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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O meu dedo indicador direito, asneiras, pescarias...


Algumas histórias se iniciam centradas em qualquer parte de determinada anatomia. Hoje, enquanto olhava as fotos do último acidente desta minha, pensei nela e, sentindo-a como parte do meu percurso de vida, achei que devia falar sobre e a partir do bocado em causa.

Francamente... acho-o feio, mais encarquilhado e rugoso que o dono, quase insensível na ponta por via de um corte feito a olear uma corrente de bicicleta, aí pelos meus nove anos. A carne ficou algures entre a corrente e o carreto pedaleiro, deixando o osso à flor da pele, o que cria continuamente umas pelangas duras que se cortam ao mesmo tempo que a unha, características estas que, entre outras, destinaram este meu dedo a trabalhos duros para o resto da vida, já que sensibilidade é coisa que tem pouca e a textura obriga a substituição pelo dedo médio quando em trabalhos que impliquem contactos com outras carnes ou peles mais macias, entre outros.
Já para lidar com bicharada, linhas, nós, ferramentas e afins, assim como, para enfiar em buracos seleccionados que o mereçam, não há coisa melhor! Porque é que me lembrei do Miguel Relvas quando produzi esta última afirmação? Talvez por termos andado na mesma universidade, embora eu nunca tenha tido aulas com o tal reitor e tenha papado as cadeiras todas durante quase três anos, com 28 anos de serviço efectivo e já com bacharelato feito e mesmo assim ter aprendido! Bom... mas isto não interessa!

Voltando ao meu dedo... está visto que a dureza de utilização o torna cada vez mais duro, feio, mau e tão confiante que, após todos estes anos de pesca, a última das Moreias com que lidou quis testá-lo, quando o dono o colocou a jeito, deixando-lhe mais aqueles buracos, agora já cicatrizados e que brevemente contribuirão para a já evidente fealdade do pedaço.
A Moreia aparentava ter para aí uns dois quilos e meio, vinha anzolada pela boca e com evidente má disposição que se agravou quando se soltou do anzol e caiu no poço do barco, serpenteando e mordendo em seco de cabeça levantada. Não fui buscar o alicate comprido que uso nestes casos, agarrei um curto, o primeiro que tinha à mão e fiquei à espera de a poder prender por um dos maxilares... o erro já estava cometido, a pressa de voltar a pescar agravou-o, assim como o excesso de confiança nas capacidades do meu dedo...
O alicate desceu, a Moreia levantou a cabeça e mordeu a primeira coisa que lhe chamou a atenção - o meu dedo - que escapou rápido, evitando a preensão que se seguiria caso lá ficasse, embora cortado conforme imagem de abertura.
Senti a carnes a rasgar, vi o meu sangue que encarei como imposto a pagar pelos peixes já capturados e, após agarrar a Moreia e guardá-la como previsto, atirei-me aos curativos.
Primeiro a compressão, com um pano, para estancar o sangue, depois Betadine com fartura, seguido de penso rápido. Duas luvas elásticas daquelas dos médicos, uma sobre a outra, voltaram a permitir-me pescar,  de dedo espetado, posição que este conhece bem, devido à dureza de vida que tem levado, observando assim o resto da pescaria, em dia de calmaria, com nevoeiro matinal, parecendo aberto à saída do porto.


Na verdade, assim que entrámos no banco de névoa que se vê à proa, logo esta se mostrou cerrada o suficiente para obrigar à utilização do Radar e do GPS, por segurança de navegação, aparelhos estes que o meu dedo, ainda são nesta altura, conseguiu ligar, poupando o médio para outros trabalhos.


Mesmo com o acidente da minha extremidade, posso garantir-vos que este foi um dia de pesca brilhante... por tudo!
A companhia, a boa disposição e até as capturas que, não sendo nada de especial, foram acontecendo com algum ritmo, intervaladas por muito roubo de iscas, muitos testes de montagens, iscadas e sei lá mais o quê!?

Exemplares de nota, nem por isso, mas Parguitos como este do TóZé, entraram uns quantos e...


... o João Maria, conseguiu o melhor exemplar! Este que abaixo se mostra!


Comparando com pescarias anteriores, neste ano do Relvas, de subsídios voadores, de pouca pesca e consequente escrita por aqui; tudo indica que a actividade já se sente e que em breve outras maiores e melhores surpresas nos alegrarão!?

A este magnifico dia seguiram-se outros... melhores, não tão bons, mas onde a tónica foi escolher e pescar bem, sempre sentindo que a actividade e consequentes capturas dos nossos interlocutores se aproximam cada vez mais das características normais para a época.

Isso se tornou a verificar na passada quinta-feira, em que fui fazer algo que esporadicamente me faz falta e adoro... pescar a solo! Até o dedo, já sarado, se ria de tanto gozo!

Para variar, levantei-me com o Sol alto, sentindo ainda o prazer da degustação de uma Fraca de Molho, com o Zé Beicinho, ao jantar do dia anterior. Fui buscar a sardinha para iscar e beber o cafézinho da ordem, entre conversas com este e aquele, pescadores conhecidos, ouvindo as normais "bocas" relacionadas com a hora a que costumo ir para o mar, ou seja, qualquer uma, entre as dez e um quarto para o meio dia. Tudo bem... nada a que não consiga sobreviver.
O mar estava calmo, o ponteiro da temperatura do motor do Makaira, atingia lentamente os graus ideais para iniciar a aceleração até à velocidade de cruzeiro, e, o GPS ligado, já tinha o cursor no pesqueiro escolhido, indicando-me o rumo a seguir! Perfeito!
À chegada, a imagem de sonda mostrou actividade suficiente para arriscar o fundeio e atirei-me à acção de pesca, como se não houvesse amanhã.
Cana na mão, com sardinha iscada à posta; cana no caneiro, com um estralho comprido (2,5m), anzol 6/0 com sardinha iscada inteira; e, mãozinhas a pescar rápido que o roubo era frenético, sem dar descanso para manter iscas activas o que era o caso. Mesmo ao meu jeito!

Os Parguitos foram entrando, malandros, espaçados e intervalados com safios pequenos chatos e soltos na hora. O tamanho foi melhorando mas de grandes exemplares não reza a história deste dia, em que a caixa se foi compondo, como se vê abaixo.


O maior exemplar, até que me enganou, tanto por vir ferrado por fora da boca, quanto talvez, pela diferença abismal de luta, face aos companheiros já a jeito para a panela. Aqui está ele!


Certo é que a actividade nos pesqueiros começa a dar um ar de sua graça, embora os Pargos maiores não se mostrem muito interessados nas iscas, talvez por andarem atestados de pilados!? Esperemos que brevemente variem o menu ou que os ditos caranguejos cumpram com a sua função e desandem... parece praga!?
Uma coisa é certa, em conversa com pescadores profissionais de Sines, esta espécie tem estado por todo o lado, pois até nas 80 braças de água, comem bocados aos tamboris, nos aparelhos. Uma desgraça!

