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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atitudes, Iscas, Iscadas, Processos e... Algumas Capturas


Diversidade de gostos, para além de ser bonito, é coisa que não falta. Uns adoram tirar fotos colocando os peixes como se vissem mal ao longe, pessoalmente, prefiro compará-los com o meu pézinho de Cinderela, principalmente quando se proporciona um raid a solo ou, se entretanto aparecer alguém que não se importe de agarrar na máquina e fazer o boneco, gosto de os mostrar encostadinhos ao peito, ou quase... coisas do coração!

À volta de colocar a escrita em dia e por não gostar de só mostrar peixes capturados, tento olhar para trás, rever os momentos e tentar perceber as razões das capturas, no meu caso, sempre encostadas a processos de pesca que tentam minimizar a intervenção do factor sorte. Sinceramente, não me tenho dado mal e é assim o meu gosto. Certo é que, a captura deste exemplar e mais alguns peixes que o acompanharam, não as posso olhar de forma alguma como obra do acaso, antes, como resultados de um conjunto de atitudes e decorrentes acções que foram sendo adequadas aos sinais e resultados, ou falta deles, permitindo transformar uma jornada de nada, numa outra que me deixou sorriso aberto. Sorriria na mesma, mas assim a "tacha" arreganha-se de outra forma.

Não pensem que tenho estado completamente parado, não tenho é conseguido andar por aqui. Quem diria... reformei-me e os afazeres são muitos, quase todos ao sabor do meu tempo e esse é o problema... quase todos.

Não me queixo, antes, gosto de me mexer, trabalhar e sentir que faço falta, ou não sejamos todos assim!?

Mas vamos ao que interessa!

8 a 10 de Novembro, andei por Sines a resolver a questão do depósito do barco e vá de pesca, com o Brás e o João Martins, dando nos Pargos de 1,5 a 3 kgs que junto a cinco Douradas iguais a esta que o Brás mostra aqui por baixo, atingiram o peso máximo legal com alguma rapidez.


Depois, mais um interregno, interminável, até este passado fim de semana, em que voltei ao meu paraíso de pesca, pescadores e petiscos que só os Alentejanos sabem preparar. Pesca, Domingo e Segunda, aguardava-me, combinada com os meus amigos de Évora, no Domingo e pessoal de Sines, na Segunda. Estes últimos acabando à própria da hora por não poderem vir, ficando assim com a Segunda Feira a solo. Grande problema... deles claro!

No Domingo a coisa não correu bem e a culpa, como sempre, só pode ser minha!

Vários erros cometi... em primeiro lugar, não sei bem porquê, ia para o mar com a ideia de que daria facilmente com o peixe; depois, saí do primeiro pesqueiro, com peixe miúdo a roubar, mais cedo do que é normal, sendo que a partir daqui, paciência... a asneira já estava feita e o tempo que sobrava já de pouco nos valeria. Bem feita!
Todos temos os nossos dias parvos e este foi um dos meus, sendo que o mar depressa me reduziu à expressão mais simples como tão bem o sabe fazer.

Serviu-me de emenda na segunda feira, outro dia, desta vez sem a preocupação de ter amigos que sempre quero que apanhem uns peixes e com a única ideia de pescar, para além das capturas que pudesse vir a conseguir.

Eram umas 10.30 da manhã quando saí a boca do Porto de Recreio, em direcção a Sul, muito por ter verificado que, na zona das Douradas de Norte, estava por lá muita gente e não me apeteciam ajuntamentos.

Procurei um pesqueiro habitualmente frequentado pelas "moças de oiro" nesta época do ano e para lá me dirigi, observando à chegada que um daqueles navios de contentores que descarregam no cais 21, estava fundeado, aguardando descarga, mesmo em cima do pesqueiro que escolhi, coisa que não é a primeira vez que acontece. Não desarmei, aquela zona é grande e as tais "moças", por vezes espalham-se por ali.
Sondei, encontrei uma marcação interessante e fundeei, iniciando de imediato a acção de pesca.

O peixe comia pouco, uma vezes roubava no anzol de cima, outras, no anzol de baixo, iscados com Caranguejo e Sardinha, alternados em altura a cada descida, raramente completamente roubados mas sempre com sinais de terem sido mordidos. Não sabia se já lá andava peixe grande e estava indeciso ou se, pura e simplesmente, só lá habitavam as bocas pequenas que mordiam as iscas, talvez a medo!?

A acção de pesca decorria, num ritmo intenso, repondo e variando iscas e iscadas que quase sempre subiam  parcialmente comidas.
Uns toques repetidos e intervalados fizeram-me ferrar alto e o primeiro peixe, com direito a entrar na geleira, subiu a bordo aos sacões... um Sargo que dava para o jantar de dois homens feitos. Fiquei animado, pensando que talvez a coisa não se ficasse por ali.
Outra vez Caranguejo e Sardinha, mais Sardinha e Caranguejo, num sobe e desce contínuo e ininterrupto; um toque conhecido, uma ferragem alta e a pancada certa de uma Dourada pequena que teimava em ficar lá pelos fundos, mas que subi, garantindo assim o jantar pelo menos para três. Que raio... será que é agora que elas vão dar um ar da sua graça? Questionei-me!
Mas não, eram já passadas umas três horas e o pesqueiro quanto a sinais, em vez de melhorar, foi piorando até ao ponto em que as iscas quase não eram tocadas. Ainda isquei grande, não fora andar por ali "quem" não ligasse a petiscos, tornei a variar para pequeno mas, na verdade, aquilo morreu mesmo. Eram quase três da tarde e duas opções possíveis me restavam: voltar ao porto e tratar do barco, de mim e do jantar, ou procurar um pesqueiro perto, daqueles a que já por aqui chamei "fiáveis", e tentar o fim de tarde. Optei por esta última, para lá me dirigi e fundeei de novo, com sondagem e manobra rápida, frutos colhidos de tantas vezes que por lá pesquei. Melhor de tudo... os sinais oferecidos pela sondagem até que não eram nada de se deitar fora. Entusiasmei-me como se neste momento tivesse iniciado o dia. Vamos ver... disse para com os meus botões.
Iscas para baixo, agora só sardinha, e, roubo quase imediato. Gostei ainda mais.
Sardinha à posta, meia Sardinha, Sardinha à posta, Sardinha inteira, mistura com Caranguejo, outra vez Sardinha à posta..., foi de mais para um Sargo de quilo e tal que não resistiu a tanta azáfama. A coisa compunha-se!
Tiro foto, não tiro foto... não há tempo que o Sol  vai cair rápido. Logo tiro se valer a pena!
A acção não parava e outro Sargo grande entrou, fazendo-me pensar que nada tinha ainda terminado. Talvez até algo maior ainda entrasse, mesmo as Douradas que não raras vezes aparecem por ali, dentro e fora desta época. A tensão era a necessária, os sentidos todos em alerta e, mais um toque, mais uma ferragem, mais uma luta, desta vez foi um Pargo de 1,5 kg que subiu ao poço.
Penso para comigo que o pesqueiro não me enganou. Pena o Sol já estar tão baixo, mas vamos ver!?
Iscas para baixo, anzóis limpos para cima, pesca arrochada, estralho partido, novo estralho, novas iscadas, linha para baixo e... não picam ou já me roubaram e nem senti?
Aguardo um pouco, sinto como que um puxar matreiro, a seguir um só toque pequeno, curto, seco, e... arrisco a ferragem!
A cana dobra, a baixada inicialmente parece não querer sair do fundo, iniciando-se de imediato os sacões compridos levando a baixada para a proa do barco, na direcção da leve aguagem que se fazia sentir, sempre à cabeçada longa, não deixando grandes dúvidas sobre o interlocutor que venderia cara a entrada na cozinha fosse de quem fosse.
A luta prolongou-se para além do habitual, mesmo para um peixe do tamanho deste, mas o certo é que acabou por ir subindo, chegando à amura do Makaira, onde lhe meti o enxalavar, o subi a bordo e lhe tirei a foto que abre esta entrada. Pesou na minha balança, onde uma garrafa de água de litro e meio pesa 1,480 kg, uns belos 6,200kg.
Mais tarde, já no porto, um amigo pescador tirou-me a que se segue, onde o tenho perto do coração e mostro o sorriso malandro de quem não desistiu, "porfiou e matou caça"!


E foi assim meus amigos... dias diferentes, provando uma vez mais que a acção persistente e diversificada, assim como atitudes e comportamentos adequados dos pescadores face aos sinais de uma jornada, podem pesar fortemente nos resultados da mesma, dando um contributo valioso para a diminuição da intervenção do factor sorte na nossa pesca.

De tudo isto, iscas, iscadas, materias, montagens e suas aplicações ao longo de uma jornada de pesca; quero convosco trocar ideias, experiências, resultados..., ao vivo e a cores, no próximo dia 16 de Dezembro, em mais um Workshop, com enquadramento no site Porto de Abrigo e mais uma vez com o apoio do Hotel do Sado, em Setúbal, cujo título de divulgação se encontra na imagem seguinte.


Quanto aos objectivos desta acção, deixo-vos o geral, parecendo-me que tem "pano para mangas" e  tende a provocar conversa de pesca como se não houvesse amanhã. Para além disso é bonito sair do blogue e conversar convosco. Eu gosto!


Para mais informação aos interessados, cuja disponibilidade lhes permita estar presentes, podem consultar o documento com as condições de realização, programa e processo de inscrição, clicando na imagem que se encontra no topo da coluna da direita da página inicial do blogue, no site já referido no sector "Pesca Embarcada" e também na minha página do FB.
Podem ainda contactar-me telefonicamente através do n.º 96 357 91 32 ou, pelo seguinte endereço de mail.
Mais informo que o prazo de inscrições, inicialmente previsto até às 24.00 horas, do dia 5 de Dezembro, se prolonga até às 24.00 horas, do próximo dia 10 de Dezembro, no sentido de dar oportunidade aos eternos atrasados.

