domingo, 4 de agosto de 2013

A Imagem que me fica da lei 101/2013, de 25 de Julho...


Viva Pessoal!

Pensei em começar esta entrada de várias maneiras e resolvi começá-la com o meu "Viva Pessoal", isto para evitar conotar palavras que por aqui escreva, com qualquer imagem política e muito por, cada vez mais, não me conseguir identificar com qualquer suposto formato político representado naquela Assembleia que também supostamente nos governa ou... desgoverna.

Já deu para perceber que estou zangado, virado para "burlieste", ou qualquer outra expressão, publicamente mais ou menos adequada e com o mesmo sentido; principalmente depois de analisar o decreto lei 101/2013, de 25 de Julho e a republicação do decreto lei 246/2000, de 29 de Setembro (as letras pequenas são obviamente propositadas), ambos já afixados, para Vossa consulta, aqui na coluna da direita do blogue.

Os documentos recentemente paridos que alteram a lei da pesca, muito pouco trazem de novo, salvaguardando as portarias que estão para sair e das quais, sinceramente e atendendo à amostra, não há que esperar melhorias adequadas à nossa prática. Considere-se ainda que os responsáveis do Grupo de Trabalho que elaborou o documento para melhoria desta lei que nos rege, a quem agradeço sinceramente o esforço, já vieram a público, e muito bem, salvaguardar a sua discordância, face ao que ficou combinado e ao que de facto saiu. O que dizer?

Da leitura e análise efectuadas, salvaguardando o que para aí vier em portarias e considerando ainda que continuamos a ser encarados como elementos bastante importantes no desbaste da fauna marinha, eis o que me parecem ser as grandes mudanças:

1. A pesca de lazer e a pesca desportiva com atenções diferentes, concordo plenamente. Uma e outra, sendo interdependentes, têm de facto características diferentes.

2. Acabam as licenças locais... vamos ver quanto vão custar as licenças nacionais e se todos também teremos, como aqueles de nós que vão em MT, acesso às licenças diárias, no sentido do princípio orientador descrito na alínea b, do Artico 1.º-A, da republicação do decreto lei 246/2000 de 29 de Setembro que refere: " Princípio do acesso equitativo aos recursos naturais, considerando o ambiente como bem de uso comum;".
A talhe de foice e ainda com base no princípio referido, fico a aguardar se as portarias passam a salvaguardar que cada pescador que vai num barco de recreio passe a ter o direito, igual aos que vão em MT, de poder capturar 10 kg e um exemplar, ou se continua a estar sujeito à parte de um máximo de 25 kg e um exemplar, quando a bordo se encontrem mais de dois pescadores em acção.

3. Podem usar-se 9 anzóis numa só linha, algo bom para quem pesque aos Gorazes, embora correndo o risco de exceder o total de capturas na primeira ou segunda descida da baixada, dependendo do n.º de pescadores a bordo. Mas tudo bem.

4. Alínea p), do n.º 1, do artigo 14.ª, do decreto lei 101/2013, com os mesmo números na republicação do decreto lei 246/2000, correspondendo à contra ordenação aplicável a quem "Exercer a pesca lúdica realizada a bordo de embarcações em águas oceânicas e interiores marítimas sem envergar auxiliares individuais de flutuação;".
Depois de ler isto, o meu estado de espírito ficou a corresponder à imagem de abertura desta entrada, ou seja:

- Senti-me a afogar na papelada e no que me parece ser a ignorância / incompetência de quem a produz;

- Atendendo à expressão "... auxiliares individuais de flutuação", considerei usar as braçadeira da minha neta e, finalmente...

- Senti-me a fazer Figura de Urso, perante tal exigência, transformando-se tal, mais tarde, numa sensação de menoridade que sinceramente não aceito que me passem.

Mas pormenorizemos:

Qualquer barco de recreio ou MT que se dedique à pesca, tem obrigatoriamente como meios de salvação, coletes salva vidas e/ou balsa insuflável, para além de bóia ou bóias de lançamento com retenida flutuante, para lançar, caso necessário, sendo a quantidade e qualidade destes equipamentos variáveis, face à classe para a qual o barco em causa esteja registado, assim como ao seu comprimento, no que respeita à quantidade de Bóias com retenida.
Para além disto, cada mestre ou responsável pela embarcação, sabe antever situações de perigo, podendo decidir em determinado momento sobre a necessidade de usar, ou não, os meios que tem disponíveis, sendo que, com estados de mar hoje em dia fáceis de prever, limitará certamente saídas em condições climatéricas adversas.
Importa ainda salientar que os pescadores estão a pescar sentados, ou em pé, em barcos de amuras altas ou com varandins de segurança, não lhes sendo exigido saltar de barco para barco ou deslocações dentro deste que possam criar situações de risco, principalmente quando em acção de pesca, única situação em que o... como lhe hei-de chamar? Talvez... "legislador", descreve tal exigência. Para além disto, dependendo do volume e formato dos ditos "auxiliares de flutuação individual", estes tenderão por aumento do volume corporal a poderem contribuir para acidentes a bordo, como desequilíbrios e quedas, decorrentes de prisões por aqui e por ali, para não falar do incómodo que representam, só justificável se o perigo de facto o merecesse, o que pode ser avaliado em cada momento da jornada e suprido pela colocação dos coletes de salvação existentes a bordo.
Eventualmente poderão existir excepções relacionadas com incapacidades físicas ou funcionais (não saber nadar, entre outras), mas essas serão avaliadas pelos próprios que certamente não necessitarão de um "legislador", para lhes apontar o caminho da segurança.
Uma outra questão me parece importante... não tenho notícias que exista uma incidência de acidentes com quedas ao mar, em acção de pesca, talvez muitos mais em entradas de barras e outras situações de navegação e muitas delas relacionadas com actividade profissional, não com a de lazer e muito menos em acção real de pesca embarcada.
Para juntar mais um considerando a este conjunto de análises, soube que nada disto foi apresentado na documentação preparada pelo Grupo de Trabalho da ANPLED, por obviamente desnecessário.

Por tudo isto, pergunto: porquê a utilização de "auxiliares individuais de flutuação" em acção de pesca, considerando ser este o momento menos perigoso de uma jornada.

Sinceramente, para já e salvaguardando as portarias que estão por sair, só encontro três respostas:

1. O "legislador", como tudo indica percebendo muito pouco do assunto, tanto quanto ao que acontece na acção de pesca, em embarcação fundeada ou em deriva, como no que respeita à legislação da Náutica de Recreio no que se refere aos meios de salvação obrigatórios que esta exige, em cada embarcação; quis dar uma de competência e partiu do princípio que até lhe ficava bem colocar qualquer coisa gira, da sua autoria... nada melhor que uns "auxiliares individuais de flutuação", até para não lhes chamar coletes de salvação, conforme designados no n.º 1.2.2, da Portaria 1464/2002, de 14 de Novembro (aprova os ditos meios de salvação em Embarcações de Recreio) que refere o seguinte: "1.2.2 - coletes de salvação — as ER devem dispor de coletes de salvação, para adulto e criança, em quantidade suficiente para todas as pessoas embarcadas". Terá sido isto que aconteceu? Com as prestações que temos visto daqueles indivíduos e individuas que andam lá por São Bento, será de admirar que assim tenha sido? Deixo para Vossa reflexão.

2. O "legislador" não sabe nadar e pensa que todos nós somos iguais a ele. Neste caso, resolve-se facilmente... o Sr. ou a Sra., se decidirem ir pescar embarcados, deverão usar um "auxiliar de flutuação individual" (até que saia a portaria, disponho-me a oferecer as braçadeiras iguais às da minha neta em tamanho XL). Mas caramba... não incomodem!

