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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atitudes, Iscas, Iscadas, Processos e... Algumas Capturas


Diversidade de gostos, para além de ser bonito, é coisa que não falta. Uns adoram tirar fotos colocando os peixes como se vissem mal ao longe, pessoalmente, prefiro compará-los com o meu pézinho de Cinderela, principalmente quando se proporciona um raid a solo ou, se entretanto aparecer alguém que não se importe de agarrar na máquina e fazer o boneco, gosto de os mostrar encostadinhos ao peito, ou quase... coisas do coração!

À volta de colocar a escrita em dia e por não gostar de só mostrar peixes capturados, tento olhar para trás, rever os momentos e tentar perceber as razões das capturas, no meu caso, sempre encostadas a processos de pesca que tentam minimizar a intervenção do factor sorte. Sinceramente, não me tenho dado mal e é assim o meu gosto. Certo é que, a captura deste exemplar e mais alguns peixes que o acompanharam, não as posso olhar de forma alguma como obra do acaso, antes, como resultados de um conjunto de atitudes e decorrentes acções que foram sendo adequadas aos sinais e resultados, ou falta deles, permitindo transformar uma jornada de nada, numa outra que me deixou sorriso aberto. Sorriria na mesma, mas assim a "tacha" arreganha-se de outra forma.

Não pensem que tenho estado completamente parado, não tenho é conseguido andar por aqui. Quem diria... reformei-me e os afazeres são muitos, quase todos ao sabor do meu tempo e esse é o problema... quase todos.

Não me queixo, antes, gosto de me mexer, trabalhar e sentir que faço falta, ou não sejamos todos assim!?

Mas vamos ao que interessa!

8 a 10 de Novembro, andei por Sines a resolver a questão do depósito do barco e vá de pesca, com o Brás e o João Martins, dando nos Pargos de 1,5 a 3 kgs que junto a cinco Douradas iguais a esta que o Brás mostra aqui por baixo, atingiram o peso máximo legal com alguma rapidez.


Depois, mais um interregno, interminável, até este passado fim de semana, em que voltei ao meu paraíso de pesca, pescadores e petiscos que só os Alentejanos sabem preparar. Pesca, Domingo e Segunda, aguardava-me, combinada com os meus amigos de Évora, no Domingo e pessoal de Sines, na Segunda. Estes últimos acabando à própria da hora por não poderem vir, ficando assim com a Segunda Feira a solo. Grande problema... deles claro!

No Domingo a coisa não correu bem e a culpa, como sempre, só pode ser minha!

Vários erros cometi... em primeiro lugar, não sei bem porquê, ia para o mar com a ideia de que daria facilmente com o peixe; depois, saí do primeiro pesqueiro, com peixe miúdo a roubar, mais cedo do que é normal, sendo que a partir daqui, paciência... a asneira já estava feita e o tempo que sobrava já de pouco nos valeria. Bem feita!
Todos temos os nossos dias parvos e este foi um dos meus, sendo que o mar depressa me reduziu à expressão mais simples como tão bem o sabe fazer.

Serviu-me de emenda na segunda feira, outro dia, desta vez sem a preocupação de ter amigos que sempre quero que apanhem uns peixes e com a única ideia de pescar, para além das capturas que pudesse vir a conseguir.

Eram umas 10.30 da manhã quando saí a boca do Porto de Recreio, em direcção a Sul, muito por ter verificado que, na zona das Douradas de Norte, estava por lá muita gente e não me apeteciam ajuntamentos.

Procurei um pesqueiro habitualmente frequentado pelas "moças de oiro" nesta época do ano e para lá me dirigi, observando à chegada que um daqueles navios de contentores que descarregam no cais 21, estava fundeado, aguardando descarga, mesmo em cima do pesqueiro que escolhi, coisa que não é a primeira vez que acontece. Não desarmei, aquela zona é grande e as tais "moças", por vezes espalham-se por ali.
Sondei, encontrei uma marcação interessante e fundeei, iniciando de imediato a acção de pesca.

O peixe comia pouco, uma vezes roubava no anzol de cima, outras, no anzol de baixo, iscados com Caranguejo e Sardinha, alternados em altura a cada descida, raramente completamente roubados mas sempre com sinais de terem sido mordidos. Não sabia se já lá andava peixe grande e estava indeciso ou se, pura e simplesmente, só lá habitavam as bocas pequenas que mordiam as iscas, talvez a medo!?

A acção de pesca decorria, num ritmo intenso, repondo e variando iscas e iscadas que quase sempre subiam  parcialmente comidas.
Uns toques repetidos e intervalados fizeram-me ferrar alto e o primeiro peixe, com direito a entrar na geleira, subiu a bordo aos sacões... um Sargo que dava para o jantar de dois homens feitos. Fiquei animado, pensando que talvez a coisa não se ficasse por ali.
Outra vez Caranguejo e Sardinha, mais Sardinha e Caranguejo, num sobe e desce contínuo e ininterrupto; um toque conhecido, uma ferragem alta e a pancada certa de uma Dourada pequena que teimava em ficar lá pelos fundos, mas que subi, garantindo assim o jantar pelo menos para três. Que raio... será que é agora que elas vão dar um ar da sua graça? Questionei-me!
Mas não, eram já passadas umas três horas e o pesqueiro quanto a sinais, em vez de melhorar, foi piorando até ao ponto em que as iscas quase não eram tocadas. Ainda isquei grande, não fora andar por ali "quem" não ligasse a petiscos, tornei a variar para pequeno mas, na verdade, aquilo morreu mesmo. Eram quase três da tarde e duas opções possíveis me restavam: voltar ao porto e tratar do barco, de mim e do jantar, ou procurar um pesqueiro perto, daqueles a que já por aqui chamei "fiáveis", e tentar o fim de tarde. Optei por esta última, para lá me dirigi e fundeei de novo, com sondagem e manobra rápida, frutos colhidos de tantas vezes que por lá pesquei. Melhor de tudo... os sinais oferecidos pela sondagem até que não eram nada de se deitar fora. Entusiasmei-me como se neste momento tivesse iniciado o dia. Vamos ver... disse para com os meus botões.
Iscas para baixo, agora só sardinha, e, roubo quase imediato. Gostei ainda mais.
Sardinha à posta, meia Sardinha, Sardinha à posta, Sardinha inteira, mistura com Caranguejo, outra vez Sardinha à posta..., foi de mais para um Sargo de quilo e tal que não resistiu a tanta azáfama. A coisa compunha-se!
Tiro foto, não tiro foto... não há tempo que o Sol  vai cair rápido. Logo tiro se valer a pena!
A acção não parava e outro Sargo grande entrou, fazendo-me pensar que nada tinha ainda terminado. Talvez até algo maior ainda entrasse, mesmo as Douradas que não raras vezes aparecem por ali, dentro e fora desta época. A tensão era a necessária, os sentidos todos em alerta e, mais um toque, mais uma ferragem, mais uma luta, desta vez foi um Pargo de 1,5 kg que subiu ao poço.
Penso para comigo que o pesqueiro não me enganou. Pena o Sol já estar tão baixo, mas vamos ver!?
Iscas para baixo, anzóis limpos para cima, pesca arrochada, estralho partido, novo estralho, novas iscadas, linha para baixo e... não picam ou já me roubaram e nem senti?
Aguardo um pouco, sinto como que um puxar matreiro, a seguir um só toque pequeno, curto, seco, e... arrisco a ferragem!
A cana dobra, a baixada inicialmente parece não querer sair do fundo, iniciando-se de imediato os sacões compridos levando a baixada para a proa do barco, na direcção da leve aguagem que se fazia sentir, sempre à cabeçada longa, não deixando grandes dúvidas sobre o interlocutor que venderia cara a entrada na cozinha fosse de quem fosse.
A luta prolongou-se para além do habitual, mesmo para um peixe do tamanho deste, mas o certo é que acabou por ir subindo, chegando à amura do Makaira, onde lhe meti o enxalavar, o subi a bordo e lhe tirei a foto que abre esta entrada. Pesou na minha balança, onde uma garrafa de água de litro e meio pesa 1,480 kg, uns belos 6,200kg.
Mais tarde, já no porto, um amigo pescador tirou-me a que se segue, onde o tenho perto do coração e mostro o sorriso malandro de quem não desistiu, "porfiou e matou caça"!


