domingo, 17 de fevereiro de 2013

A cor vermelha em pesqueiro novo!


Peixes em tons de vermelho, com olhos do tamanho de cápsulas de cerveja ou maiores... adoro!

Mas tanto ou mais que a sua captura, são os esforços que se desenvolvem na sua procura que me apaixonam, tanto em momentos menos bons, quanto em momentos de sucesso; principalmente quando esse sucesso se baseia na procura de novos fundos, no aproveitamento de condições de mar e vento ideais para explorar zonas específicas, adequadas a cada época, e, nas decisões que se tomam quanto a fundeio atendendo à actividade observada nas imagens que a sonda nos devolve, permitindo-nos operações de fundeio em que ficamos a pescar mesmo onde queríamos. Isto é, depois de analisar jornadas menos produtivas quanto a resultados, época do ano e condições de mar e vento em que foram realizadas; esperar um dia em que as condições sejam favoráveis, adequar a procura em função da análise anterior, insistir em locais desconhecidos e profundidades diferentes, até encontrar um fundo com bom aspecto, fundear bem e... ter sucesso.

Mas chega de introdução e passemos ao relato.

Este início de ano tem sido pródigo em dias que não permitem ir ao mar. Se por um lado é bom por permitir a renovação necessária, por outro, não permitindo uma regularidade de saídas, quebra o ritmo de pesca, principalmente no que se refere aos locais onde o peixe "habitualmente" pára.
A palavra entre aspas, colocada de propósito, é um perigo no que se refere à procura de peixe, muito porque os hábitos do peixe, prendendo-se essencialmente com a alimentação e em alturas específicas  com a reprodução, variarão por norma em função das deslocações do peixe alimento que, por sua vez, serão ditadas pelas condições determinadas por correntes, temperaturas e outras, existentes no meio aquático, muitas delas que não conseguimos dominar, obrigando à regularidade de saídas na procura dos locais onde possam prevalecer determinados "hábitos" de passagem de peixe, em determinada época do ano, mas no entanto sujeitas à alteração dos tais "hábitos". Valham-nos as capacidades de ter em conta estas possibilidades e de saber ler a santa sonda, para não falar naquelas de, em acção de pesca, entender as reacções do pesqueiro e proceder em conformidade, pensando sempre que estes peixes de maior porte, normalmente, não andam por lá ao monte, nem se atiram a qualquer isca ou formato de apresentação da mesma.

Das reflexões produzidas, parece poder entender-se que os tais "hábitos" normalmente verificam-se em determinadas épocas, mas de ano para ano, podem alterar-se significativamente tanto no que respeita a profundidades, quanto a zonas de pesqueiros, obrigando a uma procura contínua tendo em conta as variabilidades referidas, pior ainda em fases de transição climatérica ou nos momentos em que o peixe tende a afundar ou vir mais à terra.
Não há hipóteses de o descobrir, senão indo e experimentando em pesqueiros diversos ou procurando novos, mesmo correndo riscos de insucesso.
Em determinadas alturas deste processo de procura, poderemos dominar, durante períodos relativamente longos, os locais e tendências do peixe, sabendo que mais cedo ou mais tarde tornaremos ao processo, devido à contínua mudança de condições a que o meio aquático está sujeito.
O domínio sobre os factores apresentados e consequentes hipóteses de sucesso, tende a aumentar com a regularidade de saídas, coisa que nem sempre se consegue.

Este conjunto de factores justifica, de algum modo, resultados das últimas saídas, relativamente intervaladas, em fase de transição, correndo riscos de não capturar e chegando a esta última, Sábado, dia 16 de Fevereiro, deste ano da crise dos ladrões de 2013, em que, acompanhado dos companheiros Tózé e João Maria, resolvemos procurar novos pesqueiros, mais fundos, atendendo à época e conseguindo alguma recompensa.

Saímos pelas 08.30, quase de madrugada, para um mar calmo e estanhado, abrilhantado por uma leve brisa de Sueste, óptima para aproar o barco e mantê-lo quieto, desde que não existisse nenhuma aguagem contrária ou atravessada que fizesse variar a posição de fundeio em conjunto com possíveis variações da intensidade do vento que não eram esperadas. As condições ideais para ir procurar um pouco mais longe e mais fundo.
Navegámos para Oeste, procurando uma zona de pontões altos, ladeados por entralhados, em profundidades compreendidas entre os 80 e os 100 metros de profundidade. Chegámos, determinámos a deriva do barco e iniciámos a sondagem. Primeiro num pesqueiro já conhecido que não me agradou, tanto pelo aspecto da actividade que me pareceu essencialmente de peixe miúdo, quanto pela dificuldade, para não dizer impossibilidade de lá fundear, atendendo ao rumo da deriva. Estas condições levaram-me a alargar a procura na zona, batendo-a em rumos paralelos e perpendiculares que me levaram para bem longe do que já conhecia por ali, assim como à descoberta de um novo pesqueiro que se apresentava a jeito para o fundeio e cuja imagem de sonda me agradou, tanto pela configuração de fundo, quanto pelas imagens de actividade observadas. Era ali! Estava decidido!

Após o fundeio, percebemos que tudo estava de feição, até uma leve aguagem que corria no mesmo rumo do vento. Uma beleza... só faltava pescar, coisa que de imediato fizemos, até porque... "cheirava a peixe". Não sei explicar as condições em que a anterior expressão me vem à cabeça, mas o certo é que muitas vezes funciona, talvez quando tudo está a bater certo, como por exemplo: um dia excelente, procura nova, pesqueiro novo com muito bom aspecto, fundeio certinho, aguagem qb, estão a ver... aquela ponta de aguagem que não incomoda nada e só pode levar os cheiros e as vibrações a "quem de direito", enfim... tudo a favor.

As iscas desceram, os toques iniciaram-se, leves, discretos, sem roubos completos de iscas que se iam repondo com a velocidade permitida pelos 87 metros de profundidade.
As Pataroxas iniciaram as hostilidades, com aquele toque característico que só engana às primeiras, revelando-se depois, numa luta relativamente pesada e desinteressante. Seguiram-se os Safios, um ou outro, para o lado do pequeno, atendendo à espécie e de imediato devolvidos à procedência. Ou vinha grande, ou não vinha!

Hora e meia de pesca já decorria, quando um toque disfarçado me fez levantar a cana forte e alto, pensando  em mais um Safio mas, a cabeçada seguinte felizmente desenganou-me... Safio não corre daquela forma nem cabeceia assim. O Pargo batia forte e pesado, como é normal nestas profundidades, fomos lutando, vencendo a distância até à amura do Makaira e à foto para a posteridade, com aquele seu vermelho bonito.


As hostilidades mais sérias tinham-se iniciado, a tensão sentia-se a bordo, esperando que aquele não estivesse só e, na verdade, não estava.

As iscas repuseram-se, desceram, foram roubadas, tornaram a subir anzóis limpos, iscaram-se, desceram, mais um toque e mais um Pargo em luta. Desta vez mais pequeno, mas de bom porte, sem direito a foto imediata... não havia vagar.

Não eram passados cinco minutos e foi a vez do Tózé, com outro também mais pequeno, mas também suficiente para colocar um sorriso na face, contrastante com a cara séria que colocou para a foto.


A coisa corria bem, o "cheiro a peixe" já era real e a luta calhou desta vez ao João Maria, com bicho maior, aliás o maior que alguma vez tinha capturado na sua vida e com o qual, para além das várias futuras refeições possíveis, passou à história em imagem...


A atenção a bordo sentia-se... tudo estava concentrado e começaram a subir Safios continuamente libertados, excepto um deles, com 8,900kg que guardámos, enquanto se esperava nova entrada de Pargos, o que infelizmente não sucedeu, embora se tentassem vários formatos de iscadas, ao fundo e à chumbadinha.
As horas correram rápido, demasiado rápido, como sabemos que correm sempre que fazemos algo que gostamos, até à chegada ao porto de recreio e às imagens finais, nomeadamente a seguinte onde me encontro com os meus dois "companheiros de refeição".


