terça-feira, 26 de agosto de 2014

Alterações, frequência de pesca e comportamentos.


Olá a todos! Há quanto tempo…

É verdade boa gente… nunca tinha acontecido um tão longo período sem escrever, mas o certo é que a vida nem sempre corre como gostaríamos e o impensável acaba por acontecer.
Digo impensável porque de facto não me passava pela cabeça que alguma vez pudesse estar tanto tempo arredado do convívio que tenho vindo a estabelecer convosco através de alguma regularidade de escrita neste local.
O certo é que aconteceu, muito devido a menos dias de pesca que os habituais, assim como resultados a condizer com a pouca frequência de acção de pesca.

Para além de pouca pesca, e sem que tal possa ser encarado como um drama ou desculpa no que respeita a resultados, verdade também que me deixei enrolar numa quantidade de actividades pesadas, mal remuneradas e demasiado seguidas, não me permitindo pescar sossegado e sem interrupções como era hábito. Mas calma… enquanto há vida e saúde, tudo acaba por se resolver.

Não adianta escrever muito mais sobre história… a pesca está a acontecer, os resultados, embora sem grande expressão, estão a voltar e esperam-se novidades em próximos relatos. Entretanto passo a contar-vos o que se tem passado até às últimas.

Pargos e Douradas, muito poucos e de tamanhos que, para ilustrar conversa, abrem espaço a fotos como as que se seguem, em início de Abril, com umas quantas Douradas, capturadas numa água de um verde dúbio e aqui apresentadas pelo Mário Baptista…


… e pelo Zé Beicinho.



Em dia de meados de Julho, a solo, consegui o Parguito que se vê, aceitável, mas certamente neto daqueles que procuro e por vezes encontro.


Este ano de 2014, iniciado com mau tempo assinalável e aliado a  alterações de trabalho e vida, tornou-se, no meu caso, um dos mais irregulares que me lembro no que respeita a saídas de pesca, fazendo-me pensar seriamente nas relações entre regularidade de resultados, frequência de saídas de pesca e alterações comportamentais dos pescadores sujeitos a tais variáveis, assim como em alterações climáticas com eventuais consequências no que respeita ao comportamento dos nossos interlocutores – os peixes – tanto no que se refere a alimentação, quanto aos locais que frequentam, atendendo a que também estes se podem ter alterado devido às fortes tempestades do início do ano… será?

Alguns factos:

As capturas apresentadas, aconteceram em dias intervalados por outros em que nada funcionou e nem cheiro de peixes de melhor qualidade se sentiu, embora os processos normalmente com sucesso que por aqui tenho vindo a descrever, tenham sido aplicados e diversificados à exaustão.

Comentarão alguns de vós: “querias o quê… carregar todos os dias?”

Ao que responderei: nem pensar!
No entanto sentiu-se uma dificuldade, nitidamente acima da média, em conseguir resultados face às condições encontradas de sondagem, fundeio e acção de pesca, numa quantidade significativa de pesqueiros e diversificando as técnicas em uso.

Relativamente a condições de mar e vento, têm-se notado algumas alterações, como por exemplo, aguagens em locais onde antes nunca as tinha verificado, ficando a pergunta: nunca me apercebi de tal por não ter estado lá quando aconteceram ou existem de facto alterações?

Por outro lado, como já referi, este foi o ano em que pesquei de forma menos regular, quer quanto a quantidade de dias de pesca, quer quanto a estar na pesca a pensar só nessa acção, tendo sido frequente ter situações contínuas de trabalho para resolver enquanto pescava… mau para a pesca, principalmente.

Por sua vez, a dificuldade em obter resultados tende a baralhar-nos no que se refere à classificação que fazemos das zonas de pesqueiros que testamos.

Considerando o referido, depara-se-nos pelo menos uma trilogia de variáveis algo difícil de gerir:

- Alterações de condições de mar, temporárias ou não, passíveis de modificar comportamentos de alimentação e locais frequentados pelos exemplares que se perseguem.
- Diminuição de frequência nas saídas de pesca e consequente dificuldade na análise de resultados que se procuram.
- Alteração nos nossos comportamentos decorrentes da influência das duas variáveis anteriores, tendentes a fazer-nos deixar de acreditar momentaneamente em processos, pesqueiros, iscas, técnicas... que temos ou tínhamos como produtivas.

Mas deixemos falar os resultados...

12 de Julho: Um dia a solo a actuar sobre um fundo de 40 metros, fim de pedras não muito altas, início de um extenso limpo com alguns entralhados onde caíam as iscas. Um pesqueiro conhecido como frutífero nesta época, em outros anos, escolhido na mira dos Pargos grandes, após tentativas infrutíferas  em outros pesqueiros no dia anterior.
Como características do dia, apresentava uma aguagem significativa em direcção ao limpo, nunca em outras incursões observada neste pesqueiro.

Uma cana na mão com dois estralhos iscados com postas de sardinha que em poucos minutos, senão por vezes segundos, eram roubados por peixe miúdo, indicando actividade no pesqueiro e peixe que vindo do limpo procurava alimentação e abrigo junto à pedra, condições normalmente ideais para a entrada de predadores.
Monta-se uma cana com chumbadinha que se coloca em acção após uma meia hora, iscada com sardinha inteira, pretendendo outra apresentação de isca e também um tamanho de isca passível de aguentar mais tempo os ataques do peixe miúdo, em prontidão para receber interlocutor maior que se apresentasse.

O tempo vai passando, na cana com a montagem de dois estralhos, o roubo de isca é continuo, na de chumbadinha, nem tanto, embora as sardinhas inteiras acabem por desaparecer ficando unicamente a espinha, ou nada.

As Choupas dão um ar da sua graça, brilhando pela diversificação de peixe que vai chegando ao pesqueiro e, não tarda muito, entra um Parguito com perto de quilo, sinal costumeiro de coisas melhores que vão acontecer... mas nada. Durante mais de uma hora de pesca só o roubo é uma constante, Pargos, nem mais um... estranho comportamento!?

O pesqueiro continua activo, até demais, mas peixe grande nem vê-lo. Decido colocar iscadas de sardinhas inteiras e meias na pesca com dois estralhos e trabalhar com a cana da chumbadinha na mão.
Isco, lanço para longe, na direcção da aguagem, deixo sair linha livremente, mesmo depois da chumbada assentar no fundo e brinco com a sardinha, puxando e largando, até que numa das vezes vejo a linha sair mais rápido que o habitual, baixo um pouco a cana, dou à manivela e ferro... sinto o peixe que acho razoável, mas não me parece Pargo por cabecear pouco, nem Cavala grande atendendo à ausência das habituais tremideiras. Algum tempo passado e sai-me o Robalo da foto, com um pouco mais de 50cm.


Convenhamos que não sendo inédito, não é muito normal, mas aconteceu.
Lembrei-me então dos tempos de caça submarina e dos cardumes de Robalos que, ali por Sines, levavam por vezes horas a passar e insisti.

Nova sardinha, novo lançamento, vá de largar e puxar linha, subir a baixada com pouca ou nenhuma isca e insistir, até que, ao fim de meia dúzia de tentativas, outra vez quando largava linha, esta foge com maior rapidez. Dou algum tempo, ferro e tenho luta maior, indicando melhor exemplar que saiu desta vez com 4kg e umas gramas, fazendo valer os raciocínios anteriores.

Aqui o têm:


Sobre os resultados deste dia, conseguiram-se duas Choupas que foram devolvidas, alguns Carapaus para o jantar, algumas Cavalas que serviram para iscar também sem frutos, um parguito que tinha pouco mais que um quilo e os dois Robalos.

Em modo de análise, pode dizer-se que:

- O pesqueiro evidenciou os habituais sinais de que entrariam Pargos, mas decididamente enganou.
- Os inesperados Robalos, tudo indica, entraram fruto da diversificação técnica, no caso... a Chumbadinha.
- Os Pargos, possivelmente neste dia, não andariam por estas paragens, não foram atraídos pela esteira cheirosa da sardinha usada ou andaram por ali e tinham outros interesses, eventualmente vivos.

Poderão os leitores questionar: então... Robalos não prestam? Com certeza que sim... mas quantas vezes acontece isto a pescar ao fundo? E no dia seguinte... seria de apostar outra vez nesta zona procurando Pargos?

Achei que não e resolvi sair das baixas profundidades e procurar fundos mais importantes, talvez os vermelhos andassem por lá, contra o que habitualmente acontece nesta época.

13 de Julho: O dia do Zé Beicinho, em que procurámos fundo os objectos da nossa cobiça.

Lá fomos para fora, em busca de zona funda, perto de pedra alta, grandes variações de profundidade e aguagens que deixassem pescar. Encontrámos tudo!

Fundeámos lindamente, de maneira que as nossas iscas actuassem a 90 metros de profundidade, junto à beirada de um pontão que se elevava aos 60... melhor que isto, só de encomenda.

Como se tal graça não bastasse, os toques sentiam-se com alguma agressividade, indicando actividade intensa e fazendo-nos pensar: querem ver que é mesmo aqui que "eles" andam!?

A coisa prometia e o entusiasmo era grande a bordo... Fanecas, Carapaus e a Abrótea que o Zé aqui em baixo nos mostra, deram um primeiro ar de que algo ia acontecer.


Mas desenganem-se... usando as baixadas com estralhos e a Chumbadinha, capturámos 5 Abróteas destas, umas quantas fanecas e Carapaus azuis, um Parguito que nem ao quilo chegava ainda nos deu esperança, mas foi só mesmo essa que restou.

Analisando este pesqueiro, pode dizer-se que excedeu inicialmente as expectativas, atendendo aos sinais dos toques, acabando no entanto por se revelar nada produtivo em termos de Pargos, o que aliás costuma ser normal nesta época do ano.

