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domingo, 17 de março de 2013

O prazer de ir...


O Sol já vai alto e navego para fora, nesta Sexta Feira, 16 de Março, do ano da graça de 2013. Vou só, com um olho no rumo, enquanto revejo a disposição de todo o material a bordo, não resistindo a captar a imagem do carreto e da cana que para mim ganham vida, parecendo-me nervosos para entrar em acção. Acalmo-os, dizendo-lhes que o motor tem de aquecer antes de ir para rotações de cruzeiro e que a pressa é má conselheira, até porque, compromissos são coisa que não temos e, quanto aos peixes, o mar é como aquele café de clube de pesca onde vamos tomar um caneco e, mais cedo ou mais tarde, acabamos por encontrar um ou mais interlocutores à altura, para discutir o assunto que lá nos levou...

O dia está calmo, o mar raso e, já com o barco na sua melhor velocidade, lembro-me do Parguinho e da Dourada, capturados ontem, numa rapidinha de fim de tarde. Já marcharam cozidos com todos, alegrando os estômagos do Zé Manel, do Pedro, do Fernando e o meu, claro; lá pelo Zé Beicinho que estava com uma gripe das antigas e não pode participar, nem no jantar, nem na pescaria de hoje. As melhoras para ele e para a próxima, logo se vinga.

O GPS mostra-me que estou a chegar à zona, abrando, limpo o traçado do rumo e vou preparar o ferro para largar, enquanto deixo que se desenhe o rumo da deriva.
A sonda já está ligada, mas nem olho para ela, a zona é grande, os fundos espectaculares, o peixe costuma adorá-la nesta altura do ano e nem ponho a hipótese de não fundear por ali... é uma questão de procurar e acertar. Já lá vamos.

O ferro está pronto a largar, a isca já está cortada, as canas a postos e é hora de ver o rumo da deriva, sondar, procurar e optar pelo pesqueiro onde fundear. Faço a primeira escolha do local para largar o ferro e aí vai ele... espero que o barco se coloque e rapidamente me apercebo que não estou onde quero. Sinceramente já desconfiava... o traçado do rumo da deriva era estranho, muito devido à leve aguagem que ia para a proa do barco, quase em sentido contrário ao do vento; para além disso, deveria ter sondado mais em volta, de forma a perceber melhor os contornos de fundo, farto em pontões altos e beiradas abruptas, onde qualquer erro de fundeio concorrerá facilmente para ficarmos em cima de local pouco interessante, por demasiada pedra ou por limpo meio deserto.
À falta de melhor, converso com as canas, carretos linhas e anzóis... digo-lhes para terem calma, enquanto levanto o ferro e melhoro o fundeio, sentindo-me confortável com o fundo novo e largando-os de imediato, ao encontro daqueles com quem queremos "falar".

A "conversa" inicia-se algo tímida. No entanto, logo na segunda descida, após sentir a chegada ao fundo e elevar a pesca, para melhor sentir a sua tensão, primeira surpresa... a linha fica leve e, das duas, uma; ou perdi a chumbada, ou algum peixe se ferrou e não a deixa estar no fundo!? Enrolo rápido e lá está o peso e a consequente luta, dura e comprida, indicando talvez uma Cavala grande ou um Serrajão!?
Não me enganei... um Serrajão, com uns dois quilos e tal, sobe ao poço do Makaira e, enquanto lhe retiro o anzol e o deito delicadamente na mala térmica, já só penso na cebolada que vou comer com ele.

A acção continua e o roubo de iscas, mais ou menos rápido, é uma constante, independentemente dos tamanhos e formatos das iscadas, indicando que mais cedo ou mais tarde, alguma luta interessante acontecerá.
A pesca vai decorrendo, entre uma ou outra bolacha e uma ou outra montagem ou anzol perdidos, por arrochanço, ou por uns quantos Safios de tamanho que não quero, a engolirem o anzol e a cortarem o estralho. Insisto, e outra luta acontece, desta vez em tons avermelhados... não é um grande mas, pelas cabeçadas, também não é Parguito. Mais para cá, menos para lá, eis que entra no poço o primeiro Pargo do dia, com uns dois quilos e tal. Sinto o desenho de um sorriso e digo às canas e aos carretos: Olhem que não vale só por ele... se tinham alguma dúvida, o que acham agora da qualidade do pesqueiro? 
Vamos lá trabalhar que, ou me engano muito, ou não ficamos por aqui!?

Os toques continuam, ferro um peixe que começa a luta e logo se solta sem dar hipóteses de perceber a raça, subo a montagem já com anzóis limpos, isco de novo e torno a lançar, aguardando os toques que começam a rarear, fazendo-me pensar que algo está a acontecer... ou anda por ali peixe maior ou mudei de sítio!? Olho em torno e apercebo-me que o rumo do vento mudou e o barco, lentamente, tinha rodado sem que me apercebesse, fruto da concentração na azáfama. Liguei a sonda e esta mostra-me que já estou a pescar no deserto. Espero mais um pouco, subo as iscas e estas vêm tal e qual estavam, obrigando-me a tomar uma atitude. Mais uma vez, levanto o ferro, procuro onde largar e recoloco-me no mesmo fundo, esperando não me ter enganado quanto à sua produtividade.

A resposta veio algumas iscadas e tempo depois, primeiro pela limpeza dos anzóis e, ao fim de mais algum tempo, por um daqueles toques que obrigam a ferrar alto, seguindo-se a luta esperada, a linha a sair, mais cabeçada comprida e mais linha a sair, repetindo-se ao longo dos 80 metros de fundo a que estava a pescar e culminando com este "vermelhusco"... curto, gordo, alto de lombo e cabeçudo que, deitado, aguardou a foto para a posteridade, ao lado daquele sapato velho que não chega ao Verão de tão maltratado.


O pesqueiro a funcionar, restando saber se o tempo de pesca restante, traria mais alguma surpresa. Só a continuação da acção o poderia dizer e foi o que fiz após trocar a sofrida montagem, coçada junto ao anzol.

Iscas para baixo, anzóis para cima, variação de tamanhos, de formatos; Sardinha por base, Camarão velho e grande de vez em quando e um choco ou outro a intervalar. Já para não falar de um Besugo iscado vivo na pesca a pescar no caneiro. Tudo se tentava, ou quase tudo.

Um determinado moer, a desconfiança, a ferragem e a luta pesadona dum Safio de maior porte, talvez infrutífera, caso o fio viesse a roçar a dentuça do bicho.
Ao fim de algum tempo, continuava a subir, abri a porta do poço que dá para a plataforma de banho e continuei a puxá-lo, até que o vi, com o anzol ferrado na mandíbula superior, tudo indicando que o fio estava intacto. Deixei-o boiar, agarrei o fio desviando um pouco a cara para evitar que os anzóis ou a chumbada me viessem bater caso se soltassem de repente, esperei que a vaga colocasse o nível da água o mais perto possível da plataforma e puxei segura e insistentemente, conseguindo vencer o desnível e arrastá-lo para bordo.

A pesca estava composta, o Sol já se aproximava da linha do horizonte e após mais algumas tentativas e uns quantos peixes mais pequenos. decidi que era hora de levantar ferro e levar o Serrajão ao encontro da cebolada com pessoal amigo.

Não sem antes captar a imagem "de grupo", onde não resisti a deixar os Besugos, tão do agrado de um ou outro amigo meu que não vão certamente perder a oportunidade de sobre eles comentarem.


Um dia excelente, uma pesca bonita, sem ser grande ou excepcional, o Serrajão, de cebolada, espectacularmente cozinhado no Zé Beicinho, pela D. Lucília, e, a conversa fluente que sempre se consegue à mesa. Pedir mais... não quero, nem devo!

A todos os leitores, desejo uma boa noite e uma semana produtiva.

Até à próxima. 

domingo, 3 de março de 2013

Entender um pesqueiro versus marcas de GPS


A carta de fundos de Sines surge perante os meus olhos e, enquanto não deixo de me espantar pela  diversidade e qualidade dos mesmos, analiso os resultados algo variáveis das últimas pescarias, comparo-os com outros na mesma época do ano e nos mesmos pesqueiros e tento relacionar tudo isto com as opções tomadas em cada momento, na tentativa contínua de os melhorar, pensando, agora no sossego do "buraco" onde costumo escrever, sobre a enormidade de variáveis que rodeiam a acção de pesca e a dificuldade de as interpretar a nosso favor em cada momento de pesca.

Tais pensamentos e decorrentes reflexões, levaram-me a questões relacionadas com o entendimento de pesqueiros, tentando isolar e posteriormente conjugar os factores que poderão conduzir a uma melhor interpretação de como lidar com um determinado pesqueiro, tendo em conta as suas características e as condições de mar e vento de um determinado dia em que decidimos, face à época do ano, escolhê-lo como local para nossa acção de pesca.