Por hoje fico-me por aqui, este fim de semana é capaz de haver mais pesca!? Depois conto.

Até lá, uma boa noite para todos vós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Workshop Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar / Fundamentos, pescarias e até algum azar!?


O Título, comprido e estranho... qual imperfeita introdução que nem bate certo com a foto de abertura com  mar, pôr do sol e elementos relacionados com pesca, aquela que andei a fazer pelos mares de Sines, entre os passados dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, intervalada com uns trabalhos no barco, outros de casa e sempre com tempo razoável, não fora as chuvadas de segunda para terça e alterações de clima que variaram continuamente permitindo no entanto alguns dias de pesca com mar relativamente calmo e algumas capturas, assim como, acontecimentos mais ou menos estranhos e até menos bons.
Neste momento da conversa, penso para comigo que a maioria dos leitores estará certamente intrigada e continuará sem entender muito bem o título ou sequer onde a conversa vai dar!?
Sem problema... eu conto!

A foto de abertura, coloquei-a porque me faz lembrar uma destas jornadas, muito boa entre as outras e também por ter o condão de me relaxar enquanto penso e escrevo.

Os dias correram calmos, pescando com o João Martins, com o Zé Beicinho, mostrando aqui um dos melhores exemplares da pesca de segunda feira, em que gozava o seu último dia de férias bem merecidas...


... exemplar entre outros do mesmo tamanho que compuseram uma caixa bonita sem no entanto aparecerem aqueles maiores que sempre procuramos. Mas deu para gozar a pesca, testar outros pesqueiros, rir, conversar e até sentir que tudo funcionava.

Outros dias se aguardavam... uma quarta feira que não se sabia de dava para pescar e uma quinta feira em que me fariam companhia os meus amigos Tózé e João Maria que de vez em quando saem da cidade do Templo de Diana e da Capela dos Ossos para me fazerem companhia pelos mares de Sines.

Mas vamos falar da quarta feira, do inesperado e de acontecimentos que pode dizer-se: justificam o tal Workshop de que fala o título.

Não era para pescar neste dia, tinha até uns amigos de Setúbal que eram para vir mas não quis arriscar, atendendo à variabilidade das condições climatéricas. No entanto de manhã, ao acordar, senti a calmaria e resolvi dar uma volta pela Costa Norte para ver o mar e, eis senão quando, aquilo estava um lago, ou quase!
Procurei a Sardinha que tinha guardada, verifiquei a vivacidade dos Caranguejos que tinha a bordo, preparei os caniços e desandei para o mar na companhia das iscas e do barco!

Naveguei para Norte do Cabo de Sines procurando a zona de pesqueiros onde tínhamos apanhado os peixes na segunda feira, pensando que talvez fossem os grandes a marcar encontro à mesma hora e no mesmo local.
A sonda não me dava grande marcação, assim como na jornada anterior, o que não invalidaria uma boa pesca, isto porque um bom pesqueiro é sempre um bom pesqueiro e com mais ou menos tempo de preparação pode vir a dar frutos, mesmo quando a marcação fornecida pela sonda mostra pouca actividade. Esta, pode variar ao longo do dia nomeadamente se existir aguagem, uma constante neste pesqueiro e neste período em que lá se pescou.
Mas porque é que este é um bom pesqueiro? Eu conto!
Imaginem uma área que sobe numa extensão significativa para 58 a 63 metros navegando no rumo E/NE, partindo irregular e abruptamente dos 72 a 74 mts. Melhor ainda, a dita subida, face à aguagem que corria para Sul, estava perfeitamente orientada, neste dia, de modo a oferecer abrigo e alimentação fácil a predadores que a procurassem, descansando da luta contra a aguagem e até procurando comida na forma dos mais pequenos por lá também abrigados. Aliás, como já a tinham procurado de forma persistente e regular na jornada de pesca anterior.
A aguagem não era muito forte, pescando-se bem com chumbada de 180 g, a 72 metros de profundidade, com uma inclinação de linha entre os 60 e os 70º face ao nível da água. Uma delícia!

Os sinais começaram a acontecer, também similares aos da última jornada... o peixe comia a espaços,  consumindo continuamente alguma coisa, mas sempre deixando alguma isca (sardinha e caranguejo), indicadores de que talvez o peixe miúdo estaria muito agarrado à beirada por força da aguagem ou até comendo a medo pela proximidade de outros que lhe metiam o medo no corpo!? Não se sabe!
Aconteceu então o que me pareceu, como direi... pouco usual pelos mares de Sines.
Não tinham passado 20 minutos de estar a "trabalhar" o pesqueiro  quando, no meio daquela imensidão de mar, carregado de bons pesqueiros, já ali num raio de uma milha náutica, onde me encontrava completamente só, oiço o barulho de um barco que navega na minha direcção, se aproxima a uma distância de cumprimento, coisa que o patrão fez, e, após alguma sondagem próxima em torno do meu fundeio, larga ferro a uma distância legal, mas, quanto a mim, demasiado próxima e mesmo na linha de aguagem onde se encontravam as minhas baixadas e respectivas iscadas.
Conhecendo a zona relativamente bem, apercebi-me que aquele fundeio não ia durar muito tempo, atendendo a que me pareceu que o ferro do outro barco tinha sido largado na base da queda onde o fundo é macio e a força da aguagem faria o barco ir à garra... não me enganei!
Não eram passados uns quinze minutos e já o dito barco derivava, obrigando a nova manobra. Quanto a esta nova manobra sobre a qual não me quero alongar em conceitos mas que me pareceu "sui generis", ela acabou por poitar o tal barco a N/NE do meu e a uma distância que achei pouco aceitável, atendendo à deriva existente. Isto porque as hipóteses de o barco descair para demasiado próximo do meu fundeio e até os pescadores a bordo ficarem a pescar sobre o cabo do meu ferro, aumentaram significativamente.
Resultado... levantei ferro e procurei zona menos atribulada.
Antes de contar o que se passou no novo pesqueiro que escolhi, importa no entanto reflectir sobre o acontecido. Ora, em termos de conceitos, vejamos:
Não tenho qualquer bocado de mar que me pertença, nem quero ter!
Embora nunca o tenha feito, compreendo que, caso se tenham algumas dificuldades em perceber onde pescar, se recorra a zonas onde se encontram outros barcos. Não critico isso!
No entanto, acho que quem assim decida encontrar os seus pesqueiros, deve ter em conta o seguinte:
- Quem já lá está, nestas situações, acaba por se desconcentrar da acção de pesca pois sente necessidade de observar o que se vai passar.
- Quem já lá está, nestas situações, fica sem perceber se os sinais e os resultados não estão a acontecer devido à proximidade e até às movimentações e reboliços inerentes e, ainda, se valerá a pena continuar a apostar naquele local.
- Todo o "trabalho" já executado no pesqueiro pode assim perder-se de um momento para o outro.
- Acredito que ninguém o faça com má intenção, mas também acredito que, não tendo estas noções, os que o fazem certamente não gostariam que lhes acontecesse o mesmo.

Concluindo... prefiro de longe que se aproximem e falem comigo. Não tenho qualquer problema em dizer o que se está a passar e até indicar as melhores zonas e locais, perto de mim, onde fundear com distâncias e alinhamentos adequados para ambos e tentar uns peixes, podendo até trocar números de telemóvel e irmos acompanhando as pescas um do outro, só nos pode beneficiar.
Tenho ainda à disposição o Workshop de Pesca Embarcada com o título: "Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar"!
Esta acção já realizada em Dezembro de 2011, parece-me continuar a ter fundamento e está à disposição, para quem ache necessitar dela, no dia 18 de Novembro próximo, nas condições descritas no documento a que podem aceder clicando na imagem que se encontra no canto superior direito da página inicial do blogue, logo acima da foto de um fulano de bigode. A imagem é esta:



Em caso de necessitarem de mais informações sobre o Workshop, podem contactar-me directamente através do telefone 96 357 91 32 e/ou pelo seguinte endereço de mail
Ainda sobre o workshop, mais informo que: neste momento estão inscritas 14 pessoas, o prazo de inscrição foi prolongado até ao dia 9 de Novembro e a acção realizar-se-à mesmo que não se atinjam as 20 inscrições, conforme referido no documento explicativo, no sentido de não defraudar os interessados já inscritos.

Caso os pescadores que estavam no outro barco leiam estas palavras, não quero que fiquem a pensar que  fiquei ou estou chateado com eles, longe disso. Pretendi unicamente deixar algumas notas sobre o assunto que achei pertinentes!? Talvez não sejam, mas é o que sinto e por tal o escrevo.

Mas vamos ao resto da história!

Após levantado o ferro, munido dos conhecimentos que pretendo passar e sobre eles reflectir com quem queira participar no tal Workshop; comecei a relembrar as características de toda aquela zona de pesqueiros que pessoalmente caracterizo como o "Poço das Douradas de Norte", sem desprimor para outras nomeações locais que respeito.
O nome escolhido tem as suas razões de ser... ora tirem-se notas:

Numa área relativamente oval, com mais ou menos uma milha no sentido E - W e uns três quartos de milha no sentido SE - N/NE, apresentam-se concentrações importantes de pontões, entralhados e limpos, num fundo que varia, ao centro, entre os 60 e os 70 metros, com alguns pontões também centrais que chegam aos 54 e 58 metros. Nos limites a E, NE, N, NW e W; das sondagens e pescarias feitas, encontram-se beiradas que chegam a atingir os 49 metros na sua parte mais alta, caindo mais ou menos abruptamente para os 60, 70 e mais metros, oferecendo abrigos e hipóteses de colocação do barco que permitirão direccionar a nossa pesca para todo o tipo de exemplares, sendo a zona conhecida como muito boa na época da concentração das Douradas que se avizinha. Não sei se já dá para entender porque lhe chamo como acima referi!?
A zona em questão é fértil em aguagens, sendo raro não se apresentarem ou acabarem por aparecer ao longo de qualquer jornada de pesca, acontecendo muitas vezes sermos obrigados a reposicionar o fundeio para nos mantermos no pesqueiro activo e até, coincidir a melhoria das capturas com o novo posicionamento originado pelo rodar do barco. Tudo pode acontecer por ali!
Posso até quase garantir-vos o seguinte: naquela zona e particularmente nesta altura do ano, o peixe pode estar em qualquer dos locais apontados!? Resta-nos sondar, interpretar, procurar o pesqueiro do dia, fundear e... pescar!
Com todo esta panóplia de conhecimentos sobre a zona, conseguidos com muita procura, algumas alegrias e também dissabores, decidi dirigir-me à beirada limite a N/NE que sei ter pontões a 56/58 metros que caem para os 60/65, em fundos de entralhados e limpos, considerando que a aguagem era propícia, pois, orientada que estava o fundo da beirada, colocaria talvez as minhas baixadas no "caminho certo"!?