Nesta altura dei comigo a pensar... agora que devia continuar a pesquisar, lá vou fazer outro interregno de pelo menos três semanas.

Bom... haja trabalho e saúde!

16 de Agosto: Retorno ás lides, agora com perspectivas de vários dias consecutivos de pesca e com a promessa de manter a regularidade de saídas durante alguns tempos... vamos ver!?

Os meus amigos Tózé, João Maria e Nuno Mira, fazem-me companhia neste recomeço, em que só a história recente e alguma não tão recente podem ser a base da procura, já que até as notícias de capturas lá por Sines não são nada boas.

A primeira escolha recai sobre uma zona de pesqueiros, na cota dos 45/50 metros, onde a sondagem se mostra interessante, sendo verdade que neste local e na mesma época do ano se conseguiram excelentes resultados com sondagens idênticas.

A fé é muita, mas, ao fim de uma hora e tal de acção, não se verificam melhorias na regularidade de ataque às iscas, antes o pesqueiro se torna morno e pouco credível, indicando-nos a necessidade de procurar outros fundos.

As opções eram  variadas, mas face à época do ano e ao aumento de vento esperado para a tarde, a escolha recaiu sobre um pesqueiro mais à terra, a 32 metros, garantindo assim abrigo e consequente aumento do tempo útil de pesca, caso o vento entrasse mais forte que o esperado.

A actividade revelou-se de imediato mais intensa, com muito Carapau branco e algumas Choupas a darem indicações sobre o interesse do pesqueiro, onde as iscas desapareciam rápido e os toques eram mais intensos.
A sardinha à posta aguentava-se muito pouco tempo, recorrendo-se a iscadas maiores e a filetes de cavala fresca para ter isca activa por períodos superiores. As capturas, não sendo muitas, nem enormes, foram acontecendo num ritmo relativamente espaçado, embora com momentos mais intensos, sempre por via da cavala fresca, única isca que mais tempo se aguentava face aos ataques dos "miúdos".

Entraram dois Parguitos e uma Bica, pequenos, depois foi a vez do Sargo do Tózé que aqui se apresenta... um bom exemplar, considerando a espécie.


Os Pargos mais jeitosos deram então um ar da sua graça, primeiro pela minha mão e depois pela do Nuno Mira com a captura do melhor exemplar...


... que aqui também se vê, enquadrado à la Croc, melhor entre pares. 


Nesta jornada, embora não tenham entrado exemplares maiores, pode dizer-se que o comportamento do pesqueiro foi positivo, atendendo a que os sinais e resultados convergiram e se enquadraram nos parâmetros da época, salvaguardando ainda que nunca saberemos o que aconteceria se temos pescado o dia inteiro neste pesqueiro.

17 e 18 de Agosto: Dois dias, em que fui com o meu amigo João Martins.

No dia 17 fomos directos ao segundo pesqueiro testado no dia anterior, encontrámos os mesmos sinais, mas convergência com resultados, nem vê-la. E não foi à falta de lá estarmos bastante tempo, percorrendo por excesso as horas menos e mais produtivas da jornada anterior.
Certo foi que, para além dos Carapaus, só algumas Choupas e dois Sargos razoáveis entraram, a cor vermelha, nem a vimos. Em desespero de causa, já batiam as cinco da tarde, fomos experimentar um pesqueiro mais fundo e por vezes positivamente surpreendente em fins de tarde.

O fundeio foi rápido, muito por tantas vezes já lá ter pescado. Vindo o vento do quadrante Norte, com duas passagens o ferro vai ao fundo e fica-se a pescar onde se quer sem qualquer falha... até o cabo já lá tem a marca da zona onde amarra ao cabeço.

Encontrámos aguagem significativa e peixe a comer forte na aguagem. Bom sinal... pensei para comigo.

O peixe comia rápido... Bogas monstruosas, Carapaus e Cavalas ficavam no anzol de cima, pelo que resolvi retirá-lo e ficar só com o anzol de baixo, cujo estralho aumentei para 150cm, iscando com sardinha inteira, do rabo para a barriga após cabeça retirada. Também a cana com montagem de chumbadinha foi colocada em acção com cavala, em vez de sardinha, considerando o rápido roubo por esta sofrido.

Os Carapaus entravam de vez em quando, junto com uma Choupa ou outra e só um Sargo de bom tamanho fez valer esta aposta de fundeio que resolvemos interromper dado o adiantado da hora, mas pensando que face aos sinais encontrados, este seria um pesqueiro a testar mais cedo e durante mais tempo no dia seguinte, caso não conseguíssemos capturas em outros locais.

Sobre os resultados do dia, pode dizer-se que o pesqueiro anteriormente produtivo, em condições de mar e vento e sinais idênticos, utilizando as mesmas iscas, processos e sem razões ou alterações aparentes... não resultou! Porquê?
Não faço a mínima ideia, no entanto algo se alterou.
Em contrapartida, surgiram hipóteses no segundo pesqueiro deste dia, certamente a testar com mais tempo no dia seguinte.

No dia 18, considerando os sinais e resultados verificados do dia 17, duas estratégias, entre outras, poderiam ser consideradas:

- Pescar no segundo pesqueiro a tempo inteiro.
- Testar primeiro um pesqueiro diferente e, caso os resultados não se verificassem, iniciar mais cedo a acção de pesca no segundo pesqueiro de dia 17.

Importa ainda referir que as estratégias apontadas, para além de considerarem o acontecido, não perdem nunca de vista a produtividade destas zonas, sobejamente testadas em outros anos, na mesma época, assim como a gestão do tempo útil de pesca e os gastos de combustível em deslocações mais longas e muitas vezes ainda menos produtivas, tudo indicando que nos fixemos na qualidade dos pesqueiros face às suas características de abrigo e comida e não na distância a que se encontram do porto.

A segunda estratégia foi a escolhida, muito por na maioria das vezes (e foram muitas) em que se testou o segundo pesqueiro de dia 17 a tempo inteiro, em 90% dos casos, só a partir das 15.00/16.00 horas se conseguiram bons resultados.

Resolvi então testar em primeiro lugar o pesqueiro onde em Julho tinha conseguido os tais dois Robalos, tentando perceber se as condições já eram outras e quem sabe os vermelhos por lá andassem!?
Estamos a falar de um pesqueiro, também sobejamente testado, com muitas e boas pescarias de Pargos grandes, para não falar de Douradas e Sargos legítimos, habituais frequentadores do local, ou zonas periféricas, não costumando resistir a um trabalho exaustivo com a Sardinha como isca.

Mais uma vez investimos tempo e isca, usámos camarão, cavala, para além da muita sardinha, mas embora os sinais dos toques e o roubo de iscas fossem constantes, certo é que os resultados foram parcos, resumindo-se a duas Choupas, alguns Carapaus e um Pargo pequeno que nos deixou água na boca.
Escusado será dizer que por volta das 15.00 horas já estávamos fundeados no segundo pesqueiro, cumprido a estratégia e determinados a consumar melhores resultados.

As condições apresentaram-se idênticas, para não dizer iguais às do dia anterior, inclusivamente a aguagem, em intensidade e rumo.
Uma cana na mão, com um único estralho de 150cm e anzol 6/0, iscado com sardinha inteira e uma cana com montagem de Chumbadinha a trabalhar no caneiro, por vezes também na mão, foram as armas escolhidas para desafiar a bicharada que em toques mais ou menos perceptíveis iam consumindo tudo o que se colocava nos anzóis, conseguindo-se até às seis e tal da tarde, um Sargo, um Pargo pequeno, a Dourada de quilo do meu amigo João e o maior exemplar... este Alfaquim que se estampou na sardinha inteira do meu único anzol da cana a pescar na mão com estralho de 150cm. 


O que dizer?

Os sinais e resultados observados neste último pesqueiro já muitas vezes quiseram dizer que, mais dia menos dia, ele nos vai surpreender... mas quando?

Tudo a bater certo, excepto as capturas... tem sido uma constante. E os maiores exemplares, onde raio param?

Pelos vistos tenho mesmo de mudar de zona!? No entanto, em Sines, as notícias de pessoal amigo que foi para bem mais longe, nos mesmos dias, também a pescar ao Pargo, dizem que os resultados são parecidos. Portanto há que insistir.

Dia 19 de Agosto: Os meus amigos João, Manuel e Braga vêm pescar e importa decidir para onde ir e o que fazer.
Ponho-me a pensar, em todas as zonas batidas, pensando que a fiabilidade das mesmas não justifica iniciar a pesca em qualquer delas, sendo preferível arriscar outro pesqueiro e quem sabe, à tardinha, voltar ao do Alfaquim... gostei dos toques e do que saiu, embora pouco. Nunca se sabe!?

Resolvo-me por um pesqueiro, meio esquecido, que há muito não frequento por se ter tornado durante algum tempo pouco produtivo, no entanto, considerando as características do mesmo, sabe-se que mais dia menos dia, em algum momento, nos surpreenderá positivamente.

O pesqueiro é formado por um pontão que dos 39 metros cai para os 46, no sentido Norte - Sul, alongando-se em entralhados neste mesmo sentido durante uns bons 100 metros, sendo que para o lado de terra é ladeado por pequenos pontões entre os 42 e os 45 metros. Uma delícia de fundo.

Larguei ferro um pouco para Norte dos 39 metros e dei cabo até que o barco ficou nos 46, verificando-se uma pequena mas prometedora aguagem, rumo a Sul e aos entralhados que por aí estão disseminados.

Os toques apareceram de imediato, assim como os roubos rápidos e contínuos, obrigando a trabalho árduo e ao uso, a par com a sardinha,  de cavala fresca em filetes, a única das iscas que se conseguia aguentar algum tempo no anzol, obrigando os pescadores a alguma atenção, tentando discernir toques desinteressantes, daqueles outros que podiam significar peixe mais sério que acabou por aparecer em quantidade e qualidade aceitáveis, proporcionando uma pescaria que não sendo nada de mais me pareceu agradável.