Genericamente, tenho como definição de pesqueiro: "uma zona submarina em que a profundidade, textura e contornos de fundo se adequam, em determinada época, dia e momento, à concentração, permanência ou passagem da espécie ou espécies que pretendemos capturar, utilizando uma determinada técnica (fundeado, com isca morta ou viva; à deriva, com zagaia ou isca viva;…)".
Para além das características apontadas, a zona em questão, poderá ser mais ou menos extensa e portanto passível de, em função das condições de mar e vento, oferecer hipóteses diversas de localização do peixe e consequentemente de fundeios adequados a esta localização, tendo ainda em conta o rumo da deriva existente em cada dia.
Considerando o referido, um ponto de GPS que identifique a zona, funcionará sempre como o centro ou indicação da mesma e não como obrigatoriedade de fundeio preciso nas coordenadas que o definem. Quer isto dizer que ao chegarmos ao ponto deveremos, a partir dele e através da sondagem, procurar o melhor local para fundear, tendo em conta a actividade, o rumo da deriva e a possível existência de aguagem.
Normalmente, em pontões baixos em que a actividade se vê numa das beiradas, tenta-se largar o ferro na beirada contrária e deixar o barco descair mais ou menos para cima da outra onde vimos actividade, ou, caso o rumo da deriva seja contrário, tentar encontrar uma zona rija, fora da área do pontão, onde se verifiquem condições para o ferro prender e deixar o barco descair na direcção deste, de modo a que consigamos colocar as nossas iscas na zona de actividade identificada. Tudo isto sem esquecer que, havendo aguagem, o barco não deverá descair para a vertical da zona de actividade, sob pena de a corrente colocar as nossas iscas fora desta.
Analisando as duas hipóteses apontadas, prefiro quando possível, largar o ferro fora do pontão e descair para este, do que largar sobre um lado e descair para o outro, isto porque qualquer peixe daqueles que procuramos, ou já lá está, ou, tendencialmente, terá o pontão como referência para a sua aproximação, devido à comedia que anda em torno deste, sendo que as nossas iscas ficam no local certo, venha ele de onde vier. Já quando largamos o ferro numa das beiradas do pontão e descaímos para a outra, havendo aguagem, o peixe que já por lá possa estar pode não se aperceber das nossas iscas, atendendo a que a corrente poderá levar cheiros ou vibrações para fora da sua área sensorial, restando-nos aguardar que outros predadores venham procurar o local e dêem de caras com a nossas ofertas, o que tende a acontecer com aguagens leves e talvez seja mais difícil acontecer com aguagens mais fortes, em que o peixe tenderá a evitar grandes deslocamentos.
Importa referir que, não havendo aguagem, deveremos ter como único pensamento a colocação do barco, na vertical, sobre a beirada com mais e melhor actividade, independentemente do local onde se largue o ferro, sendo neste caso o vento, o principal orientador da deriva.

No caso de elevações submarinas significativas (10 ou mais metros), distribuídas por áreas extensas e em presença de aguagem, a tendência de abrigar muita comedia (peixe miúdo) e consequentemente aqueles maiores que dela se alimentam, aumentam significativamente as hipóteses de capturas de predadores que já se encontram na zona, desde que coloquemos iscas que os atraiam em género e quantidade, assim como, em zona onde lhes sintam o cheiro, as vejam ou a elas sejam atraídos devido ao frenesim do peixe miúdo que as estejam a consumir, caso tal aconteça.
O fundeio ideal face à situação anterior, sendo efectuado do pontão para a beirada do lado para onde se dirige a aguagem, poderá não ser o ideal, atendendo a que a actividade do peixe miúdo e consequentemente dos predadores se desenvolve junto ao pontão, sendo que, com um fundeio deste tipo, as iscas cairão fora da zona, tendendo a não serem detectadas, excepto no caso em que apareçam predadores em procura de comida e/ou abrigo, vindos de outros lados e, eventualmente, caso exista outro pontão perto, também com actividade e no alinhamento da aguagem.
O fundeio ideal, parece ser aquele em que conseguimos largar e prender o ferro, fora do pontão, do lado contra a aguagem, de modo a que o barco fique entre o ferro e a base do pontão, permitindo que as iscas, os seus cheiros e as vibrações causadas por ataques de peixe miúdo, por efeito da corrente, se dirijam ao encontro dos "residentes", temporários ou não.

A escrita já vai longa e, como habitual, voltei atrás, revi a conversa e pensei com os meus botões... neste momento da leitura, alguns de vós poderão estar a pensar: mas por que raio estará este fulano para aqui com esta conversa toda? Porque é que não vai direito ao assunto?

É para já!

A conversa anterior tem por base os resultados obtidos nas últimas três saídas de pesca; duas, com bons exemplares e uma de seca e quase sem peixe.

Uma das melhores, corresponde à relatada na última entrada e a outra, corresponde a esta, em que para além de um Pargo de quilo e pouco que me saiu, mais um grande que se desferrou e dois outros, também desferrados pelo Zé Beicinho, muito por tentativas de ferragens demasiado rápidas, foi ao Brás que saiu a taluda, iniciada com este Alfaquim pequeno...


... seguido deste maiorzito...


e terminando com chave de ouro, com este Pargo, perto dos 5,000kg


Parabéns Brás!

Mas voltemos à conversa.

Tanto o último relato, quanto este, foram precedidos respectivamente de duas pescarias não relatadas. A  anterior ao último relato foi mais uma tentativa em pesqueiros pelos 50/60 metros, revelando estarem estas profundidades muito pouco activas no que a peixe melhor se refere, indicando a necessidade de procurar mais fundo. Procurado e encontrado o pesqueiro, realizou-se a pescaria relatada na entrada anterior, em que o fundeio, por orientação do rumo da deriva, obrigou a fundear de fora do pontão para este, na linha de aguagem.
Na passada Quarta Feira, voltei ao pesqueiro e tanto a aguagem, quanto o rumo da deriva se verificaram opostos, indicando que deveria fundear na beirada oposta, mas, por uma questão de tentar entender melhor o pesqueiro e também porque a beirada já testada apresenta-se com um declive menos pronunciado que a oposta, decidi o fundeio colocando o barco mais ou menos no mesmo local, embora pescando do pontão para a beirada, com resultados desastrosos. O peixe nem comia.
Após uma hora e muito, de acção de pesca, resolvi levantar ferro e fundear do outro lado. Pescámos muito pouco tempo... entrou vento forte, o mar virou, o ferro saltou e tivemos que rumar a terra onde só umas Choupas e Sarguetas entraram, dando-se por terminada a pesca e confirmando uma vez mais a dificuldade de conseguir melhores exemplares à terra.
Finalmente chegámos a esta Sexta Feira, dia calmo, "mar de senhoras" e rumo ao mesmo pesqueiro, onde se verificou aguagem mais leve e actividade mais intensa na tal beirada com menos declive. Hesitei mais uma vez e tornei a fundear do pontão para a beirada na linha de aguagem, pensando que com menos corrente houvesse maior fluxo de peixe a vir de fora para o pontão. Na verdade, enganei-me!
De facto, o peixe até já picava e algumas Pataroxas deram um ar da sua graça, mas o certo é que peixe maior, nem vê-lo. Era hora de fundear do outro lado. Levantei ferro e rumei contra a aguagem e a deriva, sondando por cima do bico, cheio de actividade. Vi aparecer a beirada abrupta, caindo de repente quase para o dobro da profundidade e mostrando sempre actividade com fartura. Continuei, procurando, no fundo, um socalco conhecido para agarrar o ferro; encontrei-o e fundeei, deixando depois descair o barco até ao ponto que me pareceu ideal para largar as iscas e estas cairem perto da beirada, cabendo à aguagem fazer o seu trabalho de "divulgação".
Certo é que os toques foram logo outros, mais intensos, acabando por se conseguirem os peixes que já vos mostrei. Pena os que fugiram... então sim, tinha sido uma pescaria bem mais elucidativa. No entanto, face ao relatado, pode dizer-se que a produtividade esteve manifestamente associada aos fundeios efectuados de fora do pontão para a base deste, no rumo da aguagem; entendimento a reter como base para primeira opção de fundeio, em outras incursões a este mesmo pesqueiro ou até a outros com características idênticas. Convém no entanto estar atento, pois nada no mar e na pesca se mantém como regra. Um dia destes é possível que aconteça precisamente o contrário. Eventualmente, bastará para tal que as condições e a época sejam diferentes

Relativamente ao título desta entrada, importa referir o seguinte: imaginem que um amigo me solicita uma marca de GPS e eu lhe dou aquela onde fiz esta pescaria ou a da pescaria relatada na última entrada. Ele ruma para lá, acredita que vai pescar à séria e fundeia o barco no ponto. Se não entender o pesqueiro e as condições não forem as mesmas ou idênticas, este ponto poderá de nada lhe valer. Neste caso, ele eventualmente ficará de monco caído e eu fico talvez sujeito a... passar por mentiroso!?

Uma boa noite a todos os leitores.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A cor vermelha em pesqueiro novo!


Peixes em tons de vermelho, com olhos do tamanho de cápsulas de cerveja ou maiores... adoro!

Mas tanto ou mais que a sua captura, são os esforços que se desenvolvem na sua procura que me apaixonam, tanto em momentos menos bons, quanto em momentos de sucesso; principalmente quando esse sucesso se baseia na procura de novos fundos, no aproveitamento de condições de mar e vento ideais para explorar zonas específicas, adequadas a cada época, e, nas decisões que se tomam quanto a fundeio atendendo à actividade observada nas imagens que a sonda nos devolve, permitindo-nos operações de fundeio em que ficamos a pescar mesmo onde queríamos. Isto é, depois de analisar jornadas menos produtivas quanto a resultados, época do ano e condições de mar e vento em que foram realizadas; esperar um dia em que as condições sejam favoráveis, adequar a procura em função da análise anterior, insistir em locais desconhecidos e profundidades diferentes, até encontrar um fundo com bom aspecto, fundear bem e... ter sucesso.

Mas chega de introdução e passemos ao relato.