E foi assim meus amigos... dias diferentes, provando uma vez mais que a acção persistente e diversificada, assim como atitudes e comportamentos adequados dos pescadores face aos sinais de uma jornada, podem pesar fortemente nos resultados da mesma, dando um contributo valioso para a diminuição da intervenção do factor sorte na nossa pesca.

De tudo isto, iscas, iscadas, materias, montagens e suas aplicações ao longo de uma jornada de pesca; quero convosco trocar ideias, experiências, resultados..., ao vivo e a cores, no próximo dia 16 de Dezembro, em mais um Workshop, com enquadramento no site Porto de Abrigo e mais uma vez com o apoio do Hotel do Sado, em Setúbal, cujo título de divulgação se encontra na imagem seguinte.


Quanto aos objectivos desta acção, deixo-vos o geral, parecendo-me que tem "pano para mangas" e  tende a provocar conversa de pesca como se não houvesse amanhã. Para além disso é bonito sair do blogue e conversar convosco. Eu gosto!


Para mais informação aos interessados, cuja disponibilidade lhes permita estar presentes, podem consultar o documento com as condições de realização, programa e processo de inscrição, clicando na imagem que se encontra no topo da coluna da direita da página inicial do blogue, no site já referido no sector "Pesca Embarcada" e também na minha página do FB.
Podem ainda contactar-me telefonicamente através do n.º 96 357 91 32 ou, pelo seguinte endereço de mail.
Mais informo que o prazo de inscrições, inicialmente previsto até às 24.00 horas, do dia 5 de Dezembro, se prolonga até às 24.00 horas, do próximo dia 10 de Dezembro, no sentido de dar oportunidade aos eternos atrasados.

Por hoje fico-me por aqui, este fim de semana é capaz de haver mais pesca!? Depois conto.

Até lá, uma boa noite para todos vós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Workshop Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar / Fundamentos, pescarias e até algum azar!?


O Título, comprido e estranho... qual imperfeita introdução que nem bate certo com a foto de abertura com  mar, pôr do sol e elementos relacionados com pesca, aquela que andei a fazer pelos mares de Sines, entre os passados dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, intervalada com uns trabalhos no barco, outros de casa e sempre com tempo razoável, não fora as chuvadas de segunda para terça e alterações de clima que variaram continuamente permitindo no entanto alguns dias de pesca com mar relativamente calmo e algumas capturas, assim como, acontecimentos mais ou menos estranhos e até menos bons.
Neste momento da conversa, penso para comigo que a maioria dos leitores estará certamente intrigada e continuará sem entender muito bem o título ou sequer onde a conversa vai dar!?
Sem problema... eu conto!

A foto de abertura, coloquei-a porque me faz lembrar uma destas jornadas, muito boa entre as outras e também por ter o condão de me relaxar enquanto penso e escrevo.

Os dias correram calmos, pescando com o João Martins, com o Zé Beicinho, mostrando aqui um dos melhores exemplares da pesca de segunda feira, em que gozava o seu último dia de férias bem merecidas...


... exemplar entre outros do mesmo tamanho que compuseram uma caixa bonita sem no entanto aparecerem aqueles maiores que sempre procuramos. Mas deu para gozar a pesca, testar outros pesqueiros, rir, conversar e até sentir que tudo funcionava.

Outros dias se aguardavam... uma quarta feira que não se sabia de dava para pescar e uma quinta feira em que me fariam companhia os meus amigos Tózé e João Maria que de vez em quando saem da cidade do Templo de Diana e da Capela dos Ossos para me fazerem companhia pelos mares de Sines.

Mas vamos falar da quarta feira, do inesperado e de acontecimentos que pode dizer-se: justificam o tal Workshop de que fala o título.

Não era para pescar neste dia, tinha até uns amigos de Setúbal que eram para vir mas não quis arriscar, atendendo à variabilidade das condições climatéricas. No entanto de manhã, ao acordar, senti a calmaria e resolvi dar uma volta pela Costa Norte para ver o mar e, eis senão quando, aquilo estava um lago, ou quase!
Procurei a Sardinha que tinha guardada, verifiquei a vivacidade dos Caranguejos que tinha a bordo, preparei os caniços e desandei para o mar na companhia das iscas e do barco!

Naveguei para Norte do Cabo de Sines procurando a zona de pesqueiros onde tínhamos apanhado os peixes na segunda feira, pensando que talvez fossem os grandes a marcar encontro à mesma hora e no mesmo local.
A sonda não me dava grande marcação, assim como na jornada anterior, o que não invalidaria uma boa pesca, isto porque um bom pesqueiro é sempre um bom pesqueiro e com mais ou menos tempo de preparação pode vir a dar frutos, mesmo quando a marcação fornecida pela sonda mostra pouca actividade. Esta, pode variar ao longo do dia nomeadamente se existir aguagem, uma constante neste pesqueiro e neste período em que lá se pescou.
Mas porque é que este é um bom pesqueiro? Eu conto!
Imaginem uma área que sobe numa extensão significativa para 58 a 63 metros navegando no rumo E/NE, partindo irregular e abruptamente dos 72 a 74 mts. Melhor ainda, a dita subida, face à aguagem que corria para Sul, estava perfeitamente orientada, neste dia, de modo a oferecer abrigo e alimentação fácil a predadores que a procurassem, descansando da luta contra a aguagem e até procurando comida na forma dos mais pequenos por lá também abrigados. Aliás, como já a tinham procurado de forma persistente e regular na jornada de pesca anterior.
A aguagem não era muito forte, pescando-se bem com chumbada de 180 g, a 72 metros de profundidade, com uma inclinação de linha entre os 60 e os 70º face ao nível da água. Uma delícia!

Os sinais começaram a acontecer, também similares aos da última jornada... o peixe comia a espaços,  consumindo continuamente alguma coisa, mas sempre deixando alguma isca (sardinha e caranguejo), indicadores de que talvez o peixe miúdo estaria muito agarrado à beirada por força da aguagem ou até comendo a medo pela proximidade de outros que lhe metiam o medo no corpo!? Não se sabe!
Aconteceu então o que me pareceu, como direi... pouco usual pelos mares de Sines.
Não tinham passado 20 minutos de estar a "trabalhar" o pesqueiro  quando, no meio daquela imensidão de mar, carregado de bons pesqueiros, já ali num raio de uma milha náutica, onde me encontrava completamente só, oiço o barulho de um barco que navega na minha direcção, se aproxima a uma distância de cumprimento, coisa que o patrão fez, e, após alguma sondagem próxima em torno do meu fundeio, larga ferro a uma distância legal, mas, quanto a mim, demasiado próxima e mesmo na linha de aguagem onde se encontravam as minhas baixadas e respectivas iscadas.
Conhecendo a zona relativamente bem, apercebi-me que aquele fundeio não ia durar muito tempo, atendendo a que me pareceu que o ferro do outro barco tinha sido largado na base da queda onde o fundo é macio e a força da aguagem faria o barco ir à garra... não me enganei!
Não eram passados uns quinze minutos e já o dito barco derivava, obrigando a nova manobra. Quanto a esta nova manobra sobre a qual não me quero alongar em conceitos mas que me pareceu "sui generis", ela acabou por poitar o tal barco a N/NE do meu e a uma distância que achei pouco aceitável, atendendo à deriva existente. Isto porque as hipóteses de o barco descair para demasiado próximo do meu fundeio e até os pescadores a bordo ficarem a pescar sobre o cabo do meu ferro, aumentaram significativamente.
Resultado... levantei ferro e procurei zona menos atribulada.
Antes de contar o que se passou no novo pesqueiro que escolhi, importa no entanto reflectir sobre o acontecido. Ora, em termos de conceitos, vejamos:
Não tenho qualquer bocado de mar que me pertença, nem quero ter!
Embora nunca o tenha feito, compreendo que, caso se tenham algumas dificuldades em perceber onde pescar, se recorra a zonas onde se encontram outros barcos. Não critico isso!
No entanto, acho que quem assim decida encontrar os seus pesqueiros, deve ter em conta o seguinte:
- Quem já lá está, nestas situações, acaba por se desconcentrar da acção de pesca pois sente necessidade de observar o que se vai passar.
- Quem já lá está, nestas situações, fica sem perceber se os sinais e os resultados não estão a acontecer devido à proximidade e até às movimentações e reboliços inerentes e, ainda, se valerá a pena continuar a apostar naquele local.
- Todo o "trabalho" já executado no pesqueiro pode assim perder-se de um momento para o outro.
- Acredito que ninguém o faça com má intenção, mas também acredito que, não tendo estas noções, os que o fazem certamente não gostariam que lhes acontecesse o mesmo.

