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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momentos... "Dourados"


A época esperada por tantos de nós, pescadores, já chegou!

É tempo de Douradas, já para não falar dos primos, os Pargos, que sempre acompanham de perto os supostos momentos de amor, quais "voyeurs", não sei se bem ou mal intencionados, mas penso que muito interessados em tanto comer que aparece naquelas zonas específicas de concentração... iscas, engodos e muito peixe miúdo que por lá anda à farta, beneficiando da abundância e claro... sofrendo assiduamente percalços em formato de dentes de outros ou de anzóis afiados, estes últimos a que os maiores também não ficam impunes, dependendo das mãos que estiverem na extremidade oposta.

Uma coisa é certa... ainda bem que os estados do mar e do vento, habitualmente nesta época, não se parecem com a foto de abertura, caso contrário os tais percalços seriam ainda mais assíduos, muito por via dos anzóis afiados, já que os dentes de outros são certamente uma constante lá pelas profundezas.

Foi em tal ambiente sazonal que este Vosso companheiro, lá esteve uns quatro dias da semana passada, tentando usufruir das características do momento, com condições de mar e vento que raro permitiram um dia de pesca inteiro, sem que o mar nos amassasse ou a regularidade de capturas ao longo do dia fosse mais prolongada que uma ou duas horas.

No entanto alguns peixes se capturaram, muito por via dos fundos que a sonda nos mostrava, fazendo-nos acreditar que eram os ideais para tentar as nossas amigas e alguns primos, assim como pela persistência empregue na tarefa... e que boa esta é!

A época das Douradas traz também consigo um pormenor ao qual sou um pouco, para não dizer:.. muito avesso, nomeadamente, a tendência para a concentração de barcos em determinadas zonas!

Questionarão alguns de vós e com certa razão: querias o quê? Se é "ali" que está a dar, havemos de ir pescar onde?

Ao que retorquirei: pode ser verdade!?
No entanto, tendo em conta as deslocações e comportamentos das Douradas até e durante esta época do ano e considerando resultados anteriores no mesmo período, acho que posso dizer que há muitos "alis"!

O problema é que aquele "ali", parece-me, apresenta-se como o aparentemente mais fácil, por indicadores de superfície de que de facto "ali" elas estão; noutros locais, tem de se procurar e acreditar que também lá podem estar, sondar, fundear e tudo fazer para que ataquem as nossas iscas. E isto já se torna mais complicado pela simples razão de nada estar à superfície que indique que aquela zona é uma "ali"!?

Não pretendo com isto dizer que não vou pescar em zonas de concentração, mas quando o faço, afasto-me tanto dos outros barcos que chego a ter dificuldade em perceber quantos pescadores estão a bordo, preferindo não capturar, a incomodar quem quer que seja na sua acção de pesca, quer por possível influência no comportamento do peixe pela proximidade do barulho e outras acções do barco, quer até por saber que o pescador de quem me aproximei, caso deixe de capturar, ficará sempre sem saber se tal facto se deveu a uma interrupção natural dos ataques ou a distúrbios causados por tal proximidade. E isso, meus senhores, é coisa a que não gosto de ser sujeito, obrigando-me também a não criar tal sujeição a outros.
Não pretendo com tais afirmações criticar seja quem for, mas... são feitios!

Certo é que, afastando-me e procurando as profundidades e tipos de fundos amplamente divulgados em outras entradas sobre este assunto, sempre acabo por capturar alguma coisa de jeito, assim como, aumentar significativamente a quantidade e qualidade das zonas de pesca e pesqueiros à minha disposição. Foi rápido e fácil? Não, não foi!!! Mas tem muito sinceramente valido a pena!

Com base em tudo isto, foram-se quatro dias de pesca.

Na tarde em que cheguei ainda lá fui, e, as capturas de dois Sargos, uma Dourada e um Parguito, deram unicamente para abrilhantar um jantar técnico, com o meu amigo Fernando Fontes, antecedente da jornada seguinte em que ambos desfrutaríamos do mar e, supostamente, dos peixes.

Lá fomos então no dia seguinte, o primeiro realmente inteiro, em demanda de cores da moda (dourado e vermelho) para zona pouco frequentada, ou, melhor dizendo, nada frequentada. Éramos nós o barco, o mar e os peixes que entraram quase seguidos (4 Pargos maiores que quilo e duas Douradas de tamanho idêntico) ao fim de algum tempo de preparação do pesqueiro e que rapidamente deixaram de cair nas nas nossas armadilhas por via do vento que nos empurrou para longe do "mel".
A nova poitada, não se revelou produtiva e neste caso o erro, penso, foi completamente meu. Isto porque, deveria ter tentado ficar no mesmo pesqueiro, mas, vendo outro ali perto com boas marcações, por ele optei, diga-se de passagem bem mal!
Acabei por ficar sem saber se este último valeria a pena em próxima visita, assim como, se o anterior continuava produtivo.

Questionarão alguns de vós: então e mudaste porquê?

A razão prende-se com as circunstâncias que passo a descrever:

- É normal que um pesqueiro, mesmo revelando-se produtivo, ofereça intervalos sem capturas.
- Os intervalos referidos podem ter razões diversas: sentimos, mas não conseguimos ferrar; não sentimos, mas ficamos sem isca; algum predador maior entra e altera o ritmo de ataques, acabando por não se interessar pelas nossas iscas...; ou, já estamos a sair do pesqueiro por rotação do barco e não nos apercebemos.
- Quando decidimos melhorar o fundeio, muitas vezes ficamos indecisos quanto à produtividade do anterior e, caso ali perto e em fundos idênticos se apresente outra boa leitura de sonda, a tendência é mudar e arriscar, o que podendo vir a resultar, pode também obrigar-nos a trabalhar de novo este pesqueiro, acabar por não conseguir grande coisa e ficar na dúvida sobre a continuidade do anterior.

Concluindo... para "espremer" e tentar perceber o tal primeiro pesqueiro, parece-me mais racional refazer o fundeio sobre esse, caso o novo rumo da deriva o permita.

O porto chamava por nós na hora da despedida e o dia seguinte talvez viesse a ser de descanso, atendendo à meteorologia esperada.

A manhã acordou acinzentada mas com o mar ainda calmo naquela hora em que gosto de ir (10.30/11 e tal). A previsão de vento de SW a aumentar, acompanhado de chuva criava-me alguma indecisão estando a solo, mas o bichinho foi mais forte e resolvi sair para pescar ali muito perto pensando uma vez mais no jantar, quem sabe o que cairia no prato!?

Chegado ao local, unicamente com cargueiros fundeados por companhia, atirei-me à pesca!
Inicialmente, num pesqueiro que ao fim de uma hora não me deu qualquer peixe de nota e foi esmorecendo em actividade; depois, em um outro, a uns 100 metros do primeiro, com tal frenesim que receei que as bogas me comessem o fundo ao barco. Insisti neste, esperando que "alguém" colocasse ordem naqueles "besugos brancos", o que acabou por acontecer, enquanto o vento aumentava e as nuvens se formavam, ameaçando a chegada da típica vontade do São Pedro no que se refere ao acto de "regar as plantas".
E foi-se dando... primeiro, uma Sargueta digna de ser comida que guardei, não fora o diabo tecê-las; depois, um Sargo, maior que a prima e que já me obrigaria a convidar alguém para jantar. Já o vento me mandava embora e entra uma Dourada de quilo e tal, obrigando-me a pensar que teria de aumentar os lugares na mesa, assim como a correr o risco de ter de lavar o barco à chuva se me alongasse na pescaria. Assim o fiz e, de repente, bumba! Vá de luta dura e comprida anunciadora deste Pargo com 3,750 kgs que, de uma vez por todas, me decidiu a desandar com pesca feita. Cá está ele!


