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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Parece que foi ontem, mas... completa hoje 5 anos de vida!


Dia 23 de Janeiro de 2012... completam-se cinco anos que, com base de pesca na terra do nosso Vasco da Gama, venho aqui contar-vos coisas de peixes e de homens e até algo da minha vida em histórias passadas.

Muitos relacionamentos se iniciaram, quer através da escrita, quer na realidade, tendo por base o que para aqui fui escrevendo..., contando..., fazendo-me dar por muito bem empregues todos os minutos gastos em torno do teclado, falando convosco!

Verdade também que muito tenho aprendido, enquanto raciocino para melhor vos informar, ou enquanto pesquiso em outros locais ou através de outras pescas, até de alguns outros pescadores, para que a informação prestada seja de qualidade e consequentemente fiável.

De relato em relato, de história em história, com um ou outro artigo mais técnico pelo meio e, sem que tal fosse um objectivo inicialmente definido, o blogue saiu à rua este ano, trocando ideias ao vivo e a cores sobre pesqueiros, sondagens, fundeios..., numa "mesa redonda" de pescadores que gostam de pensar a pesca, sem desprimor para outros que eventualmente gostariam de ter estado, não sendo para eles o momento oportuno.

Por tudo isto sinto-me bem! Mas alto lá... não estou satisfeito! Tenho muito para aprender e quero continuar a interrogar-me sobre sucessos, insucessos e suas causas.

Em muitas ocasiões os resultados não se conseguem e fica patente o desconhecimento sobre os factores que condicionam tais acontecimentos e, caros leitores, este é para mim um desses momentos!
As últimas seis jornadas de pesca, duas delas entre o Natal e o Ano Novo e as restantes, no início do corrente mês, foram parcas de capturas assim como incoerentes face às relações: época / pesqueiros / sinais / resultados obtidos.

Nestas seis jornadas, para além de duas ou três Douradas, algumas Sarguetas, Choupas e Besugos, capturas estas não documentadas em imagens, valeram o Robalo que se apresenta, capturado pelo Arménio...


... e esta Lula que caiu a uma sardinha inteira, pescando à chumbadinha.


Oram digam lá se isto não merece reflexão!?

Sei que por Sines, as Douradas não têm estado fáceis, enquanto por Setúbal e Vila Nova de Mil Fontes as capturas têm acontecido. Então... o que se estará a passar?

Sinceramente... não sei, nem faço ideia se o chegarei a saber!?

O que sei é que as imagens de sonda, sem serem espectaculares, mostram actividade, no entanto, esta não se tem revelado nos ataques às iscas e muito menos em exemplares subidos a bordo, quer a Norte quer a Sul, para não falar das profundidades testadas, entre os 40 e os 90 metros. Complicado... pode dizer-se!?

Nestas alturas, tende-se a colocar tudo em causa... iscas, iscadas, baixadas, sondagens, fundeios..., mas acredito que será na localização daqueles que perseguimos, quer ao fundo, quer na coluna de água, onde se terá de insistir na procura, o que farei assim que lá voltar! Depois conto!

Para já e até ver, deixo-vos os golfinhos que nos brindaram com a sua visita na última destas jornadas sem capturas assinaláveis, alegrando-nos o dia com as várias passagens que resolveram fazer em torno do barco e fazendo-nos gozar um entardecer espectacular.


Com sucesso, ou nem tanto, é aqui que convosco troco impressões e assim quero continuar por muitos e bons anos!

A todos vós, ergo a minha taça! Com votos de saúde, muita pesca e... o dinheirito que as sanguessugas não nos extorquírem, importante para a manutenção dos nossos estados e gostos.

Uma boa tarde a todos os leitores!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Não emigrei, mas não sei não!?


Pois é Pessoal... com a onda de sugestões de emigração que para aí anda e com o tempo passado sem nada escrever por aqui, na volta já muitos de vós se terão questionado: querem ver que o gajo emigrou?

Mas não, nada disso!

Sou sincero, até que me apetecia e aliás, fora a utopia, acho mesmo que devíamos era emigrar todos, talvez Austrália, Brasil, até para a China e... deixar estas aventesmas que nos governam agarradinhos ao P.., ou melhor às mordomias que procuraram e encontraram, atendendo a que, no caso da emigração geral, teriam de trabalhar para as manter!
Sonhar é bom e próprio do homem, mas na realidade não emigrei mesmo.
Em vez disso pesquei alguma coisa, andei em preparação das actividades náuticas do ano que vem e lá dinamizei a tal acção sobre Procura de Pesqueiros, Sondagem e Fundeio. Uma azáfama!

O presente escrito não será de modo algum aquilo que gosto normalmente de escrever, antes uma forma de reafirmar a vontade de não vos deixar a seco, principalmente nesta época, pouco propícia a defraudar amigos, conhecidos, família..., enfim, pessoas!
As razões da pressa com que vou fazer isto prendem-se com o Natal cá em casa, a neta em férias e um conjunto de diversos pequenos trabalhos que tenho em atraso, sendo que o tempo é pouco e a concentração e entrega na escrita vai certamente sofrer com isso. Já para não falar da falta de pesca... desde dia 8 de Dezembro que não vou ao mar, nem a Sines, o que já me está a tornar má companhia. Mas, já faltou mais; daqui a nada lá estou outra vez.

Bom... vamos ao que interessa!

Ao fim e ao cabo, até que fiz umas pesquitas nos feriados de 1 e de 8, assim como no dia 7 de Dezembro. Nada de grandes pescarias mas com alguns exemplares de nota, testemunhando uma vez mais que a procura, a sondagem, a colocação do barco no sítio certo e o trabalho de equipa a bordo; se apresentam como bons ingredientes para uma pesca com algum sucesso, assim como continuam a validar as matérias partilhadas na tal acção. Mas vamos lá às pescarias!