Fica agora a pergunta: porque não entraram mais Pargos?

Várias hipóteses podem ser apreciadas, por exemplo:

1. Só conseguimos atrair aqueles, ou só aqueles andavam por ali!? Sinceramente duvido. O tipo de pesqueiro, a profundidade, a época do ano, a aguagem leve e a continuidade de roubo, entre outras possíveis, formavam um conjunto de factores tendentes a manter interessados ou a chamar mais "vermelhuscos".

2. Após a entrada do último Pargo, verificou-se um aumento significativo dos ataques de Safios, muitos deles tão grandes que tínhamos dificuldade em os retirar do fundo, ou cortavam os estralhos de 0,42 e 0,50mm. Agora, aqui em terra, pergunto-me se os Safios, atendendo ao seu tamanho, não terão ganho em concorrência com os Pargos, na aproximação às nossas iscas!? Isto porque só levámos Sardinha, o que, nestes pesqueiros mais fundos, pode ser um erro, atendendo a que a gulosice dos Safios por esta isca é conhecida e caso tivéssemos Caranguejo, Camarão e Lula, talvez, a ser verdade, os Pargos tivessem outras hipóteses!? Não se sabe... mas para a próxima logo se vê?

Uma pena o tempo ter piorado para este Domingo. Para todos os efeitos, foi uma pesca como se gosta, com bons exemplares e em novo pesqueiro que muito ainda terá para dar. Outros relatos se esperam dele.

Até lá, uma boa noite a todos os leitores.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Aquisição de barco... cuidados essenciais.


As condições climatéricas estão, como direi... miseráveis. Nada que se compare com a foto de abertura... infelizmente.

A montagens, anzóis e todo o resto do material, já nem sei que lhes hei-de fazer, depois de tanta preparação, manutenção, montagens, invenções e sei lá mais o quê. Portanto, venho aconchegar-me aqui, no quentinho do blogue, para tagarelar convosco, desta vez, sobre barcos, principalmente aqueles que são o meio de locomoção na prática da nossa actividade "mais que tudo".

O artigo que vos proponho, foi por mim escrito, em Junho de 2009, propositadamente para o site Porto de Abrigo e, na verdade, nunca o postei aqui. Lacuna que quero preencher, atendendo a que, segundo a informação prestada pelo serviço de estatística do blogue, tudo indica que muitos dos leitores desta página, não serão assíduos do site.

As opiniões que se transcrevem, decorrem da minha perspectiva de utilizador e da procura contínua de perceber como adquirir, tratar e usar uma embarcação, reduzindo ao mínimo os custos de manutenção e utilização, necessárias e correctas.

O momento, atendendo à crise porque se passa, é difícil para disponibilizar dinheiros. No entanto, um outro olhar, permite-nos afirmar que poderemos ter acesso a preços muito inferiores àqueles que se praticavam na altura em que o artigo foi escrito. Portanto, espero que vos sirva para procurar ou simplesmente sonhar.

O conjunto de informação que se vai desenvolver, não pretende ser um exaustivo documento sobre tipos de barcos, motores e formas de transmissão ou propulsão; antes uma informação inicial, da qual poderemos partir para questões mais profundas, podendo assim partilhar com aqueles outros que necessitarem de informação ou até aconselhamento nesta área, considerando aquisições, manutenções, licenciamentos… tendo para tal em conta as bolsas menos ou mais abonadas.
Vamos então falar de barcos!

Definição de Barco:

“Barco é um artefacto construído por um ser humano, capaz de flutuar e de se deslocar sobre a água que envolve vários princípios da física e da geometria…
Toda a construção feita em madeira, ferro, aço, fibra de vidro, alumínio ou da combinação desses e de outros materiais, com uma forma especial, servindo para transportar, pela água, pessoas ou coisas, é sinónimo de embarcação e designada de vários modos em diversas culturas. Adaptado a vários tipos de propulsão, cedo na história se percebeu que este meio de locomoção oferecia muitas vantagens”. (Wikipédia 2009)

A definição anterior precede uma evolução que permite hoje o acesso a embarcações dos mais variados tipos, propulsionadas de formas diferenciadas, com preços de conjunto variados, permitindo que, tendo uma tal opção na vida, muitos cidadãos possam aceder a um destes objectos em estado novo ou usado, mais pequeno ou maior, com mais ou menos motorização, construído com bons materiais ou nem por isso, mas que cumpra com os objectivos iniciais a que se destina.
Vamos lançar um olhar pelas características, tendo em conta tipos de cascos, motorizações, transmissões, consumos, manutenções, electrónica… um mundo complicado que tentaremos simplificar.

Tipos de Cascos:

Duma forma muito simples e sem entrar em pormenores tecnicamente mais profundos, os cascos podem caracterizar-se quanto a:

  • Tipo de deslocamento na água
  • Formato do casco.
Quanto ao tipo de deslocamento na água, podem considerar-se:

  • Cascos planantes, os que após arranque se deslocam planando sobre a água.
  • Cascos de deslizamento, os que deslizam afastando a água cuja parte do barco mergulhada empurra.
  • Deveremos ainda ter em conta os semi-planantes e de semi-deslizamento, com características intermédias das duas primeiras definições, sendo que o semi-planante, por vezes poderá andar muito perto do planante e o de semi-deslizamento, mantendo as características do casco, poderá conseguir velocidades ligeiramente superiores às do puro deslizador.
Para a caracterização seguinte, consideremos as figuras abaixo!



Quanto a formatos de cascos, temos:

  • Cascos planos ou com um V muito leve (fig. 1), principalmente utilizados em planos de águas calmas (barragens, rios…) e de características francamente planantes, rápidos e sem necessitarem de grandes motorizações.
  • Cascos em V profundo ou muito acentuado (fig. 2), ideais para mar aberto e necessitando de motorizações potentes para suportarem as suas características planantes ou semi-planantes e as velocidades que podem atingir.
  • Cascos arredondados (fig. 3), os deslizadores por natureza, sendo que  as altas motorizações só se justificarão no caso de traineiras ou barcos de trabalho normalmente transportadores de grandes cargas a velocidades reduzidas comparativamente aos outros formatos.
  • Multi-cascos, também denominados por catamarans ou trimarans (fig. 4), dependendo de possuírem 2 ou 3 cascos ligados entre si, sendo que no primeiro caso, pela oposição dos ângulos entre os cascos separados e iguais (catamarans), se poderão considerar planantes. Estes barcos são normalmente motorizados com um motor em cada casco, não necessitando de motorizações altas para atingirem velocidades significativas. Os trimarans são característicos normalmente em veleiros com um motor central, sendo que os cascos laterais têm dimensões diferentes do casco central (a imagem só dá uma ideia).

Que tipos de motores e transmissões para os cascos com deslocamentos e formatos diversos que mais nos interessam?

Vejamos as figuras seguintes:



As figuras acima representam os três tipos de motorização / transmissão mais usuais, podendo cada uma delas equipar qualquer um dos cascos referidos. Quem não viu já um bote com casco nitidamente de deslizamento ser propulsionado por um motor fora de borda (fig. A) de baixa potência ou um casco planante ou semi-planante ser propulsionado por um motor dentro de borda com transmissão por linha de veio (fig. C) que por sua vez é o mais usual em cascos de deslizamento? O mesmo já não se verifica com os motores dentro de borda com transmissão por coluna (fig. B), cuja utilização é essencialmente utilizada em cascos planantes ou, em alguns casos, semi-planantes.

Identificados minimamente os tipos de cascos e motorizações / transmissões, importa desenvolver algum raciocínio sobre as relações barco, motorização / transmissão, custos e consumos, considerando estes quatro factores como variáveis interdependentes.

Consideremos em primeiro lugar os quatro factores que parecem ser mais influentes quanto à decisão sobre a escolha/aquisição da embarcação que podemos ter, isto porque, aquela que queremos será sempre maior e melhor que a conseguida.

