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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momentos... "Dourados"


A época esperada por tantos de nós, pescadores, já chegou!

É tempo de Douradas, já para não falar dos primos, os Pargos, que sempre acompanham de perto os supostos momentos de amor, quais "voyeurs", não sei se bem ou mal intencionados, mas penso que muito interessados em tanto comer que aparece naquelas zonas específicas de concentração... iscas, engodos e muito peixe miúdo que por lá anda à farta, beneficiando da abundância e claro... sofrendo assiduamente percalços em formato de dentes de outros ou de anzóis afiados, estes últimos a que os maiores também não ficam impunes, dependendo das mãos que estiverem na extremidade oposta.

Uma coisa é certa... ainda bem que os estados do mar e do vento, habitualmente nesta época, não se parecem com a foto de abertura, caso contrário os tais percalços seriam ainda mais assíduos, muito por via dos anzóis afiados, já que os dentes de outros são certamente uma constante lá pelas profundezas.

Foi em tal ambiente sazonal que este Vosso companheiro, lá esteve uns quatro dias da semana passada, tentando usufruir das características do momento, com condições de mar e vento que raro permitiram um dia de pesca inteiro, sem que o mar nos amassasse ou a regularidade de capturas ao longo do dia fosse mais prolongada que uma ou duas horas.

No entanto alguns peixes se capturaram, muito por via dos fundos que a sonda nos mostrava, fazendo-nos acreditar que eram os ideais para tentar as nossas amigas e alguns primos, assim como pela persistência empregue na tarefa... e que boa esta é!

A época das Douradas traz também consigo um pormenor ao qual sou um pouco, para não dizer:.. muito avesso, nomeadamente, a tendência para a concentração de barcos em determinadas zonas!

Questionarão alguns de vós e com certa razão: querias o quê? Se é "ali" que está a dar, havemos de ir pescar onde?

Ao que retorquirei: pode ser verdade!?
No entanto, tendo em conta as deslocações e comportamentos das Douradas até e durante esta época do ano e considerando resultados anteriores no mesmo período, acho que posso dizer que há muitos "alis"!

O problema é que aquele "ali", parece-me, apresenta-se como o aparentemente mais fácil, por indicadores de superfície de que de facto "ali" elas estão; noutros locais, tem de se procurar e acreditar que também lá podem estar, sondar, fundear e tudo fazer para que ataquem as nossas iscas. E isto já se torna mais complicado pela simples razão de nada estar à superfície que indique que aquela zona é uma "ali"!?

Não pretendo com isto dizer que não vou pescar em zonas de concentração, mas quando o faço, afasto-me tanto dos outros barcos que chego a ter dificuldade em perceber quantos pescadores estão a bordo, preferindo não capturar, a incomodar quem quer que seja na sua acção de pesca, quer por possível influência no comportamento do peixe pela proximidade do barulho e outras acções do barco, quer até por saber que o pescador de quem me aproximei, caso deixe de capturar, ficará sempre sem saber se tal facto se deveu a uma interrupção natural dos ataques ou a distúrbios causados por tal proximidade. E isso, meus senhores, é coisa a que não gosto de ser sujeito, obrigando-me também a não criar tal sujeição a outros.
Não pretendo com tais afirmações criticar seja quem for, mas... são feitios!

Certo é que, afastando-me e procurando as profundidades e tipos de fundos amplamente divulgados em outras entradas sobre este assunto, sempre acabo por capturar alguma coisa de jeito, assim como, aumentar significativamente a quantidade e qualidade das zonas de pesca e pesqueiros à minha disposição. Foi rápido e fácil? Não, não foi!!! Mas tem muito sinceramente valido a pena!

Com base em tudo isto, foram-se quatro dias de pesca.

Na tarde em que cheguei ainda lá fui, e, as capturas de dois Sargos, uma Dourada e um Parguito, deram unicamente para abrilhantar um jantar técnico, com o meu amigo Fernando Fontes, antecedente da jornada seguinte em que ambos desfrutaríamos do mar e, supostamente, dos peixes.

Lá fomos então no dia seguinte, o primeiro realmente inteiro, em demanda de cores da moda (dourado e vermelho) para zona pouco frequentada, ou, melhor dizendo, nada frequentada. Éramos nós o barco, o mar e os peixes que entraram quase seguidos (4 Pargos maiores que quilo e duas Douradas de tamanho idêntico) ao fim de algum tempo de preparação do pesqueiro e que rapidamente deixaram de cair nas nas nossas armadilhas por via do vento que nos empurrou para longe do "mel".
A nova poitada, não se revelou produtiva e neste caso o erro, penso, foi completamente meu. Isto porque, deveria ter tentado ficar no mesmo pesqueiro, mas, vendo outro ali perto com boas marcações, por ele optei, diga-se de passagem bem mal!
Acabei por ficar sem saber se este último valeria a pena em próxima visita, assim como, se o anterior continuava produtivo.

Questionarão alguns de vós: então e mudaste porquê?

A razão prende-se com as circunstâncias que passo a descrever:

- É normal que um pesqueiro, mesmo revelando-se produtivo, ofereça intervalos sem capturas.
- Os intervalos referidos podem ter razões diversas: sentimos, mas não conseguimos ferrar; não sentimos, mas ficamos sem isca; algum predador maior entra e altera o ritmo de ataques, acabando por não se interessar pelas nossas iscas...; ou, já estamos a sair do pesqueiro por rotação do barco e não nos apercebemos.
- Quando decidimos melhorar o fundeio, muitas vezes ficamos indecisos quanto à produtividade do anterior e, caso ali perto e em fundos idênticos se apresente outra boa leitura de sonda, a tendência é mudar e arriscar, o que podendo vir a resultar, pode também obrigar-nos a trabalhar de novo este pesqueiro, acabar por não conseguir grande coisa e ficar na dúvida sobre a continuidade do anterior.

Concluindo... para "espremer" e tentar perceber o tal primeiro pesqueiro, parece-me mais racional refazer o fundeio sobre esse, caso o novo rumo da deriva o permita.

O porto chamava por nós na hora da despedida e o dia seguinte talvez viesse a ser de descanso, atendendo à meteorologia esperada.

A manhã acordou acinzentada mas com o mar ainda calmo naquela hora em que gosto de ir (10.30/11 e tal). A previsão de vento de SW a aumentar, acompanhado de chuva criava-me alguma indecisão estando a solo, mas o bichinho foi mais forte e resolvi sair para pescar ali muito perto pensando uma vez mais no jantar, quem sabe o que cairia no prato!?

