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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pescar com Aguagem!


Olho a rua, através da janela da minha casa, sinto a azia derivada, não ao Alfaquim cozido capturado lá por Sines que comi ao almoço, mas sim, às últimas medidas de austeridade, ou, se quiserem, lunáticas e mal intencionadas, emanadas pelos fulanos do costume e penso para comigo: preferia ter o mar por trás das árvores em vez de parque de estacionamento; preferia estar a pescar, em vez de estar aqui a preparar tudo para a actividade náutica já programada para 15 de Setembro, mas... tem de ser e não há volta a dar!
Assim em vez de tomar um Conpensan ou chupar umas Rennies, mais vale falar de pesca... a azia é capaz de passar e supostamente torno-me útil!? Vamos ver!?

Nos passados dias 4 e 5 de Setembro, fui pescar!
No primeiro dia, com pessoal amigo aqui de Setúbal - o Morais, o Teles e o Fernandinho - no segundo dia, com o meu companheiro João Martins!

Duas pescarias com características diferentes, em horários, intenções, comportamentos, peixes capturados...; ambas em excelente companhia e, também verdade, muito idênticas relativamente às condições de mar e vento, sendo o elemento de realce, a aguagem que se verificou em ambas as jornadas.

Considerando experiências passadas e estas últimas que particularmente me chamaram a atenção, vou-me isolar do mundo, concentrar na pesca e conversar convosco sobre o assunto em título... "Pescar com Aguagem"!

O termo refere-se, na gíria, à corrente que muitas vezes nos aparece ou já existe no mar, respectivamente, no pesqueiro em que já actuamos ou naquele em que fundeamos à chegada. Neste último caso, por vezes, nota-se na deriva do barco quando o seu rumo não é igual ao do vento ou este não existe; o mesmo não sendo tão visível quando coincidente com o rumo do vento existente, sendo tão mais difícil perceber quanto a maior intensidade deste.

Quando tal acontece, as reacções dos pescadores são diversas: uns, não gostam pura e simplesmente de pescar nestas condições, nomeadamente quando a aguagem é significativa; alguns outros, ficam na dúvida e  outros ainda, adoram pescar nestas condições!
Estes gostos e comportamentos normalmente associados, estão certamente ligados a experiências anteriores de sucesso / insucesso, por sua vez, sediados nos comportamentos de cada um, face às condições referidas. Isto é, se a experiência é diminuta e pouco frutífera, pescando com aguagem, normalmente deixa de se acreditar e tentar, promovendo assim o insucesso. Se o contrário for verdade, lêem-se os sinais, alteram-se comportamentos, talvez baixadas e até técnicas de pesca ao fundo, assim como, paciente e atentamente se aguardam os resultados para os quais se dirigem estas novas acções, promovendo neste caso o aumento das hipóteses de sucesso.

Pessoalmente, gosto de pescar com aguagem, mas já lá vamos!

Antes de falar sobre interpretações e sobre o que fazer ou tentar face a estas, importa caracterizar aguagens, principalmente quanto à intensidade, já que, relativamente aos rumos, alguns destes, podendo ser menos propícios atendendo à zona onde estamos fundeados e a determinada época do ano, não vão certamente interferir com as funções da aguagem que estarão sempre presentes. Ou seja, a "dita cuja" levará sempre os cheiros das nossas iscas e / ou engodos, assim como as vibrações causadas pelos pequenos peixes que actuam em frenesim sobre os mesmos, permitindo-nos colocar as nossas baixadas em procura, mais perto ou mais longe, dependendo da nossa capacidade de leitura dos sinais oferecidos por toques, ausência destes, e, do nosso conhecimento dos fundos para além do local onde fundeámos. Resultará, não resultará... se não tentarmos porque não gostamos, está garantido que não vai resultar. Mas vamos às intensidades.

No sentido de qualificar aguagens quanto às intensidades, de forma prática e considerando os meus limites de conforto / desconforto, considero como intensidade de aguagem máxima, para pescar ao fundo com estralhos, quando, aplicando uma chumbada de peso máximo 350 grs, em linhas do carreto de 0,30 de diâmetro, consigo chegar ao fundo com a linha a formar um ângulo de 30 a 45º (a olho), do lado mais fechado com a linha de água, em qualquer profundidade. Pior em zonas mais profundas, maior intensidade que esta, torna-se desconfortável e pouco razoável para pescar, na minha perspectiva. Isto porque, o tempo que se perde a largar linha, o esforço que se despende, o descontrolo sobre onde a baixada se encontra e os resultados obtidos em situações de intensidade superior, embora tentados, raramente deram resultados para além de um ou outro exemplar esporádico. Com intensidades abaixo desta, já outros resultados se obtiveram, muitas vezes, senão sempre, superiores a situações de ausência de aguagem, nomeadamente no que a capturas de exemplares maiores se refere.

Sobre o comportamento do peixe, tendo sempre em conta a lei do mínimo gasto de energia para um máximo de ingestão de comida, parece evidente que quanto maior for a aguagem, maiores serão as alterações comportamentais quer de predadores, quer de predados. Com alta intensidade, os predadores tenderão a procurar uma zona de refluxo, colocando-se ao abrigo dum pontão alto, do lado contrário à aguagem, de onde partirão para os seus ataques e aí retornarão após estes ou, na ausência de tal, fiarão a aguagem, progredindo ou não e aguardando por algo fácil fornecido por esta corrente; sendo que o ataque às nossas iscas dependerá em muito da colocação destas, o que podemos variar aumentando ou diminuindo o peso da chumbada; deixando ir ou travando a descida da linha; ou ainda, lançando à distância que entendermos. Tudo isto procurando sinais, quer de toques, quer de capturas.

Para decidir que mantemos a acção de pesca na zona de pesqueiros escolhida e nas condições referidas, importa ir testando e relacionando as intensidades com os sinais dos toques, tendo também em conta o nosso conhecimento acerca da configuração dos fundos que se encontram na linha da aguagem e para além do nosso barco. O que quero dizer com isto?
Imaginemos que estamos poitados num pontão e que a queda deste se alonga num fundo rico de limpos e entralhados, com pontões mais ou menos altos, lá longe, relativamente perto do local onde a nossa baixada vai cair. Nestas condições, tudo indica que para além da capacidade de atracção das nossas iscadas, podemos ainda contar com a actuação dos atacantes que se encontrarem abrigados nesses locais ou de outros que lá se venham abrigar podendo vir a tornar-se potenciais interessados naquilo que lá colocámos!?
Portanto, como conceito, parece-me importante que, considerando a época do ano, a zona de fundo, em torno do eixo representado pela linha de aguagem e para além do local onde caiam as baixadas, seja conhecida e se apresente com características passíveis de passagem ou abrigo daqueles que procuramos. Resumindo, a aguagem, por razões óbvias face ao descrito, poderá ser um aliado ou um inimigo. Pessoalmente, gosto de a considerar como um aliado, quando não exceda a intensidade definida.

Das experiências efectuadas com aguagem, sem duvida que os melhores resultados que obtive verificaram-se até ao limite em que, com linha de 0,30 e chumbada de 180 / 200 grs, a linha formou um ângulo até aos 45º, do lado mais fechado. Quer em pesqueiro com aguagem logo à chegada, quer em pesqueiro onde esta entrou, ao fim de algumas horas de pesca. Acontecendo muitas vezes uma melhoria significativa da qualidade de capturas algum tempo após esta alteração de condições, nomeadamente, quando a pesca estava pouco frutífera e em locais onde para além da popa do barco os terrenos de fundo são propícios.
Outros locais houve, em que só após a diminuição da intensidade da aguagem se conseguiram capturas de nota, neste caso aconteceu estarmos na beirada de um pontão, carregada de peixe, nitidamente agarrada ao abrigo do refluxo da aguagem que estava no limite do possível. Não tínhamos tempo para mudar e aguentámos, sempre com o peixe miúdo a roubar. Quando a intensidade diminuiu e conseguimos colocar as iscas mais perto da beirada, fizemos em meia a uma hora uma pesca espectacular de Sargos grandes e alguns Pargos que, como tudo indica, não se deslocaram para comer uns bocados de sardinha que os obrigaria a um alto consumo energético. É verdade... não é? Não tenho a certeza, mas a forte sensação que sim.

Relativamente ao descrito e a muitas outros resultados em outras ocasiões, parece-me poder dizer o seguinte:

Desde que a intensidade da corrente não ultrapasse os números máximos que referi, quer logo que se começa, quer quando entra após algum tempo em acção de pesca, pessoalmente, gosto de alterar e aguardar sinais que permitam perceber se valerá ou não o esforço de continuarmos por ali.
Verdade também que em certos pesqueiros, não me lembro de ter feito uma pesca de jeito sem aguagem e garanto-vos que os testei várias vezes, em diferentes épocas do ano.

Vamos aos sinais:

A aguagem está no limite da intensidade, não dei por ela antes de fundear e não gosto dos fundos que estão para além do barco, levanto o ferro e recoloco-me de modo a que possa acreditar no que estou a fazer. É evidente que se antes de fundear me apercebo que existe aguagem, tento colocar-me logo em local com as características que já referi.

A partir deste momento, há que testar... primeiro, mais perto; depois, mais e mais longe e, outra vez mais perto. Caso não existam toques e as iscas venham continuamente inteiras, ao fim de mais ou menos uma hora, decido-me normalmente por mudar de pesqueiro.
Caso em determinado ponto da procura, os toques comecem a acontecer, insiste-se, vai-se continuando por ali e até mais longe e, normalmente, o resultados aparecem.

Em outra situação, estou a pescar sem aguagem, ou com uma muito leve que de repente entra ou aumenta. Neste caso, após alterar o peso da chumbada para ângulos adequados e a cana passar para uma posição alta e perpendicular à aguagem, no sentido de melhor se perceberem os toques; várias situações podem acontecer:

1. Os toques e roubo de isca continuam
2. Os toques e roubo de isca param

No primeiro caso, está assegurado o chamamento dos maiores que por ali andem e, se os roubos se tornarem mais rápidos e imperceptíveis, atendendo às novas condições, importa aumentar o tamanho e eventualmente a rijeza das iscas.

No segundo caso, há que aguardar e testar distâncias procurando peixe. Se tornarmos a ele, sentindo toques, tudo bem! Se não... pois teremos, em função dos fundos em que estamos e da hora do dia, de arriscar ficar, ou mudar.
Sinceramente, às 4 da tarde e em situação de entrada de aguagem, prefiro arriscar, sem toques, um pesqueiro que na linha de aguagem tenha bons fundos do que mudar para a incerteza da falta de tempo útil em acção de pesca.

Na procura de peixe para a popa do barco, em qualquer destas situações, não me refiro unicamente à pesca ao fundo com estralhos e chumbada pesada, mas também da exploração utilizando a pesca à chumbadinha que, já testada com bons resultados por muitos e fiáveis companheiros, me parece extremamente versátil nestas condições.