  • Fim a que se destina… Pesca!
  • Preço inicial do conjunto… Dependente da carteira de cada um ou de algum sacrifício superior, por amor à pesca.
  • Consumos… Compramos um barco novo ou usado, em conta, mas com uma motorização que nos obriga a andar com a bomba de combustível a reboque… E depois?
  • Custos de manutenção… Será que conseguimos suportar as manutenções anuais, os pequenos arranjos, as vistorias, os licenciamentos, os impostos…?

Reflectindo sobre os factores referidos, pode dizer-se que qualquer barco pequeno, com uma motorização mínima, permite pescar!
No entanto, num barco para a pesca e considerando a nossa evolução enquanto pescadores de embarcada, procuraremos certamente espaço para toda a tralha que necessitamos e para o desenrolar da acção de pesca, assim como, condições de segurança do casco e fiabilidade do motor, adequadas às características da zona onde queremos pescar. Estes serão os principais requisitos se o dinheiro disponível só der para pescar no estuário com um bote aberto de madeira ou fibra, para aí com uns 4 metros de comprimento e com um motor fora de borda, a 2 tempos, com uns 5 HP.
Olhamos para a bolsa e, reparando que afinal dá para mais, começamos a procurar mais velocidade, para as mudanças de pesqueiros; mais conforto, para a acção de pesca; mais comprimento e boca (largura máxima), para irmos mais longe; uma cabine, para abrigar do vento; uma caminha e uma casa de banho, para dormir e tal…; extras, para a pesca grossa, e… Em algum momento deste percurso, em que vamos percebendo o que nos é minimamente necessário versus a enormidade de oferta, o nosso olhar depara com um conjunto barco / motor com um preço ajustado.

O momento de pormenorizar chegou!

Saber o que consome o conjunto eleito… Precisa-se!

Para tal importa que continuemos na nossa linha de raciocínio, em termos genéricos, tendo em conta o seguinte:

  • Qualquer motor consome e desgasta-se tanto mais quanto maior for a rotação em que normalmente trabalhar.
  • Os factores que condicionam o trabalho contínuo em alta ou máxima rotação estão relacionados com: motorização abaixo da adequada para o barco e carga que normalmente transporte (sub-motorização) e/ou passo de hélice inadequado ao conjunto.
Para percebermos as razões, o ideal, será experimentar o barco com a carga média que normalmente transportará (pessoas, material, combustível e palamenta ou equivalente) e testar duas situações:

  • Dependendo do tipo de casco, ele atinge a velocidade de cruzeiro (velocidade em que se consegue a melhor relação entre mínimo tempo de navegação/máxima distância percorrida/mínimo gasto de combustível), no máximo, a 200 RPM antes das RPM máximas indicadas pelo fabricante ou de preferência menos.
  • Em aceleração máxima, atinge, sem ultrapassar, as RPM máximas indicadas pelo fabricante para o motor em teste.

Caso os testes descritos sejam positivos, saberemos através do primeiro que, com a carga que normalmente vamos transportar no nosso barco, ele atingirá uma velocidade de cruzeiro em rotação abaixo da máxima com alguma margem; e, através do segundo, que o peso, número de pás e passo do hélice, no seu conjunto, possibilitam explorar a melhor performance barco/motor, atendendo a que, atingem em aceleração máxima as RPM também máximas, indicadas pelo fabricante, podendo assim assegurar a adequação de potências também durante o funcionamento em RPM intermédias.
A conjugação destes resultados, sendo positivos, costuma assegurar, à partida, o melhor consumo e menor desgaste do conjunto. Não estão aqui consideradas as influências de ajudas à navegação do conjunto, como sejam o TRIM e os FLAPS, mas isso dará certamente para um outro artigo.

Considerando a análise anterior, lancemos um olhar aos consumos, mesmo parecendo óptimos!

Os consumos, em conjuntos barco/motor, costumam ser aferidos em litros/hora ou litros/milha náutica. Isto pode levar-nos a um outro raciocínio relacionado com o combustível que vamos gastar quando navegarmos com o nosso conjunto.

Suponhamos que temos um barco de casco semi-planante com um motor diesel de 200 HP e um amigo nosso tem um barco de casco de deslizamento, com um motor precisamente igual… Potência, marca, e ambos montados com transmissão por linha de veio. O tempo está bom e decidimos ir fazer o que gostamos no mesmo pesqueiro. Ambos nos deslocamos à velocidade de cruzeiro, e com os motores a trabalhar à mesma rotação, sendo que a nossa, devido ao tipo de casco, é de 18 nós (Nó ≈ Milha náutica/hora) e a dele de 12 nós, por o casco de deslizamento ser mais lento e pesado.

Sem que necessitemos de fazer contas, parece fácil concluir que embora, salvo pequenas variações, gastemos a mesma quantidade de combustível por hora, atendendo a que vamos a velocidade constante e com os motores iguais a trabalhar à mesma RPM, percorreremos o espaço em 2/3 do tempo dele. Podendo dizer-se que, gastando ambos os barcos o mesmo número de litros/hora, o nosso gastará menos 1/3 por milha que o dele, em condições de mar calmo.
Em caso de mar agreste, os consumos poderão aproximar-se, porque ele terá mais hipóteses, devido ao tipo de casco, em manter a mesma velocidade de cruzeiro e nós talvez nem tanto, embora também não trabalhemos em rotação tão alta, mas aumentando o tempo de navegação para o mesmo percurso, donde decorrerá a referida aproximação de consumos.
Os custos relacionados com consumos, considerando o raciocínio anterior poderão funcionar comparativamente, também, entre barcos que utilizem gasolina ou diesel, pela mesma razão; ou seja, embora a gasolina seja mais cara, se o barco a gasolina (normalmente com custo inicial mais baixo) for mais rápido que outro a diesel poderá, mesmo assim, ficar menos dispendioso ou com custos idênticos atendendo ao menor tempo de trabalho para os mesmos percursos.

Considerados os raciocínios quanto a consumos, numa análise simplista ao mercado de motores, duma forma muito geral, considerando potências iguais e para que possam comparar, deixamos algumas características de motores.

Preço inicial de aquisição de motores:

  • Fora de Borda a 2 tempos, o mais barato.
  • Diesel, o mais caro.
  • Fora de Borda a 4 tempos e Dentro de Borda também a 4 tempos, com coluna, a gasolina; preços intermédios, considerando os anteriores.
Duração/Desgaste:

  • Fora de Borda a 2 tempos, o menos durável.
  • Diesel, o mais durável.
  • Fora de Borda a 4 tempos e Dentro de Borda a gasolina, durações intermédias, embora com o actual avanço tecnológico, já se sinta uma aproximação aos Dentro de Borda, com linhas de veio ou coluna, a Diesel.
Custos de manutenção, por ordem crescente:

  • Foras de Borda a 4 tempos e 2 tempos.
  • Diesel com transmissão por linha de veio.
  • Dentro de Borda com transmissão por coluna, a diesel e a gasolina. Neste caso é a substituição dos foles e vedantes necessários a manter estanque o interior do barco, que encarecem bastante as manutenções. Também por estarem montados muito encostados ao fundo do barco, estes motores costumam sofrer mais com as humidades salgadas que por lá se instalam.
Importa referir que as características apontadas, boas ou menos boas, dependem muito do tratamento e cuidados que cada proprietário prestar ao seu conjunto.

Passemos então para a manutenção… Que custos para o nosso barco?