Se neste dia delicioso fui a solo e gostei, não foi com menos prazer que antevi o dia seguinte, em que o João Martins e os descendentes - a Susana e o Zé - me acompanhariam noutra pescaria, certamente no mesmo pesqueiro (importava testá-lo até à exaustão), onde lhes poderia passar conhecimentos enquanto usufruía da excelente companhia.

Também com eles, a hora de saída é daquelas que gosto e, se no dia anterior, só pensava em colocar linhas na água; neste dia, todos os pensamentos se dirigiam para que estivessem e pescassem bem.

Tudo correu pelo melhor... quase a papel químico em termos de capturas, com os Parguinhos pequenos, como este que a Susana mostra...


... um exemplar maior, irmão gémeo do que capturei no dia anterior, aqui apresentado pelo Zé e que sendo o seu primeiro maior, lhe abriu sorriso de orelha a orelha...


... e até um Safio com perto de 5 kg deu um ar da sua graça, coisa que não tinha acontecido antes.

Em mais um dia calmo, descontraído e com algum peixe, a imagem dos dois felizes contemplados, deixando o pai, apoiante de tempo inteiro (nem pescou...), completamente babado.


Já os dois dias que se seguiram, foram diferentes... pescas mais matutinas, menos peixe e mais enganos nos pesqueiros.

No Sábado, eu, o Vitor, o João, o Raimundo e o Pedro; no mesmo pesqueiro, quer por via da ausência de peixe, quer pelo vento que entrou; fomos obrigados a mudar para a terra.

Os Parguitos deram sinal, logo que chegámos, tanto pela mão do Pedro, quanto pela mão do João que teve a sua primeira captura "vermelha", pequena, mas primeira!


O pesqueiro mostrou-se diferente, com menos actividade, de tal forma que nem Safios apareceram.

Depois, durante todo o Santo Dia, procurámos, tentámos, mas nada mais se capturou de nota, obrigando-nos o vento a voltar ao porto mais cedo que o habitual. Tem dias assim e, ultimamente, não tem sido fácil. Mas ainda faltava um dia de pesca, desta vez com o Zé Beicinho, antes de voltar para o "descanso do guerreiro".

Saímos para a pesca, no Domingo, eu e o Zé, com novo pesqueiro em perspectiva, mais fora, já que a zona dos dias anteriores ficou pouco produtiva.

A pesca iniciou-se com bons sinais, muito roubo de iscas e perspectivas a condizer. Meia hora passada e entrou o primeiro, pequenote, logo seguido de mais um, passados uns quinze minutos.
A coisa prometia, embora em outros dias também não fosse além daquilo. Certo é que, não tinha passado meia hora e já um de 2,5 kg, entrava a bordo e outro grande se desferrava a meia água na cana do Zé.
Ficámos entusiasmados, mas, lentamente as Cavalas substituíram os Pargos e, todo o restante dia, com variantes contínuas de iscas e iscadas, nada mais entrou de jeito.
O meu dedo feio, apontou os pilados que iam passando, talvez os maiores culpados das irregularidades que se têm vindo a verificar. No entanto, tudo parece concorrer para que a coisa melhore!?

Aguardemos melhores dias!

Até lá, uma boa noite a todos os leitores!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Viver... pescar... descansar!


Vivo... enquanto pesco e descanso! Quando pesco... vivo e descanso! Descanso... enquanto pesco e vivo!

Eh lá! Exclamarão alguns de vós, enquanto ouvem estas afirmações!?

Não se preocupem... também vivo enquanto estou com a família e a trabalhar! Aliás... adoro a minha família e aquilo que faço!

Mas, na verdade, imagens como a de abertura, vistas e sentidas, completam-me... pela calma, pela não existência de horas, pelo sentimento de abandono ao que der e vier e até pela desnecessária responsabilidade perante seja quem for ou o que for, pelo menos durante aqueles períodos de tempo em que consigo manter este estado de espírito.

Verdade também que, por vezes, não basta ir para onde se gostaria de estar, tem de se levar também a cabeça connosco, o que nem sempre é possível, tendo em conta o que nos rodeia, projectos ou problemas que podem não nos deixar usufruir da vida... da pesca... do descanso!

Mas uma coisa vos digo... desta última vez, usufrui de tudo a que acho ter direito e... soube bem viver... pescar... descansar!

Os dias correram, com amigos e a solo, limitações de isca, saídas tardias, retornos também eles tardios e até o pouco peixe que entrou resolveu fazê-lo tarde, talvez porque era hora, talvez por despreocupação  na procura, talvez por falta de jeito ou, quem sabe, porque habitualmente, nesta altura do ano, isto até costuma acontecer!?

Verdade... verdade... é que este ano de 2012 tem sido o ano em que menos vezes tenho pescado e, tendencialmente, esta falta de regularidade na procura e controlo de pesqueiros acaba por se pagar em formato de seca. A sorte ou o azar, poderiam ter tido influência positiva ou negativa, mas são expressões que não gosto de trazer para aqui, prefiro trabalho e processos, os que, como sabem, por falta de assiduidade não têm acontecido.

Uma outra questão adicional parece-me estar presente... principalmente no que a pesca se refere, sinto necessidade de mudar, procurar novos pesqueiros, usar outras técnicas, tomar outras atitudes..., conjunto este de alterações no meu comportamento e sentir que, por falta de tempo, preparações prévias e até por dispendiosos, me fazem hesitar nas escolhas, alterando significativamente os processos em uso e consequentemente afectando os resultados.

Alguns de vós que me lêem, estarão talvez a pensar: estavas tão bem... para quê isto tudo?

Acho que é da nossa natureza querer modificar, experimentar, melhorar..., sendo que estes momentos de transição, criam obrigatoriamente indecisões, margem para erros e situações menos positivas que, espero, depois de analisadas conduzam a mais aprendizagem.
Algo no entanto tem de ser feito à cabeça! Há que assumir o momento, sob pena de não passar disso mesmo... mais um momento!

Ora este foi sem dúvida um bom Fim de Semana! Deu para tudo, como se leu e se vê... até para capturar alguns peixes como este Sargo Veado, par de um outro que não teve direito à ribalta.



Também uns Parguitos, deram um ar da sua graça, alguns tão pequenos que nem entraram no poço do barco e foram acabar de se criar, largados com muito jeitinho.

Já o que se segue, foi para a panela!

Primeiro e único numa jornada a solo, decidida à última da hora, entrando uns quinze minutos depois de iniciar a pesca e deixando água na boca quando comecei a pensar nos outros que o poderiam acompanhar, o que de facto não aconteceu.
Também o único que entrou no início da jornada, já que nas outras, só se conseguiram alguns exemplares depois de duas ou três mudanças de pesqueiro e após as três / quatro da tarde. Pfiiiuuuuu...

Hei-lo... bonito nos seus 3,800 kg!


O controlo sobre o tempo disponível está a aumentar, a vontade de melhorar a pesca está em alta... veremos que outros momentos e resultados se vão conseguir!?

