quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Segurança na pesca embarcada... Conhecimento, Competência e Bom Senso


A escrita anda um pouco ao lado... não por falta de pesca ou vontade de escrever, talvez mais por me sentir obrigado a artigos que correspondam tecnicamente ao que já escrevi por aqui, mostrando-vos o caminho percorrido na procura de maiores peixes.
Na verdade, tal percurso tem-se desenvolvido de forma algo irregular, sendo que os exemplares de 2 e 3 kg e até alguns maiores têm aparecido por aqui e por ali, assim como as Douradas, por insistência, já deram um ar da sua graça, enquanto se deslocam para os locais de desova, como é usual nesta época, sem que me tenha lembrado de tirar algumas fotos, em momentos essenciais para a documentação das capturas e de algum modo travando também a vontade de escrever na altura certa. Mas não se desespere, nem se pense que estou parado, pois, lá para o fim do artigo, como remate, logo vos deixarei uns peixes.

Entretanto e porque a onda de segurança, devido ao tal decreto "dos coletes", se vai arrastando, vou conversar convosco sobre segurança a bordo. Não unicamente acerca daquela obrigatória por lei, mas sobre aquela outra a que gosto de chamar de "Conhecimento, Competência e Bom Senso", relacionada com a nossa pesca e com a navegação, adquirida com estudo, com prática a custas próprias, ou, reconhecendo e aprendendo com os saberes de pescadores mais experientes e que encaram a segurança sem leveza.
Importa ainda referir que por muito que pratiquemos uma navegação e uma acção de pesca, responsáveis e seguras, devemos estar sempre atentos, pois tudo o que achamos conseguir prever nunca eliminará totalmente os acidentes, antes diminuirá  a sua gravidade ou as hipóteses de que se produzam, sendo que este é um assunto que daria para escrever um livro... grande e sempre incompleto. Mas, vamos lá tentar sistematizar o melhor possível.

O Conhecimento... as Competências:

Quem governa um barco, em qualquer situação - lúdica, profissional, mais ou menos perto da costa... - tem obrigatoriamente de ter conhecimentos alargados a vários níveis e dominá-los efectivamente no exercício das suas práticas, considerando sempre a imprevisibilidade de situações que o mar sempre pode tornar reais. Para tal deverá, na minha opinião, passo a passo, percorrer um caminho do menos para o mais perigoso, medindo muito bem os riscos que poderá correr, versus as suas capacidades de, em cada momento, lhes fazer frente.
Estudar, aplicar, melhorar com os erros ou sucessos, estudar mais, aplicar de novo... e assim sucessivamente, num ciclo evolutivo consciente e interminável, é, sem dúvida, o caminho a percorrer. Aliás idêntico a qualquer processo evolutivo, em qualquer área, sendo que, mesmo que diminuídas, as possibilidades de acidente grave ou morte estarão sempre presentes.

No percurso apontado e relativamente aos domínios essenciais onde conhecimentos e competências deverão ser adquiridos, vamos considerar os seguintes:

A. Condições climatéricas

B. Conjunto barco, motor e palamenta

C. Meios de salvação e telecomunicações

D. Acção de Pesca

Sobre os quatro domínios referidos, e embora se vá falar especificamente de cada um, é evidente que são interdependentes, atendendo a que, para um determinado tipo de pesca que se pretenda praticar, a saída para o mar e os pesqueiros a escolher, dependerão do conjunto barco e motor que temos, da sua categoria de navegação, respectivos meios de salvação e rádio comunicações, e, das condições climatéricas que se apresentem no dia em que decidimos sair para o mar.

Considerando o referido obrigo-me a cumprir, à cabeça, as seguintes regras:

a) Nunca sair para o mar no limite, ou perto do limite da embarcação, face às condições climatéricas que se apresentem e mesmo até quando verifico que o estado do tempo vai tornar o acto de pescar muito desconfortável.
b) Nunca sair sem verificar minimamente o funcionamento adequado do conjunto barco/motor/palamenta.
c) Voltar de imediato para o porto, caso se verifique o mau funcionamento de um elemento essencial à segurança, principalmente se as condições climatéricas não forem as melhores. Isto porque, a falência de um elemento deste tipo, poderá facilmente iniciar uma cadeia de outras falências e consequentemente o acidente.
Por exemplo: se perder o ferro principal e ficar só com o de segurança, ou continuo a pescar à deriva, ou volto para o porto. Não arrisco perder a única coisa que imobilizará o barco, em caso de, por qualquer razão, o motor me falhar.
d) Manter o funcionamento adequado de todos os elementos... barco, motor, palamenta, instrumentação electrónica e de comunicações.

As condições climatéricas:

Actualmente, como a maioria de nós sabe, as previsões meteorológicas são cada vez mais fiáveis e o acesso a este tipo de informação através da net, é fácil e bastante fidedigno, atrevendo-me a dizer que, salvo raras excepções, só vai para o mar sujeito a mau tempo quem quiser. Normalmente isto acontece quando a vontade de pescar se sobrepõe ao receio de a "coisa" engrossar e, em alguns casos, ao Bom Senso. Quem não souber consultar a net, deverá procurar quem o saiba, podendo assim minorar os perigos que pode correr na presença de más condições de mar e vento.

