quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Alguns anos de escrita e a companhia das minhas "Amigas"...


Já conhecia bem as minhas "Amigas" quando no dia 23 de Janeiro de 2007 aqui publiquei, como lhe hei-de chamar? Talvez o primeiro relato, em modo de apresentação/introdução.
Verdade que a ligação com estas "Moças" é extensível a muitos de nós, muito antes e certamente depois deste meu enlace que, como em qualquer relação, teve e ainda tem momentos bons e menos bons, obrigando-me a tomar continuamente atitudes no sentido de manter os bons em alta, sempre consciente de não ser caso único neste nosso mundo da pesca.

Certo é que, passados vários anos, embora falseando-as de quando em vez ou até em ménages aceitáveis, são elas as principais companheiras dos dias de pesca mais produtivos, continuando a evidenciar uma versatilidade rara no nível em que se encontram.

Hoje, no 7.º aniversário desta página e sem pretender de modo algum relegar para segundo plano os leitores, vou partilhar convosco alguns pormenores da ligação que mantenho com as anunciadas "Amigas".

São elegantes, gordinhas que baste mas de carnes duras e olhos brilhantes quando frescas, cobrem-se de vestes vistosas que não picam, brilham com pouca luz e põem gravata vermelha se as deixamos apanhar calor, não saem muito caras e deixam-nos fazer tudo... Tão bom!

Já depois de lhes tirar a "roupa" dura que as protege, apresento-vos... as Sardinhas!

Em postas pequenas, ou maiores, dependendo por quais o peixe começa a atacar. Com as mais pequenas quando o que por lá anda é miúdo e se mostra indeciso, passando para outras maiores quando tudo indica que peixe a sério chegou ao pesqueiro ou os pequenos são tantos que já não há posta pequena que se aguente.  


Envolvendo sempre a espinha com o anzol, isca-se uma posta, quando o peixe está sem manias e come tudo.


Iscam-se duas quando a posta única não vem tocada, talvez porque "alguém" está incomodado com a haste do anzol, principalmente em baixas profundidades ou para que levem mais tempo a consumi-las permitindo que maiores se interessem antes que desapareçam, mas sempre libertando sucos e originando o frenesim provocatório entre miúdos, o que atrairá talvez aqueles que queremos. 


E porque não três postas, pelas mesmas razões apontadas para a iscada de duas?


E quando as três postas são consumidas tão rápido quanto as duas e sentimos ter de tomar uma atitude para que a isca se aguente, o que fazer?
Nada como iscar meia sardinha, a cabeça ou o rabo, num corte idêntico ao que se apresenta na imagem seguinte ou com qualquer outra forma que saia da cabeça de cada um.


Pessoalmente, gosto mais da parte da cabeça, por ter mais sucos, mais sangue e a tripalhada sumarenta e consequentemente chamativa. Cozo-a com o estralho, da boca para o lombo e deixo o anzol a jeito para bocarras maiores.


Verdade que, mesmo assim, tem dias que desaparece num ápice, acabando por recorrer-se ao pedaço inteiro, retirando-lhe a cabeça


Neste caso, cozo-a do rabo para a barriga, mantendo os mesmos cuidados com o anzol, terminando a iscada com uma volta de fiel dada com o estralho, junto à barbatana caudal, no sentido de melhor segurar o pedaço.


Se quisermos podemos ainda abri-las, retirar-lhes a espinha...


... Aplicar-lhes estralho e anzol grande ao meio...


... Cozê-las com fio próprio, segurando-lhes as carnes por mais tempo face aos ataques dos pequenos ladrões indesejáveis, quase sempre presentes, podendo tanto a iscada anterior quanto a seguinte adaptarem-se à pesca com chumbadinha ou em uma baixada com estralhos compridos (100 a 150 cm).


Em algum momento de uma jornada, não raramente, os resultados acabam por aparecer, com mais ou menos regularidade, decorrentes das variações continuas mais ou menos adequadas à informação transmitida pelos toques, através de iscadas maiores ou menores conforme as nossas opções face à técnica em uso e à atenção e capacidade de cada um ao utilizar a informação referida.

Muito fica por pormenorizar relativamente à nossa ligação com estas "Amigas", cujo maior predicado é, na minha opinião, a versatilidade.
Elas brilham, engodam, iscam, movem-se, desafiam..., dependendo da técnica que usamos, da forma e tamanho da iscada e do momento da jornada em que decidirmos optar por uma determinada conjugação destes factores.
E companheiros, estas minhas/nossas "Amigas", bem coadjuvadas por outras como a Cavala, Bomboca, Camarão, Caranguejo, Lula..., mortas ou vivas, podem formar um conjunto explosivo, promotor do preenchimento de caixas térmicas com cores lindas e tamanhos de peixes assinaláveis. 

Brevemente, colocarei à vossa disposição mais uma acção, ao vivo e a cores, onde poderemos esmiuçar sobre como conjugar iscas, iscadas, materiais e montagens e a sua utilização ao longo de um dia de pesca, face a determinadas características relacionadas com os sinais dados pelos toques.
Assim que tiver a coisa preparada, divulgo por aqui.

Confesso que o raio do tempo já me está a tirar do sério e não vejo a hora de me envolver uma vez mais com as "Amigas" que vos apresentei, salvaguardando aqueles de vós que anteriormente as conheciam  e com elas até teriam relações mais antigas.

Entretanto vou gozando este 7.º aniversário, agradecendo a Vossa paciência frente a tanta letra, esperando que gostem destas minhas parcas confissões e levantando o meu copo... À Nossa Saúde.

Tchim, tchim!

Bebam com moderação... se puderem!?
Caso ainda vão conduzir, o melhor é mesmo não o fazer.

Uma boa noite a todos os leitores.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Boas Festas!


A todos os leitores e familiares quero principalmente enviar os mais sinceros votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Para que não fiquem completamente a leste da pesca e dos peixes, dou-vos conta das últimas pescarias que com base nos conceitos, técnicas e reflexões descritas na última entrada, nos deram no passado Sábado esta caixinha onde as Douradas foram as rainhas da festa, a par com alguns "primos".


Também no Domingo a coisa não correu mal, mas Douradas... nem uma. Já os "primos", sem grandes exemplares mas com tamanhos aceitáveis, deram um ar da sua graça.


Esperemos agora que as condições meteorológicas melhorem e permitam outras pescarias das quais decorram relatos que melhor vos elucidem sobre as possíveis razões do que quer que aconteça. Até lá, "limpem-se as armas", desfrute-se a companhia da família e aproveite-se a época na medida do possível.

Uma boa noite a todos e que o Menino Jesus vos traga saúde, o que mais necessitarem, e por que não, aquele material melhorzinho que sempre achamos estar em falta para melhorar a qualidade da nossa pesca.

Forte abraço

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Coisas" das Douradas de Outono/Inverno.


Uma das épocas mais esperadas pelos pescadores de embarcada, em barco fundeado, está a iniciar o seu auge.

As Douradas estão a completar o seu percurso cíclico até à desova. Tendo em conta relatos de capturas e conforme já escrevi lá mais para trás, tudo indica que se inicia por volta de fins de Agosto/início de Setembro, junto à costa, para gáudio dos Guerreiros da Areia.
A viagem continua, ao longo de Outubro/Novembro, em direcção aos locais de concentração para acasalamento, alimentando nesta fase, principalmente, os barcos profissionais que as capturam pelos limpos, até que, principalmente em Dezembro e normalmente até Janeiro, se juntam por aqui e por ali para o processo que assegurará a continuidade da espécie.

Estes são os momentos em que acontecem grandes concentrações, abrindo alas para os pescadores desportivos e profissionais de anzol se "banquetearem" com capturas, excepcionais ou não, dependendo isso dos métodos utilizados - com engodo ou usando as iscas como tal, em ajuntamentos de muitos barcos ou em pesqueiros isolados, bem escolhidos e trabalhados.

Se para além dos meios utilizados, considerarmos as condições de mar e vento em cada jornada tendo em conta aguagens a favor, atravessadas ao vento ou ausência de ambas, assim como, o comportamento do pescador face ao desenrolar do processo e decorrentes resultados, Companheiros... teremos aqui conversa até não haver amanhã.

Como sabem não gosto, nem considero que devo, afirmar peremptoriamente sobre qualquer tema relacionado com a pesca, antes fundamentar, reflectindo sobre cada um. Por tal, aconselho, como complemento à presente conversa, a consulta de artigos sobre materiais e conceitos que anteriormente publiquei, bastando, para que os encontrem, uma pesquisa pelo blogue ou até um olhar mais atento para a coluna da direita onde se encontra um dos mais lidos - Vamos às Douradas... Tempo de revisões .