Dia 1 de Dezembro, o Carlos Jorge, o Paulo Palma, o outro Carlos e eu, batalhámos todo o santo dia, mas a coisa deu muito pouco, valendo este Pargo do Carlos e...


... este que a mim me saiu, já em desespero de causa!


Dia difícil, este 1 de Dezembro, com muito roubo e subidas de peixe muito intervaladas, o que tem sido uma constante nesta época da concentração de Douradas, indicando talvez um atraso nos comportamentos ou até a necessidade de alterar locais de pesca. No entanto, como a frequência de pesca, no meu caso, tem sido irregular, fica-se sem saber se na próxima não estarão por lá, pois o sinal já foi dado... sempre uma incógnita!?

Dia 7 de Dezembro, mais uma pesca intervalada, mas com um pouco mais de quantidade, nomeadamente no caso do Arménio, pois caso tivéssemos capturado como ele capturou, talvez até fossemos obrigados a sair mais cedo devido ao peso legal!? Mas é a vida!

A Dourada do Luís:


Um dos Pargos de Arménio:


E a pesca quase toda, a qual não sendo nada de deitar fora, foi bastante difícil e sofrida, nomeadamente no que respeita à irregularidade das entradas de peixe.


Ainda sobre pesca, surge-nos o dia 8, dia do pessoal da chumbadinha, com a sua calma pensada e activa, aguardando sempre aquele exemplar que acabou por aparecer pela mão do Pedro, apresentando-se como o maior que aqui se vê no passadiço, em conjunto com irmãos mais novos e algumas Primas de bom tamanho...


Uma foto da caixa onde dá para perceber que as tais primas até que eram boazitas...


... e, finalmente, o Pedro mostrando o motivo do seu orgulho do dia!


A pesca tinha terminado, até ao Natal, pois a semana seguinte destinava-se a ultimar pormenores relativos à acção anunciada para dia 17 de Dezembro, sendo que o Natal se seguiria, impedindo-me de olhar o mar a partir do Makaira. Mas tudo tem sido pesca e tudo tem valido a pena!

Completou-se o Power Point, preparou-se a sala e o suporte de papel, organizaram-se os comes e bebes e o dia chegou com 37 pescadores inscritos, número que me parece significativo quanto ao interesse do tema. Bela equipa que ali se juntou!

Deixo-vos algumas imagens do decorrer do Workshop, iniciando com um momento de trabalho:


Ainda em trabalho, perscrutando o outro lado da sala:


Um momento alto, com gente atenta que viria posteriormente a participar nas discussões e debates que não sendo os que eu esperava, foram interessantes e activos.


Momentos de convívio no exterior do Hotel do Sado, durante o intervalo para o café:


Grupinho convivendo e certamente "apanhando peixe à farta":


E  não podia deixar de vos mostrar o panorama de Setúbal que se pode vislumbrar do Hotel do Sado e que fez o deleite dos participantes.


E agora vem, não o melhor, mas sim a cereja no topo do bolo... a avaliação que passo a explicar!

Em primeiro lugar a Ficha de Avaliação, anónima e de preenchimento facultativo, com 8 itens, para serem avaliados em 4 níveis, sendo 1 e 2, negativos; e, 3 e 4, positivos.


De referir que estavam inscritos, 37 participantes, sendo que dois deles, por motivos de força maior, não puderam comparecer e 34 preencheram a ficha de avaliação, pelo que só um dos presentes, não o fez, pensa-se que por ter saído mais cedo e não se ter apercebido de tal.

Tratados que foram os resultados, elaboraram-se os quadros que se seguem:

Um primeiro quadro com a totalidade e percentagens dos níveis atribuídos, sendo que só se verificaram atribuições de níveis 3 e 4.


Um segundo quadro que apresenta a distribuição de níveis por fichas


Um terceiro quadro que apresenta a totalidade e percentagens atribuídas, face à pontuação máxima possível (136), caso todos as fichas apresentassem em todos os itens uma classificação de nível 4.


Ainda um quadro com comentários e...


... outro com sugestões, ambos solicitados individualmente em cada ficha de avaliação.


Considerando os resultados que se verificam, o ambiente em que decorreu a acção e a minha análise dos comportamentos observáveis durante o decorrer do Workshop, posso afirmar que fiquei satisfeito e dei por muito válido o tempo e entrega usados em todos os momentos, desde a preparação à execução deste trabalho que sinceramente, nem o foi... antes sim, um grande prazer!

Quando afirmei atrás que fiquei satisfeito, referi-me no passado, pois já não estou!
Isto é, estas pequenas glórias, são efémeras e já só penso em corrigir pormenores no sentido de melhorar, quer as fotos e textos apresentados, quer a forma de propor trabalho, com os objectivos de promover mais participação activa e intervenção dos participantes, em possível nova acção subordinada ao mesmo tema.

Gostaria também de saber se existem por aí outros interessados, pois facilmente se poderá colocar em marcha a acção, em condições idênticas, bastando para tal que me informem do interesse respectivo.

Relativamente aos comentários e sugestões, tudo foi tido em conta e, com a brevidade possível, se avançarão outras sugestões de temas teóricos e/ou práticos.

Não quero terminar, sem deixar alguns agradecimentos:

- Ao Hotel do Sado e à Teresa Ferreira, pelas excelentes condições proporcionadas.
- À equipa do Porto de Abrigo - www.portodeabrigo.com - que me apoiaram na preparação, recepção e secretariado; e, nomeadamente ao João Martins, pelas revisões de texto e retoques no Power Point.
- A todos os pescadores participantes, pelo envolvimento e entrega.
- E, finalmente, a todos os membros do Porto de Abrigo que, mesmo sem participarem directamente, deram o seu apoio através de comentários e/ou divulgação da acção em páginas pessoais e noutros sites onde são também membros.

Por aqui me fico, cheio de saudades da pesca (acho que para a semana a coisa já se vai dar), esperando que todos vós tenham um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de tudo o que for possível.