Era hora! Andei para terra, amanhei o Pargo para guardar e os outros para degustar, lá pelo Zé Beicinho, com quem aparecesse; sendo os felizes contemplados: o Zeca e a Rosinda, gente boa e de conversa cheia. Uma delícia!

O Sábado acordou feio, com pouco vento e um enchio que se sentia no porto, indicador da vaga prenunciada pelo Windguru, fazendo com que eu, o Tózé e o João Maria, ainda hesitássemos antes de fundear e já perto do pesqueiro escolhido.
A vaga era larga, de NW, para aí com três ou mais metros, atravessada com os restos do cachão de SW deixado pelo vento da noite e, sinceramente, não estava agradável.

Ainda nos passou pela cabeça desandar para terra, mas, já que ali estávamos e confiando na meteorologia, lá se procurou, se encontrou e se aguardou que as coisa melhorassem... pescando.

Até que não correu mal de todo, atendendo a que em dias destes, caso o peixe esteja malandro e estava, as dificuldades são acrescidas.
O tempo passava, o vento ia acalmando e a vaga alta e larga ia-se tornando aceitável, embora obrigasse a amplos movimentos de cana no sentido de a acompanhar para manter a chumbada quieta no fundo, permitindo a captura de algumas Douradas e Pargos que iam caindo a espaços e acabando por construir a pesca razoável embora sem exemplares de destaque que abaixo se pode ver.


Dias destes, são bons para aprender... a sondagem tem de ser cuidada, atendendo a que a vaga nos dá leituras de fundo que podem tornar-se confusas e o fundeio tem de ser muito bem calculado, atendendo a que, devido à altura da vaga, mais cabo deve ser dado que o habitual,  criando folga suficiente para evitar que o ferro se solte com as subidas e descidas contínuas do barco.
O mais chato é que tudo o acima referido tem de ser feito em contínuo e forte balanceio, tendendo à aceleração de todo o processo, o que não nos trará qualquer vantagem... mais vale sofrer um pouco mais e não ter de repetir tudo de novo nestas condições.
Mas meus amigos, sinceramente, são daqueles dias em que prefiro ficar ali pelo porto, olhar as gaivotas e os peixes em torno do barco, falar com este e aquele, ir até ao computador, fazer umas montagens e... quem quiser que sofra!

Não fora os meus amigos terem vindo de longe para pescar comigo e tinha-me borrifado na pesca, pois é tareia a mais para o meu gosto.

Mas lá está... o Domingo estava prometido ao Zé Beicinho e ao Zeca, a vaga mantinha-se, o Sol deu um ar da sua graça e até parecia que o vento de terra (NE) não faria grande mal. Foi verdade até por volta da uma da tarde, depois disso o malandro do Deus Éolo deu-lhe forte e feio, de tal forma que o barco subia e descia na vaga, atravessando-se a esta e quase fazendo 90º ao cabo, ora a bombordo, ora a estibordo. Mau... francamente mau!

Mesmo assim, ainda se capturaram nove douradas, cabendo a maior ao Zé Beicinho que lá se limpou de outras três perdidas, após ferradas. Acontece facilmente com condições destas.

Cá está ele, com a maior do dia!


Concluindo... condições difíceis, dias incompletos, boas sondagens, bons fundeios, boas companhias e... algum peixe!

Não dá para queixas, antes para as análises e reflexões produzidas.

Esperam-se outros dias, melhores ou piores, e, a 17 de Dezembro, o tal workshop onde finalmente conhecerei alguns de vós.

Uma boa noite a todos os leitores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dias de pesca e... um primeiro olhar à técnica da "Chumbadinha"


Os dias 5 e 6 de Outubro foram de pesca, assim como o seriam o 7 e o 8, não fora o vento que apareceu no primeiro destes e o que estava previsto para o segundo que me fizeram andar mais cedo para casa, se bem que, segundo soube tarde de mais, o dia 8 até daria para pescar, mas, vá-se lá adivinhar!?

A imagem da baía de Sines, em fim de tarde de um dia de bruma, obriga qualquer amante do mar a reflectir sobre os mistérios que este alberga, mistérios estes que se propagarão às profundezas, aos grandes exemplares e a formas diversas de com eles lutar, caso o tal amante do mar seja também pescador, de preferência atento. Por tal, sentindo-me incluído na descrição; tendo combinado, com amigos seguidores de diferentes técnicas de captura, pescarias para os dois primeiros dias referidos; cedo me propus tudo observar... comportamento dos pescadores, sinais, utilização das técnicas, comportamento das baixadas e claro, o mais fácil de tudo... resultados!
Estamos portanto, perante uma reflexão sobre a utilização de duas técnicas diversas: a que costumo futilizar, ao "Fundo"; e, a "Chumbadinha"!
Ambas, como sabem, direccionadas essencialmente para o Pargo e/ou outros predadores que apareçam na zona onde se desenrole a acção de pesca.

Antes de avançar com outras suposições, reflexões ou afirmações, importa referir que, se relativamente à pesca ao "Fundo" tenho vindo a apresentar resultados que me permitem emitir opiniões fundamentadas; no que respeita à "Chumbadinha", considero-me um observador atento, principalmente pelos resultados obtidos e divulgados por outros pescadores que obviamente considero e respeito. O que aliás, entenda-se, é a minha forma de pensar e estar, face a todos os companheiros, independentemente das técnicas que utilizam e dos resultados que obtêm.
Verdade também que, após ter experimentado e observado o comportamento de baixadas na descida, assim como a forma como a isca vai sendo apresentada aos nossos interlocutores por via desta técnica, começo a considerar-me um principiante convicto na mesma; o que mais se acentuou quando tive, no passado dia 6, a oportunidade de ver dois amigos meus, com tempo de prática e resultados significativos utilizando esta técnica.
Apresentando e caracterizando, quanto ao comportamento em acção de pesca, os amigos que me acompanharam neste dois dias, temos: na pesca ao "Fundo" de dia 5, o Carlos Jorge, o Carlos Martinho e o Paulo Palma; e, na pesca à "Chumbadinha" de dia 6, o António Amorim e o Victor Coelho.
Qualquer deles, homens com muitas horas de pesca que não param, não dão tréguas, nem desistem, mesmo quando as coisas não correm de feição, na procura de exemplares maiores; o que, independentemente das técnicas utilizadas, é um factor importante no que respeita ao tempo útil de pesca, ao conhecimento dos sinais e possivelmente até aos resultados obtidos, não fora estes últimos estarem muito dependentes das condições de cada dia e de cada pesqueiro, assim como das opções, quanto à posição face ao pesqueiro, de quem fundeia o barco.

Vamos então reflectir sobre o assunto, iniciando pelos relatos sucintos e resultados obtidos nos dois dias: o primeiro, só ao "Fundo" e, o segundo, à "Chumbadinha" e ao "Fundo".

Dia 5:

Mar estanhado, pouca vaga..., elementos indicadores de mudanças de posição significativas do barco e possíveis empostas de correcção ao longo do dia. Ala para o mar e fundeio em local conhecido e já testado... uma zona de entralhados, a 50/51 metros de profundidade, ladeada por pequenos pontões entre os 46 e 48 metros.
A aguagem corria fraca para terra, os roubos de isca iniciaram-se, e, peixe de melhor qualidade só ao fim de uma hora é que deu um ar da sua graça, entrando espaçado e mantendo-nos interessados no pesqueiro que afinal acabou por não ter a produtividade ao longo do dia que, a espaços, ia prometendo, com um Pargo ou outro e umas quantas Douradas, dos quais se apresentam os melhores exemplares, como o Pargo do Paulo...