A sonda mostrou-me os fundos, com sinais de pouca actividade muito agarrada a eles, indicadora talvez da aguagem que se mantinha. Procurei onde colocar o ferro de forma a que o barco ficasse onde calculei que, considerando a aguagem, permitiria aceder à posição onde cairiam as minhas baixadas, respectivas iscas e... vá de iniciar novo "trabalhar" de pesqueiro!

Os sinais começaram, tal e qual como no anterior fundeio, com roubos incompletos de iscas, tanto no caranguejo, quanto na sardinha, independentemente de os colocar alternadamente no anzol de baixo e no de cima. Optei por usar sardinha nos dois, durante algum tempo e, ao fim de uns 20 minutos sem qualquer captura, sinto dois toques secos com pequenos intervalos, ambos algo afundantes e... ferro alto!
A luta iniciou-se com alguma violência e peso, permitindo identificar que algo vermelho não dava tréguas no outro lado da linha.
Aqui está ele... o primeiro do dia!


As perspectivas pareciam boas. Coloquei uma cana equipada com montagem de chumbadinha a pescar "em automático" (onde é que já ouvi isto?) e continuei nesta feliz labuta, recompensada a intervalos pela cor vermelha, como se pode ver a 3/4 da pescaria, já acomodados na geleira do costume!


A pesca continuou no mesmo tom até ao seu final que se deu no limite máximo do peso legal com um maior exemplar que atingiu os 3,500 kg.


Depois veio a foto que abre esta entrada, aquela que parece não bater certa com o título, mas que parei para fazer logo após ter levantado o ferro para voltar ao porto neste dia bonito, em que só faltou um daqueles mesmo grandes para abrilhantar a arca. Não faz mal... há-de vir em outro dia!

As perspectivas para a quinta feira que já chegava pareciam boas, embora o vento se previsse mais forte e a vaga mais alta. Mesmo assim, tudo indicava que os meus amigos Tózé e João Maria seriam brindados com um outro bom dia de pesca, mas, o certo é que só no fim de cada jornada podemos ver o que acontece. O mar não nos deixa muitas vezes acertar com contas previamente feitas!

Nesta quinta feita, pode até dizer-se que, face aos acontecimentos... tudo correu bem!

A zona escolhida foi a mesma, mas, as condições de mar e vento muito diferentes, para pior!

Mais vento, vaga bem mais alta e aguagem bem mais forte, tudo indica, não nos conseguiram dar qualquer alegria, embora os sinais, muito idênticos aos dos dias anteriores, se mantivessem. Certo é que, por volta das 14.00 horas, resolvemos levantar ferro e demandar outra zona de pesqueiros, na tentativa de salvar a pescaria, mas um dissabor estava para se revelar... na viagem de transição entre pesqueiros, de repente, o Makaira, começou a perder velocidade até que o motor foi parando com todos os indícios de não lhe chegar combustível e assim se apagou sem qualquer retorno à vida, mal grado o esforço do motor de arranque e das persistentes baterias que desisti de forçar, sob pena de também ficar sem elas.
Abreviando... verificou-se já na amarração que as natas que se formam, constituídas por humidades e impurezas no gasóleo do tanque, tinham entupido o circuito até ao pré filtro e ainda não se sabe se chegaram mais longe. Nada que, esperemos bem, não se resolva com a limpeza do depósito, do circuito e troca de filtros. Já está a ser tratado, vamos ver!?

Aqui fica o agradecimento ao meu amigo Fernando Fontes que estando por perto, de imediato se prontificou a dar-me um reboque, como se vê na foto abaixo!

Obrigado Fernando!


Um agradecimento sentido, também ao pessoal do Porto de Recreio de Sines que, como habitual, de imediato se colocaram à disposição para receber e colocar a embarcação no seu lugar, onde aguarda os cuidados necessários.
Resumindo... tudo correu bem, nunca se sentiu qualquer situação de perigo, nem teve de se recorrer a apoios de monta e, tudo indica, teremos resolução para breve.

É assim a pesca... uns dias melhores, outros menos bons e sempre uma incógnita para a qual devemos estar preparados.

O acontecido sugere para breve uma entrada sobre segurança no mar, aplicada a nós pescadores de embarcada, no sentido de aproveitar acontecimentos e erros de uns, para que todos possamos sair beneficiados nas nossas aprendizagens.

Resta-me, para já, ir degustando alguns daqueles peixes capturados e despedir-me de vós com um "até breve"!

A todos os leitores, desejo uma boa noite e que tudo corra pelo melhor em pescas vindouras!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pescar com Aguagem... comentários e mais reflexões!


O Porto de Sines está no horizonte sempre visível durante todo o dia de pesca, fornecendo-me marcas de terra orientadoras para tomada de conhecimento das variações de posicionamento do barco, variáveis e determinantes de fases diversas ao longo de toda a acção, sustentando opções tomadas quanto ao fundeio ou mudanças de pesqueiro. Amigo... aguarda-me e aos meus pensamentos de fim de jornada, normalmente orientados para a análise de cada dia quanto a acontecimentos, variações de montagens, capturas, sossego e limpeza da alma. Grande porto!
Tanto o vento quanto a aguagem, mudaram de sentido e obrigaram, em conjunto com os sinais dos toques, à tomada de atitudes, quer no que respeita às mudanças de pesqueiro, quer às opções das montagens utilizadas.
As análises que venho fazendo, enquanto navego neste mar de sonho, apresentam-se directamente relacionadas com a última entrada - Pescar com Aguagem - assim como, com a presente, cujo objectivo é completar a anterior, face ao debate de ideias constantes nos comentários produzidos pelos leitores, indicadores de que muito ficou por dizer, ou não seja assim sempre que se fala sobre pesca. Matéria não falta... o que falta, talvez e na maioria das vezes, é a exposição de cada um sobre os seus erros, sucessos e razões que levam a uns e outros. Normalmente, só os dias repletos de peixe aparecem, sem grandes explicações para além do óbvio... fulano de tal, capturou este(s) ou aquele(s) peixe(s)! É bonito e não critico, limito-me a constatar factos.
Mas vamos primeiro às últimas acções e resultados.

Tudo estava programado... dia 19, ida para Sines; 20, 21, 22 e 23; pesca!
Esta semana, seria levantado o barco para limpar e pintar o fundo, o que infelizmente não aconteceu, devido ao mau tempo... paciência!
Ficaram as jornadas de 20 a 22 para contar e sobre elas reflectir!

As duas primeiras (20 e 21), muito idênticas quanto a condições de mar, vento e resultados; a última (22), com mau tempo esperado e opções diversas, tanto derivadas dos resultados das primeiras, quanto às dicas de quem acha que as deve dar, neste caso, o João Carlos Silva, a quem deixo aqui o meu sincero agradecimento!

As opções das duas primeiras jornadas centraram-se no mesmo pesqueiro, por ser produtivo nesta época, quer com exemplares maiores, quer com variedade de espécies de bom porte.
Em ambos os dias, apresentaram-se as seguintes condições: mar calmo, vento fraco, aguagem leve a Norte, até ao meio dia / uma da tarde, mudando para aguagem de intensidade média, a Sul, a partir desta hora e até ao fim da jornada.
As condições descritas obrigaram, para manter o barco e as baixadas na zona mais "quente", a recolocação do fundeio em ambos os dias, no momento da mudança da aguagem que coincidiu sempre com a entrada de uma brisa de N/NW, criando uma deriva S/SE, também coincidente com o rumo da aguagem.
Verdade também que os melhores exemplares entraram após a mudança de aguagem, quer de rumo, quer de intensidade, ficando por se saber se as razões se prenderam com a produtividade da zona para onde derivaram os cheiros das nossas iscas; com a velocidade a que viajaram, talvez informando peixe mais longe; ou ainda, com o aumento do tamanho das iscadas e do comprimento do estralho de baixo para quase 2 metros, assim como, a eliminação do estralho de cima, atendendo a que sistematicamente e em cada subida, capturava Cavalas enormes, enganando-nos ao primeiro toque.
Inclino-me sinceramente para o sucesso do conjunto de modificações que acabaram por corresponder aos sinais, sempre presentes, de actividade intensa no ataque às iscas.
Agora... será que, dentro do conjunto, cada uma das modificações poderia ser melhorada? Não sei!?
Outra questão... uma cana esteve sempre a pescar (em "automático") à Chumbadinha, tendo no segundo destes dias capturado uma Dourada pequena, iscada com Cavala fresca atada com fio elástico, única iscada que assegurava duração significativa. Então porque não entraram Pargos maiores? Talvez porque não estivessem neste alinhamento, pois todo o santo dia caíram sardinhas, umas atrás das outras, atacadas e desfeitas em minutos, por vezes em segundos, num frenesim e largando cheiros que, tudo indica, convidariam qualquer predador maior a juntar-se à festa!?
Alguns apareceram... como esta Dourada e uma outra do mesmo tamanho, maiores exemplares de quinta... 