Para começar a somar terá o futuro comprador de se questionar sobre:

  • Tenho onde guardar o barco ou terei de o colocar na área do meu clube náutico ou num armazém de recolhas? Quanto custa?
  • Vou colocar na marina ou porto de recreio, qual o melhor preço?
  • Se o vou rebocar para um local meu e não tenho bola de reboque, quanto custa colocar uma?
  • Ainda no caso anterior, onde o desço e subo e a que preço?
  • Tenho o barco sempre dentro de água... qual o preço das manutenções anuais como a pintura de casco, revisão do motor, retirada e colocação na água, valor a pagar por estacionamento da área de serviço; no momento da manutenção… faço-a eu ou pago a quem faça?
  • Em que classe registo o meu barco? Quanto custa a palamenta para essa classe? Que ferros vou comprar e a que preço? E as vistorias? Vem tudo incluído no preço inicial ou pago eu? E mais tarde, quando for eu a tratar disso? Não será melhor ver o que é necessário e os respectivos preços?
  • Atendendo à pesca que faço, que electrónica vou colocar e qual o preço? Incluirá a montagem ou tenho de pagar à parte?
  • E o imposto municipal sobre veículos? Mais essa…
Caso seja um barco usado, deveremos questionar-nos da mesma forma e ver o que traz, quando foi comprado, quando foi feito ou legalizado e as condições em que se encontram todos os materiais necessários, incluindo o próprio conjunto, tentando perceber que custos ainda teremos por nossa conta.
Neste processo (compra de usado) importa ter ainda alguns cuidados:

Documentação e palamenta:

- Verificar se tudo está em ordem, assim como as datas das próximas vistorias / reposições, face à classe em que o barco está legalizado. Quanto mais próximas, mais cedo teremos dinheiro para gastar.
- Solicitar o livro do barco, caso exista, pois neste livro tem todas as indicações sobre os cuidados a ter, assim como, desenho do circuito eléctrico, diâmetros e passos de hélice, no caso das transmissões por linha de veios e outras indicações que certamente nos virão a fazer falta.

Circuito eléctrico:

- Verificar todas as inserções de cabos eléctricos, tentando descobrir verdetes e vendo se estão protegidas por vaselina ou silicone. Isto, incluíndo os cabos da bateria e as suas ligações aos bornes.
- Verificar o nível de água das baterias.
- Verificar o funcionamento do equipamento electrónico (rádio VHF, sonda, GPS, radar...) se tal equipamento existir.

Nota: caso se verifique que as ligações estão desprotegidas, com verdete e que o nível de água da bateria está baixo, aumentam significativamente as hipóteses de termos de gastar dinheiro em melhoramentos ou reparações do circuito, assim como, em baterias novas.

Outros circuitos:

- Verificar o funcionamento de bombas de água, considerando as obrigatórias por lei e outras de serventia que o barco tenha, como por exemplo: circuito de água doce, viveiro de isca viva, água salgada...
- Caso o barco tenha casa de banho mecânica ou eléctrica, verificar se funciona sem entradas de água ou, se tiver depósito de "águas negras", observar também o seu correcto funcionamento.
- Relativamente ao circuito de combustível, verificar: os pré-filtros e se possível os filtros. Se os pré-filtros estiverem sujos, importa verificar os depósitos de combustível, principalmente se o combustível for diesel, atendendo a que este cria rapidamente impurezas que poderão entupir o circuito e fazer parar o barco.
No caso de depósitos com gasóleo, deve questionar o proprietário sobre anteriores limpezas do depósito e saber quando foi a última.
Por (má) experiência própria, posso afirmar que se deve "visitar" o interior dos depósitos com diesel, pelo menos de dois em dois anos.
Não será um problema que invalide ou interfira significativamente na negociação mas, no caso do gasóleo, se não conseguir ver o interior do depósito, assim que o barco for para a sua mão, deve de imediato abrir uma "janela" no depósito, verificá-lo e limpá-lo, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, ficar no mar sem alimentação do motor.

Casco:

- Observar o estado geral do casco. Nesta primeira observação, deverá ter-se em conta se o barco está parqueado em zona coberta ou a nado. Numa ou noutra das situações consegue-se perceber, numa primeira apreciação, os cuidados que o actual dono tem tido com a embarcação, analisando para tal vários tipo de sujidades: zonas com salitre agarrado, verdetes de algas ao longo da zona do casco que se encontra fora de água (obras mortas), ferrugens por aqui e por ali, nódoas de longa duração, enfim... aquele ar desmazelado; estas, as primeiras notas que o podem colocar de sobreaviso.
- Tirar informações do barco na zona onde é conhecido, tentando perceber se foi bem tratado, se há muito não é utilizado e quem é o mecânico que normalmente trata dele, com quem se deve tentar chegar à fala lendo, nas entrelinhas se necessário, as respostas dadas.
- Observar o casco fora de água, procurando falhas de gel, estaladelas e outras imperfeições.
- Caso o barco esteja habitualmente a nado, exigir a subida e limpeza do casco, quando não se consiga ver na totalidade, com o intuito de verificar toda a extensão com calma, atenção e tempo, procurando imperfeições, desníveis e outros defeitos na pintura. Importa saber quando foi feita a última aplicação, assim como a referência das tintas utilizadas, caso pensemos avançar com o negócio, no sentido de as podermos utilizar quando a manutenção estiver a nosso cargo. Neste processo e no caso de o barco estar continuamente parqueado a nado, considerar a possibilidade de ter de aplicar o tratamento total de pintura, caso tal não tenha sido feito entre os últimos 5 a 10 anos.
- Observar o interior do casco, olhando todos os compartimentos e zonas de arrumos, procurando marcas de entradas de água. Humidades, podem ser normais; entradas de água, nunca são. Excepto nos compartimentos do interior do casco e por baixo dos motores dentro de borda, onde por vezes tem entradas de água da chuva ou lavagem, portanto águas doces. Prove a água... se for salgada, vai ter de perceber como entrou, se é hábito que tal aconteça, em que situações e se tal se poderá resolver facilmente, através de cuidados de utilização ou de alguma pequena reparação.

Motor fora de borda:

- Um motor fora de borda num parqueamento ao ar livre, em terra ou a nado, pode estar com mau aspecto exterior mas por dentro tem de "brilhar", não ter escorridos ou depósitos de óleos e estar protegido com massas e lubrificantes protectores, assim como os cabos de direcção. Direcções muito pesadas, são normalmente sinal de montagem deficiente dos cabos de direcção, inadequação destes face ao conjunto ou falência próxima dos mesmos.
- Verifique o óleo, a valvolina da caixa e os estado dos zincos e do hélice.

Motor interior com transmissão por linha de veios:

- Ir preparado para se sujar, colocar-se dentro do compartimento do motor e observar este em toda a volta, por cima e por baixo, passando a mão onde não vê, na procura de "escorridos" de óleos, águas, combustível; actuais ou antigos, perguntando ao proprietário os porquês da sua existência, de modo a poder comentá-los e entendê-los.
- Sujidades várias no motor e/ou no seu compartimento, indicam normalmente ausência de verificações regulares e consequente despreocupação do proprietário.
- Ver níveis de água do radiador, óleo do motor, valvolina da caixa de velocidades e óleo da caixa de direcção, caso esta seja hidráulica, assim como os cabos da mesma e a facilidade em movê-la. Caso os níveis estejam baixos, fica mais uma indicação sobre o tratamento a que possivelmente o barco tem sido sujeito.
- Observar a zona onde o veio encontra a sua vedação ao interior do barco - Pocim - e verificar se está bem vedado, principalmente, depois de terminar teste (obrigatório) de navegação.

Motor interior com transmissão por coluna ou Z-Drive:

- As mesmas análises que se aconselharam para o anterior, excepto no que respeita ao pocim que neste caso não existe.
- Observar o estado dos foles da coluna, tentando perceber se a borracha  está ressequida, sendo neste caso essencial saber quando foram trocados pela última vez.
- Verificar a vedação da zona onde a coluna está aplicada no casco.

Outros cuidados obrigatórios:

Zincos e Hélices:

- Verificar os zincos que, no caso dos motores fora de borda e nos dentro de borda com coluna, estão à vista e no caso dos dentro de borda com transmissão por linha de veio obrigam, na maioria das situações, a tirar o barco da água para os ver. Se estiverem comidos, é bom sinal porque estão a actuar, no entanto se estiverem muito gastos terão de ser substituídos, aumentando os encargos de quem compra.
- Ainda sobre os zincos, muitos motores dentro de borda, dependendo da marca e referência, têm um zinco no interior do motor que deve ser verificado, pois caso tenha desaparecido por completo, pode indicar que existam partes essenciais do motor que possam estar corroídas.
- Verificar o estado dos hélices que também, no caso dos motores com transmissão por linha de veio, obrigam a subir o barco para verificação, o que neste caso é extremamente importante atendendo ao preço destes hélices, normalmente em bronze e de valor muito superior aos dos outros tipos de transmissão. Portanto se o hélice em bronze mostrar falhas ou corrosão do tipo de forçar à mão e partir, melhor mesmo é ajustar o valor da negociação tendo isso em conta.