3. O "legislador", terá algum interesse económico, mais ou menos encapotado, quanto aos "auxiliares individuais de flutuação". Esta é mais difícil... será?  Mas vou tentar explicar-me sobre tal. Ora vejamos:

Numa análise aos possíveis "auxiliares de flutuação individual" e descartando desde já as braçadeiras da minha neta, por mais que explicadas, analisemos algumas hipóteses existentes no mercado.

A primeira hipótese apresenta-se na imagem seguinte e, pode dizer-se, é talvez o mais usual em embarcações de recreio pela simples razão de ser o formato em que melhores preços se conseguem.
No entanto, pescar um dia inteiro com uma coisa destas ao pescoço e com fita passada por baixo do "abono de família", parece-me impensável.


A hipótese seguinte, mais anatómica, mais cara e mais suportável, embora extremamente quente e desconfortável no período de Verão e um pesadelo de enchimento no Inverno, quando por cima ou por baixo se tenham de envergar outras roupas.


Um outro formato, também mais caro, podendo de Inverno revelar-se útil, devido aos bolsos e a servir como protecção ao frio, embora sempre com o problema do aumento do volume corporal e consequente desconforto.


Como última hipótese, os chamados auto insufláveis que, grosso modo, se apresentam como uma bóia vazia, mais ou menos anatómica, de formato mais ou menos idêntico ao da foto abaixo e que se enchem automaticamente, em caso de queda ao mar ou, manualmente, se assim o entendermos, representando a escolha mais confortável e também a bem mais dispendiosa. Neste caso, o incómodo é mínimizado, embora se continue a verificar, para o efeito descrito pelo "legislador", ser completamente desnecessário o uso de tal penduricalho.


Considerando o que me parece serem as hipóteses de "auxiliares de flutuação individuais" e para além daquele que teremos de comprar para nós, pensemos ainda naquele amigo ou amiga que pescam "quando o rei faz anos" e terão de adquirir um de tais aparatos, sob pena de terem de pescar com os trambolhos que normalmente se têm a bordo que funcionam lindamente para o fim a que se destinam, mas que não foram desenhados para uso em acção de pesca.
Somando a todos os pescadores que vão em barcos de amigos e em MT que terão também de os adquirir, contabilizem a quantidade de coletes que se vão vender.

Pergunta 1: será que "alguém" previamente tenha contabilizado a quantidade de futuros adquirentes, através das licenças de pesca emitidas, verificando assim uma oportunidade de negócio fácil? 

Pergunta 2: fundamentada, já se viu que não é, mas será inocente esta obrigatoriedade?

Pergunta 3: a expressão "auxiliares de flutuação individual", em vez da expressão "coletes de salvação", será uma forma de tentar disfarçar ignorância e/ou incompetência, com mania de ser diferente, ou antes a preparação de terreno para alguém vender "auxiliares de flutuação individual" aos milhares.

Pergunta 4: Algum leitor terá acesso a provas concretas neste sentido?

Enquanto me sinto a "afogar", com a tentação de começar por usar as braçadeiras da minha neta e a fazer figura de urso perante estes altos desígnios de responsáveis da nação, vou pescando pouco e muito intervalado, com férias da neta e agora com o vento que se colocou ao lado do "legislador", para me moer a moleirinha.

Deixo-vos este Safio, melhor exemplar de um dos dias em que consegui ir... 


... e também este Parguinho, único a dar um ar da sua graça, em outro dia e pela mão do meu amigo João Martins.


Esperemos que o vento "caia" para estes lados, de preferência para fazer algumas pescas, ainda sem os tais auxiliares individuais de flutuação que, supostamente, só serão solicitados a partir do dia 25 de Agosto, ou seja, 30 dias após a publicação em Diário da República.

Entretanto, caso detectem alguma incorrecção, atendendo à quantidade de números, barras e letras, digam qualquer coisa que eu corrijo de imediato. Isto porque estamos condenados a ler decretos leis e portarias até não haver amanhã. Na verdade, esta confusão apresenta-se como uma faca de dois gumes... por um lado, abre portas a autos por tudo e nada, e, por outro, a contestações fundamentadas aos mesmos, desde que nos habituemos a ler e interpretar. Isto para eventualmente colmatar o que pode vir a originar a distribuição do dinheiro das coimas. Muitos autos não passarão de papel, desde que bem contestados, dentro da lei. Importa que os autuantes se apercebam que cada auto que passarem será contestado. Aconselha-se vivamente a falar o mínimo possível, deixar o auto aparecer, ler bem o mesmo e contestá-lo, haverá, na maioria dos casos, forma de o fazer. Digo eu... posso estar enganado.

Entretanto, temos a opção de ir lutando contra estes disparates, nem que seja escrevendo.

Uma boa tarde a todos os leitores

sábado, 15 de junho de 2013

Tempo útil de pesca...


Viva Pessoal! Estão bons? Tinham saudades? Eu tinha!

Não me vou pôr para aqui a falar de dificuldades estas ou aquelas e mais chatices daqui e de acolá... para misérias já bastam os tempos que correm  mais os "artistas" do costume, nacionais e internacionais que insultam a nossa inteligência e nos roubam a torto e a direito.
Não pretendo portanto, usar tudo isto para justificar a falta de escrita, um facto evidente que até já mereceu questões do tipo: já vendeu o barco?

Certo é que não vendi o "dito cujo" e até ver, estou activo e de boa saúde, embora com alguma mágoa por não poder andar por aqui com mais assiduidade, mas caramba... na falta de entradas novas e sem querer armar ao pingarelho, podem sempre rever alguns artigos anteriores, coisa que tem por aí à farta.

Quanto a pescarias, não tenho estado propriamente parado, embora as saídas tenham sido irregulares e pouco programadas, fruto de tempos livres que não têm coincidido com condições climatéricas adequadas, coisa que, neste ano da graça de 2013, tem sido recorrente, arreliante e, consequentemente... uma chatice pegada.

Entre o Pargo Dourado de 4,300 kg que não foi fotografado por falta de bateria, quer na máquina, quer no telemóvel e o momento actual, algumas saídas se efectuaram, sempre com alguns peixes, embora sem aqueles "coisos" grandes e vermelhos. E note-se que não estou a falar de cerâmica das Caldas da Rainha.

Fui um dia a solo e outros com o Zeca, o Zé Becinho, o Fernando Fontes, o João Martins, o João Maria, o Nuno Mira e o Tó Zé; pesquei ao fundo e à zagaia, sempre meio desorganizado, em pescas de última hora e outras com hora de volta marcada, mas utilizando o melhor possível o "tempo útil de pesca", assunto que escolhi para reflectir nesta entrada, por ser o que, no meio destas pescarias meio atabalhoadas, me salvou de grades e até pariu alguns peixes que passo a mostrar, antes de entrar a sério na conversa escolhida.

Vejamos então os resultados...

O Zeca, com um Parguito que, vingando-se por ser forçado à panela, lhe espetou o dedo que sangra abundantemente.


O Fernando Fontes, com um maiorzito e um sorriso quase de orelha a orelha... coisa rara.


O Zé Beicinho, com algo um pouco maior e as decorações habituais onde o avental sempre se encontra presente.


Outra vez o Fernando Fontes, agora com uma Dourada e um meio sorriso, talvez por achar que esta deveria ser maior ou, pura e simplesmente, pela dificuldade evidente que tem em rir nas fotografias!?


Um dia de pouco peixe, com a delegação de Évora, onde o parolo de chapéu branco, está com ar feliz não se sabe bem porquê!?


E a última jornada onde a zagaia foi a técnica eleita, com amostras, em vez de Sardinha, espalhadas pelo tabuleiro das iscas...


... cana e carreto a preceito e...