Ilustrando o referido com mais algumas experiências, quero contar-vos as últimas duas pescarias, ambas com aguagem para chumbada de 150 / 180 grs, entrada a meio da pesca e falar-vos sobre os comportamentos, alterações e resultados conseguidos.

No primeiro dia, 4 de Setembro, fui com os meus amigos Morais, Teles e Fernandinho, muito amigos da pesca, do Sol e dos comes e bebes. O Teles, sem dúvida, o mais insistente e difícil de demover da pesca, mesmo em condições mais adversas.

Chegámos ao pesqueiro, iniciando a acção de pesca e pouco depois já entravam Parguitos de quilo, augurando a chegada dos seus pais e avós.
Até ao meio dia, capturámos uns dez, quase todos do tamanho aqui apresentado pelo Teles...


... e este outro, não muito maior (embora pareça), aqui apresentado pelo Fernandinho!


Então, por volta do meio dia, entrou a tal aguagem, fazendo com que, por via dos roubos sucessivos e  diminuição da frequência de capturas, a pesca fosse relegada para segundo plano, face aos banhos de mar e comes e bebes jeitosos. Este pessoal e aguagem sem resultados logo ali, não combinam! Tudo bem... foi um excelente dia de pesca e mar, em que se perdeu a oportunidade de testar à séria as capacidades da aguagem como  eventual aliada, o que não impediu que testássemos, uma vez mais as capacidades culinárias do Zé Beicinho, com três dos Parguitos capturados, escalados na brasa... uma delícia!

No dia seguinte, fui com o meu companheiro João Martins e a coisa foi outra, embora sem muitos exemplares.
O dia foi quase tirado a papel químico, quer à chegada, sem aguagem e com capturas menos frequentes que no dia anterior; quer na entrada da "dita cuja", com intensidade e rumo idênticos.
Os sinais relacionados com toques e roubo de iscas mantiveram-se com a corrente, tornando-se mais imperceptíveis e rápidos no que ao roubo se refere, sendo as cavalas grandes no anzol de cima a única captura que se conseguia.
Alterei a baixada, retirando o estralho de cima e aumentando o de baixo para 1,50 mt, assim como o anzol que passou para 8/0, escondido em sardinhas inteiras, sem cabeça, iscadas com o anzol a sair junto ao final da barriga e pasme-se... tudo desaparecia com alguma rapidez, embora menor que a anterior iscada de duas postas.
Certo é que, ainda me entrou um Pargo com uns dois quilos e tal, não fotografado porque sempre pensei que entraria um maior, dois mais pequenos e uma Dourada.

O João Martins também não deixou créditos por mãos alheias, primeiro com esta Dourada...


... depois, com este Alfaquim:


Considerando o assunto, as duas pescarias feitas, o tempo que faltou para experimentar mais, pese embora que uma cana tenha estado sempre a pescar à chumbadinha, "em automático", como diriam alguns especialistas desta técnica que comigo já pescaram... mais não se conseguiu!
No entanto a aguagem, na minha opinião, é muito sinceramente uma aliada a ter em conta, principalmente nas condições que descrevi, aquelas que até agora testei.

Haverão certamente outras experiências sobre o assunto que poderão melhorar ou contrapor o que por aqui foi dito!? Aguardo sinceramente por outras opiniões que só poderão melhorar os nossos conceitos, ocupar-nos as nossas jornadas e melhorar os nossos resultados!

Uma boa noite a todos os leitores.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O meu dedo indicador direito, asneiras, pescarias...


Algumas histórias se iniciam centradas em qualquer parte de determinada anatomia. Hoje, enquanto olhava as fotos do último acidente desta minha, pensei nela e, sentindo-a como parte do meu percurso de vida, achei que devia falar sobre e a partir do bocado em causa.

Francamente... acho-o feio, mais encarquilhado e rugoso que o dono, quase insensível na ponta por via de um corte feito a olear uma corrente de bicicleta, aí pelos meus nove anos. A carne ficou algures entre a corrente e o carreto pedaleiro, deixando o osso à flor da pele, o que cria continuamente umas pelangas duras que se cortam ao mesmo tempo que a unha, características estas que, entre outras, destinaram este meu dedo a trabalhos duros para o resto da vida, já que sensibilidade é coisa que tem pouca e a textura obriga a substituição pelo dedo médio quando em trabalhos que impliquem contactos com outras carnes ou peles mais macias, entre outros.
Já para lidar com bicharada, linhas, nós, ferramentas e afins, assim como, para enfiar em buracos seleccionados que o mereçam, não há coisa melhor! Porque é que me lembrei do Miguel Relvas quando produzi esta última afirmação? Talvez por termos andado na mesma universidade, embora eu nunca tenha tido aulas com o tal reitor e tenha papado as cadeiras todas durante quase três anos, com 28 anos de serviço efectivo e já com bacharelato feito e mesmo assim ter aprendido! Bom... mas isto não interessa!

Voltando ao meu dedo... está visto que a dureza de utilização o torna cada vez mais duro, feio, mau e tão confiante que, após todos estes anos de pesca, a última das Moreias com que lidou quis testá-lo, quando o dono o colocou a jeito, deixando-lhe mais aqueles buracos, agora já cicatrizados e que brevemente contribuirão para a já evidente fealdade do pedaço.
A Moreia aparentava ter para aí uns dois quilos e meio, vinha anzolada pela boca e com evidente má disposição que se agravou quando se soltou do anzol e caiu no poço do barco, serpenteando e mordendo em seco de cabeça levantada. Não fui buscar o alicate comprido que uso nestes casos, agarrei um curto, o primeiro que tinha à mão e fiquei à espera de a poder prender por um dos maxilares... o erro já estava cometido, a pressa de voltar a pescar agravou-o, assim como o excesso de confiança nas capacidades do meu dedo...
O alicate desceu, a Moreia levantou a cabeça e mordeu a primeira coisa que lhe chamou a atenção - o meu dedo - que escapou rápido, evitando a preensão que se seguiria caso lá ficasse, embora cortado conforme imagem de abertura.
Senti a carnes a rasgar, vi o meu sangue que encarei como imposto a pagar pelos peixes já capturados e, após agarrar a Moreia e guardá-la como previsto, atirei-me aos curativos.
Primeiro a compressão, com um pano, para estancar o sangue, depois Betadine com fartura, seguido de penso rápido. Duas luvas elásticas daquelas dos médicos, uma sobre a outra, voltaram a permitir-me pescar,  de dedo espetado, posição que este conhece bem, devido à dureza de vida que tem levado, observando assim o resto da pescaria, em dia de calmaria, com nevoeiro matinal, parecendo aberto à saída do porto.


Na verdade, assim que entrámos no banco de névoa que se vê à proa, logo esta se mostrou cerrada o suficiente para obrigar à utilização do Radar e do GPS, por segurança de navegação, aparelhos estes que o meu dedo, ainda são nesta altura, conseguiu ligar, poupando o médio para outros trabalhos.


Mesmo com o acidente da minha extremidade, posso garantir-vos que este foi um dia de pesca brilhante... por tudo!
A companhia, a boa disposição e até as capturas que, não sendo nada de especial, foram acontecendo com algum ritmo, intervaladas por muito roubo de iscas, muitos testes de montagens, iscadas e sei lá mais o quê!?

Exemplares de nota, nem por isso, mas Parguitos como este do TóZé, entraram uns quantos e...


... o João Maria, conseguiu o melhor exemplar! Este que abaixo se mostra!


Comparando com pescarias anteriores, neste ano do Relvas, de subsídios voadores, de pouca pesca e consequente escrita por aqui; tudo indica que a actividade já se sente e que em breve outras maiores e melhores surpresas nos alegrarão!?

A este magnifico dia seguiram-se outros... melhores, não tão bons, mas onde a tónica foi escolher e pescar bem, sempre sentindo que a actividade e consequentes capturas dos nossos interlocutores se aproximam cada vez mais das características normais para a época.

Isso se tornou a verificar na passada quinta-feira, em que fui fazer algo que esporadicamente me faz falta e adoro... pescar a solo! Até o dedo, já sarado, se ria de tanto gozo!

Para variar, levantei-me com o Sol alto, sentindo ainda o prazer da degustação de uma Fraca de Molho, com o Zé Beicinho, ao jantar do dia anterior. Fui buscar a sardinha para iscar e beber o cafézinho da ordem, entre conversas com este e aquele, pescadores conhecidos, ouvindo as normais "bocas" relacionadas com a hora a que costumo ir para o mar, ou seja, qualquer uma, entre as dez e um quarto para o meio dia. Tudo bem... nada a que não consiga sobreviver.
O mar estava calmo, o ponteiro da temperatura do motor do Makaira, atingia lentamente os graus ideais para iniciar a aceleração até à velocidade de cruzeiro, e, o GPS ligado, já tinha o cursor no pesqueiro escolhido, indicando-me o rumo a seguir! Perfeito!
À chegada, a imagem de sonda mostrou actividade suficiente para arriscar o fundeio e atirei-me à acção de pesca, como se não houvesse amanhã.
Cana na mão, com sardinha iscada à posta; cana no caneiro, com um estralho comprido (2,5m), anzol 6/0 com sardinha iscada inteira; e, mãozinhas a pescar rápido que o roubo era frenético, sem dar descanso para manter iscas activas o que era o caso. Mesmo ao meu jeito!

Os Parguitos foram entrando, malandros, espaçados e intervalados com safios pequenos chatos e soltos na hora. O tamanho foi melhorando mas de grandes exemplares não reza a história deste dia, em que a caixa se foi compondo, como se vê abaixo.


O maior exemplar, até que me enganou, tanto por vir ferrado por fora da boca, quanto talvez, pela diferença abismal de luta, face aos companheiros já a jeito para a panela. Aqui está ele!


Certo é que a actividade nos pesqueiros começa a dar um ar de sua graça, embora os Pargos maiores não se mostrem muito interessados nas iscas, talvez por andarem atestados de pilados!? Esperemos que brevemente variem o menu ou que os ditos caranguejos cumpram com a sua função e desandem... parece praga!?
Uma coisa é certa, em conversa com pescadores profissionais de Sines, esta espécie tem estado por todo o lado, pois até nas 80 braças de água, comem bocados aos tamboris, nos aparelhos. Uma desgraça!

Se neste dia delicioso fui a solo e gostei, não foi com menos prazer que antevi o dia seguinte, em que o João Martins e os descendentes - a Susana e o Zé - me acompanhariam noutra pescaria, certamente no mesmo pesqueiro (importava testá-lo até à exaustão), onde lhes poderia passar conhecimentos enquanto usufruía da excelente companhia.

Também com eles, a hora de saída é daquelas que gosto e, se no dia anterior, só pensava em colocar linhas na água; neste dia, todos os pensamentos se dirigiam para que estivessem e pescassem bem.

Tudo correu pelo melhor... quase a papel químico em termos de capturas, com os Parguinhos pequenos, como este que a Susana mostra...