Chegado ao local, unicamente com cargueiros fundeados por companhia, atirei-me à pesca!
Inicialmente, num pesqueiro que ao fim de uma hora não me deu qualquer peixe de nota e foi esmorecendo em actividade; depois, em um outro, a uns 100 metros do primeiro, com tal frenesim que receei que as bogas me comessem o fundo ao barco. Insisti neste, esperando que "alguém" colocasse ordem naqueles "besugos brancos", o que acabou por acontecer, enquanto o vento aumentava e as nuvens se formavam, ameaçando a chegada da típica vontade do São Pedro no que se refere ao acto de "regar as plantas".
E foi-se dando... primeiro, uma Sargueta digna de ser comida que guardei, não fora o diabo tecê-las; depois, um Sargo, maior que a prima e que já me obrigaria a convidar alguém para jantar. Já o vento me mandava embora e entra uma Dourada de quilo e tal, obrigando-me a pensar que teria de aumentar os lugares na mesa, assim como a correr o risco de ter de lavar o barco à chuva se me alongasse na pescaria. Assim o fiz e, de repente, bumba! Vá de luta dura e comprida anunciadora deste Pargo com 3,750 kgs que, de uma vez por todas, me decidiu a desandar com pesca feita. Cá está ele!


Era hora! Andei para terra, amanhei o Pargo para guardar e os outros para degustar, lá pelo Zé Beicinho, com quem aparecesse; sendo os felizes contemplados: o Zeca e a Rosinda, gente boa e de conversa cheia. Uma delícia!

O Sábado acordou feio, com pouco vento e um enchio que se sentia no porto, indicador da vaga prenunciada pelo Windguru, fazendo com que eu, o Tózé e o João Maria, ainda hesitássemos antes de fundear e já perto do pesqueiro escolhido.
A vaga era larga, de NW, para aí com três ou mais metros, atravessada com os restos do cachão de SW deixado pelo vento da noite e, sinceramente, não estava agradável.

Ainda nos passou pela cabeça desandar para terra, mas, já que ali estávamos e confiando na meteorologia, lá se procurou, se encontrou e se aguardou que as coisa melhorassem... pescando.

Até que não correu mal de todo, atendendo a que em dias destes, caso o peixe esteja malandro e estava, as dificuldades são acrescidas.
O tempo passava, o vento ia acalmando e a vaga alta e larga ia-se tornando aceitável, embora obrigasse a amplos movimentos de cana no sentido de a acompanhar para manter a chumbada quieta no fundo, permitindo a captura de algumas Douradas e Pargos que iam caindo a espaços e acabando por construir a pesca razoável embora sem exemplares de destaque que abaixo se pode ver.


Dias destes, são bons para aprender... a sondagem tem de ser cuidada, atendendo a que a vaga nos dá leituras de fundo que podem tornar-se confusas e o fundeio tem de ser muito bem calculado, atendendo a que, devido à altura da vaga, mais cabo deve ser dado que o habitual,  criando folga suficiente para evitar que o ferro se solte com as subidas e descidas contínuas do barco.
O mais chato é que tudo o acima referido tem de ser feito em contínuo e forte balanceio, tendendo à aceleração de todo o processo, o que não nos trará qualquer vantagem... mais vale sofrer um pouco mais e não ter de repetir tudo de novo nestas condições.
Mas meus amigos, sinceramente, são daqueles dias em que prefiro ficar ali pelo porto, olhar as gaivotas e os peixes em torno do barco, falar com este e aquele, ir até ao computador, fazer umas montagens e... quem quiser que sofra!

Não fora os meus amigos terem vindo de longe para pescar comigo e tinha-me borrifado na pesca, pois é tareia a mais para o meu gosto.

Mas lá está... o Domingo estava prometido ao Zé Beicinho e ao Zeca, a vaga mantinha-se, o Sol deu um ar da sua graça e até parecia que o vento de terra (NE) não faria grande mal. Foi verdade até por volta da uma da tarde, depois disso o malandro do Deus Éolo deu-lhe forte e feio, de tal forma que o barco subia e descia na vaga, atravessando-se a esta e quase fazendo 90º ao cabo, ora a bombordo, ora a estibordo. Mau... francamente mau!

Mesmo assim, ainda se capturaram nove douradas, cabendo a maior ao Zé Beicinho que lá se limpou de outras três perdidas, após ferradas. Acontece facilmente com condições destas.

Cá está ele, com a maior do dia!


Concluindo... condições difíceis, dias incompletos, boas sondagens, bons fundeios, boas companhias e... algum peixe!

Não dá para queixas, antes para as análises e reflexões produzidas.

Esperam-se outros dias, melhores ou piores, e, a 17 de Dezembro, o tal workshop onde finalmente conhecerei alguns de vós.

Uma boa noite a todos os leitores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dias de pesca e... um primeiro olhar à técnica da "Chumbadinha"


Os dias 5 e 6 de Outubro foram de pesca, assim como o seriam o 7 e o 8, não fora o vento que apareceu no primeiro destes e o que estava previsto para o segundo que me fizeram andar mais cedo para casa, se bem que, segundo soube tarde de mais, o dia 8 até daria para pescar, mas, vá-se lá adivinhar!?

A imagem da baía de Sines, em fim de tarde de um dia de bruma, obriga qualquer amante do mar a reflectir sobre os mistérios que este alberga, mistérios estes que se propagarão às profundezas, aos grandes exemplares e a formas diversas de com eles lutar, caso o tal amante do mar seja também pescador, de preferência atento. Por tal, sentindo-me incluído na descrição; tendo combinado, com amigos seguidores de diferentes técnicas de captura, pescarias para os dois primeiros dias referidos; cedo me propus tudo observar... comportamento dos pescadores, sinais, utilização das técnicas, comportamento das baixadas e claro, o mais fácil de tudo... resultados!
Estamos portanto, perante uma reflexão sobre a utilização de duas técnicas diversas: a que costumo futilizar, ao "Fundo"; e, a "Chumbadinha"!
Ambas, como sabem, direccionadas essencialmente para o Pargo e/ou outros predadores que apareçam na zona onde se desenrole a acção de pesca.

Antes de avançar com outras suposições, reflexões ou afirmações, importa referir que, se relativamente à pesca ao "Fundo" tenho vindo a apresentar resultados que me permitem emitir opiniões fundamentadas; no que respeita à "Chumbadinha", considero-me um observador atento, principalmente pelos resultados obtidos e divulgados por outros pescadores que obviamente considero e respeito. O que aliás, entenda-se, é a minha forma de pensar e estar, face a todos os companheiros, independentemente das técnicas que utilizam e dos resultados que obtêm.
Verdade também que, após ter experimentado e observado o comportamento de baixadas na descida, assim como a forma como a isca vai sendo apresentada aos nossos interlocutores por via desta técnica, começo a considerar-me um principiante convicto na mesma; o que mais se acentuou quando tive, no passado dia 6, a oportunidade de ver dois amigos meus, com tempo de prática e resultados significativos utilizando esta técnica.
Apresentando e caracterizando, quanto ao comportamento em acção de pesca, os amigos que me acompanharam neste dois dias, temos: na pesca ao "Fundo" de dia 5, o Carlos Jorge, o Carlos Martinho e o Paulo Palma; e, na pesca à "Chumbadinha" de dia 6, o António Amorim e o Victor Coelho.
Qualquer deles, homens com muitas horas de pesca que não param, não dão tréguas, nem desistem, mesmo quando as coisas não correm de feição, na procura de exemplares maiores; o que, independentemente das técnicas utilizadas, é um factor importante no que respeita ao tempo útil de pesca, ao conhecimento dos sinais e possivelmente até aos resultados obtidos, não fora estes últimos estarem muito dependentes das condições de cada dia e de cada pesqueiro, assim como das opções, quanto à posição face ao pesqueiro, de quem fundeia o barco.