... a única captura que aconteceu, já no fim de uma pescaria com hora de volta marcada e depois de ter encontrado uma linha de deriva com uma extensão enorme de fundos espectaculares e cheios de actividade que sinceramente me faz arriscar dizer que se não tivesse de me vir embora, algo mais e de maior porte haveria de entrar...


... há mais marés que marinheiros e eu volto lá com tempo e garras afiadas. Vamos ver!?

Mas vamos então falar de tempo útil de pesca... o que é isto?

Podia dizer-vos que, para mim, tempo útil de pesca é aquele tempo que começa quando saio do trânsito mais intenso de Setúbal, ali pela zona de Águas de Moura, e, a chegada à mesma zona quando volto de Sines. Mas, se assim fosse, teria de explicar tudo o que faço entre estes momentos e não me parece bem, por moroso e até talvez pouco apropriado.
Portanto prefiro a definição que a seguir produzo, por a achar mais adequada à maioria dos pescadores, considerando-a mais directa e incisiva relativamente à acção de pesca, ou seja:

- O tempo em que iscas mortas, vivas ou artificiais estão activas, no fundo ou na coluna de água, em pesqueiros ou zonas que, por características e/ou sinais de actividade, indiciem a presença ou passagem dos exemplares que procuramos, considerando a época do ano, a técnica em uso e as condições de mar e vento presentes ou esperadas. Tempo este que denominaremos como: Acção de Pesca (AP).

Um conjunto importante de factores poderá influir positiva ou negativamente na AP, quando enquadrados com os considerandos da definição, ora vejamos:

Programação da jornada:

Distância a percorrer:

Quando programamos teremos como alvo principal as espécies que procuramos que, supostamente, se encontrarão em algum lugar adequado à época, mais ou menos distante do porto de onde saímos, sendo esta distância o primeiro factor em análise.
Se por um lado, ir mais longe nos irá gastar tempo em que poderíamos estar em AP; por outro lado, considerando que face a uma determinada época do ano será mais provável encontrar os que procuramos nesse local mais longínquo, as hipóteses de a AP se tornar mais efectiva e recompensadora podem merecer este gasto de tempo em viagem.
Nesta escolha de local inicial e numa perspectiva de racionalizarmos gastos e meios, deveremos ainda ter em conta que na volta para o porto, outros pesqueiros possíveis se encontram, não vá a coisa dar para o torto, permitindo assim ter opções de qualidade em aberto.
Resumindo, vamos para mais longe e, caso a coisa falhe, vimos andando e experimentando outros locais no caminho de retorno, permitindo assim, caso encontremos um bom local, prolongar o tempo de AP, por estarmos cada vez mais perto de casa.
Um outro factor interligado com a distância a percorrer é o estado do tempo esperado.
Imaginemos um dia cuja previsão aponta para calmaria até às 12.00 horas e vento fresco que entendemos inadequado à AP em determinado local a partir dessa hora. Neste caso poderemos jogar com a escolha de pesqueiros de forma a podermos explorar um pesqueiro adequado à época, eventualmente mais desabrigado, na primeira parte do dia e considerarmos a mudança para local mais calmo, assim que detectarmos os sinais de alteração das condições climatéricas, ou vice-versa. Também aqui as distâncias deverão ser tidas em conta, atendendo à quase obrigatoriedade de, em determinado momento da jornada, efectuarmos uma mudança de pesqueiro.

Tempo de sondagem e fundeio:

Este é um tempo em que não se deve poupar, muito porque a detecção de actividade e a eficácia do fundeio, face ao ponto em que queremos colocar as nossas iscas, tenderá a ser uma mais valia na efectividade da nossa AP. Também no caso da pesca à zagaia, a detecção de actividade ou de fundos que pareçam pouco activos mas que, por localização e estrutura adequados ao uso dessa técnica, assim como, pela determinação da melhor deriva a efectuar, poderão melhorar a efectividade e consequentes resultados do nosso trabalho com as amostras, permitindo supostamente um tempo de qualidade superior em AP.

Correcção do fundeio ou da deriva:

Acontece assiduamente que, ao fim de algum tempo de pesca, as condições de mar e vento se modifiquem, provocando alterações significativas tanto no posicionamento do barco fundeado, como no rumo da deriva, originando um gasto de tempo no reposicionamento do fundeio ou na alteração da colocação do barco para que derive onde pretendemos, sendo este um tempo em que a AP estará parada, mas que tenderá a melhorá-la, atendendo a que continuaremos a colocar as nossas iscas ou a passar com as amostras nos pontos eleitos, supostamente assegurando melhores resultados.

Mudança de pesqueiros:

Este, um factor extremamente importante, atendendo a que cada mudança de pesqueiro nos consumirá um tempo significativo, roubado ou não à AP. Isto porque, se por um lado poderemos melhorar, quando a coisa dá para o torto, arrisca-mo-nos a gastar mais tempo a mudar de pesqueiros do que com as iscas na água. Aconselha-se vivamente a olhar a sonda e sentir os toques, preferindo eu, sinceramente, apostar num pesqueiro com sinais de actividade, mesmo sem estar a conseguir capturas e trabalhá-lo mudando de iscas e tamanho de iscadas ou, no caso de estar a pescar com zagaia, explorá-lo intensamente em derivas paralelas, mudando amostras e forma de as animar. Muitas vezes a hora em que lá estamos pode não ser a certa, mas o trabalho que estamos a fazer tenderá a dar frutos, mais cedo ou mais tarde, coisa a que estaremos também arriscados no novo pesqueiro, sendo que entretanto, gastámos um tempo, muitas vezes nada útil, a mudar de local.

Organização a bordo:

Preparação do material:

Para assegurar que as nossas iscas ou amostras actuam durante o máximo tempo possível, estas deverão estar colocadas em local de fácil acesso e todo o material deverá estar a funcionar adequadamente, evitando interrupções e tempos mortos que podem afectar negativamente a AP.

As iscas deverão estar prontas a ser utilizadas, de tal modo que a baixada chega e de imediato são repostas; as amostras, deverão estar em lugar onde, com um simples olhar, se escolham e assim se possam trocar de imediato. Os próximos cortes ou decisões de escolha, podem efectuar-se durante a descida da linha e antes da chegada das baixadas ao fundo.

Quanto ao material suplente para reposição ou reparação, deverá estar distribuído / arrumado em locais conhecidos e de acesso com um mínimo de deslocação na área do barco onde nos movimentamos, obviando assim reparações / reposições com um mínimo de gasto de tempo.

Em cada barco em que pescamos devemos, logo que chegamos, tentar perceber qual o melhor posicionamento da cana e carreto para iscar com um mínimo de esforço e movimentos, assim como, de todos os materiais, incluindo onde colocar as capturas, para que a acção possa ter uma continuidade regular, com um mínimo de interrupções. Não é necessário ter um comportamento tão rápido que roce o agitado, mas é importante ter um comportamento calmo, regular e contínuo que se conseguirá através do domínio quase reflexo de tudo o que se referiu sobre a preparação do material.
Uma outra preocupação, em qualquer barco, é perceber como organizar a nossa AP, evitando interferir com outros pescadores ou sermos afectados pelas suas acções, o que levará sempre a gastos de tempo com interferências negativas.

"Coisas" do Pescador:

O comportamento do pescador, de algum modo implícito nas reflexões anteriores, desempenha um papel fundamental na AP.