Este início de ano tem sido pródigo em dias que não permitem ir ao mar. Se por um lado é bom por permitir a renovação necessária, por outro, não permitindo uma regularidade de saídas, quebra o ritmo de pesca, principalmente no que se refere aos locais onde o peixe "habitualmente" pára.
A palavra entre aspas, colocada de propósito, é um perigo no que se refere à procura de peixe, muito porque os hábitos do peixe, prendendo-se essencialmente com a alimentação e em alturas específicas  com a reprodução, variarão por norma em função das deslocações do peixe alimento que, por sua vez, serão ditadas pelas condições determinadas por correntes, temperaturas e outras, existentes no meio aquático, muitas delas que não conseguimos dominar, obrigando à regularidade de saídas na procura dos locais onde possam prevalecer determinados "hábitos" de passagem de peixe, em determinada época do ano, mas no entanto sujeitas à alteração dos tais "hábitos". Valham-nos as capacidades de ter em conta estas possibilidades e de saber ler a santa sonda, para não falar naquelas de, em acção de pesca, entender as reacções do pesqueiro e proceder em conformidade, pensando sempre que estes peixes de maior porte, normalmente, não andam por lá ao monte, nem se atiram a qualquer isca ou formato de apresentação da mesma.

Das reflexões produzidas, parece poder entender-se que os tais "hábitos" normalmente verificam-se em determinadas épocas, mas de ano para ano, podem alterar-se significativamente tanto no que respeita a profundidades, quanto a zonas de pesqueiros, obrigando a uma procura contínua tendo em conta as variabilidades referidas, pior ainda em fases de transição climatérica ou nos momentos em que o peixe tende a afundar ou vir mais à terra.
Não há hipóteses de o descobrir, senão indo e experimentando em pesqueiros diversos ou procurando novos, mesmo correndo riscos de insucesso.
Em determinadas alturas deste processo de procura, poderemos dominar, durante períodos relativamente longos, os locais e tendências do peixe, sabendo que mais cedo ou mais tarde tornaremos ao processo, devido à contínua mudança de condições a que o meio aquático está sujeito.
O domínio sobre os factores apresentados e consequentes hipóteses de sucesso, tende a aumentar com a regularidade de saídas, coisa que nem sempre se consegue.

Este conjunto de factores justifica, de algum modo, resultados das últimas saídas, relativamente intervaladas, em fase de transição, correndo riscos de não capturar e chegando a esta última, Sábado, dia 16 de Fevereiro, deste ano da crise dos ladrões de 2013, em que, acompanhado dos companheiros Tózé e João Maria, resolvemos procurar novos pesqueiros, mais fundos, atendendo à época e conseguindo alguma recompensa.

Saímos pelas 08.30, quase de madrugada, para um mar calmo e estanhado, abrilhantado por uma leve brisa de Sueste, óptima para aproar o barco e mantê-lo quieto, desde que não existisse nenhuma aguagem contrária ou atravessada que fizesse variar a posição de fundeio em conjunto com possíveis variações da intensidade do vento que não eram esperadas. As condições ideais para ir procurar um pouco mais longe e mais fundo.
Navegámos para Oeste, procurando uma zona de pontões altos, ladeados por entralhados, em profundidades compreendidas entre os 80 e os 100 metros de profundidade. Chegámos, determinámos a deriva do barco e iniciámos a sondagem. Primeiro num pesqueiro já conhecido que não me agradou, tanto pelo aspecto da actividade que me pareceu essencialmente de peixe miúdo, quanto pela dificuldade, para não dizer impossibilidade de lá fundear, atendendo ao rumo da deriva. Estas condições levaram-me a alargar a procura na zona, batendo-a em rumos paralelos e perpendiculares que me levaram para bem longe do que já conhecia por ali, assim como à descoberta de um novo pesqueiro que se apresentava a jeito para o fundeio e cuja imagem de sonda me agradou, tanto pela configuração de fundo, quanto pelas imagens de actividade observadas. Era ali! Estava decidido!

Após o fundeio, percebemos que tudo estava de feição, até uma leve aguagem que corria no mesmo rumo do vento. Uma beleza... só faltava pescar, coisa que de imediato fizemos, até porque... "cheirava a peixe". Não sei explicar as condições em que a anterior expressão me vem à cabeça, mas o certo é que muitas vezes funciona, talvez quando tudo está a bater certo, como por exemplo: um dia excelente, procura nova, pesqueiro novo com muito bom aspecto, fundeio certinho, aguagem qb, estão a ver... aquela ponta de aguagem que não incomoda nada e só pode levar os cheiros e as vibrações a "quem de direito", enfim... tudo a favor.

As iscas desceram, os toques iniciaram-se, leves, discretos, sem roubos completos de iscas que se iam repondo com a velocidade permitida pelos 87 metros de profundidade.
As Pataroxas iniciaram as hostilidades, com aquele toque característico que só engana às primeiras, revelando-se depois, numa luta relativamente pesada e desinteressante. Seguiram-se os Safios, um ou outro, para o lado do pequeno, atendendo à espécie e de imediato devolvidos à procedência. Ou vinha grande, ou não vinha!

Hora e meia de pesca já decorria, quando um toque disfarçado me fez levantar a cana forte e alto, pensando  em mais um Safio mas, a cabeçada seguinte felizmente desenganou-me... Safio não corre daquela forma nem cabeceia assim. O Pargo batia forte e pesado, como é normal nestas profundidades, fomos lutando, vencendo a distância até à amura do Makaira e à foto para a posteridade, com aquele seu vermelho bonito.


As hostilidades mais sérias tinham-se iniciado, a tensão sentia-se a bordo, esperando que aquele não estivesse só e, na verdade, não estava.

As iscas repuseram-se, desceram, foram roubadas, tornaram a subir anzóis limpos, iscaram-se, desceram, mais um toque e mais um Pargo em luta. Desta vez mais pequeno, mas de bom porte, sem direito a foto imediata... não havia vagar.

Não eram passados cinco minutos e foi a vez do Tózé, com outro também mais pequeno, mas também suficiente para colocar um sorriso na face, contrastante com a cara séria que colocou para a foto.


A coisa corria bem, o "cheiro a peixe" já era real e a luta calhou desta vez ao João Maria, com bicho maior, aliás o maior que alguma vez tinha capturado na sua vida e com o qual, para além das várias futuras refeições possíveis, passou à história em imagem...


A atenção a bordo sentia-se... tudo estava concentrado e começaram a subir Safios continuamente libertados, excepto um deles, com 8,900kg que guardámos, enquanto se esperava nova entrada de Pargos, o que infelizmente não sucedeu, embora se tentassem vários formatos de iscadas, ao fundo e à chumbadinha.
As horas correram rápido, demasiado rápido, como sabemos que correm sempre que fazemos algo que gostamos, até à chegada ao porto de recreio e às imagens finais, nomeadamente a seguinte onde me encontro com os meus dois "companheiros de refeição".


Fica agora a pergunta: porque não entraram mais Pargos?

Várias hipóteses podem ser apreciadas, por exemplo:

1. Só conseguimos atrair aqueles, ou só aqueles andavam por ali!? Sinceramente duvido. O tipo de pesqueiro, a profundidade, a época do ano, a aguagem leve e a continuidade de roubo, entre outras possíveis, formavam um conjunto de factores tendentes a manter interessados ou a chamar mais "vermelhuscos".

2. Após a entrada do último Pargo, verificou-se um aumento significativo dos ataques de Safios, muitos deles tão grandes que tínhamos dificuldade em os retirar do fundo, ou cortavam os estralhos de 0,42 e 0,50mm. Agora, aqui em terra, pergunto-me se os Safios, atendendo ao seu tamanho, não terão ganho em concorrência com os Pargos, na aproximação às nossas iscas!? Isto porque só levámos Sardinha, o que, nestes pesqueiros mais fundos, pode ser um erro, atendendo a que a gulosice dos Safios por esta isca é conhecida e caso tivéssemos Caranguejo, Camarão e Lula, talvez, a ser verdade, os Pargos tivessem outras hipóteses!? Não se sabe... mas para a próxima logo se vê?

Uma pena o tempo ter piorado para este Domingo. Para todos os efeitos, foi uma pesca como se gosta, com bons exemplares e em novo pesqueiro que muito ainda terá para dar. Outros relatos se esperam dele.

Até lá, uma boa noite a todos os leitores.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atitudes, Iscas, Iscadas, Processos e... Algumas Capturas


Diversidade de gostos, para além de ser bonito, é coisa que não falta. Uns adoram tirar fotos colocando os peixes como se vissem mal ao longe, pessoalmente, prefiro compará-los com o meu pézinho de Cinderela, principalmente quando se proporciona um raid a solo ou, se entretanto aparecer alguém que não se importe de agarrar na máquina e fazer o boneco, gosto de os mostrar encostadinhos ao peito, ou quase... coisas do coração!

À volta de colocar a escrita em dia e por não gostar de só mostrar peixes capturados, tento olhar para trás, rever os momentos e tentar perceber as razões das capturas, no meu caso, sempre encostadas a processos de pesca que tentam minimizar a intervenção do factor sorte. Sinceramente, não me tenho dado mal e é assim o meu gosto. Certo é que, a captura deste exemplar e mais alguns peixes que o acompanharam, não as posso olhar de forma alguma como obra do acaso, antes, como resultados de um conjunto de atitudes e decorrentes acções que foram sendo adequadas aos sinais e resultados, ou falta deles, permitindo transformar uma jornada de nada, numa outra que me deixou sorriso aberto. Sorriria na mesma, mas assim a "tacha" arreganha-se de outra forma.

Não pensem que tenho estado completamente parado, não tenho é conseguido andar por aqui. Quem diria... reformei-me e os afazeres são muitos, quase todos ao sabor do meu tempo e esse é o problema... quase todos.

Não me queixo, antes, gosto de me mexer, trabalhar e sentir que faço falta, ou não sejamos todos assim!?

Mas vamos ao que interessa!