Vamos então reflectir sobre o assunto, iniciando pelos relatos sucintos e resultados obtidos nos dois dias: o primeiro, só ao "Fundo" e, o segundo, à "Chumbadinha" e ao "Fundo".

Dia 5:

Mar estanhado, pouca vaga..., elementos indicadores de mudanças de posição significativas do barco e possíveis empostas de correcção ao longo do dia. Ala para o mar e fundeio em local conhecido e já testado... uma zona de entralhados, a 50/51 metros de profundidade, ladeada por pequenos pontões entre os 46 e 48 metros.
A aguagem corria fraca para terra, os roubos de isca iniciaram-se, e, peixe de melhor qualidade só ao fim de uma hora é que deu um ar da sua graça, entrando espaçado e mantendo-nos interessados no pesqueiro que afinal acabou por não ter a produtividade ao longo do dia que, a espaços, ia prometendo, com um Pargo ou outro e umas quantas Douradas, dos quais se apresentam os melhores exemplares, como o Pargo do Paulo...


... a maior Dourada, pela mão do Carlos...


... o Pargo maior, pela mão do tal fulano do bigode!


Não se pode dizer que foi uma má pesca, antes pelo contrário, mas, quanto a exemplares de maior porte e considerando outras pescas feitas na mesma zona, pode considerar-se abaixo da média. Já no que se refere àquele vinho branco fresco e etc., são factores que sempre transformam estes dias em momentos acima da média. Mas adiante...
Na minha opinião, as causas, pura e simplesmente, poderão estar sediadas na escolha do pesqueiro, sendo possível que a força de passagem e/ou concentração de peixe, se tenha alterado para qualquer outro local ou, quem sabe, se temos utilizado outra técnica, talvez a "Chumbadinha", não se teriam conseguido outros resultados!? Não faço a mínima ideia!

Dia 6:

Outro dia de mar calmo, em que a aguagem que corria de SE para NW, deu a deriva de fundeio, obrigando a poitada pensada, tendo em conta distâncias da zona quente que permitissem pescar ao "Fundo" e à "Chumbadinha", considerando que nesta última, a isca vai cair mais longe e, dependendo das características de fundo, pareceu-me que a sondagem deveria ter isso em conta, procurando-se zona comprida com sinais de peixe, assim como sondar à volta, para perceber o que poderia acontecer caso houvesse deslocação do barco, face a alterações das condições de mar e vento.
O local encontrado, pareceu-me ideal, considerando as marcações de peixe numa beirada comprida a 58 metros, perto de um pontão de dimensões consideráveis, entre os 52 e 55 metros, sendo que à volta as quedas se situavam todas pelos 58. Estas condições permitiram fundear no início da marcação, sabendo que chumbada que caísse no fundo, entre a vertical da popa do barco e uns 70/80 metros para lá dela, sempre actuaria em zona quente. Pareceu-me bem!

As hostilidades iniciaram-se com todos a pescarmos ao "Fundo", não tardando muito para que as iscas começassem a desaparecer, indicando a actividade do pesqueiro.

A actividade mantinha-se e, quase uma hora passada, nada de peixe, só roubo. Nesta altura o Amorim e o Victor mudaram para a "Chumbadinha" e eu mantive-me a pescar ao fundo por trás deles tendo em conta o rumo da aguagem, no sentido de, por um lado, manter uma linha de engodo em direcção a esta; por outro, testar uma vez mais sobre a tendência que parece verificar-se quanto ao posicionamento face à aguagem, ou seja, normalmente quem está com as iscas em zona quente, se estiver em primeiro lugar na linha de aguagem, será o mais facilmente contemplado, desde que mantenha as iscas activas.

A verdade é que eu não tive um único toque de peixe maior, enquanto ao Amorim lhe fugiu um primeiro Pargo, o Vitor capturou um Parguinho pequeno e, passada uma meia hora, o Amorim capturou este:


É caso para dizer: valeu a espera! Pode também dizer-se que mais uma vez se verificou a tendência referida, para além do que possa ter acontecido atendendo à apresentação de isca específica da "Chumbadinha"!? Já lá vamos!

A acção de pesca continuou e o pesqueiro foi esmorecendo, assim como o barco foi rodando no lugar. Desta análise resultou a opção por mudar de pesqueiro, atendendo a que o esmorecimento deste se tinha iniciado antes da rotação do barco e também porque esta não nos chegou a tirar da zona quente. Pareceu-nos no entanto que, com a sardinha que já tinha descido e numa hora normalmente produtiva neste tipo de pesca, a diminuição de actividade parecia mais ter a ver com alterações do percurso do peixe. Isto é, outras zonas poderiam estar a interessá-los mais!?
Se assim se pensava, teria de se actuar em conformidade e com tempo para trabalhar outro pesqueiro, o que fizemos, procurando pesqueiros mais a terra, muito por resultados anteriores e também pelo aumento significativo da temperatura da água, para a época.
O GPS avisou-nos da chegada à nova zona, a sonda mostrou-nos o que parecia ser o melhor pesqueiro, outra consulta ao GPS deu-nos a indicação da deriva, fundeámos e iscas para baixo.
A aguagem que corria leve para a proa do barco, em poucos minutos diminuiu quase por completo, fazendo com que o Amorim e o Victor, mudassem da "Chumbadinha" para a pesca ao "Fundo" e alguns resultados começaram a aparecer.

Os Safios de pequeno porte subiam regularmente e eram devolvidos, intervalados com duas Douradas pequenas, um bom Sargo, um Parguito que subiu pela mão do Vitor, um Pargo de uns 4,000 kgs que saiu ao Amorim e outro um pouco mais leve que saiu ao fulano da soca...


... terminando a pesca com a apresentação dos melhores exemplares, já no porto. Os dois do Amorim e o que apanhei, pela mão do Vitor.


Uma pesca sem muito peixe, mas bonita de se ver!

E agora... o que dizer sobre estes dois dias de pesca, face a resultados e técnicas aplicadas?

Olhando os resultados, sem dúvida que o segundo dia foi mais produtivo em termos de exemplares maiores, não querendo com isto dizer que tal se possa atribuir à técnica da "Chumbadinha", senão vejamos:

O maior exemplar, foi de facto capturado com esta técnica, mas ao fim de algum tempo de pesca ao fundo, possivelmente por a iscas terem sido colocadas na zona onde o peixe, que eventualmente se deslocava em direcção às baixadas a pescar ao "Fundo", já seguia o cheiro da Sardinha e/ou as vibrações dos pequenos que as despedaçavam. Nada nos diz que este maior exemplar não acabaria nas baixadas de "Fundo", pois a iscada que o capturou já lá estava há algum tempo e ainda por cima vomitou dois raios de Polvo, acabadinhos de trincar, indicando que comia junto ao fundo. No entanto, importa referir que a "Chumbadinha" descobriu-o mais cedo, não se sabendo se até não foi mais desafiadora que qualquer outra das iscadas!?