Eu depois conto!

Até lá, uma boa tarde a todos os leitores!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conceitos de pesca, exemplares, regularidade de capturas... existirá uma relação?


Dia 4 de Setembro de 2011... olho o tabuleiro, ainda por lavar, onde tantos quilos de isca já foram cortados em formatos diversos e penso como vos vou falar das últimas seis jornadas, repartidas entre 25 a 28 de Agosto e 2 a 4 de Setembro.

Os amigos fizeram-me companhia, pescando comigo sempre em equipa... como gosto!
Os relatos destas jornadas, caso entendesse individualizá-los, dariam para outras tantas entradas, correndo-se os riscos de, por um lado, deixarem de ser oportunas; por outro, tornarem-se repetitivas; ou ainda, trazer às luzes da ribalta as capturas, deixando passar ao lado o que penso terem sido as razões que as proporcionaram, para mim muito mais interessantes que o acto isolado da captura, sem que se retire a este a importância devida enquanto objectivo principal e corolário de todo um trabalho anterior.
Considerando o referido, vou tentar realçar alguns conceitos nos quais me apoio e que vou tentando melhorar, suportando-me para tal nos resultados que vou conseguindo e divulgando.

Para complementar este pequeno périplo e no sentido de não cansar os mais atentos, enviá-los-ei em momentos que me parecerem próprios para consultas de outras páginas, por aqui existentes, onde penso existirem reflexões fundamentadas e explícitas sobre algumas das razões que apresentarei.

Em qualquer actividade em que entendamos iniciar-nos, tentamos programar tudo de forma a que esta se torne o mais positiva possível quanto aos objectivos que pretendemos atingir. Para tal, importa estudar  os melhores caminhos a percorrer, tendo por base o conhecimento relacionado que hoje em dia está disponível por excesso, e, praticar... praticar o máximo, tentando aprender com os erros, caso estes sejam identificados. Isto porque, por nosso desconhecimento, por informação mal entendida/prestada ou outras tantas razões, por vezes estamos a errar e nem nos apercebemos ou, pior ainda, fingimos que não vemos, porque dá trabalho, porque também há ao nosso lado quem faça o mesmo ou até por questões de ego.
Não se tenham dúvidas... quanto maior for o conhecimento na área em que nos movimentamos; o trabalho pensado que nela investimos; os melhoramentos que lhe fizermos; e, a abertura a outras  e/ou novas ideias; mais diminuímos a intervenção dos factores sorte e/ou azar nos resultados que pretendermos obter.

Sobre os conceitos que considero mais importantes, vou direccionar a reflexão para os seguintes:

1. O que penso relativamente ao comportamento do peixe

Os peixes grandes ou pequenos vivem no mar e, em algum lugar estarão activos, uns comendo os outros e estes fugindo e/ou alimentando-se como puderem, todos eles passíveis de se atirarem às nossas iscas!?
Se não consigo dar com eles e capturá-los o problema é meu e decorre normalmente de conhecimento insuficiente, discernimento inadequado em determinada época ou más escolhas no que respeita a timmings em determinado dia/hora, entre outros possíveis. Considero portanto que as razões de um qualquer insucesso estarão sempre sediadas na minha capacidade/incapacidade, desde que  os companheiros que me acompanham estejam a trabalhar em equipa comigo, quando em acção de pesca.
Para melhor me explicar sobre o que resumidamente aqui disse, aconselho a consulta da seguinte página: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/hoje-no-h-peixe-uma-reflexo-9abril2007.html .

2. O tipo de zona/pesqueiro que vou seleccionar

Esta selecção terá sempre a ver com a relação: época do ano/profundidade/exemplares que se procuram. Isto é, se tento essencialmente o Pargo, em qualquer época, escolho beiradas de pontões altos, limpos e/ou entralhados, perto destes ou isolados no meio do nada; mais fundos, no Inverno e Primavera; e, menos fundos, a partir do fim desta, até bem dentro do Outono.
Caso procure Pargos e Douradas na época de concentração destas, já os resultados podem melhorar em zonas de pedra mais rija que se situem em cetombas pouco pronunciadas, para além dos incontornáveis entralhados ou limpos perto de pontões altos, talvez os melhores fundos em todas as épocas, independentemente da profundidade a que se pesque e no que à pesca embarcada em embarcação fundeada se refere, não tendo em conta a pesca de grande profundidade ao Goraz e Cherne, por exemplo, em que estes conceitos de pesqueiros sofrem alterações consideráveis.

Para melhor compreensão do que tenho em conta e o que faço relativamente à selecção de pesqueiros, aconselho a consulta, pela ordem colocada, das seguintes páginas: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/procura-de-pesqueiros-1-parte-04fev07.html http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/c-estou-eu-outra-vez-para-continuar.html http://aminhapesca.blogspot.com/2009/06/descodificacao-de-termos.html#uds-search-results

3. Os cuidados para me manter na zona/pesqueiro eleito

A partir do momento em que acontece a selecção dum pesqueiro, num determinado dia, de uma determinada época, é por que se acredita que tal tipo de fundo, profundidade e sinais de sonda, formam o painel ideal para trabalhar o pesqueiro, mais ainda se os sinais dados pelos toques do peixe nas nossas iscas apontam para a actividade da bicharada, grande ou pequena que por lá anda.
Ora, tendo em conta que por vezes se sucedem intervalos de tempo significativos entre capturas dos exemplares procurados, assim como os sinais podem variar ao longo do dia; a pior coisa que nos pode acontecer é:
- Por sermos deslocados, por qualquer alteração de rumos de vento/aguagens ou soltar do ferro de fundeio, do que consideramos ser a zona quente, deixarmos de acreditar no pesqueiro e ficarmos sem entender se os intervalos entre capturas são os normais ou decorrem de alguma alteração de posicionamento, mesmo se os sinais de actividade sobre as nossas iscas se mantiverem. Se isto acontecer, o mais indicado será melhorar o fundeio, tendo em conta as novas condições de mar e vento, podendo assim continuar a acreditar na acção de pesca desenvolvida. Isto é o que sempre faço, salvo se a zona para onde fui deslocado não ficar muito afastada e mantiver a profundidade, as características de fundo e os sinais anteriores.

Para controlar continuamente o posicionamento no pesqueiro, importa ter alguns cuidados assim como alguma atenção aos sinais oferecidos e às capturas desinteressantes, como Bogas, Choupas e Sarguetas pequenas, Carapaus, Peixe-Piça e Ganopas.

Relativamente aos cuidados, devemos verificar, na Bússola, os graus a que estamos aproadas, sendo que desvios importantes, são indicadores de mudança de posicionamento que poderão ser ou não significativas.
Outro cuidado será tirar uma marca de terra, perpendicular ao posicionamento do barco proa-popa que nos permita verificar contínua e facilmente se o ferro está a ir à garra, o que por vezes pode não ser perceptível face a determinadas condições de mar e vento. Verdade que poderemos fazer o mesmo mantendo o GPS ligado, mas obriga-nos a deslocar várias vezes à cabine, para além de significar um gasto importante de bateria.