O João com o maior exemplar:


O Trio Alegre na companhia das melhores capturas conseguidas.


Algumas notas importantes sobre o dia:

- O pesqueiro, de algum modo, correspondeu em resultados aos sinais dos toques e às imagens de sonda, não me esqueço que um Pargo grande entrou à Sardinha, cabeceou e levou linha por duas vezes, acabando por cortar o estralho e fugir.
- O vento mudou e a aguagem parou, obrigando a reposicionamento do barco, após o que retornaram os sinais e foi capturado o melhor exemplar. A partir deste momento, talvez por efeito do desaparecimento da aguagem, o pesqueiro ficou morno em termos de capturas, salvaguardando-se a Dourada que o Manuel (campeão do dia) deixou passar ao lado... acontece.
- Ainda visitámos o pesqueiro do Alfaquim, onde encontrámos a forte aguagem e os roubos do dia anterior, mas Parguitos, só dois entraram e pouco mais.

À luz dos relatos e análises produzidas e tentando entender as influências da tal trilogia de variáveis, parece poder dizer-se que um pouco de cada uma delas tem contribuído para diminuir os resultados da Minha Pesca... ora vejamos.

Parece evidente que existem alterações que se espera sejam temporárias. Tal verificou-se pela inconsistência de resultados em pesqueiros diversos, considerando que aconteceram em dias seguidos com condições e sinais de toques idênticos, habitualmente fonte de sucesso e só verificáveis por uma frequência de pesca intensa.

Pode também dizer-se que a frequência de pesca tem uma influência significativa na percepção dos acontecimentos e ainda mais na presença de eventuais alterações que tudo indica se verificam.

Quanto aos processos em uso, sendo credíveis e funcionando habitualmente, encontraram dificuldades de serem aferidos face às alterações verificadas e à anterior falta de frequência de aplicação, podendo ter criado alguma confusão e dispersão nos meus comportamentos em acção de pesca.

Um factor sabemos ser constante... o peixe vive e alimenta-se no mar, em alguma hora e local de cada dia, onde nós pescadores queremos estar presentes com iscas e processos. O problema é que quanto menos vamos, menores são as hipóteses de entender essas movimentações em cada época do ano, em cada maré viva ou morta, considerando alterações de comportamento que normalmente acontecem.

Tentando concluir, parece-me importante perceber possíveis alterações, mas muito mais importante actuar sobre os pesqueiros em dias seguidos, em cada semana ou com a máxima frequência que a vida nos deixar e no caso da Minha Pesca, essa frequência sofreu este ano um abalo significativo.

Não me estou a queixar... antes a constatar o que acho serem factos.

Para já, parece que tudo vai normalizar, mas vamos ver o que a vida nos traz.

Uma boa noite a todos os leitores.

terça-feira, 25 de março de 2014

O Peixe não anda fácil, mas...


Não me canso de estar na situação da imagem de abertura, muito por só ver para a frente enquanto a máquina atinge a temperatura ideal para saltar para os habituais 18 nós de velocidade, com rumo feito à primeira zona escolhida onde quero colocar iscas na água, desafiar os peixes que gosto a morderem o que lhes apresento e a lutarem comigo.

É um momento alto do dia... tudo o que fica para trás não interessa, olho o mar, sinto-lhe o cheiro, observo-lhe o comportamento, oiço o ronronar certinho do motor e todos os outros barulhos conhecidos que me dizem estar tudo bem.
Revejo mentalmente a zona onde vou iniciar a pescaria, os seus fundos característicos, e tento adivinhar se haverá corrente e qual o seu rumo, imaginando cenários variados face às condições diversas que mentalmente vou desfiando, construindo, sabendo de antemão que só quando chegar poderei decidir o que fazer, podendo ou não acertar à primeira com o fundeio. Mas tudo isto me desafia, aguçando-me os sentidos e isolando-me de tudo o resto, em momento muito meu.

Os pensamentos continuam em torno da época do ano, exigente na procura, obrigando a pescas mais profundas, onde os cuidados relacionados com o fundeio e o esforço a desenvolver aumentam significativamente, mas se tornam obrigatórios se quisermos encontrar aqueles maiores que se procuram. Aviso o Jorge Nice, meu companheiro deste dia e dou força à máquina, sabendo que em 15 minutos estarei no pesqueiro, pronto a desvendar a posição em que o barco vai ficar para que as iscas caiam onde queremos.

Chegamos e a sonda começa de imediato a fornecer imagens conhecidas... de contornos, estruturas de fundo e da vida que por lá anda.

O fundo assemelha-se a uma montanha estreita e com algum comprimento, tipo cordilheira, mais ou menos orientado de E para W e começo a sondar as vertentes de Norte para Sul e vice versa, batendo-as em rumos paralelos.
Detecto o fundo que me parece melhor para colocar as iscas a funcionar e preciso de saber onde largar o ferro para que tal aconteça... paro completamente o barco e enquanto preparo o ferro para lançar deixo que o barco derive ao sabor do vento fraco que sinto e da corrente que ainda não sei se existe. O GPS, traça uma deriva relativamente rápida, de SE para NW, em pouco tempo, indicando pela velocidade em que o traçado se desenhou que tanto o vento fraco, quanto alguma corrente, estão mais ou menos alinhados no mesmo rumo. Perfeito... dá um fundeio giro, penso para com os meus botões. Deixei-vos curiosos? Eu explico...

Esta cordilheira, tem bicos que, dum fundo de 86 metros, sobem perto dos 50, tanto para Norte, quanto para Sul; sendo que para Norte as quedas são abruptas e até alcantiladas em grande parte da sua extensão, enquanto para Sul, são menos abruptas e a diferença de profundidades vai acontecendo em socalcos relativamente grandes e normalmente com vida.
Foi mesmo isto que a sondagem já me tinha mostrado e, procurando largar o ferro com a brevidade possível, coloquei-me em cima do bico mais alto, aproei contra o rumo da deriva (SE) e fui controlando as profundidades que caíram primeiro para os 62 metros, depois para os 72 a 76 num declive calmo e prolongado, logo a seguir para os 82 a 84 de forma também calma e, logo a seguir, abruptamente dos 84 para os 86, seguindo-se o limpo, onde após dar algum desconto larguei o ferro, esperando que corresse com a força da deriva e se fixasse no declive entre os 86 e os 84 metros, o que aconteceu.

Tal fundeio, considerando as distâncias, a corrente e a deriva, permitiam-me fazer o que queria, ou seja, colocar uma baixada com dois estralhos compridos e chumbada mais pesada a pescar no socalco dos 84 a 82 metros e explorar o dos 76 a 72, com lançamentos duma baixada à Chumbadinha, cobrindo assim várias áreas de fundo, assim como vários tipos de iscadas em formato e tamanho, já para não falar de 10 a 20 metros da coluna de água que a baixada da chumbadinha explora lentamente, após chegada da chumbada ao fundo.

Outra vantagem desta opção de fundeio, prende-se com o que se pode chamar uma "engodagem de baixada para baixada". Isto é, considerando que a de dois estralhos, com chumbada mais pesada, fica a pescar mais perto do barco e a da chumbadinha mais longe, ambas alinhadas na corrente, se o peixe miúdo começar a desfazer iscadas como a da imagem seguinte...


... ou desta outra, ainda com mais comida...


... os cheiros libertados, levados pela corrente, acabarão por chamar a atenção de predadores que estejam mais afastados e que ou encontram primeiro as iscadas acima ou muito provavelmente dão de caras com esta outra - a da chumbadinha.


Ora digam-me lá se não é possível, sabendo nós que os socalcos que referi são sem dúvida locais interessantes para aqueles que se querem esconder e atacar de surpresa os mais pequenos que se passeiam em grandes grupos pelas paredes e em torno dos bicos destas elevações submarinas, alimentando-se dos nutrientes e pequenos seres que sempre se acumulam em torno ou por cima.

Pensa-se portanto, ter sido assim que alguns Safios de bom tamanho caíram numa e noutra baixada, dois Pargos de 1,5 a 2 quilos caíram nas iscadas da de dois estralhos e, da forma que se espera e por vezes não se alcança, passadas uma 3 horas de pesca intensa e atenta, a ponteira da cana com a baixada da chumbadinha teve um breve tremelique, seguido de uma cabeçada intensa e prolongada, luta a condizer e o prémio de 6,080 kg que a seguir vos mostro, vindo directamente do socalco entre os 72 e 76 metros.

O que andaria o "pardal", por lá a fazer? Certamente achou que tinha por ali calorias para ingerir a "baixo preço"!?


E foi como aconteceu caros leitores... desta vez funcionou, tem outras que não funciona e até acontece funcionar melhor. O problema é perceber porquê!?

Sinceramente, penso que o fundeio e a colocação das iscas, são os factores mais importantes, sendo que em certos locais, dias e respectivas condições de mar e vento, a coisa pode não funcionar tão bem.

Perguntarão alguns de vós: então e não podia ter fundeado de outra forma?

Ao que responderei: Podia e até é possível que fosse mais produtivo, mas pensa-se aposta-se, testa-se, observam-se os resultados e numa próxima vez logo se vê o que nos trás o dia.

Não se preocupem... entretenham-se para já com o que por aqui pensei, vamos conversando e na próxima eu conto.

Uma boa noite a todos os leitores.

domingo, 2 de março de 2014

Matar saudades com a pesca possível...