Ou este Pargo, aqui apresentado pelo Fernando Fontes, maior exemplar de sexta...


... tudo indicando a necessidade de procurar noutros locais, ainda mais, tendo como aconselhamento as já referidas dicas do João Carlos Silva sobre peixe maior, por ele capturado mais à terra, em zona que em outros anos já se apresentaria pouco profícua nesta época, mas, pode dizer-se... este tem sido, sem dúvida, um ano "sui generis", nomeadamente, no que respeita aos exemplares que procuro e aqui pela zona de Sines!?

Sábado, 22 de Setembro, manhã calma em que os meus companheiros Tózé, Nuno e João; vieram pescar comigo, em hora, como direi... matutina.
Saímos para o mar em busca dos pesqueiros de terra, sondámos, poitámos e vá de gastar sardinha, num fundo de 29 metros, onde se fazia sentir uma aguagem para Sul, leve e pouco usual neste pesqueiro. Os toques iniciaram-se, as iscas levavam algum tempo a desaparecer, ora com toques secos e curtos, ora com tão pouca intensidade que nem se sentiam... "cheirava" a peixe de jeito, mesmo cá em cima!

Não demorou muito até que o Nuno se estreasse com o primeiro Parguito... cá vai ele!


As capturas, principalmente entre Parguinhos, Pargos e Sargos; iam acontecendo a espaços, embora num ritmo agradável, sendo os maiores iguais a este aqui apresentado pelo Tózé!


O pesqueiro mostrava-se rico e com espécies variadas... uma Dourada perto do kg, uma Bica jeitosa, um Robalo de 42cm e, parecendo coisa maior, este Sargo Veado tirado pelo João. 


O pesqueiro estava uma delícia e a promessa de maiores manteve-se viva até que o barco desviou de sítio, reposicionou-se no mesmo local, onde me calhou mais um Pargo igual ao do Tózé. Entraram mais uns Sargos, a aguagem parou por completo e, passado algum tempo, instalou-se a ventania de S/SW que já se esperava desde as 13.00 horas; mostrando-nos o caminho do porto, onde se espalhou o peixe e tirou a foto global!


Uma pescaria bonita, onde o tal, ou os tais, não se fizeram representar. Uma pena... seriam as cerejas no topo do bolo!

Relativamente aos três dias relatados, parece poder dizer-se que, no que respeita a capturas de melhor qualidade, houve influência positiva da aguagem. Nos dois primeiros, a intensidade verificada obrigou a alteração de montagens; e, neste último, tudo indica que quando esta deixou de se fazer sentir, também as capturas de melhor qualidade pararam.
Fica-me uma questão... se por acaso se têm alterado as montagens, neste último dia, será que o tal maior teria entrado? Não o fizemos porque não se sentiu essa necessidade e o peixe estava a corresponder bem, por tal, nunca o saberemos!

O relato produzido, considerando também o artigo anterior e os comentários produzidos pelos leitores, por ordem de intervenção:  João Martins, Filipe, Luís Ramalho e João Carlos Silva; remete-nos para o tema do artigo, permitindo-nos aprofundar análises e reflexões.

Antes da produção de definições e aprofundamento de conceitos, importa referir que umas e outros, não devem considerar-se estanques; não raramente acontecendo que muitas outras sub definições e / ou sub conceitos poderão estar presentes, ou até, situações de várias intensidades, de mesmo rumo ou rumo contrário, na coluna de água, pouco perceptíveis e passíveis de baralhar tudo isto. Resumindo, não vamos olhar para o que vai sair daqui como "chapa batida", mas sim como orientação de base, fundamentada em experiências e resultados obtidos pelo autor, com alguma regularidade, mas falíveis em diversas ocasiões.

Vamos então considerar quatro áreas de reflexão:

1. Distribuição das intensidades da aguagem em três categorias, usando como referências: o peso da chumbada e o ângulo formado pela linha do carreto no ponto em que, com a baixada no fundo, se insere na linha de água; e, a linha de água, prolongada até à vertical da ponteira da cana.
2. Comportamento dos peixes, versus intensidade da aguagem.
3. Análise de montagens, face às categorias de intensidade e aos sinais produzidos por toques e capturas.
4. Comportamentos do pescador... atenção, reposição de iscas, utilização do material face às montagens em uso e outros que vão surgindo das reflexões produzidas.

1.1. Intensidade limite, conforme já definida no artigo anterior: ângulo de 45º ou um pouco menos, para chumbada com um peso máximo de 350grs. Talvez mais adequada para pescar com montagem de fundo que para a chumbadinha, se bem que nesta última também se podem usar chumbadas mais pesadas que as que se ouvem falar (trinta a cento e algumas gramas).
1.2. Intensidades médias, também definidas no artigo anterior: ângulos de 45º ou um pouco menos, para chumbadas de 150 /180 gr. Adequadas para qualquer técnica.
1.3. Intensidades leves: ângulos com mais de 45º para qualquer chumbada até 150 / 180 gr. Estas, as que parecem ser mais produtivas, talvez por razões que se prendem com vários factores, como sejam: menos afastamento do local de fundeio; mais controlo sobre o local onde se coloca a baixada; facilitação das funções, sentir e ferrar; e, entre outras possíveis, menor esforço para o pescador.

Relativamente às intensidades, repararam certamente os leitores nas referências, em singular, relativamente à 1.ª; e, em plural, às restantes. A razão de tal, prende-se com a dificuldade de melhorar a aproximação ao local de fundeio no caso da "aguagem limite", versus as possibilidades de variação, através do aumento do peso da chumbada, possível na média, caso se pretenda pescar mais perto do barco; e, o aumento e / ou diminuição do peso da chumbada, caso se pretenda aproximar ou afastar, quando em presença de uma intensidade leve.
Pode portanto afirmar-se que, com menor esforço, quer a intensidade média, quer a leve, permitem melhor exploração de fundos, e, consequentemente, pescar melhor!?

Uma outra questão parece pertinente no que respeita às aguagens, tanto verificando que já existem logo que fundeamos, quanto à sua entrada após algum tempo em acção de pesca... continuamos no pesqueiro ou mudamos?
Tal decisão, parece... terá muito a ver com os sinais dos toques. Se estes lá estiverem e as iscas, de vários tamanhos, forem consumidas com mais ou menos agressividade, tudo indica que devemos manter-nos, principalmente na presença de uma aguagem de intensidade limite. Isto poderá querer dizer que algum abrigo perto, permite aos peixes, certamente esfomeados, atacarem as nossas iscas e, os predadores, tendencialmente, não faltarão ao encontro, mais cedo ou mais tarde.
Em presença de aguagens médias ou leves, ou já existem sinais, ou devem procurar-se explorando mais ou menos afastados do barco, só mudando, caso os sinais não existam, aliás, como em situação de água parada.
Estas últimas reflexões remetem-nos para a análise seguinte, ou seja, o comportamento dos peixes face à intensidade da aguagem.

2.1. Relativamente ao comportamento dos peixes, este será tão alterado quanto maior a intensidade da aguagem.
Não é fácil começarmos a adivinhar sobre o tema, no entanto, podem elaborar-se algumas reflexões lógicas, conjugando: experiências de caça sub com aguagens normalmente médias ou leves; algumas leituras de sonda, em presença de aguagens de intensidade limite ou superior; sinais e resultados obtidos em presença de intensidades variadas e algumas regras comportamentais conhecidas no que se refere a comportamentos alimentares na vida selvagem. Dava para escrever um livro, mas vamos tentar abreviar, tentando fazer algum sentido.
No caso da caça sub, com aguagens de leves a médias, era usual ver muita vida em torno de pontões altos, sendo que os peixes alimento movimentavam-se junto ao lado do pontão contrário à aguagem, subindo-o ou ladeando-o até serem apanhados por esta e voltando ao abrigo do refluxo, tudo indicando que iam comendo o que a aguagem lhes trazia e descansando no abrigo a intervalos, lutando o mínimo contra esta.
Uma caça de espera agarrado ao fundo, ou um mergulho a favor da aguagem, ladeando o pontão com cuidado, descobriam por vezes predadores de água livre que procuravam os peixes alimento que por ali andavam. Já os Sargos; tendiam a entocar-se em frinchas ou buracos virados à aguagem, abrigando-se e recebendo sinais que esta lhes trazia. Com aguagens mais intensas as dificuldades de encontrar peixe aumentavam exponencialmente, tanto pela nossa capacidade de nos aguentarmos, quanto à mobilidade do peixe, tão rápida e fugaz que só num frente a frente rápido e instintivo se conseguia uma captura. A hipótese era mergulhar numa zona conhecida, normalmente entre pontões, procurando a profundidade ideal e, deixando-nos levar pela aguagem, fazer passagens atentas aguardando um encontro sério. Neste caso, após emersão, entrar no barco de apoio, tornar a voltar ao ponto de partida e repetir, repetir, repetir... também este, um comportamento predatório extenuante que só valia por se saber que a recompensa poderia ser grande!? Claro que, invariavelmente, ao fim de algumas passagens deste tipo, procurávamos local menos agressivo.

É do senso comum que a regra base orientadora dos comportamentos, quer de peixe alimento, quer de predadores; é a que se refere ao máximo de ingestão de alimento, para um mínimo de gasto energético; regra esta  que, na vida selvagem, se relaciona também com a eliminação dos mais fracos e / ou doentes, mais fáceis de capturar, preservando assim, a saúde e fortaleza das espécies.