Relativamente aos sinais oferecidos pelas capturas desinteressantes, considere-se o seguinte:

Um pesqueiro que durante uma hora ou mais só nos dê Bogas, tem tendência a ser pouco produtivo, isto porque, mesmo apresentando uma qualidade de fundo assinalável, poderá estar numa zona fora da passagem do peixe que queremos. Já se às Bogas se vierem juntar Sarguetas, Choupas pequenas e um ou outro Carapau, a coisa, no que respeita a peixe maior, vai-se compor, quase de certeza!?
Umas quantas Ganopas no início da pesca... tudo bem! Mas, se ao fim de uma hora e tal de pesca, num fundo entralhado, em que já capturámos uns peixes de qualidade, nos surge num anzol uma Ganopa, é um fundamento suficiente para verificarmos o fundeio.

Dou-vos um exemplo vulgar, acontecido há poucos dias: estávamos a pescar nuns entralhados a 50 metros de profundidade, rodeados por pequenos pontões a 47, 46 e 48 metros, tínhamos tirado várias Douradas, uma Bica, um Sargo Veado e um Pargo com uns 4 kg, sendo que entravam um ou dois peixes e esperava-se quase meia hora até que entrassem mais um par deles, nisto entra uma Garoupa da Pedra (Ganopa), o que estranhei, atendendo a que, ou entram de início ou quando entram mais tarde podemos ter mudado de pesqueiro pois são muito territoriais. Abri a sonda e já não estava nos 50 metros mas sim nos 46 e o hiato de tempo sem capturas, sendo aceitável caso estivesse no entralhado aos 50 metros, já não o era em cima dos bicos em que nos encontrávamos. Em pouco tempo decidi-me pela melhoria do fundeio e as capturas de exemplares de bom porte tornaram à sua regularidade.

Ainda sobre os sinais, referindo-me agora ao Peixe-Piça, mais frequente quando se pesca muito perto das beiradas de pontões, será um mau sinal se durante muito tempo subirem, ferrados por aqui e por ali, sem qualquer entrada de peixe maior, possivelmente estaremos demasiado chegados à pedra ou os que queremos andam por outras bandas. Caso subam intervalados com exemplares maiores e ao fim de algum tempo só existam eles, melhor será verificarmos o fundeio, pode ter havido alteração de posicionamento.

Todos estes peixes a que chamo desinteressantes, são no entanto nossos amigos... por um lado, com o seu frenesim a despedaçarem as nossas iscas, criam vibrações e espalham sucos atraentes para qualquer predador que se preze e paire nas redondezas. Por outro lado, quando de repente param de comer iscadas enormes, ao minuto, dão-nos sinal importante da chegada de "alguém maior" eventualmente interessado neles ou nas nossas iscas.

4. O meu comportamento e dos meus companheiros em acção de pesca

O comportamento dos pescadores, em acção efectiva de pesca, deve adequar-se ao que se pretende capturar e aos sinais dados pelos toques, por sua vez indicadores do tipo de peixes que estão a comer e consequentemente do que ainda estará para vir. Importa portanto, para falar sobre este conceito, caracterizar os tipos mais importantes de sinais que têm estado na base de jornadas de sucesso e que arrisco dividir em três tipos, assim como, pronunciar-me sobre as reacções comportamentais a bordo, face a cada um deles. Ora vejamos...

Tipo A: O mais vulgar, em que, logo que se inicia a acção de pesca ou alguns minutos depois, os "gaiatos" comem que se fartam as iscadas enormes só de Sardinha e/ou de qualquer isca grande ou pequena que lá se coloque, em ataques trémulos, por vezes imperceptíveis, mas de uma eficiência a toda a prova no que a velocidade de gamanço se refere, só parando quando um dos maiores se aproxima, interessado neles ou na iscada que lá colocámos.

Uma jornada deste tipo, requer do pescador uma acção contínua, ininterrupta, física e psicologicamente esgotante, no que respeita à reposição de iscas, mantendo uma atenção constante sobre dois aspectos essenciais: um, perceber ao elevar a cana, a diferença de peso que indica ter ou não ter isca, repondo-a de imediato; outro, estar extremamente atento a paragens na roubalheira, normalmente indicadoras da entrada de peixe grande no pesqueiro. Não se tenham dúvidas... quem terá mais hipóteses de ferrar  mais e maior peixe, será aquele que mantenha durante mais tempo as iscas activas e também o que estiver mais atento; duas condições que com o passar das horas se tornam cada vez mais difíceis de manter.

Tipo B: Não tão vulgar como o anterior, mas acontecendo com alguma regularidade, principalmente quando, como tudo indica, os grandes já estão no pesqueiro. Neste caso, poitamos, iscamos, deixamos cair as iscas lá em baixo e nada. Nem um toque, nem uma mordida por pequena que seja. Espera-se por vezes meia hora, em que consultamos a sonda e continuamos a ver marcação interessante, assim como o mesmo fundo em que estávamos quando fundeámos, enquanto as iscas continuam intocadas, desafiando a nossa credibilidade no pesqueiro. Olhamos à volta procurando bandeiras indicadoras de redes que por vezes se mascaram na sonda como boas marcações, mas nada disso, nem perto.
De repente uma das canas verga-se e uma luta dura acontece, culminando na captura de um exemplar de 2, 3 ou mais quilos, logo seguido de outro de tamanho idêntico ou maior.
A partir deste momento, dois comportamentos diversos se têm observado: umas vezes, parece que rebentou um cano de peixe miúdo que começa a comer desalmadamente, só parando quando torna a entrar peixe maior e retornando após captura destes; outras vezes, mantém-se a calma podre com que iniciámos, interrompida aqui e ali por capturas de bons exemplares que acabam por compor excelentes pescarias em qualidade e até quantidade no fim da jornada.

Nas condições referidas o comportamento do pescador é essencialmente de manutenção da atenção por períodos, por vezes longos, intervalando com reposição de iscas quando se verifica a entrada de peixe miúdo ou, pura e simplesmente, aguardar calma e atentamente a sua vez de conseguir um exemplar a sério, por vezes diversificando iscas e formatos de iscadas.
Digo-vos sinceramente, são o tipo de jornadas que requerem grande confiança em quem poitou o barco, assim como nas características do fundo em que se pesca, muito pela ausência dos sinais dados pelos toques, neste caso com pouca frequência, significando um silêncio ensurdecedor e espectacular.