... um exemplar maior, irmão gémeo do que capturei no dia anterior, aqui apresentado pelo Zé e que sendo o seu primeiro maior, lhe abriu sorriso de orelha a orelha...


... e até um Safio com perto de 5 kg deu um ar da sua graça, coisa que não tinha acontecido antes.

Em mais um dia calmo, descontraído e com algum peixe, a imagem dos dois felizes contemplados, deixando o pai, apoiante de tempo inteiro (nem pescou...), completamente babado.


Já os dois dias que se seguiram, foram diferentes... pescas mais matutinas, menos peixe e mais enganos nos pesqueiros.

No Sábado, eu, o Vitor, o João, o Raimundo e o Pedro; no mesmo pesqueiro, quer por via da ausência de peixe, quer pelo vento que entrou; fomos obrigados a mudar para a terra.

Os Parguitos deram sinal, logo que chegámos, tanto pela mão do Pedro, quanto pela mão do João que teve a sua primeira captura "vermelha", pequena, mas primeira!


O pesqueiro mostrou-se diferente, com menos actividade, de tal forma que nem Safios apareceram.

Depois, durante todo o Santo Dia, procurámos, tentámos, mas nada mais se capturou de nota, obrigando-nos o vento a voltar ao porto mais cedo que o habitual. Tem dias assim e, ultimamente, não tem sido fácil. Mas ainda faltava um dia de pesca, desta vez com o Zé Beicinho, antes de voltar para o "descanso do guerreiro".

Saímos para a pesca, no Domingo, eu e o Zé, com novo pesqueiro em perspectiva, mais fora, já que a zona dos dias anteriores ficou pouco produtiva.

A pesca iniciou-se com bons sinais, muito roubo de iscas e perspectivas a condizer. Meia hora passada e entrou o primeiro, pequenote, logo seguido de mais um, passados uns quinze minutos.
A coisa prometia, embora em outros dias também não fosse além daquilo. Certo é que, não tinha passado meia hora e já um de 2,5 kg, entrava a bordo e outro grande se desferrava a meia água na cana do Zé.
Ficámos entusiasmados, mas, lentamente as Cavalas substituíram os Pargos e, todo o restante dia, com variantes contínuas de iscas e iscadas, nada mais entrou de jeito.
O meu dedo feio, apontou os pilados que iam passando, talvez os maiores culpados das irregularidades que se têm vindo a verificar. No entanto, tudo parece concorrer para que a coisa melhore!?

Aguardemos melhores dias!

Até lá, uma boa noite a todos os leitores!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Viver... pescar... descansar!


Vivo... enquanto pesco e descanso! Quando pesco... vivo e descanso! Descanso... enquanto pesco e vivo!

Eh lá! Exclamarão alguns de vós, enquanto ouvem estas afirmações!?

Não se preocupem... também vivo enquanto estou com a família e a trabalhar! Aliás... adoro a minha família e aquilo que faço!

Mas, na verdade, imagens como a de abertura, vistas e sentidas, completam-me... pela calma, pela não existência de horas, pelo sentimento de abandono ao que der e vier e até pela desnecessária responsabilidade perante seja quem for ou o que for, pelo menos durante aqueles períodos de tempo em que consigo manter este estado de espírito.

Verdade também que, por vezes, não basta ir para onde se gostaria de estar, tem de se levar também a cabeça connosco, o que nem sempre é possível, tendo em conta o que nos rodeia, projectos ou problemas que podem não nos deixar usufruir da vida... da pesca... do descanso!

Mas uma coisa vos digo... desta última vez, usufrui de tudo a que acho ter direito e... soube bem viver... pescar... descansar!

Os dias correram, com amigos e a solo, limitações de isca, saídas tardias, retornos também eles tardios e até o pouco peixe que entrou resolveu fazê-lo tarde, talvez porque era hora, talvez por despreocupação  na procura, talvez por falta de jeito ou, quem sabe, porque habitualmente, nesta altura do ano, isto até costuma acontecer!?

Verdade... verdade... é que este ano de 2012 tem sido o ano em que menos vezes tenho pescado e, tendencialmente, esta falta de regularidade na procura e controlo de pesqueiros acaba por se pagar em formato de seca. A sorte ou o azar, poderiam ter tido influência positiva ou negativa, mas são expressões que não gosto de trazer para aqui, prefiro trabalho e processos, os que, como sabem, por falta de assiduidade não têm acontecido.

Uma outra questão adicional parece-me estar presente... principalmente no que a pesca se refere, sinto necessidade de mudar, procurar novos pesqueiros, usar outras técnicas, tomar outras atitudes..., conjunto este de alterações no meu comportamento e sentir que, por falta de tempo, preparações prévias e até por dispendiosos, me fazem hesitar nas escolhas, alterando significativamente os processos em uso e consequentemente afectando os resultados.

Alguns de vós que me lêem, estarão talvez a pensar: estavas tão bem... para quê isto tudo?

Acho que é da nossa natureza querer modificar, experimentar, melhorar..., sendo que estes momentos de transição, criam obrigatoriamente indecisões, margem para erros e situações menos positivas que, espero, depois de analisadas conduzam a mais aprendizagem.
Algo no entanto tem de ser feito à cabeça! Há que assumir o momento, sob pena de não passar disso mesmo... mais um momento!

Ora este foi sem dúvida um bom Fim de Semana! Deu para tudo, como se leu e se vê... até para capturar alguns peixes como este Sargo Veado, par de um outro que não teve direito à ribalta.



Também uns Parguitos, deram um ar da sua graça, alguns tão pequenos que nem entraram no poço do barco e foram acabar de se criar, largados com muito jeitinho.

Já o que se segue, foi para a panela!

Primeiro e único numa jornada a solo, decidida à última da hora, entrando uns quinze minutos depois de iniciar a pesca e deixando água na boca quando comecei a pensar nos outros que o poderiam acompanhar, o que de facto não aconteceu.
Também o único que entrou no início da jornada, já que nas outras, só se conseguiram alguns exemplares depois de duas ou três mudanças de pesqueiro e após as três / quatro da tarde. Pfiiiuuuuu...

Hei-lo... bonito nos seus 3,800 kg!


O controlo sobre o tempo disponível está a aumentar, a vontade de melhorar a pesca está em alta... veremos que outros momentos e resultados se vão conseguir!?

Eu depois conto!

Até lá, uma boa tarde a todos os leitores!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Pescas entre pescas...


A saída para o mar é sempre um momento diferente, indescritível... os cheiros, as cores da manhã, a contemplação de tudo, a conversa com a campanha, as estratégias já definidas, a fé de pescador... todo um conjunto de sensações e pensamentos que se entrecruzam, colocando um sorriso nos lábios do pensador, em simultâneo com o arredar de outras ideias, outros pensamentos que, fazendo parte do dia a dia, por desagradáveis, caem em alguma "caixinha", em algum canto recôndito, de onde tornarão a sair em qualquer outro momento, qual génio da lanterna de Aladino que em vez de dar... tira!
Vá de retro Satanás! Vamos sair para a pesca!

Só vejo o mar, só penso na rota, nos pesqueiros que vou testar, nos peixes que vou perseguir... tudo o resto vale pouco... ou nada!

Olho em volta, penso em quem comigo embarca, sinto as suas ideias, as suas vontades, os seus desejos de pesca... é hoje que vai entrar aquele ou, quem sabe, aqueles!? Vamos ver!?
E, se não entrar, paciência! Eles estão no mar e a nossa hora chegará mais cedo ou mais tarde!
Importa mesmo é estar ali onde a foto de entrada nos coloca ou... mais longe!

Sinceramente, agora que as pescas se têm revelado mornas, é no acto em si que se encontra muito do que é preciso para estar bem!

Os amigos corresponderam sem desanimar perante pesqueiros de nada, outros de pouco e alguns que ao fim de algum tempo, preparação e sinais diversos; acabaram por animar, acrescentando o sal do dia... aqueles peixinhos que sempre se procuram e que se vão encontrando, como esta Dourada do João Maria...


... o Sargo Veado que gostou da meia sardinha...


... a dourada do Fernando Fontes que à mistura com uma Choupa e um Parguito de dose, acabaram por abrilhantar um jantar técnico; internacional, por ter a presença do Han, um holandês que por força da boa comida portuguesa e do acolhimento alentejano, faz do Zé Beicinho a sua casa quando não está a trabalhar.


Depois, sempre aparecem outros visitantes de monta, como este Robalo tirado pelo Zé, em desespero de causa e em outra jornada pouco activa, com correria sobre pesqueiros, sinais e toques austeros.


No entanto, algo não deve deixar-se de lado!?

Os melhores exemplares tirados, quer nestes dias do passado fim de semana, quer em outras jornadas, salvo algumas excepções, tiveram por base toques mais activos que aqueles que temos sentido nos pesqueiros percorridos nestes últimos dois meses e tal. Quer com isto dizer-se o seguinte: quando os toques de um pesqueiro se tornam mais agressivos, sentindo-se melhor, sem dúvida que a pescaria acaba por dar outros frutos. Tal, verifica-se uma vez mais se analisarmos, entre outras, aquela pesca recente em que o João Martins capturou os dois Badejos e o Pargo, assim como esta última, na qual, depois de duas tentativas infrutíferas em pesqueiros diversos, uma escolha tardia de pesqueiro completamente fora de época, nos trouxe algumas alegrias que podiam ter sido até muito superiores caso tivéssemos optado mais cedo por esta solução.
Aconteceu no passado Sábado com o Raimundo, o Victor e o Pedro; quando depois de quase quatro horas gastas em dois pesqueiros profundos, se optou por um outro, mais perto de terra e característico quanto a capturas de peixe maior, tendencialmente em época mais quente.
Certo é que, assim que poitada a embarcação, logo os toques se revelaram agressivos e consequentemente indicadores de outra pesca.
Não se perdeu pela demora!
Primeiro os Sargos, depois a Dourada de perto de dois quilos que saiu ao Victor, mais tarde este Polvo que, entrando pela mão do Raimundo, mereceu o estrelato...


... e, como cereja no topo do bolo, este Pargo Dourado, de 6,700 kg que deu um trabalho danado ao Raimundo (acho que fez umas rezas enquanto o tirava, não fora o diabo tecê-las...). Bonito, não é?


Pena o vento ter entrado, a vaga aumentado e o dia estar no fim. Quem sabe o que adiante surgiria!?

Uma coisa é certa... temos de ir, estar, curtir, pescar...; eles andam lá e cabe-nos encontrá-los, desafiá-los e subi-los a bordo, se formos capazes!?

Os tempos são para mim de trabalhos, sonhar mais a pesca que de facto ir lá, ao meio do mar, procurar os "malandros". Verdade também que estas foram pescas entre pescas, pois feira de pesca também faz falta e eu, falo... falo..., mas até gosto!

A próxima entrada está para breve e será uma descrição completa da 2ª. Feira de Pesca Lúdica e Desportiva de Setúbal, pormenorizando tudo o que por lá se vai passar e esperando encontrar-me, entre outros, com muitos daqueles que me lêem e não conheço.