Desde sites relativamente simples de interpretar, como o Windguru, na minha opinião ideal para a normal pesca embarcada em barco fundeado ou à deriva, em área de classe 4 e até um pouco para além desta, a outros mais complicados que permitem observar e interpretar as condições de mar e ventos, em zonas mais afastadas da costa, temos à nossa disposição um conjunto de informação importante que face à nossa capacidade de interpretação nos permitem escolher o dia ideal para irmos pescar nesses lugares, ou verificar a dificuldade/impossibilidade de, em determinado dia, exercermos a nossa actividade nos locais que pretendemos ou até de sair para o mar.
Pessoalmente, uso principalmente o Windguru, com o cuidado de entender o que me apresenta, tendo em conta algumas variações decorrentes muitas vezes de estados climatéricos mal definidos que na zona onde normalmente actuo podem apresentar-se um pouco diferentes do que se vê no site.
Na zona de Sines, por exemplo, quando no site referido se apresentam ventos continuados, do quadrante Norte, na ordem dos 10 a 12 nós que à partida parecem inofensivos, acontece muitas vezes, serem muito mais fortes e, caso a vaga se mostre atravessada ao vento, com alturas da ordem dos 1,5 a 2 metros, mesmo com períodos de mais de 10 segundos, estão, na maioria das vezes, asseguradas condições muito boas para ficar em terra sossegadinho, sob pena de pescas extremamente desconfortáveis e que num caso de avaria complicarão fortemente as resoluções de qualquer problema.

Num outro exemplo, relativamente às duas fotos que a seguir se apresentam, o Windguru dava indicações de alguma chuva, pouca, diminuição da vaga e muito pouco vento, sendo que se verificou o mar calmo, com alguma chuva como se vê nesta saída do porto...


... que, passado algum tempo, se transformou na calmaria que se segue e num excelente dia de mar e de pesca, tal como se lia no site.


A nossa capacidade de interpretação da informação fornecida decorre claramente da verificação in loco daquilo que vimos no site e, na nossa impossibilidade, por algum amigo que por lá esteja, contribuindo assim para, cada vez mais, sabermos utilizar a informação lida, no sentido da segurança, conforto e efectividade das nossas saídas.
Por tal, é meu hábito, em dias de condições mal definidas, mesmo não estando em Sines, telefonar para amigos de lá para me dizerem como estão as condições, de forma a compará-las com o que o Windguru me apresenta. Claro que por vezes podemos arriscar um pouco, mas atentos e sem pruridos quanto a tomar decisões do tipo: não me está a agradar e vou-me já embora porque "há mais marés que marinheiros".
O mar, segundo os mais avisados, é um dos maiores cemitérios de gente valente.

Mas, muito sinceramente, nada como um dia com vento qb, pouca vaga e já agora um pouquinho de Sol. Nestes dias, a beleza, o conforto, a qualidade e quantidade de escolhas de pesqueiros, a maior certeza de fundeio e o prazer de exercer o acto de pescar em segurança, contribuem fortemente para nos sentirmos abençoados por poder estar no mar e consequentemente para os resultados da pescaria, independentemente de alguns conceitos que apontam para melhores resultados em dias de mar mau, coisa que, podendo ser verdade, até agora não me convenceu.


Conjunto barco motor e palamenta:

Se há domínios onde até poderemos ter algumas desculpas, poucas, relativamente a capacidades de interpretação da informação, no caso do nosso barco, motor e palamenta, as ditas desculpas não são aceitáveis.
Por tal, a verificação dos níveis de fluidos, correias de ventoinha do alternador e bombas, escorridos suspeitos do motor e seus elementos, sujidade nos filtros decantadores de combustível, entradas de água salgada por aqui e por ali e até se possível, quando o barco está a nado, verificar, no caso de barcos com transmissão por linha de veios, se nada se enrolou no veio e no hélice na nossa ausência; são acções essenciais que, não garantido que se verifiquem outros problemas, prevêem à partida os que possam ser causados caso se verifiquem algumas destas situações à primeira vista.
Quanto a comportamento em navegação e considerando velocidades diversas... a aceleração, a desaceleração, a manobra, as reacções com vaga de frente, de través, de popa, com cachão grosso, com vaga larga, a posição em que se coloca quando em deriva, o barulho correcto do motor, outros barulhos normais..., são características que temos a obrigação de dominar quase de olhos fechados, no sentido de assegurarmos uma governação segura, tanto para nós, quanto para os companheiros que connosco vão, por cujas vidas somos responsáveis, assim como para podermos identificar rapidamente qualquer anomalia que também possa colocar em causa a segurança a bordo na ida para o mar, nas operações de fundear e alar ferro e na volta ao porto. Quanto maiores forem as nossas capacidades neste domínio, mais libertos ficaremos para resolver com eficácia qualquer situação inesperada, sempre passível de acontecer, em quaisquer condições e em qualquer momento fora da segurança do porto.
Relativamente ao comportamento, quando fundeado, devemos conhecer, como reage o nosso barco, principalmente em situação de vaga atravessada, de modo a mantermos uma postura, sentado ou em pé, que minimize desequilíbrios e desconfortos que tais movimentos costumam produzir, tanto no que respeita à vaga normalmente existente, quanto àquela criada pela passagem de barcos grandes, à qual devemos estar atentos, no sentido de nos salvaguardarmos de balanços inesperados e podermos avisar os nossos companheiros, eventualmente distraídos em acção de pesca, do que vai acontecer.