Na pesca embarcada e em profundidades diversas, calcula-se que os comportamentos sejam idênticos, pelo que será muito difícil conseguir colocar as nossas iscas na hora certa e no ponto ou alinhamento certos, em presença de aguagens com intensidades para além da definida como limite. Aliás, com aguagens deste tipo, pode talvez afirmar-se que um predador podendo, quando ela entra, aproveitar-se de "incautos" apanhados e levados, tenderá posteriormente a procurar zona menos agreste para caçar. Nós, enquanto predadores, teremos de actuar em conformidade.
Em presença de aguagens com intensidades leves ou médias, os peixes gastam menos energia, têm mais  capacidade de fuga e / ou tempo para preparar ataques, sentem os cheiros e vibrações vindos de longe e correm mais água em procura. Nós, podemos fundear melhor; pescar com melhor noção sobre os fundos onde actuam; adequar e colocar melhor as nossas baixadas, em função dos sinais; e, despender menos esforço. Portanto, tudo indica que existem vantagens significativas em pescar com aguagens leves a médias.

As reflexões produzidas, essencialmente apoiadas em vivências da caça sub e na regra básica orientadora de comportamentos alimentares, podem ainda ser suportadas pelas leituras de sonda, sinais de toques e resultados obtidos em acção de pesca, em presença das intensidades analisadas.

A sonda, no caso de aguagem de intensidade limite ou superior, usualmente mostra muito pouco peixe por cima dos bicos e algum, muito concentrado, na beirada contrária ao rumo da mesma. Em alguns casos, vêm-se sinais de actividade por cima dos bicos, mas numa segunda passagem já só se vê um deserto, indicando que o peixe ou está em movimento, ou está completamente agarrado na zona de abrigo do pontão, local onde será extremamente difícil colocar as nossas baixadas, tanto mais, quanto maior a intensidade. Melhor será procurar pesqueiros noutra zona.
Outro figurino pode acontecer... em determinados pesqueiros, principalmente em pontões muito altos, estes apresentam-se escavados do lado frente ao rumo da aguagem e cheios de actividade decorrente deste abrigo criado pela própria erosão das correntes predominantes. Nesta situação, quando conseguimos fundear afastados e colocar as baixadas perto deste abrigo, mesmo com aguagens de intensidade limite ou até mais fortes, as hipóteses de capturas interessantes aumentam significativamente.
As decisões de ficar ou desandar para situações mais favoráveis de pesca, dependerão sempre dos sinais dados pelos toques. Se existirem logo que descemos as nossas iscas, vamos ficando, analisando e procedendo conforme evolução da intensidade destes e de eventuais capturas conseguidas; se, ao fim de algum tempo, nada se sente, está na hora de ir pregar para outra freguesia.

3.1. As montagens a utilizar, poderão variar face às circunstâncias referidas, considerando: a proximidade do barco a que queremos pescar; as iscadas com isca maior, menor e mais ou menos rija, em uso; assim como, a exploração que entendermos fazer na coluna de água ou ao fundo, face aos sinais e tipologia das estruturas onde, em determinado momento, exercemos a nossa acção. Os peixes poderão atacar qualquer delas, dependendo de tantos factores que só a experimentação e a análise de resultados, poderão nortear as nossas opções nesta área.

As montagens que se seguem, não são a "descoberta da pólvora", simplesmente são as que me têm resultado ou a companheiros que vi em acção de pesca, cuja fiabilidade técnica e resultados, não deixam margem para dúvidas quanto à fiabilidade destes materiais, tanto a pescar ao fundo, quanto à chumbadinha. A primeira, com bons resultados com qualquer intensidade de aguagem; a segunda, parecendo-me mais adequada para aguagens de intensidade leve a média.

Com ou sem aguagem, a montagem que mais uso está mais que descrita, em artigos variados, aqui pelo blogue; ou seja, aquela de dois estralhos, entre os 60 e os 100cm, separados 120 a 150cm; com`fusível à chumbada, entre os 25 e os 30 cm, usando destorcedores iguais ao que se encontra na montagem da figura seguinte.
Esta montagem, permitindo variações do comprimento e espessura / resistência do único fio do estralho, assim como do comprimento do fiel da chumbada, pode adequar-se para iscadas grandes, mortas ou vivas, pescando com ou sem aguagem, na mão, ou com a cana a pescar no caneiro; tendo provado a sua eficácia, principalmente, com existência de alguma aguagem. Importa referir que um estralho mais comprido, tenderá a melhorar a apresentação da isca, para peixe maior, na maioria da situações. Com aguagem, o estralho comprido assegura sempre alguma capacidade de sentir os toques atendendo a que a linha, por força da água, estará esticada. Cada pescador adequará os comprimentos, segundo a sua própria sensibilidade, sendo que, segundo experiências efectuadas, nunca menos de 150cm e podendo chegar aos 300cm ou mais.


Como podem reparar o estralho fica alinhado com a madre, diminuindo folgas e, consequentemente, parecendo melhorar a capacidade de sentir e ferrar.

Para aguagens com intensidades leves a médias, explorando a coluna de água e fundo, deixo-vos uma montagem de chumbadinha, com anzol simples, já divulgada em várias revistas da especialidade e que já actuou com resultados muito bons lá a bordo do Makaira (com Pessoal amigo do Team Chumbadinha). Aliás, nunca até ao momento conseguidos por mim, muito por ainda não me ter dedicado a sério a esta técnica. Mas os primeiros passos estão dados e veremos o que acontece!?


A pérola de protecção ao nó, foi coisa que não vi, mas que me parece importante, nomeadamente, quando os furos das chumbadas se encavalitam neste.

Nas montagens anteriores, pode optar-se, em vez de um único anzol, por montar dois anzóis em tandem, pelo que vos deixo duas sugestões: a da esquerda, para a montagem que apresentei na primeira imagem; a da direita, para a chumbadinha, obrigando a um pormenor diferente no que respeita à prisão e consequente forma de correr da chumbada, para evitar que esta encoste ao primeiro anzol (na sua direcção) que estando preso por um tubo plástico, tenderá a correr para cima do da ponta, por força da tensão da chumbada sobre ele, principalmente no acto de lançamento.


Nesta montagem o anzol da ponta está empatado e o que se encontra na linha, de argola, corre nesta com alguma pressão fornecida pelo envolvimento do tubo de plástico, permitindo variar distâncias entre anzóis, face ao tamanho da isca e evitando outro nó que certamente, devido à proximidade, enfraqueceria significativamente o estralho.
No caso do tandem para a chumbadinha, importa referir que o estralho que vem do destorcedor aos anzóis,  podendo ser mais grosso que a madre, não deve exceder os 50cm entre o destorcedor e o anzol da ponta, sob pena de se embrulhar quando se lança ou se deixa a baixada descer, acreditem que já testei!
À excepção do cuidado apontado, a chumbada corre lindamente, promovendo um afastamento significativo da iscada, assim como, uma exploração liberta da coluna de água, talvez mais que com a chumbada furada.
Duas outras vantagens, me parecem ter este último sistema: uma, a facilidade de mudar os pesos da chumbada; outra, a possibilidade de colocar um lider mais grosso, mantendo fios de suporte mais finos e, consequentemente, menos levados pela aguagem.
Na imagem seguinte deixo-vos o pormenor do clip real para ligação à chumbada que melhor funcionou nos testes realizados.


Esta peça existe em vários tamanhos, parecendo ser os mais adequados, aqueles entre 1,5 e 2cm.

4.1. De posse dos seus saberes e eventualmente de algo que por aqui se escreveu, resta ao pescador ir para o mar, procurar, fundear, aperceber-se das condições e, caso a aguagem se manifeste, determinar a respectiva intensidade, optar por materiais, montagens, iscas e tamanho de iscadas a utilizar; e, ir experimentando, diversificando...; mantendo, no entanto, alguns comportamentos que porventura já adquiriu, mas que não custa referenciar por aqui.

- Caso queira pescar o mais próximo possível do barco e ao fundo, escolhida que está a gramagem da chumbada, se lançar um pouco contra a aguagem, as baixadas atrasam o afastamento. Deverá ainda, neste caso, ir travando a saída da linha, para diminuir o seio que normalmente se forma e lhe dificultará as funções: sentir e ferrar.
- Caso queira testar mais afastado, pode ir deixando cair na vertical ou lançando cada vez mais na direcção do rumo da aguagem, travando sempre linha para diminuir o tal seio. Isto utilizando a mesma chumbada, sendo que diminuir o peso desta com o mesmo objectivo, pode também ser uma opção, principalmente se tal significar uma poupança de esforço.
- Após chegada da baixada ao fundo, a cana deve ser elevada e retiradas as folgas de forma a que fique a pescar com a ponteira o mais direita possível, sendo que uma colocação da ponteira da cana, acima do nível da cintura e perpendicular ao rumo da aguagem, poderá facilitar a visualização dos toques e a rapidez de ferragem, após a qual, a cana deverá manter-se elevada, quer para verificação da ferragem, quer para manutenção da luta com capacidade de resposta a maiores arranques do peixe.
- No caso da chumbadinha, há que lançar e deixar ir, facilitando a saída da linha e esperando que, chegada a chumbada ao fundo, a aguagem pegue na isca e estique a linha, o que poderá ser ajudado com algumas cuidadas voltas de carreto, se bem que esta opção poderá diminuir a exploração da coluna de água pela iscada.
- Em ambos os casos - pesca ao fundo e chumbadinha - a atenção em acção de pesca deve manter-se muito activa, logo que a linha começa a descer, principalmente no caso da chumbadinha.
- A atenção aos toques do peixe miúdo e o sentir do peso com e sem isca, é outro pormenor sempre a ter em conta, pois pescas desiscadas não fazem nada lá pelo fundo. Muito tempo sem sentir, tanto pode querer dizer que nenhum peixe lá foi, como, desiscaram e não sentimos... acontece aos melhores!

Ainda percorrendo pormenores referenciados pelos comentadores que originaram este complemento ao artigo anterior, importa deixar algumas notas sobre o material, principalmente no que se refere a fios e canas.

Sobre os fios:

- Nomeadamente o fio do carreto, atendendo a que é o que maior quantidade terá na água, deverá ser o mais fino possível, face aos exemplares que se esperam, no sentido de diminuir o atrito provocado pela aguagem.
- Os fios da ponteira de amortecimento e dos estralhos ou do líder, terão espessuras adequadas, deste que as resistências, quer à tracção, quer à abrasão sejam também adequadas aos "fregueses".