Os nossos comportamentos variam conforme os nossos estados de espírito que, como sabemos, podem ser facilmente afectados quando o que acontece não vai ao encontro do que esperávamos, coisa que numa jornada de pesca é fácil verificar-se. Pode não suceder de repente, mas ir sucedendo por falência sucessiva em cada momento, por vezes derivada da não programação, demasiado tempo de viagem e má escolha inicial de pesqueiro, fundeio deficiente, perder ou quebrar materiais, não capturar, enjoar e, pior que tudo, atribuir  tais acontecimentos ao material, a outros e não a nós, porque de facto não programámos, não escolhemos bem, não descansámos no dia anterior, comemos e bebemos exageradamente e, com tudo isto, os nossos grandes objectivos para aquela jornada faliram, pura e simplesmente, porque devido a erros iniciais sucessivos, dos quais nem nos apercebemos, colocámos em causa o tempo e a qualidade da nossa AP.

Os erros acima referidos tendem a empolar-se e originar outros, nomeadamente na prática de pescas direccionadas a exemplares maiores, em que os resultados podem aparecer ao fim de horas, não sendo fácil manter uma AP racional e regular, mesmo com sinais positivos dos toques. Muitas vezes, quando começamos a não acreditar, iniciam-se intervalos, descansos, comesainas..., apoiados em conceitos de horas de almoço ou horários do peixe que, na maioria dos casos, nada têm a ver com este, antes connosco e que são os sinais iniciais do nosso descrédito na AP e consequente diminuição das hipóteses de obter os resultados que se procuravam.

Alguns de vós questionarão:

- Então não paramos para almoçar? E a caldeirada a bordo... não faz parte da jornada?

Ao que responderei:

- Fará parte da jornada tudo o que entendermos, segundo os nossos gostos e sem sequer criticar tais comportamentos, aos quais adiro por vezes com muito gosto, mas o certo é que, durante a comesaina, a AP fica comprometida e, após a comesaina e a respectiva rega, as capacidades de manutenção da atenção e as reacções às adversidades tendem a ficar diminuídas, só melhorando se entretanto aparecerem capturas vindas não se sabe bem de onde, nem porquê. Para o pessoal da pesca aos diversos, em alguns locais, sempre se poderão tentar os Besugos de fim de tarde, mas no que a exemplares de maior porte se refere, tudo tenderá a comprometer-se.

Relativamente à alimentação durante a jornada, versus AP, pratico e aconselho vivamente comidas leves e fáceis de consumir calmamente, mas, com o mínimo de gasto de tempo, como por exemplo: sandes, fruta, bolos secos, água, refrigerantes ou até uma cervejola, digo uma, porque se entrarmos "nelas", tendemos a amolecer e falo com conhecimento de causa, não como fundamentalista contra as bebidas alcoólicas a bordo, coisa que não sou, nem penso vir a ser.

Resumindo, para uma rentabilização máxima da AP, em qualidade e tempo, importa preparar-mo-nos mental e fisicamente, programar, coordenar, simplificar, acreditar no que estamos a fazer e manter níveis altos de concentração e atenção relativamente ao processo e aos resultados, sempre interdependentes e sujeitos às condições de mar e vento, assim como, ao nosso conhecimento e capacidades de o aplicarmos nas melhores condições, reduzindo tempos mortos.

Considerando o resumo acima e correndo o risco de me repetir, importa realçar o seguinte: os conhecimentos sobre determinadas técnicas de pesca, localização de pesqueiros face a épocas e momentos do dia, fundeio e a nossa predisposição para os aumentar, apresentam-se como factores importantes de influência positiva, principalmente na melhoria da qualidade da nossa AP, permitindo a melhor utilização do tempo que pudermos ou entendermos despender em cada jornada.

Já só faltam mesmo os tempos úteis de pesca... os que inicialmente defini como meus e, consequentemente, aqueles outros da definição mais concreta.

Já me estou a programar para os tempos mais livres que estão para aí a chegar... depois falamos.

Uma boa tarde a todos os leitores.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vamos comer à feira...


Título meio estranho... não é? Talvez não!?

Os peixes estão longe, para já... mas a pesca não! Sim, porque pesca não é só o acto em si, tem muito mais, e, a 3.ª Feira de Pesca Lúdica e Desportiva de Setúbal pretende ser mais uma forma de pescar ou viver a pesca. mas vamos lá chegar ao título.

O pescador que se preza, para além da acção que mais lhe agrada, adora falar do assunto, percorrer ao milímetro cada peça ou acessório que lhe permite pescar, mostrar o último exemplar capturado, fazendo mais ou menos segredo, ou mais ou menos pirraça no seio dos seus congéneres, de preferência em local agradável, encostado a um petisco regado com a bela da cerveja ou um vinhito agradável. Tudo isto será possível nesta feira que, como muitos de vós sabem, é organizada em parceria pela Câmara Municipal de Setúbal, através do seu projecto Jogos do Sado e o site Porto de Abrigo , assim como de outras entidades, como se pode verificar nos cartazes.
A localização do espaço feira é um estrondo, mesmo ali à beira do Rio Sado e quando digo à beira, tal significa: a uma dezena de metros da água, para menos, como se pode identificar na imagem que se seguem.


Depois tem outros pormenores... a zona de refeições, está no coração do certame, rodeada por canas, carretos, acessórios, electrónica marítima, barcos para a pesca..., ou seja, tudo aquilo que necessitamos para a nossa prática. Ora vejam a planta que se segue e digam lá se não será uma delícia estar por ali, comendo, bebendo, conversando - mais mentirita, menos mentirita - no meio da visita, antes ou depois desta, encontrando este e aquele com quem já pescámos ou até só conhecemos do mundo virtual, trocando ideias ou usando a palavra como nos aprouver, sempre com a pesca como companhia.


Melhor ainda se participamos, no concurso de SURFCASTING, mesmo ali em frente no areal, entre as 13.00 e as 19.30, de Sábado...


... no Open de Pesca em Kayak, também no rio, lá mais para o meio, entre as 08.00 e as 13.00, de Domigo...


... no workshop de PESCA à PLUMA, mesmo ali, no recinto da feira, entre as 10.00 e as 18.00, de Sábado, com intervalo para almoço...


... naquele outro de JIGGING VERTICAL, entre as 09.00 e as 13.00, de Sábado...


... este último, na casa da Baía, da qual vos deixo a localização:


Poderemos ainda levar os nossos descendentes e acompanhá-los a iniciarem-se na pesca de costa, com a ANPLED, nas vertentes de Spinning, Bóia e Fundo; logo ali no recinto da feira, entre as 10.00 e as 13.00, de Domingo.


A conversa ganha outro poder com as práticas desenvolvidas, as novas dicas absorvidas e, mais uma vez, porque não almoçar, jantar, petiscar, beber um caneco, estar na feira, rodeados de tudo aquilo que mais gostamos.

Como se tudo isto não chegasse, este ano pela primeira vez, até temos uns petiscos e comida da terra que variam entre a Feijoada de Choco, o Arroz de Longueirão e a Massa de Sapateira; ou, se não se pretender comer à farta, umas sandes de Choco frito, e outras variadas, assim como, uns Pipis, Salada de Ovas e de Polvo, no pratinho
A incontornável imperial, assim como os vinhos da Quinta de Alcube, poderão ainda ser uma mais valia no que respeita à rega da conversa, tudo apoiado com umas condições climatéricas que, segundo o Windguru, serão uma mais valia.
Portanto, meus amigos, vamos estar na feira e, se o orçamento ainda deixar, porque não aproveitar e comer por lá.

Temo que, a esta hora, muitos de vós que me lêem pensem para com os Vossos botões: O gajo endoidou de vez!
Mas que raio é isto?

Na verdade, dediquei muito do meu tempo, em conjunto com a equipa que forma a Comissão Organizadora dos Jogos do Sado e o Pessoal do Porto de Abrigo, aos quais adoro pertencer, para que os visitantes, pescadores, familiares, amigos e outros, possam desfrutar de momentos agradáveis, num programa familiar adequável a bolsas variadas, em torno desta nossa actividade.