Concluindo... prefiro de longe que se aproximem e falem comigo. Não tenho qualquer problema em dizer o que se está a passar e até indicar as melhores zonas e locais, perto de mim, onde fundear com distâncias e alinhamentos adequados para ambos e tentar uns peixes, podendo até trocar números de telemóvel e irmos acompanhando as pescas um do outro, só nos pode beneficiar.
Tenho ainda à disposição o Workshop de Pesca Embarcada com o título: "Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar"!
Esta acção já realizada em Dezembro de 2011, parece-me continuar a ter fundamento e está à disposição, para quem ache necessitar dela, no dia 18 de Novembro próximo, nas condições descritas no documento a que podem aceder clicando na imagem que se encontra no canto superior direito da página inicial do blogue, logo acima da foto de um fulano de bigode. A imagem é esta:



Em caso de necessitarem de mais informações sobre o Workshop, podem contactar-me directamente através do telefone 96 357 91 32 e/ou pelo seguinte endereço de mail
Ainda sobre o workshop, mais informo que: neste momento estão inscritas 14 pessoas, o prazo de inscrição foi prolongado até ao dia 9 de Novembro e a acção realizar-se-à mesmo que não se atinjam as 20 inscrições, conforme referido no documento explicativo, no sentido de não defraudar os interessados já inscritos.

Caso os pescadores que estavam no outro barco leiam estas palavras, não quero que fiquem a pensar que  fiquei ou estou chateado com eles, longe disso. Pretendi unicamente deixar algumas notas sobre o assunto que achei pertinentes!? Talvez não sejam, mas é o que sinto e por tal o escrevo.

Mas vamos ao resto da história!

Após levantado o ferro, munido dos conhecimentos que pretendo passar e sobre eles reflectir com quem queira participar no tal Workshop; comecei a relembrar as características de toda aquela zona de pesqueiros que pessoalmente caracterizo como o "Poço das Douradas de Norte", sem desprimor para outras nomeações locais que respeito.
O nome escolhido tem as suas razões de ser... ora tirem-se notas:

Numa área relativamente oval, com mais ou menos uma milha no sentido E - W e uns três quartos de milha no sentido SE - N/NE, apresentam-se concentrações importantes de pontões, entralhados e limpos, num fundo que varia, ao centro, entre os 60 e os 70 metros, com alguns pontões também centrais que chegam aos 54 e 58 metros. Nos limites a E, NE, N, NW e W; das sondagens e pescarias feitas, encontram-se beiradas que chegam a atingir os 49 metros na sua parte mais alta, caindo mais ou menos abruptamente para os 60, 70 e mais metros, oferecendo abrigos e hipóteses de colocação do barco que permitirão direccionar a nossa pesca para todo o tipo de exemplares, sendo a zona conhecida como muito boa na época da concentração das Douradas que se avizinha. Não sei se já dá para entender porque lhe chamo como acima referi!?
A zona em questão é fértil em aguagens, sendo raro não se apresentarem ou acabarem por aparecer ao longo de qualquer jornada de pesca, acontecendo muitas vezes sermos obrigados a reposicionar o fundeio para nos mantermos no pesqueiro activo e até, coincidir a melhoria das capturas com o novo posicionamento originado pelo rodar do barco. Tudo pode acontecer por ali!
Posso até quase garantir-vos o seguinte: naquela zona e particularmente nesta altura do ano, o peixe pode estar em qualquer dos locais apontados!? Resta-nos sondar, interpretar, procurar o pesqueiro do dia, fundear e... pescar!
Com todo esta panóplia de conhecimentos sobre a zona, conseguidos com muita procura, algumas alegrias e também dissabores, decidi dirigir-me à beirada limite a N/NE que sei ter pontões a 56/58 metros que caem para os 60/65, em fundos de entralhados e limpos, considerando que a aguagem era propícia, pois, orientada que estava o fundo da beirada, colocaria talvez as minhas baixadas no "caminho certo"!?

A sonda mostrou-me os fundos, com sinais de pouca actividade muito agarrada a eles, indicadora talvez da aguagem que se mantinha. Procurei onde colocar o ferro de forma a que o barco ficasse onde calculei que, considerando a aguagem, permitiria aceder à posição onde cairiam as minhas baixadas, respectivas iscas e... vá de iniciar novo "trabalhar" de pesqueiro!

Os sinais começaram, tal e qual como no anterior fundeio, com roubos incompletos de iscas, tanto no caranguejo, quanto na sardinha, independentemente de os colocar alternadamente no anzol de baixo e no de cima. Optei por usar sardinha nos dois, durante algum tempo e, ao fim de uns 20 minutos sem qualquer captura, sinto dois toques secos com pequenos intervalos, ambos algo afundantes e... ferro alto!
A luta iniciou-se com alguma violência e peso, permitindo identificar que algo vermelho não dava tréguas no outro lado da linha.
Aqui está ele... o primeiro do dia!


As perspectivas pareciam boas. Coloquei uma cana equipada com montagem de chumbadinha a pescar "em automático" (onde é que já ouvi isto?) e continuei nesta feliz labuta, recompensada a intervalos pela cor vermelha, como se pode ver a 3/4 da pescaria, já acomodados na geleira do costume!


A pesca continuou no mesmo tom até ao seu final que se deu no limite máximo do peso legal com um maior exemplar que atingiu os 3,500 kg.


Depois veio a foto que abre esta entrada, aquela que parece não bater certa com o título, mas que parei para fazer logo após ter levantado o ferro para voltar ao porto neste dia bonito, em que só faltou um daqueles mesmo grandes para abrilhantar a arca. Não faz mal... há-de vir em outro dia!

As perspectivas para a quinta feira que já chegava pareciam boas, embora o vento se previsse mais forte e a vaga mais alta. Mesmo assim, tudo indicava que os meus amigos Tózé e João Maria seriam brindados com um outro bom dia de pesca, mas, o certo é que só no fim de cada jornada podemos ver o que acontece. O mar não nos deixa muitas vezes acertar com contas previamente feitas!

Nesta quinta feita, pode até dizer-se que, face aos acontecimentos... tudo correu bem!

A zona escolhida foi a mesma, mas, as condições de mar e vento muito diferentes, para pior!

Mais vento, vaga bem mais alta e aguagem bem mais forte, tudo indica, não nos conseguiram dar qualquer alegria, embora os sinais, muito idênticos aos dos dias anteriores, se mantivessem. Certo é que, por volta das 14.00 horas, resolvemos levantar ferro e demandar outra zona de pesqueiros, na tentativa de salvar a pescaria, mas um dissabor estava para se revelar... na viagem de transição entre pesqueiros, de repente, o Makaira, começou a perder velocidade até que o motor foi parando com todos os indícios de não lhe chegar combustível e assim se apagou sem qualquer retorno à vida, mal grado o esforço do motor de arranque e das persistentes baterias que desisti de forçar, sob pena de também ficar sem elas.
Abreviando... verificou-se já na amarração que as natas que se formam, constituídas por humidades e impurezas no gasóleo do tanque, tinham entupido o circuito até ao pré filtro e ainda não se sabe se chegaram mais longe. Nada que, esperemos bem, não se resolva com a limpeza do depósito, do circuito e troca de filtros. Já está a ser tratado, vamos ver!?

Aqui fica o agradecimento ao meu amigo Fernando Fontes que estando por perto, de imediato se prontificou a dar-me um reboque, como se vê na foto abaixo!

Obrigado Fernando!