A evasão inesperada é sempre uma boa sensação... mas, para além desta, ir para onde quer que seja sem qualquer tipo de compromisso próximo, sentindo-nos donos do nosso tempo, a solo, gozando a nossa privacidade, são para mim um conjunto de circunstâncias que marcam momentos muito próprios, quando não raros, nas nossas vidas cheias de horas, compromissos, negociações, alterações de última hora e não sei quantas mais variações aceites por força do hábito e certamente, na sua maioria, dispensáveis.
A questão é que, invariavelmente, só depois de gozados estes momentos apuramos o sentido crítico para o conjunto de chatices com que nos habituámos a viver por força das diversas relações estabelecidas como base de sobrevivência neste mundo de "homens". Mas adiante...

Se conjugado com a evasão, temos na mira a pesca, também ela sem grande preocupação com horas e depois de mais de um mês e meio sem molhar o "dito cujo", então parece que todos os sinos do carrilhão se balançam em uníssono tocando música celestial. À falta de sinos, por não caberem no carro, fizeram-me companhia o Bob Marley, os Dire Straits, a Tina Turner..., enfim, gente do meu tempo.

Resumindo... uma delícia de viagem acontecida na passada Quarta Feira, sendo que, quanto mais me aproximava de Sines, com maior intensidade os pensamentos na pesca e no mar, para além dos relacionados com a condução calma, me povoavam a "caixa dos pirolitos"... tão bom!

Relembrei pescarias nesta época do ano, respectivos pesqueiros mais produtivos, não muito afastados, recentes e mais antigos, tentando eleger face às condições de mar e vento esperadas qual o primeiro a sondar e onde eventualmente fundear caso as marcações de sonda indicassem boas hipóteses de sucesso, tirando mentalmente alguns apontamentos.

A manhã do dia seguinte, embora cinzenta, acordou calma e pelo mexer do barco na amarração, tudo indicava que a vaga lá fora já tinha diminuído para níveis de conforto interessantes.

O meu amigo João Martins chegou, ultimámos os preparativos finais e andámos para o mar, tranquilamente, aquecendo a máquina antes de ir para a velocidade de cruzeiro, enquanto trocávamos impressões sobre o primeiro pesqueiro a testar sob a égide de indecisões decorrentes das alterações que os fundos possam ter tido por via das últimas agitações marítimas, tentando enquadrar estas com as habituais movimentações dos peixes na presente época.
Certezas... não as havia, mas sabíamos ser recorrente que peixe maior nesta época, tende a estar mais fundo e consequentemente mais afastado de terra, excepção feita a Sargos e às Douradas dispersas da época de acasalamento que poderão andar mais perto de terra e em fundos menos importantes.

Decidimo-nos por uma zona de pesqueiros que não visitávamos há muito tempo, onde outras pescas de qualidade já tinham tido lugar e para lá nos dirigimos.

Os fundos aparecerem no ecrã da sonda mostrando alguma actividade, principalmente onde caíam levemente, dos 60 para os 68 metros, fazendo com que arriscássemos o fundeio para testar a zona.

As iscadas de sardinha, assentaram lá em baixo e passado pouco tempo, sem que nada o fizesse esperar, cai um parguito pequeno, seguido de um outro ainda mais pequeno que o primeiro, ambos devolvidos ao mar de imediato.
As previsões mostravam-se interessantes, fazendo-nos pensar que os avós destes primeiros "vermelhuscos" pudessem vir também a comparecer, mas, não passaram de isso mesmo... previsões!

Claro que na altura não o poderíamos saber, atendendo a que os sinais continuavam interessantes com algum roubo de iscas e a subida de umas quantas Choupas azuis de tamanho considerável, o que íamos encarando como um mal necessário até que outros maiores e de cor diferente chegassem ou se decidissem.

A nossa insistência continuou até que o pesqueiro, em vez de melhorar, piorou, atingindo um ponto em que, durante espaços cada vez maiores, já nem as iscas comiam, indicando tal comportamento que os peixes que procurávamos e mesmo aqueles que de vez em quando subiam não estavam a reagir bem ao nosso trabalho, não estavam lá ou procuraram entretanto locais mais interessantes. Eram quase duas horas da tarde e evidenciava-se a necessidade de tomar decisões.

O tempo útil de pesca é, nestes momentos, um dos factores de peso a ter em consideração, atendendo a que uma má aposta certamente colocará em causa o sucesso da pescaria obrigando-nos a equacionar por exemplo que se fizermos uma deslocação longa, gastamos tempo; se o pesqueiro onde fundearmos precisar de ser trabalhado, mais tempo ainda necessitaremos; se nos afastarmos do porto, para além do consumo de combustível, maior será o tempo a despender na volta a casa e consequentemente, caso optemos por conjugar todos os factores apontados, estaremos a diminuir significativamente o tempo em que as nossas iscas actuam no fundo.

Com base nos considerandos anteriores, resolvemos então aproximar de terra para uma outra zona onde nesta altura do ano, embora não sejam habituais as capturas de Pargos grandes, já o mesmo não se poderá dizer dos Sargos de tamanho aceitável, assim como, das Douradas que entretanto dispersaram dos locais de acasalamento.

Ferro levantado, eis que navegámos para a zona escolhida, a uma milha do porto, 52 metros de profundidade, sobejamente conhecida, onde a sondagem nos mostrou marcação digna de fundeio que rapidamente efectuámos.

Após deixarmos as iscadas chegarem ao fundo, durante algum tempo, nada aconteceu, o que não costuma ser um bom sinal neste pesqueiro, mas os dados estavam lançados e havia que aguardar.
Durante perto de uns 30 minutos nada capturámos, mas de vez em quando tínhamos uns toques interessantes que em nada se assemelhavam a peixe miúdo e que nos cortavam postas ao meio ou roubavam uma ou outra posta de Sardinha. Desconfiámos...

Certo é que, a espaços mais ou menos regulares e sem roubos de peixe miúdo, começaram a entrar Sargos, intervalados com Douradas que compuseram a caixa que vos deixamos em imagem.


Verdade que não conseguimos aqueles exemplares que sempre se procuram, mas também verdade que optámos bem considerando experiências anteriores face a épocas idênticas, fundeámos com correcção, interpretámos os toques e insistimos perante as dificuldades surgidas, conseguindo transformar mais um dia a nosso favor, sustentado pela caixa bonita e bem preenchida com que vos presenteámos.

Os peixes caíram a anzóis 5/0, tipo chinu e a isca mais produtiva foi a Sardinha, iscada conforme se pode ver na foto abaixo. 


Importa referir que, da maneira como o peixe se comportou, tudo indica que quem para ali fosse pescar com anzóis pequenos e iscas de outra qualidade que não fosse a Sardinha, eventualmente capturaria Choupas e outros peixes, mas dificilmente Sargos e Douradas na quantidade e qualidade conseguida. Isto porque, atendendo à reacção inicial, parece poder dizer-se que a Sardinha começou por fazer pesqueiro, interessando peixe de qualidade que não andaria longe. Para além disso, também iscámos com Bomboca, Camarão e Lula, sendo que as poucas Choupas que entraram, caíram nessas iscas ou em iscadas mistas onde constavam, coisa que raramente aconteceu, quer com Sargos, quer com Douradas.

Na Sexta Feira ainda fomos, ao mesmo local, muito por se perceber que o mar e o vento possivelmente não nos deixariam pescar mais por fora, nem o dia todo, o que de facto aconteceu obrigando-nos a voltar para o porto antes que batessem as duas da tarde.
Mesmo assim ainda capturámos um Alfaquim, três Douradas, dois Sargos razoáveis e duas ou três Choupas dos quais não temos fotos.

Ficam as notas também para para vossa análise e reflexão.

Um resto de bom Domingo a todos os leitores.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Portaria 14/2014, de 23 de Janeiro: O positivo e... o negativo.


Não estou nos meus melhores dias, confesso!

Aliás, estou um bocado cinzento, como a foto de abertura e, entre outras coisas, certamente a portaria em título está a contribuir para isso por várias razões possivelmente pouco válidas considerando a fome no mundo, gente sem emprego, sem saúde, sem forma de alterar o estado de coisas e tantas outras misérias que cada vez mais assistimos por esse mundo fora, razões suficientes para até achar ridículo gastar tempo a falar disto.
Portanto, acho que se torna visível que a minha vontade de abordar este tema é nula e embora contribua para que o meu colorido interior seja igual ou até mais escuro que o da da foto, acho que o devo fazer atendendo ao percurso que perante o leitores percorri desde o início destas novas alterações.

Após leitura atenta do documento, vou tentar apontar pontos positivos, negativos ou outros que não me parecem fáceis de discernir quanto a serem "carne ou peixe", justificando os meus pareceres e evitando ao máximo passar atestados de qualidade seja a quem for.

Salvaguardo desde já que nunca concordei com os pressupostos da lei desde que este processo se iniciou com o Decreto-lei n.º 246/2000, de 29 de Setembro e com as portarias que lhe sucederam agora revogadas por esta, nomeadamente no que se refere aos limites de captura, já para não falar numa quantidade enorme de outras situações, algumas delas alteradas para melhor. Mas adiante!


Pontos positivos:

A - O documento integra vários outros, revogando, ao abrigo das alíneas a), b) e c), do seu artigo 18.º, os seguintes diplomas: Portaria n.º 1399/2006, de 15 de Dezembro; Portaria n.º 143/2009, de 5 de Fevereiro; e, Portaria n.º 144/2009, de 5 de Fevereiro. Estas últimas, já anteriormente alteradas por outras, decorrendo de tal, morosidade de consulta e dificuldade de entendimento para muitos de nós.

Considero o ponto positivo atendendo a que, em conjunto com o Decreto-Lei base que regulamenta (246/2000, de 29 de Setembro), melhora o entendimento e consulta da mesma, tanto por pescadores, quanto por autoridades, essencialmente por congregar o que foi alterado e mantido, ou quase, nos diplomas que revogou.
Esta alteração é ainda positiva por permitir, por omissão, que os pescadores apeados do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), possam ter acesso a capturas diárias iguais a todos os outros, pescarem o mesmo número de dias e a que todos os Portugueses possam mariscar naquela zona, em pé de igualdade, nos termos descritos pelos números 2, 3 e 4, do artigo 12.º.
Importa ainda referir que o mesmo acontece em outras áreas protegidas que abrangem a faixa costeira nacional, considerando no entanto a legislação própria já existente que não foi revogada.
Sobre as áreas em causa, deveremos ter ainda em conta que em qualquer momento poderão ser aplicadas, pelos responsáveis que as controlam e coordenam, novas restrições ou defesos.