Boa noite a todos os leitores.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momentos... "Dourados"


A época esperada por tantos de nós, pescadores, já chegou!

É tempo de Douradas, já para não falar dos primos, os Pargos, que sempre acompanham de perto os supostos momentos de amor, quais "voyeurs", não sei se bem ou mal intencionados, mas penso que muito interessados em tanto comer que aparece naquelas zonas específicas de concentração... iscas, engodos e muito peixe miúdo que por lá anda à farta, beneficiando da abundância e claro... sofrendo assiduamente percalços em formato de dentes de outros ou de anzóis afiados, estes últimos a que os maiores também não ficam impunes, dependendo das mãos que estiverem na extremidade oposta.

Uma coisa é certa... ainda bem que os estados do mar e do vento, habitualmente nesta época, não se parecem com a foto de abertura, caso contrário os tais percalços seriam ainda mais assíduos, muito por via dos anzóis afiados, já que os dentes de outros são certamente uma constante lá pelas profundezas.

Foi em tal ambiente sazonal que este Vosso companheiro, lá esteve uns quatro dias da semana passada, tentando usufruir das características do momento, com condições de mar e vento que raro permitiram um dia de pesca inteiro, sem que o mar nos amassasse ou a regularidade de capturas ao longo do dia fosse mais prolongada que uma ou duas horas.

No entanto alguns peixes se capturaram, muito por via dos fundos que a sonda nos mostrava, fazendo-nos acreditar que eram os ideais para tentar as nossas amigas e alguns primos, assim como pela persistência empregue na tarefa... e que boa esta é!

A época das Douradas traz também consigo um pormenor ao qual sou um pouco, para não dizer:.. muito avesso, nomeadamente, a tendência para a concentração de barcos em determinadas zonas!

Questionarão alguns de vós e com certa razão: querias o quê? Se é "ali" que está a dar, havemos de ir pescar onde?

Ao que retorquirei: pode ser verdade!?
No entanto, tendo em conta as deslocações e comportamentos das Douradas até e durante esta época do ano e considerando resultados anteriores no mesmo período, acho que posso dizer que há muitos "alis"!

O problema é que aquele "ali", parece-me, apresenta-se como o aparentemente mais fácil, por indicadores de superfície de que de facto "ali" elas estão; noutros locais, tem de se procurar e acreditar que também lá podem estar, sondar, fundear e tudo fazer para que ataquem as nossas iscas. E isto já se torna mais complicado pela simples razão de nada estar à superfície que indique que aquela zona é uma "ali"!?

Não pretendo com isto dizer que não vou pescar em zonas de concentração, mas quando o faço, afasto-me tanto dos outros barcos que chego a ter dificuldade em perceber quantos pescadores estão a bordo, preferindo não capturar, a incomodar quem quer que seja na sua acção de pesca, quer por possível influência no comportamento do peixe pela proximidade do barulho e outras acções do barco, quer até por saber que o pescador de quem me aproximei, caso deixe de capturar, ficará sempre sem saber se tal facto se deveu a uma interrupção natural dos ataques ou a distúrbios causados por tal proximidade. E isso, meus senhores, é coisa a que não gosto de ser sujeito, obrigando-me também a não criar tal sujeição a outros.
Não pretendo com tais afirmações criticar seja quem for, mas... são feitios!

Certo é que, afastando-me e procurando as profundidades e tipos de fundos amplamente divulgados em outras entradas sobre este assunto, sempre acabo por capturar alguma coisa de jeito, assim como, aumentar significativamente a quantidade e qualidade das zonas de pesca e pesqueiros à minha disposição. Foi rápido e fácil? Não, não foi!!! Mas tem muito sinceramente valido a pena!

Com base em tudo isto, foram-se quatro dias de pesca.

Na tarde em que cheguei ainda lá fui, e, as capturas de dois Sargos, uma Dourada e um Parguito, deram unicamente para abrilhantar um jantar técnico, com o meu amigo Fernando Fontes, antecedente da jornada seguinte em que ambos desfrutaríamos do mar e, supostamente, dos peixes.

Lá fomos então no dia seguinte, o primeiro realmente inteiro, em demanda de cores da moda (dourado e vermelho) para zona pouco frequentada, ou, melhor dizendo, nada frequentada. Éramos nós o barco, o mar e os peixes que entraram quase seguidos (4 Pargos maiores que quilo e duas Douradas de tamanho idêntico) ao fim de algum tempo de preparação do pesqueiro e que rapidamente deixaram de cair nas nas nossas armadilhas por via do vento que nos empurrou para longe do "mel".
A nova poitada, não se revelou produtiva e neste caso o erro, penso, foi completamente meu. Isto porque, deveria ter tentado ficar no mesmo pesqueiro, mas, vendo outro ali perto com boas marcações, por ele optei, diga-se de passagem bem mal!
Acabei por ficar sem saber se este último valeria a pena em próxima visita, assim como, se o anterior continuava produtivo.

Questionarão alguns de vós: então e mudaste porquê?

A razão prende-se com as circunstâncias que passo a descrever:

- É normal que um pesqueiro, mesmo revelando-se produtivo, ofereça intervalos sem capturas.
- Os intervalos referidos podem ter razões diversas: sentimos, mas não conseguimos ferrar; não sentimos, mas ficamos sem isca; algum predador maior entra e altera o ritmo de ataques, acabando por não se interessar pelas nossas iscas...; ou, já estamos a sair do pesqueiro por rotação do barco e não nos apercebemos.
- Quando decidimos melhorar o fundeio, muitas vezes ficamos indecisos quanto à produtividade do anterior e, caso ali perto e em fundos idênticos se apresente outra boa leitura de sonda, a tendência é mudar e arriscar, o que podendo vir a resultar, pode também obrigar-nos a trabalhar de novo este pesqueiro, acabar por não conseguir grande coisa e ficar na dúvida sobre a continuidade do anterior.