Um agradecimento sentido, também ao pessoal do Porto de Recreio de Sines que, como habitual, de imediato se colocaram à disposição para receber e colocar a embarcação no seu lugar, onde aguarda os cuidados necessários.
Resumindo... tudo correu bem, nunca se sentiu qualquer situação de perigo, nem teve de se recorrer a apoios de monta e, tudo indica, teremos resolução para breve.

É assim a pesca... uns dias melhores, outros menos bons e sempre uma incógnita para a qual devemos estar preparados.

O acontecido sugere para breve uma entrada sobre segurança no mar, aplicada a nós pescadores de embarcada, no sentido de aproveitar acontecimentos e erros de uns, para que todos possamos sair beneficiados nas nossas aprendizagens.

Resta-me, para já, ir degustando alguns daqueles peixes capturados e despedir-me de vós com um "até breve"!

A todos os leitores, desejo uma boa noite e que tudo corra pelo melhor em pescas vindouras!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Histórias de Cabo Verde


O Pontão de Santa Maria do Sal, onde tudo acontecia e penso... deve continuar a acontecer!?
Não havia vivalma, habitante ou visitante desta zona da Ilha do Sal que não arriscasse uma visita a este local, mal-grado as hipóteses significativas de cair num dos muitos buracos que existiam nas madeiras que o formavam, desgastadas pelo mar, o vento, os pesos de pescadores, turistas, compradores de peixe, miúdos que fazem dali o seu parque infantil mergulhando ou pescando nas águas cristalinas e ajudando todos os que chegam na amanha do pescado... Atuns, Dourados, Serras (Woahoos ou Cavalas da Índia), Veleiros..., sei lá!? Tanta coisa deste tipo que por lá vi, quer nos dias em que fui pescar, quer naqueles em que o meu peso contribuiu unicamente para o desgaste das madeiras. Uma delícia!
Não sei ao certo se ainda é assim, mas se não for... é uma pena!

Pois é... já devem ter percebido que estou de sequeiro e vem aí história!? É verdade!

Esta é uma das que há muito quero contar, pelas experiências de pesca e pelo estado que mais gosto de atingir quando vou para, ou a qualquer local... fazer parte!

Por duas vezes lá estive; na primeira, com a família e amigos, apaixonei-me, usufrui e comecei a fazer parte; na segunda, fui só... posso no entanto afirmar perante vós que não me sentiria mais à vontade se estivesse na minha casa.

E, boa gente, posso ainda dizer-vos que deixei por lá uma boa parte de mim, assim como, trago sempre em algum cantinho a saudade daquela terra e daquelas gentes. Mas deixemo-nos de lamechices e vamos à história!

Corria o ano da graça de 1995, quando nos juntámos eu e os meus amigos, Eduardo e Adalberto, com as respectivas famílias e voámos para aquela terra que se verificou ter tanto de inóspito na sua paisagem, quando de viçoso nas suas gentes.
Não fomos para hotéis conhecidos ou da moda mas, através dum conhecimento dos meus sogros que são de Angola, para uma pensão, a Mar et L'Eau, mais conhecida pela nome da sua proprietária a D. Xia, mulher de luta, conhecedora da sua terra e habitantes e que nos recebeu de braços abertos, assim como os seus colaboradores, o António e o Kalu, não tardando a sermos uma família, participando em todos os acontecimentos que se foram desenrolando ao longo dos 15 dias que por lá estivemos.
Lembro-me como se fora hoje da nossa chegada, às 05.00 da manhã, com uma temperatura para calção e manga curta e com a Dona Xia ainda a pé, à nossa espera, oferecendo-nos de pronto um café do Fogo, questionando-nos sobre o que esperávamos das férias e dando-nos indicações sobre as instalações e hábitos da pensão que era também a sua casa.
Não me contive e, ainda de noite, fui tomar um banho na praia em frente, numa água cuja temperatura deveria rondar os 23/24º C.
Lembro-me também da nossa partida, em que lágrimas sentidas correram de todos os olhos, como não acreditando os respectivos cérebros que fosse possível tal separação. Como se criam tais laços em tão pouco tempo? Só mesmo entre gente que se sente a fazer parte.

Enfim... lembro-me de tudo... os jantares; a música e a dança sempre presentes; a praia, os passeios a satisfação de todos os que mergulharam e, deixei-a para o fim por razões óbvias..., a pesca!!!

Não gosto de me sentir turista e não era de forma alguma a minha vontade sair naqueles barcos de Big Game e tal... queria a coisa real, queria estar com aqueles que lá vão todos os dias, pescando artesanalmente para comer, e, com eles partilhar o mar e a pesca. Como o meu amigo Bruno no seu barco "PANDURU", assim baptizado em honra do jogador do mesmo nome que na altura defendia as cores do Sport Lisboa e Benfica, clube do qual era sócio e adepto incondicional.

Apresento-vos o meu amigo Bruno e o seu "PANDURU"...



... um barco de 5,50 m, em madeira, onde nada de essencial faltava para a pesca de qualquer dos peixes - Atuns, Esmoregais, Dourados, Serras, Veleiros..., - nem o saber deste homem que do mar vivia e penso ainda viverá!?

Ali está... encostado ao Pontão da Ilha do Sal, após descarregar as capturas do dia que, fazendo as delícias de quem por lá andava, de imediato desapareciam numa forma de negociação também supostamente artesanal, discreta e que nunca percebi, nem com tal me preocupei.

Foram dias inesquecíveis, durante os quais aprendi como fazer, respeitando e aprendendo a pesca do Bruno, assim como aprofundando laços de amizade, com ele e amigos, cujos desenvolvimentos se verificaram na minha segunda visita a esta terra.

Durante esta primeira vez, o melhor exemplar que me calhou foi este Dourado que, cozinhado pelo Kalu na pensão da D. Xia, alimentou todo o pessoal da casa.


 


O horário a percorrer nos dias em que havia pesca era, no meu sentir, algo de fabuloso e perfeitamente enquadrado no quotidiano familiar e do grupo, sem afectar ou limitar outras vontades! Ora vejam:

Por volta das oito da tarde jantava-se, sempre com música a acompanhar; seguia-se para a dança até perto das quatro da madrugada, por aqui e por ali. A esta hora a maioria dos corpos precisava descansar, rumando para a deita, enquanto eu e por vezes o Eduardo, vestíamos a roupa da pesca e calcorreávamos o caminho para o Pontão da Ilha do Sal, onde nos encontrávamos com o Bruno e seguíamos para o mar, raramente calmo, buscando os peixes e voltando pelas onze da manhã, hora limite para que o valor do peixe não baixasse devido à exposição ao calor. Nesta altura, ajudávamos o Bruno a descarregar as capturas, íamos beber umas cervejas os três e encontrar a família na praia, onde pairávamos por um bom bocado até às duas da tarde, hora de comer alguma coisa e fazer uma sesta, fugindo do calor e recuperando forças para iniciar o horário das 24 horas seguintes. Digam lá se não era um bom horário!?

Os dias passaram nesta calma irresponsável até à hora de dizer adeus à Ilha, ao pessoal da D. Xia, ao Bruno e à pesca, ficando a intenção de voltar, bem fixa nas nossas mentes. Era só esperar o dia!?

Mantivemos o contacto, alguns amigos meus de Setúbal chegaram a lá ir, por minha indicação, pescar com o Bruno e trazendo-me notícias, mas o certo é que não via forma de lá voltar; umas vezes, pelo tempo ($) que me faltava, outras, pelo trabalho que me sobrava. Até que, no Natal de 1997, tive uma das melhores prendas de que me lembro... a minha mulher e a filha, ofereceram-me um bilhete de bom preço para lá ir no Carnaval seguinte (1998). Nem queria acreditar!?

Após colocação dos pés em terra por tal surpresa, era hora de me organizar, contactar o Bruno e lembrar a pesca que ia fazer, agora com conhecimento de causa. Lembrei-me dos materiais necessários, caros por lá e por vezes difíceis de encontrar, ao contrário de cá, onde eram muito mais baratos e fáceis de adquirir. Era hora de contribuir com algo mais que amizade, embora tal não me fosse solicitado. O certo é que, quem não seja parvo de todo e observe, sabe o que poderá fazer falta.