A conversa de hoje, e muito pelo que tenho conseguido, ou não, ao longo dos tempos e nos últimos dias, vai essencialmente na direcção da escolha de pesqueiros, das marcações de sonda, das condições de mar e vento, dos sinais e resultados e, importa realçar, dos comportamentos dos pescadores, factores que, individualmente e sem dúvida no seu conjunto, influenciam nitidamente sucessos e insucessos em cada jornada de pesca.

Escolha de pesqueiros:

Por razões que essencialmente se prenderão com abrigo, alimentação e consequentemente com o conforto dos bichos para enfrentarem o processo de acasalamento e eventual desova, os tipos de fundos em que tenho tido melhores resultados, são:

- Entralhados (zonas mistas de pedra e areia ou detritos) e limpos, juntos ou relativamente afastados das bases de elevações submarinas, de paredes abruptas mais ou menos importantes quanto à diferença entre os bicos mais altos e o fundo assim como e ainda com melhores resultados, em fundos idênticos entre elevações submarinas não muito afastadas.

- Declives ou socalcos, pouco pronunciados e de terreno relativamente macio, na beirada de elevações submarinas em que, para vos dar uma ideia, teremos de navegar uns 100 metros para uma diferença de profundidades de +/- 10 a 20 metros, entre o ponto mais elevado e o mais fundo. Nestes declives encontram-se por vezes pequenas elevações, ideais para prender o nosso ferro.

- Cetombas (quedas abruptas de 5 e mais metros) em terreno entralhado ou relativamente limpo, de preferência não muito afastadas de elevações ou conjuntos de elevações submarinas e que, atendendo ao seu aspecto demasiado limpo, nos impressionem com marcações inesperadas de peixe agarrado ao fundo. Este, um tipo de fundo que se tem apresentado mais falível mas que nos pode dar pescarias excepcionais, quando as condições de mar e vento nos permitam fundear o barco de forma a colocar as nossas iscas na zona em que a sonda acusou actividade.

Quanto às profundidades onde procurar, os melhores resultados no que respeita a regularidade de capturas em quantidade e qualidade têm-se situado entre os 50 e os 90 metros, não querendo dizer que em determinados dias não se consigam pescarias excepcionais, principalmente em profundidades inferiores. Tenho notícias, deste ano, sobre capturas importantes, na zona de Setúbal, a 35 metros de profundidade. Também em Sines, no final da época passada, houve boas pescarias aos 120 metros. Certamente em outros locais haverão notícias de situações idênticas!? Porquê? Não faço ideia!?
É a típica incerteza que nos faz adorar esta nossa actividade.

Marcações de sonda:

A escolha do tipo de pesqueiro é, na minha opinião, a variável de sucesso mais importante, podendo dizer-se que por vezes uma marcação sem actividade ou de actividade reduzida nos poderá dar uma pescaria excelente, desde que trabalhemos o pesqueiro eleito tendo em conta as características antes referidas para tal escolha. No entanto se, para além de estarmos a colocar as nossas iscas num fundo eleito, a sonda nos mostrou alguma actividade, tendem a aumentar significativamente as hipóteses de sucesso, nomeadamente em marcações que a seguir se descrevem:

- Marcações de actividade fortes e espalhadas, junto ou muito perto do fundo conforme se pode observar na imagem que se segue:


Considerando a divisão do ecrã ao meio, sendo o lado esquerdo um zoom do lado direito, podem observar-se as formas amarelas com pontos laranja no centro, afastadas umas das outras, o que se enquadra na definição de "marcações de actividade fortes e espalhadas, junto ou muito perto do fundo".

Neste caso e desde que consigamos colocar as nossas iscas por ali, as hipóteses de termos sucesso serão bastante altas, sem grandes esperas, atendendo a que o peixe de qualidade, nomeadamente as nossas "amigas" e eventualmente os seus "primos", quase seguramente, já estarão no pesqueiro.

- Marcações fracas, junto ou muito perto do fundo e continuadas pelos entralhados ou limpos para além do fim da beirada dum pontão alto, num socalco, ou num declive de uma beirada com queda pouco acentuada.

Ora vejam a imagem:


Neste caso podemos ver aqueles pontos azuis com alguns amarelos misturados que se alongam para além da beirada do pontão agarrados ao fundo, indicando actividade de peixe miúdo, mas deixando no entanto a percepção de que, trabalhando o pesqueiro, "os" ou "as" que queremos, acabarão por aparecer.
Foi com uma imagem deste tipo, a 58 metros de profundidade, que no passado Sábado se conseguiu a foto que abre esta entrada, a pormenorizar lá mais para a frente.

- Imagens muito fortes, não muito afastadas do fundo que, podendo ser falíveis, me deram já nesta época excelentes pescarias de Douradas e Pargos, nomeadamente se aquela linha grossa paralela e perto do fundo se mantiver após várias sondagens sobre a mesma zona do pesqueiro.

Sendo indicadoras de grandes concentrações de peixe, este tipo de marcações podem deixar dúvidas quanto à qualidade do mesmo, principalmente se evoluírem para bolas compactas muito acima do fundo.
No entanto e repito, nesta época, quando em presença duma marcação deste tipo, estaremos possivelmente sobre uma grande concentração de Douradas, tendendo a marcação, se for o caso, a evoluir para um formato de cogumelo, em que a partir da linha grossa junto ao fundo se forma um pé que sobe até um chapéu, dando o aspecto de tal fungo.
Tal formato de marcação costuma acontecer mais frequentemente se estivermos junto a uma elevação submarina alta que cai de forma abrupta, em fundos de 50 ou mais metros.

Eis a imagem:


Importa reforçar que estas as marcações mais emblemáticas, tanto numa pesca direccionada a Douradas quanto a Pargos, tendencialmente frequentadores dos mesmos pesqueiros (dentro ou fora da presente época), deverão sempre ser apreciadas em função dos tipos de fundo, conforme tive o cuidado de realçar quando falei da escolha de pesqueiros.

Condições de mar e vento:

As condições ideais, para o sucesso de pescarias à Dourada e ao Pargo, em barco fundeado, partindo do princípio que sabemos eleger o melhor local para colocar as nossas iscas e que conseguimos fundear de forma a que de facto actuem no local escolhido, é, sem dúvida, o que gosto de chamar "dia de mar direito". Ou seja, por efeito do vento, da corrente ou da conjugação de ambos, o barco actua todo o santo dia na mesma posição ou com variações que permitam continuar a actuar com as nossas iscas no pesqueiro eleito ou perto, desde que as estruturas de fundo se mantenham idênticas.

A constatação de que teremos um "dia de mar direito", é algo que, podendo parecer esperado face às previsões meteorológicas, só com o decorrer do dia se poderá verificar, atendendo a que o nosso Companheiro Mar faz o que quer, quando quer e como quer, nada preocupado com os nossos gostos ou intenções. É mais do tipo: "aqui quem manda sou eu... amanhem-se"!

Conforme as mudanças de humor do tal nosso "amigo", tudo pode acontecer... aguagem para um lado, depois vira para o outro, ou não existe e de repente entra assim como o vento que poderá mudar de rumo e intensidade, tendendo estas mudanças face a determinadas previsões e em determinados locais, serem relativamente previsíveis, embora nunca a 100% ou perto.

Na verdade, alterações significativas ao fundeio inicial alterarão o posicionamento das nossas iscas, assim como, mesmo que o barco não mude de local, a entrada de uma aguagem forte para a popa ou em outra direcção criará a mesma situação.
Quando tal se configura, uma de duas coisas pode acontecer: melhora, ou piora!

Na maioria dos casos, se estamos a capturar, dá-se uma interrupção, podendo acontecer a retoma após algum tempo ou, pura e simplesmente, tudo pára.

Também é verdade que estando num pesqueiro com sinais mornos e sem a presença de aguagem, se esta entrar, a coisa pode aquecer.
Já me aconteceu várias vezes, sendo a mais evidente, entre outras, quando, aqui há uns dois anos, em dois dias seguidos, no mesmo pesqueiro, quase à mesma hora e em época e local de Douradas, estas fizeram a festa.
Importa referir que, nesses dias, antes da aguagem entrar já se percebia que elas lá andavam, tanto pelo desaparecimento rápido do Caranguejo, quanto por um ou outro toque que se ia sentindo, tudo indicando que a aguagem as impulsionou para ataques mais descuidados.

Considerando a extensão e monotonia de um texto onde se referissem todos os acontecimentos derivados das alterações meteorológicas, já experimentados, conto-vos o último.
Aconteceu no passado Sábado, dia 7 de Dezembro, numa pescaria com o Tózé e o João Maria.

As previsões apontavam para vento fraco de E, a cair ao longo do dia, prevendo-se calmaria e rotação do vento a N/NE, ao longo da tarde.