B - A abertura à pesca embarcada em áreas protegidas, conforme descrita nos números 2 e 3, do artigo 9.º.

Considero positiva esta reposição de direitos, atendendo à pouca pressão exercida por pescadores lúdicos e desportivos embarcados naquela faixa costeira de 2 km, sendo a pesca profissional local e a pesca submarina muito mais intensas nessa zona que a pesca embarcada de recreio que tende a afastar-se mais da costa.
Quanto à diferença de dias em que embarcações de pesca turística e embarcações de recreio lá podem pescar, é assunto para tratar durante a análise dos pontos negativos. Lá chegaremos.

C - Aumento de capturas diárias, de 10 kg e um exemplar para 15 kg e um exemplar, no caso daqueles de nós que praticam a Pesca Submarina, sabendo eu que, na maioria dos casos, estes nossos companheiros preferem que se chame Caça Submarina.
Sem dúvida que é positivo, assim como o seria para todos os outros que não sendo "caçadores", também pescam, pagam (e bem) e quando num dia excepcional, para não dizer raro, conseguiriam passar dos 10 kg e muito mais raro dos 15, não podem porque é proibido. Esta discrepância de direitos será claramente um dos pontos negativos em análise.

D - A diminuição significativa dos valores das licenças a adquirir por aqueles de nós que usufruem do meio aquático através da Pesca Submarina. Nem vale a pena comentar quão positivo é este ponto, em qualquer lugar ou momento, quanto mais na crise que se vive.

E - Uma outra alteração me parece positiva, embora com alguns pontos de interrogação ... O formato electrónico para aquisição de licenças e monitorização da Pesca Lúdica e Desportiva.
Eventualmente trará alguns problemas a quem não se relaciona muito bem com computadores (e não serão tão poucos como isso), o que obrigará a deslocamentos a balcões ou a pedir favores a quem o possa fazer.
Num estado que nitidamente não respeita súbditos mais velhos, promovendo até falhas de atendimento para que morram rápido e considerando que este será o grupo tendencialmente menos familiarizado com a informática, temo que se venham a verificar alguns problemas de acesso. Espero que não.

Antes de avançar para a análise dos pontos negativos e atendendo a que a maioria, senão quase a totalidade deles, na minha opinião, se situam na área da pesca embarcada, com maior incidência naquela praticada em embarcações de recreio, vou destacar o único que me parece não sei bem o quê, abrangente a todos os pescadores... o corte da barbatana caudal, conforme descrito no n.º 9, do Artigo 12.º!

Porquê? Para resolver o quê? Alguém me quer explicar?

A única coisa que isto me parece ter como objectivo é fazer-nos sentir aporreados, nada mais. Mas aguardo argumentação passível de alterar este meu sentir!?


Pontos negativos:

Não resisto a uma pequena introdução...
Dirão alguns de vós que sou suspeito, por a pesca embarcada ser a minha actividade de eleição, ou até eventualmente tenha a mania da perseguição, o que contestarei na medida em que vou tentar ser o mais frio possível na análise, mas, na verdade, acho tão evidente quanto levar um soco bem dado na cara, sentimento que conheço devido a actividades desportivas que pratiquei ou até outras menos desportivas e muito sinceramente foi o que senti quando caí em mim, após leitura do presente diploma.
Não sei bem por onde começar, mas vamos lá a isto.

A - A manutenção do peixe vivo em competições apeadas e embarcadas de mar ou estuário, conforme refere o n.º 7, do Artigo 12.º.
Gostaria que alguém me explicasse como manter vivo peixe de água salgada, durante 4 a 5 horas, sem ser num viveiro de isca viva devidamente oxigenado, mantendo água corrente e mesmo assim sujeito à morte de diversas espécies, algumas delas muito pouco resistentes. Ponto negativo, sem dúvida.

B - As capturas diárias permitidas por pescador - 10 kg para apeados e embarcados, 15 kg para pesca submarina, ambos com hipótese de mais um exemplar - conforme refere o n.º 1, do Artigo 12.º.
Não se trata de estar contra os pescadores submarinos poderem capturar os 15 kg, mas sim, contra a limitação de 10 kg para todos os outros. Ora analisemos.

A raridade para um pescador apeado no que respeita a conseguir atingir tal volume de capturas, ou chegar perto, mesmo que pesque assiduamente, não justifica de forma alguma que o não faça se num determinado dia tal hipótese lhe surgir porque tem conhecimentos para isso e/ou por obra e graça do Espírito Santo.
No que respeita à pesca embarcada, não sendo tão difícil conseguir atingir tais quantidades por cabeça, só uma minoria de pescadores mais assíduos e conhecedores conseguem atingir de vez em quando os 10 kg e dificilmente os 15.
No caso da pesca embarcada teremos ainda de observar que a grande maioria pesca uma a duas vezes por mês, nos meses em que o conseguem fazer, atendendo ao estado do tempo e aos valores a despender em gasóleo, iscas, deslocações e/ou pagamentos em barcos de pesca turística e à disponibilidade que o trabalho e família lhes permitem.
Portanto, qual o mal que vem ao mundo por também estes poderem capturar os 15 kg, quando tal se proporcionar?
Não me venham falar de oportunidades de pesca, porque sei muito bem que quando o tempo está acessível para a pesca embarcada, também está para a pesca submarina e tem muitos dias com ventos moderados dos quadrantes Norte e Leste que são quase impossíveis para a pesca embarcada, em determinadas épocas e no entanto possíveis para a pesca submarina, considerando os abrigos nas costas Oeste e Sul que permitem acessos a belíssimos pesqueiros, nomeadamente para aqueles que agora poderão desfrutar em pleno de áreas protegidas.
Mesmo em dias sem vento e com força de vaga que não permita aos pescadores submarinos pescarem encostados a terra, tem muito bons pesqueiros em baixas por fora que a determinados níveis destes nossos companheiros, lhes permitem excelentes capturas.
Não sei se preciso de acrescentar mais alguma coisa para justificar a negatividade deste ponto? Acho que não!?

C - As capturas diárias dos pescadores lúdicos em embarcação de recreio, estarem limitadas a 25 kg e um exemplar por cada pescador, quando no barco forem mais de 3 pescadores, em detrimento de tal não acontecer em embarcações de pesca turística e de pesca submarina, conforme refere o n.º 5, do Artigo 12.º.
Pelas razões já apontadas relativamente à dificuldade de conseguir as quantidades de capturas (10 a 15 kg) e repetindo-me quanto à questão de não se poder capturar essas quantidades num raro dia em que tal possa vir a proporcionar-se, considerando ainda que raramente uma embarcação de recreio leva mais de 3 a 4 pescadores, por quê e para quê mais esta nítida descriminação obviamente desnecessária?

D - Outro ponto negativo que, na minha opinião, tem sido recorrente em todos os diplomas produzidos desde o início, é a omissão quanto à hipótese de qualquer pescador poder optar entre o peso legal actual mais um exemplar, ou, por exemplo, só 3 exemplares de maior porte o que se adequaria à pesca com zagaia, entre outras.
Isto porque, caso num dia que, sendo excepcional, se capture um exemplar de peso superior a 10 kg e logo após se capture outro igual, ou de peso superior, estamos ilegais.
Se consultarem o Regime Jurídico da Pesca Lúdica nas Águas dos Açores e mesmo tendo em conta diferenças de técnicas e espécies possíveis, verifica-se que não seria inadequado fazer bem, bastando para tal perceber que o grupo que desenhou este regime, para além de saber do assunto, foi ouvido.

E - A limitação de 5 dias de pesca por semana nas áreas protegidas para pescadores lúdicos, em embarcações de recreio, quando tanto os pescadores submarinos, quanto os pescadores em embarcações de pesca turística podem lá pescar todos os dias, conforme referido no n.º 2, do Artigo 9.º. Neste caso, sendo positivo que se possa pescar nessa pequena faixa costeira (2 Km), embora não seja das mais frequentadas pelos pescadores embarcados em embarcação de recreio e pelas razões apontadas nos dois pontos anteriores (B e C), qual a razão de mais esta também nítida discriminação?

F - Os valores das licenças de pesca, conforme referidos no anexo IV da Portaria e segundo as designações dos vários tipos de licenças, constantes nas alíneas a), b), c) e d); do n.º 3, do Artigo 12.º, na republicação do Decreto-Lei n.º 246/2000, de 29 de Setembro, com a leitura já alterada pelo Decreto-Lei 101/2013, de 25 de Julho.

Depois de tudo o argumentado quanto às desigualdades nas quantidades legais das capturas diárias, o valor das licenças para a pesca embarcada, para além da diferença abismal face à pesca submarina, tem um aumento faraónico. Senão vejamos:

Considerando os quadros de dados estatísticos da DGRM  referentes ao ano de 2012 e ao 1.º semestre de 2013 que, numa análise relativamente rápida, se evidenciam proporcionais, verifica-se o seguinte:

a) As anteriores licenças locais, com periodicidade anual, eram as mais adquiridas, representando sensivelmente 90% do total de licenças na pesca embarcada.

b) Ainda segundo os quadros de dados estatísticos da DGRM, a tendência da maioria dos pescadores lúdicos embarcados para a aquisição da licença local anual mantinha-se de forma nítida e incontestável.