Sobre as canas:

- No caso da pesca ao fundo com chumbada pesada, uma cana de 3,5mt ou um pouco mais, de acção semiparabólica progressiva, com alguma rijeza, ou próxima da acção de ponta; parece ter tanto mais vantagens para sentir e ferrar, quanto maior for a intensidade da aguagem. Principalmente porque terá de lutar, na ferragem, quer com o seio do fio, quer com uma chumbada de 180 gr ou mais, para além da boca rija do peixe. Verdade também que quanto mais rija for, mais dura será em luta, exigindo mais cuidados e esforço do pescador.
- No caso da chumbadinha, atendendo a que as chumbadas em uso, tendem a ser muito mais leves, parece mais indicada uma cana de acção semiparabólica progressiva, de comprimento idêntico e menos rija que assegurará, com boa prestação, as funções: sentir, ferrar e luta. Isto porque, tudo indica que a maior tensão que esta cana terá, em espera, será aquela provocada pela força da aguagem sobre algum seio do fio e a isca.

Sobre a aguagem, penso que, para já, considerando o anterior artigo e os comentários produzidos, temos aqui matéria farta de discussão, esperando que os leitores e / ou os comentadores interessados se pronunciem com base nas suas experiências.
Quanto àqueles que se iniciam, aguardam-se questões e espera-se que o escrito vos sirva!?

Do conjunto de intervenções produzidas, falta referir a questão colocada pelo Filipe. A resposta vem no fim, atendendo a que se refere a correntes de maré em rio e estuário, o que, de algum modo estando relacionado, foge um pouco ao tema.
Sobre o assunto, considerando algumas experiências no Rio Sado, nomeadamente com Douradas e segundo consulta a registos vários, pode dizer-se que, os melhores resultados se verificaram, na maioria dos pesqueiros, em situação de marés vivas, com variações entre os 3,70 / 3,90, na maré alta; e, os 0,30 / 0,50, na baixa.
Importa referir, entretanto dois factores importantes:

1. O Sado, tem menos corrente que o Tejo
2. Quando as marés eram maiores que as referidas, procuravam-se pesqueiros perto de zonas de refluxo, onde a maré corria menos e acabavam por se melhorar resultados. O mesmo acontecia, no caso de marés que corriam menos... neste caso, procuravam-se canais de corrente mais intensa e muitas vezes se melhoravam também os resultados.

O acima descrito, tem a ver com a procura de pesqueiros para além daqueles que nos são habituais e mais produtivos, em determinadas condições que consideramos ideais, tendo por base o conceito de que o peixe sempre se alimenta procurando as condições mais vantajosas para ele.

Sobre este assunto, para já, fico-me por aqui, esperando que tenha aprofundado minimamente.

A todos os leitores e comentadores, desejo uma boa noite e envio um forte abraço.



Reflexões complementares, considerando comentários enviados:

A participação de leitores através de comentários face a este artigo, faz-me sentir obrigado a complementá-lo; pelo que escolhi fazê-lo aqui, em vez de responder na área dos comentários, por achar que quaisquer reflexões nesse formato, acabam por se ocultar daqueles outros menos atentos.

As questões levantadas situam-se em torno do material, área que, embora possa não parecer, considero como extremamente importante nesta nossa actividade como se pode ver se lerem ou relerem o artigo por mim escrito - http://aminhapesca.blogspot.pt/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html - que, no momento em que publico este complemento, conta com 5709 visualizações, sendo o artigo mais lido desde sempre na história deste blogue.
Não pretendo com tal afirmação nada mais que realçar a preocupação e interesse que nós, pescadores, sentimos por esta área.
Fica também patente no artigo referido que, quando abordo questões relacionadas com material, evito a transmissão de alguns conceitos, como sejam, entre outros:

- Falar de uma só marca ou deixar no ar que esta ou aquela marca é melhor que aquela outra; isto, por achar que todas as marcas têm materiais bons e menos bons.

- O material que uso é melhor que este ou aquele; isto, porque o material que uso é aquele que melhor me tem servido, face às minhas características físicas, à sua qualidade, versus a capacidade da minha bolsa e também porque não conheço todos os materiais que existem por esse mundo fora.

- O material topo de gama assegura a melhor prestação; isto, por achar que o material é importante mas não faz o pescador.

Principalmente pelas razões apresentadas, evito falar de marcas, preferindo falar de acções e características dos materiais, versus as funções esperadas a desempenhar. Certamente, melhor qualidade trará maior duração, menor necessidade de manutenção e poderá poupar um ou outro dissabor, mas neste caso continua a mandar a carteira.
Uma outra questão, relacionada com a carteira que também me preocupa, prende-se com a nossa adaptação a um tipo de material que possuímos que, podendo não ser o mais adequado para determinada situação, através de alterações do nosso comportamento em acção de pesca, poderá corresponder melhor, evitando outros gastos.

Finalmente, sempre que falo de material e de marcas por achar que é necessário, gosto de deixar algumas notas introdutórias idênticas às descritas, no sentido de não melindrar aqueles defensores de outras ideias sobre o tema e / ou materiais específicos, muito por este se relacionar com actividades comerciais e com gostos, características e necessidades muito específicas, pessoais e diversas no que respeita a experiências e consequentes opções.

Relativamente ao comentário do João Martins, acho o seguinte:

O multifilamento como fio do carreto, atendendo à sua falta de elasticidade, para além de permitir menores diâmetros para a mesma resistência do mono, o que tem vantagens em situação de aguagem por oferecer menos resistência hidrodinâmica, assegurará sempre um melhor sentir de toques, assim como uma melhor ferragem.
Quanto ao mono, reconhece-se-lhe uma grande virtude… a eficácia em luta devido à sua elasticidade, podendo funcionar muito bem caso se tenha uma cana e carreto a pescar a solo, neste caso contando principalmente com a auto ferragem.

Quanto às chumbadas, as do tipo torpedo ou similares, para a pesca ao fundo e as do tipo oliva ou redondas, furadas, para a chumbadinha, parecem-me as mais adequadas, principalmente atendendo à sua hidrodinamia. Quanto às hipóteses de se prenderem ao fundo, pois, não vejo que tenham desvantagens face a outros formatos.


Sobre as canas, continuo a defender o mesmo tipo de cana, quer para a pesca ao fundo com chumbada quer para a pesca à chumbadinha.
Uma questão que me parece pertinente, principalmente no caso da chumbadinha, prende-se com os passadores da ponteira com uma largura mais facilitadora da saída de fio que a habitual nas canas de ponteiras. Acho até que uma cana para pesca aos Pargos ao fundo e / ou à chumbadinha, poderia ser algo parecido com uma cana de spinning de duas partes, situando-se em comprimentos entre os 3,00 e os 4,00m, sem ponteiras, sensível e de acção semi parabólica progressiva. A variação de comprimentos terá essencialmente a ver com os gostos e capacidades físicas de cada um.
Pessoalmente, contínuo a pescar com a 7even 3,60, de 3 partes e com a Steel Power, da NBS, de 3,60 também de 3 partes. Poderão não ser as melhores, mas são as que tenho e servem-me bem. Ambas têm o mesmo tipo de acção, semi parabólica progressiva; a 7even é uma pluma que se aguenta muito bem com qualquer peixe; a NBS é um pesadelo que aguenta tudo, mas gosto de exercitar o braço. Manias de Professor de Edcação Física. Há melhores? Não tenho dúvidas que sim!

Finalmente, relativamente ao referido pelo Luís Ramalho, tenho a comentar o seguinte:

Sobre a questão do carreto, sem dúvida que um topo de gama poderá melhorar as prestações em qualquer situação, com ou sem aguagem, excepto no que respeita ao Jigging, onde me parece mais importante a escolha da gama alta atendendo às exigências particulares da técnica. Já no que respeita às pescas em análise, parece-me, no conjunto, ser a cana a peça a pensar melhor, sem desprimor para o carreto.

Importa ainda referir que um destes conjuntos (cana / carreto) deverá ter a leveza, como característica extremamente importante, conjugada com preço de aquisição e eficácia face à técnica em uso, gostos e característcas físicas específicos de cada um.

Uso os seguintes: Penn 6500SS, Penn 8500SS, Cabo 60, Cabo 80, ICON VG e Ryobi Safari 5000. Vario as utilizações, face à técnica em uso, sendo que os mais usados para pescar na mão ao fundo ou chumbadinha são por ordem de minha preferência: O Cabo 60, o ICON VG e os Penn 6500SS. Os outros, uso-os quer nas canas a pescarem no caneiro, quer no Jigging.

Relativamente aos anzóis, se ao nível do conjunto cana / carreto a escolha é difícil, neste caso é uma autêntica loucura de variedade, pelo que vos mostro os que actualmente uso:


O Kong da Hiro para a chumbadinha em 6 e 8/0, os chinus de argola ou pata, de marcas variadas para pescar ao fundo, normalmente entre os 5 e os 6/0. Sendo que neste caso, os Hayabusa da foto são os meus preferidos.

Quanto aos óculos, assim como a roupa confortável e outros acessórios, considero que são extremamente confortáveis e por tal importantes para que o pescador mantenha a sua melhor performance ao longo do dia. Também aqui a escolha é infinita e há que testar. Eu, por acaso, uso ténis e roupa velha de algodão já feita ao corpo e uns óculos da Rapala de 27 euros que acho bons. Talvez porque não experimentei outros. Não sei ao certo!?

Outras questões poderão certamente ser pertinentes, penso que respondi minimamente às últimas, se não, estou por aqui!

Uma boa noite a todos os leitores.


Reflexões complementares, considerando comentários enviados (continuação):

Outras questões se colocaram... outras questões merecem reflexão e análise!

Considerando o último comentário do Luís Ramalho, duas variáveis nesta pesca com aguagem merecem análise para além da já produzida que terá pecado por insuficiente.