... a maior Dourada, pela mão do Carlos...


... o Pargo maior, pela mão do tal fulano do bigode!


Não se pode dizer que foi uma má pesca, antes pelo contrário, mas, quanto a exemplares de maior porte e considerando outras pescas feitas na mesma zona, pode considerar-se abaixo da média. Já no que se refere àquele vinho branco fresco e etc., são factores que sempre transformam estes dias em momentos acima da média. Mas adiante...
Na minha opinião, as causas, pura e simplesmente, poderão estar sediadas na escolha do pesqueiro, sendo possível que a força de passagem e/ou concentração de peixe, se tenha alterado para qualquer outro local ou, quem sabe, se temos utilizado outra técnica, talvez a "Chumbadinha", não se teriam conseguido outros resultados!? Não faço a mínima ideia!

Dia 6:

Outro dia de mar calmo, em que a aguagem que corria de SE para NW, deu a deriva de fundeio, obrigando a poitada pensada, tendo em conta distâncias da zona quente que permitissem pescar ao "Fundo" e à "Chumbadinha", considerando que nesta última, a isca vai cair mais longe e, dependendo das características de fundo, pareceu-me que a sondagem deveria ter isso em conta, procurando-se zona comprida com sinais de peixe, assim como sondar à volta, para perceber o que poderia acontecer caso houvesse deslocação do barco, face a alterações das condições de mar e vento.
O local encontrado, pareceu-me ideal, considerando as marcações de peixe numa beirada comprida a 58 metros, perto de um pontão de dimensões consideráveis, entre os 52 e 55 metros, sendo que à volta as quedas se situavam todas pelos 58. Estas condições permitiram fundear no início da marcação, sabendo que chumbada que caísse no fundo, entre a vertical da popa do barco e uns 70/80 metros para lá dela, sempre actuaria em zona quente. Pareceu-me bem!

As hostilidades iniciaram-se com todos a pescarmos ao "Fundo", não tardando muito para que as iscas começassem a desaparecer, indicando a actividade do pesqueiro.

A actividade mantinha-se e, quase uma hora passada, nada de peixe, só roubo. Nesta altura o Amorim e o Victor mudaram para a "Chumbadinha" e eu mantive-me a pescar ao fundo por trás deles tendo em conta o rumo da aguagem, no sentido de, por um lado, manter uma linha de engodo em direcção a esta; por outro, testar uma vez mais sobre a tendência que parece verificar-se quanto ao posicionamento face à aguagem, ou seja, normalmente quem está com as iscas em zona quente, se estiver em primeiro lugar na linha de aguagem, será o mais facilmente contemplado, desde que mantenha as iscas activas.

A verdade é que eu não tive um único toque de peixe maior, enquanto ao Amorim lhe fugiu um primeiro Pargo, o Vitor capturou um Parguinho pequeno e, passada uma meia hora, o Amorim capturou este:


É caso para dizer: valeu a espera! Pode também dizer-se que mais uma vez se verificou a tendência referida, para além do que possa ter acontecido atendendo à apresentação de isca específica da "Chumbadinha"!? Já lá vamos!

A acção de pesca continuou e o pesqueiro foi esmorecendo, assim como o barco foi rodando no lugar. Desta análise resultou a opção por mudar de pesqueiro, atendendo a que o esmorecimento deste se tinha iniciado antes da rotação do barco e também porque esta não nos chegou a tirar da zona quente. Pareceu-nos no entanto que, com a sardinha que já tinha descido e numa hora normalmente produtiva neste tipo de pesca, a diminuição de actividade parecia mais ter a ver com alterações do percurso do peixe. Isto é, outras zonas poderiam estar a interessá-los mais!?
Se assim se pensava, teria de se actuar em conformidade e com tempo para trabalhar outro pesqueiro, o que fizemos, procurando pesqueiros mais a terra, muito por resultados anteriores e também pelo aumento significativo da temperatura da água, para a época.
O GPS avisou-nos da chegada à nova zona, a sonda mostrou-nos o que parecia ser o melhor pesqueiro, outra consulta ao GPS deu-nos a indicação da deriva, fundeámos e iscas para baixo.
A aguagem que corria leve para a proa do barco, em poucos minutos diminuiu quase por completo, fazendo com que o Amorim e o Victor, mudassem da "Chumbadinha" para a pesca ao "Fundo" e alguns resultados começaram a aparecer.

Os Safios de pequeno porte subiam regularmente e eram devolvidos, intervalados com duas Douradas pequenas, um bom Sargo, um Parguito que subiu pela mão do Vitor, um Pargo de uns 4,000 kgs que saiu ao Amorim e outro um pouco mais leve que saiu ao fulano da soca...


... terminando a pesca com a apresentação dos melhores exemplares, já no porto. Os dois do Amorim e o que apanhei, pela mão do Vitor.


Uma pesca sem muito peixe, mas bonita de se ver!

E agora... o que dizer sobre estes dois dias de pesca, face a resultados e técnicas aplicadas?

Olhando os resultados, sem dúvida que o segundo dia foi mais produtivo em termos de exemplares maiores, não querendo com isto dizer que tal se possa atribuir à técnica da "Chumbadinha", senão vejamos:

O maior exemplar, foi de facto capturado com esta técnica, mas ao fim de algum tempo de pesca ao fundo, possivelmente por a iscas terem sido colocadas na zona onde o peixe, que eventualmente se deslocava em direcção às baixadas a pescar ao "Fundo", já seguia o cheiro da Sardinha e/ou as vibrações dos pequenos que as despedaçavam. Nada nos diz que este maior exemplar não acabaria nas baixadas de "Fundo", pois a iscada que o capturou já lá estava há algum tempo e ainda por cima vomitou dois raios de Polvo, acabadinhos de trincar, indicando que comia junto ao fundo. No entanto, importa referir que a "Chumbadinha" descobriu-o mais cedo, não se sabendo se até não foi mais desafiadora que qualquer outra das iscadas!?

Os outros peixes, excepto um pequeno do Vitor, foram todos capturados ao "Fundo", pelo que também não permitem ajuízar em termos de resultados. Ainda outra verdade... os pesqueiros de um dia não foram iguais ao de outro, representando mais uma variável para a confusão. Teremos então de olhar ambas as técnicas e nomeadamente a "Chumbadinha" por outras perspectivas e para além dos resultados destes dias.

Olhemos a constituição das baixadas e a forma como a isca é apresentada por cada uma delas...
Baixada de "Fundo": madre de 120 a 150 cm, com estralhos de 60 a 100 cm de comprimento, colocados em cada ponta e com um fiel, para aplicação de chumbada, com 25 a 30 cm, colocado na madre a seguir à inserção do anzol de baixo .
A chumbada, normalmente acima das 120 grs, assegurando a velocidade para chegar ao fundo, tendo em conta: a profundidade a que se pesca, o tamanho das iscadas e a existência ou não de peixe miúdo que possa consumir as iscas, antes que estas cheguem ao fundo, local onde pretendemos apresentá-las aos nossos amigos no limite da tensão da linha e do movimento do comprimento dos estralhos, esperando interessá-los essencialmente nessa área da coluna de água!?

Nota Importante: As capacidades de rotura dos monos em utilização, em ambas as baixadas, devem ter em conta não só a força dos interlocutores, como também outros desaforos a que são sujeitos, como dentes, roçadelas em pedras, ..., etc..
O tamanho dos anzóis, também para ambas as baixadas, deve adequar-se ao tamanho das iscadas e das bocas dos "bicharocos" esperados, pelo que menos de 4/0, parece-me pouco adequado.