Considerando que a anterior licença local de periodicidade anual, custava 30 euros e que a agora obrigatória licença anual custa 50, pode concluir-se que:

- A eliminação das licenças locais e a obrigação legal de tirar a licença nacional representam, para 90% dos pescadores lúdicos embarcados, um aumento real na ordem dos 67%, atendendo a que vão certamente manter a embarcação na mesma zona, não beneficiando obviamente de qualquer usufruto em termos do uso territorial permitido. Esta obrigatoriedade configura-se nitidamente como um "presente envenenado".
Tal aumento verifica-se com a mesma percentagem na aquisição da licença diária que passou de 3 para 5 euros.
Ambos os aumentos, eliminam sem qualquer dúvida o que poderia ter de positivo o alargamento da licença diária à pesca em embarcação de recreio, antes só possível aos pescadores que iam em embarcações de pesca turística.

Considerando os dados estatísticos exibidos pela mesma fonte (DGRM), também a pesca apeada regista um aumento significativo tendo em conta que embora a licença anual tenha baixado, representa sensivelmente 40% das licenças tiradas a nível nacional. Ao verificarmos que a anterior licença local custava 6 euros e que a actual e obrigatória licença anual custa 8, isto quererá dizer que mais ou menos 60% dos pescadores apeados que tiravam licenças locais vão também pagar mais 30%, também sem retorno em termos de usufruto territorial, considerando a zona onde exclusivamente exercem a sua actividade, podendo tal afirmação verificar-se através do tipo de licença que antes tiravam.

Repetindo-me sobre a origem dos dados que permitem produzir estas afirmações , em ambos os casos - apeada e embarcada - os aumentos obrigatórios verificados, para além de contribuírem alarvemente para o aumento de entrada de dinheiro nos cofres do estado, colmatam largamente os valores retirados às evidentes minorias representadas por aqueles de nós que se encontram nas seguintes categorias:
- Os embarcados e apeados que tiravam licença nacional
- Os que usufruem da actividade, através da pesca submarina

Abençoados sejam e ainda bem que alguém consegue beneficiar com a "coisa". Porquê? Não faço a mínima ideia!?

G - A obrigatoriedade de manter os coletes de salvação ou AIF, vestidos em acção de pesca, conforme descrito no n.º 3, do Artigo 4.º da Portaria.

Sobre este assunto, conhecem os leitores a minha opinião, sobejamente clarificada em anteriores entradas, mas posso ainda pormenorizar um pouco mais.

A maioria dos acidentes, senão a totalidade, têm acontecido nas viagens, nomeadamente em entradas ou saídas de barras e não em acção de pesca.

Questões:

1 - Porquê exigirem que com quaisquer condições de mar e vento e em qualquer lugar, a partir do momento em que se evidencie que obviamente vamos pescar, teremos de ter os ditos meios de salvação envergados?

2 - Qual a diferença, em termos de risco, de eu estar a pescar ali por fora de São Torpes, em pleno Verão, num dia de mar raso, ou estar um veleiro fundeado a 200 metros de mim, com pessoal a tomar banho a partir do barco, sendo que eu terei de envergar um meio de salvação e eles nem pensar?

3 - Que culpa tenho eu e a maioria dos pescadores lúdicos embarcados que uns quantos não se respeitem.

4 - Para que me servem todos os meios de salvação e tele comunicações que tenho obrigatoriamente a bordo?

5 - Porquê o uso da palavra "tripulantes"?
O único tripulante a bordo do meu barco sou eu e em barcos de pesca turística, parece-me que são tripulantes... o mestre e o(s) marinheiro(s). O que quer isto dizer, quando no Decreto-Lei 246/2000, tal palavra não consta?
Vai dar confusão ou não?

Face às questões colocadas e no sentido de facilitar o legislador, poderia ainda concordar que me obrigassem a envergar os coletes ou AIFs, nas viagens de ida e volta, mas... a tempo inteiro?
Com todo o respeito, vou cumprir porque é de lei, mas não há autoridade marítima ou qualquer outra entidade que até ao momento me consiga fazer concordar com isso.


Conclusões:

Face às análises e reflexões produzidas, a pesca lúdica embarcada na generalidade e particularmente aquela que se realiza em embarcações de recreio, foi abusivamente desconsiderada e discriminada na actual legislação, tanto no que se refere às questões relacionadas com as quantidades de capturas diárias, quanto ao aumento das licenças.

Relativamente ao enquadramento legal, a portaria em análise viola nitidamente o princípio orientador constante da alínea b) do Artigo 1.º-A, do prevalecente Decreto-Lei 246/2000 que ao estabelecer os princípios orientadores que tem por base, refere o seguinte:  "b) Princípio do acesso equitativo aos recursos naturais, considerando o ambiente como bem de uso comum".

Como é que isto aconteceu e porquê? Não faço a mínima ideia!?


Comentários pessoais:

Não pretendo com as análises e reflexões produzidas promover clivagens entre pescadores seja qual for o tipo de pesca lúdica que pratiquem.

O texto pretende unicamente ser informativo e fonte de debate, na medida em que vem no seguimento de todo um processo que tenho vindo a comentar, para além de nitidamente contrapor a pouca correcção de certas notícias, como a que saiu no Correio da Manhã de 24 de Janeiro  passado, certamente "encomendada" e segundo a qual somos 500.000 na totalidade e estamos todos satisfeitos.

Sobre tudo isto e eventualmente sobre outras questões não abordadas, agradeço que comentem e me alertem face a possíveis incorrecções ou omissões.

Quanto à cor interior com que iniciei este artigo, mantêm-se e até enegreceu um pouco mais, sendo que a falta de pesca também ajuda.

Esperemos que o tempo dê uma aberta ou mais, para podermos pelo menos começar a usufruir, considerando os 50 euros da licença nacional e... para dar uso aos coletes!?

Boa tarde a todos

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Alguns anos de escrita e a companhia das minhas "Amigas"...


Já conhecia bem as minhas "Amigas" quando no dia 23 de Janeiro de 2007 aqui publiquei, como lhe hei-de chamar? Talvez o primeiro relato, em modo de apresentação/introdução.
Verdade que a ligação com estas "Moças" é extensível a muitos de nós, muito antes e certamente depois deste meu enlace que, como em qualquer relação, teve e ainda tem momentos bons e menos bons, obrigando-me a tomar continuamente atitudes no sentido de manter os bons em alta, sempre consciente de não ser caso único neste nosso mundo da pesca.

Certo é que, passados vários anos, embora falseando-as de quando em vez ou até em ménages aceitáveis, são elas as principais companheiras dos dias de pesca mais produtivos, continuando a evidenciar uma versatilidade rara no nível em que se encontram.

Hoje, no 7.º aniversário desta página e sem pretender de modo algum relegar para segundo plano os leitores, vou partilhar convosco alguns pormenores da ligação que mantenho com as anunciadas "Amigas".

São elegantes, gordinhas que baste mas de carnes duras e olhos brilhantes quando frescas, cobrem-se de vestes vistosas que não picam, brilham com pouca luz e põem gravata vermelha se as deixamos apanhar calor, não saem muito caras e deixam-nos fazer tudo... Tão bom!

Já depois de lhes tirar a "roupa" dura que as protege, apresento-vos... as Sardinhas!

Em postas pequenas, ou maiores, dependendo por quais o peixe começa a atacar. Com as mais pequenas quando o que por lá anda é miúdo e se mostra indeciso, passando para outras maiores quando tudo indica que peixe a sério chegou ao pesqueiro ou os pequenos são tantos que já não há posta pequena que se aguente.  


Envolvendo sempre a espinha com o anzol, isca-se uma posta, quando o peixe está sem manias e come tudo.


Iscam-se duas quando a posta única não vem tocada, talvez porque "alguém" está incomodado com a haste do anzol, principalmente em baixas profundidades ou para que levem mais tempo a consumi-las permitindo que maiores se interessem antes que desapareçam, mas sempre libertando sucos e originando o frenesim provocatório entre miúdos, o que atrairá talvez aqueles que queremos. 


E porque não três postas, pelas mesmas razões apontadas para a iscada de duas?


E quando as três postas são consumidas tão rápido quanto as duas e sentimos ter de tomar uma atitude para que a isca se aguente, o que fazer?
Nada como iscar meia sardinha, a cabeça ou o rabo, num corte idêntico ao que se apresenta na imagem seguinte ou com qualquer outra forma que saia da cabeça de cada um.


Pessoalmente, gosto mais da parte da cabeça, por ter mais sucos, mais sangue e a tripalhada sumarenta e consequentemente chamativa. Cozo-a com o estralho, da boca para o lombo e deixo o anzol a jeito para bocarras maiores.


Verdade que, mesmo assim, tem dias que desaparece num ápice, acabando por recorrer-se ao pedaço inteiro, retirando-lhe a cabeça


Neste caso, cozo-a do rabo para a barriga, mantendo os mesmos cuidados com o anzol, terminando a iscada com uma volta de fiel dada com o estralho, junto à barbatana caudal, no sentido de melhor segurar o pedaço.


Se quisermos podemos ainda abri-las, retirar-lhes a espinha...


... Aplicar-lhes estralho e anzol grande ao meio...


... Cozê-las com fio próprio, segurando-lhes as carnes por mais tempo face aos ataques dos pequenos ladrões indesejáveis, quase sempre presentes, podendo tanto a iscada anterior quanto a seguinte adaptarem-se à pesca com chumbadinha ou em uma baixada com estralhos compridos (100 a 150 cm).


Em algum momento de uma jornada, não raramente, os resultados acabam por aparecer, com mais ou menos regularidade, decorrentes das variações continuas mais ou menos adequadas à informação transmitida pelos toques, através de iscadas maiores ou menores conforme as nossas opções face à técnica em uso e à atenção e capacidade de cada um ao utilizar a informação referida.