1. A leitura "errada" da sonda
2. Engodo / preparação do pesqueiro

1.1 A palavra "errada" muito bem colocada, entre aspas, pelo Luís Ramalho, refere-se certamente a leituras de sonda que apresentando muito pouca ou nenhuma actividade nos locais esperados, podem não querer dizer que o peixe não ande por ali ou não se capture.

As imagens de sondagem, na presença de aguagens limite ou mais fortes, tendem a não mostrar peixe, a mostrar peixe por cima de bicos à 1.ª passagem e já não mostrar à 2.ª e, por vezes, mostrar pequenas bolas de peixe muito concentradas no lado do pontão, oposto ao rumo da aguagem. Penso que isto acontece porque respectivamente o peixe não está logo ali onde normalmente se situa o pesqueiro, está em movimento ou está abrigado nos refluxos provocados pela força da água em zonas tão abrigadas que dificilmente conseguiremos lá colocar as nossa iscas. Portanto a imagem de sonda não está errada, o peixe é que fica com um comportamento que, na maioria das vezes, não se deixa apanhar em imagem.

Nada disto impede que não se fundeie e não se tente, nomeadamente se a zona  é propícia à concentração ou passagem de peixe grande, muito pela configuração de fundos por baixo do barco, na linha em que as nossas baixadas vão actuar e zonas em volta. Quer dizer com isto que o fundo onde nos encontramos e o seu enquadramento na área circundante, se tiverem características para abrigo do peixe, mesmo com aguagem forte serão sempre pontos de referência onde, mais cedo ou mais tarde, as surpresas podem acontecer, quer pelo peixe que já lá possa estar abrigado, quer por outros que ali venham procurar abrigo e/ou alimentação. 
Uma zona de pesqueiros deste tipo, caracteriza-se normalmente por mostrar zonas de limpo e entralhados rodeadas por pontões mais ou menos altos, ou zonas de pedra concentradas, muito irregulares e com diferenças significativas de profundidades, isoladas no meio de zonas extensas de areia e/ou lodo. Importa referir que estas serão as configurações mais propícias, salvaguardando outras condições existentes que possamos não dominar e nos condenem ao fracasso.

Numa das zonas referenciadas, após fundeio ou se já lá estivermos fundeados quando se verifica a entrada de aguagem, há que, respectivamente, preparar o pesqueiro e / ou alterar iscas, iscadas e até montagens se sentirmos essa necessidade, o que nos leva à segunda questão levantada pelo Luís: engodo / preparação do pesqueiro...

1.2 A preparação do pesqueiro ou como gosto de lhe chamar... "trabalhar o pesqueiro", passa sempre por uma acção de engodagem com dois objectivos: um, espalhar cheiro de comida que atraia "clientes" de vários tamanhos e dois, criar frenesim de comida cujas vibrações causadas pelos "gaiatos", em torno das nossas iscas ou engodos, venham a atrair a atençaõ daqueles que de facto queremos. Importa referir que o frenesim, tudo indica, será tanto mais intenso, quanto mais peixe pequeno disputar as nossas iscas, atendendo à competição criada. Se lá estiver peixe grande em concentração e com fome, o que por vezes (mais raras) acontece, as ferragens podem tornar-se sucessivas e com pouca intervenção do pescador.

A engodagem pode ter dois formatos essenciais:

A. Através de formas de engodar específicas e variadas para além das nossas iscas, como por exemplo, as analisadas neste artigo: Engodar ao fundo.
B. Através das nossas iscas, tendo em conta tamanhos, formatos, frequência de roubos e de reposição das mesmas.

Para todos os efeitos, a engodagem em que mais se pode confiar, parece-me, será sempre a provocada pelas nossas iscas, atendendo a que os anzóis estarão na fonte da engodagem, normalmente, o local final onde aqueles que queremos acabarão por chegar, mesmo que levem mais tempo e obriguem a muito mais esforço do pescador face a outros tipos de engodagem.

Quanto a outras formas de engodagem, sem dúvida que, desde que as nossas iscas e consequentes armadilhas se encontrem na linha de engodo ou próximo, serão menos cansativas e mais produtivas. O problema estará no controlo que possamos ter sobre estes factores de alinhamento que, muitas vezes, podem não ser o que parecem, nomeadamente com aguagens limites ou mais fortes, em que, para além de muitas vezes acontecerem aguagens de rumo inverso ao longo da coluna de água, até podem haver variações de concentração de peixe grande na coluna de água e muito acima das nossas iscadas.

Para todos os efeitos, parece-me... serão sempre os sinais fornecidos pelos toques e restos de iscas que retornam, ou, a ausência destes que nos farão tomar a decisão de ficar ou procurar outras paragens para a nossa acção de pesca.

Temos ainda uma outra hipótese... face ao pesqueiro em que actuamos, à época do ano e a experiências recentes conseguidas em condições idênticas, podemos decidir que: "não se passa nada, mas o peixe há-de entrar" e, assim decidindo, ficamos e a coisa acaba por se dar!
Já me aconteceu algumas vezes embora na ausência de sinais prefira procurar outros locais!

As questões aqui levantadas, constarão das alterações ao workshop de sonda, a realizar no próximo dia 18 de Novembro, assim como a outra sobre iscas, formas de iscar, montagens e materiais ao momento, a realizar a 16 de Dezembro e que brevemente divulgarei por aqui, ma minha página do FB e no fórum do site Porto de Abrigo Porto de Abrigo

Mais uma vez me despeço, salvaguardando o retorno caso sejam colocadas outras questões.

Boa tarde a todos os leitores.




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pescar com Aguagem!


Olho a rua, através da janela da minha casa, sinto a azia derivada, não ao Alfaquim cozido capturado lá por Sines que comi ao almoço, mas sim, às últimas medidas de austeridade, ou, se quiserem, lunáticas e mal intencionadas, emanadas pelos fulanos do costume e penso para comigo: preferia ter o mar por trás das árvores em vez de parque de estacionamento; preferia estar a pescar, em vez de estar aqui a preparar tudo para a actividade náutica já programada para 15 de Setembro, mas... tem de ser e não há volta a dar!
Assim em vez de tomar um Conpensan ou chupar umas Rennies, mais vale falar de pesca... a azia é capaz de passar e supostamente torno-me útil!? Vamos ver!?

Nos passados dias 4 e 5 de Setembro, fui pescar!
No primeiro dia, com pessoal amigo aqui de Setúbal - o Morais, o Teles e o Fernandinho - no segundo dia, com o meu companheiro João Martins!

Duas pescarias com características diferentes, em horários, intenções, comportamentos, peixes capturados...; ambas em excelente companhia e, também verdade, muito idênticas relativamente às condições de mar e vento, sendo o elemento de realce, a aguagem que se verificou em ambas as jornadas.

Considerando experiências passadas e estas últimas que particularmente me chamaram a atenção, vou-me isolar do mundo, concentrar na pesca e conversar convosco sobre o assunto em título... "Pescar com Aguagem"!

O termo refere-se, na gíria, à corrente que muitas vezes nos aparece ou já existe no mar, respectivamente, no pesqueiro em que já actuamos ou naquele em que fundeamos à chegada. Neste último caso, por vezes, nota-se na deriva do barco quando o seu rumo não é igual ao do vento ou este não existe; o mesmo não sendo tão visível quando coincidente com o rumo do vento existente, sendo tão mais difícil perceber quanto a maior intensidade deste.

Quando tal acontece, as reacções dos pescadores são diversas: uns, não gostam pura e simplesmente de pescar nestas condições, nomeadamente quando a aguagem é significativa; alguns outros, ficam na dúvida e  outros ainda, adoram pescar nestas condições!
Estes gostos e comportamentos normalmente associados, estão certamente ligados a experiências anteriores de sucesso / insucesso, por sua vez, sediados nos comportamentos de cada um, face às condições referidas. Isto é, se a experiência é diminuta e pouco frutífera, pescando com aguagem, normalmente deixa de se acreditar e tentar, promovendo assim o insucesso. Se o contrário for verdade, lêem-se os sinais, alteram-se comportamentos, talvez baixadas e até técnicas de pesca ao fundo, assim como, paciente e atentamente se aguardam os resultados para os quais se dirigem estas novas acções, promovendo neste caso o aumento das hipóteses de sucesso.

Pessoalmente, gosto de pescar com aguagem, mas já lá vamos!

Antes de falar sobre interpretações e sobre o que fazer ou tentar face a estas, importa caracterizar aguagens, principalmente quanto à intensidade, já que, relativamente aos rumos, alguns destes, podendo ser menos propícios atendendo à zona onde estamos fundeados e a determinada época do ano, não vão certamente interferir com as funções da aguagem que estarão sempre presentes. Ou seja, a "dita cuja" levará sempre os cheiros das nossas iscas e / ou engodos, assim como as vibrações causadas pelos pequenos peixes que actuam em frenesim sobre os mesmos, permitindo-nos colocar as nossas baixadas em procura, mais perto ou mais longe, dependendo da nossa capacidade de leitura dos sinais oferecidos por toques, ausência destes, e, do nosso conhecimento dos fundos para além do local onde fundeámos. Resultará, não resultará... se não tentarmos porque não gostamos, está garantido que não vai resultar. Mas vamos às intensidades.

No sentido de qualificar aguagens quanto às intensidades, de forma prática e considerando os meus limites de conforto / desconforto, considero como intensidade de aguagem máxima, para pescar ao fundo com estralhos, quando, aplicando uma chumbada de peso máximo 350 grs, em linhas do carreto de 0,30 de diâmetro, consigo chegar ao fundo com a linha a formar um ângulo de 30 a 45º (a olho), do lado mais fechado com a linha de água, em qualquer profundidade. Pior em zonas mais profundas, maior intensidade que esta, torna-se desconfortável e pouco razoável para pescar, na minha perspectiva. Isto porque, o tempo que se perde a largar linha, o esforço que se despende, o descontrolo sobre onde a baixada se encontra e os resultados obtidos em situações de intensidade superior, embora tentados, raramente deram resultados para além de um ou outro exemplar esporádico. Com intensidades abaixo desta, já outros resultados se obtiveram, muitas vezes, senão sempre, superiores a situações de ausência de aguagem, nomeadamente no que a capturas de exemplares maiores se refere.