Baixada para "Chumbadinha": Chumbada de correr movimentando-se livremente na ponteira de amortecimento e em toda a linha fora do carreto, tendo como único batente a argola ou haste do anzol que se aplicará directamente na ponta livre da referida ponteira. Isto é, na falta de foto, se agarrarmos a linha a um metro do anzol e pendurarmos, verificamos que temos uma chumbada de correr com um anzol a ela encostado, por baixo, como se de uma pequena e "estranha" zagaia  se tratasse.
Parece-me que serão mais indicados para o efeito, os anzóis de argola, já que os de pata tenderão a enfiar-se no buraco da chumbada se forem sujeitos a pressão contra esta.
A chumbada deverá ter um furo que seja suficiente para deixar passar à vontade o nó de ligação entre a ponteira de amortecimento e o fio do carreto, continuando a ser suficiente para servir de batente face ao anzol.
Quanto ao peso, pois terá de variar considerando: profundidade, velocidade da aguagem, local onde se queira que a chumbada caia, quer ao fundo, quer na coluna de água acima deste; e, talvez até, o tamanho da iscada colocada.

A apresentação da isca desta baixada parece ser, na minha opinião, muito mais rica que no caso da baixada de "Fundo"... Analisemos:

Acabámos de iscar o tal anzol generosa e apelativamente, a chumbada está encostada à isca, penduramos na beira do barco e largamos, observando de imediato que a chumbada afunda com alguma rapidez na direcção da aguagem, levando linha do carreto enquanto se afasta da isca que desce muito mais lenta, afastando-se do barco com a aguagem. A chumbada chega ao fundo e a isca possivelmente e dependendo da força da aguagem e penso que do peso da chumbada, ainda paira, descendo lentamente na coluna de água e sujeita a ataques diversos ao longo desta descida. Tudo pode acontecer... ataque de peixe miúdo que certamente despertará outros interesses; ataques de outros não tão miúdos que passeiem acima do fundo e gostem de comida em movimento!?
Suponhamos que nada aconteceu entretanto e a isca chega ao fundo intacta ou com uma ou outra mordida. Certamente estará a uma dezena ou mais de metros da chumbada, bamboleando-se e despertando outros interesses de forma, quanto a mim, mais apelativa do que a permitida pelo metro de estralho da baixada que pesca ao "Fundo". Ah... também se pode lançar mais longe, depende do sentir do pescador ou do seu conhecimento sobre o que possa andar lá para onde lançou.

Eh Pá... o gajo pirou-se com a "Chumbadinha"! Dirão alguns de vós!?
Ao que respondo: nem pensar!
Não me parece que uma só forma de actuação resulte em qualquer situação e muito menos no mar. Isto porque muitos factores actuam como variáveis em cada dia, sendo o humano talvez o mais influente.

Uma coisa é certa, a forma de descida da isca e a distância da chumbada em que se pode conseguir  o assentamento no fundo, considerando a enorme área explorada pela iscada, parecem-me de uma riqueza extraordinária no que se refere a "procurar", desafiar e até antecipar um ataque de peixe que já procura as nossas baixadas ao "Fundo". Portanto, há que utilizar "Fundo" e "Chumbadinha", só "Fundo" ou só "Chumbadinha", dependendo das condicionantes que se apresentem em cada dia, cada pesqueiro, cada leitura de sonda, época do ano, estado do mar e do vento, pescando a solo ou acompanhado, número de pescadores a bordo versus espaço oferecido pelo barco e até intenções destes quanto a trabalho de equipa, entre outros factores que não me lembro por agora.

Concluindo, posso dizer o seguinte:

Já tinha visto na net resultados obtidos por outros companheiros, já tinha experimentado uma ou outra vez sem grande sucesso, já tinha lido sobre o assunto; e, acabei por ver, ao vivo e a cores, em pesqueiros escolhidos por mim, com toda a intenção de conseguir algum sucesso.

Esta análise, baseia-se neste último parágrafo e em outros conhecimentos de pesca que tenho vindo a desenvolver por resultados e observação contínua, onde a "Chumbadinha" será mais uma ferramenta que quero aprender a utilizar, da melhor forma, na minha pesca.

Nesta técnica, quando chegar aos "júniores", conto por aqui o que souber, assim como outros a mim me contaram e a quem agradeço a partilha. Por agora, ainda me sinto nos "iniciados".

Entretanto e considerando que, certamente, existirão por aqui omissões e/ou más interpretações, agradeço a companheiros mais informados que intervenham, no sentido de melhorar a informação prestada.

Boa noite a todos os leitores.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A preguiça e... outras coisas que gostaria de saber!?


Os escritos que vos deixo, tendo à partida em conta tudo o que por aqui já prosei, partem normalmente de uma ideia e, por vezes, adequam-se conforme pescas anteriores, momentos em que tinha uma intenção mas, por razões diversas, não a consegui concretizar e até por, ao fazer outras pescas, acabar por compor algo diferente do previamente pensado.
O presente artigo, encaixa-se no último caso, atendendo a que, da intenção de escrever sobre as pescarias realizadas de 9 a 11 de Setembro, considerando acontecimentos específicos, sucederam-se respectivamente: a impossibilidade de o concretizar em tempo; outras pescas que culminaram no passado dia 24; e até, trocas de impressões com outros pescadores que me "tocaram numa ferida": nunca me debrucei seriamente sobre a questão das vantagens ou desvantagens de ir cedíssimo para a pesca!? Sinceramente... prefiro vir tardíssimo!
Como se tal não bastasse, cada vez que o tentei, e nem falo de normais saídas pelas 8.00/9.00  horas (cedíssimo para mim), mas sim de sair ainda de noite e começar a pescar ao raiar do dia; só por volta das onze e tal é que começo a apanhar uns peixes... quando começo!? Terá sido castigo por pecado mortal da preguiça?
Certo é que precisaria de sair cedo assiduamente para "sarar" aquela "ferida" que referi... a tal de continuar sem saber coisas que gostaria.

A introdução anterior revela os pensamentos que me assolavam enquanto mirava a foto de entrada, correspondente ao dia 9 de Setembro, na companhia do João Martins, envoltos numa névoa que não deixava perceber a saída às 11.00 horas e de forma alguma prenunciaria para muitos de nós que o primeiro peixe a bordo seria este...


... também que os dois primeiros fossem estes...


... nem pensar que logo a seguir entrasse este (o primeiro grande do João)...


... que comporia esta pesquita de meia hora...


... culminando nesta bela caixa de peixe que nos trouxe a terra por volta das quatro da tarde, felizes e contentes...


... outra vez com o nevoeiro por companhia.


Outras pescas se sucederam, mais ou menos frutuosas, mas sempre com exemplares que podendo não ser o principal objectivo da pesca, sem dúvida a abrilhantaram, não deixando os meus amigos de mãos a abanar, como foi o caso do dia seguinte com o João, o Tózé e o Nuno Mira onde, à falta de Pargos, se conseguiram umas boas Douradas, como esta...


... esta outra...


... e ainda esta.


A felicidade, parece-me algo que devemos ser nós a contribuir para que exista e se acham que não... olhem só para a felicidade do moço da foto seguinte, quando lhe saiu um Besugo, em dia pouco produtivo, mas onde os sinais se apresentavam de modo a que assim não fosse. Coisas da pesca... nem sempre se consegue acertar.