Os outros peixes, excepto um pequeno do Vitor, foram todos capturados ao "Fundo", pelo que também não permitem ajuízar em termos de resultados. Ainda outra verdade... os pesqueiros de um dia não foram iguais ao de outro, representando mais uma variável para a confusão. Teremos então de olhar ambas as técnicas e nomeadamente a "Chumbadinha" por outras perspectivas e para além dos resultados destes dias.

Olhemos a constituição das baixadas e a forma como a isca é apresentada por cada uma delas...
Baixada de "Fundo": madre de 120 a 150 cm, com estralhos de 60 a 100 cm de comprimento, colocados em cada ponta e com um fiel, para aplicação de chumbada, com 25 a 30 cm, colocado na madre a seguir à inserção do anzol de baixo .
A chumbada, normalmente acima das 120 grs, assegurando a velocidade para chegar ao fundo, tendo em conta: a profundidade a que se pesca, o tamanho das iscadas e a existência ou não de peixe miúdo que possa consumir as iscas, antes que estas cheguem ao fundo, local onde pretendemos apresentá-las aos nossos amigos no limite da tensão da linha e do movimento do comprimento dos estralhos, esperando interessá-los essencialmente nessa área da coluna de água!?

Nota Importante: As capacidades de rotura dos monos em utilização, em ambas as baixadas, devem ter em conta não só a força dos interlocutores, como também outros desaforos a que são sujeitos, como dentes, roçadelas em pedras, ..., etc..
O tamanho dos anzóis, também para ambas as baixadas, deve adequar-se ao tamanho das iscadas e das bocas dos "bicharocos" esperados, pelo que menos de 4/0, parece-me pouco adequado.

Baixada para "Chumbadinha": Chumbada de correr movimentando-se livremente na ponteira de amortecimento e em toda a linha fora do carreto, tendo como único batente a argola ou haste do anzol que se aplicará directamente na ponta livre da referida ponteira. Isto é, na falta de foto, se agarrarmos a linha a um metro do anzol e pendurarmos, verificamos que temos uma chumbada de correr com um anzol a ela encostado, por baixo, como se de uma pequena e "estranha" zagaia  se tratasse.
Parece-me que serão mais indicados para o efeito, os anzóis de argola, já que os de pata tenderão a enfiar-se no buraco da chumbada se forem sujeitos a pressão contra esta.
A chumbada deverá ter um furo que seja suficiente para deixar passar à vontade o nó de ligação entre a ponteira de amortecimento e o fio do carreto, continuando a ser suficiente para servir de batente face ao anzol.
Quanto ao peso, pois terá de variar considerando: profundidade, velocidade da aguagem, local onde se queira que a chumbada caia, quer ao fundo, quer na coluna de água acima deste; e, talvez até, o tamanho da iscada colocada.

A apresentação da isca desta baixada parece ser, na minha opinião, muito mais rica que no caso da baixada de "Fundo"... Analisemos:

Acabámos de iscar o tal anzol generosa e apelativamente, a chumbada está encostada à isca, penduramos na beira do barco e largamos, observando de imediato que a chumbada afunda com alguma rapidez na direcção da aguagem, levando linha do carreto enquanto se afasta da isca que desce muito mais lenta, afastando-se do barco com a aguagem. A chumbada chega ao fundo e a isca possivelmente e dependendo da força da aguagem e penso que do peso da chumbada, ainda paira, descendo lentamente na coluna de água e sujeita a ataques diversos ao longo desta descida. Tudo pode acontecer... ataque de peixe miúdo que certamente despertará outros interesses; ataques de outros não tão miúdos que passeiem acima do fundo e gostem de comida em movimento!?
Suponhamos que nada aconteceu entretanto e a isca chega ao fundo intacta ou com uma ou outra mordida. Certamente estará a uma dezena ou mais de metros da chumbada, bamboleando-se e despertando outros interesses de forma, quanto a mim, mais apelativa do que a permitida pelo metro de estralho da baixada que pesca ao "Fundo". Ah... também se pode lançar mais longe, depende do sentir do pescador ou do seu conhecimento sobre o que possa andar lá para onde lançou.

Eh Pá... o gajo pirou-se com a "Chumbadinha"! Dirão alguns de vós!?
Ao que respondo: nem pensar!
Não me parece que uma só forma de actuação resulte em qualquer situação e muito menos no mar. Isto porque muitos factores actuam como variáveis em cada dia, sendo o humano talvez o mais influente.

Uma coisa é certa, a forma de descida da isca e a distância da chumbada em que se pode conseguir  o assentamento no fundo, considerando a enorme área explorada pela iscada, parecem-me de uma riqueza extraordinária no que se refere a "procurar", desafiar e até antecipar um ataque de peixe que já procura as nossas baixadas ao "Fundo". Portanto, há que utilizar "Fundo" e "Chumbadinha", só "Fundo" ou só "Chumbadinha", dependendo das condicionantes que se apresentem em cada dia, cada pesqueiro, cada leitura de sonda, época do ano, estado do mar e do vento, pescando a solo ou acompanhado, número de pescadores a bordo versus espaço oferecido pelo barco e até intenções destes quanto a trabalho de equipa, entre outros factores que não me lembro por agora.

Concluindo, posso dizer o seguinte:

Já tinha visto na net resultados obtidos por outros companheiros, já tinha experimentado uma ou outra vez sem grande sucesso, já tinha lido sobre o assunto; e, acabei por ver, ao vivo e a cores, em pesqueiros escolhidos por mim, com toda a intenção de conseguir algum sucesso.

Esta análise, baseia-se neste último parágrafo e em outros conhecimentos de pesca que tenho vindo a desenvolver por resultados e observação contínua, onde a "Chumbadinha" será mais uma ferramenta que quero aprender a utilizar, da melhor forma, na minha pesca.

Nesta técnica, quando chegar aos "júniores", conto por aqui o que souber, assim como outros a mim me contaram e a quem agradeço a partilha. Por agora, ainda me sinto nos "iniciados".

Entretanto e considerando que, certamente, existirão por aqui omissões e/ou más interpretações, agradeço a companheiros mais informados que intervenham, no sentido de melhorar a informação prestada.

Boa noite a todos os leitores.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Família, pesca difícil, barco, procura... sucesso!


As férias com a família tem destas coisas... cadeira de café da praia, em cima; brincadeira com a neta, em baixo...


Sardinhadas com amigos, tudo ao som do vento que deu poucas tréguas e...


... outras interrupções do ciclo de pesca, como ter de levantar o barco para manutenção anual. Mas tudo faz parte e é necessário!


Na verdade, já precisava, como se pode verificar na imagem abaixo.