Relativamente a deslocamentos dentro de barco fundeado, nomeadamente quando este está a mover-se ao sabor da vaga, deveremos fazê-los agarrados aos varandins, se possível, sempre com as pernas afastadas e semi flectidas para melhor nos equilibrarmos ou reagirmos a qualquer balanço que possa provocar desequilíbrios inesperados. Já no que se refere a deslocamentos de companheiros com o barco em andamento, estes nunca deverão ser efectuados sem que o mestre da embarcação tenha conhecimento dos mesmos, sendo preferível que não se verifiquem.
Em navegação, deverá o mestre evitar a todo o custo manobras bruscas - mudanças de velocidade e de rumo - sem prévio aviso aos companheiros a bordo.
Quanto a deslocamentos do mestre, largando o leme, só deverão acontecer com o barco parado, ou se houver um companheiro a bordo que o conduza a baixa velocidade enquanto tal acontece.
Nas manobras de saída do fundeadouro ou amarração e chegada aos mesmos, deverá ser libertado o espaço para a efectuação das mesmas, cabendo tais trabalhos ao mestre, marinheiro ou companheiro conhecedor indicado pelo mestre. Num barco não há democracia, só respeito e quem manda ou decide é o mestre, ou na impossibilidade deste, quem saiba manobrar a embarcação.

As operações de fundear e alar ferro, são outros momentos em que a segurança pode ser colocada em causa, principalmente se não se estiver perfeitamente familiarizado, respectivamente, com o comportamento do barco em situação de deriva ou com a manobra.
Ao largar ferro, o cabo fica à superfície e o barco, enquanto se posiciona, não pode de forma alguma, derivar para cima deste, sob pena de se enrolar no hélice. Este tipo de acidente, normalmente de fácil resolução no caso de transmissões fora de borda ou coluna, pode ser uma dor de cabeça no caso duma transmissão por linha de veios, obrigando a parar o barco e mergulhar para libertar o cabo do hélice, ou a pedir reboque, caso o mestre não consiga mergulhar para resolver o problema, sendo que para todos os efeitos terá, na maioria dos casos, de se cortar o cabo. No caso de tal acontecer na presença de condições agrestes de mar e vento, tudo se complicará, podendo facilmente provocarem-se acidentes graves, principalmente se o ferro estiver preso no fundo e enrolado no veio e hélice do motor, ficando o barco de popa à vaga e se torne difícil cortar o cabo.
Quando em situação de alar ferro, devemos ter os mesmos cuidados, ou seja, manobrar, nunca deixando o barco passar por cima do cabo, pelas razões anteriormente referidas, o que se consegue fazendo manobras largas e longe do cabo, principalmente se o estamos a fazer com o uso de bóia ou "balona", termo muito em uso para a bóia que suporta o ferro.

Os ferros e a quantidade e adequação de cabo constituem, na minha opinião, um dos mais importantes meios de segurança existentes a bordo pela razão de que, em caso de avaria da máquina, são a forma mais segura de imobilizar o barco enquanto não se resolva o problema ou chegue o socorro. Por estranho que pareça, e sem juízos de valor, em nenhuma das fiscalizações das muitas a que fui sujeito, tanto pela Polícia Marítima, quanto pela Guarda Fiscal, foram verificar se existia a bordo o obrigatório 2.º ferro.

Que ferros, que cabo e que quantidade?

Para pescar no mar o ferro mais adequado é o que se chama, na zona de Setúbal, o grampolim. Este elemento de fundeio e segurança, consta de um veio de preferência maciço, em inox ou ferro galvanizado, onde se aplicam 4 a 5 unhas nos mesmos materiais. Tem como função prender-se ao fundo aguentando o barco e libertar-se, quando puxado, endireitando as unhas que serão posteriormente levadas à mesma posição. Importa referir que, para um mesmo diâmetro de unhas, será mais difícil endireitá-las se forem mais curtas, desde que o seu comprimento assegure a prisão em condições de mar variadas.