Não devia ter dito isto!? Quem sabe, até lá, ainda consigo ir pescar!? Na volta não me contenho e sai pescaria!? Vamos ver!?

Boa noite a todos os leitores!

sábado, 3 de março de 2012

O pombo, os peixes e... coisas de certos pesqueiros!?


O pombo chegou... com um som de bater de asas pouco habitual e poisou na porta de acesso à popa do Makaira. Acontecimento inédito para o barco e não para mim, pois já há uns anos largos, em outro barco - o Anequim - dois companheiros deste fizeram o mesmo, em dia de nevoeiro, talvez cansados ou desorientados após longa jornada.
De imediato procurei forma de lhe colocar água e umas bolachas secas partidas, pensando que talvez precisasse, enquanto me olhava numa suposta indiferença, parecendo-me ficar muito mais preocupado quando as gaivotas que comiam as bogas que iam subindo, faziam a sua aproximação, provocando-lhe alguma inquietação derivada talvez de outros encontros pouco agradáveis.

O animal ficou por ali, aparentemente calmo, sem qualquer receio da nossa presença mesmo quando nos aproximávamos e lhe oferecíamos de comer que não aceitou e de beber que acabou por aceitar ao fim de uma boa hora de estada naquele poleiro que elegeu.

Enquanto por lá esteve, a pesca foi-se desenrolando, funda, morna e improdutiva; fazendo-me pensar sobre estes últimos três dias de pesca, trocando impressões com o João Martins, meu companheiro de todos estes dias.
Tínhamos ido no Sábado, já tarde; no Domingo, o dia inteiro, com o Zeca e o Zé Beicinho; e, nesta segunda feira, cá estávamos outra vez, talvez já cansados e até meio moles, tanto pela calmaria do dia, quanto pelos resultados que não se comparavam aos do dia anterior e nem sequer aos de Sábado que já tinham sido parcos.

Tudo isto me passava pela cabeça, enquanto me preocupava com o pombo que me parecia muito "caído" e ainda me morria de cansaço ali pelo barco, como já me tinha acontecido uma vez... história por aqui já contada.

Também as procuras e resultados destes dias, eram pensados e comentados entre nós, enquanto as iscadas desciam e os anzóis limpos subiam, umas vezes com bogas e outras sem nada. Tudo diferente do dia anterior que foi relativamente produtivo.

Enquanto o pombo descansa, vou então relatar-vos os fundamentos, as procuras e os resultados destes dias 25, 26 e 27 de Fevereiro.

Este início de ano, como tenho vindo a relatar-vos, tem sido difícil no que a capturas se refere, fazendo-me recorrer a dados de anos anteriores e lembrando-me que, à excepção do mesmo período de 2011, esta é uma época de alterações da localização dos grandes exemplares.
Certo é que, muito mar tem sido corrido e os resultados têm-se mantido baixos, tanto em qualidade, quanto em quantidade.

Os pesqueiros mais profundos têm sido, sem dúvida, aqueles que nesta altura do ano se costumam apresentar mais produtivos, sendo também mais difíceis no que respeita a fundeios e até a manutenção da pesca ao longo do dia, devido à normal existência de aguagens e à sujeição a mudanças de direcções e intensidades do vento que podem facilmente estragar a pescaria. Depois, bem... depois tem uns artistas que não gostam muito de se levantar cedo o que aliado a dias mais pequenos tende a diminuir significativamente o tempo útil de pesca. Desculpas!? Não!!! Simples constatação de factos!

Mas o pessoal é jovem e por vezes não quer pensar nestes pormenores de somenos.

O Sábado (25), já com Sol muito alto, levou-nos a pesqueiros de Verão dos mais profundos onde, ao fim de umas duas horas, só uma Dourada de quilo e pouco entrou, em pesca suportada por sinais mornos que acabaram por nos indicar mudança de pesqueiro por volta das duas da tarde, hora em que, não justificando já andar mais para fora, poitámos ali na baía, em pesqueiros bem conhecidos, onde entraram 4 Sargos daqueles quileiros e um Pargo que, de "tão grande", voltou à água!

O jantar estava assegurado e mais uma zona, testada por teimosia, tinha sido eliminada do circuito sazonal. Havia que ir mais fundo no dia seguinte, com o Zeca e o Zé Beicinho!

O Domingo nasceu calmo, com algum nevoeiro e a saída para o mar às 8,30, levando-nos a procurar as coisas de uns certos pesqueiros, difíceis e profundos e com plano estratégico delineado à mesa do restaurante do Zé Beicinho.

A sonda mostrou-nos o primeiro que se apresentou na plenitude dos seus 96 metros, onde os entralhados espalhados em torno dum pontão que subia aos 87, mostravam alguma actividade, passível de nos oferecer o que procurávamos.
Iscas para o fundo, roubos mais ou menos rápidos e Pataroxas que subiam intervaladas, fazendo o Zé pensar de imediato no molho que havia de fazer com elas. Mas, ao fim de duas horas, nada mais entrava para além de bogas, com os sinais mortiços que estas dão àquela profundidade. Era hora de prosseguir com o plano e seguir para o pesqueiro seguinte, o qual, sinceramente, é muito mais do meu gosto, no entanto, de fundeio difícil. Alegrava-me saber que tanto a aragem de Norte, como a aguagem alinhada com ela, me diziam que iria conseguir colocar o barco mesmo onde queria. Aliás, o único local deste pesqueiro onde até agora, para além de outras espécies, me entraram Pargos dignos do nome.

Chegámos e as imagens de sonda correspondiam às melhores que tinha visto naquela parede de pedra que cai dos 50 para os 82 metros, do lado Norte, o que me permitia largar ferro num socalco a 86 metros; largar cabo, ficando pelos 84; e, deixar que a aguagem nos colocasse as baixadas nos 80 / 82. Perfeito!

As iscadas chegaram ao fundo e os toques violentos indicaram-nos de imediato que a coisa ia ser dura e certamente mais produtiva; e, meus amigos, foi o dia do João Martins! Não fora uma Abrótea apanhada pelo Zeca, uma outra e um Alfaquim, ambos à volta dos dois quilos capturados por mim, acompanhados por dois safios jeitosos e o João ficava com todos os louros da pescaria.

O homem, na sua calma peculiar, para além de umas 3 Abróteas grandes que lhe saíram intervaladas, acabou por capturar os melhores exemplares que entraram a bordo.

Ora vejamos!

O primeiro Badejo, para aí com uns dois quilos:


O Zeca intervalou com esta Abrótea, como que para exemplificar o tamanho médio das que saíram.


Outra vez o João, com mais um Badejo que não parece, mas pesava 5,050 kgs.


Não satisfeito, eis que se sai com o único Pargo do dia... bonito!


O pesqueiro não enganou totalmente, excepto no que se refere aos Pargos que costumam entrar em maior número e com exemplares também maiores à mistura. Melhor que tudo, supostamente estava indicada uma zona de pesca para dias vindouros, enquanto não se aproxima o Estio e a costumada aproximação à terra "daqueles" que queremos.

O Pombo ainda está no "poleiro" e há tempo de vos falar das coisas de certos pesqueiros, aplicadas precisamente a este último onde decorreram, na segunda feira, os pensamentos que agora se transcrevem.
Neste dia, calmo, as condições não eram as mesmas... o vento teimou em soprar todo o Santo dia de Oeste / Sudoeste; jogando mal, para o fundeio, com a aguagem de Norte, igual à do dia anterior; não nos permitindo poitar no mesmo local e obrigando-nos a deslocar um pouco mais para fora. Certo é que, os sinais não foram os mesmos e as capturas... nem pensar. Aliás, muito idêntico a outras experiências no mesmo local, permitindo assumir o risco de afirmar que, se em certos pesqueiros, mais para a esquerda ou direita, a coisa acaba por se dar, neste, muitas vezes, tal não é verdade!

O Pombo bebeu água pela quarta vez, bateu asas para se testar e voou rumo a Sul, sem aviso. Momento em que resolvemos também andar para casa, não sem antes pensar que caso as condições não se apresentem de feição para ficar por ali, outros pesqueiros, talvez mais fora, terão de ser testados em próxima jornada.

Boa tarde a todos os leitores

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momentos... "Dourados"


A época esperada por tantos de nós, pescadores, já chegou!

É tempo de Douradas, já para não falar dos primos, os Pargos, que sempre acompanham de perto os supostos momentos de amor, quais "voyeurs", não sei se bem ou mal intencionados, mas penso que muito interessados em tanto comer que aparece naquelas zonas específicas de concentração... iscas, engodos e muito peixe miúdo que por lá anda à farta, beneficiando da abundância e claro... sofrendo assiduamente percalços em formato de dentes de outros ou de anzóis afiados, estes últimos a que os maiores também não ficam impunes, dependendo das mãos que estiverem na extremidade oposta.

Uma coisa é certa... ainda bem que os estados do mar e do vento, habitualmente nesta época, não se parecem com a foto de abertura, caso contrário os tais percalços seriam ainda mais assíduos, muito por via dos anzóis afiados, já que os dentes de outros são certamente uma constante lá pelas profundezas.

Foi em tal ambiente sazonal que este Vosso companheiro, lá esteve uns quatro dias da semana passada, tentando usufruir das características do momento, com condições de mar e vento que raro permitiram um dia de pesca inteiro, sem que o mar nos amassasse ou a regularidade de capturas ao longo do dia fosse mais prolongada que uma ou duas horas.

No entanto alguns peixes se capturaram, muito por via dos fundos que a sonda nos mostrava, fazendo-nos acreditar que eram os ideais para tentar as nossas amigas e alguns primos, assim como pela persistência empregue na tarefa... e que boa esta é!

A época das Douradas traz também consigo um pormenor ao qual sou um pouco, para não dizer:.. muito avesso, nomeadamente, a tendência para a concentração de barcos em determinadas zonas!

Questionarão alguns de vós e com certa razão: querias o quê? Se é "ali" que está a dar, havemos de ir pescar onde?

Ao que retorquirei: pode ser verdade!?
No entanto, tendo em conta as deslocações e comportamentos das Douradas até e durante esta época do ano e considerando resultados anteriores no mesmo período, acho que posso dizer que há muitos "alis"!

O problema é que aquele "ali", parece-me, apresenta-se como o aparentemente mais fácil, por indicadores de superfície de que de facto "ali" elas estão; noutros locais, tem de se procurar e acreditar que também lá podem estar, sondar, fundear e tudo fazer para que ataquem as nossas iscas. E isto já se torna mais complicado pela simples razão de nada estar à superfície que indique que aquela zona é uma "ali"!?

Não pretendo com isto dizer que não vou pescar em zonas de concentração, mas quando o faço, afasto-me tanto dos outros barcos que chego a ter dificuldade em perceber quantos pescadores estão a bordo, preferindo não capturar, a incomodar quem quer que seja na sua acção de pesca, quer por possível influência no comportamento do peixe pela proximidade do barulho e outras acções do barco, quer até por saber que o pescador de quem me aproximei, caso deixe de capturar, ficará sempre sem saber se tal facto se deveu a uma interrupção natural dos ataques ou a distúrbios causados por tal proximidade. E isso, meus senhores, é coisa a que não gosto de ser sujeito, obrigando-me também a não criar tal sujeição a outros.
Não pretendo com tais afirmações criticar seja quem for, mas... são feitios!