Poderia aguentar mais uns tempos, no entanto se há que o fazer, criadas as condições, para a frente é que é caminho.

Vá de lavagem!


Vá de dureza!


Toca a limpar metais!


Chega a hora da preparação para a pintura e...


... a acção em si.


Trabalho acabado, roupa de trabalho fora, tirar fitas e barco para a água que a pesca já tarda!


Na verdade, algumas pescas se fizeram, já documentadas, também elas duras e pouco frutíferas, talvez devido à dispersão causada pelas condições referidas ou talvez não!?

Sobre esta última questão, analisemos e reflictamos sobre as três jornadas que sucederam as interrupções e os trabalhos.

Na passada Sexta Feira, coloquei o barco na água e fui pescar tarde, com o João Martins e os seus filhos, Suzana e José, numa perspectiva de reapalpar os terrenos de pesca desta época, a par com baptismos dos mais novos neste tipo de pesca e com um olho no comportamento do barco após manutenção. Muito bom!

A pesca, para não variar relativamente às anteriores três saídas, foi dura e pouco auspiciosa!

Poderá dizer-se: ah e tal, ia-se com muita coisa no pensamento... não é verdade!
O tempo e as acções em utilização nos pesqueiros teriam sido mais que suficientes para produzirem outros resultados, para além  de dois Parguitos e da única Dourada que entrou pela mão da Suzana, feita uma pescadora.


Muito peixe miúdo a roubar no primeiro pesqueiro; e, muito pouca actividade no segundo, mal grado as quase duas horas que gastámos em cada um deles, tudo indicando que os maiores e até mesmo os não tão grandes, não estavam no circuito testado. Havia que mudar de zona no dia seguinte, em que o Nuno Mira, o Pedro e o João seriam os companheiros de desdita!
Desdita? Questionarão alguns de vós!? Passo a explicar!

Começámos em mares de fora, continuámos em mares intermédios, corremos a mares de terra, gastámos tempo e trabalheiras em todos eles, sendo que a jornada se resumiu a uma Bica, um Pargo de 1,500 kgs e este do João, sua estreia na pesca e na espécie! Mau... francamente mau!


Poderá dizer-se: o dia foi bom, fomos para o mar, viemos bem... mas o certo é que algo não funcionou relativamente à pescaria!

Nestas alturas questionamos tudo... montagens, qualidade da isca, condições climatéricas, horas em que se foi para o mar... mas, pessoalmente, acredito que a principal razão estará sediada nos locais escolhidos para pescar. Muito pelos sinais transmitidos pela sonda e em acção de pesca, senão vejamos: os pesqueiros escolhidos mostravam peixe; alguns estavam mais activos, outros menos; mas, o certo é que o tempo em que se actuou em cada um deles, à semelhança de muitas outras jornadas com resultados superiores, teria sido suficiente para mais e melhores capturas, o que não aconteceu!

Nestas alturas o que costumo fazer é, pura e simplesmente, esquecer todos os pesqueiros que conheço e procurar sítios novos, em zonas onde ando para testar há algum tempo e que se enquadrem, em termos de profundidade e qualidade de fundos, com a época actual.

No Domingo, com o Tózé e o João Maria, foi precisamente o que fiz!

Numa profundidade a que chamo intermédia para esta época do ano, cinquenta metros; e, numa zona onde nunca sondei, embora não fique longe de outras referências, procurei, tornei a procurar e encontrei um fundo com boas características, enquadrado em zona que já deu outros frutos, embora em pesqueiros mais afastados. A exploração da novidade, sempre nos traz outros alentos e após fundeio seguro, iniciámos a acção de pesca.

O pesqueiro revelou-se lento quanto a sinais. Primeiro, nem nas iscas tocavam; depois, começaram a comer as barrigas das postas de Sardinha; mais tarde, as postas inteiras já desapareciam; e, de repente, sem nada que o fizesse esperar dá-se a primeira luta... e que luta!

O Bicho era grande, fugiu para longe cabeceando e levando linha à farta antes de partir o estralho, ao que tudo indica por roçar em pedra, já que este vinha desfiado e cortado junto ao destorcedor de inserção na madre! Azar, talvez embraiagem demasiado leve ou um pouco de ambas as coisas!?
A partir daqui, o pesqueiro alterou-se, vindo a Sardinha a ser consumida rapidamente e peixes de bom tamanho a entrarem espaçados, como esta Dourada que apresento:


Este Sargo Veado que calhou ao João Maria:


E ainda este outro exemplar tirado com Cavala fresca pelo Tózé...


... entre outros que culminaram na pesca que se vê, podendo esta ter sido ainda abrilhantada por outros dois exemplares bem maiores que fugiram, respectivamente ao Tózé e ao João Maria que, a subirem ao poço, teriam tornado este dia inesquecível.


Cá estão os orgulhosos e teimosos pescadores no topo da pesca.


Resumindo a jornada, parece poder dizer-se que estávamos no caminho das "estrelas", fruto da procura e da alternância de locais de pesca. Pena ter de fazer mais um interlúdio de pesca o que dificultará fundamentar razões do acontecido, mas certamente utilizando os mesmos métodos e conceitos e melhorando-os aqui e ali, as vitórias continuarão a aparecer, servindo as derrotas para as abrilhantar.
Entretanto, ficou mais uma marca de respeito no GPS, mais uma zona que tem muito por explorar e, quem sabe, para dar, na época que decorre. Vamos ver!

Mais uma vez a sardinha foi a Rainha da festa, à excepção da Dourada do Tózé que caiu à Cavala fresca.

Uma boa noite a todos os leitores e até à próxima.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

É dia de pesca!


Uma pequena paragem no trabalho, férias com família e amigos, tempo de calma que se pretende intervalado com pesca.

Acordo com Sol já alto e fixo a imagem de calma que o monte me oferece, oiço a passarada e penso que não estou longe da embarcação, assim como o Victor e o João Martins, companheiros deste dia de pesca alternado, durante algumas horas, com a companhia da família que já nos encomendou o jantar.
Até a gata "Lili", moradora no local, me olha nos olhos, como que dizendo: "ouve lá, oh mastronço... é hoje que como tripas frescas"?


Respondo-lhe com ar céptico... talvez!? 
Entretanto, viro-me para o pessoal e aconselho a descongelarem qualquer coisa, não vá o diabo tecê-las!?

Tudo isto, enquanto decorrem os preparativos para iniciar os trabalhos de mais um dia de pesca. Maravilha!!!

A previsão meteorológica não é das melhoras, apontando vento para a hora do almoço desta Segunda Feira e... estou indeciso!
Que pesqueiro escolher?

O peixe, provavelmente, continua ali por terra; a temperatura da água é baixa e pode ter alterado este factor; ir para fora, pode não ser a melhor hipótese atendendo a que a entrada do vento vai certamente correr connosco para a terra não se sabe quando; como optar? Vamos ver!? Penso para comigo, enquanto eu e o Victor vencemos a distância que nos separa de Sines, do encontro com o João Martins e dos preparativos finais desta jornada.