O ferro que teremos em uso, deverá ter capacidade para aguentar o barco preso, até ao momento em que as condições de mar e vento que o endireitem e consequentemente coloquem o barco à deriva, indiquem que é hora de voltar ao porto, isto é, se este ferro não se aguentar é porque já está demasiado vento e ondulação para estarmos no mar.
O ferro que teremos como segundo ferro, deverá ser mais pesado, rijo e capaz de aguentar o barco fundeado em condições de mar adversas, servindo essencialmente como elemento de segurança e eventualmente como ferro a usar quando queremos fundear em terrenos mais macios que solicitem mais peso para que se enterre ou até umas pequenas chapas que aumentem a capacidade de prender em areia ou lodo.
Qualquer dos ferros referidos, não devem ter peso ou potência que estejam perto ou excedam a capacidade de o barco os endireitar à força de motor.

Para que tenham uma ideia de dimensões e pesos... no caso do meu barco que tem 7,35m x 2,88m, com motor dentro de borda, transmissão por linha de veios e um peso médio de 2.700kg; uso, como ferro habitual, um varão de 90cm de comprimento e 4cm de diâmetro, com unhas de 12mm de diâmetro e 45cm de comprimento.
O 2.º ferro tem a mais, um varão com os mesmos 90cm de comprimento, mas com 4,5cm de diâmetro e aplicação de chapas triangulares nas unhas que são iguais às do 1.º.

Apresento-vos os meus dois ferros:


A ambos, foram retiradas todas as rebarbas originadas pelos cortes de material, arredondadas e alisadas as pontas, para que com eles se possa lidar sem receio de cortes, encostos ou até quedas sobre os mesmos, situações em que, caso não se tomassem tais precauções, poderiam tornar-se fonte de acidentes de gravidade assinalável.  

No que respeita ao cabo, deveremos ter, pelo menos, um comprimento superior, em 2/3, à maior profundidade onde nos deslocamos ou pescamos. Isto para que possamos assegurar um fundeio efectivo, com condições de mar e vento variadas em situação de pesca ou de avaria que obrigue ao fundeio.

Quanto à espessura do cabo, uso três porções, ligadas da seguinte forma:

- Uma base de 200m, com 8mm de diâmetro; ligada a outra porção de +/- 100m, com 10mm de diâmetro; ligada por sua vez a uma ponteira de 15m, com 16mm de diâmetro.

Porquê?

- O cabo de 8mm aguenta perfeitamente o barco e as tracções para levantar o ferro, permitindo armazenar maior quantidade de cabo, atendendo à sua espessura.
- O cabo de 10mm, também pela sua espessura, é mais fácil de manusear e ainda mais resistente a tracções e abrasões, pelo que a sua quantidade é colocada na zona, no meu caso, de mais trabalho.
- O cabo de 16mm, é colocado desde o final do anterior, até ao ferro onde a possibilidade de corte aumenta significativamente quando se fundeia em pontões altos

A ligação ao ferro é feita por mãozinha protegida com sapatilho e manilha travada

O cabo é de polietileno... aquele que flutua. Quanto à cor, intervalo com brancos e verdes em cada porção, para ter a noção da quantidade de cabo largado. Este tipo de cabo é forte, relativamente barato e, por flutuar, permite um melhor controlo do seu posicionamento face ao barco, durante as manobras de alar e fundear. 

Em termos de outros barcos, maiores ou mais pequenos e considerando outras profundidades de trabalho superiores ou inferiores, deverão salvaguardar-se as devidas proporções quer de ferros, quer de cabo.

Meios de salvação, rádio comunicações e electrónica marítima:

Cada barco, face à área de navegação para que está legalmente autorizado por tamanho, características/normas nacionais, europeias e internacionais, terá obrigatoriamente a bordo um conjunto de meios de salvação e rádio comunicações adequado e com fácil acesso.
Sinceramente, concordo que todos esses meios poderão um dia ser necessários e funcionam como um seguro de vida se... quem comanda o barco e os companheiros souberem:

- Utilizá-los
- Localizá-los a bordo

Não quero com isto dizer que todas as pessoas que vão pescar em algum barco de MT ou de amigo, tenham obrigação de conhecer tudo isso, embora mal não lhes fizesse. O que quero dizer é que deverão ter noções mínimas de tal e, sem dúvida, conhecerem a localização dos meios referidos a bordo.
Esta, outra regra que sempre cumpro... quem for comigo à pesca pela primeira vez, é sempre informado da localização, pelo menos, dos coletes de salvação, da balsa, dos fumígeneos, dos extintores e da caixa de Primeiros Socorros, já que a bóia de retenida usada para lançar, no caso de "Homem ao Mar", está à vista de todos, como se vê na foto.


Para além da localização dos meios, importa colocar algumas questões, por exemplo:

- Quem já lançou um very light?
- Quem já acendeu um facho de mão?
- Quem já accionou uma lata de fumo?
- Quem já fez funcionar um extintor?
- Quem já vestiu correctamente um colete salva vidas?