Fundeámos aproados ao vento, com total ausência de aguagem, num pesqueiro do tipo "socalco em beirada de elevação submarina com declive pouco pronunciado" e uma marcação de sonda correspondente a "actividade agarrada ao fundo e não muito forte, mas alargada em área significativa".

Em termos de caracterização, importa ainda referir que escolhemos procurar uma zona onde não estivessem outros barcos, isto porque quando pescamos em ajuntamentos, se algo acontece, nunca ficamos a saber se os resultados, positivos ou negativos, se devem unicamente à nossa actuação ou estão a ser influenciados pelas acções dos pescadores de outras embarcações que estejam perto.

Na situação referida, quando acontecem alterações do posicionamento do barco, as hipóteses de não tornarmos a poder colocá-lo na anterior posição aumentam significativamente, atendendo a que todas as embarcações em torno rodarão, acontecendo, não raramente, trocas de posição que tornarão impossível reposicionar o fundeio.
Se tal acontecer numa hora tardia de uma jornada, esta poderá terminar de forma inglória. Mas adiante...

Iniciámos a acção com iscadas de Sardinha e Caranguejo, alternadas nos anzóis de baixo e de cima, com a intenção de, por um lado, aumentar as hipóteses de detectar se as Douradas lá estavam e, por outro, ir trabalhando o pesqueiro e desafiando algum Pargo a arriscar a dentada.

Os primeiros peixes a dar sinal foram as Choupas grandes que não procurávamos mas que intervalaram com alguma regularidade as capturas mais interessantes. Ao fim de uns 45 minutos de pesca, o Tózé tira o primeiro Parguito...


... a que seguiria outro, um pouco maior, não documentado.

Pouco tempo passado e é a vez do João Maria se estrear, com este Bandeireiro...


Tudo indicava que o pesqueiro se fazia. Entretanto, eu já tinha ferrado um peixe que ao iniciar a luta me pareceu uma Dourada mas que se desferrou já relativamente perto da superfície.
Nem 10 minutos passaram e sai este maior ao Tózé...


O pesqueiro estava lançado mas aconteceu o que eu já previa... o vento caiu completamente, aguagem nem vê-la e o barco rodou para cima da parte mais alta da elevação, coisa que se notou de imediato, por vermos que já não estávamos aproados a E mas sim a S.

O cabo estava todo por cima de água e, pior que tudo, os peixes que entravam quase de seguida deram lugar a roubo de peixe miúdo, arrochanços contínuos das nossas baixadas e, mais tarde, à quase ausência de toques. Claro que a consulta à sonda nos confirmou de imediato que já não estávamos a pescar a 57 metros mas sim nos 51, parte mais alta da elevação.

Numa situação deste tipo, ficamos um pouco de mãos atadas, atendendo a que:
- Por a zona se apresentar rica, deveríamos esperar um pouco até decidirmos levantar o ferro e reposicionar o barco.
- O Barco não derivava de forma definida o que impossibilitaria um fundeio certo.
- Reposicionar o barco, implicaria que seríamos obrigados a refazer toda a manobra assim que entrasse alguma brisa indefinida, com prejuízo do tempo útil de pesca.

Decidimos portanto insistir um pouco mais e aguardar a entrada prevista de algum vento que nos permitisse corrigir o fundeio.

Uma brisa consistente e não prevista de W veio resolver a situação, permitindo-nos levantar ferro e reposicionar o barco, desta vez largando o ferro na base do declive e deixando sair cabo até ficar no socalco grande onde antes pescávamos e que continuava com marcação idêntica.

O certo é que não passaram 15 minutos de pesca para que tudo voltasse a acontecer, iniciando-se com as persistentes Choupas grandes que intervalaram com 2 Parguitos de quilo e pouco e, logo a seguir, as Douradas.

Primeiro duas pequenas, depois algumas que não ferraram e, como cereja no topo do bolo, o prémio da persistência do João Maria, com estes 4,380kg de Dourada.


Uma pesca bonita e uma mala térmica composta de peixe criado, como dizem lá por Sines, que se poderia ter completado ainda melhor não fora a vontade dos meus amigos, de pesca feita, quererem vir embora.

A afirmação anterior prende-se com a análise de sinais e resultados, já que tudo indicava que estes foram os momentos do dia em que as Douradas entraram no pesqueiro ou resolveram comer. Mais uma horita e a coisa não se ficava por aqui, pois outras e até talvez outros teriam dado entrada lá no poço de Makaira. Mas a pesca estava feita e os meus companheiros ainda tinham de andar uma horas até Évora. Para além disso, outros dias virão.


Considerando o relato, vamos tentar concluir sobre os factores ainda em falta.

Relativamente aos sinais e resultados, pode dizer-se que o pesqueiro se manteve activo, mesmo quando o barco rodou, sendo que os resultados enfraqueceram nitidamente quando dele saímos francamente, assim como tornaram a aparecer logo que conseguimos recolocar o barco e tornámos a acreditar que era ali que a coisa se dava.

As Douradas, sem dúvida, apareceram ou decidiram atacar as iscas, principalmente a Sardinha, na hora em que acharam por bem, indicando que a escolha do pesqueiro não era má de todo. Ficou por se saber se continuariam a entrar até ao cair da noite como já me aconteceu em outras jornadas, talvez por nesses dias essa ter sido a hora em que resolveram repor energias face ao cansaço do acasalamento e então vá de se tentarem banquetear com um cházinho de Sardinha e uns bolitos de Caranguejo.

Quanto ao comportamento dos pescadores, ficámos sempre atentos aos sinais e resultados, mantivemos uma acção de pesca contínua e intensa, maximizando o tempo útil em que as nossas iscas grandes e variadas actuaram sobre o pesqueiro.
Para além do descrito, tudo indica que tomámos as decisões certas em função das condições de mar e vento que se manifestaram e, pode ainda dizer-se, que podemos reflectir desta forma por termos estado a pescar fora de zonas em que muitos barcos se atiram ao mesmo tipo de pesca, o que complicaria ainda mais a percepção das razões que levaram a capturar ou não.

Não menos importante... não fomos só procurar Douradas mas também os "primos" em zonas que ambos tendem a frequentar nesta época do ano e... encontrámos reunião de família, sendo que alguns "convidados" chegaram um pouco atrasados. Terá sido assim?

Caberá aos leitores lerem, analisarem e por aqui reflectirem sobre tal.

Uma boa tarde para todos

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vamos Procurar, Sondar e Fundear... Pescar!


Pesca e vida, vida e pesca... indissociáveis, para quem é pescador; fontes de relacionamentos, mais ou menos francos e quase sempre agradáveis se os encararmos de forma positiva, numa perspectiva de aprendizagem contínua, a par de alguma competição informal e saudável para quem desenvolva esta nossa prática de forma exclusivamente lúdica, assim como para aqueles de nós ligados à competição formal. 
Nesta perspectiva tenho desenvolvido a "minha pesca", parte integrante da minha vida, tentando sempre aprender com os meus sucessos e insucessos e, de há uns anos para cá, estabelecer relacionamentos publicando esses conhecimentos, principalmente através desta página que, de vez em quando, sai à rua e se encontra, ao vivo e a cores, com os leitores interessados, para acções de informação onde se tentam passar e discutir, em poucas horas, conhecimentos teóricos e práticos adquiridos ao longo de anos, susceptíveis de melhorar a "nossa pesca", atendendo à troca de informação que tais encontros promovem.

O que se passa num encontro destes? Para aqueles que nunca participaram... eu conto!

Para aqueles que já participaram, alguns nas duas anteriores edições... também conto, ou não sejam eles as melhores testemunhas... talvez abonatórias!?

Tudo começa com a procura de local que reúna as melhores condições de sala, zona de comes e bebes e etc.. Depois vem a divulgação da acção, por aqui e por ali, enquanto se fazem revisões aos diapositivos em Power Point, onde toda a informação está disponível, reorganizando e acrescentando novos conhecimentos, adquiridos entre edições e também decorrentes do acontecido em cada uma delas, ficando a organização da apresentação com o aspecto global que se apresenta nas três imagens que se seguem, iniciando-se com a introdução e conceitos básicos...


Depois, com o cofee break pelo meio, a Procura de Pesqueiros e as configurações de Sonda e GPS, para uma utilização simplificada...


E, já depois do almoço, no restaurante panorâmico do Hotel do Sado, seguem-se as acções de sondagem, a identificação dos melhores pesqueiros e do local ideal para fundear, para que as nossas iscas fiquem a actuar onde queremos, assim como o processo de fundeio com condições diversas de mar e materiais a utilizar, passando pelos comportamentos ideais dos pescadores no sentido do sucesso... tudo com imagens de apoio, conseguidas entre muitas outras captadas em momentos de sucesso e também de insucesso.