Portanto, cá vos esperamos para comer na feira ou, simplesmente, ver olhar os materiais, estar e conversar. 

Quanto ao "grande tema", já sabem... é o nosso!

Uma boa tarde a todos os leitores.


PS: Para questões ou informações, podem contactar-me pelo telemóvel: 96 357 91 32


domingo, 7 de abril de 2013

Em resposta ao Carlos... vamos fundear!


As condições de mar e vento parecem começar a compor-se ao fim de três semanas de chuva, mais chuva, ainda mais chuva, vento, vaga..., tudo contra. Para não variar, este Domingo em que o tempo até deu uma folga, eis senão quando, tenho actividades para acompanhar. Paciência... a minha hora de ir há-de chegar e não vale a pena pensar muito no assunto.
Entretanto um comentador aqui da página  - o Carlos, de Vila Praia de Âncora - resolveu perguntar (haja Deus...) sobre fundeio e solicitar que pormenorizasse, coisa que vou tentar, esperando que lhe sirva e, já agora, também a outro pessoal que por aqui ande.

Como sabemos, fundear um barco para pescar ao fundo não é tarefa fácil, muito devido às variáveis de vento e aguagem, ou ausência de ambas, em cada dia de pesca. Daí que, em certos dias, a manobra de fundeio pode tornar-se uma autêntica dor de cabeça para a maioria de nós, podendo muitas vezes levar à diminuição significativa do tempo útil de pesca ou até ao falhanço completo na consecução de objectivos de uma ou mais jornadas. Isto porque, ou fundeamos mal e pensamos que não há peixe, ou, verificando que não ficámos onde queríamos e embora até sintamos alguns sinais, tendemos a não confiar no pesqueiro e a nossa pesca poderá já não correr como gostaríamos, para além de, caso não aconteçam as capturas que  procurávamos, ficarmos sem saber se tal se deveu ao fundeio deficiente ou a qualquer outro factor ou variável.

Face ao referido e à solicitação do Carlos, reflectindo sobre o assunto e no sentido de passar os conceitos em que me baseio para efectuar a referida manobra, criei algumas imagens que, espero, melhorem o significado das palavras e, consequentemente, o nosso raciocínio.

Consideremos então algumas reflexões e conceitos:

O melhor posicionamento do barco será no local em que, face às condições encontradas de mar e vento, conseguimos colocar as nossas iscas, com relativo rigor, no pesqueiro que visualizámos na sonda e nos pareceu mais interessante. Não podemos esquecer que para o nosso barco ficar onde queremos, tem outra posição a encontrar... o ponto do fundo onde queremos que o ferro fique preso, permitindo a conclusão correcta  da manobra e o consequente início da acção de pesca conforme a imaginámos.
Considerando o referido, vamos ter de encontrar três posições interdependentes, correspondentes a:

A: a posição onde largar o ferro para que prenda no fundo, permitindo que o barco se posicione no ponto...
B: local onde, nas condições de mar e vento existentes, podemos colocar as linhas na água, sabendo que as nossas iscas cairão na posição submersa...
C: a zona onde caem as nossas iscas que deverá corresponder ao pesqueiro eleito.

Na imagem seguinte, apresenta-se o exemplo de um fundeio com intervenção do vento, sem aguagem, um dos mais fáceis de conseguir.


Para que se comece a ter uma ideia do aumento da dificuldade do fundeio, introduzindo outras dificuldades, vejam a imagem, com relevos de fundo idênticos, mas agora com intervenção de vento e aguagem, ambos  com o mesmo rumo, obrigando neste caso a posicionar o barco de outra forma face à beirada do pontão, de modo a que as iscas caiam no ponto C, o tal que elegemos após sondagem.


Levanta-se agora outra questão: como determinar as posições A e B que conduzirão à C pretendida, em condições diversas de mar e vento?
Para tal teremos que entender o conceito Rumo da Deriva, que podemos descrever como:
- A linha da deslocação do barco, cuja orientação determina para que ponta da Rosa dos Ventos este se deslocará, após desligado o motor e a partir do ponto em que parou completamente. Esta linha vai-se desenhando no GPS, a partir do ponto em que parámos o barco e após limparmos outras linhas de rumo que lá estejam e que possam confundir. Este rumo dependerá das seguintes condições de mar e vento:
- rumo do vento, na ausência de aguagem
- rumo da aguagem, na ausência de vento
- rumo concertado entre o vento e a aguagem, quando ambos estiverem presentes com rumos diversos, derivando o barco mais para o lado de um ou de outro, conforme a direcção e intensidade específicas.
Importa ainda referir que, havendo ao longo do dia entradas de vento ou de aguagem, quando um deles não está presente; assim como, paragens ou variações de intensidades e/ou rumos, em suas presenças; o barco mudará de posição, decorrendo de tal, alterações significativas relativamente ao local onde as nossas iscas estão a actuar (posição C). Se estas alterações vão melhorar ou piorar a nossa pesca... depende!? Uma consulta à sonda para verificar as estruturas de fundo, a profundidade e a actividade do novo pesqueiro, assim como os sinais dos toques, poderão decidir se ficamos e insistimos, ou antes, levantamos ferro e melhoramos o fundeio.

Vamos então complicar a manobra!

Para tal, observemos a próxima imagem, tendo em conta o seguinte:

- As três situações correspondem ao mesmo barco, com o ferro preso ao fundo, no mesmo ponto (A), em condições diversas de mar e vento, obrigando a posicionamentos diversos do barco (1, 2 e 3) e consequentemente à variação da posição C, aquela onde vão cair as iscas.

- As três situações identificadas, pretendem ser exemplos base passíveis de adequação conforme outros rumos e intensidades de vento e/ou aguagem que se possam verificar, sendo importante analisar tais condições, em cada jornada e atendendo até a variações ao longo da mesma.

- Relativamente às setas indicadoras de vento e aguagem, para evitar alguma confusão, as de vento, vêm do Norte e as de aguagem vão, da esquerda para a direita, para: Sul, Oeste e Norte.


Analisemos e reflictamos sobre as imagens.

Posicionamento 1 

Rumo da Deriva: Só com vento, só com aguagem ou com ambos no mesmo sentido, o rumo da deriva será apresentado no GPS, pelo segmento de recta que se irá desenhando de A para a proa do barco, posicionando-se este, centrado com o referido segmento.

Ponto C, sem aguagem: fica na vertical do barco

Ponto C, com aguagem: fica afastado da popa do barco, tanto mais longe, quanto maior for a intensidade desta.

Posicionamento 2:

Rumo da Deriva: será apresentado no GPS, pelo segmento de recta que se irá desenhando de A para a proa do barco, posicionando-se este, atravessado face ao referido segmento, com um ângulo  que poderá variar durante a jornada, na medida de possíveis variações das intensidades do vento e / ou da aguagem.

Ponto C: Vai ficar afastado do barco, no rumo da aguagem e tanto mais longe, quanto maior for a intensidade desta.

Posicionamento 3:

Rumo da Deriva: pode apresentar-se no GPS, conforme linha irregular, descrita entre o ponto A e a proa do barco, podendo também desenhar-se para o lado contrário ao que se vê na figura, dependendo da posição em que parámos o barco antes de fundear. Normalmente a linha de rumo apresentada, configura-se com intensidades idênticas de vento e aguagem e pode variar só para o rumo da aguagem, com barco atravessado a aguagem e vento, quando a intensidade da aguagem for superior à do vento ou vice-versa.
Em caso de intensidades fracas e variáveis, esta situação pode tornar-se uma dor de cabeça, atendendo a que o barco não parará quieto todo o santo dia.