Na verdade, cada um deles tem instruções de fácil leitura, mas sinceramente aconselho a que o façam, escusando-me a indicar em que situação, mas, de preferência, de forma legal e de maneira a não incendiar nada, interferir ou induzir em erro quem quer que seja.

E quanto ao rádio VHF?

Importa usar com parcimónia e de modo efectivo, falando o necessário, numa relação curto/grosso/educado, mas falando de vez em quando, cumprindo as regras e treinando para o dia em que possa vir a ser necessário dominarmos calmamente o aparelho e o que devemos fazer e dizer em situação de emergência, sendo para tal necessário ter memorizado: canais, expressões e comportamentos adequados, que me escuso de aqui referir, atendendo a que são conhecimentos que se adquirem em curso legalmente obrigatório mas, na minha opinião, muitas vezes carentes de treino continuado após curso.

Na verdade, podemos ter o barco cheio de meios de salvação e rádio comunicações, os cursos todos tirados com boa nota, mas se não treinamos e praticamos, quando precisarmos, eventualmente a coisa complica-se.

Sonda, GPS, Radar e Piloto Automático:

O uso adequado destes aparelhos, especialmente quando conectados entre si, aumenta significativamente a segurança a bordo, quando bem utilizados com esse objectivo, tendo em conta a quantidade de informação que nos avisa respectivamente de baixios, localização actualizada em cada momento, localização de outros barcos em caso de falta de visibilidade, conforto e libertação para resolução de problemas em navegação. No entanto, tal não significa que não olhemos o comportamento da vaga, em zonas de baixios, mesmo tendo a sonda ligada; não saibamos os rumos a seguir para o ponto onde nos dirigimos ou para voltar ao porto e os escolhos que podemos ter na rota, mesmo tendo o GPS a funcionar lindamente; não conduzamos com a atenção e velocidades adequadas, quando em situação de pouca visibilidade, mesmo com um bom Radar ligado; ou, abandonemos o posto de comando, sem controlo visual da navegação, porque temos um excelente Piloto Automático, conectado aos outros aparelhos.
Quando fizermos o contrário do acima sugerido, estamos a incorrer em riscos aumentados pelo excesso de confiança em navegação e, em qualquer momento, o acidente pode acontecer, apanhando-nos completamente desprevenidos.
Eu sei que é preciso ter azar, num mar tão grande, de na nossa rota se encontrar um destroço grande e duro, um contentor caído de um barco ou até qualquer outro mais pequeno, mas igualmente contundente em caso de colisão, meio submersos, não detectados pelo radar, mas que poderíamos ter visto se estivéssemos na nossa posição de governação, atentos ao mar. Mas, já aconteceu e pode tornar a acontecer. Valerá a pena arriscar?

Senhores dos nossos conhecimento, das nossas competências, prontos a aprender mais e cumprindo as regras legais e as ditadas pela aprendizagem contínua e bom senso, chegamos ao pesqueiro, fundeamos ou derivamos em segurança e iniciamos a acção de pesca, sem ou quase sem regras escritas...

Que regras estipular ou que cuidados ter?


A maior parte dos acidentes, mais ou menos graves, que tenho tido, testemunhado ou sabido que aconteceram, em situação de acção de pesca lúdica embarcada, estão muito longe de quedas à água, constando essencialmente de quedas no poço ou pancadas por aqui e por ali derivadas dos balanços do barco, cortes, anzóis espetados, picadas por espinhas de peixes diversos ou mordeduras destes aos menos avisados, mais descuidados ou apressados na acção em si.
Para muitos destes acidentes, por experiências vividas, contribuem fortemente, entre outros, os seguintes factores:

- Manuseamento deficiente de materiais
- Arrumação deficiente de malas térmicas, sacos e outros materiais a bordo
- Materiais inadequados à acção.
- Modo inadequado de transporte de materiais em navegação
- Vestuário e calçado inadequado
- Posturas em parado ou formas de locomoção, descuidadas, quando se vai à cabine ou ajudar um companheiro a outro lado do barco.
- Limpeza deficiente da superfície do poço do barco onde nos encontramos ou deslocamos, em acção de pesca ou navegação.
- Afastamento dos acessórios para subir o peixe a bordo ou libertá-lo dos anzóis, quando em presença de determinados peixes
- Desconhecimento sobre a perigosidade e forma de lidar com determinados peixes
- Falta de calma ou pressa na resolução de pequenos problemas.
- Excesso de confiança, a qualquer nível, do mestre e/ou do pescador.

Quem olhe para o conjunto de factores desfiados, até pode pensar: "este gajo é louco...", então agora vou para ali cheio de medo que me aconteça alguma coisa e tenho sempre que estar a pensar em tudo isto?
Ao que responderei: nem pensar!

Importa, quanto a mim e porque resolvi atirar-me para este escrito, chamar a atenção para tudo aquilo que já vi ser causa de acidente, complicar acerca de tal, o que já fiz, e tentar simplificar com um conjunto de regras que sigo, incutido por cada corte, cada queda..., sofridos na pele, observados ou acontecidos a outros.
Então vamos a isso...