Muito fica por pormenorizar relativamente à nossa ligação com estas "Amigas", cujo maior predicado é, na minha opinião, a versatilidade.
Elas brilham, engodam, iscam, movem-se, desafiam..., dependendo da técnica que usamos, da forma e tamanho da iscada e do momento da jornada em que decidirmos optar por uma determinada conjugação destes factores.
E companheiros, estas minhas/nossas "Amigas", bem coadjuvadas por outras como a Cavala, Bomboca, Camarão, Caranguejo, Lula..., mortas ou vivas, podem formar um conjunto explosivo, promotor do preenchimento de caixas térmicas com cores lindas e tamanhos de peixes assinaláveis. 

Brevemente, colocarei à vossa disposição mais uma acção, ao vivo e a cores, onde poderemos esmiuçar sobre como conjugar iscas, iscadas, materiais e montagens e a sua utilização ao longo de um dia de pesca, face a determinadas características relacionadas com os sinais dados pelos toques.
Assim que tiver a coisa preparada, divulgo por aqui.

Confesso que o raio do tempo já me está a tirar do sério e não vejo a hora de me envolver uma vez mais com as "Amigas" que vos apresentei, salvaguardando aqueles de vós que anteriormente as conheciam  e com elas até teriam relações mais antigas.

Entretanto vou gozando este 7.º aniversário, agradecendo a Vossa paciência frente a tanta letra, esperando que gostem destas minhas parcas confissões e levantando o meu copo... À Nossa Saúde.

Tchim, tchim!

Bebam com moderação... se puderem!?
Caso ainda vão conduzir, o melhor é mesmo não o fazer.

Uma boa noite a todos os leitores.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Boas Festas!


A todos os leitores e familiares quero principalmente enviar os mais sinceros votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Para que não fiquem completamente a leste da pesca e dos peixes, dou-vos conta das últimas pescarias que com base nos conceitos, técnicas e reflexões descritas na última entrada, nos deram no passado Sábado esta caixinha onde as Douradas foram as rainhas da festa, a par com alguns "primos".


Também no Domingo a coisa não correu mal, mas Douradas... nem uma. Já os "primos", sem grandes exemplares mas com tamanhos aceitáveis, deram um ar da sua graça.


Esperemos agora que as condições meteorológicas melhorem e permitam outras pescarias das quais decorram relatos que melhor vos elucidem sobre as possíveis razões do que quer que aconteça. Até lá, "limpem-se as armas", desfrute-se a companhia da família e aproveite-se a época na medida do possível.

Uma boa noite a todos e que o Menino Jesus vos traga saúde, o que mais necessitarem, e por que não, aquele material melhorzinho que sempre achamos estar em falta para melhorar a qualidade da nossa pesca.

Forte abraço

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Coisas" das Douradas de Outono/Inverno.


Uma das épocas mais esperadas pelos pescadores de embarcada, em barco fundeado, está a iniciar o seu auge.

As Douradas estão a completar o seu percurso cíclico até à desova. Tendo em conta relatos de capturas e conforme já escrevi lá mais para trás, tudo indica que se inicia por volta de fins de Agosto/início de Setembro, junto à costa, para gáudio dos Guerreiros da Areia.
A viagem continua, ao longo de Outubro/Novembro, em direcção aos locais de concentração para acasalamento, alimentando nesta fase, principalmente, os barcos profissionais que as capturam pelos limpos, até que, principalmente em Dezembro e normalmente até Janeiro, se juntam por aqui e por ali para o processo que assegurará a continuidade da espécie.

Estes são os momentos em que acontecem grandes concentrações, abrindo alas para os pescadores desportivos e profissionais de anzol se "banquetearem" com capturas, excepcionais ou não, dependendo isso dos métodos utilizados - com engodo ou usando as iscas como tal, em ajuntamentos de muitos barcos ou em pesqueiros isolados, bem escolhidos e trabalhados.

Se para além dos meios utilizados, considerarmos as condições de mar e vento em cada jornada tendo em conta aguagens a favor, atravessadas ao vento ou ausência de ambas, assim como, o comportamento do pescador face ao desenrolar do processo e decorrentes resultados, Companheiros... teremos aqui conversa até não haver amanhã.

Como sabem não gosto, nem considero que devo, afirmar peremptoriamente sobre qualquer tema relacionado com a pesca, antes fundamentar, reflectindo sobre cada um. Por tal, aconselho, como complemento à presente conversa, a consulta de artigos sobre materiais e conceitos que anteriormente publiquei, bastando, para que os encontrem, uma pesquisa pelo blogue ou até um olhar mais atento para a coluna da direita onde se encontra um dos mais lidos - Vamos às Douradas... Tempo de revisões .

A conversa de hoje, e muito pelo que tenho conseguido, ou não, ao longo dos tempos e nos últimos dias, vai essencialmente na direcção da escolha de pesqueiros, das marcações de sonda, das condições de mar e vento, dos sinais e resultados e, importa realçar, dos comportamentos dos pescadores, factores que, individualmente e sem dúvida no seu conjunto, influenciam nitidamente sucessos e insucessos em cada jornada de pesca.

Escolha de pesqueiros:

Por razões que essencialmente se prenderão com abrigo, alimentação e consequentemente com o conforto dos bichos para enfrentarem o processo de acasalamento e eventual desova, os tipos de fundos em que tenho tido melhores resultados, são:

- Entralhados (zonas mistas de pedra e areia ou detritos) e limpos, juntos ou relativamente afastados das bases de elevações submarinas, de paredes abruptas mais ou menos importantes quanto à diferença entre os bicos mais altos e o fundo assim como e ainda com melhores resultados, em fundos idênticos entre elevações submarinas não muito afastadas.

- Declives ou socalcos, pouco pronunciados e de terreno relativamente macio, na beirada de elevações submarinas em que, para vos dar uma ideia, teremos de navegar uns 100 metros para uma diferença de profundidades de +/- 10 a 20 metros, entre o ponto mais elevado e o mais fundo. Nestes declives encontram-se por vezes pequenas elevações, ideais para prender o nosso ferro.

- Cetombas (quedas abruptas de 5 e mais metros) em terreno entralhado ou relativamente limpo, de preferência não muito afastadas de elevações ou conjuntos de elevações submarinas e que, atendendo ao seu aspecto demasiado limpo, nos impressionem com marcações inesperadas de peixe agarrado ao fundo. Este, um tipo de fundo que se tem apresentado mais falível mas que nos pode dar pescarias excepcionais, quando as condições de mar e vento nos permitam fundear o barco de forma a colocar as nossas iscas na zona em que a sonda acusou actividade.

Quanto às profundidades onde procurar, os melhores resultados no que respeita a regularidade de capturas em quantidade e qualidade têm-se situado entre os 50 e os 90 metros, não querendo dizer que em determinados dias não se consigam pescarias excepcionais, principalmente em profundidades inferiores. Tenho notícias, deste ano, sobre capturas importantes, na zona de Setúbal, a 35 metros de profundidade. Também em Sines, no final da época passada, houve boas pescarias aos 120 metros. Certamente em outros locais haverão notícias de situações idênticas!? Porquê? Não faço ideia!?
É a típica incerteza que nos faz adorar esta nossa actividade.

Marcações de sonda:

A escolha do tipo de pesqueiro é, na minha opinião, a variável de sucesso mais importante, podendo dizer-se que por vezes uma marcação sem actividade ou de actividade reduzida nos poderá dar uma pescaria excelente, desde que trabalhemos o pesqueiro eleito tendo em conta as características antes referidas para tal escolha. No entanto se, para além de estarmos a colocar as nossas iscas num fundo eleito, a sonda nos mostrou alguma actividade, tendem a aumentar significativamente as hipóteses de sucesso, nomeadamente em marcações que a seguir se descrevem:

- Marcações de actividade fortes e espalhadas, junto ou muito perto do fundo conforme se pode observar na imagem que se segue:


Considerando a divisão do ecrã ao meio, sendo o lado esquerdo um zoom do lado direito, podem observar-se as formas amarelas com pontos laranja no centro, afastadas umas das outras, o que se enquadra na definição de "marcações de actividade fortes e espalhadas, junto ou muito perto do fundo".

Neste caso e desde que consigamos colocar as nossas iscas por ali, as hipóteses de termos sucesso serão bastante altas, sem grandes esperas, atendendo a que o peixe de qualidade, nomeadamente as nossas "amigas" e eventualmente os seus "primos", quase seguramente, já estarão no pesqueiro.

- Marcações fracas, junto ou muito perto do fundo e continuadas pelos entralhados ou limpos para além do fim da beirada dum pontão alto, num socalco, ou num declive de uma beirada com queda pouco acentuada.

Ora vejam a imagem:


Neste caso podemos ver aqueles pontos azuis com alguns amarelos misturados que se alongam para além da beirada do pontão agarrados ao fundo, indicando actividade de peixe miúdo, mas deixando no entanto a percepção de que, trabalhando o pesqueiro, "os" ou "as" que queremos, acabarão por aparecer.
Foi com uma imagem deste tipo, a 58 metros de profundidade, que no passado Sábado se conseguiu a foto que abre esta entrada, a pormenorizar lá mais para a frente.

- Imagens muito fortes, não muito afastadas do fundo que, podendo ser falíveis, me deram já nesta época excelentes pescarias de Douradas e Pargos, nomeadamente se aquela linha grossa paralela e perto do fundo se mantiver após várias sondagens sobre a mesma zona do pesqueiro.

Sendo indicadoras de grandes concentrações de peixe, este tipo de marcações podem deixar dúvidas quanto à qualidade do mesmo, principalmente se evoluírem para bolas compactas muito acima do fundo.
No entanto e repito, nesta época, quando em presença duma marcação deste tipo, estaremos possivelmente sobre uma grande concentração de Douradas, tendendo a marcação, se for o caso, a evoluir para um formato de cogumelo, em que a partir da linha grossa junto ao fundo se forma um pé que sobe até um chapéu, dando o aspecto de tal fungo.
Tal formato de marcação costuma acontecer mais frequentemente se estivermos junto a uma elevação submarina alta que cai de forma abrupta, em fundos de 50 ou mais metros.