Após informar o Bruno da decisão e de me aperceber da sua alegria e entusiasmo por tal facto, a memória começou a devolver-me imagens... do barco, dos materiais e de toda a acção de pesca, como se a tivesse vivido no dia anterior mas, para já, era preciso lembrar e adquirir os materiais.

As linhas, para pescar à mão, eram de meada. Começavam em diâmetro 120 e acabavam numa ponteira de 90 onde directamente se empatava um único anzol, daqueles nacionais, tamanho 20 e maior.
As meadas eram colocadas em enroladores, parecidos com este...

... de madeira pesada, cujo cabo teria uns 15/20 cm de comprimento e a zona de enrolamento de linha andaria pelos 40, com 25 de largura. Tudo com uma espessura de 2/3 cm... uns monstros!

A linha de 120 funcionava como madre, onde era feita uma alça que se apoiava no cabo do enrolador e sobre a qual se enrolavam uma ou duas meadas de 100 metros, sem apertar, aplicando-se no final, através de Nó de Barril, uns 20 metros de 0,90. Não se amarrava ao corpo do enrolador, porque nunca se sabia se o peixe que lá cairia não levaria a linha toda o que, prevendo-se pelo arranque inicial, permitiria ligar a tal alça a um cabo suplementar entrançado à mão e mais grosso que sempre jazia pronto num açafate próprio. Neste caso o enrolador ficaria liberto e a linha continuaria a sair até que o peixe em causa permitisse o início da contenda. Justificado está o tamanho e peso dos enroladores, assim como o pormenor de não apertar muito a linha, no sentido de facilitar a sua saída quando o peixe se ferrava e dava o primeiro arranque. Mas lá chegaremos.
Continuando no material, não poderia esquecer-me da preparação da pesca que começava na captura da isca - Carapaus e Cavalas - os primeiros, servindo de engodo e isca morta e as segundas, normalmente iscadas vivas.
Para a captura destas iscas, acção que se desenvolvia a caminho do pesqueiro, o Bruno usava anzóis nacionais, 10/12, em cuja haste aplicava fios de lã brancos para o Carapau e vermelhos para a Cavala, referindo no entanto que nós tínhamos cá no burgo aquelas pesquinhas já feitas que funcionavam melhor que as dele, o que se tinha revelado tendencialmente verdade.
Claro que, para além de várias meadas dos tamanhos referidos, equipei-me também destas tais pesquinhas e de todo o tipo de anzóis mencionados, em quantidades que ultrapassaram fortemente as necessidades de uma semana de pesca.
A cana e o carreto que também por indicação do Bruno deveria levar, pois na ida e na volta para o local mais quente de pesca, sempre se corricava e eram mais confortáveis que a linha de mão. Estes já estavam preparados, assim como algumas amostras para o efeito, nada de muito complicado, pois a acção de pesca decorreria essencialmente no sistema de barco fundeado, baixadas perto da superfície com isca e engodagem contínua.
Sentia-me preparado, o dia nunca mais chegava, mas gozava esta espera, passando mentalmente em revista as pessoas, as comidas, a música, as noites quentes, o mar, os materiais, a acção de pesca, os peixes, a roupa de pesca e a outra leve e fresca para levar..., enfim, aquilo que sabia ir encontrar e a simplicidade das necessidades, tudo ainda tão vivo na minha memória.
Nesta altura, só um pormenor estava ainda por resolver... não tinha alojamento! A pensão da D. Xia, por férias ou ausência da própria, estava encerrada e o Bruno é que andava à procura, confessando-me que não estava fácil, pois andavam por lá muitos surfistas e estavam a ocupar tudo, ao que lhe respondi: "durmo na praia, não tem problema"! Riu-se muito, retorquindo que alguma coisa se havia de arranjar e o certo é que, a dois dias da partida, já tinha um quarto só para mim, com chuveiro e casa de banho, quase no centro de Santa Maria. Melhor assim... tudo estava a postos!

Sábado antes do Carnaval de 98, pelas 20.00 horas, um fulano de bigode com uma mala e um tubo comprido, é largado nas partidas do aeroporto de Lisboa que percorre até ao Check-in, efectuando-o e aguardando a hora de entrar no avião para a Ilha do Sal, com a cabeça cheia de peixes, mar, música e evasão, observando outros passageiros para outros destinos ou quem sabe para o mesmo e pensando para com os seus botões: "será que estão tão felizes quanto eu". Não sei descrever melhor!?

A viagem de mais ou menos quatro horas, terminou às quatro e tal da manhã de Cabo Verde, no aeroporto de Espargos, a capital, onde assim que saí a porta do avião senti o ar quente e o sempre surpreendente cheiro a ilha, onde se entrecruzam os odores da terra seca com a humidade do mar, contrastando significativamente com o frio que se fazia sentir à partida de Lisboa. Tudo como era esperado, até o Bruno que me apareceu com o cumprimento habitual... "tud'ereto", assim cheguei ao edifício principal, já com o táxi que nos levaria a Santa Maria, local onde se escreveria a restante história.

Esta última etapa decorreu cheia de conversa, sobre como está este e aquele, a família, a pesca, o barco... mais história daqui... dali... lembrança dacolá. E... oh Amarelo, nome como me costumava tratar derivado do cabelo arruçado em época de Verão, "tás cansado ou ainda vamos beber umas Klebs"(marca de cerveja de Cabo Verde)?
Claro que vamos, qual cansado, qual carapuça!?

Já se sabia que o Domingo não teria pesca... a hora de chegada já não o permitia atendendo ao horário normalmente praticado pelos profissionais, mas coisa que eu não tinha era sono, a companhia era boa, só havia que curtir, logo faria uma sesta. Importante mesmo é que já lá estava, tinha conversa e garganta seca.

O quarto era singelo, mais que suficiente e, melhor que tudo, para além de estar perto do centro, estava afastado de folias e mesmo ao lado duma das melhores tascas de petiscos do Sal: "Os Bons Amigos". Comida e petiscos feitos na hora, donde se destacavam: o porco frito, os pastelinhos de Atum, a cachupa e outras comidas caseiras que faziam as delícias essencialmente dos locais, pois turista não andava muito por ali. Perfeito!!!

Como dizia o Bruno: Tu não és turista... és Português!

Já só faltava a pesca... mas não perdia pela demora! Enquanto a aguardava, fui relembrando o barco do Bruno, típico e fabricado como tantos outros para pescadores profissionais, diferindo no nome e na cor.

Cinco metros e meio de comprimento, perto de dois metros de boca, construído em madeira e com paneiros do meio para a popa, já que quem pescasse à proa teria de colocar os pés em cima das travessas, sob pena de descolar alguma tábua e fazer entrar quantidades de água, cuja "bomba", um bartedouro construído a partir de um garrafão de água de cinco litros, dificilmente conseguiria escoar antes do iminente afundanço.
A propulsão era feita por um motor Yamaha Enduro de 15 CV, a dois tempos, usado até à exaustão e cujas velas, não raramente, tinham de ser trocadas de noite, em mar aberto, com o motor em cima dos joelhos, por outras também já usadas, quando o dito se negava a trabalhar. Valia o grupo, pois a maioria dos profissionais percorriam os mesmos rumos para locais de pesca cujas distâncias entre eles permitiam perceber quando alguém precisava de ajuda e aí, ninguém ficava no mar.

Importa ainda realçar outros pormenores:

Um depósito de isca viva era instalado de raiz, construído em cimento e forrado a madeira, aplicado no centro do barco, sendo que a circulação de água se fazia através dum furo no centro do casco, orientado para a proa que, quando em movimento, fazia a água entrar por baixo, acabando por sair por um furo lateral, mais alto, na amura, assegurando assim a saída de água quando esta atingia altura para tal, assim como evitando uma possível inundação a bordo.
A foto que se segue, embora de qualidade suspeita, permite talvez dar uma ideia da coisa, vejamos:


Chamo a atenção para o depósito de isca viva, aquele quadrado, ao centro!
Outros pormenores, não menos importantes, como o ferro de fundear, aquela pedra enorme que se encordoava, amarrava ao cabo e borda fora com ela. Problema era levantá-la, não tanto pelo peso, mas pela resistência que fazia à água.
Outros materiais, como o cacete para tirar teimas a peixes mais difíceis ou o cabo em madeira onde se aplicava uma pequena ponta afiada amarrada com cabo de aço e que servia para arpoar peixes à superfície, com engodo, o caso dos Serras.
Enfim... tudo muito simples e extremamente funcional ou não o seja quase tudo o que é simples!?