8 a 10 de Novembro, andei por Sines a resolver a questão do depósito do barco e vá de pesca, com o Brás e o João Martins, dando nos Pargos de 1,5 a 3 kgs que junto a cinco Douradas iguais a esta que o Brás mostra aqui por baixo, atingiram o peso máximo legal com alguma rapidez.


Depois, mais um interregno, interminável, até este passado fim de semana, em que voltei ao meu paraíso de pesca, pescadores e petiscos que só os Alentejanos sabem preparar. Pesca, Domingo e Segunda, aguardava-me, combinada com os meus amigos de Évora, no Domingo e pessoal de Sines, na Segunda. Estes últimos acabando à própria da hora por não poderem vir, ficando assim com a Segunda Feira a solo. Grande problema... deles claro!

No Domingo a coisa não correu bem e a culpa, como sempre, só pode ser minha!

Vários erros cometi... em primeiro lugar, não sei bem porquê, ia para o mar com a ideia de que daria facilmente com o peixe; depois, saí do primeiro pesqueiro, com peixe miúdo a roubar, mais cedo do que é normal, sendo que a partir daqui, paciência... a asneira já estava feita e o tempo que sobrava já de pouco nos valeria. Bem feita!
Todos temos os nossos dias parvos e este foi um dos meus, sendo que o mar depressa me reduziu à expressão mais simples como tão bem o sabe fazer.

Serviu-me de emenda na segunda feira, outro dia, desta vez sem a preocupação de ter amigos que sempre quero que apanhem uns peixes e com a única ideia de pescar, para além das capturas que pudesse vir a conseguir.

Eram umas 10.30 da manhã quando saí a boca do Porto de Recreio, em direcção a Sul, muito por ter verificado que, na zona das Douradas de Norte, estava por lá muita gente e não me apeteciam ajuntamentos.

Procurei um pesqueiro habitualmente frequentado pelas "moças de oiro" nesta época do ano e para lá me dirigi, observando à chegada que um daqueles navios de contentores que descarregam no cais 21, estava fundeado, aguardando descarga, mesmo em cima do pesqueiro que escolhi, coisa que não é a primeira vez que acontece. Não desarmei, aquela zona é grande e as tais "moças", por vezes espalham-se por ali.
Sondei, encontrei uma marcação interessante e fundeei, iniciando de imediato a acção de pesca.

O peixe comia pouco, uma vezes roubava no anzol de cima, outras, no anzol de baixo, iscados com Caranguejo e Sardinha, alternados em altura a cada descida, raramente completamente roubados mas sempre com sinais de terem sido mordidos. Não sabia se já lá andava peixe grande e estava indeciso ou se, pura e simplesmente, só lá habitavam as bocas pequenas que mordiam as iscas, talvez a medo!?

A acção de pesca decorria, num ritmo intenso, repondo e variando iscas e iscadas que quase sempre subiam  parcialmente comidas.
Uns toques repetidos e intervalados fizeram-me ferrar alto e o primeiro peixe, com direito a entrar na geleira, subiu a bordo aos sacões... um Sargo que dava para o jantar de dois homens feitos. Fiquei animado, pensando que talvez a coisa não se ficasse por ali.
Outra vez Caranguejo e Sardinha, mais Sardinha e Caranguejo, num sobe e desce contínuo e ininterrupto; um toque conhecido, uma ferragem alta e a pancada certa de uma Dourada pequena que teimava em ficar lá pelos fundos, mas que subi, garantindo assim o jantar pelo menos para três. Que raio... será que é agora que elas vão dar um ar da sua graça? Questionei-me!
Mas não, eram já passadas umas três horas e o pesqueiro quanto a sinais, em vez de melhorar, foi piorando até ao ponto em que as iscas quase não eram tocadas. Ainda isquei grande, não fora andar por ali "quem" não ligasse a petiscos, tornei a variar para pequeno mas, na verdade, aquilo morreu mesmo. Eram quase três da tarde e duas opções possíveis me restavam: voltar ao porto e tratar do barco, de mim e do jantar, ou procurar um pesqueiro perto, daqueles a que já por aqui chamei "fiáveis", e tentar o fim de tarde. Optei por esta última, para lá me dirigi e fundeei de novo, com sondagem e manobra rápida, frutos colhidos de tantas vezes que por lá pesquei. Melhor de tudo... os sinais oferecidos pela sondagem até que não eram nada de se deitar fora. Entusiasmei-me como se neste momento tivesse iniciado o dia. Vamos ver... disse para com os meus botões.
Iscas para baixo, agora só sardinha, e, roubo quase imediato. Gostei ainda mais.
Sardinha à posta, meia Sardinha, Sardinha à posta, Sardinha inteira, mistura com Caranguejo, outra vez Sardinha à posta..., foi de mais para um Sargo de quilo e tal que não resistiu a tanta azáfama. A coisa compunha-se!
Tiro foto, não tiro foto... não há tempo que o Sol  vai cair rápido. Logo tiro se valer a pena!
A acção não parava e outro Sargo grande entrou, fazendo-me pensar que nada tinha ainda terminado. Talvez até algo maior ainda entrasse, mesmo as Douradas que não raras vezes aparecem por ali, dentro e fora desta época. A tensão era a necessária, os sentidos todos em alerta e, mais um toque, mais uma ferragem, mais uma luta, desta vez foi um Pargo de 1,5 kg que subiu ao poço.
Penso para comigo que o pesqueiro não me enganou. Pena o Sol já estar tão baixo, mas vamos ver!?
Iscas para baixo, anzóis limpos para cima, pesca arrochada, estralho partido, novo estralho, novas iscadas, linha para baixo e... não picam ou já me roubaram e nem senti?
Aguardo um pouco, sinto como que um puxar matreiro, a seguir um só toque pequeno, curto, seco, e... arrisco a ferragem!
A cana dobra, a baixada inicialmente parece não querer sair do fundo, iniciando-se de imediato os sacões compridos levando a baixada para a proa do barco, na direcção da leve aguagem que se fazia sentir, sempre à cabeçada longa, não deixando grandes dúvidas sobre o interlocutor que venderia cara a entrada na cozinha fosse de quem fosse.
A luta prolongou-se para além do habitual, mesmo para um peixe do tamanho deste, mas o certo é que acabou por ir subindo, chegando à amura do Makaira, onde lhe meti o enxalavar, o subi a bordo e lhe tirei a foto que abre esta entrada. Pesou na minha balança, onde uma garrafa de água de litro e meio pesa 1,480 kg, uns belos 6,200kg.
Mais tarde, já no porto, um amigo pescador tirou-me a que se segue, onde o tenho perto do coração e mostro o sorriso malandro de quem não desistiu, "porfiou e matou caça"!


E foi assim meus amigos... dias diferentes, provando uma vez mais que a acção persistente e diversificada, assim como atitudes e comportamentos adequados dos pescadores face aos sinais de uma jornada, podem pesar fortemente nos resultados da mesma, dando um contributo valioso para a diminuição da intervenção do factor sorte na nossa pesca.

De tudo isto, iscas, iscadas, materias, montagens e suas aplicações ao longo de uma jornada de pesca; quero convosco trocar ideias, experiências, resultados..., ao vivo e a cores, no próximo dia 16 de Dezembro, em mais um Workshop, com enquadramento no site Porto de Abrigo e mais uma vez com o apoio do Hotel do Sado, em Setúbal, cujo título de divulgação se encontra na imagem seguinte.


Quanto aos objectivos desta acção, deixo-vos o geral, parecendo-me que tem "pano para mangas" e  tende a provocar conversa de pesca como se não houvesse amanhã. Para além disso é bonito sair do blogue e conversar convosco. Eu gosto!


Para mais informação aos interessados, cuja disponibilidade lhes permita estar presentes, podem consultar o documento com as condições de realização, programa e processo de inscrição, clicando na imagem que se encontra no topo da coluna da direita da página inicial do blogue, no site já referido no sector "Pesca Embarcada" e também na minha página do FB.
Podem ainda contactar-me telefonicamente através do n.º 96 357 91 32 ou, pelo seguinte endereço de mail.
Mais informo que o prazo de inscrições, inicialmente previsto até às 24.00 horas, do dia 5 de Dezembro, se prolonga até às 24.00 horas, do próximo dia 10 de Dezembro, no sentido de dar oportunidade aos eternos atrasados.

Por hoje fico-me por aqui, este fim de semana é capaz de haver mais pesca!? Depois conto.

Até lá, uma boa noite para todos vós.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pescar com Aguagem... comentários e mais reflexões!


O Porto de Sines está no horizonte sempre visível durante todo o dia de pesca, fornecendo-me marcas de terra orientadoras para tomada de conhecimento das variações de posicionamento do barco, variáveis e determinantes de fases diversas ao longo de toda a acção, sustentando opções tomadas quanto ao fundeio ou mudanças de pesqueiro. Amigo... aguarda-me e aos meus pensamentos de fim de jornada, normalmente orientados para a análise de cada dia quanto a acontecimentos, variações de montagens, capturas, sossego e limpeza da alma. Grande porto!
Tanto o vento quanto a aguagem, mudaram de sentido e obrigaram, em conjunto com os sinais dos toques, à tomada de atitudes, quer no que respeita às mudanças de pesqueiro, quer às opções das montagens utilizadas.
As análises que venho fazendo, enquanto navego neste mar de sonho, apresentam-se directamente relacionadas com a última entrada - Pescar com Aguagem - assim como, com a presente, cujo objectivo é completar a anterior, face ao debate de ideias constantes nos comentários produzidos pelos leitores, indicadores de que muito ficou por dizer, ou não seja assim sempre que se fala sobre pesca. Matéria não falta... o que falta, talvez e na maioria das vezes, é a exposição de cada um sobre os seus erros, sucessos e razões que levam a uns e outros. Normalmente, só os dias repletos de peixe aparecem, sem grandes explicações para além do óbvio... fulano de tal, capturou este(s) ou aquele(s) peixe(s)! É bonito e não critico, limito-me a constatar factos.
Mas vamos primeiro às últimas acções e resultados.