Em todo este processo, eu mostro e fundamento; os participantes concordam, discordam, dão as suas opiniões, colocam as suas dúvidas e, em conjunto, temos sempre aprendido alguma coisa, num convívio de pescadores para pescadores onde, nos intervalos, as mentiritas habituais e inofensivas têm o seu lugar normal e obrigatório.

Portanto, caros leitores, é isto que vos proponho para o próximo Domingo, dia 15 de Dezembro, deste ano da graça de 2013.

Para os interessados disponíveis, aqui vos deixo o documento: Programa, Objectivos, Conteúdos e Procedimentos de Inscrição .
Neste documento, a data limite de inscrição é formalmente o dia 5 de Dezembro, no entanto, poderá sempre alargar-se este prazo, não sendo bom que se ultrapasse o dia 10, considerando a marcação de almoços e organização geral.

Agradeço ainda o Vosso apoio na divulgação da acção, independentemente de poderem, ou não, participar.

Pergunta:

O que poderão conseguir desta acção?

Resposta:

O conhecimento sobre um conjunto de procedimentos que, utilizados na prática, vos autonomizará na Procura de Pesqueiros, usando a Sonda e o GPS de forma simplificada, assim como, quanto à detecção dos melhores locais para fundear, face às imagens que a Sonda vos devolver e todo o processo de fundeio para que fiquem a pescar no local eleito.

Poderá ainda colocar-se outra questão:

Será que a partir daqui, o peixe salta todos os dias para dentro do barco?

Certamente que não, mas a base com que se fica tende a promover melhorias significativas na regularidade dos resultados da nossa/vossa pesca, considerando a quantidade/qualidade da prática que se venha a desenvolver, tendo em conta os conhecimentos adquiridos.

Na verdade, ainda na passada Sexta Feira, numa pescaria em que utilizei todos estes conhecimentos, não consegui mais do que se vê na foto que se segue:


Valeu aquela Dourada de dois quilitos que já fez as delícias cá de casa, já a Bica, e os Sarguitos, foram trocados de bom grado por umas cabeças de Borrego no forno, cortesia do Zé Beicinho.
No entanto, para aqueles que têm seguido o blogue, tem por aí muito peixe conseguido com o processo que vos proponho.

E, quando não se consegue capturar o que queremos, podemos sempre gozar o fim de dia, principalmente enquanto não nos tirarem o Pôr do Sol.


Ora então boa gente, a proposta está feita. Deixo a bola do Vosso lado e àqueles que se interessem e possam estar presentes, cá vos receberei com todo o prazer.

A todos os leitores... em breve vos contarei de outras dicas e pescarias. Até lá... os meus votos de uma boa semana, com os olhos postos no bom tempo que, tudo indica, nos espera lá no mar, neste fim de semana que se aproxima.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Segurança na pesca embarcada... Conhecimento, Competência e Bom Senso


A escrita anda um pouco ao lado... não por falta de pesca ou vontade de escrever, talvez mais por me sentir obrigado a artigos que correspondam tecnicamente ao que já escrevi por aqui, mostrando-vos o caminho percorrido na procura de maiores peixes.
Na verdade, tal percurso tem-se desenvolvido de forma algo irregular, sendo que os exemplares de 2 e 3 kg e até alguns maiores têm aparecido por aqui e por ali, assim como as Douradas, por insistência, já deram um ar da sua graça, enquanto se deslocam para os locais de desova, como é usual nesta época, sem que me tenha lembrado de tirar algumas fotos, em momentos essenciais para a documentação das capturas e de algum modo travando também a vontade de escrever na altura certa. Mas não se desespere, nem se pense que estou parado, pois, lá para o fim do artigo, como remate, logo vos deixarei uns peixes.

Entretanto e porque a onda de segurança, devido ao tal decreto "dos coletes", se vai arrastando, vou conversar convosco sobre segurança a bordo. Não unicamente acerca daquela obrigatória por lei, mas sobre aquela outra a que gosto de chamar de "Conhecimento, Competência e Bom Senso", relacionada com a nossa pesca e com a navegação, adquirida com estudo, com prática a custas próprias, ou, reconhecendo e aprendendo com os saberes de pescadores mais experientes e que encaram a segurança sem leveza.
Importa ainda referir que por muito que pratiquemos uma navegação e uma acção de pesca, responsáveis e seguras, devemos estar sempre atentos, pois tudo o que achamos conseguir prever nunca eliminará totalmente os acidentes, antes diminuirá  a sua gravidade ou as hipóteses de que se produzam, sendo que este é um assunto que daria para escrever um livro... grande e sempre incompleto. Mas, vamos lá tentar sistematizar o melhor possível.

O Conhecimento... as Competências:

Quem governa um barco, em qualquer situação - lúdica, profissional, mais ou menos perto da costa... - tem obrigatoriamente de ter conhecimentos alargados a vários níveis e dominá-los efectivamente no exercício das suas práticas, considerando sempre a imprevisibilidade de situações que o mar sempre pode tornar reais. Para tal deverá, na minha opinião, passo a passo, percorrer um caminho do menos para o mais perigoso, medindo muito bem os riscos que poderá correr, versus as suas capacidades de, em cada momento, lhes fazer frente.
Estudar, aplicar, melhorar com os erros ou sucessos, estudar mais, aplicar de novo... e assim sucessivamente, num ciclo evolutivo consciente e interminável, é, sem dúvida, o caminho a percorrer. Aliás idêntico a qualquer processo evolutivo, em qualquer área, sendo que, mesmo que diminuídas, as possibilidades de acidente grave ou morte estarão sempre presentes.

No percurso apontado e relativamente aos domínios essenciais onde conhecimentos e competências deverão ser adquiridos, vamos considerar os seguintes:

A. Condições climatéricas

B. Conjunto barco, motor e palamenta

C. Meios de salvação e telecomunicações

D. Acção de Pesca

Sobre os quatro domínios referidos, e embora se vá falar especificamente de cada um, é evidente que são interdependentes, atendendo a que, para um determinado tipo de pesca que se pretenda praticar, a saída para o mar e os pesqueiros a escolher, dependerão do conjunto barco e motor que temos, da sua categoria de navegação, respectivos meios de salvação e rádio comunicações, e, das condições climatéricas que se apresentem no dia em que decidimos sair para o mar.

Considerando o referido obrigo-me a cumprir, à cabeça, as seguintes regras:

a) Nunca sair para o mar no limite, ou perto do limite da embarcação, face às condições climatéricas que se apresentem e mesmo até quando verifico que o estado do tempo vai tornar o acto de pescar muito desconfortável.
b) Nunca sair sem verificar minimamente o funcionamento adequado do conjunto barco/motor/palamenta.
c) Voltar de imediato para o porto, caso se verifique o mau funcionamento de um elemento essencial à segurança, principalmente se as condições climatéricas não forem as melhores. Isto porque, a falência de um elemento deste tipo, poderá facilmente iniciar uma cadeia de outras falências e consequentemente o acidente.
Por exemplo: se perder o ferro principal e ficar só com o de segurança, ou continuo a pescar à deriva, ou volto para o porto. Não arrisco perder a única coisa que imobilizará o barco, em caso de, por qualquer razão, o motor me falhar.
d) Manter o funcionamento adequado de todos os elementos... barco, motor, palamenta, instrumentação electrónica e de comunicações.

As condições climatéricas:

Actualmente, como a maioria de nós sabe, as previsões meteorológicas são cada vez mais fiáveis e o acesso a este tipo de informação através da net, é fácil e bastante fidedigno, atrevendo-me a dizer que, salvo raras excepções, só vai para o mar sujeito a mau tempo quem quiser. Normalmente isto acontece quando a vontade de pescar se sobrepõe ao receio de a "coisa" engrossar e, em alguns casos, ao Bom Senso. Quem não souber consultar a net, deverá procurar quem o saiba, podendo assim minorar os perigos que pode correr na presença de más condições de mar e vento.

Desde sites relativamente simples de interpretar, como o Windguru, na minha opinião ideal para a normal pesca embarcada em barco fundeado ou à deriva, em área de classe 4 e até um pouco para além desta, a outros mais complicados que permitem observar e interpretar as condições de mar e ventos, em zonas mais afastadas da costa, temos à nossa disposição um conjunto de informação importante que face à nossa capacidade de interpretação nos permitem escolher o dia ideal para irmos pescar nesses lugares, ou verificar a dificuldade/impossibilidade de, em determinado dia, exercermos a nossa actividade nos locais que pretendemos ou até de sair para o mar.
Pessoalmente, uso principalmente o Windguru, com o cuidado de entender o que me apresenta, tendo em conta algumas variações decorrentes muitas vezes de estados climatéricos mal definidos que na zona onde normalmente actuo podem apresentar-se um pouco diferentes do que se vê no site.
Na zona de Sines, por exemplo, quando no site referido se apresentam ventos continuados, do quadrante Norte, na ordem dos 10 a 12 nós que à partida parecem inofensivos, acontece muitas vezes, serem muito mais fortes e, caso a vaga se mostre atravessada ao vento, com alturas da ordem dos 1,5 a 2 metros, mesmo com períodos de mais de 10 segundos, estão, na maioria das vezes, asseguradas condições muito boas para ficar em terra sossegadinho, sob pena de pescas extremamente desconfortáveis e que num caso de avaria complicarão fortemente as resoluções de qualquer problema.