Certo é que, afastando-me e procurando as profundidades e tipos de fundos amplamente divulgados em outras entradas sobre este assunto, sempre acabo por capturar alguma coisa de jeito, assim como, aumentar significativamente a quantidade e qualidade das zonas de pesca e pesqueiros à minha disposição. Foi rápido e fácil? Não, não foi!!! Mas tem muito sinceramente valido a pena!

Com base em tudo isto, foram-se quatro dias de pesca.

Na tarde em que cheguei ainda lá fui, e, as capturas de dois Sargos, uma Dourada e um Parguito, deram unicamente para abrilhantar um jantar técnico, com o meu amigo Fernando Fontes, antecedente da jornada seguinte em que ambos desfrutaríamos do mar e, supostamente, dos peixes.

Lá fomos então no dia seguinte, o primeiro realmente inteiro, em demanda de cores da moda (dourado e vermelho) para zona pouco frequentada, ou, melhor dizendo, nada frequentada. Éramos nós o barco, o mar e os peixes que entraram quase seguidos (4 Pargos maiores que quilo e duas Douradas de tamanho idêntico) ao fim de algum tempo de preparação do pesqueiro e que rapidamente deixaram de cair nas nas nossas armadilhas por via do vento que nos empurrou para longe do "mel".
A nova poitada, não se revelou produtiva e neste caso o erro, penso, foi completamente meu. Isto porque, deveria ter tentado ficar no mesmo pesqueiro, mas, vendo outro ali perto com boas marcações, por ele optei, diga-se de passagem bem mal!
Acabei por ficar sem saber se este último valeria a pena em próxima visita, assim como, se o anterior continuava produtivo.

Questionarão alguns de vós: então e mudaste porquê?

A razão prende-se com as circunstâncias que passo a descrever:

- É normal que um pesqueiro, mesmo revelando-se produtivo, ofereça intervalos sem capturas.
- Os intervalos referidos podem ter razões diversas: sentimos, mas não conseguimos ferrar; não sentimos, mas ficamos sem isca; algum predador maior entra e altera o ritmo de ataques, acabando por não se interessar pelas nossas iscas...; ou, já estamos a sair do pesqueiro por rotação do barco e não nos apercebemos.
- Quando decidimos melhorar o fundeio, muitas vezes ficamos indecisos quanto à produtividade do anterior e, caso ali perto e em fundos idênticos se apresente outra boa leitura de sonda, a tendência é mudar e arriscar, o que podendo vir a resultar, pode também obrigar-nos a trabalhar de novo este pesqueiro, acabar por não conseguir grande coisa e ficar na dúvida sobre a continuidade do anterior.

Concluindo... para "espremer" e tentar perceber o tal primeiro pesqueiro, parece-me mais racional refazer o fundeio sobre esse, caso o novo rumo da deriva o permita.

O porto chamava por nós na hora da despedida e o dia seguinte talvez viesse a ser de descanso, atendendo à meteorologia esperada.

A manhã acordou acinzentada mas com o mar ainda calmo naquela hora em que gosto de ir (10.30/11 e tal). A previsão de vento de SW a aumentar, acompanhado de chuva criava-me alguma indecisão estando a solo, mas o bichinho foi mais forte e resolvi sair para pescar ali muito perto pensando uma vez mais no jantar, quem sabe o que cairia no prato!?

Chegado ao local, unicamente com cargueiros fundeados por companhia, atirei-me à pesca!
Inicialmente, num pesqueiro que ao fim de uma hora não me deu qualquer peixe de nota e foi esmorecendo em actividade; depois, em um outro, a uns 100 metros do primeiro, com tal frenesim que receei que as bogas me comessem o fundo ao barco. Insisti neste, esperando que "alguém" colocasse ordem naqueles "besugos brancos", o que acabou por acontecer, enquanto o vento aumentava e as nuvens se formavam, ameaçando a chegada da típica vontade do São Pedro no que se refere ao acto de "regar as plantas".
E foi-se dando... primeiro, uma Sargueta digna de ser comida que guardei, não fora o diabo tecê-las; depois, um Sargo, maior que a prima e que já me obrigaria a convidar alguém para jantar. Já o vento me mandava embora e entra uma Dourada de quilo e tal, obrigando-me a pensar que teria de aumentar os lugares na mesa, assim como a correr o risco de ter de lavar o barco à chuva se me alongasse na pescaria. Assim o fiz e, de repente, bumba! Vá de luta dura e comprida anunciadora deste Pargo com 3,750 kgs que, de uma vez por todas, me decidiu a desandar com pesca feita. Cá está ele!


Era hora! Andei para terra, amanhei o Pargo para guardar e os outros para degustar, lá pelo Zé Beicinho, com quem aparecesse; sendo os felizes contemplados: o Zeca e a Rosinda, gente boa e de conversa cheia. Uma delícia!

O Sábado acordou feio, com pouco vento e um enchio que se sentia no porto, indicador da vaga prenunciada pelo Windguru, fazendo com que eu, o Tózé e o João Maria, ainda hesitássemos antes de fundear e já perto do pesqueiro escolhido.
A vaga era larga, de NW, para aí com três ou mais metros, atravessada com os restos do cachão de SW deixado pelo vento da noite e, sinceramente, não estava agradável.

Ainda nos passou pela cabeça desandar para terra, mas, já que ali estávamos e confiando na meteorologia, lá se procurou, se encontrou e se aguardou que as coisa melhorassem... pescando.

Até que não correu mal de todo, atendendo a que em dias destes, caso o peixe esteja malandro e estava, as dificuldades são acrescidas.
O tempo passava, o vento ia acalmando e a vaga alta e larga ia-se tornando aceitável, embora obrigasse a amplos movimentos de cana no sentido de a acompanhar para manter a chumbada quieta no fundo, permitindo a captura de algumas Douradas e Pargos que iam caindo a espaços e acabando por construir a pesca razoável embora sem exemplares de destaque que abaixo se pode ver.


Dias destes, são bons para aprender... a sondagem tem de ser cuidada, atendendo a que a vaga nos dá leituras de fundo que podem tornar-se confusas e o fundeio tem de ser muito bem calculado, atendendo a que, devido à altura da vaga, mais cabo deve ser dado que o habitual,  criando folga suficiente para evitar que o ferro se solte com as subidas e descidas contínuas do barco.
O mais chato é que tudo o acima referido tem de ser feito em contínuo e forte balanceio, tendendo à aceleração de todo o processo, o que não nos trará qualquer vantagem... mais vale sofrer um pouco mais e não ter de repetir tudo de novo nestas condições.
Mas meus amigos, sinceramente, são daqueles dias em que prefiro ficar ali pelo porto, olhar as gaivotas e os peixes em torno do barco, falar com este e aquele, ir até ao computador, fazer umas montagens e... quem quiser que sofra!

Não fora os meus amigos terem vindo de longe para pescar comigo e tinha-me borrifado na pesca, pois é tareia a mais para o meu gosto.

Mas lá está... o Domingo estava prometido ao Zé Beicinho e ao Zeca, a vaga mantinha-se, o Sol deu um ar da sua graça e até parecia que o vento de terra (NE) não faria grande mal. Foi verdade até por volta da uma da tarde, depois disso o malandro do Deus Éolo deu-lhe forte e feio, de tal forma que o barco subia e descia na vaga, atravessando-se a esta e quase fazendo 90º ao cabo, ora a bombordo, ora a estibordo. Mau... francamente mau!

Mesmo assim, ainda se capturaram nove douradas, cabendo a maior ao Zé Beicinho que lá se limpou de outras três perdidas, após ferradas. Acontece facilmente com condições destas.

Cá está ele, com a maior do dia!


Concluindo... condições difíceis, dias incompletos, boas sondagens, bons fundeios, boas companhias e... algum peixe!

Não dá para queixas, antes para as análises e reflexões produzidas.

Esperam-se outros dias, melhores ou piores, e, a 17 de Dezembro, o tal workshop onde finalmente conhecerei alguns de vós.

Uma boa noite a todos os leitores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dias de pesca e... um primeiro olhar à técnica da "Chumbadinha"


Os dias 5 e 6 de Outubro foram de pesca, assim como o seriam o 7 e o 8, não fora o vento que apareceu no primeiro destes e o que estava previsto para o segundo que me fizeram andar mais cedo para casa, se bem que, segundo soube tarde de mais, o dia 8 até daria para pescar, mas, vá-se lá adivinhar!?

A imagem da baía de Sines, em fim de tarde de um dia de bruma, obriga qualquer amante do mar a reflectir sobre os mistérios que este alberga, mistérios estes que se propagarão às profundezas, aos grandes exemplares e a formas diversas de com eles lutar, caso o tal amante do mar seja também pescador, de preferência atento. Por tal, sentindo-me incluído na descrição; tendo combinado, com amigos seguidores de diferentes técnicas de captura, pescarias para os dois primeiros dias referidos; cedo me propus tudo observar... comportamento dos pescadores, sinais, utilização das técnicas, comportamento das baixadas e claro, o mais fácil de tudo... resultados!
Estamos portanto, perante uma reflexão sobre a utilização de duas técnicas diversas: a que costumo futilizar, ao "Fundo"; e, a "Chumbadinha"!
Ambas, como sabem, direccionadas essencialmente para o Pargo e/ou outros predadores que apareçam na zona onde se desenrole a acção de pesca.

Antes de avançar com outras suposições, reflexões ou afirmações, importa referir que, se relativamente à pesca ao "Fundo" tenho vindo a apresentar resultados que me permitem emitir opiniões fundamentadas; no que respeita à "Chumbadinha", considero-me um observador atento, principalmente pelos resultados obtidos e divulgados por outros pescadores que obviamente considero e respeito. O que aliás, entenda-se, é a minha forma de pensar e estar, face a todos os companheiros, independentemente das técnicas que utilizam e dos resultados que obtêm.
Verdade também que, após ter experimentado e observado o comportamento de baixadas na descida, assim como a forma como a isca vai sendo apresentada aos nossos interlocutores por via desta técnica, começo a considerar-me um principiante convicto na mesma; o que mais se acentuou quando tive, no passado dia 6, a oportunidade de ver dois amigos meus, com tempo de prática e resultados significativos utilizando esta técnica.
Apresentando e caracterizando, quanto ao comportamento em acção de pesca, os amigos que me acompanharam neste dois dias, temos: na pesca ao "Fundo" de dia 5, o Carlos Jorge, o Carlos Martinho e o Paulo Palma; e, na pesca à "Chumbadinha" de dia 6, o António Amorim e o Victor Coelho.
Qualquer deles, homens com muitas horas de pesca que não param, não dão tréguas, nem desistem, mesmo quando as coisas não correm de feição, na procura de exemplares maiores; o que, independentemente das técnicas utilizadas, é um factor importante no que respeita ao tempo útil de pesca, ao conhecimento dos sinais e possivelmente até aos resultados obtidos, não fora estes últimos estarem muito dependentes das condições de cada dia e de cada pesqueiro, assim como das opções, quanto à posição face ao pesqueiro, de quem fundeia o barco.