Ponto C: vai ficar na linha da aguagem, tão distante quanto a intensidade desta e contribuirá para a dor de cabeça pois, face a possíveis e contínuas variações da posição do barco, ora pescamos para a proa, ora para baixo do casco, ora... etc..

Considerando as análises e reflexões produzidas, parece poder afirmar-se que:

- Depois de eleito o ponto C, após observação do Rumo da Deriva e cálculo de como o barco se posicionará, importa encontrar o ponto A, revelando-se este, talvez como o mais importante para a posição de fundeio que pretendemos. 

Que características deverá ter o ponto A?

1. Relativamente à configuração e estrutura de fundo, deverá assegurar que o ferro fique preso. Portanto terá de ter um ou vários pontões com altura suficiente para que, face às intensidades de vento e aguagem corresponda à prisão que queremos.

2. Quanto à sua localização, situar-se-à sempre contra o Rumo da Deriva, no alinhamento desta e com o afastamento necessário face às intensidades do vento e / ou da aguagem, assim como da altura da vaga, considerando que vento e aguagens mais fortes e vaga alta, obrigarão a dar mais cabo o que, consequentemente, implicará num maior afastamento entre o ponto A e o C.

Ao largar o ferro que cuidados ter para aumentarmos as hipóteses de que chegue ao fundo e, por arrastamento da deriva, se fixe no ponto A?

1. O ferro e o cabo, devem estar prévia e completamente desimpedidos a bordo para que possamos agarrar e largar, no momento que entendemos mais adequado, tanto mais importante quanto mais duras forem as condições de mar e vento.

2. Na presença de vento e aguagem, não nos podemos esquecer que a descida do ferro será afectada , na sua verticalidade, essencialmente pela aguagem, obrigando a navegar até ao ponto A, em rumo contrário ao da deriva e, para além deste, em rumo contrário ao da aguagem, atendendo a que podem não ser os mesmos.

3. Mesmo só com vento, devemos largar o ferro sempre um pouco para além do ponto A, no sentido de aumentar a segurança na eficácia da prisão do ferro e aumentando o tempo para gerirmos o soltar de cabo necessário ao posicionamento final, principalmente com maior intensidade de vento.

Outras considerações:

Encontrar mais ou menos facilmente um ponto A, depende muito do conhecimento que temos de cada zona  de fundos em que actuamos.

Se em condições adversas (aguagens contrárias, ventos fortes..., etc.) não conseguirmos posicionar-nos em determinado pesqueiro, mais vale procurar outro que conhecemos melhor ou onde as condições nos permitam maximizar o tempo útil de pesca.

Em dias daqueles muito calmos, com muito pouca deriva e com mudanças lentas e muito variáveis da posição do barco, o ideal será procurar pesqueiros cujos fundos apresentem poucas variações de profundidade e tentar que os pontos A e C, fiquem o mais perto possível um do outro, o que se pode fazer dando o mínimo de cabo possível, até porque, atendendo à pouca deriva não será necessário dar muito.
As razões desta consideração têm a ver com o seguinte:
- Se estivermos numa zona com poucas diferenças de profundidade, não corremos o risco de, ora estar a pescar numa beirada, ora no bico de um pontão alto.
- Se não houver muito cabo na água, tenderemos a manter-nos perto da zona onde queríamos estar e actuar sobre ela sem grandes afastamentos.

Caso não acertemos no fundeio ou, em determinado momento devido a alterações de vento e / ou aguagem, a posição do barco mude, devemos marcar o Rumo da Deriva, olhando a proa marcada na bússola  e verificar se o cabo está centrado com o barco ou apresenta algum ângulo, levantando o ferro de imediato e melhorando o fundeio face às verificações efectuadas. Não o fazendo, corremos o risco de ficarmos indecisos quanto à credibilidade na acção de pesca, isto porque, o nosso comportamento numa situação de descrédito sobre o pesqueiro em que actuamos, tenderá a não ser o mais correcto. Digo eu... posso estar enganado.

Sobre a questão colocada pelo Carlos, relacionada com o levantamento do ferro, informo que uso a bóia para tal e exceptuando fazê-lo com guincho, não conheço melhor forma de o fazer.
Para melhor informação sobre procedimentos para alar ferros, materiais, formatos e bóias, vou deixar-lhe aqui alguns links que poderão complementar...
- Características do ferro - Pode ajudar quanto a materiais a usar tendo em conta a proporcionalidade face a barcos de tamanhos diversos.
Descrição de materiais e manobra de alar ferro com bóia - Mais materiais e descrição escrita da manobra
Descodificação de termos (Pontões, beiradas, etc.) - Pode complementar face à utilização da sonda e compreensão dos termos.
Filme em inglês sobre a manobra de alar ferro com a bóia - Caso não se entenda a língua, as imagens parecem-me elucidativas.

Nota importante:

Por mais que se tente passar conhecimentos nesta área, só a prática de cada um poderá melhorar este tipo de acção.
Espero sinceramente ter dado um pequeno contributo que sirva de base à prática que vão ter de desenvolver para o fazerem cada vez melhor, até porque, por muito que se pratique, vai haver um ou vários dias em que por esta ou aquela razão, a coisa falha, restando-nos tentar perceber porque falhou e emendar a manobra.

Para qualquer questão estarei à disposição, na medida do possível, para analisar, reflectir e tentar convosco concluir sobre tal.

A todos os leitores desejo uma boa noite

domingo, 17 de março de 2013

O prazer de ir...


O Sol já vai alto e navego para fora, nesta Sexta Feira, 16 de Março, do ano da graça de 2013. Vou só, com um olho no rumo, enquanto revejo a disposição de todo o material a bordo, não resistindo a captar a imagem do carreto e da cana que para mim ganham vida, parecendo-me nervosos para entrar em acção. Acalmo-os, dizendo-lhes que o motor tem de aquecer antes de ir para rotações de cruzeiro e que a pressa é má conselheira, até porque, compromissos são coisa que não temos e, quanto aos peixes, o mar é como aquele café de clube de pesca onde vamos tomar um caneco e, mais cedo ou mais tarde, acabamos por encontrar um ou mais interlocutores à altura, para discutir o assunto que lá nos levou...

O dia está calmo, o mar raso e, já com o barco na sua melhor velocidade, lembro-me do Parguinho e da Dourada, capturados ontem, numa rapidinha de fim de tarde. Já marcharam cozidos com todos, alegrando os estômagos do Zé Manel, do Pedro, do Fernando e o meu, claro; lá pelo Zé Beicinho que estava com uma gripe das antigas e não pode participar, nem no jantar, nem na pescaria de hoje. As melhoras para ele e para a próxima, logo se vinga.

O GPS mostra-me que estou a chegar à zona, abrando, limpo o traçado do rumo e vou preparar o ferro para largar, enquanto deixo que se desenhe o rumo da deriva.
A sonda já está ligada, mas nem olho para ela, a zona é grande, os fundos espectaculares, o peixe costuma adorá-la nesta altura do ano e nem ponho a hipótese de não fundear por ali... é uma questão de procurar e acertar. Já lá vamos.

O ferro está pronto a largar, a isca já está cortada, as canas a postos e é hora de ver o rumo da deriva, sondar, procurar e optar pelo pesqueiro onde fundear. Faço a primeira escolha do local para largar o ferro e aí vai ele... espero que o barco se coloque e rapidamente me apercebo que não estou onde quero. Sinceramente já desconfiava... o traçado do rumo da deriva era estranho, muito devido à leve aguagem que ia para a proa do barco, quase em sentido contrário ao do vento; para além disso, deveria ter sondado mais em volta, de forma a perceber melhor os contornos de fundo, farto em pontões altos e beiradas abruptas, onde qualquer erro de fundeio concorrerá facilmente para ficarmos em cima de local pouco interessante, por demasiada pedra ou por limpo meio deserto.
À falta de melhor, converso com as canas, carretos linhas e anzóis... digo-lhes para terem calma, enquanto levanto o ferro e melhoro o fundeio, sentindo-me confortável com o fundo novo e largando-os de imediato, ao encontro daqueles com quem queremos "falar".