O mesmo não se pode dizer da pesca seguinte, em que o João Martins, à segunda descida de isca, bisa em grandes com este que pesava 6,240 kg...


... logo seguido daquele outro que está agora no chão, ao lado do dele, capturado pelo gajo da Crock e que pesava metade... acho que está criado um "monstro"!?


Depois destes dois, capturámos mais um Safio e uma Dourada, achando que já chegava de peixe e voltámos para terra com muito para contar, durante o habitual jantar técnico que antecederia a última pescaria até ao momento que, não sendo brilhante, ainda permitiu a captura de alguns exemplares, como a Dourada do Carlos Jorge...


... e o Pargo do outro Carlos, em pesqueiro só encontrado tardiamente.


As reflexões iniciais e os resultados documentados, continuam no entanto sem me resolver a tal questão... será que se saísse para a pesca mais cedo não capturaria mais e/ou melhores peixes? Ou será que sou preguiçoso e, nesta minha pesca, nunca chegarei a ser capaz de discernir sobre tal?

Sobre a questão da preguiça, resolvi consultar o dicionário, na procura de justificações para me catalogar, ou não, como preguiçoso convicto e, passando a definição de preguiça como género de mamíferos, desdentados, bradípodes da América do Sul que fisiologicamente não se aplica, encontrei ainda as seguintes:

A. Demora ou lentidão em agir.
B. Gosto de estar na cama, de se levantar tarde.
C. Propensão para não trabalhar.

Da análise às definições encontradas e reflectindo sobre o meu próprio comportamento, considerei o seguinte:

- Sobre a demora ou lentidão em agir, nem pensar! Se estou em acção de pesca, tais questões nem se colocam... aquilo é sempre a funcionar, sem agitação, mas com muito poucas paragens!
- Relativamente ao gosto de estar na cama e/ou de me levantar tarde... já depende!?
Se me deito mais tarde, gosto de compensar de manhã; mesmo quando me deito mais cedo, uma coisa tenho de assumir... não gosto de correr logo de manhã, preferindo saborear cada momento que antecede a saída para a pesca, atrasando-a por vezes, quase como "aqueles preliminares"... Não sei se me faço entender!? No entanto, também não acho que tal comportamento faça de mim um seguidor da preguiça!?
- Finalmente, sobre a propensão para não trabalhar... nem pensar! Quem me conhece de há menos ou mais tempo, sabe que se aplica tanto quanto a tal definição do mamífero sul americano!

Tendo em conta as reflexões anteriores, digamos que será mais o prazer de, à minha maneira, gozar cada momento de um dia de pesca e não a preguiça que me fazem ir mais tarde que o que parece ser normal e, consequentemente, não me permitir perceber se teria ganhos significativos com atitude diversa.

Verdade que ter barco próprio e estar num local que tem bons pesqueiros perto, contribui para a manutenção destes horários, pois se assim não fosse teria certamente de rever a coisa; embora quando pescava em Setúbal e fazia normalmente 15 milhas para ir pescar, só entrasse na água por volta das 8.30, conseguindo mesmo assim boas pescarias, tendo em conta os conhecimentos que tinha na época.

Não entendam os leitores esta entrada, como uma crítica a quem pratica os horários da alvorada, antes uma auto punição por assim não o fazer, decorrendo de tal, uma hora do dia sobre a qual não me posso efectivamente pronunciar.

Poderão agora questionar: "então... com esta conversa toda, vais começar a ir cedinho ou não"?
A resposta é: em princípio não!

Isto porque, por um lado, as condições do local e os conceitos que descrevi na entrada anterior,  fornecem-me matéria prima e ferramentas passíveis de manterem hipóteses significativas de continuar a evoluir na minha pesca, quer fundeada, quer noutras técnicas; por outro lado, sinto ter tanto para aprender geograficamente sobre Sines e a evoluir nos meus próprios conceitos que, sinceramente, não me apetece correr nessa procura; antes, fazê-la o mais calma e metodicamente possível.

Para terminar por hoje e ainda sobre a preguiça, importa referir que me parece ser esta mais preocupante para aqueles que não sendo preguiçosos acabam por se tornar, quando pensam que os peixes maiores estão lá de boca aberta aguardando as suas reais iscas e subindo continuamente, e, ao verificarem que assim não é, conseguem estar 10 minutos com baixadas desiscadas, em dias que os tais peixes desinteressantes, na verdade actuando como chamariz dos "outros", as destroem em segundos.

Resumindo, não vos posso informar sobre o que se passa entre as 6.00 e as 9.00 da manhã, pois pura e simplesmente também não sei!
Se algum dia o chegar a saber, não tenham dúvidas que coloco por aqui!

Boa tarde a todos os leitores! 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conceitos de pesca, exemplares, regularidade de capturas... existirá uma relação?


Dia 4 de Setembro de 2011... olho o tabuleiro, ainda por lavar, onde tantos quilos de isca já foram cortados em formatos diversos e penso como vos vou falar das últimas seis jornadas, repartidas entre 25 a 28 de Agosto e 2 a 4 de Setembro.

Os amigos fizeram-me companhia, pescando comigo sempre em equipa... como gosto!
Os relatos destas jornadas, caso entendesse individualizá-los, dariam para outras tantas entradas, correndo-se os riscos de, por um lado, deixarem de ser oportunas; por outro, tornarem-se repetitivas; ou ainda, trazer às luzes da ribalta as capturas, deixando passar ao lado o que penso terem sido as razões que as proporcionaram, para mim muito mais interessantes que o acto isolado da captura, sem que se retire a este a importância devida enquanto objectivo principal e corolário de todo um trabalho anterior.
Considerando o referido, vou tentar realçar alguns conceitos nos quais me apoio e que vou tentando melhorar, suportando-me para tal nos resultados que vou conseguindo e divulgando.

Para complementar este pequeno périplo e no sentido de não cansar os mais atentos, enviá-los-ei em momentos que me parecerem próprios para consultas de outras páginas, por aqui existentes, onde penso existirem reflexões fundamentadas e explícitas sobre algumas das razões que apresentarei.

Em qualquer actividade em que entendamos iniciar-nos, tentamos programar tudo de forma a que esta se torne o mais positiva possível quanto aos objectivos que pretendemos atingir. Para tal, importa estudar  os melhores caminhos a percorrer, tendo por base o conhecimento relacionado que hoje em dia está disponível por excesso, e, praticar... praticar o máximo, tentando aprender com os erros, caso estes sejam identificados. Isto porque, por nosso desconhecimento, por informação mal entendida/prestada ou outras tantas razões, por vezes estamos a errar e nem nos apercebemos ou, pior ainda, fingimos que não vemos, porque dá trabalho, porque também há ao nosso lado quem faça o mesmo ou até por questões de ego.
Não se tenham dúvidas... quanto maior for o conhecimento na área em que nos movimentamos; o trabalho pensado que nela investimos; os melhoramentos que lhe fizermos; e, a abertura a outras  e/ou novas ideias; mais diminuímos a intervenção dos factores sorte e/ou azar nos resultados que pretendermos obter.

Sobre os conceitos que considero mais importantes, vou direccionar a reflexão para os seguintes:

1. O que penso relativamente ao comportamento do peixe

Os peixes grandes ou pequenos vivem no mar e, em algum lugar estarão activos, uns comendo os outros e estes fugindo e/ou alimentando-se como puderem, todos eles passíveis de se atirarem às nossas iscas!?
Se não consigo dar com eles e capturá-los o problema é meu e decorre normalmente de conhecimento insuficiente, discernimento inadequado em determinada época ou más escolhas no que respeita a timmings em determinado dia/hora, entre outros possíveis. Considero portanto que as razões de um qualquer insucesso estarão sempre sediadas na minha capacidade/incapacidade, desde que  os companheiros que me acompanham estejam a trabalhar em equipa comigo, quando em acção de pesca.
Para melhor me explicar sobre o que resumidamente aqui disse, aconselho a consulta da seguinte página: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/hoje-no-h-peixe-uma-reflexo-9abril2007.html .