Vamos então reflectir sobre o assunto, iniciando pelos relatos sucintos e resultados obtidos nos dois dias: o primeiro, só ao "Fundo" e, o segundo, à "Chumbadinha" e ao "Fundo".

Dia 5:

Mar estanhado, pouca vaga..., elementos indicadores de mudanças de posição significativas do barco e possíveis empostas de correcção ao longo do dia. Ala para o mar e fundeio em local conhecido e já testado... uma zona de entralhados, a 50/51 metros de profundidade, ladeada por pequenos pontões entre os 46 e 48 metros.
A aguagem corria fraca para terra, os roubos de isca iniciaram-se, e, peixe de melhor qualidade só ao fim de uma hora é que deu um ar da sua graça, entrando espaçado e mantendo-nos interessados no pesqueiro que afinal acabou por não ter a produtividade ao longo do dia que, a espaços, ia prometendo, com um Pargo ou outro e umas quantas Douradas, dos quais se apresentam os melhores exemplares, como o Pargo do Paulo...


... a maior Dourada, pela mão do Carlos...


... o Pargo maior, pela mão do tal fulano do bigode!


Não se pode dizer que foi uma má pesca, antes pelo contrário, mas, quanto a exemplares de maior porte e considerando outras pescas feitas na mesma zona, pode considerar-se abaixo da média. Já no que se refere àquele vinho branco fresco e etc., são factores que sempre transformam estes dias em momentos acima da média. Mas adiante...
Na minha opinião, as causas, pura e simplesmente, poderão estar sediadas na escolha do pesqueiro, sendo possível que a força de passagem e/ou concentração de peixe, se tenha alterado para qualquer outro local ou, quem sabe, se temos utilizado outra técnica, talvez a "Chumbadinha", não se teriam conseguido outros resultados!? Não faço a mínima ideia!

Dia 6:

Outro dia de mar calmo, em que a aguagem que corria de SE para NW, deu a deriva de fundeio, obrigando a poitada pensada, tendo em conta distâncias da zona quente que permitissem pescar ao "Fundo" e à "Chumbadinha", considerando que nesta última, a isca vai cair mais longe e, dependendo das características de fundo, pareceu-me que a sondagem deveria ter isso em conta, procurando-se zona comprida com sinais de peixe, assim como sondar à volta, para perceber o que poderia acontecer caso houvesse deslocação do barco, face a alterações das condições de mar e vento.
O local encontrado, pareceu-me ideal, considerando as marcações de peixe numa beirada comprida a 58 metros, perto de um pontão de dimensões consideráveis, entre os 52 e 55 metros, sendo que à volta as quedas se situavam todas pelos 58. Estas condições permitiram fundear no início da marcação, sabendo que chumbada que caísse no fundo, entre a vertical da popa do barco e uns 70/80 metros para lá dela, sempre actuaria em zona quente. Pareceu-me bem!

As hostilidades iniciaram-se com todos a pescarmos ao "Fundo", não tardando muito para que as iscas começassem a desaparecer, indicando a actividade do pesqueiro.

A actividade mantinha-se e, quase uma hora passada, nada de peixe, só roubo. Nesta altura o Amorim e o Victor mudaram para a "Chumbadinha" e eu mantive-me a pescar ao fundo por trás deles tendo em conta o rumo da aguagem, no sentido de, por um lado, manter uma linha de engodo em direcção a esta; por outro, testar uma vez mais sobre a tendência que parece verificar-se quanto ao posicionamento face à aguagem, ou seja, normalmente quem está com as iscas em zona quente, se estiver em primeiro lugar na linha de aguagem, será o mais facilmente contemplado, desde que mantenha as iscas activas.

A verdade é que eu não tive um único toque de peixe maior, enquanto ao Amorim lhe fugiu um primeiro Pargo, o Vitor capturou um Parguinho pequeno e, passada uma meia hora, o Amorim capturou este:


É caso para dizer: valeu a espera! Pode também dizer-se que mais uma vez se verificou a tendência referida, para além do que possa ter acontecido atendendo à apresentação de isca específica da "Chumbadinha"!? Já lá vamos!

A acção de pesca continuou e o pesqueiro foi esmorecendo, assim como o barco foi rodando no lugar. Desta análise resultou a opção por mudar de pesqueiro, atendendo a que o esmorecimento deste se tinha iniciado antes da rotação do barco e também porque esta não nos chegou a tirar da zona quente. Pareceu-nos no entanto que, com a sardinha que já tinha descido e numa hora normalmente produtiva neste tipo de pesca, a diminuição de actividade parecia mais ter a ver com alterações do percurso do peixe. Isto é, outras zonas poderiam estar a interessá-los mais!?
Se assim se pensava, teria de se actuar em conformidade e com tempo para trabalhar outro pesqueiro, o que fizemos, procurando pesqueiros mais a terra, muito por resultados anteriores e também pelo aumento significativo da temperatura da água, para a época.
O GPS avisou-nos da chegada à nova zona, a sonda mostrou-nos o que parecia ser o melhor pesqueiro, outra consulta ao GPS deu-nos a indicação da deriva, fundeámos e iscas para baixo.
A aguagem que corria leve para a proa do barco, em poucos minutos diminuiu quase por completo, fazendo com que o Amorim e o Victor, mudassem da "Chumbadinha" para a pesca ao "Fundo" e alguns resultados começaram a aparecer.

Os Safios de pequeno porte subiam regularmente e eram devolvidos, intervalados com duas Douradas pequenas, um bom Sargo, um Parguito que subiu pela mão do Vitor, um Pargo de uns 4,000 kgs que saiu ao Amorim e outro um pouco mais leve que saiu ao fulano da soca...


... terminando a pesca com a apresentação dos melhores exemplares, já no porto. Os dois do Amorim e o que apanhei, pela mão do Vitor.


Uma pesca sem muito peixe, mas bonita de se ver!

E agora... o que dizer sobre estes dois dias de pesca, face a resultados e técnicas aplicadas?

Olhando os resultados, sem dúvida que o segundo dia foi mais produtivo em termos de exemplares maiores, não querendo com isto dizer que tal se possa atribuir à técnica da "Chumbadinha", senão vejamos:

O maior exemplar, foi de facto capturado com esta técnica, mas ao fim de algum tempo de pesca ao fundo, possivelmente por a iscas terem sido colocadas na zona onde o peixe, que eventualmente se deslocava em direcção às baixadas a pescar ao "Fundo", já seguia o cheiro da Sardinha e/ou as vibrações dos pequenos que as despedaçavam. Nada nos diz que este maior exemplar não acabaria nas baixadas de "Fundo", pois a iscada que o capturou já lá estava há algum tempo e ainda por cima vomitou dois raios de Polvo, acabadinhos de trincar, indicando que comia junto ao fundo. No entanto, importa referir que a "Chumbadinha" descobriu-o mais cedo, não se sabendo se até não foi mais desafiadora que qualquer outra das iscadas!?

Os outros peixes, excepto um pequeno do Vitor, foram todos capturados ao "Fundo", pelo que também não permitem ajuízar em termos de resultados. Ainda outra verdade... os pesqueiros de um dia não foram iguais ao de outro, representando mais uma variável para a confusão. Teremos então de olhar ambas as técnicas e nomeadamente a "Chumbadinha" por outras perspectivas e para além dos resultados destes dias.

Olhemos a constituição das baixadas e a forma como a isca é apresentada por cada uma delas...
Baixada de "Fundo": madre de 120 a 150 cm, com estralhos de 60 a 100 cm de comprimento, colocados em cada ponta e com um fiel, para aplicação de chumbada, com 25 a 30 cm, colocado na madre a seguir à inserção do anzol de baixo .
A chumbada, normalmente acima das 120 grs, assegurando a velocidade para chegar ao fundo, tendo em conta: a profundidade a que se pesca, o tamanho das iscadas e a existência ou não de peixe miúdo que possa consumir as iscas, antes que estas cheguem ao fundo, local onde pretendemos apresentá-las aos nossos amigos no limite da tensão da linha e do movimento do comprimento dos estralhos, esperando interessá-los essencialmente nessa área da coluna de água!?

Nota Importante: As capacidades de rotura dos monos em utilização, em ambas as baixadas, devem ter em conta não só a força dos interlocutores, como também outros desaforos a que são sujeitos, como dentes, roçadelas em pedras, ..., etc..
O tamanho dos anzóis, também para ambas as baixadas, deve adequar-se ao tamanho das iscadas e das bocas dos "bicharocos" esperados, pelo que menos de 4/0, parece-me pouco adequado.

Baixada para "Chumbadinha": Chumbada de correr movimentando-se livremente na ponteira de amortecimento e em toda a linha fora do carreto, tendo como único batente a argola ou haste do anzol que se aplicará directamente na ponta livre da referida ponteira. Isto é, na falta de foto, se agarrarmos a linha a um metro do anzol e pendurarmos, verificamos que temos uma chumbada de correr com um anzol a ela encostado, por baixo, como se de uma pequena e "estranha" zagaia  se tratasse.
Parece-me que serão mais indicados para o efeito, os anzóis de argola, já que os de pata tenderão a enfiar-se no buraco da chumbada se forem sujeitos a pressão contra esta.
A chumbada deverá ter um furo que seja suficiente para deixar passar à vontade o nó de ligação entre a ponteira de amortecimento e o fio do carreto, continuando a ser suficiente para servir de batente face ao anzol.
Quanto ao peso, pois terá de variar considerando: profundidade, velocidade da aguagem, local onde se queira que a chumbada caia, quer ao fundo, quer na coluna de água acima deste; e, talvez até, o tamanho da iscada colocada.

A apresentação da isca desta baixada parece ser, na minha opinião, muito mais rica que no caso da baixada de "Fundo"... Analisemos:

Acabámos de iscar o tal anzol generosa e apelativamente, a chumbada está encostada à isca, penduramos na beira do barco e largamos, observando de imediato que a chumbada afunda com alguma rapidez na direcção da aguagem, levando linha do carreto enquanto se afasta da isca que desce muito mais lenta, afastando-se do barco com a aguagem. A chumbada chega ao fundo e a isca possivelmente e dependendo da força da aguagem e penso que do peso da chumbada, ainda paira, descendo lentamente na coluna de água e sujeita a ataques diversos ao longo desta descida. Tudo pode acontecer... ataque de peixe miúdo que certamente despertará outros interesses; ataques de outros não tão miúdos que passeiem acima do fundo e gostem de comida em movimento!?
Suponhamos que nada aconteceu entretanto e a isca chega ao fundo intacta ou com uma ou outra mordida. Certamente estará a uma dezena ou mais de metros da chumbada, bamboleando-se e despertando outros interesses de forma, quanto a mim, mais apelativa do que a permitida pelo metro de estralho da baixada que pesca ao "Fundo". Ah... também se pode lançar mais longe, depende do sentir do pescador ou do seu conhecimento sobre o que possa andar lá para onde lançou.