Tipo C: O mais invulgar, não sendo raro, mas uma bênção a bordo!
O pesqueiro aparece na sonda explodindo em sinais laranjas e vermelhos agarradinhos ao fundo. Poitamos, iniciamos a acção e, os toques surgem, agressivos e mais fortes que o habitual, intervalados com um ou outro roubo de isca aos pescadores mais descuidados que também acabam por capturar um pouco de tudo... ele é Sargos. Douradas, Pargos grandes pequenos e médios, Saimas, outros peixes pouco habituais como os Alfaquins, sei lá... uma festa!
Por vezes a pesca acaba cedo, para evitar excessos de peso e, os sorrisos a bordo substituem as caras atentas, as dores nos braços e a incerteza contínua dos Tipos anteriormente caracterizados.
Muitos principiantes ficam em estado de graça se têm a sorte de cair numa pesca destas que pode ser a melhor ou pior coisa que lhes aconteça, dependendo da capacidade de entenderem que este é o dia mais invulgar que lhes poderá suceder em toda a sua vida. Tudo fácil!

Quanto ao comportamento dos pescadores num destes invulgares dias, pois até dá para parar, curtir umas minies e tal... ou, tentar o maior exemplar aprimorando tamanhos e forma de iscar.
Para todos os efeitos é caso para dizer: gozem-no bem! Tão cedo não vos vai calhar coisa deste Tipo!

5. Materiais e iscas a utilizar, como e porquê

Sobre materiais, sabendo que vou danar um amigo ou outro, não me vou alongar em grandes explicações, antes vos envio para a página  http://aminhapesca.blogspot.com/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html onde, de forma exaustiva, falo e fundamento as minhas escolhas. Escolhas estas que tendem cada vez mais para anzóis maiores (6/0) e estralhos mais compridos e grossos (1 metro, de 0,45/0,50), muito devido ao uso de iscadas cada vez maiores, assim como, a fugas de exemplares maiores derivadas de cortes em pedras e em bocas.

Sobre as iscas, usam-se lá a bordo as seguintes:

Sardinha: funciona como isca-mãe, pois tanto engoda, quanto captura qualquer das espécies procuradas.

Caranguejo: uma isca que pode ser rainha na altura da concentração de Douradas, muito procurada pelo Pargo, a partir de Setembro e com bons resultados quando encostada à sardinha.

Camarão: imprescindível para intervalar com a sardinha, iscado inteiro e com casca, em qualquer tipo de jornada.

Cavala, Lula e Choco: a primeira, podendo funcionar como a sardinha, mas com menos efeito de atracção e, as restantes, muito boas, quando encostadas a uma isca mãe. Confesso que o Choco tem sido esquecido ultimamente, mas pode fazer a diferença em dias de muito peixe miúdo.

Não coloco em causa as capacidades de outras iscas, mas estas são de facto as que se têm mostrado genericamente mais efectivas na minha pesca.
Sobre este assunto (iscas), está em preparação uma entrada mais exaustiva e documentada. Vão ter de aguardar com alguma paciência.

6. Acções de improvisação quando tudo se complica e/ou está a falhar

Todos os conceitos anteriormente analisados, no seu conjunto, muitas vezes não chegam! É verdade!

O vento aparece com mais intensidade que a esperada, aguagens adversas e atravessadas ao vento criam péssimas condições de pesca, diminuindo o seu tempo útil e é hora de tomar decisões!
Neste caso, duas coisas se podem fazer: voltar para o porto e esquecer o assunto, ou, improvisar... tendo sempre como principal objectivo maximizar o tempo útil em acção de pesca.
Optando pela última decisão, há que aproar a uma zona mais ou menos adequada à época e salvaguardada das condições agrestes, procurar um pesqueiro conhecido, de preferência com fiabilidade algo comprovada (ver em: http://aminhapesca.blogspot.com/2010/10/fiabilidade-comportamento-de-pesqueiros.html ) e, gastar tudo o que se sabe e o restante tempo de pesca da jornada. Isto porque, condições de mar e vento adversas, são más conselheiras para procura de novos pesqueiros e, neste tipo de pesca, não se captura peixe a andar de barco. Quem sabe, com tempo e paciência não se salva a pescaria!?

Com base nos conceitos e análises produzidas, pescou-se nos períodos referidos, em seis jornadas, todas com bons resultados, dos quais vos deixo, em registo fotográfico, alguns dos melhores exemplares capturados.

O  Luís Nascimento, com o seu melhor Pargo:


O Arménio, conseguiu este:


Acho que conhecem a Crock!?


A maior Dourada do Paulo:


Outra vez o Arménio, com um "Sarguito":


Ainda agora apareceu a Crock, agora aparece o chapéu e o bigode... quem será?


Olha o Arménio... também capturou Douradas!? Boa!


Serrajão? Boa António Amador!


Ora esta... também tu Pedro!?


Ele é Serrajão... ele é Dourada... há de tudo nesse mar!?


Outra vez o fulano do bigode... e o chapéu? Onde o deixaste?


Olha o Vitor... há muito que não se deixava ver! Desde o monte... aquele da gata!


E o Raimundo que não deixou os seus créditos por mãos alheias!


Olha o Paulo... vai Douradita!


O quê? Outra vez? Também há Sargos Veados nesse mar?


E o Martinho que se viu grego... mas acabou por trazer a sua!


Era bom que o meu amigo Carlos Jorge, não capturasse o seu quinhão... pena não termos tirado a foto da dupla! Fica para a próxima.


Este fulano não larga isto... Que raio! E o chapéu? Oh mastronço!!! Ainda te constipas!?


Uma das pescarias:


Os meus companheiros também em pose:


Fora brincadeiras e em resumo das análises e reflexões produzidas importa referir o seguinte: para que tudo isso funcione, é imprescidível que todos os pescadores a bordo estejam na mesma linha de actuação e motivados para o funcionamento em equipa. Caso contrário, o melhor mesmo é pescar a solo.
Aos amigos que comigo participaram nestas jornadas quero agradecer precisamente a camaradagem e o trabalho em equipa sempre presente a bordo!
Quanto à questão que coloco em título, deixo aos leitores o trabalho de, face à sua experiência, ao escrito e aos resultados; dizerem de sua justiça.
Espero que se divirtam ao percorrer estas páginas e... até uma próxima!

Boa tarde

terça-feira, 21 de junho de 2011

Amigos... ingleses trabalhadores e... surpresas, ou nem tanto!?


Estou atrasado!

O relato que se segue, já devia ter acontecido, pois refere-se ao período entre 9 e 12 de Junho, mas a preparação de outras actividades, neste caso a FINA 25 km Setúbal Bay 2011, prova do Circuito da Taça do Mundo de Natação de Águas Abertas, realizada no passado dia 18 e da qual fui o responsável pela segurança no mar; não me deixou espaço para vir deambular e deixar factos e sentimentos por aqui. Mas estão fresquinhos e chegou a hora de deitar mãos a esta obra!

Os dias, aos quais se refere o relato, estavam todos combinados com pessoal amigo... ora no que se refere ao Morais e ao Teles, também uns ingleses que vinham experimentar "a minha pesca" através do Nuno Mira, na Sexta; ainda mais dois amigos de Évora, no Sábado; e, claro, o Zé Beicinho, no Domingo; único dia em que aquele mouro de trabalho consegue molhar as linhas... uma azáfama!