2. O tipo de zona/pesqueiro que vou seleccionar

Esta selecção terá sempre a ver com a relação: época do ano/profundidade/exemplares que se procuram. Isto é, se tento essencialmente o Pargo, em qualquer época, escolho beiradas de pontões altos, limpos e/ou entralhados, perto destes ou isolados no meio do nada; mais fundos, no Inverno e Primavera; e, menos fundos, a partir do fim desta, até bem dentro do Outono.
Caso procure Pargos e Douradas na época de concentração destas, já os resultados podem melhorar em zonas de pedra mais rija que se situem em cetombas pouco pronunciadas, para além dos incontornáveis entralhados ou limpos perto de pontões altos, talvez os melhores fundos em todas as épocas, independentemente da profundidade a que se pesque e no que à pesca embarcada em embarcação fundeada se refere, não tendo em conta a pesca de grande profundidade ao Goraz e Cherne, por exemplo, em que estes conceitos de pesqueiros sofrem alterações consideráveis.

Para melhor compreensão do que tenho em conta e o que faço relativamente à selecção de pesqueiros, aconselho a consulta, pela ordem colocada, das seguintes páginas: http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/procura-de-pesqueiros-1-parte-04fev07.html http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/c-estou-eu-outra-vez-para-continuar.html http://aminhapesca.blogspot.com/2009/06/descodificacao-de-termos.html#uds-search-results

3. Os cuidados para me manter na zona/pesqueiro eleito

A partir do momento em que acontece a selecção dum pesqueiro, num determinado dia, de uma determinada época, é por que se acredita que tal tipo de fundo, profundidade e sinais de sonda, formam o painel ideal para trabalhar o pesqueiro, mais ainda se os sinais dados pelos toques do peixe nas nossas iscas apontam para a actividade da bicharada, grande ou pequena que por lá anda.
Ora, tendo em conta que por vezes se sucedem intervalos de tempo significativos entre capturas dos exemplares procurados, assim como os sinais podem variar ao longo do dia; a pior coisa que nos pode acontecer é:
- Por sermos deslocados, por qualquer alteração de rumos de vento/aguagens ou soltar do ferro de fundeio, do que consideramos ser a zona quente, deixarmos de acreditar no pesqueiro e ficarmos sem entender se os intervalos entre capturas são os normais ou decorrem de alguma alteração de posicionamento, mesmo se os sinais de actividade sobre as nossas iscas se mantiverem. Se isto acontecer, o mais indicado será melhorar o fundeio, tendo em conta as novas condições de mar e vento, podendo assim continuar a acreditar na acção de pesca desenvolvida. Isto é o que sempre faço, salvo se a zona para onde fui deslocado não ficar muito afastada e mantiver a profundidade, as características de fundo e os sinais anteriores.

Para controlar continuamente o posicionamento no pesqueiro, importa ter alguns cuidados assim como alguma atenção aos sinais oferecidos e às capturas desinteressantes, como Bogas, Choupas e Sarguetas pequenas, Carapaus, Peixe-Piça e Ganopas.

Relativamente aos cuidados, devemos verificar, na Bússola, os graus a que estamos aproadas, sendo que desvios importantes, são indicadores de mudança de posicionamento que poderão ser ou não significativas.
Outro cuidado será tirar uma marca de terra, perpendicular ao posicionamento do barco proa-popa que nos permita verificar contínua e facilmente se o ferro está a ir à garra, o que por vezes pode não ser perceptível face a determinadas condições de mar e vento. Verdade que poderemos fazer o mesmo mantendo o GPS ligado, mas obriga-nos a deslocar várias vezes à cabine, para além de significar um gasto importante de bateria.

Relativamente aos sinais oferecidos pelas capturas desinteressantes, considere-se o seguinte:

Um pesqueiro que durante uma hora ou mais só nos dê Bogas, tem tendência a ser pouco produtivo, isto porque, mesmo apresentando uma qualidade de fundo assinalável, poderá estar numa zona fora da passagem do peixe que queremos. Já se às Bogas se vierem juntar Sarguetas, Choupas pequenas e um ou outro Carapau, a coisa, no que respeita a peixe maior, vai-se compor, quase de certeza!?
Umas quantas Ganopas no início da pesca... tudo bem! Mas, se ao fim de uma hora e tal de pesca, num fundo entralhado, em que já capturámos uns peixes de qualidade, nos surge num anzol uma Ganopa, é um fundamento suficiente para verificarmos o fundeio.

Dou-vos um exemplo vulgar, acontecido há poucos dias: estávamos a pescar nuns entralhados a 50 metros de profundidade, rodeados por pequenos pontões a 47, 46 e 48 metros, tínhamos tirado várias Douradas, uma Bica, um Sargo Veado e um Pargo com uns 4 kg, sendo que entravam um ou dois peixes e esperava-se quase meia hora até que entrassem mais um par deles, nisto entra uma Garoupa da Pedra (Ganopa), o que estranhei, atendendo a que, ou entram de início ou quando entram mais tarde podemos ter mudado de pesqueiro pois são muito territoriais. Abri a sonda e já não estava nos 50 metros mas sim nos 46 e o hiato de tempo sem capturas, sendo aceitável caso estivesse no entralhado aos 50 metros, já não o era em cima dos bicos em que nos encontrávamos. Em pouco tempo decidi-me pela melhoria do fundeio e as capturas de exemplares de bom porte tornaram à sua regularidade.

Ainda sobre os sinais, referindo-me agora ao Peixe-Piça, mais frequente quando se pesca muito perto das beiradas de pontões, será um mau sinal se durante muito tempo subirem, ferrados por aqui e por ali, sem qualquer entrada de peixe maior, possivelmente estaremos demasiado chegados à pedra ou os que queremos andam por outras bandas. Caso subam intervalados com exemplares maiores e ao fim de algum tempo só existam eles, melhor será verificarmos o fundeio, pode ter havido alteração de posicionamento.

Todos estes peixes a que chamo desinteressantes, são no entanto nossos amigos... por um lado, com o seu frenesim a despedaçarem as nossas iscas, criam vibrações e espalham sucos atraentes para qualquer predador que se preze e paire nas redondezas. Por outro lado, quando de repente param de comer iscadas enormes, ao minuto, dão-nos sinal importante da chegada de "alguém maior" eventualmente interessado neles ou nas nossas iscas.

4. O meu comportamento e dos meus companheiros em acção de pesca

O comportamento dos pescadores, em acção efectiva de pesca, deve adequar-se ao que se pretende capturar e aos sinais dados pelos toques, por sua vez indicadores do tipo de peixes que estão a comer e consequentemente do que ainda estará para vir. Importa portanto, para falar sobre este conceito, caracterizar os tipos mais importantes de sinais que têm estado na base de jornadas de sucesso e que arrisco dividir em três tipos, assim como, pronunciar-me sobre as reacções comportamentais a bordo, face a cada um deles. Ora vejamos...

Tipo A: O mais vulgar, em que, logo que se inicia a acção de pesca ou alguns minutos depois, os "gaiatos" comem que se fartam as iscadas enormes só de Sardinha e/ou de qualquer isca grande ou pequena que lá se coloque, em ataques trémulos, por vezes imperceptíveis, mas de uma eficiência a toda a prova no que a velocidade de gamanço se refere, só parando quando um dos maiores se aproxima, interessado neles ou na iscada que lá colocámos.