Num outro exemplo, relativamente às duas fotos que a seguir se apresentam, o Windguru dava indicações de alguma chuva, pouca, diminuição da vaga e muito pouco vento, sendo que se verificou o mar calmo, com alguma chuva como se vê nesta saída do porto...


... que, passado algum tempo, se transformou na calmaria que se segue e num excelente dia de mar e de pesca, tal como se lia no site.


A nossa capacidade de interpretação da informação fornecida decorre claramente da verificação in loco daquilo que vimos no site e, na nossa impossibilidade, por algum amigo que por lá esteja, contribuindo assim para, cada vez mais, sabermos utilizar a informação lida, no sentido da segurança, conforto e efectividade das nossas saídas.
Por tal, é meu hábito, em dias de condições mal definidas, mesmo não estando em Sines, telefonar para amigos de lá para me dizerem como estão as condições, de forma a compará-las com o que o Windguru me apresenta. Claro que por vezes podemos arriscar um pouco, mas atentos e sem pruridos quanto a tomar decisões do tipo: não me está a agradar e vou-me já embora porque "há mais marés que marinheiros".
O mar, segundo os mais avisados, é um dos maiores cemitérios de gente valente.

Mas, muito sinceramente, nada como um dia com vento qb, pouca vaga e já agora um pouquinho de Sol. Nestes dias, a beleza, o conforto, a qualidade e quantidade de escolhas de pesqueiros, a maior certeza de fundeio e o prazer de exercer o acto de pescar em segurança, contribuem fortemente para nos sentirmos abençoados por poder estar no mar e consequentemente para os resultados da pescaria, independentemente de alguns conceitos que apontam para melhores resultados em dias de mar mau, coisa que, podendo ser verdade, até agora não me convenceu.


Conjunto barco motor e palamenta:

Se há domínios onde até poderemos ter algumas desculpas, poucas, relativamente a capacidades de interpretação da informação, no caso do nosso barco, motor e palamenta, as ditas desculpas não são aceitáveis.
Por tal, a verificação dos níveis de fluidos, correias de ventoinha do alternador e bombas, escorridos suspeitos do motor e seus elementos, sujidade nos filtros decantadores de combustível, entradas de água salgada por aqui e por ali e até se possível, quando o barco está a nado, verificar, no caso de barcos com transmissão por linha de veios, se nada se enrolou no veio e no hélice na nossa ausência; são acções essenciais que, não garantido que se verifiquem outros problemas, prevêem à partida os que possam ser causados caso se verifiquem algumas destas situações à primeira vista.
Quanto a comportamento em navegação e considerando velocidades diversas... a aceleração, a desaceleração, a manobra, as reacções com vaga de frente, de través, de popa, com cachão grosso, com vaga larga, a posição em que se coloca quando em deriva, o barulho correcto do motor, outros barulhos normais..., são características que temos a obrigação de dominar quase de olhos fechados, no sentido de assegurarmos uma governação segura, tanto para nós, quanto para os companheiros que connosco vão, por cujas vidas somos responsáveis, assim como para podermos identificar rapidamente qualquer anomalia que também possa colocar em causa a segurança a bordo na ida para o mar, nas operações de fundear e alar ferro e na volta ao porto. Quanto maiores forem as nossas capacidades neste domínio, mais libertos ficaremos para resolver com eficácia qualquer situação inesperada, sempre passível de acontecer, em quaisquer condições e em qualquer momento fora da segurança do porto.
Relativamente ao comportamento, quando fundeado, devemos conhecer, como reage o nosso barco, principalmente em situação de vaga atravessada, de modo a mantermos uma postura, sentado ou em pé, que minimize desequilíbrios e desconfortos que tais movimentos costumam produzir, tanto no que respeita à vaga normalmente existente, quanto àquela criada pela passagem de barcos grandes, à qual devemos estar atentos, no sentido de nos salvaguardarmos de balanços inesperados e podermos avisar os nossos companheiros, eventualmente distraídos em acção de pesca, do que vai acontecer.

Relativamente a deslocamentos dentro de barco fundeado, nomeadamente quando este está a mover-se ao sabor da vaga, deveremos fazê-los agarrados aos varandins, se possível, sempre com as pernas afastadas e semi flectidas para melhor nos equilibrarmos ou reagirmos a qualquer balanço que possa provocar desequilíbrios inesperados. Já no que se refere a deslocamentos de companheiros com o barco em andamento, estes nunca deverão ser efectuados sem que o mestre da embarcação tenha conhecimento dos mesmos, sendo preferível que não se verifiquem.
Em navegação, deverá o mestre evitar a todo o custo manobras bruscas - mudanças de velocidade e de rumo - sem prévio aviso aos companheiros a bordo.
Quanto a deslocamentos do mestre, largando o leme, só deverão acontecer com o barco parado, ou se houver um companheiro a bordo que o conduza a baixa velocidade enquanto tal acontece.
Nas manobras de saída do fundeadouro ou amarração e chegada aos mesmos, deverá ser libertado o espaço para a efectuação das mesmas, cabendo tais trabalhos ao mestre, marinheiro ou companheiro conhecedor indicado pelo mestre. Num barco não há democracia, só respeito e quem manda ou decide é o mestre, ou na impossibilidade deste, quem saiba manobrar a embarcação.

As operações de fundear e alar ferro, são outros momentos em que a segurança pode ser colocada em causa, principalmente se não se estiver perfeitamente familiarizado, respectivamente, com o comportamento do barco em situação de deriva ou com a manobra.
Ao largar ferro, o cabo fica à superfície e o barco, enquanto se posiciona, não pode de forma alguma, derivar para cima deste, sob pena de se enrolar no hélice. Este tipo de acidente, normalmente de fácil resolução no caso de transmissões fora de borda ou coluna, pode ser uma dor de cabeça no caso duma transmissão por linha de veios, obrigando a parar o barco e mergulhar para libertar o cabo do hélice, ou a pedir reboque, caso o mestre não consiga mergulhar para resolver o problema, sendo que para todos os efeitos terá, na maioria dos casos, de se cortar o cabo. No caso de tal acontecer na presença de condições agrestes de mar e vento, tudo se complicará, podendo facilmente provocarem-se acidentes graves, principalmente se o ferro estiver preso no fundo e enrolado no veio e hélice do motor, ficando o barco de popa à vaga e se torne difícil cortar o cabo.
Quando em situação de alar ferro, devemos ter os mesmos cuidados, ou seja, manobrar, nunca deixando o barco passar por cima do cabo, pelas razões anteriormente referidas, o que se consegue fazendo manobras largas e longe do cabo, principalmente se o estamos a fazer com o uso de bóia ou "balona", termo muito em uso para a bóia que suporta o ferro.

Os ferros e a quantidade e adequação de cabo constituem, na minha opinião, um dos mais importantes meios de segurança existentes a bordo pela razão de que, em caso de avaria da máquina, são a forma mais segura de imobilizar o barco enquanto não se resolva o problema ou chegue o socorro. Por estranho que pareça, e sem juízos de valor, em nenhuma das fiscalizações das muitas a que fui sujeito, tanto pela Polícia Marítima, quanto pela Guarda Fiscal, foram verificar se existia a bordo o obrigatório 2.º ferro.

Que ferros, que cabo e que quantidade?

Para pescar no mar o ferro mais adequado é o que se chama, na zona de Setúbal, o grampolim. Este elemento de fundeio e segurança, consta de um veio de preferência maciço, em inox ou ferro galvanizado, onde se aplicam 4 a 5 unhas nos mesmos materiais. Tem como função prender-se ao fundo aguentando o barco e libertar-se, quando puxado, endireitando as unhas que serão posteriormente levadas à mesma posição. Importa referir que, para um mesmo diâmetro de unhas, será mais difícil endireitá-las se forem mais curtas, desde que o seu comprimento assegure a prisão em condições de mar variadas.