Com tudo isto passaram horas e o momento tão esperado chega quase sem se dar por ele... são 4.30 da madrugada de Segunda Feira, encontrei-me com o Bruno no caminho, transportando o carrinho de mão onde se deitam o motor, o depósito de combustível, o cabo e os remos do barco; tudo o que tendencialmente poderia desaparecer se lá ficasse de um dia para o outro. Chegamos ao início do pontão, coloco-me atrás dele que já tem mais que decorado, o caminho em torno dos tais buracos que mal se vêem na escuridão e faço também eu por perceber onde se encontram, o que virei a conseguir ao terceiro dia, depois de duas noites e dois dias dando os mesmo passos. Lá estão todos... alguns já conheço, outros nem tanto, surgem sorrisos aqui e ali, conversas em Crioulo que não percebo. Sei que comentam sobre o que faço por ali, mas ainda é cedo para fazer parte. Antes terei de merecer confiança pois para alguns não passo ainda dum turista. É dar tempo ao tempo, pescando, conversando em cima de jornada feita, comendo e bebendo, tagarelando histórias, umas de cá, outras de lá... até que me aceitem como pescador e possa vir a tirar a foto abaixo, na Quinta Feira, em que todos já olhavam para mim, ora como o Português,  ora como Ernesto.


Nesta altura, já falo com toda a gente e rimos disto e daquilo, como o caso daquele homem que se vê de costas com chapéu branco de pala vermelha, compadre do Bruno, a quem trato por "compad orelha", assim como ele a mim, atendendo a brincadeiras relacionadas com os nossos pavilhões auriculares de tamanhos superiores à média e que, não raramente, eram mote de brincadeira entre nós.
À concentração matinal, seguiam-se os preparativos para a saída que começavam por ir buscar os barcos poitados na baía, algo que ficava normalmente a cargo de alguns miúdos. Depois, era descer toda a palamenta: remos, caixas, depósito de combustível e... o motor. Esta a tarefa de maior responsabilidade e atribuída unicamente a alguém fiável, pois o dono do barco sentava-se na popa e aguentava o barco junto ao pontão, o motor era descido contando com a vaga, guiado pelo dono do barco até ao painel de popa e apertado rapidamente, não fosse o diabo tecê-las. E porque conto isto? É simples caros leitores... nesta Quinta Feira, para espanto meu, do irmão do Bruno, o Luís que connosco ia também pescar e de outros presentes; o Bruno, após estar no barco, grita-me: Ernesto... amarra o motor e desce-o que já estamos atrasados.
Não pensei muito, amarrei o dito cujo, larguei-o para o vazio sustendo-o e baixando-o em seguida, dando desconto à vaga e permitindo que o Bruno o encaixasse e apertasse com a normalidade esperada. Depois, caí em mim... esta tarefa nunca se pedia a qualquer um... já fazia parte!


Todos os dias desta semana que lá estive foram muito bons, mas esta Quinta Feira foi soberba... por tudo... mar bom; isca capturada com fartura; brincadeiras de barco para barco, já ao raiar do dia; exemplares capturados; e, até o Bruno zangado comigo por no final da jornada eu não querer aceitar dinheiro da venda do peixe. Só me faltava casa em Santa Maria do Sal, de resto... já tinha muito!

Mas vamos à acção de pesca que se repetia jornada a jornada.

Saía-se ainda de noite e, após chegar à "Marca dos Carapaus", considerando caladores dados pelas luzes de terra, parava-se o barco, lançavam-se pescas de mão com madre de 0,60 e baixada de 3 estralhos, para aí de 30/35 cm de comprimento, empatando anzóis nacionais decorados na haste com fios de lã branca e, finalmente, a chumbada, feita de troços de ferro de construção, variando peso conforme a deriva do barco. Acenava-se a partir do fundo, procurando os Carapaus (Olho Largo, como lhes chamavam) na coluna de água, atirando-se estes com fervor ao branco das linhas de lã e enchendo o açafate aos saltos...  a isca para engodar e iscar, essencialmente morta, já ali estava!


Era hora de andar mais uns dez minutos e repetir o mesmo para capturar a isca viva... Cavala!
A única diferença estava na decoração das hastes dos anzóis, que passava de branco a vermelho. Destapava-se então o tubo que permitia que a água entrasse para o depósito de isca viva, assegurando vida mais longa às cavalas e que de imediato se taparia logo que o barco parasse, por razões que parecem óbvias.

Isca pronta e rumo ao local de fundeio, a zona quente onde sempre se esperavam as capturas pretendidas... Atuns, Serras, Esmoregais (tipo de Xaréu) e quem sabe outros maiores!?

Durante esta última fase da viagem que, no total, não ia além das 2/3 milhas, era tempo de corricar, cabendo-me fazê-lo com a cana e o carreto próprios que tinha levado por indicação do Bruno - cana Penn Senator e carreto da mesma marca, ambos de 50 libras - umas vezes capturava-se, outras nem tanto, mas no computo dos seis dias, usando o corrico, ainda entraram dois bons Serras e dois Atuns pequenos.

O Sol já nos sorria quando chegávamos ao local de fundeio onde, com afastamentos significativos, se viam todos os outros barcos que tinham partido à mesma hora do Pontão da Ilha do Sal também fundeados.

Largava-se a pedra já preparada para servir de ferro e enquanto o barco se fazia ao fundeio, preparavam-se os enroladores, normalmente 4, cada um com um único anzol, sendo que 3 (um por pescador) eram iscados com isca morta, tiras de Carapau cortadas em diagonal e iscadas entre a pele e a carne, tapando o anzol e, um com isca viva, Cavala, iscada pelo lombo.
As pescas eram lançadas à mão pelos bordos do barco, ficando a diferentes distâncias e consequentemente profundidades por vezes aumentadas com pequenas tiras de chumbo apertadas à linha com as mãos ou os dentes. A pesca com a Cavala viva era atirada para mais longe, evitando assim que se embaraçasse com as outras devido aos movimentos da Cavala.

Após lançadas, as linhas eram entaladas em pequenas fissuras, feitas à faca, na madeira da parte interior da borda do barco, sendo que o peixe, ao engolir a isca e fugir, era ferrado pela oposição proporcionada pelo desentalar da linha, o que acontecia com algum estrondo da madeira, substituindo assim, em simultâneo: a ferragem e o barulho da carraca do carreto. Só mesmo vendo... um espectáculo!

Linhas em acção de pesca e eis que se iniciava a engodagem de superfície, normalmente a cargo do Bruno.
Os Carapaus iam sendo cortados em pequenos pedaços e lançados ao mar em várias direcções, com um pormenor interessante nos lançamentos iniciais de engodo que por vezes se repetia noutras engodagens ao longo da jornada, caso não se estivesse a capturar.


Cá vai o pormenor interessante: para perceber se os Atuns andavam a comer na superfície, o Bruno, após cortar um Carapau inteiro e ficar só com a cabeça, retirava de uma placa de esferovite, um pequeno pedaço que introduzia através do olho, atirando-a para longe, ficando esta a boiar. Em seguida, lançava uns quantos pedaços, anteriormente cortados, de forma que caíssem em torno da cabeça. Neste momento todos parávamos para observar, sendo que muitas vezes, numa estocada rápida, algo a comia, desaparecendo de imediato e merecendo do Bruno o seguinte comentário: "os gajos estão aí e vêm comer cá acima...", seguido normalmente da atenção redobrada de todos nós sobre o comportamento das linhas. Suspense...

E então, se tudo corresse bem, a coisa dava-se!