Concluindo... para "espremer" e tentar perceber o tal primeiro pesqueiro, parece-me mais racional refazer o fundeio sobre esse, caso o novo rumo da deriva o permita.

O porto chamava por nós na hora da despedida e o dia seguinte talvez viesse a ser de descanso, atendendo à meteorologia esperada.

A manhã acordou acinzentada mas com o mar ainda calmo naquela hora em que gosto de ir (10.30/11 e tal). A previsão de vento de SW a aumentar, acompanhado de chuva criava-me alguma indecisão estando a solo, mas o bichinho foi mais forte e resolvi sair para pescar ali muito perto pensando uma vez mais no jantar, quem sabe o que cairia no prato!?

Chegado ao local, unicamente com cargueiros fundeados por companhia, atirei-me à pesca!
Inicialmente, num pesqueiro que ao fim de uma hora não me deu qualquer peixe de nota e foi esmorecendo em actividade; depois, em um outro, a uns 100 metros do primeiro, com tal frenesim que receei que as bogas me comessem o fundo ao barco. Insisti neste, esperando que "alguém" colocasse ordem naqueles "besugos brancos", o que acabou por acontecer, enquanto o vento aumentava e as nuvens se formavam, ameaçando a chegada da típica vontade do São Pedro no que se refere ao acto de "regar as plantas".
E foi-se dando... primeiro, uma Sargueta digna de ser comida que guardei, não fora o diabo tecê-las; depois, um Sargo, maior que a prima e que já me obrigaria a convidar alguém para jantar. Já o vento me mandava embora e entra uma Dourada de quilo e tal, obrigando-me a pensar que teria de aumentar os lugares na mesa, assim como a correr o risco de ter de lavar o barco à chuva se me alongasse na pescaria. Assim o fiz e, de repente, bumba! Vá de luta dura e comprida anunciadora deste Pargo com 3,750 kgs que, de uma vez por todas, me decidiu a desandar com pesca feita. Cá está ele!


Era hora! Andei para terra, amanhei o Pargo para guardar e os outros para degustar, lá pelo Zé Beicinho, com quem aparecesse; sendo os felizes contemplados: o Zeca e a Rosinda, gente boa e de conversa cheia. Uma delícia!

O Sábado acordou feio, com pouco vento e um enchio que se sentia no porto, indicador da vaga prenunciada pelo Windguru, fazendo com que eu, o Tózé e o João Maria, ainda hesitássemos antes de fundear e já perto do pesqueiro escolhido.
A vaga era larga, de NW, para aí com três ou mais metros, atravessada com os restos do cachão de SW deixado pelo vento da noite e, sinceramente, não estava agradável.

Ainda nos passou pela cabeça desandar para terra, mas, já que ali estávamos e confiando na meteorologia, lá se procurou, se encontrou e se aguardou que as coisa melhorassem... pescando.

Até que não correu mal de todo, atendendo a que em dias destes, caso o peixe esteja malandro e estava, as dificuldades são acrescidas.
O tempo passava, o vento ia acalmando e a vaga alta e larga ia-se tornando aceitável, embora obrigasse a amplos movimentos de cana no sentido de a acompanhar para manter a chumbada quieta no fundo, permitindo a captura de algumas Douradas e Pargos que iam caindo a espaços e acabando por construir a pesca razoável embora sem exemplares de destaque que abaixo se pode ver.


Dias destes, são bons para aprender... a sondagem tem de ser cuidada, atendendo a que a vaga nos dá leituras de fundo que podem tornar-se confusas e o fundeio tem de ser muito bem calculado, atendendo a que, devido à altura da vaga, mais cabo deve ser dado que o habitual,  criando folga suficiente para evitar que o ferro se solte com as subidas e descidas contínuas do barco.
O mais chato é que tudo o acima referido tem de ser feito em contínuo e forte balanceio, tendendo à aceleração de todo o processo, o que não nos trará qualquer vantagem... mais vale sofrer um pouco mais e não ter de repetir tudo de novo nestas condições.
Mas meus amigos, sinceramente, são daqueles dias em que prefiro ficar ali pelo porto, olhar as gaivotas e os peixes em torno do barco, falar com este e aquele, ir até ao computador, fazer umas montagens e... quem quiser que sofra!

Não fora os meus amigos terem vindo de longe para pescar comigo e tinha-me borrifado na pesca, pois é tareia a mais para o meu gosto.

Mas lá está... o Domingo estava prometido ao Zé Beicinho e ao Zeca, a vaga mantinha-se, o Sol deu um ar da sua graça e até parecia que o vento de terra (NE) não faria grande mal. Foi verdade até por volta da uma da tarde, depois disso o malandro do Deus Éolo deu-lhe forte e feio, de tal forma que o barco subia e descia na vaga, atravessando-se a esta e quase fazendo 90º ao cabo, ora a bombordo, ora a estibordo. Mau... francamente mau!

Mesmo assim, ainda se capturaram nove douradas, cabendo a maior ao Zé Beicinho que lá se limpou de outras três perdidas, após ferradas. Acontece facilmente com condições destas.

Cá está ele, com a maior do dia!


Concluindo... condições difíceis, dias incompletos, boas sondagens, bons fundeios, boas companhias e... algum peixe!

Não dá para queixas, antes para as análises e reflexões produzidas.

Esperam-se outros dias, melhores ou piores, e, a 17 de Dezembro, o tal workshop onde finalmente conhecerei alguns de vós.

Uma boa noite a todos os leitores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dias de pesca e... um primeiro olhar à técnica da "Chumbadinha"


Os dias 5 e 6 de Outubro foram de pesca, assim como o seriam o 7 e o 8, não fora o vento que apareceu no primeiro destes e o que estava previsto para o segundo que me fizeram andar mais cedo para casa, se bem que, segundo soube tarde de mais, o dia 8 até daria para pescar, mas, vá-se lá adivinhar!?