Sou sincero! Não que me importe de ter por lá pessoal amigo... mas assim todos os dias, também não é do meu completo agrado. Faz-me falta um diazinho sossegado, daqueles em que sinto poder fazer o que quero, quando e onde quero; sem dar cavaco a quem quer que seja! Mas adiante!

As zonas a testar, estavam na minha cabeça... havia que andar por fora e, caso a coisa não se desse, descambar para a terra onde já é altura de aparecerem umas surpresas.
Lá fomos, eu o Morais, amigo desde os 14 anos... escola... doidices... namoradas..., enfim, aquelas coisas boas que passaram pelos anos à maioria dos mortais. Também o Teles, mais novo que nós e bom companheiro.

Os pesqueiros apareceram na sonda, escolhemos e poitámos. A aguagem era muito leve, ideal para pescar, e, os nossos interlocutores, intervalando com a habitual ladroagem de isca, começaram a subir ao poço. Ora dourados, ora vermelhos, ora até malhados, como este Alfaquim pertencente ao par capturado pelo Morais...


... ou este Parguito, do Teles, pertencente ao grupo que subiu, nunca excedendo este "miserável" tamanho!


As horas passavam, as capturas sucediam-se ao ritmo referido, até que, entrou uma aguagem tão forte que mesmo as chumbadas de 400 grs, tinham dificuldade em chegar ao fundo (60 metros)! Chatice! Aguagem pode ser coisa boa!? Mas assim e sem toques... é complicado!

A pescaria estava composta e o pesqueiro mais à terra, testado em seguida, não se mostrou frutuoso, empurrando-nos para a demanda do porto e da segunda parte da pesca onde os Alfaquins do Morais, foram as estrelas do evento... um espectáculo!
Vejam só o que o "Grande" Zé Beicinho fez com eles: fritinhos com Açorda de Alho! "Oh Mãe... dá-me água"! Este o grito de guerra que costumo proferir em situações destas, não liguem!


Claro que tivemos de "regar o quintal", com o Pias do Zé, enquanto falávamos dos acontecimentos do dia e degustávamos tal pitéu. Sei que tem por aí muita gente que anda numa Gourmet, outros, numa de Sushi e coisas do género... não critico e até alinho... às vezes!? Mas sinto-me cada vez mais Alentejano!


Apetecia-me continuar a contar-vos ao pormenor todas as conversas e brincadeiras deste jantar, mas foram tantas e tão variadas que melhor será avançar para as pescarias ou tão cedo não saímos daqui.

O Nuno Mira lá me apareceu, na Sexta de manhã, com os seus amigos ingleses, a quem, por obséquio ao Nuno, montei canas, carretos, montagens... a papinha toda para a pescaria do dia!
Uma coisa é certa... os homens perceberam tudo rapidamente e portaram-se à altura, a todos os níveis, conseguindo até alguns bons exemplares e uma pescaria que não sendo um estrondo, pode classificar-se como bonita! Ora vejam alguns dos exemplares conseguidos.

O Graham com uma Choupa de tamanho interessante:


Outra vez o Graham, agora com um polvo de tamanho considerável:


O Brian, com a captura do dia:


Ainda o Graham, com uma Dourada de tamanho aceitável:


Finalmente o Brian com um pequeno Serrajão, libertado posteriormente devido ao tamanho e cuja foto só aqui figura, devido ao gozo extremo que evidenciou em tal luta. Há gostos para tudo!? Mas até se percebe.


E assim terminou este dia, evidenciando que as coisas acontecem... basta a uns, saber procurar; e, a outros, saber ouvir!

Mas esperem lá! Neste dia tive uma notícia excelente! o Nuno disse-me logo à chegada que, por motivos de força maior, os nossos outros amigos que eram para vir no dia seguinte - Sábado - não o poderiam fazer, o que, sinceramente, até me alegrou. Não porque não goste da companhia mas, na verdade, abria-se uma janela para um conjunto de dias perfeito, já que ia ter o meu dia a solo. Espectáculo!!!
E, meus amigos, para além de ter ficado em estado de graça, até que valeu por cada minuto, iniciando-se este tempo no preciso momento em que fiquei só, arrumando o barco, sentindo aquela liberdade só possível quando sabemos que não temos contas a dar a qualquer mortal durante um determinado espaço de tempo. Difícil, é encontrar palavras para descrever!?

Arrumei tudo, devagar, fui tomar o meu banho, olhar as fuças no espelho, fazer a barba de três dias, seguindo-se um jantar descansado, com amigos lá de Sines que sempre se encontram, o digestivo no Bar do Náutico e a volta ao barco para um sono reparador, sem hora marcada para acordar. Tão simples! Tão bom!

O Sol acordou-me batendo-me nos olhos, já elevado por cima do molhe de protecção, virei-me para o outro lado, destapei-me e deixei-me acordar, relaxado, sem sentir o cansaço normal de dois dias de pesca. Levantei-me devagar, lavei-me na mangueira da marina, tomei o pequeno almoço sentado no poço do barco e subi à cidade, procurando o café, a isca, o gelo... tudo sem pressas, trocando conversa com quem me cruzava, normalmente de pesca ou sobre os artigos que procurava. Uma delícia!
O barco aguardava-me, fiel, na calma do local, obrigando-me a guardar o momento com a imagem que resolvi reter.


Retoquei as baixadas das canas que ia utilizar, acomodei-as para a viagem e saí o porto, aquecendo motor e pensando como actuar tendo em conta a época do ano, o vento anunciado, as 12.30 horas mostradas no telemóvel e a vontade de procurar pesqueiros à terra que há muito não visitava. É tempo de voltar ao princípio e testar aqueles pesqueiros onde me iniciei lá por Sines que tantas alegrias me deram. Já merecem a visita e, nesta época, até me podem surpreender... pensei com o único botão que trago nos calções.
As pescarias e respectivos resultados, por ali conseguidos, passavam no ecran do PC interno, fazendo-me desviar rumos, indeciso, acabando por escolher uma zona de pesqueiros, ali pelos 37/38 metros, onde esperava que a sondagem ditasse a decisão final!?
E, de facto, lá estavam marcações conhecidas, num entralhado à beira dum pontão não muito alto que se encontrava no limite da zona de pedra. Azuis, amarelos e alguns verdes; espalhados num raio de 50 metros, não deixavam dúvidas sobre a actividade no pesqueiro. Restava saber o que por lá andaria, se a isca interessava e, se sim, o que apareceria no decorrer da acção de pesca!?
Estava nas minhas "sete quintas"!

O mais engraçado é que o pesqueiro reagiu tal e qual como sempre foi seu hábito, salvo raras excepções. Nos primeiros quinze minutos, as iscas iam e vinham como se nada por lá estivesse, depois, começaram a vir ratadas nas partes mais moles, indicando a chegada ou decisão de alguns pequenos interessados; em seguida, começaram a desaparecer no anzol de cima; mais tarde, no anzol de baixo; até que... primeiro peixe de jeito: um Sargo com perto de quilo! Logo em seguida uma Dourada um pouco maior e outro Sargo bom na descida seguinte. A coisa está-se a compor... pensei!

