior, interrompida.

O banho reparador nas instalações do Porto de Sines, os dois Pargos escalados, grelhados na brasa "à lá Zé Beicinho" e a conversa de pesca a perder de vista, completaram-nos o dia bastante positivo, considerando as condições impostas.

Obrigado companheiros pela companhia!

Resta agora esperar a próxima! Mas quando?

O tempo parece que vai pregar a partida no Carnaval!? Depois vem a Feira... Vamos ver!?

Até lá e ainda em relação à Feira, quero aqui deixar um sentido agradecimento e um forte abraço a todo o Pessoal de blogues e sites que tiveram a gentileza de divulgar o evento nas suas páginas.

A todos vós que me lêem e amigos, convido a aparecerem por lá nos dias de realização. Certamente não conseguirei estar à conversa convosco com o tempo que gostaria, mas alguma coisa se arranjará.

Boa noite a todos os leitores.