De repente ouvia-se um estalo precedido de um pequeno ranger de madeira e a linha saía de um dos enroladores assentes no banco do barco, fazendo espirais tanto maiores, quanto maior a velocidade a que o desalmado fugia, fruto de sentir o anzol ferrado.
Quem fosse mais rápido ou estivesse mais perto, atirava-se ao enrolador agarrando-o pelo cabo com uma mão e seguindo a linha com a outra, colocando-lhe alguma pressão e tentando perceber o momento de dar luta ao bicho... normalmente quando este diminuía a velocidade da fuga. Nesta altura, já de pé, trancava-se a linha entre os dedos polegares e indicadores, estes protegidos com dedeiras, feitas a partir de câmaras de ar de bicicleta e mantendo as mãos afastadas, uma junto à cintura e a outra no limite do braço, mais forte e hábil, quase esticado. A partir daqui era hora de suar!!!

Começava-se a recuperar linha tentando as braçadas, sem nunca a enrolar em torno da mão para evitar ficar com as marcas que se viam em algumas mãos daqueles profissionais, provocadas por algum arranque rápido nessa situação e fazendo com que a linha cortasse fundo na carne. Tinha mesmo de ser com a pressão dos polegares e indicadores, sempre com a linha a fugir de vez em quando, molhada e escorregadia, tudo isto intervalando com alguma que se ia largando quando a luta a isso obrigava. Linha para lá... linha para cá, o bicho começava a dar sinais de cansaço e a descrever círculos, cabendo-nos saber quando recuperar. Normalmente, quando ao descrever o circulo se queria afastar, tentava-se aguentá-lo sem deixar sair linha, assim como, quando estava a descrevê-lo aproximando-se, era hora de recuperar as braçadas possíveis e assim sucessivamente até que se ia vencendo e se conseguia colocá-lo junto ao barco, à distância do comprimento do bicheiro que rapidamente lhe entrava pelo lombo e o encostava à borda, onde uma pancada seca do cacete, no sítio certo, permitia então subi-lo a bordo.

Estamos a falar de bichos que atingiram 40 e mais quilos, nesta Quinta Feira que quase me apetece qualificar de Santa. Isto porque ainda não eram 10.00 horas e já tínhamos capturado quatro deste tamanho, sendo que o Luís, irmão do Bruno, saltou com eles para bordo de outro barco que também já tinha uma boa conta, para rumar rápido de volta, pois quem mais cedo chegasse mais conseguiria pelo peixe, atendendo ao calor e à falta de meios de conservação do pescado.

Ficámos eu e o Bruno para continuar a luta na perspectiva de engrandecer um pouco mais este dia espectacular e profícuo. o que conseguimos com mais três bichos do mesmo quilate, antes de voltarmos à terra.

Aqui têm o Bruno com dois deles:


E chega a minha vez com o que me calhou nesta fase da pescaria, já de volta ao Pontão onde tudo acontece.


Assim que chegámos. lá estavam os gaiatos que de imediato amanharam os peixes, desaparecendo estes misteriosamente, como habitual, sem que olhos menos preocupados ou atentos a isso, se apercebessem como tal acontecia. Retiraram-lhes entretanto os buchos, limparam-nos e cortaram-nos para serem o nosso almoço, cozinhados à moda local, com arroz e picante qb. Tudo isto despertando a atenção de uns italianos que tinham ido pescar neste barco para turistas...

 

..., traziam dois Serras bebés e olhavam-nos com um misto de preocupação e não sei que mais!?

Mas isso não importava nada! Importante sim, era ir tomar um banho e seguir para o almoço de bucho de Atum... eu, o Bruno, o Compad Orelha e o Luís. Aí tagarelamos, falámos do dia, comparámos com outros, contámos histórias e bebemos cerveja como se não houvesse amanhã. Pois amanhã seria outro dia e nada nos fazia ter controlo sobre tal. Hoje que já uns anos passaram, penso que talvez a vida devesse mesmo ser assim... será que sim? Será que não? Não sei ao certo!? Mas que parece apelativo... lá isso parece!

A Sexta e o Sábado passaram a correr, arrumar tudo e voltar para Portugal, foi coisa que aconteceu rápido, muito mais do que eu gostaria.
Despedi-me do pessoal, pensando que não passaria muito tempo sem que voltássemos a pescar juntos, mas, na verdade, nunca mais nos vimos, nem nunca mais consegui voltar a Cabo Verde.
Amigos meus foram lá, pescaram com o Bruno, ainda trocámos uns telefonemas e uns escritos, mais tarde disseram-me que teria saído da Ilha do Sal rumando à Boa Vista, mas o certo é que nunca mais nos juntámos e há muito não contactamos.

Guardo todas as imagens e deixo-vos a mais importante... aquela da amizade que em tempos nos uniu e penso continuará a unir mal-grado as voltas da vida. Umas boas, outras nem tanto... é assim!


Forte abraço Bruno e amigos de Santa Maria do Sal ... onde quer que estejam!

A todos os leitores... uma boa noite enquanto espero por pescarias actuais que desvendem outros amigos, outras técnicas, outros relatos, outras histórias...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Parece que foi ontem, mas... completa hoje 5 anos de vida!


Dia 23 de Janeiro de 2012... completam-se cinco anos que, com base de pesca na terra do nosso Vasco da Gama, venho aqui contar-vos coisas de peixes e de homens e até algo da minha vida em histórias passadas.

Muitos relacionamentos se iniciaram, quer através da escrita, quer na realidade, tendo por base o que para aqui fui escrevendo..., contando..., fazendo-me dar por muito bem empregues todos os minutos gastos em torno do teclado, falando convosco!

Verdade também que muito tenho aprendido, enquanto raciocino para melhor vos informar, ou enquanto pesquiso em outros locais ou através de outras pescas, até de alguns outros pescadores, para que a informação prestada seja de qualidade e consequentemente fiável.

De relato em relato, de história em história, com um ou outro artigo mais técnico pelo meio e, sem que tal fosse um objectivo inicialmente definido, o blogue saiu à rua este ano, trocando ideias ao vivo e a cores sobre pesqueiros, sondagens, fundeios..., numa "mesa redonda" de pescadores que gostam de pensar a pesca, sem desprimor para outros que eventualmente gostariam de ter estado, não sendo para eles o momento oportuno.

Por tudo isto sinto-me bem! Mas alto lá... não estou satisfeito! Tenho muito para aprender e quero continuar a interrogar-me sobre sucessos, insucessos e suas causas.

Em muitas ocasiões os resultados não se conseguem e fica patente o desconhecimento sobre os factores que condicionam tais acontecimentos e, caros leitores, este é para mim um desses momentos!
As últimas seis jornadas de pesca, duas delas entre o Natal e o Ano Novo e as restantes, no início do corrente mês, foram parcas de capturas assim como incoerentes face às relações: época / pesqueiros / sinais / resultados obtidos.

Nestas seis jornadas, para além de duas ou três Douradas, algumas Sarguetas, Choupas e Besugos, capturas estas não documentadas em imagens, valeram o Robalo que se apresenta, capturado pelo Arménio...


... e esta Lula que caiu a uma sardinha inteira, pescando à chumbadinha.


Oram digam lá se isto não merece reflexão!?

Sei que por Sines, as Douradas não têm estado fáceis, enquanto por Setúbal e Vila Nova de Mil Fontes as capturas têm acontecido. Então... o que se estará a passar?

Sinceramente... não sei, nem faço ideia se o chegarei a saber!?

O que sei é que as imagens de sonda, sem serem espectaculares, mostram actividade, no entanto, esta não se tem revelado nos ataques às iscas e muito menos em exemplares subidos a bordo, quer a Norte quer a Sul, para não falar das profundidades testadas, entre os 40 e os 90 metros. Complicado... pode dizer-se!?

Nestas alturas, tende-se a colocar tudo em causa... iscas, iscadas, baixadas, sondagens, fundeios..., mas acredito que será na localização daqueles que perseguimos, quer ao fundo, quer na coluna de água, onde se terá de insistir na procura, o que farei assim que lá voltar! Depois conto!

Para já e até ver, deixo-vos os golfinhos que nos brindaram com a sua visita na última destas jornadas sem capturas assinaláveis, alegrando-nos o dia com as várias passagens que resolveram fazer em torno do barco e fazendo-nos gozar um entardecer espectacular.


Com sucesso, ou nem tanto, é aqui que convosco troco impressões e assim quero continuar por muitos e bons anos!

A todos vós, ergo a minha taça! Com votos de saúde, muita pesca e... o dinheirito que as sanguessugas não nos extorquírem, importante para a manutenção dos nossos estados e gostos.