A imagem da baía de Sines, em fim de tarde de um dia de bruma, obriga qualquer amante do mar a reflectir sobre os mistérios que este alberga, mistérios estes que se propagarão às profundezas, aos grandes exemplares e a formas diversas de com eles lutar, caso o tal amante do mar seja também pescador, de preferência atento. Por tal, sentindo-me incluído na descrição; tendo combinado, com amigos seguidores de diferentes técnicas de captura, pescarias para os dois primeiros dias referidos; cedo me propus tudo observar... comportamento dos pescadores, sinais, utilização das técnicas, comportamento das baixadas e claro, o mais fácil de tudo... resultados!
Estamos portanto, perante uma reflexão sobre a utilização de duas técnicas diversas: a que costumo futilizar, ao "Fundo"; e, a "Chumbadinha"!
Ambas, como sabem, direccionadas essencialmente para o Pargo e/ou outros predadores que apareçam na zona onde se desenrole a acção de pesca.

Antes de avançar com outras suposições, reflexões ou afirmações, importa referir que, se relativamente à pesca ao "Fundo" tenho vindo a apresentar resultados que me permitem emitir opiniões fundamentadas; no que respeita à "Chumbadinha", considero-me um observador atento, principalmente pelos resultados obtidos e divulgados por outros pescadores que obviamente considero e respeito. O que aliás, entenda-se, é a minha forma de pensar e estar, face a todos os companheiros, independentemente das técnicas que utilizam e dos resultados que obtêm.
Verdade também que, após ter experimentado e observado o comportamento de baixadas na descida, assim como a forma como a isca vai sendo apresentada aos nossos interlocutores por via desta técnica, começo a considerar-me um principiante convicto na mesma; o que mais se acentuou quando tive, no passado dia 6, a oportunidade de ver dois amigos meus, com tempo de prática e resultados significativos utilizando esta técnica.
Apresentando e caracterizando, quanto ao comportamento em acção de pesca, os amigos que me acompanharam neste dois dias, temos: na pesca ao "Fundo" de dia 5, o Carlos Jorge, o Carlos Martinho e o Paulo Palma; e, na pesca à "Chumbadinha" de dia 6, o António Amorim e o Victor Coelho.
Qualquer deles, homens com muitas horas de pesca que não param, não dão tréguas, nem desistem, mesmo quando as coisas não correm de feição, na procura de exemplares maiores; o que, independentemente das técnicas utilizadas, é um factor importante no que respeita ao tempo útil de pesca, ao conhecimento dos sinais e possivelmente até aos resultados obtidos, não fora estes últimos estarem muito dependentes das condições de cada dia e de cada pesqueiro, assim como das opções, quanto à posição face ao pesqueiro, de quem fundeia o barco.

Vamos então reflectir sobre o assunto, iniciando pelos relatos sucintos e resultados obtidos nos dois dias: o primeiro, só ao "Fundo" e, o segundo, à "Chumbadinha" e ao "Fundo".

Dia 5:

Mar estanhado, pouca vaga..., elementos indicadores de mudanças de posição significativas do barco e possíveis empostas de correcção ao longo do dia. Ala para o mar e fundeio em local conhecido e já testado... uma zona de entralhados, a 50/51 metros de profundidade, ladeada por pequenos pontões entre os 46 e 48 metros.
A aguagem corria fraca para terra, os roubos de isca iniciaram-se, e, peixe de melhor qualidade só ao fim de uma hora é que deu um ar da sua graça, entrando espaçado e mantendo-nos interessados no pesqueiro que afinal acabou por não ter a produtividade ao longo do dia que, a espaços, ia prometendo, com um Pargo ou outro e umas quantas Douradas, dos quais se apresentam os melhores exemplares, como o Pargo do Paulo...


... a maior Dourada, pela mão do Carlos...


... o Pargo maior, pela mão do tal fulano do bigode!


Não se pode dizer que foi uma má pesca, antes pelo contrário, mas, quanto a exemplares de maior porte e considerando outras pescas feitas na mesma zona, pode considerar-se abaixo da média. Já no que se refere àquele vinho branco fresco e etc., são factores que sempre transformam estes dias em momentos acima da média. Mas adiante...
Na minha opinião, as causas, pura e simplesmente, poderão estar sediadas na escolha do pesqueiro, sendo possível que a força de passagem e/ou concentração de peixe, se tenha alterado para qualquer outro local ou, quem sabe, se temos utilizado outra técnica, talvez a "Chumbadinha", não se teriam conseguido outros resultados!? Não faço a mínima ideia!

Dia 6:

Outro dia de mar calmo, em que a aguagem que corria de SE para NW, deu a deriva de fundeio, obrigando a poitada pensada, tendo em conta distâncias da zona quente que permitissem pescar ao "Fundo" e à "Chumbadinha", considerando que nesta última, a isca vai cair mais longe e, dependendo das características de fundo, pareceu-me que a sondagem deveria ter isso em conta, procurando-se zona comprida com sinais de peixe, assim como sondar à volta, para perceber o que poderia acontecer caso houvesse deslocação do barco, face a alterações das condições de mar e vento.
O local encontrado, pareceu-me ideal, considerando as marcações de peixe numa beirada comprida a 58 metros, perto de um pontão de dimensões consideráveis, entre os 52 e 55 metros, sendo que à volta as quedas se situavam todas pelos 58. Estas condições permitiram fundear no início da marcação, sabendo que chumbada que caísse no fundo, entre a vertical da popa do barco e uns 70/80 metros para lá dela, sempre actuaria em zona quente. Pareceu-me bem!

As hostilidades iniciaram-se com todos a pescarmos ao "Fundo", não tardando muito para que as iscas começassem a desaparecer, indicando a actividade do pesqueiro.