Já navegamos na baía e o primeiro pesqueiro está escolhido... vamos arriscar um pouco mais fora que nas últimas jornadas mesmo que o vento não nos deixe lá estar o tempo necvessário, pelo menos tentamos.

Encontramos o fundo que queremos, a marcação está lá, suficiente, fundeamos e iniciamos as hostilidades.
O roubo rápido embora pouco perceptível de iscas inicia-se de imediato e as aspirações ficam em alta, ao ponto de pensarmos que o jantar, para a família, amigos e gata, está garantido... mas não!
Decorre uma hora e tal de "trabalho árduo" e nem sinal de um peixe de jeito, para além de duas Sarguetas, tipo medalha e de algumas Bogas e Cavalas, nada sobe, fazendo-nos pensar em telefonar para os organizadores da paparoca, avisando-os que aquela história de descongelarem umas coisas para o jantar é capaz de se tornar uma realidade, mas optamos por aguardar mais um pouco, mantendo a regularidade das subidas e descidas de iscas; muito por alguns toques que pareciam diferentes e também por um repentino aumento do tempo de desiscagem. Será que o pesqueiro vai sofrer alteração? Nesta altura do ano, acontece e, por vezes, nem mais uma isca é tocada. Ou será que algum predador entrou na área?

A minha iscada toca o fundo, acerto a tensão da linha e aguardo sem nada sentir. Os toques vêem de repente... um, dois, três; rápidos e intensos, levando-me a ferrar alto para ver a ponteira a cabecear desalmada, prenuncio de uma luta jeitosa e subida do primeiro "companheiro para o jantar".
Pfiuuuuu... estava a ver que não!?


A bordo tudo ficou mais atento, sentindo que estava a valer a pena o trabalho e a espera, mas, para além de mais uma Dourada pequena, nada mais se conseguiu antes que o vento nos corresse mais para a terra, procurando conseguir o resto do jantar em ambiente mais cómodo.
Mais procura, mais sondagem, mais fundeio e... iscas para baixo!

A água era mais azul, os primeiros toques tardaram e as iscas nunca foram roubadas na totalidade. Primeiro, nada; depois, roubavam a isca do anzol de baixo; mais tarde a do anzol de cima; mas, os toques sentiam-se melhor, não só por menos profundidade, mas pelo tipo de peixe que por lá andava, começando o Victor por tirar uns Sargos de bom tamanho e até este Veado... lindo!


O jantar já estava garantido, já podia devolver a gracinha à gata e continuar a dizer ao pessoal: "normalmente, para o jantar, arranja-se sempre"!
Mas, ainda não tinha acabado, pois o nosso João Martins, quando já se olhavam os relógios com intenções de regresso ao porto e aos trabalhos que precederiam o jantar técnico alargado, dá o seu grito de guerra... eh láááá!!!
Percebia-se porquê! A sua 7even, cabeceava loucamente, a linha já saía e a luta dava-se... agreste; fazendo subir ao poço mais este exemplar que iluminou os olhos do meu companheiro e abrilhantou a caixinha do pescado!


A pesca estava safa, a comida para o jantar também,  quer em quantidade, quer em qualidade; e, a conversa de pesca perspectivava-se cheia e longa!
Quanto à gata... tramou-se com as desconfianças e teve de se bater com a enorme parte que lhe coube! O respeitinho é muito bonito!

Brincadeiras à parte, mais uma jornada "difícil", onde o trabalho de equipa, em conjunto com as opções tomadas, se verificou suficientemente produtivo para alegrar todos os intervenientes deste dia de pesca.

Esta Quarta Feira também fomos e ainda foi mais complicado, embora com jantar assegurado; mas, sobre este dia falaremos quando o analisar melhor.

Até lá, uma boa tarde para todos vós e boas leituras, estejam ou não em período de férias.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Entre trabalho, pesca e vento...


O jantar já era, o digestivo estava algures ali ao lado e a cabeça, momentaneamente livre de trabalheiras que ladeavam momentos de pesca, alinhava nova entrada neste espaço, considerando as últimas saídas e as ventanias que sobre elas pairaram, tornando-as difíceis de controlar.
Verdade seja dita... as jornadas que vou relatar só aconteceram por pressão dos amigos e também pela necessidade lactente de ir para Sines e para o mar. Já no que respeitou às condições apontadas pelo Windguru, embarcou-se mais numa lotaria que propriamente naquela pesca pensada que gosto de fazer.
Verdade também que não podemos pormenorizar demasiado, sob pena de podermos perder bons momentos e experiências que se poderão afirmar como importantes.

Tudo começou no dia 29 de Junho, feriado municipal de Évora e, portanto, ideal para o Tózé e o João Maria, Eborenses de gema que me provocaram à séria para aproveitar um dia com vento marcado, acabando este por se revelar produtivo, muito pela resistência destes companheiros ao roubo incessante de iscas e às entradas esporádicas de peixes que, sendo de qualidade, teimavam em cair espaçados, acabando por recompensar a persistência e o que considero ser "o saber estar na pesca"!

O dia foi duro, com o vento a dar-nos tréguas até ali à uma hora da tarde, mas sempre ameaçando a sua entrada mais forte, obrigando-nos a escolher bem, trabalhar ao máximo os sinais do pesqueiro e arriscar ao mínimo mudanças que eventualmente só consumiriam tempo útil de pesca. Mas acho que valeu a pena!?

Os Sargos legítimos começaram a dar um ar da sua graça, intervalando prolongadamente com uns Carapaus e até com o "primo" que o João Maria alegremente aqui mostra:


Já entraram maiores, mas dava para sentir que a coisa melhorava com a entrada de mais um Parguito ou outro, sempre à mesma velocidade, construindo uma pesca calma em entradas, dura em trabalho mas até bonita.

O vento começava a indicar que a hora de navegar para terra já se aproximava, quando a cana do Tózé se vergou até ao cabo, parecendo até que estava agarrada à "tampa do fundo"!? Só que a dita "tampa" não cabeceia e se não, estava lá coisa para dar "bela luta", como costuma dizer outro Eborense conhecido.
A cana gemia, o carreto dava linha, o Tózé estava concentrado e, pareceu-me até, com alguma desconfiança sobre o desenlace final, mas a verdade é que tudo correu bem e o nosso amigo acabou por conseguir o primeiro Pargo sério da sua história de pesca e de cujo feito aqui fica o registo.


Quatro quilos e tal de vermelho e prata, qual cereja merecida, no topo do bolo que abaixo se apresenta, representado pela totalidade da pesca conseguida até às três da tarde, hora em que o vento não abdicou mais do seu mau feitio e nos recambiou para o porto.