Não vos passe pela cabeça que isto aconteceu de repente... estes três primeiros peixes só subiram a bordo passada uma boa hora de acção de pesca. No entanto, o pesqueiro já estava a reagir de forma totalmente diferente: os anzóis ficavam "polidos" em segundos e as trocas de iscas sucediam-se em tempos proporcionais.
A acção continuou, ininterrupta, mantendo-me em estado de alerta para os toques, agora já perceptíveis, aguardando momentos de paragem aos quais, invariavelmente se sucediam capturas, principalmente à base de Sargos grandotes que iam entrando a espaços, obrigando-me já a olhar a caixa, tentando avaliar o peso total para não exceder aqueles limites que conhecemos.

Pesca alvorada, um pequeno toque e sobe um Carapau, tão gordo que de imediato pensei em jantá-lo, talvez na companhia de outros irmãos anafados que por ali andassem e quisessem "jantar comigo". Nova paragem e entra o primeiro Pargo, para aí com um quilito. Só agora? Lá mais para a frente já devem chegar mais cedo... falei para dentro comentando os sinais.
O peso estava quase certo e a pesca estava a chegar ao fim. Isco meia sardinha e desaparece em um minuto; isco duas postas em cada anzol, deixo cair e tudo fica calmo muito para além do tempo aceitável permitido pelos "miúdos". Não tenho a certeza se já me roubaram e não senti! Não quero mexer a pesca, para não espantar algo que por lá ande. De repente, sinto dois toques mais secos ao fim daquele tempo que pareceu uma eternidade e... ferro com violência!

A cana dobra, amortecendo as primeiras cabeçadas! A linha sai! A tensão mantêm-se! Sai mais linha, só aquela que a taragem deixa, a luta é séria! Ele leva, eu deixo! Vai para longe e cansa-se! Já se nota! Enrolo, aguento, torno a enrolar de cana levantada e começo a vislumbrar aquele prateado encarniçado, com laivos azuis que costumam mostrar perto de aceitarem a derrota ou antes de algo acontecer e libertarem-se à última hora. Mas não! O enxalavar já está na água, coloco-o debaixo do peixe, mudando a cana de mão e elevo-o até ao poço, onde lhe capto a imagem junto ao meu pé! Lindo peixe!


Não resisto e guardo a imagem de grupo:


Mais tarde, chegado ao porto, encontro alguém para nos tirar a foto merecida, ao alto, guardando assim momentos que mesmo sem foto não se esquecerão... por tudo!



Mais bonito ainda... eram 16.30 horas e já ali estava, sem pressas e com tudo aquilo que não esperava mas que procurei e encontrei! Não peço mais... só quero outros dias deste tipo, com mais ou menos peixe, mas onde os prazeres que ficaram possam perdurar no tempo!

O jantar foi rico de peixe, de conversa e de companhia, pois para além do Zé que sempre guarda um tempo entre assadas para dar dois dedos, o meu amigo João Martins apareceu para o café e cacau técnicos que se arrastaram pela noite dentro, antes que os lençóis me acolhessem de novo.

No dia seguinte, Domingo, o Zé Beicinho e o meu amigo Carlos Cruz completaram a campanha que, considerando o vento já mais forte e os resultados do dia anterior, se dirigiu de imediato, adivinhem onde? Ao pesqueiro do Pargo grande... claro!!!
O mais engraçado é que, à excepção de um exemplar daquele tamanho, o pesqueiro teve um comportamento quase tirado a papel químico sobre o do dia anterior, oferecendo-nos uma pesca bonita, onde figuraram três Sargos Veados, entre 1,200 e 2,500 kgs, alguns Parguitos, e alguns Sargos legítimos que só não foram guardados em imagens porque, pasme-se, ninguém levou máquina e a minha ficou sem bateria... Parvoíce!

Não faz mal! Haja saúde, tempo, algum dinheiro e muita pesca!

Boa tarde a todos os leitores!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Resultados... reflexões... opções!


Manhã de Domingo, dia 15 de Maio... ponho a jeito um iogurte uns bolinhos secos e descasco a laranja que os precede no processo de "mata bicho" a bordo, em dia de volta a casa, após três jornadas de pesca, mais ou menos intensas, com bom tempo e resultados a condizer.

Na calma da manhã, olhava o caneiro de popa, lembrava-me de alegrias que alguma cana nele colocada me tinha dado e, inconscientemente, analisava os resultados, as indecisões, as opções... de Quinta, Sexta e Sábado, acabadinhos de pescar; enquanto saboreava a doçura dos gomos do citrino que me limpavam a garganta e a alma, assim como, preparavam o estômago para o que a seguir lá caísse.
A maravilhosa solidão do momento que antecedia a volta a casa, fez-me sentir um desejo de partilha com os amigos, os leitores, o mundo... através desta porta aberta a quem entenda virtualmente aceder a tais momentos, peripécias, reflexões... por curiosidade, por conhecimento, por amizade, por acaso, ou, quaisquer outras razões!?

A Quinta Feira foi dia de família... três gerações de amigos a bordo. O Stef, um Marselhês meu amigo, há muito radicado em Portugal; o seu pai, Monsieur Richard; e, o seu filho, o Ricardo. Gente boa e, há algum tempo, com muita vontade de se iniciarem neste tipo de pesca a que, sem presunção, chamo minha!

O primeiro pesqueiro escolhido, apresentava uma marcação de sonda razoável para a época, com peixe agarrado ao fundo, embora sem aquele formato em pequenas aglomerações de cores vivas, um dos que melhores resultados têm proporcionado.

A acção iniciou-se com os roubos habituais das nossas amigas Bogas e Sarguetas pequenas. Digo amigas... por serem elas muitas vezes, através do frenesim que colocam no acto de comer, a espalharem a palavra por aqueles que procuramos, caso esses estejam colocados em posição de a "ouvirem"!?

O tempo passava, entrou uma Pataroxa, algumas Sarguetas até que, de repente, a cana do avô Richard dobrou-se violentamente, iniciando luta dura ao som de interjeições piscatórias populares francesas que continuaram durante o tempo de realização da foto que se apresenta.


A coisa parecia começar a funcionar e, mal grado alguma indisposição a bordo, decorrente duma vaga matreira que sempre esteve presente, o entusiasmo aumentou com a entrada espaçada de mais um ou outro Parguito e uma ou outra Sargueta, morrendo ao fim de algum tempo, atendendo ao constante roubo e à ausência de capturas.