Tudo estava programado... dia 19, ida para Sines; 20, 21, 22 e 23; pesca!
Esta semana, seria levantado o barco para limpar e pintar o fundo, o que infelizmente não aconteceu, devido ao mau tempo... paciência!
Ficaram as jornadas de 20 a 22 para contar e sobre elas reflectir!

As duas primeiras (20 e 21), muito idênticas quanto a condições de mar, vento e resultados; a última (22), com mau tempo esperado e opções diversas, tanto derivadas dos resultados das primeiras, quanto às dicas de quem acha que as deve dar, neste caso, o João Carlos Silva, a quem deixo aqui o meu sincero agradecimento!

As opções das duas primeiras jornadas centraram-se no mesmo pesqueiro, por ser produtivo nesta época, quer com exemplares maiores, quer com variedade de espécies de bom porte.
Em ambos os dias, apresentaram-se as seguintes condições: mar calmo, vento fraco, aguagem leve a Norte, até ao meio dia / uma da tarde, mudando para aguagem de intensidade média, a Sul, a partir desta hora e até ao fim da jornada.
As condições descritas obrigaram, para manter o barco e as baixadas na zona mais "quente", a recolocação do fundeio em ambos os dias, no momento da mudança da aguagem que coincidiu sempre com a entrada de uma brisa de N/NW, criando uma deriva S/SE, também coincidente com o rumo da aguagem.
Verdade também que os melhores exemplares entraram após a mudança de aguagem, quer de rumo, quer de intensidade, ficando por se saber se as razões se prenderam com a produtividade da zona para onde derivaram os cheiros das nossas iscas; com a velocidade a que viajaram, talvez informando peixe mais longe; ou ainda, com o aumento do tamanho das iscadas e do comprimento do estralho de baixo para quase 2 metros, assim como, a eliminação do estralho de cima, atendendo a que sistematicamente e em cada subida, capturava Cavalas enormes, enganando-nos ao primeiro toque.
Inclino-me sinceramente para o sucesso do conjunto de modificações que acabaram por corresponder aos sinais, sempre presentes, de actividade intensa no ataque às iscas.
Agora... será que, dentro do conjunto, cada uma das modificações poderia ser melhorada? Não sei!?
Outra questão... uma cana esteve sempre a pescar (em "automático") à Chumbadinha, tendo no segundo destes dias capturado uma Dourada pequena, iscada com Cavala fresca atada com fio elástico, única iscada que assegurava duração significativa. Então porque não entraram Pargos maiores? Talvez porque não estivessem neste alinhamento, pois todo o santo dia caíram sardinhas, umas atrás das outras, atacadas e desfeitas em minutos, por vezes em segundos, num frenesim e largando cheiros que, tudo indica, convidariam qualquer predador maior a juntar-se à festa!?
Alguns apareceram... como esta Dourada e uma outra do mesmo tamanho, maiores exemplares de quinta... 


Ou este Pargo, aqui apresentado pelo Fernando Fontes, maior exemplar de sexta...


... tudo indicando a necessidade de procurar noutros locais, ainda mais, tendo como aconselhamento as já referidas dicas do João Carlos Silva sobre peixe maior, por ele capturado mais à terra, em zona que em outros anos já se apresentaria pouco profícua nesta época, mas, pode dizer-se... este tem sido, sem dúvida, um ano "sui generis", nomeadamente, no que respeita aos exemplares que procuro e aqui pela zona de Sines!?

Sábado, 22 de Setembro, manhã calma em que os meus companheiros Tózé, Nuno e João; vieram pescar comigo, em hora, como direi... matutina.
Saímos para o mar em busca dos pesqueiros de terra, sondámos, poitámos e vá de gastar sardinha, num fundo de 29 metros, onde se fazia sentir uma aguagem para Sul, leve e pouco usual neste pesqueiro. Os toques iniciaram-se, as iscas levavam algum tempo a desaparecer, ora com toques secos e curtos, ora com tão pouca intensidade que nem se sentiam... "cheirava" a peixe de jeito, mesmo cá em cima!

Não demorou muito até que o Nuno se estreasse com o primeiro Parguito... cá vai ele!


As capturas, principalmente entre Parguinhos, Pargos e Sargos; iam acontecendo a espaços, embora num ritmo agradável, sendo os maiores iguais a este aqui apresentado pelo Tózé!


O pesqueiro mostrava-se rico e com espécies variadas... uma Dourada perto do kg, uma Bica jeitosa, um Robalo de 42cm e, parecendo coisa maior, este Sargo Veado tirado pelo João. 


O pesqueiro estava uma delícia e a promessa de maiores manteve-se viva até que o barco desviou de sítio, reposicionou-se no mesmo local, onde me calhou mais um Pargo igual ao do Tózé. Entraram mais uns Sargos, a aguagem parou por completo e, passado algum tempo, instalou-se a ventania de S/SW que já se esperava desde as 13.00 horas; mostrando-nos o caminho do porto, onde se espalhou o peixe e tirou a foto global!


Uma pescaria bonita, onde o tal, ou os tais, não se fizeram representar. Uma pena... seriam as cerejas no topo do bolo!

Relativamente aos três dias relatados, parece poder dizer-se que, no que respeita a capturas de melhor qualidade, houve influência positiva da aguagem. Nos dois primeiros, a intensidade verificada obrigou a alteração de montagens; e, neste último, tudo indica que quando esta deixou de se fazer sentir, também as capturas de melhor qualidade pararam.
Fica-me uma questão... se por acaso se têm alterado as montagens, neste último dia, será que o tal maior teria entrado? Não o fizemos porque não se sentiu essa necessidade e o peixe estava a corresponder bem, por tal, nunca o saberemos!

O relato produzido, considerando também o artigo anterior e os comentários produzidos pelos leitores, por ordem de intervenção:  João Martins, Filipe, Luís Ramalho e João Carlos Silva; remete-nos para o tema do artigo, permitindo-nos aprofundar análises e reflexões.

Antes da produção de definições e aprofundamento de conceitos, importa referir que umas e outros, não devem considerar-se estanques; não raramente acontecendo que muitas outras sub definições e / ou sub conceitos poderão estar presentes, ou até, situações de várias intensidades, de mesmo rumo ou rumo contrário, na coluna de água, pouco perceptíveis e passíveis de baralhar tudo isto. Resumindo, não vamos olhar para o que vai sair daqui como "chapa batida", mas sim como orientação de base, fundamentada em experiências e resultados obtidos pelo autor, com alguma regularidade, mas falíveis em diversas ocasiões.

Vamos então considerar quatro áreas de reflexão:

1. Distribuição das intensidades da aguagem em três categorias, usando como referências: o peso da chumbada e o ângulo formado pela linha do carreto no ponto em que, com a baixada no fundo, se insere na linha de água; e, a linha de água, prolongada até à vertical da ponteira da cana.
2. Comportamento dos peixes, versus intensidade da aguagem.
3. Análise de montagens, face às categorias de intensidade e aos sinais produzidos por toques e capturas.
4. Comportamentos do pescador... atenção, reposição de iscas, utilização do material face às montagens em uso e outros que vão surgindo das reflexões produzidas.

1.1. Intensidade limite, conforme já definida no artigo anterior: ângulo de 45º ou um pouco menos, para chumbada com um peso máximo de 350grs. Talvez mais adequada para pescar com montagem de fundo que para a chumbadinha, se bem que nesta última também se podem usar chumbadas mais pesadas que as que se ouvem falar (trinta a cento e algumas gramas).
1.2. Intensidades médias, também definidas no artigo anterior: ângulos de 45º ou um pouco menos, para chumbadas de 150 /180 gr. Adequadas para qualquer técnica.
1.3. Intensidades leves: ângulos com mais de 45º para qualquer chumbada até 150 / 180 gr. Estas, as que parecem ser mais produtivas, talvez por razões que se prendem com vários factores, como sejam: menos afastamento do local de fundeio; mais controlo sobre o local onde se coloca a baixada; facilitação das funções, sentir e ferrar; e, entre outras possíveis, menor esforço para o pescador.

Relativamente às intensidades, repararam certamente os leitores nas referências, em singular, relativamente à 1.ª; e, em plural, às restantes. A razão de tal, prende-se com a dificuldade de melhorar a aproximação ao local de fundeio no caso da "aguagem limite", versus as possibilidades de variação, através do aumento do peso da chumbada, possível na média, caso se pretenda pescar mais perto do barco; e, o aumento e / ou diminuição do peso da chumbada, caso se pretenda aproximar ou afastar, quando em presença de uma intensidade leve.
Pode portanto afirmar-se que, com menor esforço, quer a intensidade média, quer a leve, permitem melhor exploração de fundos, e, consequentemente, pescar melhor!?

Uma outra questão parece pertinente no que respeita às aguagens, tanto verificando que já existem logo que fundeamos, quanto à sua entrada após algum tempo em acção de pesca... continuamos no pesqueiro ou mudamos?
Tal decisão, parece... terá muito a ver com os sinais dos toques. Se estes lá estiverem e as iscas, de vários tamanhos, forem consumidas com mais ou menos agressividade, tudo indica que devemos manter-nos, principalmente na presença de uma aguagem de intensidade limite. Isto poderá querer dizer que algum abrigo perto, permite aos peixes, certamente esfomeados, atacarem as nossas iscas e, os predadores, tendencialmente, não faltarão ao encontro, mais cedo ou mais tarde.
Em presença de aguagens médias ou leves, ou já existem sinais, ou devem procurar-se explorando mais ou menos afastados do barco, só mudando, caso os sinais não existam, aliás, como em situação de água parada.
Estas últimas reflexões remetem-nos para a análise seguinte, ou seja, o comportamento dos peixes face à intensidade da aguagem.