- Navegar com o barco, tentando perceber se corresponde ao referido no que respeita a velocidade de cruzeiro, de modo a entender se esta será a mais adequada, face ao conjunto barco / motor, para o que pretendemos da embarcação. Evitar adquirir embarcações sub-motorizadas pois tenderão sempre a  diminuir a eficácia do conjunto; em alguns casos, a navegações deficientes; a gastar mais combustível e a diminuir a duração do motor.

Muito importante: leve um mecânico da sua confiança, tanto para analisar o conjunto em seco, quanto em navegação. Apontem o que vos pareceu, observem tudo, coloquem as questões que acharem pertinentes ao proprietário e comentem depois, entre vós, sem a presença dele. A conversa tenderá a ser mais franca e liberta de interrupções de quem, tendencialmente, tudo quererá justificar.

Importa ainda referir que quem vai procurar um barco usado, não pode esperar por um novo, pode sim, evitar adquirir uma dor de cabeça ou várias, caso o barco, mesmo barato, esteja em mau estado, ou antes, conseguir uma embarcação a bom preço e em boas condições, salvo um ou outro problema de fácil resolução.

Considerando tudo o que foi por aqui desenvolvido, temos agora uma base para começar a procurar e, eventualmente, tomar decisões.

No mercado nacional e nas embarcações que utilizamos na pesca lúdica, as relações barcos/motores mais adoptadas e possivelmente testadas, parecem ser as seguintes:

  • Barcos com características planantes ou semi-planantes até 6/6,5 metros, são normalmente montados com motores fora de borda a 2 ou 4 tempos, a gasolina.
  • Nos barcos maiores que 6,5 metros, com características semi-planantes ou até planantes, recorre-se normalmente a montagens de motores dentro de borda, normalmente a diesel, com transmissão por coluna ou linha de veio. Hoje em dia, com a evolução dos fora de borda a 4 tempos, a gasolina, já se vêem por cá barcos de 7,5 metros e até algo maiores equipados com estes, podendo tal opção não significar  um aumento da despesa, atendendo à diminuta manutenção destes motores, significativamente inferior às dos motores dentro de borda.
  • Nos cascos de deslizamento, sem dúvida que a motorização mais usual, para não dizer única, é mesmo o motor dentro de borda com transmissão por linha de veio. Excepção feita a botes entre os 4 e 6 metros ou até um pouco mais, onde se montam motores fora de borda de baixa potência.
Companheiros... é procurar, verificar e decidir!

Espera-se que o presente artigo permita, mais que não seja, dar aos leitores algumas ferramentas para uma primeira abordagem à aquisição deste meio de locomoção com o qual a nossa pesca ganhará outro sentido.

Muito fica por dizer e analisar no que a barcos e motores diz respeito. Em caso de dúvidas ou incorrecções, estou por aqui e o que não souber pergunto ou indico quem possa responder.

Revisão, melhoramento e actualização do artigo: "Barcos: o nosso meio de locomoção", escrito e publicado por Ernesto Lima, em 13 de Junho de 2009, no site Porto de Abrigo  actualmente desactivado.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Já cá cantam 6... anos de vida!


Seja bem aparecido... comentarão alguns de vós, senão todos!? E têm razão!

Raios partam as condições meteorológicas e mais a inspiração para escrever que me tiram!

Podia contar histórias, podia falar do anzol, da isca, do carreto, da cana e sei lá mais o quê... mas sem pescar esvai-se-me a vontade.

Quero pescar, quero escrever, mas o certo é que a dependência entre estas duas vontades, porque gosto de escrever em cima de resultados, tem estado na origem da diminuição de intervenções por aqui.
Na verdade, este foi o ano em que menos vezes pesquei e em que os resultados foram mais parcos. Ano de desencontros entre o tempo livre e a meteorologia, ano de troika, de relvas e de outros que também não merecem ter letra grande no nome. Que raio!? Valha-nos a saúde que não tem faltado. Onde é que está um bocado de madeira? knock, knock...

Valeu também pelos workshops, em que mais uma vez o blogue "saiu à rua", encontrando-se com leitores a quem se agradece a participação e consequente mais valia das intervenções produzidas, tanto na acção de Procura de Pesqueiros, Sondagem e Fundeio, quanto na das Iscas em Cada Momento... aprendi convosco e adorei!   


Falta agora o marzinho da foto de entrada, será que a chegada está perto? Talvez...

Só com ele ou até um pouco mais mexido, se podem repetir pescarias razoáveis e fotos como esta tirada no passado dia 6, onde o Zé Beicinho mostra este Parguito...


... melhor exemplar de uma boa pescaria, onde também compareceram vários "irmãos" e algumas "primas" deste animal. Refiro-me ao Pargo... claro!

O importante é que passou mais um ano e estamos cá. Pois é... o blogue faz hoje 6 anos e não podia deixar passar esta data em claro, aproveitando para reafirmar a minha vontade de continuar a pescar e convosco tagarelar sobre tal.

Quanto ao ano que passou, o que se pode dizer?
Quero querer que passou e abriu caminho para este que, convenhamos, até nem começou mal de todo. Portanto... que se lixe o 2012 e que se componham as condições climatéricas, para inovar, pescar e falar sobre tal, neste nascido 2013, com a vontade de pescar e escrever mais nos intervalos de organizações como a 3.ª Feira de Pesca de Setúbal, sobre a qual vos falarei em alguma entrada lá mais para a frente e onde certamente se criarão condições para uma vez mais nos encontrarmos ao vivo e a cores, mais que não seja para me darem nas orelhas, caso continue a faltar com a escrita.

Comemorando mais este aniversário, ergo o meu copo e brindo à Nossa Saúde e à Nossa Pesca! Tchim, tchim...

Um resto de bom dia para todos vós e... até à próxima entrada que espero esteja para breve.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Mensagem de Boas Festas!



A todos os leitores envio os mais sinceros votos de:


Feliz Natal
e
Próspero Ano Novo



PS: Isto, se até ao Ano Novo não tiver outras notícias para vos dar... quem sabe?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atitudes, Iscas, Iscadas, Processos e... Algumas Capturas


Diversidade de gostos, para além de ser bonito, é coisa que não falta. Uns adoram tirar fotos colocando os peixes como se vissem mal ao longe, pessoalmente, prefiro compará-los com o meu pézinho de Cinderela, principalmente quando se proporciona um raid a solo ou, se entretanto aparecer alguém que não se importe de agarrar na máquina e fazer o boneco, gosto de os mostrar encostadinhos ao peito, ou quase... coisas do coração!

À volta de colocar a escrita em dia e por não gostar de só mostrar peixes capturados, tento olhar para trás, rever os momentos e tentar perceber as razões das capturas, no meu caso, sempre encostadas a processos de pesca que tentam minimizar a intervenção do factor sorte. Sinceramente, não me tenho dado mal e é assim o meu gosto. Certo é que, a captura deste exemplar e mais alguns peixes que o acompanharam, não as posso olhar de forma alguma como obra do acaso, antes, como resultados de um conjunto de atitudes e decorrentes acções que foram sendo adequadas aos sinais e resultados, ou falta deles, permitindo transformar uma jornada de nada, numa outra que me deixou sorriso aberto. Sorriria na mesma, mas assim a "tacha" arreganha-se de outra forma.

Não pensem que tenho estado completamente parado, não tenho é conseguido andar por aqui. Quem diria... reformei-me e os afazeres são muitos, quase todos ao sabor do meu tempo e esse é o problema... quase todos.