A "conversa" inicia-se algo tímida. No entanto, logo na segunda descida, após sentir a chegada ao fundo e elevar a pesca, para melhor sentir a sua tensão, primeira surpresa... a linha fica leve e, das duas, uma; ou perdi a chumbada, ou algum peixe se ferrou e não a deixa estar no fundo!? Enrolo rápido e lá está o peso e a consequente luta, dura e comprida, indicando talvez uma Cavala grande ou um Serrajão!?
Não me enganei... um Serrajão, com uns dois quilos e tal, sobe ao poço do Makaira e, enquanto lhe retiro o anzol e o deito delicadamente na mala térmica, já só penso na cebolada que vou comer com ele.

A acção continua e o roubo de iscas, mais ou menos rápido, é uma constante, independentemente dos tamanhos e formatos das iscadas, indicando que mais cedo ou mais tarde, alguma luta interessante acontecerá.
A pesca vai decorrendo, entre uma ou outra bolacha e uma ou outra montagem ou anzol perdidos, por arrochanço, ou por uns quantos Safios de tamanho que não quero, a engolirem o anzol e a cortarem o estralho. Insisto, e outra luta acontece, desta vez em tons avermelhados... não é um grande mas, pelas cabeçadas, também não é Parguito. Mais para cá, menos para lá, eis que entra no poço o primeiro Pargo do dia, com uns dois quilos e tal. Sinto o desenho de um sorriso e digo às canas e aos carretos: Olhem que não vale só por ele... se tinham alguma dúvida, o que acham agora da qualidade do pesqueiro? 
Vamos lá trabalhar que, ou me engano muito, ou não ficamos por aqui!?

Os toques continuam, ferro um peixe que começa a luta e logo se solta sem dar hipóteses de perceber a raça, subo a montagem já com anzóis limpos, isco de novo e torno a lançar, aguardando os toques que começam a rarear, fazendo-me pensar que algo está a acontecer... ou anda por ali peixe maior ou mudei de sítio!? Olho em torno e apercebo-me que o rumo do vento mudou e o barco, lentamente, tinha rodado sem que me apercebesse, fruto da concentração na azáfama. Liguei a sonda e esta mostra-me que já estou a pescar no deserto. Espero mais um pouco, subo as iscas e estas vêm tal e qual estavam, obrigando-me a tomar uma atitude. Mais uma vez, levanto o ferro, procuro onde largar e recoloco-me no mesmo fundo, esperando não me ter enganado quanto à sua produtividade.

A resposta veio algumas iscadas e tempo depois, primeiro pela limpeza dos anzóis e, ao fim de mais algum tempo, por um daqueles toques que obrigam a ferrar alto, seguindo-se a luta esperada, a linha a sair, mais cabeçada comprida e mais linha a sair, repetindo-se ao longo dos 80 metros de fundo a que estava a pescar e culminando com este "vermelhusco"... curto, gordo, alto de lombo e cabeçudo que, deitado, aguardou a foto para a posteridade, ao lado daquele sapato velho que não chega ao Verão de tão maltratado.


O pesqueiro a funcionar, restando saber se o tempo de pesca restante, traria mais alguma surpresa. Só a continuação da acção o poderia dizer e foi o que fiz após trocar a sofrida montagem, coçada junto ao anzol.

Iscas para baixo, anzóis para cima, variação de tamanhos, de formatos; Sardinha por base, Camarão velho e grande de vez em quando e um choco ou outro a intervalar. Já para não falar de um Besugo iscado vivo na pesca a pescar no caneiro. Tudo se tentava, ou quase tudo.

Um determinado moer, a desconfiança, a ferragem e a luta pesadona dum Safio de maior porte, talvez infrutífera, caso o fio viesse a roçar a dentuça do bicho.
Ao fim de algum tempo, continuava a subir, abri a porta do poço que dá para a plataforma de banho e continuei a puxá-lo, até que o vi, com o anzol ferrado na mandíbula superior, tudo indicando que o fio estava intacto. Deixei-o boiar, agarrei o fio desviando um pouco a cara para evitar que os anzóis ou a chumbada me viessem bater caso se soltassem de repente, esperei que a vaga colocasse o nível da água o mais perto possível da plataforma e puxei segura e insistentemente, conseguindo vencer o desnível e arrastá-lo para bordo.

A pesca estava composta, o Sol já se aproximava da linha do horizonte e após mais algumas tentativas e uns quantos peixes mais pequenos. decidi que era hora de levantar ferro e levar o Serrajão ao encontro da cebolada com pessoal amigo.

Não sem antes captar a imagem "de grupo", onde não resisti a deixar os Besugos, tão do agrado de um ou outro amigo meu que não vão certamente perder a oportunidade de sobre eles comentarem.


Um dia excelente, uma pesca bonita, sem ser grande ou excepcional, o Serrajão, de cebolada, espectacularmente cozinhado no Zé Beicinho, pela D. Lucília, e, a conversa fluente que sempre se consegue à mesa. Pedir mais... não quero, nem devo!

A todos os leitores, desejo uma boa noite e uma semana produtiva.

Até à próxima. 

domingo, 3 de março de 2013

Entender um pesqueiro versus marcas de GPS


A carta de fundos de Sines surge perante os meus olhos e, enquanto não deixo de me espantar pela  diversidade e qualidade dos mesmos, analiso os resultados algo variáveis das últimas pescarias, comparo-os com outros na mesma época do ano e nos mesmos pesqueiros e tento relacionar tudo isto com as opções tomadas em cada momento, na tentativa contínua de os melhorar, pensando, agora no sossego do "buraco" onde costumo escrever, sobre a enormidade de variáveis que rodeiam a acção de pesca e a dificuldade de as interpretar a nosso favor em cada momento de pesca.

Tais pensamentos e decorrentes reflexões, levaram-me a questões relacionadas com o entendimento de pesqueiros, tentando isolar e posteriormente conjugar os factores que poderão conduzir a uma melhor interpretação de como lidar com um determinado pesqueiro, tendo em conta as suas características e as condições de mar e vento de um determinado dia em que decidimos, face à época do ano, escolhê-lo como local para nossa acção de pesca.