Uma boa tarde a todos os leitores!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Não emigrei, mas não sei não!?


Pois é Pessoal... com a onda de sugestões de emigração que para aí anda e com o tempo passado sem nada escrever por aqui, na volta já muitos de vós se terão questionado: querem ver que o gajo emigrou?

Mas não, nada disso!

Sou sincero, até que me apetecia e aliás, fora a utopia, acho mesmo que devíamos era emigrar todos, talvez Austrália, Brasil, até para a China e... deixar estas aventesmas que nos governam agarradinhos ao P.., ou melhor às mordomias que procuraram e encontraram, atendendo a que, no caso da emigração geral, teriam de trabalhar para as manter!
Sonhar é bom e próprio do homem, mas na realidade não emigrei mesmo.
Em vez disso pesquei alguma coisa, andei em preparação das actividades náuticas do ano que vem e lá dinamizei a tal acção sobre Procura de Pesqueiros, Sondagem e Fundeio. Uma azáfama!

O presente escrito não será de modo algum aquilo que gosto normalmente de escrever, antes uma forma de reafirmar a vontade de não vos deixar a seco, principalmente nesta época, pouco propícia a defraudar amigos, conhecidos, família..., enfim, pessoas!
As razões da pressa com que vou fazer isto prendem-se com o Natal cá em casa, a neta em férias e um conjunto de diversos pequenos trabalhos que tenho em atraso, sendo que o tempo é pouco e a concentração e entrega na escrita vai certamente sofrer com isso. Já para não falar da falta de pesca... desde dia 8 de Dezembro que não vou ao mar, nem a Sines, o que já me está a tornar má companhia. Mas, já faltou mais; daqui a nada lá estou outra vez.

Bom... vamos ao que interessa!

Ao fim e ao cabo, até que fiz umas pesquitas nos feriados de 1 e de 8, assim como no dia 7 de Dezembro. Nada de grandes pescarias mas com alguns exemplares de nota, testemunhando uma vez mais que a procura, a sondagem, a colocação do barco no sítio certo e o trabalho de equipa a bordo; se apresentam como bons ingredientes para uma pesca com algum sucesso, assim como continuam a validar as matérias partilhadas na tal acção. Mas vamos lá às pescarias!

Dia 1 de Dezembro, o Carlos Jorge, o Paulo Palma, o outro Carlos e eu, batalhámos todo o santo dia, mas a coisa deu muito pouco, valendo este Pargo do Carlos e...


... este que a mim me saiu, já em desespero de causa!


Dia difícil, este 1 de Dezembro, com muito roubo e subidas de peixe muito intervaladas, o que tem sido uma constante nesta época da concentração de Douradas, indicando talvez um atraso nos comportamentos ou até a necessidade de alterar locais de pesca. No entanto, como a frequência de pesca, no meu caso, tem sido irregular, fica-se sem saber se na próxima não estarão por lá, pois o sinal já foi dado... sempre uma incógnita!?

Dia 7 de Dezembro, mais uma pesca intervalada, mas com um pouco mais de quantidade, nomeadamente no caso do Arménio, pois caso tivéssemos capturado como ele capturou, talvez até fossemos obrigados a sair mais cedo devido ao peso legal!? Mas é a vida!

A Dourada do Luís:


Um dos Pargos de Arménio:


E a pesca quase toda, a qual não sendo nada de deitar fora, foi bastante difícil e sofrida, nomeadamente no que respeita à irregularidade das entradas de peixe.


Ainda sobre pesca, surge-nos o dia 8, dia do pessoal da chumbadinha, com a sua calma pensada e activa, aguardando sempre aquele exemplar que acabou por aparecer pela mão do Pedro, apresentando-se como o maior que aqui se vê no passadiço, em conjunto com irmãos mais novos e algumas Primas de bom tamanho...


Uma foto da caixa onde dá para perceber que as tais primas até que eram boazitas...


... e, finalmente, o Pedro mostrando o motivo do seu orgulho do dia!


A pesca tinha terminado, até ao Natal, pois a semana seguinte destinava-se a ultimar pormenores relativos à acção anunciada para dia 17 de Dezembro, sendo que o Natal se seguiria, impedindo-me de olhar o mar a partir do Makaira. Mas tudo tem sido pesca e tudo tem valido a pena!

Completou-se o Power Point, preparou-se a sala e o suporte de papel, organizaram-se os comes e bebes e o dia chegou com 37 pescadores inscritos, número que me parece significativo quanto ao interesse do tema. Bela equipa que ali se juntou!

Deixo-vos algumas imagens do decorrer do Workshop, iniciando com um momento de trabalho:


Ainda em trabalho, perscrutando o outro lado da sala:


Um momento alto, com gente atenta que viria posteriormente a participar nas discussões e debates que não sendo os que eu esperava, foram interessantes e activos.


Momentos de convívio no exterior do Hotel do Sado, durante o intervalo para o café:


Grupinho convivendo e certamente "apanhando peixe à farta":


E  não podia deixar de vos mostrar o panorama de Setúbal que se pode vislumbrar do Hotel do Sado e que fez o deleite dos participantes.


E agora vem, não o melhor, mas sim a cereja no topo do bolo... a avaliação que passo a explicar!

Em primeiro lugar a Ficha de Avaliação, anónima e de preenchimento facultativo, com 8 itens, para serem avaliados em 4 níveis, sendo 1 e 2, negativos; e, 3 e 4, positivos.


De referir que estavam inscritos, 37 participantes, sendo que dois deles, por motivos de força maior, não puderam comparecer e 34 preencheram a ficha de avaliação, pelo que só um dos presentes, não o fez, pensa-se que por ter saído mais cedo e não se ter apercebido de tal.

Tratados que foram os resultados, elaboraram-se os quadros que se seguem:

Um primeiro quadro com a totalidade e percentagens dos níveis atribuídos, sendo que só se verificaram atribuições de níveis 3 e 4.


Um segundo quadro que apresenta a distribuição de níveis por fichas


Um terceiro quadro que apresenta a totalidade e percentagens atribuídas, face à pontuação máxima possível (136), caso todos as fichas apresentassem em todos os itens uma classificação de nível 4.


Ainda um quadro com comentários e...


... outro com sugestões, ambos solicitados individualmente em cada ficha de avaliação.


Considerando os resultados que se verificam, o ambiente em que decorreu a acção e a minha análise dos comportamentos observáveis durante o decorrer do Workshop, posso afirmar que fiquei satisfeito e dei por muito válido o tempo e entrega usados em todos os momentos, desde a preparação à execução deste trabalho que sinceramente, nem o foi... antes sim, um grande prazer!

Quando afirmei atrás que fiquei satisfeito, referi-me no passado, pois já não estou!
Isto é, estas pequenas glórias, são efémeras e já só penso em corrigir pormenores no sentido de melhorar, quer as fotos e textos apresentados, quer a forma de propor trabalho, com os objectivos de promover mais participação activa e intervenção dos participantes, em possível nova acção subordinada ao mesmo tema.

Gostaria também de saber se existem por aí outros interessados, pois facilmente se poderá colocar em marcha a acção, em condições idênticas, bastando para tal que me informem do interesse respectivo.

Relativamente aos comentários e sugestões, tudo foi tido em conta e, com a brevidade possível, se avançarão outras sugestões de temas teóricos e/ou práticos.

Não quero terminar, sem deixar alguns agradecimentos:

- Ao Hotel do Sado e à Teresa Ferreira, pelas excelentes condições proporcionadas.
- À equipa do Porto de Abrigo - www.portodeabrigo.com - que me apoiaram na preparação, recepção e secretariado; e, nomeadamente ao João Martins, pelas revisões de texto e retoques no Power Point.
- A todos os pescadores participantes, pelo envolvimento e entrega.
- E, finalmente, a todos os membros do Porto de Abrigo que, mesmo sem participarem directamente, deram o seu apoio através de comentários e/ou divulgação da acção em páginas pessoais e noutros sites onde são também membros.

Por aqui me fico, cheio de saudades da pesca (acho que para a semana a coisa já se vai dar), esperando que todos vós tenham um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de tudo o que for possível.

Boa noite a todos os leitores.