Conceitos e regras, relacionados com materiais e arrumações a bordo:

- Deve proceder-se a uma escolha criteriosa de materiais, desde os necessários para fundear ao anzol, de modo a não ter excesso de itens a bordo e/ou materiais que pela sua inadequação possam provocar acidentes. Por exemplo, uma faca que ao ser largada, em cima de uma qualquer placa de corte de iscas, fique por norma com o gume virado para cima, não serve. Isto porque, em caso de uma reacção de apoio, derivada de um desequilíbrio provocado por balanços do barco, implicará certamente um corte profundo na mão ou área com que entrou em contacto.

- Todos os materiais deverão estar arrumados/colocados de forma a que os seus utilizadores, tenham acesso rápido, evitando baixar-se e levantar-se continuamente e com o mínimo de deslocação dentro do barco para os seleccionarem e utilizarem.

- As arrumações e colocações referidas, deverão ter como principal base de escolha o máximo desimpedimento do poço do barco e da zona em que cada um pesca, no sentido de evitar deslocações, contornando-os ou passando-lhes por cima, e, os consequentes tropeções que terão sempre consequências que não dominamos.

-  Em navegação, na ida, volta ou quando se muda de pesqueiro, os conjuntos cana/carreto, deverão sempre ser transportadas, de preferência, com os anzóis presos, sem chumbadas e colocadas em caneiros do tipo que se vê na figura...  


... na ausência destes, o transporte deverá efectuar-se de forma a que não escorreguem, caiam ou deixem sair os anzóis, contribuindo, quando não se tiverem estes cuidados, para situações do tipo: chumbadas que balançam e acertam em alguém ou alguma coisa; anzóis que se espetam por aqui, por ali ou em alguém, e, talvez ainda mais grave, suscitarem a reacção rápida e reflexa dos seus proprietários, no sentido de as salvarem, acabando eventualmente estes por ficarem sujeitos a quedas graves e a tudo o que estas possam originar.

Conceitos sobre vestuário:

- Quanto a vestuário, deverá ser leve, com elementos frescos e mais quentes, em camadas sobrepostas e fáceis de vestir ou despir, de forma a que possamos ir despindo ou vestindo, conforme as temperaturas forem subindo ou baixando ao longo do dia.
Outra condição me parece importante... deve ser minimizado o aumento de volume corporal, assim como partes muito largas ou penduradas e apetrechos do tipo corta unhas, tesouras, facas, desembuchadores..., amarrados e a caírem pendurados, sem controlo sobre as suas prisões por aqui e por ali. Até pode ser giro para a foto, mas não é funcional e, mais dia, menos dia, vai tornar-se perigoso.
Quanto a calçado, dependendo do barco, deverá ter boa aderência, ser leve, relativamente impermeável e fácil de retirar. Sapatos de desporto velhos, botas de mergulho ou Crocs de Verão ou Inverno, são os meus preferidos.
Pescar descalço ou com chinelos abertos, mesmo no Verão com mar calmo e calor, é desafiar a sorte quanto a golpes e bocados de carne a menos originados por tropeções por aqui e por ali; espinhas de peixes que se espetam devido a peixe que possa cair do anzol ou que estrebucha no convés; já para não falar de uma Moreia ou Safio que entre a bordo, entre outras inúmeras possibilidades.
O chapéu, essencial em todas as saídas, na minha opinião, deverá ser de aba larga, fresco para o Verão, quente para o Inverno e nesta última condição coadjuvado por barrete ou capuz de uma Sweet-shirt, para os dias mais frios, tapando assim o pescoço.
O impermeável, deverá adequar-se mais à protecção da água que à protecção do frio, atendendo a que a roupa por baixo, tratará desse assunto, mantendo assim vivos os conceitos de leveza e mínimo aumento de volume corporal.

Conceitos sobre postura em acção de pesca e deslocações a bordo:

- Sobre as posturas corporais, principalmente em situação de pescar em pé, de deslocações dentro do barco, execução de manobras de fundear ou alar ferro e independentemente das condições de mar e vento, deveremos ter sempre em conta o seguinte: assegurar que a nossa base de sustentação é larga e de alguma rapidez de reacção, sendo que para tal as pernas deverão estar sempre com algum afastamento entre elas, com alguma flexão ao nível dos joelhos e com um pé ligeiramente à frente do outro. Se nos habituarmos a ter estes cuidados, aumenta significativamente o nosso equilíbrio em qualquer situação surgida a bordo, principalmente quando não conseguirmos apoiar-nos em cabines, varandins ou outras pegas disponíveis para o efeito, as quais deverão ser sempre utilizadas quando existentes ao longo da deslocação que vamos fazer.