Não me queixo, antes, gosto de me mexer, trabalhar e sentir que faço falta, ou não sejamos todos assim!?

Mas vamos ao que interessa!

8 a 10 de Novembro, andei por Sines a resolver a questão do depósito do barco e vá de pesca, com o Brás e o João Martins, dando nos Pargos de 1,5 a 3 kgs que junto a cinco Douradas iguais a esta que o Brás mostra aqui por baixo, atingiram o peso máximo legal com alguma rapidez.


Depois, mais um interregno, interminável, até este passado fim de semana, em que voltei ao meu paraíso de pesca, pescadores e petiscos que só os Alentejanos sabem preparar. Pesca, Domingo e Segunda, aguardava-me, combinada com os meus amigos de Évora, no Domingo e pessoal de Sines, na Segunda. Estes últimos acabando à própria da hora por não poderem vir, ficando assim com a Segunda Feira a solo. Grande problema... deles claro!

No Domingo a coisa não correu bem e a culpa, como sempre, só pode ser minha!

Vários erros cometi... em primeiro lugar, não sei bem porquê, ia para o mar com a ideia de que daria facilmente com o peixe; depois, saí do primeiro pesqueiro, com peixe miúdo a roubar, mais cedo do que é normal, sendo que a partir daqui, paciência... a asneira já estava feita e o tempo que sobrava já de pouco nos valeria. Bem feita!
Todos temos os nossos dias parvos e este foi um dos meus, sendo que o mar depressa me reduziu à expressão mais simples como tão bem o sabe fazer.

Serviu-me de emenda na segunda feira, outro dia, desta vez sem a preocupação de ter amigos que sempre quero que apanhem uns peixes e com a única ideia de pescar, para além das capturas que pudesse vir a conseguir.

Eram umas 10.30 da manhã quando saí a boca do Porto de Recreio, em direcção a Sul, muito por ter verificado que, na zona das Douradas de Norte, estava por lá muita gente e não me apeteciam ajuntamentos.

Procurei um pesqueiro habitualmente frequentado pelas "moças de oiro" nesta época do ano e para lá me dirigi, observando à chegada que um daqueles navios de contentores que descarregam no cais 21, estava fundeado, aguardando descarga, mesmo em cima do pesqueiro que escolhi, coisa que não é a primeira vez que acontece. Não desarmei, aquela zona é grande e as tais "moças", por vezes espalham-se por ali.
Sondei, encontrei uma marcação interessante e fundeei, iniciando de imediato a acção de pesca.

O peixe comia pouco, uma vezes roubava no anzol de cima, outras, no anzol de baixo, iscados com Caranguejo e Sardinha, alternados em altura a cada descida, raramente completamente roubados mas sempre com sinais de terem sido mordidos. Não sabia se já lá andava peixe grande e estava indeciso ou se, pura e simplesmente, só lá habitavam as bocas pequenas que mordiam as iscas, talvez a medo!?

A acção de pesca decorria, num ritmo intenso, repondo e variando iscas e iscadas que quase sempre subiam  parcialmente comidas.
Uns toques repetidos e intervalados fizeram-me ferrar alto e o primeiro peixe, com direito a entrar na geleira, subiu a bordo aos sacões... um Sargo que dava para o jantar de dois homens feitos. Fiquei animado, pensando que talvez a coisa não se ficasse por ali.
Outra vez Caranguejo e Sardinha, mais Sardinha e Caranguejo, num sobe e desce contínuo e ininterrupto; um toque conhecido, uma ferragem alta e a pancada certa de uma Dourada pequena que teimava em ficar lá pelos fundos, mas que subi, garantindo assim o jantar pelo menos para três. Que raio... será que é agora que elas vão dar um ar da sua graça? Questionei-me!
Mas não, eram já passadas umas três horas e o pesqueiro quanto a sinais, em vez de melhorar, foi piorando até ao ponto em que as iscas quase não eram tocadas. Ainda isquei grande, não fora andar por ali "quem" não ligasse a petiscos, tornei a variar para pequeno mas, na verdade, aquilo morreu mesmo. Eram quase três da tarde e duas opções possíveis me restavam: voltar ao porto e tratar do barco, de mim e do jantar, ou procurar um pesqueiro perto, daqueles a que já por aqui chamei "fiáveis", e tentar o fim de tarde. Optei por esta última, para lá me dirigi e fundeei de novo, com sondagem e manobra rápida, frutos colhidos de tantas vezes que por lá pesquei. Melhor de tudo... os sinais oferecidos pela sondagem até que não eram nada de se deitar fora. Entusiasmei-me como se neste momento tivesse iniciado o dia. Vamos ver... disse para com os meus botões.
Iscas para baixo, agora só sardinha, e, roubo quase imediato. Gostei ainda mais.
Sardinha à posta, meia Sardinha, Sardinha à posta, Sardinha inteira, mistura com Caranguejo, outra vez Sardinha à posta..., foi de mais para um Sargo de quilo e tal que não resistiu a tanta azáfama. A coisa compunha-se!
Tiro foto, não tiro foto... não há tempo que o Sol  vai cair rápido. Logo tiro se valer a pena!
A acção não parava e outro Sargo grande entrou, fazendo-me pensar que nada tinha ainda terminado. Talvez até algo maior ainda entrasse, mesmo as Douradas que não raras vezes aparecem por ali, dentro e fora desta época. A tensão era a necessária, os sentidos todos em alerta e, mais um toque, mais uma ferragem, mais uma luta, desta vez foi um Pargo de 1,5 kg que subiu ao poço.
Penso para comigo que o pesqueiro não me enganou. Pena o Sol já estar tão baixo, mas vamos ver!?
Iscas para baixo, anzóis limpos para cima, pesca arrochada, estralho partido, novo estralho, novas iscadas, linha para baixo e... não picam ou já me roubaram e nem senti?
Aguardo um pouco, sinto como que um puxar matreiro, a seguir um só toque pequeno, curto, seco, e... arrisco a ferragem!
A cana dobra, a baixada inicialmente parece não querer sair do fundo, iniciando-se de imediato os sacões compridos levando a baixada para a proa do barco, na direcção da leve aguagem que se fazia sentir, sempre à cabeçada longa, não deixando grandes dúvidas sobre o interlocutor que venderia cara a entrada na cozinha fosse de quem fosse.
A luta prolongou-se para além do habitual, mesmo para um peixe do tamanho deste, mas o certo é que acabou por ir subindo, chegando à amura do Makaira, onde lhe meti o enxalavar, o subi a bordo e lhe tirei a foto que abre esta entrada. Pesou na minha balança, onde uma garrafa de água de litro e meio pesa 1,480 kg, uns belos 6,200kg.
Mais tarde, já no porto, um amigo pescador tirou-me a que se segue, onde o tenho perto do coração e mostro o sorriso malandro de quem não desistiu, "porfiou e matou caça"!


E foi assim meus amigos... dias diferentes, provando uma vez mais que a acção persistente e diversificada, assim como atitudes e comportamentos adequados dos pescadores face aos sinais de uma jornada, podem pesar fortemente nos resultados da mesma, dando um contributo valioso para a diminuição da intervenção do factor sorte na nossa pesca.

De tudo isto, iscas, iscadas, materias, montagens e suas aplicações ao longo de uma jornada de pesca; quero convosco trocar ideias, experiências, resultados..., ao vivo e a cores, no próximo dia 16 de Dezembro, em mais um Workshop, com enquadramento no site Porto de Abrigo e mais uma vez com o apoio do Hotel do Sado, em Setúbal, cujo título de divulgação se encontra na imagem seguinte.


Quanto aos objectivos desta acção, deixo-vos o geral, parecendo-me que tem "pano para mangas" e  tende a provocar conversa de pesca como se não houvesse amanhã. Para além disso é bonito sair do blogue e conversar convosco. Eu gosto!