Eh Pá... o gajo pirou-se com a "Chumbadinha"! Dirão alguns de vós!?
Ao que respondo: nem pensar!
Não me parece que uma só forma de actuação resulte em qualquer situação e muito menos no mar. Isto porque muitos factores actuam como variáveis em cada dia, sendo o humano talvez o mais influente.

Uma coisa é certa, a forma de descida da isca e a distância da chumbada em que se pode conseguir  o assentamento no fundo, considerando a enorme área explorada pela iscada, parecem-me de uma riqueza extraordinária no que se refere a "procurar", desafiar e até antecipar um ataque de peixe que já procura as nossas baixadas ao "Fundo". Portanto, há que utilizar "Fundo" e "Chumbadinha", só "Fundo" ou só "Chumbadinha", dependendo das condicionantes que se apresentem em cada dia, cada pesqueiro, cada leitura de sonda, época do ano, estado do mar e do vento, pescando a solo ou acompanhado, número de pescadores a bordo versus espaço oferecido pelo barco e até intenções destes quanto a trabalho de equipa, entre outros factores que não me lembro por agora.

Concluindo, posso dizer o seguinte:

Já tinha visto na net resultados obtidos por outros companheiros, já tinha experimentado uma ou outra vez sem grande sucesso, já tinha lido sobre o assunto; e, acabei por ver, ao vivo e a cores, em pesqueiros escolhidos por mim, com toda a intenção de conseguir algum sucesso.

Esta análise, baseia-se neste último parágrafo e em outros conhecimentos de pesca que tenho vindo a desenvolver por resultados e observação contínua, onde a "Chumbadinha" será mais uma ferramenta que quero aprender a utilizar, da melhor forma, na minha pesca.

Nesta técnica, quando chegar aos "júniores", conto por aqui o que souber, assim como outros a mim me contaram e a quem agradeço a partilha. Por agora, ainda me sinto nos "iniciados".

Entretanto e considerando que, certamente, existirão por aqui omissões e/ou más interpretações, agradeço a companheiros mais informados que intervenham, no sentido de melhorar a informação prestada.

Boa noite a todos os leitores.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conceitos de pesca, exemplares, regularidade de capturas... existirá uma relação?


Dia 4 de Setembro de 2011... olho o tabuleiro, ainda por lavar, onde tantos quilos de isca já foram cortados em formatos diversos e penso como vos vou falar das últimas seis jornadas, repartidas entre 25 a 28 de Agosto e 2 a 4 de Setembro.

Os amigos fizeram-me companhia, pescando comigo sempre em equipa... como gosto!
Os relatos destas jornadas, caso entendesse individualizá-los, dariam para outras tantas entradas, correndo-se os riscos de, por um lado, deixarem de ser oportunas; por outro, tornarem-se repetitivas; ou ainda, trazer às luzes da ribalta as capturas, deixando passar ao lado o que penso terem sido as razões que as proporcionaram, para mim muito mais interessantes que o acto isolado da captura, sem que se retire a este a importância devida enquanto objectivo principal e corolário de todo um trabalho anterior.
Considerando o referido, vou tentar realçar alguns conceitos nos quais me apoio e que vou tentando melhorar, suportando-me para tal nos resultados que vou conseguindo e divulgando.

Para complementar este pequeno périplo e no sentido de não cansar os mais atentos, enviá-los-ei em momentos que me parecerem próprios para consultas de outras páginas, por aqui existentes, onde penso existirem reflexões fundamentadas e explícitas sobre algumas das razões que apresentarei.

Em qualquer actividade em que entendamos iniciar-nos, tentamos programar tudo de forma a que esta se torne o mais positiva possível quanto aos objectivos que pretendemos atingir. Para tal, importa estudar  os melhores caminhos a percorrer, tendo por base o conhecimento relacionado que hoje em dia está disponível por excesso, e, praticar... praticar o máximo, tentando aprender com os erros, caso estes sejam identificados. Isto porque, por nosso desconhecimento, por informação mal entendida/prestada ou outras tantas razões, por vezes estamos a errar e nem nos apercebemos ou, pior ainda, fingimos que não vemos, porque dá trabalho, porque também há ao nosso lado quem faça o mesmo ou até por questões de ego.
Não se tenham dúvidas... quanto maior for o conhecimento na área em que nos movimentamos; o trabalho pensado que nela investimos; os melhoramentos que lhe fizermos; e, a abertura a outras  e/ou novas ideias; mais diminuímos a intervenção dos factores sorte e/ou azar nos resultados que pretendermos obter.

Sobre os conceitos que considero mais importantes, vou direccionar a reflexão para os seguintes:

1. O que penso relativamente ao comportamento do peixe

Os peixes grandes ou pequenos vivem no mar e, em algum lugar estarão activos, uns comendo os outros e estes fugindo e/ou alimentando-se como puderem, todos eles passíveis de se atirarem às nossas iscas!?
Se não consigo dar com eles e capturá-los o problema é meu e decorre normalmente de conhecimento insuficiente, discernimento inadequado em determinada época ou más escolhas no que respeita a timmings em determinado dia/hora, entre outros possíveis. Considero portanto que as razões de um qualquer insucesso estarão sempre sediadas na minha capacidade/incapacidade, desde que  os companheiros que me acompanham estejam a trabalhar em equipa comigo, quando em acção de pesca.
Para melhor me explicar sobre o que resumidamente aqui disse, aconselho a consulta da seguinte página: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/hoje-no-h-peixe-uma-reflexo-9abril2007.html .

2. O tipo de zona/pesqueiro que vou seleccionar

Esta selecção terá sempre a ver com a relação: época do ano/profundidade/exemplares que se procuram. Isto é, se tento essencialmente o Pargo, em qualquer época, escolho beiradas de pontões altos, limpos e/ou entralhados, perto destes ou isolados no meio do nada; mais fundos, no Inverno e Primavera; e, menos fundos, a partir do fim desta, até bem dentro do Outono.
Caso procure Pargos e Douradas na época de concentração destas, já os resultados podem melhorar em zonas de pedra mais rija que se situem em cetombas pouco pronunciadas, para além dos incontornáveis entralhados ou limpos perto de pontões altos, talvez os melhores fundos em todas as épocas, independentemente da profundidade a que se pesque e no que à pesca embarcada em embarcação fundeada se refere, não tendo em conta a pesca de grande profundidade ao Goraz e Cherne, por exemplo, em que estes conceitos de pesqueiros sofrem alterações consideráveis.

Para melhor compreensão do que tenho em conta e o que faço relativamente à selecção de pesqueiros, aconselho a consulta, pela ordem colocada, das seguintes páginas: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/procura-de-pesqueiros-1-parte-04fev07.html http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/c-estou-eu-outra-vez-para-continuar.html http://aminhapesca.blogspot.com/2009/06/descodificacao-de-termos.html#uds-search-results

3. Os cuidados para me manter na zona/pesqueiro eleito

A partir do momento em que acontece a selecção dum pesqueiro, num determinado dia, de uma determinada época, é por que se acredita que tal tipo de fundo, profundidade e sinais de sonda, formam o painel ideal para trabalhar o pesqueiro, mais ainda se os sinais dados pelos toques do peixe nas nossas iscas apontam para a actividade da bicharada, grande ou pequena que por lá anda.
Ora, tendo em conta que por vezes se sucedem intervalos de tempo significativos entre capturas dos exemplares procurados, assim como os sinais podem variar ao longo do dia; a pior coisa que nos pode acontecer é:
- Por sermos deslocados, por qualquer alteração de rumos de vento/aguagens ou soltar do ferro de fundeio, do que consideramos ser a zona quente, deixarmos de acreditar no pesqueiro e ficarmos sem entender se os intervalos entre capturas são os normais ou decorrem de alguma alteração de posicionamento, mesmo se os sinais de actividade sobre as nossas iscas se mantiverem. Se isto acontecer, o mais indicado será melhorar o fundeio, tendo em conta as novas condições de mar e vento, podendo assim continuar a acreditar na acção de pesca desenvolvida. Isto é o que sempre faço, salvo se a zona para onde fui deslocado não ficar muito afastada e mantiver a profundidade, as características de fundo e os sinais anteriores.

Para controlar continuamente o posicionamento no pesqueiro, importa ter alguns cuidados assim como alguma atenção aos sinais oferecidos e às capturas desinteressantes, como Bogas, Choupas e Sarguetas pequenas, Carapaus, Peixe-Piça e Ganopas.

Relativamente aos cuidados, devemos verificar, na Bússola, os graus a que estamos aproadas, sendo que desvios importantes, são indicadores de mudança de posicionamento que poderão ser ou não significativas.
Outro cuidado será tirar uma marca de terra, perpendicular ao posicionamento do barco proa-popa que nos permita verificar contínua e facilmente se o ferro está a ir à garra, o que por vezes pode não ser perceptível face a determinadas condições de mar e vento. Verdade que poderemos fazer o mesmo mantendo o GPS ligado, mas obriga-nos a deslocar várias vezes à cabine, para além de significar um gasto importante de bateria.

Relativamente aos sinais oferecidos pelas capturas desinteressantes, considere-se o seguinte:

Um pesqueiro que durante uma hora ou mais só nos dê Bogas, tem tendência a ser pouco produtivo, isto porque, mesmo apresentando uma qualidade de fundo assinalável, poderá estar numa zona fora da passagem do peixe que queremos. Já se às Bogas se vierem juntar Sarguetas, Choupas pequenas e um ou outro Carapau, a coisa, no que respeita a peixe maior, vai-se compor, quase de certeza!?
Umas quantas Ganopas no início da pesca... tudo bem! Mas, se ao fim de uma hora e tal de pesca, num fundo entralhado, em que já capturámos uns peixes de qualidade, nos surge num anzol uma Ganopa, é um fundamento suficiente para verificarmos o fundeio.

Dou-vos um exemplo vulgar, acontecido há poucos dias: estávamos a pescar nuns entralhados a 50 metros de profundidade, rodeados por pequenos pontões a 47, 46 e 48 metros, tínhamos tirado várias Douradas, uma Bica, um Sargo Veado e um Pargo com uns 4 kg, sendo que entravam um ou dois peixes e esperava-se quase meia hora até que entrassem mais um par deles, nisto entra uma Garoupa da Pedra (Ganopa), o que estranhei, atendendo a que, ou entram de início ou quando entram mais tarde podemos ter mudado de pesqueiro pois são muito territoriais. Abri a sonda e já não estava nos 50 metros mas sim nos 46 e o hiato de tempo sem capturas, sendo aceitável caso estivesse no entralhado aos 50 metros, já não o era em cima dos bicos em que nos encontrávamos. Em pouco tempo decidi-me pela melhoria do fundeio e as capturas de exemplares de bom porte tornaram à sua regularidade.