Os meus amigos andaram para Évora e eu por lá fiquei gozando momentos, comendo, bebendo e pensando na pesca que iria fazer a solo no dia seguinte, com hora marcada para voltar a Setúbal onde os trabalhos para a organização da Taça de Portugal de Kayak de Mar me aguardavam, obrigando a relegar a pesca para segundo plano.
Verdade que, na Quinta Feira, dia 30, ainda fui... ainda capturei três ou quatro Sargos legítimos, uma Dourada pequena e dois Parguitos de quilo, mas nada que merecesse foto, para além de que, devido a telefonemas contínuos de trabalho, a coisa soube-me a pouco e cedo tratei de me vir embora.
Uma nota importa ficar escrita... o comportamento do pesqueiro foi muito idêntico ao do dia anterior, embora em local diferente, na mesma zona. Tudo indicando que o peixe de qualidade anda por ali, basta ser-se suficientemente persistente e atento para conseguir surpresas de destaque.

O trabalho veio com o fim de semana, tudo correu bem e as perspectivas para os passados dias 8, 9 e 10 de Julho eram, como direi... ventosas!

Mais uma vez, os desafios do Carlos Jorge, do Brás e do Zé Beicinho me levaram a Sines, entre ventos que não me agradavam. Certo é que, na Sexta, dia 8; eram 13.00 horas e já rumávamos a terra com muito pouco peixe e sem qualquer exemplar de nota. No dia seguinte, salvámos a pesca com uns Sargos legítimos e dois ou três Parguitos; finalmente, no Domingo, com o Zé Beicinho, o Zeca e o João Martins; não fora uns Parguitos pequenos e um ou dois Sargos, a miséria seria a mesma.

Concluindo... já estava a precisar de levar nas fuças!

Desculpas com vento e mais não sei o quê... nem me atrevo! Isto porque penso que se não se capturou foi porque não consegui dar com o peixe ou não soube trabalhar os pesqueiros testados, levando-me a pensar que para a pesca, ou se vai convicto do que se pretende e confiante nos pesqueiros ou então a percentagem de hipóteses de insucesso tende a aumentar significativamente.

Tudo indica que assim aconteceu nestes últimos três dias!?

As actividades finais estão a terminar, as férias com a família vêm por aí e a pesca vai voltar em força!

Logo conto!

Boa tarde a todos os leitores!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Amigos... ingleses trabalhadores e... surpresas, ou nem tanto!?


Estou atrasado!

O relato que se segue, já devia ter acontecido, pois refere-se ao período entre 9 e 12 de Junho, mas a preparação de outras actividades, neste caso a FINA 25 km Setúbal Bay 2011, prova do Circuito da Taça do Mundo de Natação de Águas Abertas, realizada no passado dia 18 e da qual fui o responsável pela segurança no mar; não me deixou espaço para vir deambular e deixar factos e sentimentos por aqui. Mas estão fresquinhos e chegou a hora de deitar mãos a esta obra!

Os dias, aos quais se refere o relato, estavam todos combinados com pessoal amigo... ora no que se refere ao Morais e ao Teles, também uns ingleses que vinham experimentar "a minha pesca" através do Nuno Mira, na Sexta; ainda mais dois amigos de Évora, no Sábado; e, claro, o Zé Beicinho, no Domingo; único dia em que aquele mouro de trabalho consegue molhar as linhas... uma azáfama!

Sou sincero! Não que me importe de ter por lá pessoal amigo... mas assim todos os dias, também não é do meu completo agrado. Faz-me falta um diazinho sossegado, daqueles em que sinto poder fazer o que quero, quando e onde quero; sem dar cavaco a quem quer que seja! Mas adiante!

As zonas a testar, estavam na minha cabeça... havia que andar por fora e, caso a coisa não se desse, descambar para a terra onde já é altura de aparecerem umas surpresas.
Lá fomos, eu o Morais, amigo desde os 14 anos... escola... doidices... namoradas..., enfim, aquelas coisas boas que passaram pelos anos à maioria dos mortais. Também o Teles, mais novo que nós e bom companheiro.

Os pesqueiros apareceram na sonda, escolhemos e poitámos. A aguagem era muito leve, ideal para pescar, e, os nossos interlocutores, intervalando com a habitual ladroagem de isca, começaram a subir ao poço. Ora dourados, ora vermelhos, ora até malhados, como este Alfaquim pertencente ao par capturado pelo Morais...


... ou este Parguito, do Teles, pertencente ao grupo que subiu, nunca excedendo este "miserável" tamanho!


As horas passavam, as capturas sucediam-se ao ritmo referido, até que, entrou uma aguagem tão forte que mesmo as chumbadas de 400 grs, tinham dificuldade em chegar ao fundo (60 metros)! Chatice! Aguagem pode ser coisa boa!? Mas assim e sem toques... é complicado!

A pescaria estava composta e o pesqueiro mais à terra, testado em seguida, não se mostrou frutuoso, empurrando-nos para a demanda do porto e da segunda parte da pesca onde os Alfaquins do Morais, foram as estrelas do evento... um espectáculo!
Vejam só o que o "Grande" Zé Beicinho fez com eles: fritinhos com Açorda de Alho! "Oh Mãe... dá-me água"! Este o grito de guerra que costumo proferir em situações destas, não liguem!


Claro que tivemos de "regar o quintal", com o Pias do Zé, enquanto falávamos dos acontecimentos do dia e degustávamos tal pitéu. Sei que tem por aí muita gente que anda numa Gourmet, outros, numa de Sushi e coisas do género... não critico e até alinho... às vezes!? Mas sinto-me cada vez mais Alentejano!


Apetecia-me continuar a contar-vos ao pormenor todas as conversas e brincadeiras deste jantar, mas foram tantas e tão variadas que melhor será avançar para as pescarias ou tão cedo não saímos daqui.

O Nuno Mira lá me apareceu, na Sexta de manhã, com os seus amigos ingleses, a quem, por obséquio ao Nuno, montei canas, carretos, montagens... a papinha toda para a pescaria do dia!
Uma coisa é certa... os homens perceberam tudo rapidamente e portaram-se à altura, a todos os níveis, conseguindo até alguns bons exemplares e uma pescaria que não sendo um estrondo, pode classificar-se como bonita! Ora vejam alguns dos exemplares conseguidos.

O Graham com uma Choupa de tamanho interessante:


Outra vez o Graham, agora com um polvo de tamanho considerável:


O Brian, com a captura do dia:


Ainda o Graham, com uma Dourada de tamanho aceitável:


Finalmente o Brian com um pequeno Serrajão, libertado posteriormente devido ao tamanho e cuja foto só aqui figura, devido ao gozo extremo que evidenciou em tal luta. Há gostos para tudo!? Mas até se percebe.


E assim terminou este dia, evidenciando que as coisas acontecem... basta a uns, saber procurar; e, a outros, saber ouvir!

Mas esperem lá! Neste dia tive uma notícia excelente! o Nuno disse-me logo à chegada que, por motivos de força maior, os nossos outros amigos que eram para vir no dia seguinte - Sábado - não o poderiam fazer, o que, sinceramente, até me alegrou. Não porque não goste da companhia mas, na verdade, abria-se uma janela para um conjunto de dias perfeito, já que ia ter o meu dia a solo. Espectáculo!!!
E, meus amigos, para além de ter ficado em estado de graça, até que valeu por cada minuto, iniciando-se este tempo no preciso momento em que fiquei só, arrumando o barco, sentindo aquela liberdade só possível quando sabemos que não temos contas a dar a qualquer mortal durante um determinado espaço de tempo. Difícil, é encontrar palavras para descrever!?