Para mais informação aos interessados, cuja disponibilidade lhes permita estar presentes, podem consultar o documento com as condições de realização, programa e processo de inscrição, clicando na imagem que se encontra no topo da coluna da direita da página inicial do blogue, no site já referido no sector "Pesca Embarcada" e também na minha página do FB.
Podem ainda contactar-me telefonicamente através do n.º 96 357 91 32 ou, pelo seguinte endereço de mail.
Mais informo que o prazo de inscrições, inicialmente previsto até às 24.00 horas, do dia 5 de Dezembro, se prolonga até às 24.00 horas, do próximo dia 10 de Dezembro, no sentido de dar oportunidade aos eternos atrasados.

Por hoje fico-me por aqui, este fim de semana é capaz de haver mais pesca!? Depois conto.

Até lá, uma boa noite para todos vós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Workshop Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar / Fundamentos, pescarias e até algum azar!?


O Título, comprido e estranho... qual imperfeita introdução que nem bate certo com a foto de abertura com  mar, pôr do sol e elementos relacionados com pesca, aquela que andei a fazer pelos mares de Sines, entre os passados dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, intervalada com uns trabalhos no barco, outros de casa e sempre com tempo razoável, não fora as chuvadas de segunda para terça e alterações de clima que variaram continuamente permitindo no entanto alguns dias de pesca com mar relativamente calmo e algumas capturas, assim como, acontecimentos mais ou menos estranhos e até menos bons.
Neste momento da conversa, penso para comigo que a maioria dos leitores estará certamente intrigada e continuará sem entender muito bem o título ou sequer onde a conversa vai dar!?
Sem problema... eu conto!

A foto de abertura, coloquei-a porque me faz lembrar uma destas jornadas, muito boa entre as outras e também por ter o condão de me relaxar enquanto penso e escrevo.

Os dias correram calmos, pescando com o João Martins, com o Zé Beicinho, mostrando aqui um dos melhores exemplares da pesca de segunda feira, em que gozava o seu último dia de férias bem merecidas...


... exemplar entre outros do mesmo tamanho que compuseram uma caixa bonita sem no entanto aparecerem aqueles maiores que sempre procuramos. Mas deu para gozar a pesca, testar outros pesqueiros, rir, conversar e até sentir que tudo funcionava.

Outros dias se aguardavam... uma quarta feira que não se sabia de dava para pescar e uma quinta feira em que me fariam companhia os meus amigos Tózé e João Maria que de vez em quando saem da cidade do Templo de Diana e da Capela dos Ossos para me fazerem companhia pelos mares de Sines.

Mas vamos falar da quarta feira, do inesperado e de acontecimentos que pode dizer-se: justificam o tal Workshop de que fala o título.

Não era para pescar neste dia, tinha até uns amigos de Setúbal que eram para vir mas não quis arriscar, atendendo à variabilidade das condições climatéricas. No entanto de manhã, ao acordar, senti a calmaria e resolvi dar uma volta pela Costa Norte para ver o mar e, eis senão quando, aquilo estava um lago, ou quase!
Procurei a Sardinha que tinha guardada, verifiquei a vivacidade dos Caranguejos que tinha a bordo, preparei os caniços e desandei para o mar na companhia das iscas e do barco!

Naveguei para Norte do Cabo de Sines procurando a zona de pesqueiros onde tínhamos apanhado os peixes na segunda feira, pensando que talvez fossem os grandes a marcar encontro à mesma hora e no mesmo local.
A sonda não me dava grande marcação, assim como na jornada anterior, o que não invalidaria uma boa pesca, isto porque um bom pesqueiro é sempre um bom pesqueiro e com mais ou menos tempo de preparação pode vir a dar frutos, mesmo quando a marcação fornecida pela sonda mostra pouca actividade. Esta, pode variar ao longo do dia nomeadamente se existir aguagem, uma constante neste pesqueiro e neste período em que lá se pescou.
Mas porque é que este é um bom pesqueiro? Eu conto!
Imaginem uma área que sobe numa extensão significativa para 58 a 63 metros navegando no rumo E/NE, partindo irregular e abruptamente dos 72 a 74 mts. Melhor ainda, a dita subida, face à aguagem que corria para Sul, estava perfeitamente orientada, neste dia, de modo a oferecer abrigo e alimentação fácil a predadores que a procurassem, descansando da luta contra a aguagem e até procurando comida na forma dos mais pequenos por lá também abrigados. Aliás, como já a tinham procurado de forma persistente e regular na jornada de pesca anterior.
A aguagem não era muito forte, pescando-se bem com chumbada de 180 g, a 72 metros de profundidade, com uma inclinação de linha entre os 60 e os 70º face ao nível da água. Uma delícia!

Os sinais começaram a acontecer, também similares aos da última jornada... o peixe comia a espaços,  consumindo continuamente alguma coisa, mas sempre deixando alguma isca (sardinha e caranguejo), indicadores de que talvez o peixe miúdo estaria muito agarrado à beirada por força da aguagem ou até comendo a medo pela proximidade de outros que lhe metiam o medo no corpo!? Não se sabe!
Aconteceu então o que me pareceu, como direi... pouco usual pelos mares de Sines.
Não tinham passado 20 minutos de estar a "trabalhar" o pesqueiro  quando, no meio daquela imensidão de mar, carregado de bons pesqueiros, já ali num raio de uma milha náutica, onde me encontrava completamente só, oiço o barulho de um barco que navega na minha direcção, se aproxima a uma distância de cumprimento, coisa que o patrão fez, e, após alguma sondagem próxima em torno do meu fundeio, larga ferro a uma distância legal, mas, quanto a mim, demasiado próxima e mesmo na linha de aguagem onde se encontravam as minhas baixadas e respectivas iscadas.
Conhecendo a zona relativamente bem, apercebi-me que aquele fundeio não ia durar muito tempo, atendendo a que me pareceu que o ferro do outro barco tinha sido largado na base da queda onde o fundo é macio e a força da aguagem faria o barco ir à garra... não me enganei!
Não eram passados uns quinze minutos e já o dito barco derivava, obrigando a nova manobra. Quanto a esta nova manobra sobre a qual não me quero alongar em conceitos mas que me pareceu "sui generis", ela acabou por poitar o tal barco a N/NE do meu e a uma distância que achei pouco aceitável, atendendo à deriva existente. Isto porque as hipóteses de o barco descair para demasiado próximo do meu fundeio e até os pescadores a bordo ficarem a pescar sobre o cabo do meu ferro, aumentaram significativamente.
Resultado... levantei ferro e procurei zona menos atribulada.
Antes de contar o que se passou no novo pesqueiro que escolhi, importa no entanto reflectir sobre o acontecido. Ora, em termos de conceitos, vejamos:
Não tenho qualquer bocado de mar que me pertença, nem quero ter!
Embora nunca o tenha feito, compreendo que, caso se tenham algumas dificuldades em perceber onde pescar, se recorra a zonas onde se encontram outros barcos. Não critico isso!
No entanto, acho que quem assim decida encontrar os seus pesqueiros, deve ter em conta o seguinte:
- Quem já lá está, nestas situações, acaba por se desconcentrar da acção de pesca pois sente necessidade de observar o que se vai passar.
- Quem já lá está, nestas situações, fica sem perceber se os sinais e os resultados não estão a acontecer devido à proximidade e até às movimentações e reboliços inerentes e, ainda, se valerá a pena continuar a apostar naquele local.
- Todo o "trabalho" já executado no pesqueiro pode assim perder-se de um momento para o outro.
- Acredito que ninguém o faça com má intenção, mas também acredito que, não tendo estas noções, os que o fazem certamente não gostariam que lhes acontecesse o mesmo.