Uma jornada deste tipo, requer do pescador uma acção contínua, ininterrupta, física e psicologicamente esgotante, no que respeita à reposição de iscas, mantendo uma atenção constante sobre dois aspectos essenciais: um, perceber ao elevar a cana, a diferença de peso que indica ter ou não ter isca, repondo-a de imediato; outro, estar extremamente atento a paragens na roubalheira, normalmente indicadoras da entrada de peixe grande no pesqueiro. Não se tenham dúvidas... quem terá mais hipóteses de ferrar  mais e maior peixe, será aquele que mantenha durante mais tempo as iscas activas e também o que estiver mais atento; duas condições que com o passar das horas se tornam cada vez mais difíceis de manter.

Tipo B: Não tão vulgar como o anterior, mas acontecendo com alguma regularidade, principalmente quando, como tudo indica, os grandes já estão no pesqueiro. Neste caso, poitamos, iscamos, deixamos cair as iscas lá em baixo e nada. Nem um toque, nem uma mordida por pequena que seja. Espera-se por vezes meia hora, em que consultamos a sonda e continuamos a ver marcação interessante, assim como o mesmo fundo em que estávamos quando fundeámos, enquanto as iscas continuam intocadas, desafiando a nossa credibilidade no pesqueiro. Olhamos à volta procurando bandeiras indicadoras de redes que por vezes se mascaram na sonda como boas marcações, mas nada disso, nem perto.
De repente uma das canas verga-se e uma luta dura acontece, culminando na captura de um exemplar de 2, 3 ou mais quilos, logo seguido de outro de tamanho idêntico ou maior.
A partir deste momento, dois comportamentos diversos se têm observado: umas vezes, parece que rebentou um cano de peixe miúdo que começa a comer desalmadamente, só parando quando torna a entrar peixe maior e retornando após captura destes; outras vezes, mantém-se a calma podre com que iniciámos, interrompida aqui e ali por capturas de bons exemplares que acabam por compor excelentes pescarias em qualidade e até quantidade no fim da jornada.

Nas condições referidas o comportamento do pescador é essencialmente de manutenção da atenção por períodos, por vezes longos, intervalando com reposição de iscas quando se verifica a entrada de peixe miúdo ou, pura e simplesmente, aguardar calma e atentamente a sua vez de conseguir um exemplar a sério, por vezes diversificando iscas e formatos de iscadas.
Digo-vos sinceramente, são o tipo de jornadas que requerem grande confiança em quem poitou o barco, assim como nas características do fundo em que se pesca, muito pela ausência dos sinais dados pelos toques, neste caso com pouca frequência, significando um silêncio ensurdecedor e espectacular.

Tipo C: O mais invulgar, não sendo raro, mas uma bênção a bordo!
O pesqueiro aparece na sonda explodindo em sinais laranjas e vermelhos agarradinhos ao fundo. Poitamos, iniciamos a acção e, os toques surgem, agressivos e mais fortes que o habitual, intervalados com um ou outro roubo de isca aos pescadores mais descuidados que também acabam por capturar um pouco de tudo... ele é Sargos. Douradas, Pargos grandes pequenos e médios, Saimas, outros peixes pouco habituais como os Alfaquins, sei lá... uma festa!
Por vezes a pesca acaba cedo, para evitar excessos de peso e, os sorrisos a bordo substituem as caras atentas, as dores nos braços e a incerteza contínua dos Tipos anteriormente caracterizados.
Muitos principiantes ficam em estado de graça se têm a sorte de cair numa pesca destas que pode ser a melhor ou pior coisa que lhes aconteça, dependendo da capacidade de entenderem que este é o dia mais invulgar que lhes poderá suceder em toda a sua vida. Tudo fácil!

Quanto ao comportamento dos pescadores num destes invulgares dias, pois até dá para parar, curtir umas minies e tal... ou, tentar o maior exemplar aprimorando tamanhos e forma de iscar.
Para todos os efeitos é caso para dizer: gozem-no bem! Tão cedo não vos vai calhar coisa deste Tipo!

5. Materiais e iscas a utilizar, como e porquê

Sobre materiais, sabendo que vou danar um amigo ou outro, não me vou alongar em grandes explicações, antes vos envio para a página  http://aminhapesca.blogspot.com/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html onde, de forma exaustiva, falo e fundamento as minhas escolhas. Escolhas estas que tendem cada vez mais para anzóis maiores (6/0) e estralhos mais compridos e grossos (1 metro, de 0,45/0,50), muito devido ao uso de iscadas cada vez maiores, assim como, a fugas de exemplares maiores derivadas de cortes em pedras e em bocas.

Sobre as iscas, usam-se lá a bordo as seguintes:

Sardinha: funciona como isca-mãe, pois tanto engoda, quanto captura qualquer das espécies procuradas.

Caranguejo: uma isca que pode ser rainha na altura da concentração de Douradas, muito procurada pelo Pargo, a partir de Setembro e com bons resultados quando encostada à sardinha.

Camarão: imprescindível para intervalar com a sardinha, iscado inteiro e com casca, em qualquer tipo de jornada.

Cavala, Lula e Choco: a primeira, podendo funcionar como a sardinha, mas com menos efeito de atracção e, as restantes, muito boas, quando encostadas a uma isca mãe. Confesso que o Choco tem sido esquecido ultimamente, mas pode fazer a diferença em dias de muito peixe miúdo.

Não coloco em causa as capacidades de outras iscas, mas estas são de facto as que se têm mostrado genericamente mais efectivas na minha pesca.
Sobre este assunto (iscas), está em preparação uma entrada mais exaustiva e documentada. Vão ter de aguardar com alguma paciência.

6. Acções de improvisação quando tudo se complica e/ou está a falhar

Todos os conceitos anteriormente analisados, no seu conjunto, muitas vezes não chegam! É verdade!

O vento aparece com mais intensidade que a esperada, aguagens adversas e atravessadas ao vento criam péssimas condições de pesca, diminuindo o seu tempo útil e é hora de tomar decisões!
Neste caso, duas coisas se podem fazer: voltar para o porto e esquecer o assunto, ou, improvisar... tendo sempre como principal objectivo maximizar o tempo útil em acção de pesca.
Optando pela última decisão, há que aproar a uma zona mais ou menos adequada à época e salvaguardada das condições agrestes, procurar um pesqueiro conhecido, de preferência com fiabilidade algo comprovada (ver em: http://aminhapesca.blogspot.com/2010/10/fiabilidade-comportamento-de-pesqueiros.html ) e, gastar tudo o que se sabe e o restante tempo de pesca da jornada. Isto porque, condições de mar e vento adversas, são más conselheiras para procura de novos pesqueiros e, neste tipo de pesca, não se captura peixe a andar de barco. Quem sabe, com tempo e paciência não se salva a pescaria!?

Com base nos conceitos e análises produzidas, pescou-se nos períodos referidos, em seis jornadas, todas com bons resultados, dos quais vos deixo, em registo fotográfico, alguns dos melhores exemplares capturados.

O  Luís Nascimento, com o seu melhor Pargo:


O Arménio, conseguiu este:


Acho que conhecem a Crock!?


A maior Dourada do Paulo:


Outra vez o Arménio, com um "Sarguito":


Ainda agora apareceu a Crock, agora aparece o chapéu e o bigode... quem será?


Olha o Arménio... também capturou Douradas!? Boa!