Conceitos sobre cuidados a ter na relação com as capturas:

- Ao entrarmos num barco, devemos de imediato verificar a aderência ao chão que pisamos, limpando-o ou exigindo a sua limpeza caso esteja escorregadio.
Também após a captura de determinados peixes, tanto pelas suas características, quanto pelo facto de terem libertado sangue ou outros fluidos, deveremos lavar a zona afectada e verificar se continua aderente.
Principalmente com Safios, Moreias e Raias, a limpeza da zona onde caíram e com eles lidámos vai ter de ser obrigatória devido às substâncias relativamente fluídas, viscosas e escorregadias que sempre libertam. No caso de outros peixes, pelo menos a verificação deve ser feita.

- Na lidação com as capturas, desde a subida a bordo, até à colocação na mala térmica, deveremos ter em consideração que, entre outras situações, qualquer peixe poderá provocar-nos, cortes, espinhas ou anzóis espetados, dentadas mais ou menos graves e até, em alguns casos (Peixe Aranha, Rascasso...), picadas venenosas que nos podem levar a consequências graves, impossibilitando-nos ou diminuindo-nos a capacidade de reacção para quaisquer outras situações que possam acontecer.
Para prevermos problemas deste tipo, devemos antes de mais ter à mão os seguintes materiais:
- Uma faca bem afiada, que espete, com uns 15cm de lâmina grossa, que não se feche e que ao ser largada em qualquer superfície mais ou menos plana não fique com o gume virado para cima. Uma faca deste tipo, assegura que poderemos lidar com qualquer peixe, independentemente das suas dimensões, sabendo que não parte a lâmina, não se fecha se tivermos de com ela espetar o peixe e que a nossa mão ficará com um afastamento razoável dos movimentos do peixe. Se for um pouco maior, também não se perde nada.
- Um alicate de pontas direitas ou torcidas, forte e com uns 25 ou 30cm, para retirar anzóis ou agarrar certos peixes pela boca, mantendo-os afastados de nós.
- Um pano grosso e de dimensões consideráveis que servirá para limpar o chão e para podermos envolver os peixes, enquanto lhe retiramos o anzol da boca, diminuindo as hipóteses de nos espetar espinhas ou o anzol, ao escorregar da mão. Este pano poderá ainda servir para apoio quando libertamos a linha que se prendeu ao fundo, se bem que, quando a lidar com linhas mais potentes, o uso de luvas grossas será o mais indicado. Também um outro pano com o qual limparemos as mãos continuamente, para que não escorreguem ao manusear materiais.
- Um desembuchador de anzóis, considerando a sua utilização para peixes até 1 a 1,5kg.

Na lidação com peixes mais pequenos, principalmente Sarguetas, Ganopas e Peixes Piça é aconselhável, agarrá-los após envolvidos pelo pano e retirar-lhes o anzol com a outra mão, usando ou não o alicate ou o desembuchador, conforme a situação em que vem espetado. Estes são peixes que facilmente nos espetam as suas espinhas e, no caso do Peixe Piça, por ser muito escorregadio, é usual escapar-nos da mão, espetando-nos o anzol durante esse movimento.

Quando em situação de peixes maiores, como os Safios, Moreias, Pargos, Douradas e outros, há um primeiro cuidado que sempre deveremos ter: ao chegarem à superfície e, durante a luta final, enquanto não suportados pelo enxalavar ou bicheiro, podem soltar-se ou partir a linha que, em tensão e funcionando como elástico, disparará a chumbada e anzóis para cima a uma velocidade significativa podendo provocar acidentes graves ao pescador em luta ou a outros que estejam ao lado e se ponham a jeito. Também a pescar com amostras, tal facilmente poderá acontecer, acrescendo a gravidade quando mais pesada for a amostra ou o peixe do qual esta se liberta. Portanto, tanto o pescador, quanto quem esteja a ajudar, deverão desviar a cara e os olhos da trajectória possível e estarem atentos para se defenderem desta possibilidade.
No caso dos Safios e Moreias, todos os barcos deveriam ter a bordo um bidon alto de boca larga e fechada face ao seu diâmetro máximo, onde estas espécies seriam directamente depositadas, logo que elevadas ao poço, sendo o estralho cortado. Uma acção deste tipo evitará perdas de tempo e riscos desnecessários, decorrentes das loucas movimentações, características destas espécies, assim que caem no poço de pesca.
Os Pargos, Douradas e outros, poderão ser depositados no poço, usando-se o pano grosso e o alicate para a sua libertação ou o corte do estralho caso venham embuchados.
Quando se pretenda tirar foto, é importante aguardar que percam um pouco de vida e nunca introduzir as mãos muito dentro das guelras, sob pena de cortes importantes, quando estes peixes ainda vivos afastam e apertam os opérculos e se movimentam. Caso um dia capturem um Robalo é bom que os menos informados saibam que os opérculos destes, para além do movimento, têm espinhos distribuídos ao longo da sua orla, sendo que tentar agarrá-los por aí, quando em vida e com mãos desprotegidas, equivalerá a golpes importantes.
Sobre outros peixes, haveria ainda muito a dizer acerca de cuidados de segurança, coisa que não vou fazer por aqui, tendo unicamente deixado alguma informação sobre os mais usuais, no sentido de chamar a atenção, em termos de segurança a bordo, para o conceito relacionado com a necessidade de adquirir conhecimentos sobre as espécies com que poderemos, passo a passo, vir a lidar.
Se não se conhecer determinado peixe, há que assumir e perguntar. Não vale a pena arriscar.