Concluindo... prefiro de longe que se aproximem e falem comigo. Não tenho qualquer problema em dizer o que se está a passar e até indicar as melhores zonas e locais, perto de mim, onde fundear com distâncias e alinhamentos adequados para ambos e tentar uns peixes, podendo até trocar números de telemóvel e irmos acompanhando as pescas um do outro, só nos pode beneficiar.
Tenho ainda à disposição o Workshop de Pesca Embarcada com o título: "Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear... Pescar"!
Esta acção já realizada em Dezembro de 2011, parece-me continuar a ter fundamento e está à disposição, para quem ache necessitar dela, no dia 18 de Novembro próximo, nas condições descritas no documento a que podem aceder clicando na imagem que se encontra no canto superior direito da página inicial do blogue, logo acima da foto de um fulano de bigode. A imagem é esta:



Em caso de necessitarem de mais informações sobre o Workshop, podem contactar-me directamente através do telefone 96 357 91 32 e/ou pelo seguinte endereço de mail
Ainda sobre o workshop, mais informo que: neste momento estão inscritas 14 pessoas, o prazo de inscrição foi prolongado até ao dia 9 de Novembro e a acção realizar-se-à mesmo que não se atinjam as 20 inscrições, conforme referido no documento explicativo, no sentido de não defraudar os interessados já inscritos.

Caso os pescadores que estavam no outro barco leiam estas palavras, não quero que fiquem a pensar que  fiquei ou estou chateado com eles, longe disso. Pretendi unicamente deixar algumas notas sobre o assunto que achei pertinentes!? Talvez não sejam, mas é o que sinto e por tal o escrevo.

Mas vamos ao resto da história!

Após levantado o ferro, munido dos conhecimentos que pretendo passar e sobre eles reflectir com quem queira participar no tal Workshop; comecei a relembrar as características de toda aquela zona de pesqueiros que pessoalmente caracterizo como o "Poço das Douradas de Norte", sem desprimor para outras nomeações locais que respeito.
O nome escolhido tem as suas razões de ser... ora tirem-se notas:

Numa área relativamente oval, com mais ou menos uma milha no sentido E - W e uns três quartos de milha no sentido SE - N/NE, apresentam-se concentrações importantes de pontões, entralhados e limpos, num fundo que varia, ao centro, entre os 60 e os 70 metros, com alguns pontões também centrais que chegam aos 54 e 58 metros. Nos limites a E, NE, N, NW e W; das sondagens e pescarias feitas, encontram-se beiradas que chegam a atingir os 49 metros na sua parte mais alta, caindo mais ou menos abruptamente para os 60, 70 e mais metros, oferecendo abrigos e hipóteses de colocação do barco que permitirão direccionar a nossa pesca para todo o tipo de exemplares, sendo a zona conhecida como muito boa na época da concentração das Douradas que se avizinha. Não sei se já dá para entender porque lhe chamo como acima referi!?
A zona em questão é fértil em aguagens, sendo raro não se apresentarem ou acabarem por aparecer ao longo de qualquer jornada de pesca, acontecendo muitas vezes sermos obrigados a reposicionar o fundeio para nos mantermos no pesqueiro activo e até, coincidir a melhoria das capturas com o novo posicionamento originado pelo rodar do barco. Tudo pode acontecer por ali!
Posso até quase garantir-vos o seguinte: naquela zona e particularmente nesta altura do ano, o peixe pode estar em qualquer dos locais apontados!? Resta-nos sondar, interpretar, procurar o pesqueiro do dia, fundear e... pescar!
Com todo esta panóplia de conhecimentos sobre a zona, conseguidos com muita procura, algumas alegrias e também dissabores, decidi dirigir-me à beirada limite a N/NE que sei ter pontões a 56/58 metros que caem para os 60/65, em fundos de entralhados e limpos, considerando que a aguagem era propícia, pois, orientada que estava o fundo da beirada, colocaria talvez as minhas baixadas no "caminho certo"!?

A sonda mostrou-me os fundos, com sinais de pouca actividade muito agarrada a eles, indicadora talvez da aguagem que se mantinha. Procurei onde colocar o ferro de forma a que o barco ficasse onde calculei que, considerando a aguagem, permitiria aceder à posição onde cairiam as minhas baixadas, respectivas iscas e... vá de iniciar novo "trabalhar" de pesqueiro!

Os sinais começaram, tal e qual como no anterior fundeio, com roubos incompletos de iscas, tanto no caranguejo, quanto na sardinha, independentemente de os colocar alternadamente no anzol de baixo e no de cima. Optei por usar sardinha nos dois, durante algum tempo e, ao fim de uns 20 minutos sem qualquer captura, sinto dois toques secos com pequenos intervalos, ambos algo afundantes e... ferro alto!
A luta iniciou-se com alguma violência e peso, permitindo identificar que algo vermelho não dava tréguas no outro lado da linha.
Aqui está ele... o primeiro do dia!


As perspectivas pareciam boas. Coloquei uma cana equipada com montagem de chumbadinha a pescar "em automático" (onde é que já ouvi isto?) e continuei nesta feliz labuta, recompensada a intervalos pela cor vermelha, como se pode ver a 3/4 da pescaria, já acomodados na geleira do costume!


A pesca continuou no mesmo tom até ao seu final que se deu no limite máximo do peso legal com um maior exemplar que atingiu os 3,500 kg.


Depois veio a foto que abre esta entrada, aquela que parece não bater certa com o título, mas que parei para fazer logo após ter levantado o ferro para voltar ao porto neste dia bonito, em que só faltou um daqueles mesmo grandes para abrilhantar a arca. Não faz mal... há-de vir em outro dia!

As perspectivas para a quinta feira que já chegava pareciam boas, embora o vento se previsse mais forte e a vaga mais alta. Mesmo assim, tudo indicava que os meus amigos Tózé e João Maria seriam brindados com um outro bom dia de pesca, mas, o certo é que só no fim de cada jornada podemos ver o que acontece. O mar não nos deixa muitas vezes acertar com contas previamente feitas!

Nesta quinta feita, pode até dizer-se que, face aos acontecimentos... tudo correu bem!

A zona escolhida foi a mesma, mas, as condições de mar e vento muito diferentes, para pior!

Mais vento, vaga bem mais alta e aguagem bem mais forte, tudo indica, não nos conseguiram dar qualquer alegria, embora os sinais, muito idênticos aos dos dias anteriores, se mantivessem. Certo é que, por volta das 14.00 horas, resolvemos levantar ferro e demandar outra zona de pesqueiros, na tentativa de salvar a pescaria, mas um dissabor estava para se revelar... na viagem de transição entre pesqueiros, de repente, o Makaira, começou a perder velocidade até que o motor foi parando com todos os indícios de não lhe chegar combustível e assim se apagou sem qualquer retorno à vida, mal grado o esforço do motor de arranque e das persistentes baterias que desisti de forçar, sob pena de também ficar sem elas.
Abreviando... verificou-se já na amarração que as natas que se formam, constituídas por humidades e impurezas no gasóleo do tanque, tinham entupido o circuito até ao pré filtro e ainda não se sabe se chegaram mais longe. Nada que, esperemos bem, não se resolva com a limpeza do depósito, do circuito e troca de filtros. Já está a ser tratado, vamos ver!?

Aqui fica o agradecimento ao meu amigo Fernando Fontes que estando por perto, de imediato se prontificou a dar-me um reboque, como se vê na foto abaixo!

Obrigado Fernando!


Um agradecimento sentido, também ao pessoal do Porto de Recreio de Sines que, como habitual, de imediato se colocaram à disposição para receber e colocar a embarcação no seu lugar, onde aguarda os cuidados necessários.
Resumindo... tudo correu bem, nunca se sentiu qualquer situação de perigo, nem teve de se recorrer a apoios de monta e, tudo indica, teremos resolução para breve.

É assim a pesca... uns dias melhores, outros menos bons e sempre uma incógnita para a qual devemos estar preparados.

O acontecido sugere para breve uma entrada sobre segurança no mar, aplicada a nós pescadores de embarcada, no sentido de aproveitar acontecimentos e erros de uns, para que todos possamos sair beneficiados nas nossas aprendizagens.

Resta-me, para já, ir degustando alguns daqueles peixes capturados e despedir-me de vós com um "até breve"!

A todos os leitores, desejo uma boa noite e que tudo corra pelo melhor em pescas vindouras!