O ferro que teremos em uso, deverá ter capacidade para aguentar o barco preso, até ao momento em que as condições de mar e vento que o endireitem e consequentemente coloquem o barco à deriva, indiquem que é hora de voltar ao porto, isto é, se este ferro não se aguentar é porque já está demasiado vento e ondulação para estarmos no mar.
O ferro que teremos como segundo ferro, deverá ser mais pesado, rijo e capaz de aguentar o barco fundeado em condições de mar adversas, servindo essencialmente como elemento de segurança e eventualmente como ferro a usar quando queremos fundear em terrenos mais macios que solicitem mais peso para que se enterre ou até umas pequenas chapas que aumentem a capacidade de prender em areia ou lodo.
Qualquer dos ferros referidos, não devem ter peso ou potência que estejam perto ou excedam a capacidade de o barco os endireitar à força de motor.

Para que tenham uma ideia de dimensões e pesos... no caso do meu barco que tem 7,35m x 2,88m, com motor dentro de borda, transmissão por linha de veios e um peso médio de 2.700kg; uso, como ferro habitual, um varão de 90cm de comprimento e 4cm de diâmetro, com unhas de 12mm de diâmetro e 45cm de comprimento.
O 2.º ferro tem a mais, um varão com os mesmos 90cm de comprimento, mas com 4,5cm de diâmetro e aplicação de chapas triangulares nas unhas que são iguais às do 1.º.

Apresento-vos os meus dois ferros:


A ambos, foram retiradas todas as rebarbas originadas pelos cortes de material, arredondadas e alisadas as pontas, para que com eles se possa lidar sem receio de cortes, encostos ou até quedas sobre os mesmos, situações em que, caso não se tomassem tais precauções, poderiam tornar-se fonte de acidentes de gravidade assinalável.  

No que respeita ao cabo, deveremos ter, pelo menos, um comprimento superior, em 2/3, à maior profundidade onde nos deslocamos ou pescamos. Isto para que possamos assegurar um fundeio efectivo, com condições de mar e vento variadas em situação de pesca ou de avaria que obrigue ao fundeio.

Quanto à espessura do cabo, uso três porções, ligadas da seguinte forma:

- Uma base de 200m, com 8mm de diâmetro; ligada a outra porção de +/- 100m, com 10mm de diâmetro; ligada por sua vez a uma ponteira de 15m, com 16mm de diâmetro.

Porquê?

- O cabo de 8mm aguenta perfeitamente o barco e as tracções para levantar o ferro, permitindo armazenar maior quantidade de cabo, atendendo à sua espessura.
- O cabo de 10mm, também pela sua espessura, é mais fácil de manusear e ainda mais resistente a tracções e abrasões, pelo que a sua quantidade é colocada na zona, no meu caso, de mais trabalho.
- O cabo de 16mm, é colocado desde o final do anterior, até ao ferro onde a possibilidade de corte aumenta significativamente quando se fundeia em pontões altos

A ligação ao ferro é feita por mãozinha protegida com sapatilho e manilha travada

O cabo é de polietileno... aquele que flutua. Quanto à cor, intervalo com brancos e verdes em cada porção, para ter a noção da quantidade de cabo largado. Este tipo de cabo é forte, relativamente barato e, por flutuar, permite um melhor controlo do seu posicionamento face ao barco, durante as manobras de alar e fundear. 

Em termos de outros barcos, maiores ou mais pequenos e considerando outras profundidades de trabalho superiores ou inferiores, deverão salvaguardar-se as devidas proporções quer de ferros, quer de cabo.

Meios de salvação, rádio comunicações e electrónica marítima:

Cada barco, face à área de navegação para que está legalmente autorizado por tamanho, características/normas nacionais, europeias e internacionais, terá obrigatoriamente a bordo um conjunto de meios de salvação e rádio comunicações adequado e com fácil acesso.
Sinceramente, concordo que todos esses meios poderão um dia ser necessários e funcionam como um seguro de vida se... quem comanda o barco e os companheiros souberem:

- Utilizá-los
- Localizá-los a bordo

Não quero com isto dizer que todas as pessoas que vão pescar em algum barco de MT ou de amigo, tenham obrigação de conhecer tudo isso, embora mal não lhes fizesse. O que quero dizer é que deverão ter noções mínimas de tal e, sem dúvida, conhecerem a localização dos meios referidos a bordo.
Esta, outra regra que sempre cumpro... quem for comigo à pesca pela primeira vez, é sempre informado da localização, pelo menos, dos coletes de salvação, da balsa, dos fumígeneos, dos extintores e da caixa de Primeiros Socorros, já que a bóia de retenida usada para lançar, no caso de "Homem ao Mar", está à vista de todos, como se vê na foto.


Para além da localização dos meios, importa colocar algumas questões, por exemplo:

- Quem já lançou um very light?
- Quem já acendeu um facho de mão?
- Quem já accionou uma lata de fumo?
- Quem já fez funcionar um extintor?
- Quem já vestiu correctamente um colete salva vidas?

Na verdade, cada um deles tem instruções de fácil leitura, mas sinceramente aconselho a que o façam, escusando-me a indicar em que situação, mas, de preferência, de forma legal e de maneira a não incendiar nada, interferir ou induzir em erro quem quer que seja.

E quanto ao rádio VHF?

Importa usar com parcimónia e de modo efectivo, falando o necessário, numa relação curto/grosso/educado, mas falando de vez em quando, cumprindo as regras e treinando para o dia em que possa vir a ser necessário dominarmos calmamente o aparelho e o que devemos fazer e dizer em situação de emergência, sendo para tal necessário ter memorizado: canais, expressões e comportamentos adequados, que me escuso de aqui referir, atendendo a que são conhecimentos que se adquirem em curso legalmente obrigatório mas, na minha opinião, muitas vezes carentes de treino continuado após curso.

Na verdade, podemos ter o barco cheio de meios de salvação e rádio comunicações, os cursos todos tirados com boa nota, mas se não treinamos e praticamos, quando precisarmos, eventualmente a coisa complica-se.

Sonda, GPS, Radar e Piloto Automático:

O uso adequado destes aparelhos, especialmente quando conectados entre si, aumenta significativamente a segurança a bordo, quando bem utilizados com esse objectivo, tendo em conta a quantidade de informação que nos avisa respectivamente de baixios, localização actualizada em cada momento, localização de outros barcos em caso de falta de visibilidade, conforto e libertação para resolução de problemas em navegação. No entanto, tal não significa que não olhemos o comportamento da vaga, em zonas de baixios, mesmo tendo a sonda ligada; não saibamos os rumos a seguir para o ponto onde nos dirigimos ou para voltar ao porto e os escolhos que podemos ter na rota, mesmo tendo o GPS a funcionar lindamente; não conduzamos com a atenção e velocidades adequadas, quando em situação de pouca visibilidade, mesmo com um bom Radar ligado; ou, abandonemos o posto de comando, sem controlo visual da navegação, porque temos um excelente Piloto Automático, conectado aos outros aparelhos.
Quando fizermos o contrário do acima sugerido, estamos a incorrer em riscos aumentados pelo excesso de confiança em navegação e, em qualquer momento, o acidente pode acontecer, apanhando-nos completamente desprevenidos.
Eu sei que é preciso ter azar, num mar tão grande, de na nossa rota se encontrar um destroço grande e duro, um contentor caído de um barco ou até qualquer outro mais pequeno, mas igualmente contundente em caso de colisão, meio submersos, não detectados pelo radar, mas que poderíamos ter visto se estivéssemos na nossa posição de governação, atentos ao mar. Mas, já aconteceu e pode tornar a acontecer. Valerá a pena arriscar?

Senhores dos nossos conhecimento, das nossas competências, prontos a aprender mais e cumprindo as regras legais e as ditadas pela aprendizagem contínua e bom senso, chegamos ao pesqueiro, fundeamos ou derivamos em segurança e iniciamos a acção de pesca, sem ou quase sem regras escritas...

Que regras estipular ou que cuidados ter?


A maior parte dos acidentes, mais ou menos graves, que tenho tido, testemunhado ou sabido que aconteceram, em situação de acção de pesca lúdica embarcada, estão muito longe de quedas à água, constando essencialmente de quedas no poço ou pancadas por aqui e por ali derivadas dos balanços do barco, cortes, anzóis espetados, picadas por espinhas de peixes diversos ou mordeduras destes aos menos avisados, mais descuidados ou apressados na acção em si.
Para muitos destes acidentes, por experiências vividas, contribuem fortemente, entre outros, os seguintes factores:

- Manuseamento deficiente de materiais
- Arrumação deficiente de malas térmicas, sacos e outros materiais a bordo
- Materiais inadequados à acção.
- Modo inadequado de transporte de materiais em navegação
- Vestuário e calçado inadequado
- Posturas em parado ou formas de locomoção, descuidadas, quando se vai à cabine ou ajudar um companheiro a outro lado do barco.
- Limpeza deficiente da superfície do poço do barco onde nos encontramos ou deslocamos, em acção de pesca ou navegação.
- Afastamento dos acessórios para subir o peixe a bordo ou libertá-lo dos anzóis, quando em presença de determinados peixes
- Desconhecimento sobre a perigosidade e forma de lidar com determinados peixes
- Falta de calma ou pressa na resolução de pequenos problemas.
- Excesso de confiança, a qualquer nível, do mestre e/ou do pescador.