2.1. Relativamente ao comportamento dos peixes, este será tão alterado quanto maior a intensidade da aguagem.
Não é fácil começarmos a adivinhar sobre o tema, no entanto, podem elaborar-se algumas reflexões lógicas, conjugando: experiências de caça sub com aguagens normalmente médias ou leves; algumas leituras de sonda, em presença de aguagens de intensidade limite ou superior; sinais e resultados obtidos em presença de intensidades variadas e algumas regras comportamentais conhecidas no que se refere a comportamentos alimentares na vida selvagem. Dava para escrever um livro, mas vamos tentar abreviar, tentando fazer algum sentido.
No caso da caça sub, com aguagens de leves a médias, era usual ver muita vida em torno de pontões altos, sendo que os peixes alimento movimentavam-se junto ao lado do pontão contrário à aguagem, subindo-o ou ladeando-o até serem apanhados por esta e voltando ao abrigo do refluxo, tudo indicando que iam comendo o que a aguagem lhes trazia e descansando no abrigo a intervalos, lutando o mínimo contra esta.
Uma caça de espera agarrado ao fundo, ou um mergulho a favor da aguagem, ladeando o pontão com cuidado, descobriam por vezes predadores de água livre que procuravam os peixes alimento que por ali andavam. Já os Sargos; tendiam a entocar-se em frinchas ou buracos virados à aguagem, abrigando-se e recebendo sinais que esta lhes trazia. Com aguagens mais intensas as dificuldades de encontrar peixe aumentavam exponencialmente, tanto pela nossa capacidade de nos aguentarmos, quanto à mobilidade do peixe, tão rápida e fugaz que só num frente a frente rápido e instintivo se conseguia uma captura. A hipótese era mergulhar numa zona conhecida, normalmente entre pontões, procurando a profundidade ideal e, deixando-nos levar pela aguagem, fazer passagens atentas aguardando um encontro sério. Neste caso, após emersão, entrar no barco de apoio, tornar a voltar ao ponto de partida e repetir, repetir, repetir... também este, um comportamento predatório extenuante que só valia por se saber que a recompensa poderia ser grande!? Claro que, invariavelmente, ao fim de algumas passagens deste tipo, procurávamos local menos agressivo.

É do senso comum que a regra base orientadora dos comportamentos, quer de peixe alimento, quer de predadores; é a que se refere ao máximo de ingestão de alimento, para um mínimo de gasto energético; regra esta  que, na vida selvagem, se relaciona também com a eliminação dos mais fracos e / ou doentes, mais fáceis de capturar, preservando assim, a saúde e fortaleza das espécies.

Na pesca embarcada e em profundidades diversas, calcula-se que os comportamentos sejam idênticos, pelo que será muito difícil conseguir colocar as nossas iscas na hora certa e no ponto ou alinhamento certos, em presença de aguagens com intensidades para além da definida como limite. Aliás, com aguagens deste tipo, pode talvez afirmar-se que um predador podendo, quando ela entra, aproveitar-se de "incautos" apanhados e levados, tenderá posteriormente a procurar zona menos agreste para caçar. Nós, enquanto predadores, teremos de actuar em conformidade.
Em presença de aguagens com intensidades leves ou médias, os peixes gastam menos energia, têm mais  capacidade de fuga e / ou tempo para preparar ataques, sentem os cheiros e vibrações vindos de longe e correm mais água em procura. Nós, podemos fundear melhor; pescar com melhor noção sobre os fundos onde actuam; adequar e colocar melhor as nossas baixadas, em função dos sinais; e, despender menos esforço. Portanto, tudo indica que existem vantagens significativas em pescar com aguagens leves a médias.

As reflexões produzidas, essencialmente apoiadas em vivências da caça sub e na regra básica orientadora de comportamentos alimentares, podem ainda ser suportadas pelas leituras de sonda, sinais de toques e resultados obtidos em acção de pesca, em presença das intensidades analisadas.

A sonda, no caso de aguagem de intensidade limite ou superior, usualmente mostra muito pouco peixe por cima dos bicos e algum, muito concentrado, na beirada contrária ao rumo da mesma. Em alguns casos, vêm-se sinais de actividade por cima dos bicos, mas numa segunda passagem já só se vê um deserto, indicando que o peixe ou está em movimento, ou está completamente agarrado na zona de abrigo do pontão, local onde será extremamente difícil colocar as nossas baixadas, tanto mais, quanto maior a intensidade. Melhor será procurar pesqueiros noutra zona.
Outro figurino pode acontecer... em determinados pesqueiros, principalmente em pontões muito altos, estes apresentam-se escavados do lado frente ao rumo da aguagem e cheios de actividade decorrente deste abrigo criado pela própria erosão das correntes predominantes. Nesta situação, quando conseguimos fundear afastados e colocar as baixadas perto deste abrigo, mesmo com aguagens de intensidade limite ou até mais fortes, as hipóteses de capturas interessantes aumentam significativamente.
As decisões de ficar ou desandar para situações mais favoráveis de pesca, dependerão sempre dos sinais dados pelos toques. Se existirem logo que descemos as nossas iscas, vamos ficando, analisando e procedendo conforme evolução da intensidade destes e de eventuais capturas conseguidas; se, ao fim de algum tempo, nada se sente, está na hora de ir pregar para outra freguesia.

3.1. As montagens a utilizar, poderão variar face às circunstâncias referidas, considerando: a proximidade do barco a que queremos pescar; as iscadas com isca maior, menor e mais ou menos rija, em uso; assim como, a exploração que entendermos fazer na coluna de água ou ao fundo, face aos sinais e tipologia das estruturas onde, em determinado momento, exercemos a nossa acção. Os peixes poderão atacar qualquer delas, dependendo de tantos factores que só a experimentação e a análise de resultados, poderão nortear as nossas opções nesta área.

As montagens que se seguem, não são a "descoberta da pólvora", simplesmente são as que me têm resultado ou a companheiros que vi em acção de pesca, cuja fiabilidade técnica e resultados, não deixam margem para dúvidas quanto à fiabilidade destes materiais, tanto a pescar ao fundo, quanto à chumbadinha. A primeira, com bons resultados com qualquer intensidade de aguagem; a segunda, parecendo-me mais adequada para aguagens de intensidade leve a média.

Com ou sem aguagem, a montagem que mais uso está mais que descrita, em artigos variados, aqui pelo blogue; ou seja, aquela de dois estralhos, entre os 60 e os 100cm, separados 120 a 150cm; com`fusível à chumbada, entre os 25 e os 30 cm, usando destorcedores iguais ao que se encontra na montagem da figura seguinte.
Esta montagem, permitindo variações do comprimento e espessura / resistência do único fio do estralho, assim como do comprimento do fiel da chumbada, pode adequar-se para iscadas grandes, mortas ou vivas, pescando com ou sem aguagem, na mão, ou com a cana a pescar no caneiro; tendo provado a sua eficácia, principalmente, com existência de alguma aguagem. Importa referir que um estralho mais comprido, tenderá a melhorar a apresentação da isca, para peixe maior, na maioria da situações. Com aguagem, o estralho comprido assegura sempre alguma capacidade de sentir os toques atendendo a que a linha, por força da água, estará esticada. Cada pescador adequará os comprimentos, segundo a sua própria sensibilidade, sendo que, segundo experiências efectuadas, nunca menos de 150cm e podendo chegar aos 300cm ou mais.


Como podem reparar o estralho fica alinhado com a madre, diminuindo folgas e, consequentemente, parecendo melhorar a capacidade de sentir e ferrar.

Para aguagens com intensidades leves a médias, explorando a coluna de água e fundo, deixo-vos uma montagem de chumbadinha, com anzol simples, já divulgada em várias revistas da especialidade e que já actuou com resultados muito bons lá a bordo do Makaira (com Pessoal amigo do Team Chumbadinha). Aliás, nunca até ao momento conseguidos por mim, muito por ainda não me ter dedicado a sério a esta técnica. Mas os primeiros passos estão dados e veremos o que acontece!?


A pérola de protecção ao nó, foi coisa que não vi, mas que me parece importante, nomeadamente, quando os furos das chumbadas se encavalitam neste.

Nas montagens anteriores, pode optar-se, em vez de um único anzol, por montar dois anzóis em tandem, pelo que vos deixo duas sugestões: a da esquerda, para a montagem que apresentei na primeira imagem; a da direita, para a chumbadinha, obrigando a um pormenor diferente no que respeita à prisão e consequente forma de correr da chumbada, para evitar que esta encoste ao primeiro anzol (na sua direcção) que estando preso por um tubo plástico, tenderá a correr para cima do da ponta, por força da tensão da chumbada sobre ele, principalmente no acto de lançamento.