A actividade mantinha-se e, quase uma hora passada, nada de peixe, só roubo. Nesta altura o Amorim e o Victor mudaram para a "Chumbadinha" e eu mantive-me a pescar ao fundo por trás deles tendo em conta o rumo da aguagem, no sentido de, por um lado, manter uma linha de engodo em direcção a esta; por outro, testar uma vez mais sobre a tendência que parece verificar-se quanto ao posicionamento face à aguagem, ou seja, normalmente quem está com as iscas em zona quente, se estiver em primeiro lugar na linha de aguagem, será o mais facilmente contemplado, desde que mantenha as iscas activas.

A verdade é que eu não tive um único toque de peixe maior, enquanto ao Amorim lhe fugiu um primeiro Pargo, o Vitor capturou um Parguinho pequeno e, passada uma meia hora, o Amorim capturou este:


É caso para dizer: valeu a espera! Pode também dizer-se que mais uma vez se verificou a tendência referida, para além do que possa ter acontecido atendendo à apresentação de isca específica da "Chumbadinha"!? Já lá vamos!

A acção de pesca continuou e o pesqueiro foi esmorecendo, assim como o barco foi rodando no lugar. Desta análise resultou a opção por mudar de pesqueiro, atendendo a que o esmorecimento deste se tinha iniciado antes da rotação do barco e também porque esta não nos chegou a tirar da zona quente. Pareceu-nos no entanto que, com a sardinha que já tinha descido e numa hora normalmente produtiva neste tipo de pesca, a diminuição de actividade parecia mais ter a ver com alterações do percurso do peixe. Isto é, outras zonas poderiam estar a interessá-los mais!?
Se assim se pensava, teria de se actuar em conformidade e com tempo para trabalhar outro pesqueiro, o que fizemos, procurando pesqueiros mais a terra, muito por resultados anteriores e também pelo aumento significativo da temperatura da água, para a época.
O GPS avisou-nos da chegada à nova zona, a sonda mostrou-nos o que parecia ser o melhor pesqueiro, outra consulta ao GPS deu-nos a indicação da deriva, fundeámos e iscas para baixo.
A aguagem que corria leve para a proa do barco, em poucos minutos diminuiu quase por completo, fazendo com que o Amorim e o Victor, mudassem da "Chumbadinha" para a pesca ao "Fundo" e alguns resultados começaram a aparecer.

Os Safios de pequeno porte subiam regularmente e eram devolvidos, intervalados com duas Douradas pequenas, um bom Sargo, um Parguito que subiu pela mão do Vitor, um Pargo de uns 4,000 kgs que saiu ao Amorim e outro um pouco mais leve que saiu ao fulano da soca...


... terminando a pesca com a apresentação dos melhores exemplares, já no porto. Os dois do Amorim e o que apanhei, pela mão do Vitor.


Uma pesca sem muito peixe, mas bonita de se ver!

E agora... o que dizer sobre estes dois dias de pesca, face a resultados e técnicas aplicadas?

Olhando os resultados, sem dúvida que o segundo dia foi mais produtivo em termos de exemplares maiores, não querendo com isto dizer que tal se possa atribuir à técnica da "Chumbadinha", senão vejamos:

O maior exemplar, foi de facto capturado com esta técnica, mas ao fim de algum tempo de pesca ao fundo, possivelmente por a iscas terem sido colocadas na zona onde o peixe, que eventualmente se deslocava em direcção às baixadas a pescar ao "Fundo", já seguia o cheiro da Sardinha e/ou as vibrações dos pequenos que as despedaçavam. Nada nos diz que este maior exemplar não acabaria nas baixadas de "Fundo", pois a iscada que o capturou já lá estava há algum tempo e ainda por cima vomitou dois raios de Polvo, acabadinhos de trincar, indicando que comia junto ao fundo. No entanto, importa referir que a "Chumbadinha" descobriu-o mais cedo, não se sabendo se até não foi mais desafiadora que qualquer outra das iscadas!?

Os outros peixes, excepto um pequeno do Vitor, foram todos capturados ao "Fundo", pelo que também não permitem ajuízar em termos de resultados. Ainda outra verdade... os pesqueiros de um dia não foram iguais ao de outro, representando mais uma variável para a confusão. Teremos então de olhar ambas as técnicas e nomeadamente a "Chumbadinha" por outras perspectivas e para além dos resultados destes dias.

Olhemos a constituição das baixadas e a forma como a isca é apresentada por cada uma delas...
Baixada de "Fundo": madre de 120 a 150 cm, com estralhos de 60 a 100 cm de comprimento, colocados em cada ponta e com um fiel, para aplicação de chumbada, com 25 a 30 cm, colocado na madre a seguir à inserção do anzol de baixo .
A chumbada, normalmente acima das 120 grs, assegurando a velocidade para chegar ao fundo, tendo em conta: a profundidade a que se pesca, o tamanho das iscadas e a existência ou não de peixe miúdo que possa consumir as iscas, antes que estas cheguem ao fundo, local onde pretendemos apresentá-las aos nossos amigos no limite da tensão da linha e do movimento do comprimento dos estralhos, esperando interessá-los essencialmente nessa área da coluna de água!?

Nota Importante: As capacidades de rotura dos monos em utilização, em ambas as baixadas, devem ter em conta não só a força dos interlocutores, como também outros desaforos a que são sujeitos, como dentes, roçadelas em pedras, ..., etc..
O tamanho dos anzóis, também para ambas as baixadas, deve adequar-se ao tamanho das iscadas e das bocas dos "bicharocos" esperados, pelo que menos de 4/0, parece-me pouco adequado.