Quem olhe para o conjunto de factores desfiados, até pode pensar: "este gajo é louco...", então agora vou para ali cheio de medo que me aconteça alguma coisa e tenho sempre que estar a pensar em tudo isto?
Ao que responderei: nem pensar!

Importa, quanto a mim e porque resolvi atirar-me para este escrito, chamar a atenção para tudo aquilo que já vi ser causa de acidente, complicar acerca de tal, o que já fiz, e tentar simplificar com um conjunto de regras que sigo, incutido por cada corte, cada queda..., sofridos na pele, observados ou acontecidos a outros.
Então vamos a isso...

Conceitos e regras, relacionados com materiais e arrumações a bordo:

- Deve proceder-se a uma escolha criteriosa de materiais, desde os necessários para fundear ao anzol, de modo a não ter excesso de itens a bordo e/ou materiais que pela sua inadequação possam provocar acidentes. Por exemplo, uma faca que ao ser largada, em cima de uma qualquer placa de corte de iscas, fique por norma com o gume virado para cima, não serve. Isto porque, em caso de uma reacção de apoio, derivada de um desequilíbrio provocado por balanços do barco, implicará certamente um corte profundo na mão ou área com que entrou em contacto.

- Todos os materiais deverão estar arrumados/colocados de forma a que os seus utilizadores, tenham acesso rápido, evitando baixar-se e levantar-se continuamente e com o mínimo de deslocação dentro do barco para os seleccionarem e utilizarem.

- As arrumações e colocações referidas, deverão ter como principal base de escolha o máximo desimpedimento do poço do barco e da zona em que cada um pesca, no sentido de evitar deslocações, contornando-os ou passando-lhes por cima, e, os consequentes tropeções que terão sempre consequências que não dominamos.

-  Em navegação, na ida, volta ou quando se muda de pesqueiro, os conjuntos cana/carreto, deverão sempre ser transportadas, de preferência, com os anzóis presos, sem chumbadas e colocadas em caneiros do tipo que se vê na figura...  


... na ausência destes, o transporte deverá efectuar-se de forma a que não escorreguem, caiam ou deixem sair os anzóis, contribuindo, quando não se tiverem estes cuidados, para situações do tipo: chumbadas que balançam e acertam em alguém ou alguma coisa; anzóis que se espetam por aqui, por ali ou em alguém, e, talvez ainda mais grave, suscitarem a reacção rápida e reflexa dos seus proprietários, no sentido de as salvarem, acabando eventualmente estes por ficarem sujeitos a quedas graves e a tudo o que estas possam originar.

Conceitos sobre vestuário:

- Quanto a vestuário, deverá ser leve, com elementos frescos e mais quentes, em camadas sobrepostas e fáceis de vestir ou despir, de forma a que possamos ir despindo ou vestindo, conforme as temperaturas forem subindo ou baixando ao longo do dia.
Outra condição me parece importante... deve ser minimizado o aumento de volume corporal, assim como partes muito largas ou penduradas e apetrechos do tipo corta unhas, tesouras, facas, desembuchadores..., amarrados e a caírem pendurados, sem controlo sobre as suas prisões por aqui e por ali. Até pode ser giro para a foto, mas não é funcional e, mais dia, menos dia, vai tornar-se perigoso.
Quanto a calçado, dependendo do barco, deverá ter boa aderência, ser leve, relativamente impermeável e fácil de retirar. Sapatos de desporto velhos, botas de mergulho ou Crocs de Verão ou Inverno, são os meus preferidos.
Pescar descalço ou com chinelos abertos, mesmo no Verão com mar calmo e calor, é desafiar a sorte quanto a golpes e bocados de carne a menos originados por tropeções por aqui e por ali; espinhas de peixes que se espetam devido a peixe que possa cair do anzol ou que estrebucha no convés; já para não falar de uma Moreia ou Safio que entre a bordo, entre outras inúmeras possibilidades.
O chapéu, essencial em todas as saídas, na minha opinião, deverá ser de aba larga, fresco para o Verão, quente para o Inverno e nesta última condição coadjuvado por barrete ou capuz de uma Sweet-shirt, para os dias mais frios, tapando assim o pescoço.
O impermeável, deverá adequar-se mais à protecção da água que à protecção do frio, atendendo a que a roupa por baixo, tratará desse assunto, mantendo assim vivos os conceitos de leveza e mínimo aumento de volume corporal.

Conceitos sobre postura em acção de pesca e deslocações a bordo:

- Sobre as posturas corporais, principalmente em situação de pescar em pé, de deslocações dentro do barco, execução de manobras de fundear ou alar ferro e independentemente das condições de mar e vento, deveremos ter sempre em conta o seguinte: assegurar que a nossa base de sustentação é larga e de alguma rapidez de reacção, sendo que para tal as pernas deverão estar sempre com algum afastamento entre elas, com alguma flexão ao nível dos joelhos e com um pé ligeiramente à frente do outro. Se nos habituarmos a ter estes cuidados, aumenta significativamente o nosso equilíbrio em qualquer situação surgida a bordo, principalmente quando não conseguirmos apoiar-nos em cabines, varandins ou outras pegas disponíveis para o efeito, as quais deverão ser sempre utilizadas quando existentes ao longo da deslocação que vamos fazer.

Conceitos sobre cuidados a ter na relação com as capturas:

- Ao entrarmos num barco, devemos de imediato verificar a aderência ao chão que pisamos, limpando-o ou exigindo a sua limpeza caso esteja escorregadio.
Também após a captura de determinados peixes, tanto pelas suas características, quanto pelo facto de terem libertado sangue ou outros fluidos, deveremos lavar a zona afectada e verificar se continua aderente.
Principalmente com Safios, Moreias e Raias, a limpeza da zona onde caíram e com eles lidámos vai ter de ser obrigatória devido às substâncias relativamente fluídas, viscosas e escorregadias que sempre libertam. No caso de outros peixes, pelo menos a verificação deve ser feita.

- Na lidação com as capturas, desde a subida a bordo, até à colocação na mala térmica, deveremos ter em consideração que, entre outras situações, qualquer peixe poderá provocar-nos, cortes, espinhas ou anzóis espetados, dentadas mais ou menos graves e até, em alguns casos (Peixe Aranha, Rascasso...), picadas venenosas que nos podem levar a consequências graves, impossibilitando-nos ou diminuindo-nos a capacidade de reacção para quaisquer outras situações que possam acontecer.
Para prevermos problemas deste tipo, devemos antes de mais ter à mão os seguintes materiais:
- Uma faca bem afiada, que espete, com uns 15cm de lâmina grossa, que não se feche e que ao ser largada em qualquer superfície mais ou menos plana não fique com o gume virado para cima. Uma faca deste tipo, assegura que poderemos lidar com qualquer peixe, independentemente das suas dimensões, sabendo que não parte a lâmina, não se fecha se tivermos de com ela espetar o peixe e que a nossa mão ficará com um afastamento razoável dos movimentos do peixe. Se for um pouco maior, também não se perde nada.
- Um alicate de pontas direitas ou torcidas, forte e com uns 25 ou 30cm, para retirar anzóis ou agarrar certos peixes pela boca, mantendo-os afastados de nós.
- Um pano grosso e de dimensões consideráveis que servirá para limpar o chão e para podermos envolver os peixes, enquanto lhe retiramos o anzol da boca, diminuindo as hipóteses de nos espetar espinhas ou o anzol, ao escorregar da mão. Este pano poderá ainda servir para apoio quando libertamos a linha que se prendeu ao fundo, se bem que, quando a lidar com linhas mais potentes, o uso de luvas grossas será o mais indicado. Também um outro pano com o qual limparemos as mãos continuamente, para que não escorreguem ao manusear materiais.
- Um desembuchador de anzóis, considerando a sua utilização para peixes até 1 a 1,5kg.

Na lidação com peixes mais pequenos, principalmente Sarguetas, Ganopas e Peixes Piça é aconselhável, agarrá-los após envolvidos pelo pano e retirar-lhes o anzol com a outra mão, usando ou não o alicate ou o desembuchador, conforme a situação em que vem espetado. Estes são peixes que facilmente nos espetam as suas espinhas e, no caso do Peixe Piça, por ser muito escorregadio, é usual escapar-nos da mão, espetando-nos o anzol durante esse movimento.