Eis a imagem:


Importa reforçar que estas as marcações mais emblemáticas, tanto numa pesca direccionada a Douradas quanto a Pargos, tendencialmente frequentadores dos mesmos pesqueiros (dentro ou fora da presente época), deverão sempre ser apreciadas em função dos tipos de fundo, conforme tive o cuidado de realçar quando falei da escolha de pesqueiros.

Condições de mar e vento:

As condições ideais, para o sucesso de pescarias à Dourada e ao Pargo, em barco fundeado, partindo do princípio que sabemos eleger o melhor local para colocar as nossas iscas e que conseguimos fundear de forma a que de facto actuem no local escolhido, é, sem dúvida, o que gosto de chamar "dia de mar direito". Ou seja, por efeito do vento, da corrente ou da conjugação de ambos, o barco actua todo o santo dia na mesma posição ou com variações que permitam continuar a actuar com as nossas iscas no pesqueiro eleito ou perto, desde que as estruturas de fundo se mantenham idênticas.

A constatação de que teremos um "dia de mar direito", é algo que, podendo parecer esperado face às previsões meteorológicas, só com o decorrer do dia se poderá verificar, atendendo a que o nosso Companheiro Mar faz o que quer, quando quer e como quer, nada preocupado com os nossos gostos ou intenções. É mais do tipo: "aqui quem manda sou eu... amanhem-se"!

Conforme as mudanças de humor do tal nosso "amigo", tudo pode acontecer... aguagem para um lado, depois vira para o outro, ou não existe e de repente entra assim como o vento que poderá mudar de rumo e intensidade, tendendo estas mudanças face a determinadas previsões e em determinados locais, serem relativamente previsíveis, embora nunca a 100% ou perto.

Na verdade, alterações significativas ao fundeio inicial alterarão o posicionamento das nossas iscas, assim como, mesmo que o barco não mude de local, a entrada de uma aguagem forte para a popa ou em outra direcção criará a mesma situação.
Quando tal se configura, uma de duas coisas pode acontecer: melhora, ou piora!

Na maioria dos casos, se estamos a capturar, dá-se uma interrupção, podendo acontecer a retoma após algum tempo ou, pura e simplesmente, tudo pára.

Também é verdade que estando num pesqueiro com sinais mornos e sem a presença de aguagem, se esta entrar, a coisa pode aquecer.
Já me aconteceu várias vezes, sendo a mais evidente, entre outras, quando, aqui há uns dois anos, em dois dias seguidos, no mesmo pesqueiro, quase à mesma hora e em época e local de Douradas, estas fizeram a festa.
Importa referir que, nesses dias, antes da aguagem entrar já se percebia que elas lá andavam, tanto pelo desaparecimento rápido do Caranguejo, quanto por um ou outro toque que se ia sentindo, tudo indicando que a aguagem as impulsionou para ataques mais descuidados.

Considerando a extensão e monotonia de um texto onde se referissem todos os acontecimentos derivados das alterações meteorológicas, já experimentados, conto-vos o último.
Aconteceu no passado Sábado, dia 7 de Dezembro, numa pescaria com o Tózé e o João Maria.

As previsões apontavam para vento fraco de E, a cair ao longo do dia, prevendo-se calmaria e rotação do vento a N/NE, ao longo da tarde.

Fundeámos aproados ao vento, com total ausência de aguagem, num pesqueiro do tipo "socalco em beirada de elevação submarina com declive pouco pronunciado" e uma marcação de sonda correspondente a "actividade agarrada ao fundo e não muito forte, mas alargada em área significativa".

Em termos de caracterização, importa ainda referir que escolhemos procurar uma zona onde não estivessem outros barcos, isto porque quando pescamos em ajuntamentos, se algo acontece, nunca ficamos a saber se os resultados, positivos ou negativos, se devem unicamente à nossa actuação ou estão a ser influenciados pelas acções dos pescadores de outras embarcações que estejam perto.

Na situação referida, quando acontecem alterações do posicionamento do barco, as hipóteses de não tornarmos a poder colocá-lo na anterior posição aumentam significativamente, atendendo a que todas as embarcações em torno rodarão, acontecendo, não raramente, trocas de posição que tornarão impossível reposicionar o fundeio.
Se tal acontecer numa hora tardia de uma jornada, esta poderá terminar de forma inglória. Mas adiante...

Iniciámos a acção com iscadas de Sardinha e Caranguejo, alternadas nos anzóis de baixo e de cima, com a intenção de, por um lado, aumentar as hipóteses de detectar se as Douradas lá estavam e, por outro, ir trabalhando o pesqueiro e desafiando algum Pargo a arriscar a dentada.

Os primeiros peixes a dar sinal foram as Choupas grandes que não procurávamos mas que intervalaram com alguma regularidade as capturas mais interessantes. Ao fim de uns 45 minutos de pesca, o Tózé tira o primeiro Parguito...


... a que seguiria outro, um pouco maior, não documentado.

Pouco tempo passado e é a vez do João Maria se estrear, com este Bandeireiro...


Tudo indicava que o pesqueiro se fazia. Entretanto, eu já tinha ferrado um peixe que ao iniciar a luta me pareceu uma Dourada mas que se desferrou já relativamente perto da superfície.
Nem 10 minutos passaram e sai este maior ao Tózé...


O pesqueiro estava lançado mas aconteceu o que eu já previa... o vento caiu completamente, aguagem nem vê-la e o barco rodou para cima da parte mais alta da elevação, coisa que se notou de imediato, por vermos que já não estávamos aproados a E mas sim a S.

O cabo estava todo por cima de água e, pior que tudo, os peixes que entravam quase de seguida deram lugar a roubo de peixe miúdo, arrochanços contínuos das nossas baixadas e, mais tarde, à quase ausência de toques. Claro que a consulta à sonda nos confirmou de imediato que já não estávamos a pescar a 57 metros mas sim nos 51, parte mais alta da elevação.

Numa situação deste tipo, ficamos um pouco de mãos atadas, atendendo a que:
- Por a zona se apresentar rica, deveríamos esperar um pouco até decidirmos levantar o ferro e reposicionar o barco.
- O Barco não derivava de forma definida o que impossibilitaria um fundeio certo.
- Reposicionar o barco, implicaria que seríamos obrigados a refazer toda a manobra assim que entrasse alguma brisa indefinida, com prejuízo do tempo útil de pesca.

Decidimos portanto insistir um pouco mais e aguardar a entrada prevista de algum vento que nos permitisse corrigir o fundeio.

Uma brisa consistente e não prevista de W veio resolver a situação, permitindo-nos levantar ferro e reposicionar o barco, desta vez largando o ferro na base do declive e deixando sair cabo até ficar no socalco grande onde antes pescávamos e que continuava com marcação idêntica.

O certo é que não passaram 15 minutos de pesca para que tudo voltasse a acontecer, iniciando-se com as persistentes Choupas grandes que intervalaram com 2 Parguitos de quilo e pouco e, logo a seguir, as Douradas.

Primeiro duas pequenas, depois algumas que não ferraram e, como cereja no topo do bolo, o prémio da persistência do João Maria, com estes 4,380kg de Dourada.


Uma pesca bonita e uma mala térmica composta de peixe criado, como dizem lá por Sines, que se poderia ter completado ainda melhor não fora a vontade dos meus amigos, de pesca feita, quererem vir embora.

A afirmação anterior prende-se com a análise de sinais e resultados, já que tudo indicava que estes foram os momentos do dia em que as Douradas entraram no pesqueiro ou resolveram comer. Mais uma horita e a coisa não se ficava por aqui, pois outras e até talvez outros teriam dado entrada lá no poço de Makaira. Mas a pesca estava feita e os meus companheiros ainda tinham de andar uma horas até Évora. Para além disso, outros dias virão.


Considerando o relato, vamos tentar concluir sobre os factores ainda em falta.

Relativamente aos sinais e resultados, pode dizer-se que o pesqueiro se manteve activo, mesmo quando o barco rodou, sendo que os resultados enfraqueceram nitidamente quando dele saímos francamente, assim como tornaram a aparecer logo que conseguimos recolocar o barco e tornámos a acreditar que era ali que a coisa se dava.

As Douradas, sem dúvida, apareceram ou decidiram atacar as iscas, principalmente a Sardinha, na hora em que acharam por bem, indicando que a escolha do pesqueiro não era má de todo. Ficou por se saber se continuariam a entrar até ao cair da noite como já me aconteceu em outras jornadas, talvez por nesses dias essa ter sido a hora em que resolveram repor energias face ao cansaço do acasalamento e então vá de se tentarem banquetear com um cházinho de Sardinha e uns bolitos de Caranguejo.

Quanto ao comportamento dos pescadores, ficámos sempre atentos aos sinais e resultados, mantivemos uma acção de pesca contínua e intensa, maximizando o tempo útil em que as nossas iscas grandes e variadas actuaram sobre o pesqueiro.
Para além do descrito, tudo indica que tomámos as decisões certas em função das condições de mar e vento que se manifestaram e, pode ainda dizer-se, que podemos reflectir desta forma por termos estado a pescar fora de zonas em que muitos barcos se atiram ao mesmo tipo de pesca, o que complicaria ainda mais a percepção das razões que levaram a capturar ou não.

Não menos importante... não fomos só procurar Douradas mas também os "primos" em zonas que ambos tendem a frequentar nesta época do ano e... encontrámos reunião de família, sendo que alguns "convidados" chegaram um pouco atrasados. Terá sido assim?

Caberá aos leitores lerem, analisarem e por aqui reflectirem sobre tal.

Uma boa tarde para todos