Baixada para "Chumbadinha": Chumbada de correr movimentando-se livremente na ponteira de amortecimento e em toda a linha fora do carreto, tendo como único batente a argola ou haste do anzol que se aplicará directamente na ponta livre da referida ponteira. Isto é, na falta de foto, se agarrarmos a linha a um metro do anzol e pendurarmos, verificamos que temos uma chumbada de correr com um anzol a ela encostado, por baixo, como se de uma pequena e "estranha" zagaia  se tratasse.
Parece-me que serão mais indicados para o efeito, os anzóis de argola, já que os de pata tenderão a enfiar-se no buraco da chumbada se forem sujeitos a pressão contra esta.
A chumbada deverá ter um furo que seja suficiente para deixar passar à vontade o nó de ligação entre a ponteira de amortecimento e o fio do carreto, continuando a ser suficiente para servir de batente face ao anzol.
Quanto ao peso, pois terá de variar considerando: profundidade, velocidade da aguagem, local onde se queira que a chumbada caia, quer ao fundo, quer na coluna de água acima deste; e, talvez até, o tamanho da iscada colocada.

A apresentação da isca desta baixada parece ser, na minha opinião, muito mais rica que no caso da baixada de "Fundo"... Analisemos:

Acabámos de iscar o tal anzol generosa e apelativamente, a chumbada está encostada à isca, penduramos na beira do barco e largamos, observando de imediato que a chumbada afunda com alguma rapidez na direcção da aguagem, levando linha do carreto enquanto se afasta da isca que desce muito mais lenta, afastando-se do barco com a aguagem. A chumbada chega ao fundo e a isca possivelmente e dependendo da força da aguagem e penso que do peso da chumbada, ainda paira, descendo lentamente na coluna de água e sujeita a ataques diversos ao longo desta descida. Tudo pode acontecer... ataque de peixe miúdo que certamente despertará outros interesses; ataques de outros não tão miúdos que passeiem acima do fundo e gostem de comida em movimento!?
Suponhamos que nada aconteceu entretanto e a isca chega ao fundo intacta ou com uma ou outra mordida. Certamente estará a uma dezena ou mais de metros da chumbada, bamboleando-se e despertando outros interesses de forma, quanto a mim, mais apelativa do que a permitida pelo metro de estralho da baixada que pesca ao "Fundo". Ah... também se pode lançar mais longe, depende do sentir do pescador ou do seu conhecimento sobre o que possa andar lá para onde lançou.

Eh Pá... o gajo pirou-se com a "Chumbadinha"! Dirão alguns de vós!?
Ao que respondo: nem pensar!
Não me parece que uma só forma de actuação resulte em qualquer situação e muito menos no mar. Isto porque muitos factores actuam como variáveis em cada dia, sendo o humano talvez o mais influente.

Uma coisa é certa, a forma de descida da isca e a distância da chumbada em que se pode conseguir  o assentamento no fundo, considerando a enorme área explorada pela iscada, parecem-me de uma riqueza extraordinária no que se refere a "procurar", desafiar e até antecipar um ataque de peixe que já procura as nossas baixadas ao "Fundo". Portanto, há que utilizar "Fundo" e "Chumbadinha", só "Fundo" ou só "Chumbadinha", dependendo das condicionantes que se apresentem em cada dia, cada pesqueiro, cada leitura de sonda, época do ano, estado do mar e do vento, pescando a solo ou acompanhado, número de pescadores a bordo versus espaço oferecido pelo barco e até intenções destes quanto a trabalho de equipa, entre outros factores que não me lembro por agora.

Concluindo, posso dizer o seguinte:

Já tinha visto na net resultados obtidos por outros companheiros, já tinha experimentado uma ou outra vez sem grande sucesso, já tinha lido sobre o assunto; e, acabei por ver, ao vivo e a cores, em pesqueiros escolhidos por mim, com toda a intenção de conseguir algum sucesso.

Esta análise, baseia-se neste último parágrafo e em outros conhecimentos de pesca que tenho vindo a desenvolver por resultados e observação contínua, onde a "Chumbadinha" será mais uma ferramenta que quero aprender a utilizar, da melhor forma, na minha pesca.

Nesta técnica, quando chegar aos "júniores", conto por aqui o que souber, assim como outros a mim me contaram e a quem agradeço a partilha. Por agora, ainda me sinto nos "iniciados".

Entretanto e considerando que, certamente, existirão por aqui omissões e/ou más interpretações, agradeço a companheiros mais informados que intervenham, no sentido de melhorar a informação prestada.

Boa noite a todos os leitores.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A preguiça e... outras coisas que gostaria de saber!?


Os escritos que vos deixo, tendo à partida em conta tudo o que por aqui já prosei, partem normalmente de uma ideia e, por vezes, adequam-se conforme pescas anteriores, momentos em que tinha uma intenção mas, por razões diversas, não a consegui concretizar e até por, ao fazer outras pescas, acabar por compor algo diferente do previamente pensado.
O presente artigo, encaixa-se no último caso, atendendo a que, da intenção de escrever sobre as pescarias realizadas de 9 a 11 de Setembro, considerando acontecimentos específicos, sucederam-se respectivamente: a impossibilidade de o concretizar em tempo; outras pescas que culminaram no passado dia 24; e até, trocas de impressões com outros pescadores que me "tocaram numa ferida": nunca me debrucei seriamente sobre a questão das vantagens ou desvantagens de ir cedíssimo para a pesca!? Sinceramente... prefiro vir tardíssimo!
Como se tal não bastasse, cada vez que o tentei, e nem falo de normais saídas pelas 8.00/9.00  horas (cedíssimo para mim), mas sim de sair ainda de noite e começar a pescar ao raiar do dia; só por volta das onze e tal é que começo a apanhar uns peixes... quando começo!? Terá sido castigo por pecado mortal da preguiça?
Certo é que precisaria de sair cedo assiduamente para "sarar" aquela "ferida" que referi... a tal de continuar sem saber coisas que gostaria.

A introdução anterior revela os pensamentos que me assolavam enquanto mirava a foto de entrada, correspondente ao dia 9 de Setembro, na companhia do João Martins, envoltos numa névoa que não deixava perceber a saída às 11.00 horas e de forma alguma prenunciaria para muitos de nós que o primeiro peixe a bordo seria este...