A partir daqui, experimentámos mais dois pesqueiros, mas os resultados não melhoraram, saldando-se o dia, pela sua beleza e calma, pelo Pargo mostrado, dois outros mais pequenos e duas ou três Sarguetas palmeiras. Paciência... outras jornadas estavam para vir! Havia que jantar, dormir em cima dos acontecimentos, analisar e decidir sobre que opções tomar nas jornadas vindouras

O dia seguinte encontrou-me na companhia do João Martins e do Nuno Mira que conseguiu sair de Évora e vir até Sines numa daquelas escapadelas maravilhosas.
Sol, calor e uma calmaria como gosto, acompanharam-nos a pescar ali perto, em zona diferente da do dia anterior que, sou sincero, venceu-me... mas não me convenceu!? No entanto, pareceu-me importante rolar por outros mares e ver o que acontecia.

O pesqueiro não me falhou, apresentando de imediato os sinais que sempre procuro e, deve dizer-se... foi o dia do Nuno Mira!
O homem esteve desalmado!
Cana nova, feita por medida; em primeiro na linha de aguagem; com entusiasmo aumentado a cada luta, a cada captura... foi sem dúvida a revelação da jornada e, para gáudio do TóZé e do João Maria que não puderam vir, não se calou todo o Santo Dia!

Coitado de mim que só apanhei um ou dois Sarguitos e do João que ainda se safou com um Pargo de quilo e pouco e um Sargo de fotografia que acabou por não se tirar.
Deixam-se alguns exemplos que levaram à composição da geleira e todos pela mão do Nuno Mira... claro!

O Sargo mais pequeno:


Um maiorzito:


O maior Pargo:


Outra jornada terminava, com tempo maravilhoso, boas capturas e expressões felizes nas faces de pescadores... um porque levava para contar até Évora, outros porque embora não tenham capturado tanto, contribuíram para o sucesso da pescaria, sendo que estes, ainda tinham um jantar pela frente e conversa de pesca até à hora da deita.

O jantar deu comigo e o João Martins, analisando ambas as jornadas na frente do Pargo escaladinho, por ele capturado, lá no Zé Beicinho.
As reflexões produzidas, considerando os sinais e resultados recentes, fizeram-nos concluir sobre a necessidade de melhor explorar a zona de Quinta Feira, já que esta foi também o palco dos resultados obtidos na jornada documentada na última entrada, parecendo merecer especial atenção, atendendo à consistência observada no que respeitou a capturas de melhores exemplares.

O Sábado foi dia de reencontro com o Carlos Jorge, pescador e amigo de longa data embora, por estranho que pareça, nunca se tenha proporcionado pescarmos juntos. Nunca é tarde!
Eu, ele e os amigos comuns, Paulo e Carlos Antunes, saímos para o mar, em mais um dia que se apresentava calmo, permitindo perceber que tínhamos todo o mar e peixe por nossa conta... sendo necessário acertar com o ponto de encontro que, considerando as análises e reflexões anteriores, acreditava que já estava escolhido e, na verdade, acho que não me enganei.

Antes de nos dirigirmos ao pesqueiro que levava em mente, sondámos, fundeámos e testámos um outro da zona, sem grandes sinais, embora suficientes para arriscar. Certo é que a actividade do peixe neste local não nos ofereceu garantias da sua efectividade, pelo que, após uma horita de teste, resolvemos levantar ferro e demandar aquele outro.

A sonda mostrou-me uma vez mais os fundos daquela zona do pesqueiro de Quinta Feira, apresentando sinais idênticos, talvez um pouco melhores em determinada área!? Gostei!
A deriva revelava-se pouco intensa e direccionada, quase inexistente. Estava claro que para além de não haver vento... aguagem, era coisa que também lá não estava. Não é bom! Exclamei para dentro.
A opção era fundear de forma a que, o vento de quadrante Norte que sempre se costuma fazer sentir após as calmarias matinais destes dias quentes, nos colocasse no melhor ponto quando o Deus Éolo assim o entendesse. Entretanto, engodaríamos o pesqueiro e alguma captura poderia acontecer.

Fomos pescando a bom ritmo, com o barco aproado a W, depois a W/SW, sempre com roubos de isca, completos e seguidos, enquanto o barco, por acção da rondagem de ventos, se foi posicionando no local escolhido, onde tudo começou a acontecer, entre Bogas, Sarguetas, Pataroxas, um ou dois Safios e Moreias, capturados, perdidos e/ou devolvidos.

Primeiro o Carlos Jorge, com este Sargo Veado:


Não tinha passado muito tempo e, mais uma vez, numa luta pesada com um ou outro cabeceamento, eis que sai um São Pedro também ao Carlos:


Os sinais mantinham-se, agora com algumas interrupções no roubo da isca de cima, talvez indicadores de que outros interessados rondariam as iscadas de baixo, não se decidindo pelo ataque, mas não permitindo que a gente pequena lá chegasse em modo de segurança!?
Nesta azáfama de acontecimentos, sinto um toque conhecido, ferro, luto e capturo um Parguito de quilo.
Logo a seguir é a vez do Paulo, com o da imagem seguinte:


O pesqueiro já não enganava... o trabalho de equipa estava a dar frutos e faltava saber o que mais e de que tamanho apareceria!? Continuámos!

Uma luta diferente, deu comigo a pensar em Douradas... aqui está a primeira:


Logo a seguir, sai-me este Veado (Sargo...):


A vez do Carlos Antunes não se fez esperar com mais este Pargo:


Outra vez eu, com uma Dourada, já mãe de família:


Também o Carlos, com uma prima:


Outra vez o Carlos... agora com um primo:


Finalmente, o Paulo... com a matriarca que abaixo nos apresenta, já em fim de festa que acabou cedo, devido ao peso permitido por lei, a cujo limite, sinceramente, foi difícil resistir desta vez.


Prevaleceu, mais que a concordância com a lei, a vontade de não correr o risco de estragar um tal dia de pesca.
Que nos desculpem, o legislador e quem aprovou tal lei; a quem foram dirigidos alguns piropos pouco abonatórios, não sobre pessoas de suas famílias que, coitadas, não terão culpa; sim, sobre as respectivas competências que não conseguimos aceitar como adequadas, para não dizer suficientes.
Porquê os 25 kgs e um exemplar, para barcos de recreio com mais de dois pescadores a bordo? Seremos Portugueses de segunda, face aos nossos congéneres das Marítimo Turísticas? Se calhar somos!? Vá-se lá saber!?
Bom! Não chateio mais os homens... por agora!?
Fora estas últimas considerações, voltando ao relato e tentando resumir, parece poder dizer-se que as análises efectuadas aos sinais e resultados, assim como as reflexões  produzidas sobre as mesmas, continuam a permitir alguma correcção nas opções de escolha de locais, técnicas, materiais, iscas... adequados em cada momento de cada época do ano, decorrendo de tal processo alguma regularidade e consistência de resultados.
Importa ainda deixar uma palavra para a insistência e rapidez de reposição de iscas (Sardinha, Cavala. Camarão...), assim como, para a acção concertada da equipa a bordo quer no processo de iscagem, quer na informação trocada entre membros, face aos resultados que vão aparecendo.

Caberá aos leitores dizer de sua justiça!

Boa tarde a todos.