Nesta montagem o anzol da ponta está empatado e o que se encontra na linha, de argola, corre nesta com alguma pressão fornecida pelo envolvimento do tubo de plástico, permitindo variar distâncias entre anzóis, face ao tamanho da isca e evitando outro nó que certamente, devido à proximidade, enfraqueceria significativamente o estralho.
No caso do tandem para a chumbadinha, importa referir que o estralho que vem do destorcedor aos anzóis,  podendo ser mais grosso que a madre, não deve exceder os 50cm entre o destorcedor e o anzol da ponta, sob pena de se embrulhar quando se lança ou se deixa a baixada descer, acreditem que já testei!
À excepção do cuidado apontado, a chumbada corre lindamente, promovendo um afastamento significativo da iscada, assim como, uma exploração liberta da coluna de água, talvez mais que com a chumbada furada.
Duas outras vantagens, me parecem ter este último sistema: uma, a facilidade de mudar os pesos da chumbada; outra, a possibilidade de colocar um lider mais grosso, mantendo fios de suporte mais finos e, consequentemente, menos levados pela aguagem.
Na imagem seguinte deixo-vos o pormenor do clip real para ligação à chumbada que melhor funcionou nos testes realizados.


Esta peça existe em vários tamanhos, parecendo ser os mais adequados, aqueles entre 1,5 e 2cm.

4.1. De posse dos seus saberes e eventualmente de algo que por aqui se escreveu, resta ao pescador ir para o mar, procurar, fundear, aperceber-se das condições e, caso a aguagem se manifeste, determinar a respectiva intensidade, optar por materiais, montagens, iscas e tamanho de iscadas a utilizar; e, ir experimentando, diversificando...; mantendo, no entanto, alguns comportamentos que porventura já adquiriu, mas que não custa referenciar por aqui.

- Caso queira pescar o mais próximo possível do barco e ao fundo, escolhida que está a gramagem da chumbada, se lançar um pouco contra a aguagem, as baixadas atrasam o afastamento. Deverá ainda, neste caso, ir travando a saída da linha, para diminuir o seio que normalmente se forma e lhe dificultará as funções: sentir e ferrar.
- Caso queira testar mais afastado, pode ir deixando cair na vertical ou lançando cada vez mais na direcção do rumo da aguagem, travando sempre linha para diminuir o tal seio. Isto utilizando a mesma chumbada, sendo que diminuir o peso desta com o mesmo objectivo, pode também ser uma opção, principalmente se tal significar uma poupança de esforço.
- Após chegada da baixada ao fundo, a cana deve ser elevada e retiradas as folgas de forma a que fique a pescar com a ponteira o mais direita possível, sendo que uma colocação da ponteira da cana, acima do nível da cintura e perpendicular ao rumo da aguagem, poderá facilitar a visualização dos toques e a rapidez de ferragem, após a qual, a cana deverá manter-se elevada, quer para verificação da ferragem, quer para manutenção da luta com capacidade de resposta a maiores arranques do peixe.
- No caso da chumbadinha, há que lançar e deixar ir, facilitando a saída da linha e esperando que, chegada a chumbada ao fundo, a aguagem pegue na isca e estique a linha, o que poderá ser ajudado com algumas cuidadas voltas de carreto, se bem que esta opção poderá diminuir a exploração da coluna de água pela iscada.
- Em ambos os casos - pesca ao fundo e chumbadinha - a atenção em acção de pesca deve manter-se muito activa, logo que a linha começa a descer, principalmente no caso da chumbadinha.
- A atenção aos toques do peixe miúdo e o sentir do peso com e sem isca, é outro pormenor sempre a ter em conta, pois pescas desiscadas não fazem nada lá pelo fundo. Muito tempo sem sentir, tanto pode querer dizer que nenhum peixe lá foi, como, desiscaram e não sentimos... acontece aos melhores!

Ainda percorrendo pormenores referenciados pelos comentadores que originaram este complemento ao artigo anterior, importa deixar algumas notas sobre o material, principalmente no que se refere a fios e canas.

Sobre os fios:

- Nomeadamente o fio do carreto, atendendo a que é o que maior quantidade terá na água, deverá ser o mais fino possível, face aos exemplares que se esperam, no sentido de diminuir o atrito provocado pela aguagem.
- Os fios da ponteira de amortecimento e dos estralhos ou do líder, terão espessuras adequadas, deste que as resistências, quer à tracção, quer à abrasão sejam também adequadas aos "fregueses".

Sobre as canas:

- No caso da pesca ao fundo com chumbada pesada, uma cana de 3,5mt ou um pouco mais, de acção semiparabólica progressiva, com alguma rijeza, ou próxima da acção de ponta; parece ter tanto mais vantagens para sentir e ferrar, quanto maior for a intensidade da aguagem. Principalmente porque terá de lutar, na ferragem, quer com o seio do fio, quer com uma chumbada de 180 gr ou mais, para além da boca rija do peixe. Verdade também que quanto mais rija for, mais dura será em luta, exigindo mais cuidados e esforço do pescador.
- No caso da chumbadinha, atendendo a que as chumbadas em uso, tendem a ser muito mais leves, parece mais indicada uma cana de acção semiparabólica progressiva, de comprimento idêntico e menos rija que assegurará, com boa prestação, as funções: sentir, ferrar e luta. Isto porque, tudo indica que a maior tensão que esta cana terá, em espera, será aquela provocada pela força da aguagem sobre algum seio do fio e a isca.

Sobre a aguagem, penso que, para já, considerando o anterior artigo e os comentários produzidos, temos aqui matéria farta de discussão, esperando que os leitores e / ou os comentadores interessados se pronunciem com base nas suas experiências.
Quanto àqueles que se iniciam, aguardam-se questões e espera-se que o escrito vos sirva!?

Do conjunto de intervenções produzidas, falta referir a questão colocada pelo Filipe. A resposta vem no fim, atendendo a que se refere a correntes de maré em rio e estuário, o que, de algum modo estando relacionado, foge um pouco ao tema.
Sobre o assunto, considerando algumas experiências no Rio Sado, nomeadamente com Douradas e segundo consulta a registos vários, pode dizer-se que, os melhores resultados se verificaram, na maioria dos pesqueiros, em situação de marés vivas, com variações entre os 3,70 / 3,90, na maré alta; e, os 0,30 / 0,50, na baixa.
Importa referir, entretanto dois factores importantes:

1. O Sado, tem menos corrente que o Tejo
2. Quando as marés eram maiores que as referidas, procuravam-se pesqueiros perto de zonas de refluxo, onde a maré corria menos e acabavam por se melhorar resultados. O mesmo acontecia, no caso de marés que corriam menos... neste caso, procuravam-se canais de corrente mais intensa e muitas vezes se melhoravam também os resultados.

O acima descrito, tem a ver com a procura de pesqueiros para além daqueles que nos são habituais e mais produtivos, em determinadas condições que consideramos ideais, tendo por base o conceito de que o peixe sempre se alimenta procurando as condições mais vantajosas para ele.

Sobre este assunto, para já, fico-me por aqui, esperando que tenha aprofundado minimamente.

A todos os leitores e comentadores, desejo uma boa noite e envio um forte abraço.



Reflexões complementares, considerando comentários enviados:

A participação de leitores através de comentários face a este artigo, faz-me sentir obrigado a complementá-lo; pelo que escolhi fazê-lo aqui, em vez de responder na área dos comentários, por achar que quaisquer reflexões nesse formato, acabam por se ocultar daqueles outros menos atentos.

As questões levantadas situam-se em torno do material, área que, embora possa não parecer, considero como extremamente importante nesta nossa actividade como se pode ver se lerem ou relerem o artigo por mim escrito - http://aminhapesca.blogspot.pt/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html - que, no momento em que publico este complemento, conta com 5709 visualizações, sendo o artigo mais lido desde sempre na história deste blogue.
Não pretendo com tal afirmação nada mais que realçar a preocupação e interesse que nós, pescadores, sentimos por esta área.
Fica também patente no artigo referido que, quando abordo questões relacionadas com material, evito a transmissão de alguns conceitos, como sejam, entre outros:

- Falar de uma só marca ou deixar no ar que esta ou aquela marca é melhor que aquela outra; isto, por achar que todas as marcas têm materiais bons e menos bons.

- O material que uso é melhor que este ou aquele; isto, porque o material que uso é aquele que melhor me tem servido, face às minhas características físicas, à sua qualidade, versus a capacidade da minha bolsa e também porque não conheço todos os materiais que existem por esse mundo fora.

- O material topo de gama assegura a melhor prestação; isto, por achar que o material é importante mas não faz o pescador.

Principalmente pelas razões apresentadas, evito falar de marcas, preferindo falar de acções e características dos materiais, versus as funções esperadas a desempenhar. Certamente, melhor qualidade trará maior duração, menor necessidade de manutenção e poderá poupar um ou outro dissabor, mas neste caso continua a mandar a carteira.
Uma outra questão, relacionada com a carteira que também me preocupa, prende-se com a nossa adaptação a um tipo de material que possuímos que, podendo não ser o mais adequado para determinada situação, através de alterações do nosso comportamento em acção de pesca, poderá corresponder melhor, evitando outros gastos.

Finalmente, sempre que falo de material e de marcas por achar que é necessário, gosto de deixar algumas notas introdutórias idênticas às descritas, no sentido de não melindrar aqueles defensores de outras ideias sobre o tema e / ou materiais específicos, muito por este se relacionar com actividades comerciais e com gostos, características e necessidades muito específicas, pessoais e diversas no que respeita a experiências e consequentes opções.

Relativamente ao comentário do João Martins, acho o seguinte:

O multifilamento como fio do carreto, atendendo à sua falta de elasticidade, para além de permitir menores diâmetros para a mesma resistência do mono, o que tem vantagens em situação de aguagem por oferecer menos resistência hidrodinâmica, assegurará sempre um melhor sentir de toques, assim como uma melhor ferragem.
Quanto ao mono, reconhece-se-lhe uma grande virtude… a eficácia em luta devido à sua elasticidade, podendo funcionar muito bem caso se tenha uma cana e carreto a pescar a solo, neste caso contando principalmente com a auto ferragem.