... também que os dois primeiros fossem estes...


... nem pensar que logo a seguir entrasse este (o primeiro grande do João)...


... que comporia esta pesquita de meia hora...


... culminando nesta bela caixa de peixe que nos trouxe a terra por volta das quatro da tarde, felizes e contentes...


... outra vez com o nevoeiro por companhia.


Outras pescas se sucederam, mais ou menos frutuosas, mas sempre com exemplares que podendo não ser o principal objectivo da pesca, sem dúvida a abrilhantaram, não deixando os meus amigos de mãos a abanar, como foi o caso do dia seguinte com o João, o Tózé e o Nuno Mira onde, à falta de Pargos, se conseguiram umas boas Douradas, como esta...


... esta outra...


... e ainda esta.


A felicidade, parece-me algo que devemos ser nós a contribuir para que exista e se acham que não... olhem só para a felicidade do moço da foto seguinte, quando lhe saiu um Besugo, em dia pouco produtivo, mas onde os sinais se apresentavam de modo a que assim não fosse. Coisas da pesca... nem sempre se consegue acertar.


O mesmo não se pode dizer da pesca seguinte, em que o João Martins, à segunda descida de isca, bisa em grandes com este que pesava 6,240 kg...


... logo seguido daquele outro que está agora no chão, ao lado do dele, capturado pelo gajo da Crock e que pesava metade... acho que está criado um "monstro"!?


Depois destes dois, capturámos mais um Safio e uma Dourada, achando que já chegava de peixe e voltámos para terra com muito para contar, durante o habitual jantar técnico que antecederia a última pescaria até ao momento que, não sendo brilhante, ainda permitiu a captura de alguns exemplares, como a Dourada do Carlos Jorge...


... e o Pargo do outro Carlos, em pesqueiro só encontrado tardiamente.


As reflexões iniciais e os resultados documentados, continuam no entanto sem me resolver a tal questão... será que se saísse para a pesca mais cedo não capturaria mais e/ou melhores peixes? Ou será que sou preguiçoso e, nesta minha pesca, nunca chegarei a ser capaz de discernir sobre tal?

Sobre a questão da preguiça, resolvi consultar o dicionário, na procura de justificações para me catalogar, ou não, como preguiçoso convicto e, passando a definição de preguiça como género de mamíferos, desdentados, bradípodes da América do Sul que fisiologicamente não se aplica, encontrei ainda as seguintes:

A. Demora ou lentidão em agir.
B. Gosto de estar na cama, de se levantar tarde.
C. Propensão para não trabalhar.

Da análise às definições encontradas e reflectindo sobre o meu próprio comportamento, considerei o seguinte:

- Sobre a demora ou lentidão em agir, nem pensar! Se estou em acção de pesca, tais questões nem se colocam... aquilo é sempre a funcionar, sem agitação, mas com muito poucas paragens!
- Relativamente ao gosto de estar na cama e/ou de me levantar tarde... já depende!?
Se me deito mais tarde, gosto de compensar de manhã; mesmo quando me deito mais cedo, uma coisa tenho de assumir... não gosto de correr logo de manhã, preferindo saborear cada momento que antecede a saída para a pesca, atrasando-a por vezes, quase como "aqueles preliminares"... Não sei se me faço entender!? No entanto, também não acho que tal comportamento faça de mim um seguidor da preguiça!?
- Finalmente, sobre a propensão para não trabalhar... nem pensar! Quem me conhece de há menos ou mais tempo, sabe que se aplica tanto quanto a tal definição do mamífero sul americano!

Tendo em conta as reflexões anteriores, digamos que será mais o prazer de, à minha maneira, gozar cada momento de um dia de pesca e não a preguiça que me fazem ir mais tarde que o que parece ser normal e, consequentemente, não me permitir perceber se teria ganhos significativos com atitude diversa.

Verdade que ter barco próprio e estar num local que tem bons pesqueiros perto, contribui para a manutenção destes horários, pois se assim não fosse teria certamente de rever a coisa; embora quando pescava em Setúbal e fazia normalmente 15 milhas para ir pescar, só entrasse na água por volta das 8.30, conseguindo mesmo assim boas pescarias, tendo em conta os conhecimentos que tinha na época.

Não entendam os leitores esta entrada, como uma crítica a quem pratica os horários da alvorada, antes uma auto punição por assim não o fazer, decorrendo de tal, uma hora do dia sobre a qual não me posso efectivamente pronunciar.

Poderão agora questionar: "então... com esta conversa toda, vais começar a ir cedinho ou não"?
A resposta é: em princípio não!

Isto porque, por um lado, as condições do local e os conceitos que descrevi na entrada anterior,  fornecem-me matéria prima e ferramentas passíveis de manterem hipóteses significativas de continuar a evoluir na minha pesca, quer fundeada, quer noutras técnicas; por outro lado, sinto ter tanto para aprender geograficamente sobre Sines e a evoluir nos meus próprios conceitos que, sinceramente, não me apetece correr nessa procura; antes, fazê-la o mais calma e metodicamente possível.

Para terminar por hoje e ainda sobre a preguiça, importa referir que me parece ser esta mais preocupante para aqueles que não sendo preguiçosos acabam por se tornar, quando pensam que os peixes maiores estão lá de boca aberta aguardando as suas reais iscas e subindo continuamente, e, ao verificarem que assim não é, conseguem estar 10 minutos com baixadas desiscadas, em dias que os tais peixes desinteressantes, na verdade actuando como chamariz dos "outros", as destroem em segundos.

Resumindo, não vos posso informar sobre o que se passa entre as 6.00 e as 9.00 da manhã, pois pura e simplesmente também não sei!
Se algum dia o chegar a saber, não tenham dúvidas que coloco por aqui!

Boa tarde a todos os leitores!