Sobre o comportamento do peixe, tendo sempre em conta a lei do mínimo gasto de energia para um máximo de ingestão de comida, parece evidente que quanto maior for a aguagem, maiores serão as alterações comportamentais quer de predadores, quer de predados. Com alta intensidade, os predadores tenderão a procurar uma zona de refluxo, colocando-se ao abrigo dum pontão alto, do lado contrário à aguagem, de onde partirão para os seus ataques e aí retornarão após estes ou, na ausência de tal, fiarão a aguagem, progredindo ou não e aguardando por algo fácil fornecido por esta corrente; sendo que o ataque às nossas iscas dependerá em muito da colocação destas, o que podemos variar aumentando ou diminuindo o peso da chumbada; deixando ir ou travando a descida da linha; ou ainda, lançando à distância que entendermos. Tudo isto procurando sinais, quer de toques, quer de capturas.

Para decidir que mantemos a acção de pesca na zona de pesqueiros escolhida e nas condições referidas, importa ir testando e relacionando as intensidades com os sinais dos toques, tendo também em conta o nosso conhecimento acerca da configuração dos fundos que se encontram na linha da aguagem e para além do nosso barco. O que quero dizer com isto?
Imaginemos que estamos poitados num pontão e que a queda deste se alonga num fundo rico de limpos e entralhados, com pontões mais ou menos altos, lá longe, relativamente perto do local onde a nossa baixada vai cair. Nestas condições, tudo indica que para além da capacidade de atracção das nossas iscadas, podemos ainda contar com a actuação dos atacantes que se encontrarem abrigados nesses locais ou de outros que lá se venham abrigar podendo vir a tornar-se potenciais interessados naquilo que lá colocámos!?
Portanto, como conceito, parece-me importante que, considerando a época do ano, a zona de fundo, em torno do eixo representado pela linha de aguagem e para além do local onde caiam as baixadas, seja conhecida e se apresente com características passíveis de passagem ou abrigo daqueles que procuramos. Resumindo, a aguagem, por razões óbvias face ao descrito, poderá ser um aliado ou um inimigo. Pessoalmente, gosto de a considerar como um aliado, quando não exceda a intensidade definida.

Das experiências efectuadas com aguagem, sem duvida que os melhores resultados que obtive verificaram-se até ao limite em que, com linha de 0,30 e chumbada de 180 / 200 grs, a linha formou um ângulo até aos 45º, do lado mais fechado. Quer em pesqueiro com aguagem logo à chegada, quer em pesqueiro onde esta entrou, ao fim de algumas horas de pesca. Acontecendo muitas vezes uma melhoria significativa da qualidade de capturas algum tempo após esta alteração de condições, nomeadamente, quando a pesca estava pouco frutífera e em locais onde para além da popa do barco os terrenos de fundo são propícios.
Outros locais houve, em que só após a diminuição da intensidade da aguagem se conseguiram capturas de nota, neste caso aconteceu estarmos na beirada de um pontão, carregada de peixe, nitidamente agarrada ao abrigo do refluxo da aguagem que estava no limite do possível. Não tínhamos tempo para mudar e aguentámos, sempre com o peixe miúdo a roubar. Quando a intensidade diminuiu e conseguimos colocar as iscas mais perto da beirada, fizemos em meia a uma hora uma pesca espectacular de Sargos grandes e alguns Pargos que, como tudo indica, não se deslocaram para comer uns bocados de sardinha que os obrigaria a um alto consumo energético. É verdade... não é? Não tenho a certeza, mas a forte sensação que sim.

Relativamente ao descrito e a muitas outros resultados em outras ocasiões, parece-me poder dizer o seguinte:

Desde que a intensidade da corrente não ultrapasse os números máximos que referi, quer logo que se começa, quer quando entra após algum tempo em acção de pesca, pessoalmente, gosto de alterar e aguardar sinais que permitam perceber se valerá ou não o esforço de continuarmos por ali.
Verdade também que em certos pesqueiros, não me lembro de ter feito uma pesca de jeito sem aguagem e garanto-vos que os testei várias vezes, em diferentes épocas do ano.

Vamos aos sinais:

A aguagem está no limite da intensidade, não dei por ela antes de fundear e não gosto dos fundos que estão para além do barco, levanto o ferro e recoloco-me de modo a que possa acreditar no que estou a fazer. É evidente que se antes de fundear me apercebo que existe aguagem, tento colocar-me logo em local com as características que já referi.

A partir deste momento, há que testar... primeiro, mais perto; depois, mais e mais longe e, outra vez mais perto. Caso não existam toques e as iscas venham continuamente inteiras, ao fim de mais ou menos uma hora, decido-me normalmente por mudar de pesqueiro.
Caso em determinado ponto da procura, os toques comecem a acontecer, insiste-se, vai-se continuando por ali e até mais longe e, normalmente, o resultados aparecem.

Em outra situação, estou a pescar sem aguagem, ou com uma muito leve que de repente entra ou aumenta. Neste caso, após alterar o peso da chumbada para ângulos adequados e a cana passar para uma posição alta e perpendicular à aguagem, no sentido de melhor se perceberem os toques; várias situações podem acontecer:

1. Os toques e roubo de isca continuam
2. Os toques e roubo de isca param

No primeiro caso, está assegurado o chamamento dos maiores que por ali andem e, se os roubos se tornarem mais rápidos e imperceptíveis, atendendo às novas condições, importa aumentar o tamanho e eventualmente a rijeza das iscas.

No segundo caso, há que aguardar e testar distâncias procurando peixe. Se tornarmos a ele, sentindo toques, tudo bem! Se não... pois teremos, em função dos fundos em que estamos e da hora do dia, de arriscar ficar, ou mudar.
Sinceramente, às 4 da tarde e em situação de entrada de aguagem, prefiro arriscar, sem toques, um pesqueiro que na linha de aguagem tenha bons fundos do que mudar para a incerteza da falta de tempo útil em acção de pesca.

Na procura de peixe para a popa do barco, em qualquer destas situações, não me refiro unicamente à pesca ao fundo com estralhos e chumbada pesada, mas também da exploração utilizando a pesca à chumbadinha que, já testada com bons resultados por muitos e fiáveis companheiros, me parece extremamente versátil nestas condições.

Ilustrando o referido com mais algumas experiências, quero contar-vos as últimas duas pescarias, ambas com aguagem para chumbada de 150 / 180 grs, entrada a meio da pesca e falar-vos sobre os comportamentos, alterações e resultados conseguidos.

No primeiro dia, 4 de Setembro, fui com os meus amigos Morais, Teles e Fernandinho, muito amigos da pesca, do Sol e dos comes e bebes. O Teles, sem dúvida, o mais insistente e difícil de demover da pesca, mesmo em condições mais adversas.

Chegámos ao pesqueiro, iniciando a acção de pesca e pouco depois já entravam Parguitos de quilo, augurando a chegada dos seus pais e avós.
Até ao meio dia, capturámos uns dez, quase todos do tamanho aqui apresentado pelo Teles...


... e este outro, não muito maior (embora pareça), aqui apresentado pelo Fernandinho!


Então, por volta do meio dia, entrou a tal aguagem, fazendo com que, por via dos roubos sucessivos e  diminuição da frequência de capturas, a pesca fosse relegada para segundo plano, face aos banhos de mar e comes e bebes jeitosos. Este pessoal e aguagem sem resultados logo ali, não combinam! Tudo bem... foi um excelente dia de pesca e mar, em que se perdeu a oportunidade de testar à séria as capacidades da aguagem como  eventual aliada, o que não impediu que testássemos, uma vez mais as capacidades culinárias do Zé Beicinho, com três dos Parguitos capturados, escalados na brasa... uma delícia!

No dia seguinte, fui com o meu companheiro João Martins e a coisa foi outra, embora sem muitos exemplares.
O dia foi quase tirado a papel químico, quer à chegada, sem aguagem e com capturas menos frequentes que no dia anterior; quer na entrada da "dita cuja", com intensidade e rumo idênticos.
Os sinais relacionados com toques e roubo de iscas mantiveram-se com a corrente, tornando-se mais imperceptíveis e rápidos no que ao roubo se refere, sendo as cavalas grandes no anzol de cima a única captura que se conseguia.
Alterei a baixada, retirando o estralho de cima e aumentando o de baixo para 1,50 mt, assim como o anzol que passou para 8/0, escondido em sardinhas inteiras, sem cabeça, iscadas com o anzol a sair junto ao final da barriga e pasme-se... tudo desaparecia com alguma rapidez, embora menor que a anterior iscada de duas postas.
Certo é que, ainda me entrou um Pargo com uns dois quilos e tal, não fotografado porque sempre pensei que entraria um maior, dois mais pequenos e uma Dourada.

O João Martins também não deixou créditos por mãos alheias, primeiro com esta Dourada...


... depois, com este Alfaquim:


Considerando o assunto, as duas pescarias feitas, o tempo que faltou para experimentar mais, pese embora que uma cana tenha estado sempre a pescar à chumbadinha, "em automático", como diriam alguns especialistas desta técnica que comigo já pescaram... mais não se conseguiu!
No entanto a aguagem, na minha opinião, é muito sinceramente uma aliada a ter em conta, principalmente nas condições que descrevi, aquelas que até agora testei.

Haverão certamente outras experiências sobre o assunto que poderão melhorar ou contrapor o que por aqui foi dito!? Aguardo sinceramente por outras opiniões que só poderão melhorar os nossos conceitos, ocupar-nos as nossas jornadas e melhorar os nossos resultados!

Uma boa noite a todos os leitores.