Genericamente, tenho como definição de pesqueiro: "uma zona submarina em que a profundidade, textura e contornos de fundo se adequam, em determinada época, dia e momento, à concentração, permanência ou passagem da espécie ou espécies que pretendemos capturar, utilizando uma determinada técnica (fundeado, com isca morta ou viva; à deriva, com zagaia ou isca viva;…)".
Para além das características apontadas, a zona em questão, poderá ser mais ou menos extensa e portanto passível de, em função das condições de mar e vento, oferecer hipóteses diversas de localização do peixe e consequentemente de fundeios adequados a esta localização, tendo ainda em conta o rumo da deriva existente em cada dia.
Considerando o referido, um ponto de GPS que identifique a zona, funcionará sempre como o centro ou indicação da mesma e não como obrigatoriedade de fundeio preciso nas coordenadas que o definem. Quer isto dizer que ao chegarmos ao ponto deveremos, a partir dele e através da sondagem, procurar o melhor local para fundear, tendo em conta a actividade, o rumo da deriva e a possível existência de aguagem.
Normalmente, em pontões baixos em que a actividade se vê numa das beiradas, tenta-se largar o ferro na beirada contrária e deixar o barco descair mais ou menos para cima da outra onde vimos actividade, ou, caso o rumo da deriva seja contrário, tentar encontrar uma zona rija, fora da área do pontão, onde se verifiquem condições para o ferro prender e deixar o barco descair na direcção deste, de modo a que consigamos colocar as nossas iscas na zona de actividade identificada. Tudo isto sem esquecer que, havendo aguagem, o barco não deverá descair para a vertical da zona de actividade, sob pena de a corrente colocar as nossas iscas fora desta.
Analisando as duas hipóteses apontadas, prefiro quando possível, largar o ferro fora do pontão e descair para este, do que largar sobre um lado e descair para o outro, isto porque qualquer peixe daqueles que procuramos, ou já lá está, ou, tendencialmente, terá o pontão como referência para a sua aproximação, devido à comedia que anda em torno deste, sendo que as nossas iscas ficam no local certo, venha ele de onde vier. Já quando largamos o ferro numa das beiradas do pontão e descaímos para a outra, havendo aguagem, o peixe que já por lá possa estar pode não se aperceber das nossas iscas, atendendo a que a corrente poderá levar cheiros ou vibrações para fora da sua área sensorial, restando-nos aguardar que outros predadores venham procurar o local e dêem de caras com a nossas ofertas, o que tende a acontecer com aguagens leves e talvez seja mais difícil acontecer com aguagens mais fortes, em que o peixe tenderá a evitar grandes deslocamentos.
Importa referir que, não havendo aguagem, deveremos ter como único pensamento a colocação do barco, na vertical, sobre a beirada com mais e melhor actividade, independentemente do local onde se largue o ferro, sendo neste caso o vento, o principal orientador da deriva.

No caso de elevações submarinas significativas (10 ou mais metros), distribuídas por áreas extensas e em presença de aguagem, a tendência de abrigar muita comedia (peixe miúdo) e consequentemente aqueles maiores que dela se alimentam, aumentam significativamente as hipóteses de capturas de predadores que já se encontram na zona, desde que coloquemos iscas que os atraiam em género e quantidade, assim como, em zona onde lhes sintam o cheiro, as vejam ou a elas sejam atraídos devido ao frenesim do peixe miúdo que as estejam a consumir, caso tal aconteça.
O fundeio ideal face à situação anterior, sendo efectuado do pontão para a beirada do lado para onde se dirige a aguagem, poderá não ser o ideal, atendendo a que a actividade do peixe miúdo e consequentemente dos predadores se desenvolve junto ao pontão, sendo que, com um fundeio deste tipo, as iscas cairão fora da zona, tendendo a não serem detectadas, excepto no caso em que apareçam predadores em procura de comida e/ou abrigo, vindos de outros lados e, eventualmente, caso exista outro pontão perto, também com actividade e no alinhamento da aguagem.
O fundeio ideal, parece ser aquele em que conseguimos largar e prender o ferro, fora do pontão, do lado contra a aguagem, de modo a que o barco fique entre o ferro e a base do pontão, permitindo que as iscas, os seus cheiros e as vibrações causadas por ataques de peixe miúdo, por efeito da corrente, se dirijam ao encontro dos "residentes", temporários ou não.

A escrita já vai longa e, como habitual, voltei atrás, revi a conversa e pensei com os meus botões... neste momento da leitura, alguns de vós poderão estar a pensar: mas por que raio estará este fulano para aqui com esta conversa toda? Porque é que não vai direito ao assunto?

É para já!

A conversa anterior tem por base os resultados obtidos nas últimas três saídas de pesca; duas, com bons exemplares e uma de seca e quase sem peixe.

Uma das melhores, corresponde à relatada na última entrada e a outra, corresponde a esta, em que para além de um Pargo de quilo e pouco que me saiu, mais um grande que se desferrou e dois outros, também desferrados pelo Zé Beicinho, muito por tentativas de ferragens demasiado rápidas, foi ao Brás que saiu a taluda, iniciada com este Alfaquim pequeno...


... seguido deste maiorzito...


e terminando com chave de ouro, com este Pargo, perto dos 5,000kg


Parabéns Brás!

Mas voltemos à conversa.

Tanto o último relato, quanto este, foram precedidos respectivamente de duas pescarias não relatadas. A  anterior ao último relato foi mais uma tentativa em pesqueiros pelos 50/60 metros, revelando estarem estas profundidades muito pouco activas no que a peixe melhor se refere, indicando a necessidade de procurar mais fundo. Procurado e encontrado o pesqueiro, realizou-se a pescaria relatada na entrada anterior, em que o fundeio, por orientação do rumo da deriva, obrigou a fundear de fora do pontão para este, na linha de aguagem.
Na passada Quarta Feira, voltei ao pesqueiro e tanto a aguagem, quanto o rumo da deriva se verificaram opostos, indicando que deveria fundear na beirada oposta, mas, por uma questão de tentar entender melhor o pesqueiro e também porque a beirada já testada apresenta-se com um declive menos pronunciado que a oposta, decidi o fundeio colocando o barco mais ou menos no mesmo local, embora pescando do pontão para a beirada, com resultados desastrosos. O peixe nem comia.
Após uma hora e muito, de acção de pesca, resolvi levantar ferro e fundear do outro lado. Pescámos muito pouco tempo... entrou vento forte, o mar virou, o ferro saltou e tivemos que rumar a terra onde só umas Choupas e Sarguetas entraram, dando-se por terminada a pesca e confirmando uma vez mais a dificuldade de conseguir melhores exemplares à terra.
Finalmente chegámos a esta Sexta Feira, dia calmo, "mar de senhoras" e rumo ao mesmo pesqueiro, onde se verificou aguagem mais leve e actividade mais intensa na tal beirada com menos declive. Hesitei mais uma vez e tornei a fundear do pontão para a beirada na linha de aguagem, pensando que com menos corrente houvesse maior fluxo de peixe a vir de fora para o pontão. Na verdade, enganei-me!
De facto, o peixe até já picava e algumas Pataroxas deram um ar da sua graça, mas o certo é que peixe maior, nem vê-lo. Era hora de fundear do outro lado. Levantei ferro e rumei contra a aguagem e a deriva, sondando por cima do bico, cheio de actividade. Vi aparecer a beirada abrupta, caindo de repente quase para o dobro da profundidade e mostrando sempre actividade com fartura. Continuei, procurando, no fundo, um socalco conhecido para agarrar o ferro; encontrei-o e fundeei, deixando depois descair o barco até ao ponto que me pareceu ideal para largar as iscas e estas cairem perto da beirada, cabendo à aguagem fazer o seu trabalho de "divulgação".
Certo é que os toques foram logo outros, mais intensos, acabando por se conseguirem os peixes que já vos mostrei. Pena os que fugiram... então sim, tinha sido uma pescaria bem mais elucidativa. No entanto, face ao relatado, pode dizer-se que a produtividade esteve manifestamente associada aos fundeios efectuados de fora do pontão para a base deste, no rumo da aguagem; entendimento a reter como base para primeira opção de fundeio, em outras incursões a este mesmo pesqueiro ou até a outros com características idênticas. Convém no entanto estar atento, pois nada no mar e na pesca se mantém como regra. Um dia destes é possível que aconteça precisamente o contrário. Eventualmente, bastará para tal que as condições e a época sejam diferentes

Relativamente ao título desta entrada, importa referir o seguinte: imaginem que um amigo me solicita uma marca de GPS e eu lhe dou aquela onde fiz esta pescaria ou a da pescaria relatada na última entrada. Ele ruma para lá, acredita que vai pescar à séria e fundeia o barco no ponto. Se não entender o pesqueiro e as condições não forem as mesmas ou idênticas, este ponto poderá de nada lhe valer. Neste caso, ele eventualmente ficará de monco caído e eu fico talvez sujeito a... passar por mentiroso!?

Uma boa noite a todos os leitores.