Serrajão? Boa António Amador!


Ora esta... também tu Pedro!?


Ele é Serrajão... ele é Dourada... há de tudo nesse mar!?


Outra vez o fulano do bigode... e o chapéu? Onde o deixaste?


Olha o Vitor... há muito que não se deixava ver! Desde o monte... aquele da gata!


E o Raimundo que não deixou os seus créditos por mãos alheias!


Olha o Paulo... vai Douradita!


O quê? Outra vez? Também há Sargos Veados nesse mar?


E o Martinho que se viu grego... mas acabou por trazer a sua!


Era bom que o meu amigo Carlos Jorge, não capturasse o seu quinhão... pena não termos tirado a foto da dupla! Fica para a próxima.


Este fulano não larga isto... Que raio! E o chapéu? Oh mastronço!!! Ainda te constipas!?


Uma das pescarias:


Os meus companheiros também em pose:


Fora brincadeiras e em resumo das análises e reflexões produzidas importa referir o seguinte: para que tudo isso funcione, é imprescidível que todos os pescadores a bordo estejam na mesma linha de actuação e motivados para o funcionamento em equipa. Caso contrário, o melhor mesmo é pescar a solo.
Aos amigos que comigo participaram nestas jornadas quero agradecer precisamente a camaradagem e o trabalho em equipa sempre presente a bordo!
Quanto à questão que coloco em título, deixo aos leitores o trabalho de, face à sua experiência, ao escrito e aos resultados; dizerem de sua justiça.
Espero que se divirtam ao percorrer estas páginas e... até uma próxima!

Boa tarde

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Família, pesca difícil, barco, procura... sucesso!


As férias com a família tem destas coisas... cadeira de café da praia, em cima; brincadeira com a neta, em baixo...


Sardinhadas com amigos, tudo ao som do vento que deu poucas tréguas e...


... outras interrupções do ciclo de pesca, como ter de levantar o barco para manutenção anual. Mas tudo faz parte e é necessário!


Na verdade, já precisava, como se pode verificar na imagem abaixo.


Poderia aguentar mais uns tempos, no entanto se há que o fazer, criadas as condições, para a frente é que é caminho.

Vá de lavagem!


Vá de dureza!


Toca a limpar metais!


Chega a hora da preparação para a pintura e...


... a acção em si.


Trabalho acabado, roupa de trabalho fora, tirar fitas e barco para a água que a pesca já tarda!


Na verdade, algumas pescas se fizeram, já documentadas, também elas duras e pouco frutíferas, talvez devido à dispersão causada pelas condições referidas ou talvez não!?

Sobre esta última questão, analisemos e reflictamos sobre as três jornadas que sucederam as interrupções e os trabalhos.

Na passada Sexta Feira, coloquei o barco na água e fui pescar tarde, com o João Martins e os seus filhos, Suzana e José, numa perspectiva de reapalpar os terrenos de pesca desta época, a par com baptismos dos mais novos neste tipo de pesca e com um olho no comportamento do barco após manutenção. Muito bom!

A pesca, para não variar relativamente às anteriores três saídas, foi dura e pouco auspiciosa!

Poderá dizer-se: ah e tal, ia-se com muita coisa no pensamento... não é verdade!
O tempo e as acções em utilização nos pesqueiros teriam sido mais que suficientes para produzirem outros resultados, para além  de dois Parguitos e da única Dourada que entrou pela mão da Suzana, feita uma pescadora.


Muito peixe miúdo a roubar no primeiro pesqueiro; e, muito pouca actividade no segundo, mal grado as quase duas horas que gastámos em cada um deles, tudo indicando que os maiores e até mesmo os não tão grandes, não estavam no circuito testado. Havia que mudar de zona no dia seguinte, em que o Nuno Mira, o Pedro e o João seriam os companheiros de desdita!
Desdita? Questionarão alguns de vós!? Passo a explicar!

Começámos em mares de fora, continuámos em mares intermédios, corremos a mares de terra, gastámos tempo e trabalheiras em todos eles, sendo que a jornada se resumiu a uma Bica, um Pargo de 1,500 kgs e este do João, sua estreia na pesca e na espécie! Mau... francamente mau!


Poderá dizer-se: o dia foi bom, fomos para o mar, viemos bem... mas o certo é que algo não funcionou relativamente à pescaria!

Nestas alturas questionamos tudo... montagens, qualidade da isca, condições climatéricas, horas em que se foi para o mar... mas, pessoalmente, acredito que a principal razão estará sediada nos locais escolhidos para pescar. Muito pelos sinais transmitidos pela sonda e em acção de pesca, senão vejamos: os pesqueiros escolhidos mostravam peixe; alguns estavam mais activos, outros menos; mas, o certo é que o tempo em que se actuou em cada um deles, à semelhança de muitas outras jornadas com resultados superiores, teria sido suficiente para mais e melhores capturas, o que não aconteceu!

Nestas alturas o que costumo fazer é, pura e simplesmente, esquecer todos os pesqueiros que conheço e procurar sítios novos, em zonas onde ando para testar há algum tempo e que se enquadrem, em termos de profundidade e qualidade de fundos, com a época actual.

No Domingo, com o Tózé e o João Maria, foi precisamente o que fiz!

Numa profundidade a que chamo intermédia para esta época do ano, cinquenta metros; e, numa zona onde nunca sondei, embora não fique longe de outras referências, procurei, tornei a procurar e encontrei um fundo com boas características, enquadrado em zona que já deu outros frutos, embora em pesqueiros mais afastados. A exploração da novidade, sempre nos traz outros alentos e após fundeio seguro, iniciámos a acção de pesca.

O pesqueiro revelou-se lento quanto a sinais. Primeiro, nem nas iscas tocavam; depois, começaram a comer as barrigas das postas de Sardinha; mais tarde, as postas inteiras já desapareciam; e, de repente, sem nada que o fizesse esperar dá-se a primeira luta... e que luta!

O Bicho era grande, fugiu para longe cabeceando e levando linha à farta antes de partir o estralho, ao que tudo indica por roçar em pedra, já que este vinha desfiado e cortado junto ao destorcedor de inserção na madre! Azar, talvez embraiagem demasiado leve ou um pouco de ambas as coisas!?
A partir daqui, o pesqueiro alterou-se, vindo a Sardinha a ser consumida rapidamente e peixes de bom tamanho a entrarem espaçados, como esta Dourada que apresento:


Este Sargo Veado que calhou ao João Maria:


E ainda este outro exemplar tirado com Cavala fresca pelo Tózé...


... entre outros que culminaram na pesca que se vê, podendo esta ter sido ainda abrilhantada por outros dois exemplares bem maiores que fugiram, respectivamente ao Tózé e ao João Maria que, a subirem ao poço, teriam tornado este dia inesquecível.


Cá estão os orgulhosos e teimosos pescadores no topo da pesca.


Resumindo a jornada, parece poder dizer-se que estávamos no caminho das "estrelas", fruto da procura e da alternância de locais de pesca. Pena ter de fazer mais um interlúdio de pesca o que dificultará fundamentar razões do acontecido, mas certamente utilizando os mesmos métodos e conceitos e melhorando-os aqui e ali, as vitórias continuarão a aparecer, servindo as derrotas para as abrilhantar.
Entretanto, ficou mais uma marca de respeito no GPS, mais uma zona que tem muito por explorar e, quem sabe, para dar, na época que decorre. Vamos ver!

Mais uma vez a sardinha foi a Rainha da festa, à excepção da Dourada do Tózé que caiu à Cavala fresca.

Uma boa noite a todos os leitores e até à próxima.