Quanto às chumbadas, as do tipo torpedo ou similares, para a pesca ao fundo e as do tipo oliva ou redondas, furadas, para a chumbadinha, parecem-me as mais adequadas, principalmente atendendo à sua hidrodinamia. Quanto às hipóteses de se prenderem ao fundo, pois, não vejo que tenham desvantagens face a outros formatos.


Sobre as canas, continuo a defender o mesmo tipo de cana, quer para a pesca ao fundo com chumbada quer para a pesca à chumbadinha.
Uma questão que me parece pertinente, principalmente no caso da chumbadinha, prende-se com os passadores da ponteira com uma largura mais facilitadora da saída de fio que a habitual nas canas de ponteiras. Acho até que uma cana para pesca aos Pargos ao fundo e / ou à chumbadinha, poderia ser algo parecido com uma cana de spinning de duas partes, situando-se em comprimentos entre os 3,00 e os 4,00m, sem ponteiras, sensível e de acção semi parabólica progressiva. A variação de comprimentos terá essencialmente a ver com os gostos e capacidades físicas de cada um.
Pessoalmente, contínuo a pescar com a 7even 3,60, de 3 partes e com a Steel Power, da NBS, de 3,60 também de 3 partes. Poderão não ser as melhores, mas são as que tenho e servem-me bem. Ambas têm o mesmo tipo de acção, semi parabólica progressiva; a 7even é uma pluma que se aguenta muito bem com qualquer peixe; a NBS é um pesadelo que aguenta tudo, mas gosto de exercitar o braço. Manias de Professor de Edcação Física. Há melhores? Não tenho dúvidas que sim!

Finalmente, relativamente ao referido pelo Luís Ramalho, tenho a comentar o seguinte:

Sobre a questão do carreto, sem dúvida que um topo de gama poderá melhorar as prestações em qualquer situação, com ou sem aguagem, excepto no que respeita ao Jigging, onde me parece mais importante a escolha da gama alta atendendo às exigências particulares da técnica. Já no que respeita às pescas em análise, parece-me, no conjunto, ser a cana a peça a pensar melhor, sem desprimor para o carreto.

Importa ainda referir que um destes conjuntos (cana / carreto) deverá ter a leveza, como característica extremamente importante, conjugada com preço de aquisição e eficácia face à técnica em uso, gostos e característcas físicas específicos de cada um.

Uso os seguintes: Penn 6500SS, Penn 8500SS, Cabo 60, Cabo 80, ICON VG e Ryobi Safari 5000. Vario as utilizações, face à técnica em uso, sendo que os mais usados para pescar na mão ao fundo ou chumbadinha são por ordem de minha preferência: O Cabo 60, o ICON VG e os Penn 6500SS. Os outros, uso-os quer nas canas a pescarem no caneiro, quer no Jigging.

Relativamente aos anzóis, se ao nível do conjunto cana / carreto a escolha é difícil, neste caso é uma autêntica loucura de variedade, pelo que vos mostro os que actualmente uso:


O Kong da Hiro para a chumbadinha em 6 e 8/0, os chinus de argola ou pata, de marcas variadas para pescar ao fundo, normalmente entre os 5 e os 6/0. Sendo que neste caso, os Hayabusa da foto são os meus preferidos.

Quanto aos óculos, assim como a roupa confortável e outros acessórios, considero que são extremamente confortáveis e por tal importantes para que o pescador mantenha a sua melhor performance ao longo do dia. Também aqui a escolha é infinita e há que testar. Eu, por acaso, uso ténis e roupa velha de algodão já feita ao corpo e uns óculos da Rapala de 27 euros que acho bons. Talvez porque não experimentei outros. Não sei ao certo!?

Outras questões poderão certamente ser pertinentes, penso que respondi minimamente às últimas, se não, estou por aqui!

Uma boa noite a todos os leitores.


Reflexões complementares, considerando comentários enviados (continuação):

Outras questões se colocaram... outras questões merecem reflexão e análise!

Considerando o último comentário do Luís Ramalho, duas variáveis nesta pesca com aguagem merecem análise para além da já produzida que terá pecado por insuficiente.


1. A leitura "errada" da sonda
2. Engodo / preparação do pesqueiro

1.1 A palavra "errada" muito bem colocada, entre aspas, pelo Luís Ramalho, refere-se certamente a leituras de sonda que apresentando muito pouca ou nenhuma actividade nos locais esperados, podem não querer dizer que o peixe não ande por ali ou não se capture.

As imagens de sondagem, na presença de aguagens limite ou mais fortes, tendem a não mostrar peixe, a mostrar peixe por cima de bicos à 1.ª passagem e já não mostrar à 2.ª e, por vezes, mostrar pequenas bolas de peixe muito concentradas no lado do pontão, oposto ao rumo da aguagem. Penso que isto acontece porque respectivamente o peixe não está logo ali onde normalmente se situa o pesqueiro, está em movimento ou está abrigado nos refluxos provocados pela força da água em zonas tão abrigadas que dificilmente conseguiremos lá colocar as nossa iscas. Portanto a imagem de sonda não está errada, o peixe é que fica com um comportamento que, na maioria das vezes, não se deixa apanhar em imagem.

Nada disto impede que não se fundeie e não se tente, nomeadamente se a zona  é propícia à concentração ou passagem de peixe grande, muito pela configuração de fundos por baixo do barco, na linha em que as nossas baixadas vão actuar e zonas em volta. Quer dizer com isto que o fundo onde nos encontramos e o seu enquadramento na área circundante, se tiverem características para abrigo do peixe, mesmo com aguagem forte serão sempre pontos de referência onde, mais cedo ou mais tarde, as surpresas podem acontecer, quer pelo peixe que já lá possa estar abrigado, quer por outros que ali venham procurar abrigo e/ou alimentação. 
Uma zona de pesqueiros deste tipo, caracteriza-se normalmente por mostrar zonas de limpo e entralhados rodeadas por pontões mais ou menos altos, ou zonas de pedra concentradas, muito irregulares e com diferenças significativas de profundidades, isoladas no meio de zonas extensas de areia e/ou lodo. Importa referir que estas serão as configurações mais propícias, salvaguardando outras condições existentes que possamos não dominar e nos condenem ao fracasso.

Numa das zonas referenciadas, após fundeio ou se já lá estivermos fundeados quando se verifica a entrada de aguagem, há que, respectivamente, preparar o pesqueiro e / ou alterar iscas, iscadas e até montagens se sentirmos essa necessidade, o que nos leva à segunda questão levantada pelo Luís: engodo / preparação do pesqueiro...

1.2 A preparação do pesqueiro ou como gosto de lhe chamar... "trabalhar o pesqueiro", passa sempre por uma acção de engodagem com dois objectivos: um, espalhar cheiro de comida que atraia "clientes" de vários tamanhos e dois, criar frenesim de comida cujas vibrações causadas pelos "gaiatos", em torno das nossas iscas ou engodos, venham a atrair a atençaõ daqueles que de facto queremos. Importa referir que o frenesim, tudo indica, será tanto mais intenso, quanto mais peixe pequeno disputar as nossas iscas, atendendo à competição criada. Se lá estiver peixe grande em concentração e com fome, o que por vezes (mais raras) acontece, as ferragens podem tornar-se sucessivas e com pouca intervenção do pescador.

A engodagem pode ter dois formatos essenciais:

A. Através de formas de engodar específicas e variadas para além das nossas iscas, como por exemplo, as analisadas neste artigo: Engodar ao fundo.
B. Através das nossas iscas, tendo em conta tamanhos, formatos, frequência de roubos e de reposição das mesmas.

Para todos os efeitos, a engodagem em que mais se pode confiar, parece-me, será sempre a provocada pelas nossas iscas, atendendo a que os anzóis estarão na fonte da engodagem, normalmente, o local final onde aqueles que queremos acabarão por chegar, mesmo que levem mais tempo e obriguem a muito mais esforço do pescador face a outros tipos de engodagem.

Quanto a outras formas de engodagem, sem dúvida que, desde que as nossas iscas e consequentes armadilhas se encontrem na linha de engodo ou próximo, serão menos cansativas e mais produtivas. O problema estará no controlo que possamos ter sobre estes factores de alinhamento que, muitas vezes, podem não ser o que parecem, nomeadamente com aguagens limites ou mais fortes, em que, para além de muitas vezes acontecerem aguagens de rumo inverso ao longo da coluna de água, até podem haver variações de concentração de peixe grande na coluna de água e muito acima das nossas iscadas.

Para todos os efeitos, parece-me... serão sempre os sinais fornecidos pelos toques e restos de iscas que retornam, ou, a ausência destes que nos farão tomar a decisão de ficar ou procurar outras paragens para a nossa acção de pesca.

Temos ainda uma outra hipótese... face ao pesqueiro em que actuamos, à época do ano e a experiências recentes conseguidas em condições idênticas, podemos decidir que: "não se passa nada, mas o peixe há-de entrar" e, assim decidindo, ficamos e a coisa acaba por se dar!
Já me aconteceu algumas vezes embora na ausência de sinais prefira procurar outros locais!

As questões aqui levantadas, constarão das alterações ao workshop de sonda, a realizar no próximo dia 18 de Novembro, assim como a outra sobre iscas, formas de iscar, montagens e materiais ao momento, a realizar a 16 de Dezembro e que brevemente divulgarei por aqui, ma minha página do FB e no fórum do site Porto de Abrigo Porto de Abrigo

Mais uma vez me despeço, salvaguardando o retorno caso sejam colocadas outras questões.

Boa tarde a todos os leitores.