Ainda sobre os sinais, referindo-me agora ao Peixe-Piça, mais frequente quando se pesca muito perto das beiradas de pontões, será um mau sinal se durante muito tempo subirem, ferrados por aqui e por ali, sem qualquer entrada de peixe maior, possivelmente estaremos demasiado chegados à pedra ou os que queremos andam por outras bandas. Caso subam intervalados com exemplares maiores e ao fim de algum tempo só existam eles, melhor será verificarmos o fundeio, pode ter havido alteração de posicionamento.

Todos estes peixes a que chamo desinteressantes, são no entanto nossos amigos... por um lado, com o seu frenesim a despedaçarem as nossas iscas, criam vibrações e espalham sucos atraentes para qualquer predador que se preze e paire nas redondezas. Por outro lado, quando de repente param de comer iscadas enormes, ao minuto, dão-nos sinal importante da chegada de "alguém maior" eventualmente interessado neles ou nas nossas iscas.

4. O meu comportamento e dos meus companheiros em acção de pesca

O comportamento dos pescadores, em acção efectiva de pesca, deve adequar-se ao que se pretende capturar e aos sinais dados pelos toques, por sua vez indicadores do tipo de peixes que estão a comer e consequentemente do que ainda estará para vir. Importa portanto, para falar sobre este conceito, caracterizar os tipos mais importantes de sinais que têm estado na base de jornadas de sucesso e que arrisco dividir em três tipos, assim como, pronunciar-me sobre as reacções comportamentais a bordo, face a cada um deles. Ora vejamos...

Tipo A: O mais vulgar, em que, logo que se inicia a acção de pesca ou alguns minutos depois, os "gaiatos" comem que se fartam as iscadas enormes só de Sardinha e/ou de qualquer isca grande ou pequena que lá se coloque, em ataques trémulos, por vezes imperceptíveis, mas de uma eficiência a toda a prova no que a velocidade de gamanço se refere, só parando quando um dos maiores se aproxima, interessado neles ou na iscada que lá colocámos.

Uma jornada deste tipo, requer do pescador uma acção contínua, ininterrupta, física e psicologicamente esgotante, no que respeita à reposição de iscas, mantendo uma atenção constante sobre dois aspectos essenciais: um, perceber ao elevar a cana, a diferença de peso que indica ter ou não ter isca, repondo-a de imediato; outro, estar extremamente atento a paragens na roubalheira, normalmente indicadoras da entrada de peixe grande no pesqueiro. Não se tenham dúvidas... quem terá mais hipóteses de ferrar  mais e maior peixe, será aquele que mantenha durante mais tempo as iscas activas e também o que estiver mais atento; duas condições que com o passar das horas se tornam cada vez mais difíceis de manter.

Tipo B: Não tão vulgar como o anterior, mas acontecendo com alguma regularidade, principalmente quando, como tudo indica, os grandes já estão no pesqueiro. Neste caso, poitamos, iscamos, deixamos cair as iscas lá em baixo e nada. Nem um toque, nem uma mordida por pequena que seja. Espera-se por vezes meia hora, em que consultamos a sonda e continuamos a ver marcação interessante, assim como o mesmo fundo em que estávamos quando fundeámos, enquanto as iscas continuam intocadas, desafiando a nossa credibilidade no pesqueiro. Olhamos à volta procurando bandeiras indicadoras de redes que por vezes se mascaram na sonda como boas marcações, mas nada disso, nem perto.
De repente uma das canas verga-se e uma luta dura acontece, culminando na captura de um exemplar de 2, 3 ou mais quilos, logo seguido de outro de tamanho idêntico ou maior.
A partir deste momento, dois comportamentos diversos se têm observado: umas vezes, parece que rebentou um cano de peixe miúdo que começa a comer desalmadamente, só parando quando torna a entrar peixe maior e retornando após captura destes; outras vezes, mantém-se a calma podre com que iniciámos, interrompida aqui e ali por capturas de bons exemplares que acabam por compor excelentes pescarias em qualidade e até quantidade no fim da jornada.

Nas condições referidas o comportamento do pescador é essencialmente de manutenção da atenção por períodos, por vezes longos, intervalando com reposição de iscas quando se verifica a entrada de peixe miúdo ou, pura e simplesmente, aguardar calma e atentamente a sua vez de conseguir um exemplar a sério, por vezes diversificando iscas e formatos de iscadas.
Digo-vos sinceramente, são o tipo de jornadas que requerem grande confiança em quem poitou o barco, assim como nas características do fundo em que se pesca, muito pela ausência dos sinais dados pelos toques, neste caso com pouca frequência, significando um silêncio ensurdecedor e espectacular.

Tipo C: O mais invulgar, não sendo raro, mas uma bênção a bordo!
O pesqueiro aparece na sonda explodindo em sinais laranjas e vermelhos agarradinhos ao fundo. Poitamos, iniciamos a acção e, os toques surgem, agressivos e mais fortes que o habitual, intervalados com um ou outro roubo de isca aos pescadores mais descuidados que também acabam por capturar um pouco de tudo... ele é Sargos. Douradas, Pargos grandes pequenos e médios, Saimas, outros peixes pouco habituais como os Alfaquins, sei lá... uma festa!
Por vezes a pesca acaba cedo, para evitar excessos de peso e, os sorrisos a bordo substituem as caras atentas, as dores nos braços e a incerteza contínua dos Tipos anteriormente caracterizados.
Muitos principiantes ficam em estado de graça se têm a sorte de cair numa pesca destas que pode ser a melhor ou pior coisa que lhes aconteça, dependendo da capacidade de entenderem que este é o dia mais invulgar que lhes poderá suceder em toda a sua vida. Tudo fácil!

Quanto ao comportamento dos pescadores num destes invulgares dias, pois até dá para parar, curtir umas minies e tal... ou, tentar o maior exemplar aprimorando tamanhos e forma de iscar.
Para todos os efeitos é caso para dizer: gozem-no bem! Tão cedo não vos vai calhar coisa deste Tipo!

5. Materiais e iscas a utilizar, como e porquê

Sobre materiais, sabendo que vou danar um amigo ou outro, não me vou alongar em grandes explicações, antes vos envio para a página  http://aminhapesca.blogspot.com/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html onde, de forma exaustiva, falo e fundamento as minhas escolhas. Escolhas estas que tendem cada vez mais para anzóis maiores (6/0) e estralhos mais compridos e grossos (1 metro, de 0,45/0,50), muito devido ao uso de iscadas cada vez maiores, assim como, a fugas de exemplares maiores derivadas de cortes em pedras e em bocas.

Sobre as iscas, usam-se lá a bordo as seguintes:

Sardinha: funciona como isca-mãe, pois tanto engoda, quanto captura qualquer das espécies procuradas.

Caranguejo: uma isca que pode ser rainha na altura da concentração de Douradas, muito procurada pelo Pargo, a partir de Setembro e com bons resultados quando encostada à sardinha.

Camarão: imprescindível para intervalar com a sardinha, iscado inteiro e com casca, em qualquer tipo de jornada.

Cavala, Lula e Choco: a primeira, podendo funcionar como a sardinha, mas com menos efeito de atracção e, as restantes, muito boas, quando encostadas a uma isca mãe. Confesso que o Choco tem sido esquecido ultimamente, mas pode fazer a diferença em dias de muito peixe miúdo.

Não coloco em causa as capacidades de outras iscas, mas estas são de facto as que se têm mostrado genericamente mais efectivas na minha pesca.
Sobre este assunto (iscas), está em preparação uma entrada mais exaustiva e documentada. Vão ter de aguardar com alguma paciência.

6. Acções de improvisação quando tudo se complica e/ou está a falhar

Todos os conceitos anteriormente analisados, no seu conjunto, muitas vezes não chegam! É verdade!

O vento aparece com mais intensidade que a esperada, aguagens adversas e atravessadas ao vento criam péssimas condições de pesca, diminuindo o seu tempo útil e é hora de tomar decisões!
Neste caso, duas coisas se podem fazer: voltar para o porto e esquecer o assunto, ou, improvisar... tendo sempre como principal objectivo maximizar o tempo útil em acção de pesca.
Optando pela última decisão, há que aproar a uma zona mais ou menos adequada à época e salvaguardada das condições agrestes, procurar um pesqueiro conhecido, de preferência com fiabilidade algo comprovada (ver em: http://aminhapesca.blogspot.com/2010/10/fiabilidade-comportamento-de-pesqueiros.html ) e, gastar tudo o que se sabe e o restante tempo de pesca da jornada. Isto porque, condições de mar e vento adversas, são más conselheiras para procura de novos pesqueiros e, neste tipo de pesca, não se captura peixe a andar de barco. Quem sabe, com tempo e paciência não se salva a pescaria!?

Com base nos conceitos e análises produzidas, pescou-se nos períodos referidos, em seis jornadas, todas com bons resultados, dos quais vos deixo, em registo fotográfico, alguns dos melhores exemplares capturados.

O  Luís Nascimento, com o seu melhor Pargo:


O Arménio, conseguiu este:


Acho que conhecem a Crock!?


A maior Dourada do Paulo:


Outra vez o Arménio, com um "Sarguito":


Ainda agora apareceu a Crock, agora aparece o chapéu e o bigode... quem será?


Olha o Arménio... também capturou Douradas!? Boa!


Serrajão? Boa António Amador!


Ora esta... também tu Pedro!?


Ele é Serrajão... ele é Dourada... há de tudo nesse mar!?


Outra vez o fulano do bigode... e o chapéu? Onde o deixaste?


Olha o Vitor... há muito que não se deixava ver! Desde o monte... aquele da gata!


E o Raimundo que não deixou os seus créditos por mãos alheias!


Olha o Paulo... vai Douradita!


O quê? Outra vez? Também há Sargos Veados nesse mar?


E o Martinho que se viu grego... mas acabou por trazer a sua!


Era bom que o meu amigo Carlos Jorge, não capturasse o seu quinhão... pena não termos tirado a foto da dupla! Fica para a próxima.


Este fulano não larga isto... Que raio! E o chapéu? Oh mastronço!!! Ainda te constipas!?


Uma das pescarias:


Os meus companheiros também em pose:


Fora brincadeiras e em resumo das análises e reflexões produzidas importa referir o seguinte: para que tudo isso funcione, é imprescidível que todos os pescadores a bordo estejam na mesma linha de actuação e motivados para o funcionamento em equipa. Caso contrário, o melhor mesmo é pescar a solo.
Aos amigos que comigo participaram nestas jornadas quero agradecer precisamente a camaradagem e o trabalho em equipa sempre presente a bordo!
Quanto à questão que coloco em título, deixo aos leitores o trabalho de, face à sua experiência, ao escrito e aos resultados; dizerem de sua justiça.
Espero que se divirtam ao percorrer estas páginas e... até uma próxima!

Boa tarde