Quando em situação de peixes maiores, como os Safios, Moreias, Pargos, Douradas e outros, há um primeiro cuidado que sempre deveremos ter: ao chegarem à superfície e, durante a luta final, enquanto não suportados pelo enxalavar ou bicheiro, podem soltar-se ou partir a linha que, em tensão e funcionando como elástico, disparará a chumbada e anzóis para cima a uma velocidade significativa podendo provocar acidentes graves ao pescador em luta ou a outros que estejam ao lado e se ponham a jeito. Também a pescar com amostras, tal facilmente poderá acontecer, acrescendo a gravidade quando mais pesada for a amostra ou o peixe do qual esta se liberta. Portanto, tanto o pescador, quanto quem esteja a ajudar, deverão desviar a cara e os olhos da trajectória possível e estarem atentos para se defenderem desta possibilidade.
No caso dos Safios e Moreias, todos os barcos deveriam ter a bordo um bidon alto de boca larga e fechada face ao seu diâmetro máximo, onde estas espécies seriam directamente depositadas, logo que elevadas ao poço, sendo o estralho cortado. Uma acção deste tipo evitará perdas de tempo e riscos desnecessários, decorrentes das loucas movimentações, características destas espécies, assim que caem no poço de pesca.
Os Pargos, Douradas e outros, poderão ser depositados no poço, usando-se o pano grosso e o alicate para a sua libertação ou o corte do estralho caso venham embuchados.
Quando se pretenda tirar foto, é importante aguardar que percam um pouco de vida e nunca introduzir as mãos muito dentro das guelras, sob pena de cortes importantes, quando estes peixes ainda vivos afastam e apertam os opérculos e se movimentam. Caso um dia capturem um Robalo é bom que os menos informados saibam que os opérculos destes, para além do movimento, têm espinhos distribuídos ao longo da sua orla, sendo que tentar agarrá-los por aí, quando em vida e com mãos desprotegidas, equivalerá a golpes importantes.
Sobre outros peixes, haveria ainda muito a dizer acerca de cuidados de segurança, coisa que não vou fazer por aqui, tendo unicamente deixado alguma informação sobre os mais usuais, no sentido de chamar a atenção, em termos de segurança a bordo, para o conceito relacionado com a necessidade de adquirir conhecimentos sobre as espécies com que poderemos, passo a passo, vir a lidar.
Se não se conhecer determinado peixe, há que assumir e perguntar. Não vale a pena arriscar.

Conceitos relacionados com o comportamento do mestre e/ou pescador:

Não menos importantes que tudo o que atrás se falou e tendencialmente muito ligados ao conhecimento, competência e bom senso, são os conceitos sobre os comportamentos a bordo talvez os que influem mais na segurança.
O pescador e o mestre, com responsabilidades acrescidas para este último, devem comportar-se com calma, sem pressas e sem excessos de confiança ou "valentias parvas", tendo em conta que todos estão em contínua aprendizagem e que em algum momento serão confrontados com situações novas que terão de resolver, através da leitura destes imprevistos e necessária resolução com base nos conhecimentos competências e bom senso adquiridos até ao momento. Para tal importa ainda que estejam nas melhores condições físicas e psicológicas possíveis, sendo adequado:

- Não se alimentar de forma copiosa e demasiado "regada" no dia anterior
- Libertar fezes, antes de embarcar (desculpem a franqueza)
- Cumprir horas suficientes de sono
- Moderação ou ausência de consumo de álcool durante o tempo que se está no mar. Se houver um acidente, para além de lidar com ele, ter-se-à de lidar com quem quer que não esteja na posse de todas as suas faculdades físicas e mentais. Principalmente neste caso, o mestre terá responsabilidades acrescidas.

Para além de tudo isto que, pessoalmente, me obrigo a cumprir, ainda uso - por obrigatoriedade legal recente e mal grado me aumente o volume corporal e bata em tudo o que mexe ou está parado, tornando-se extremamente incómodo e na minha opinião, fonte de acidentes a bordo - o auxiliar individual de flutuação, sobre o qual já emiti opinião em artigos anteriores, não cabendo na minha visão de bom senso quando aplicado à acção de pesca lúdica embarcada, com várias pessoas a bordo e exceptuando incapacidades individuais de vários tipos, nomeadamente, não saber nadar ou estar muito pouco familiarizado com o meio aquático.


Muito fica por dizer sobre segurança, esperando no entanto que o que para aqui fui escrevendo contribua para realçar pormenores relacionados e principalmente a necessidade de ordenarmos conceitos e consequentemente melhorarmos comportamentos a exibir antes, durante e após a prática da nossa actividade

Mudando de assunto, mas muito bem comportado e cumprindo com as regras legais e as que, não estando escritas, por aqui desfiei, as pescarias foram andando desde a última entrada até este último Sábado, atacando principalmente os Pargos e Douradas que já começam a dar um ar da sua graça, caindo mais à Sardinha, ou por efeito desta, do que ao Caranguejo, deixo-vos com as imagens...

O João Martins e o seu Sargo Veado:


A Dourada do Zé Beicinho, num dia em que elas andaram por lá, pode dizer-se... com alguma regularidade.


O Zeca e uma das suas Douradas:


O Maior do dia, pela mão do Zé Beicinho:


Um dos quatro que calharam ao "Gajo do Sapato" (dois da mesma "equipa" e dois mais pequenos):


O Nuno Mira, com um Sargo de bom tamanho...


... e também com uma douradita:


Douradas que entraram, em todos os dias, já com a tarde bem lançada, permitindo olhar o Por do Sol...


Finalmente, a cereja no topo do bolo, com este Pargo Dourado, capturado pelo Tózé.


Foram boas pescas, sem serem extraordinárias, muito sofridas por via do peixe miúdo, sempre activo, obrigando-nos a usar iscas grandes de Sardinha e Caranguejo que consumiam em segundos, permitindo entradas de peixe intervaladas que compuseram caixas bonitas e sempre com condições climatéricas magnificas.

Quanto ao uso dos auxiliares individuais de flutuação, todos cumprimos com a lei, excepto no momento das fotos, em que os retirámos unicamente por questões estéticas, sendo o Zeca o único que quis mantê-lo em imagem. Considerando a falta de regulamentação, o estado do mar que se verificava e o não estarmos em acção de pesca enquanto tirávamos fotos, espera-se que daí não venha mal ao mundo!?

Sobre o assunto principal desta entrada, fica claro que, na minha opinião, importam muito mais os comportamentos responsáveis, baseados no conhecimento, competência e bom senso que aqueles ditados unicamente por algumas leis que não educam, antes nos tentam fazer sentir rapazinhos mal educados e irresponsáveis.


Boa tarde a todos os leitores

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Mundial de Pesca Embarcada de Alto Mar e... leiam por favor.


Não sou muito ligado à competição de Pesca de Alto Mar, em Barco Fundeado; mas, respeito o esforço dos atletas, dos organizadores, patrocinadores, marcas, importadores, lojistas, apoiantes, em suma, de todos aqueles que trabalham em prol da modalidade e da competição a ela ligada.

Não bastava a pouca divulgação que teve este evento, obrigando-me a uma "mea culpa" por também não ter falado no assunto por aqui; mas, eis senão quando, o jornal "Record", coloca a notícia que se segue:


Depois de ter conhecimento da mesma, através duma publicação no site Porto de Abrigo, senti necessidade de falar sobre o assunto.

Repare-se que a foto é de um momento de eventual competição de águas interiores, contra o que nada tenho, mas certamente não gostariam os pescadores presentes de ter uma imagem dum grupo de pessoal, num barco, a pescar no mar, ilustrando este seu momento.

Se repararem, as fotos estão indicadas como sendo cedidas ou pertencentes à Federação Portuguesa de Pesca Desportiva, devendo antes ter sido cedidas por, ou solicitadas a: Federação Portuguesa de Pesca Embarcada de Alto Mar.

Não faço ideia como foi isto acontecer, mas o jornalista, mesmo que não seja pescador, se tivesse com algum cuidado e atenção, veria certamente que a foto nada tem a ver com alto mar ou embarcações, pelo que me atrevo a dizer que esta notícia passa, entre outras nada boas, a seguinte imagem: quem a montou e quem a deixou publicar, são incompetentes. Talvez sim, talvez não... mal me quer, bem me quer.

Outra imagem que passa, tem a ver com a pouca importância dada à modalidade pelo dito jornal, não retirando tal, o rótulo de incompetência deixado anteriormente no ar, o qual, só falta colar definitivamente.

A notícia é pequena e rápida... ao menos podia ser ilustrada de forma profissional e competente, face à modalidade e à importância do evento para os seus praticantes que... merecem respeito como qualquer outro atleta de alta competição.

Já desabafei sobre este assunto e antes de me despedir quero deixar os meus sinceros parabéns aos Atletas Portugueses, pelo honroso segundo lugar, fruto certamente de muito trabalho, muita dedicação..., bem visíveis, atendendo às excelentes prestações a que nos têm habituado.

Boa noite a todos os leitores.