Arrumei tudo, devagar, fui tomar o meu banho, olhar as fuças no espelho, fazer a barba de três dias, seguindo-se um jantar descansado, com amigos lá de Sines que sempre se encontram, o digestivo no Bar do Náutico e a volta ao barco para um sono reparador, sem hora marcada para acordar. Tão simples! Tão bom!

O Sol acordou-me batendo-me nos olhos, já elevado por cima do molhe de protecção, virei-me para o outro lado, destapei-me e deixei-me acordar, relaxado, sem sentir o cansaço normal de dois dias de pesca. Levantei-me devagar, lavei-me na mangueira da marina, tomei o pequeno almoço sentado no poço do barco e subi à cidade, procurando o café, a isca, o gelo... tudo sem pressas, trocando conversa com quem me cruzava, normalmente de pesca ou sobre os artigos que procurava. Uma delícia!
O barco aguardava-me, fiel, na calma do local, obrigando-me a guardar o momento com a imagem que resolvi reter.


Retoquei as baixadas das canas que ia utilizar, acomodei-as para a viagem e saí o porto, aquecendo motor e pensando como actuar tendo em conta a época do ano, o vento anunciado, as 12.30 horas mostradas no telemóvel e a vontade de procurar pesqueiros à terra que há muito não visitava. É tempo de voltar ao princípio e testar aqueles pesqueiros onde me iniciei lá por Sines que tantas alegrias me deram. Já merecem a visita e, nesta época, até me podem surpreender... pensei com o único botão que trago nos calções.
As pescarias e respectivos resultados, por ali conseguidos, passavam no ecran do PC interno, fazendo-me desviar rumos, indeciso, acabando por escolher uma zona de pesqueiros, ali pelos 37/38 metros, onde esperava que a sondagem ditasse a decisão final!?
E, de facto, lá estavam marcações conhecidas, num entralhado à beira dum pontão não muito alto que se encontrava no limite da zona de pedra. Azuis, amarelos e alguns verdes; espalhados num raio de 50 metros, não deixavam dúvidas sobre a actividade no pesqueiro. Restava saber o que por lá andaria, se a isca interessava e, se sim, o que apareceria no decorrer da acção de pesca!?
Estava nas minhas "sete quintas"!

O mais engraçado é que o pesqueiro reagiu tal e qual como sempre foi seu hábito, salvo raras excepções. Nos primeiros quinze minutos, as iscas iam e vinham como se nada por lá estivesse, depois, começaram a vir ratadas nas partes mais moles, indicando a chegada ou decisão de alguns pequenos interessados; em seguida, começaram a desaparecer no anzol de cima; mais tarde, no anzol de baixo; até que... primeiro peixe de jeito: um Sargo com perto de quilo! Logo em seguida uma Dourada um pouco maior e outro Sargo bom na descida seguinte. A coisa está-se a compor... pensei!

Não vos passe pela cabeça que isto aconteceu de repente... estes três primeiros peixes só subiram a bordo passada uma boa hora de acção de pesca. No entanto, o pesqueiro já estava a reagir de forma totalmente diferente: os anzóis ficavam "polidos" em segundos e as trocas de iscas sucediam-se em tempos proporcionais.
A acção continuou, ininterrupta, mantendo-me em estado de alerta para os toques, agora já perceptíveis, aguardando momentos de paragem aos quais, invariavelmente se sucediam capturas, principalmente à base de Sargos grandotes que iam entrando a espaços, obrigando-me já a olhar a caixa, tentando avaliar o peso total para não exceder aqueles limites que conhecemos.

Pesca alvorada, um pequeno toque e sobe um Carapau, tão gordo que de imediato pensei em jantá-lo, talvez na companhia de outros irmãos anafados que por ali andassem e quisessem "jantar comigo". Nova paragem e entra o primeiro Pargo, para aí com um quilito. Só agora? Lá mais para a frente já devem chegar mais cedo... falei para dentro comentando os sinais.
O peso estava quase certo e a pesca estava a chegar ao fim. Isco meia sardinha e desaparece em um minuto; isco duas postas em cada anzol, deixo cair e tudo fica calmo muito para além do tempo aceitável permitido pelos "miúdos". Não tenho a certeza se já me roubaram e não senti! Não quero mexer a pesca, para não espantar algo que por lá ande. De repente, sinto dois toques mais secos ao fim daquele tempo que pareceu uma eternidade e... ferro com violência!

A cana dobra, amortecendo as primeiras cabeçadas! A linha sai! A tensão mantêm-se! Sai mais linha, só aquela que a taragem deixa, a luta é séria! Ele leva, eu deixo! Vai para longe e cansa-se! Já se nota! Enrolo, aguento, torno a enrolar de cana levantada e começo a vislumbrar aquele prateado encarniçado, com laivos azuis que costumam mostrar perto de aceitarem a derrota ou antes de algo acontecer e libertarem-se à última hora. Mas não! O enxalavar já está na água, coloco-o debaixo do peixe, mudando a cana de mão e elevo-o até ao poço, onde lhe capto a imagem junto ao meu pé! Lindo peixe!


Não resisto e guardo a imagem de grupo:


Mais tarde, chegado ao porto, encontro alguém para nos tirar a foto merecida, ao alto, guardando assim momentos que mesmo sem foto não se esquecerão... por tudo!



Mais bonito ainda... eram 16.30 horas e já ali estava, sem pressas e com tudo aquilo que não esperava mas que procurei e encontrei! Não peço mais... só quero outros dias deste tipo, com mais ou menos peixe, mas onde os prazeres que ficaram possam perdurar no tempo!

O jantar foi rico de peixe, de conversa e de companhia, pois para além do Zé que sempre guarda um tempo entre assadas para dar dois dedos, o meu amigo João Martins apareceu para o café e cacau técnicos que se arrastaram pela noite dentro, antes que os lençóis me acolhessem de novo.

No dia seguinte, Domingo, o Zé Beicinho e o meu amigo Carlos Cruz completaram a campanha que, considerando o vento já mais forte e os resultados do dia anterior, se dirigiu de imediato, adivinhem onde? Ao pesqueiro do Pargo grande... claro!!!
O mais engraçado é que, à excepção de um exemplar daquele tamanho, o pesqueiro teve um comportamento quase tirado a papel químico sobre o do dia anterior, oferecendo-nos uma pesca bonita, onde figuraram três Sargos Veados, entre 1,200 e 2,500 kgs, alguns Parguitos, e alguns Sargos legítimos que só não foram guardados em imagens porque, pasme-se, ninguém levou máquina e a minha ficou sem bateria... Parvoíce!

Não faz mal! Haja saúde, tempo, algum dinheiro e muita pesca!

Boa tarde a todos os leitores!