Conceitos relacionados com o comportamento do mestre e/ou pescador:

Não menos importantes que tudo o que atrás se falou e tendencialmente muito ligados ao conhecimento, competência e bom senso, são os conceitos sobre os comportamentos a bordo talvez os que influem mais na segurança.
O pescador e o mestre, com responsabilidades acrescidas para este último, devem comportar-se com calma, sem pressas e sem excessos de confiança ou "valentias parvas", tendo em conta que todos estão em contínua aprendizagem e que em algum momento serão confrontados com situações novas que terão de resolver, através da leitura destes imprevistos e necessária resolução com base nos conhecimentos competências e bom senso adquiridos até ao momento. Para tal importa ainda que estejam nas melhores condições físicas e psicológicas possíveis, sendo adequado:

- Não se alimentar de forma copiosa e demasiado "regada" no dia anterior
- Libertar fezes, antes de embarcar (desculpem a franqueza)
- Cumprir horas suficientes de sono
- Moderação ou ausência de consumo de álcool durante o tempo que se está no mar. Se houver um acidente, para além de lidar com ele, ter-se-à de lidar com quem quer que não esteja na posse de todas as suas faculdades físicas e mentais. Principalmente neste caso, o mestre terá responsabilidades acrescidas.

Para além de tudo isto que, pessoalmente, me obrigo a cumprir, ainda uso - por obrigatoriedade legal recente e mal grado me aumente o volume corporal e bata em tudo o que mexe ou está parado, tornando-se extremamente incómodo e na minha opinião, fonte de acidentes a bordo - o auxiliar individual de flutuação, sobre o qual já emiti opinião em artigos anteriores, não cabendo na minha visão de bom senso quando aplicado à acção de pesca lúdica embarcada, com várias pessoas a bordo e exceptuando incapacidades individuais de vários tipos, nomeadamente, não saber nadar ou estar muito pouco familiarizado com o meio aquático.


Muito fica por dizer sobre segurança, esperando no entanto que o que para aqui fui escrevendo contribua para realçar pormenores relacionados e principalmente a necessidade de ordenarmos conceitos e consequentemente melhorarmos comportamentos a exibir antes, durante e após a prática da nossa actividade

Mudando de assunto, mas muito bem comportado e cumprindo com as regras legais e as que, não estando escritas, por aqui desfiei, as pescarias foram andando desde a última entrada até este último Sábado, atacando principalmente os Pargos e Douradas que já começam a dar um ar da sua graça, caindo mais à Sardinha, ou por efeito desta, do que ao Caranguejo, deixo-vos com as imagens...

O João Martins e o seu Sargo Veado:


A Dourada do Zé Beicinho, num dia em que elas andaram por lá, pode dizer-se... com alguma regularidade.


O Zeca e uma das suas Douradas:


O Maior do dia, pela mão do Zé Beicinho:


Um dos quatro que calharam ao "Gajo do Sapato" (dois da mesma "equipa" e dois mais pequenos):


O Nuno Mira, com um Sargo de bom tamanho...


... e também com uma douradita:


Douradas que entraram, em todos os dias, já com a tarde bem lançada, permitindo olhar o Por do Sol...


Finalmente, a cereja no topo do bolo, com este Pargo Dourado, capturado pelo Tózé.


Foram boas pescas, sem serem extraordinárias, muito sofridas por via do peixe miúdo, sempre activo, obrigando-nos a usar iscas grandes de Sardinha e Caranguejo que consumiam em segundos, permitindo entradas de peixe intervaladas que compuseram caixas bonitas e sempre com condições climatéricas magnificas.

Quanto ao uso dos auxiliares individuais de flutuação, todos cumprimos com a lei, excepto no momento das fotos, em que os retirámos unicamente por questões estéticas, sendo o Zeca o único que quis mantê-lo em imagem. Considerando a falta de regulamentação, o estado do mar que se verificava e o não estarmos em acção de pesca enquanto tirávamos fotos, espera-se que daí não venha mal ao mundo!?

Sobre o assunto principal desta entrada, fica claro que, na minha opinião, importam muito mais os comportamentos responsáveis, baseados no conhecimento, competência e bom senso que aqueles ditados unicamente por algumas leis que não educam, antes nos tentam fazer sentir rapazinhos mal educados e irresponsáveis.


Boa tarde a todos os leitores

20 comentários:

Unknown disse...

Olá Ernesto

- Magnifico artigo. Bem escrito e com informações que nos podem salvar a vida.
Mais uma vez, obrigado por esta partilha dos teus vastos conhecimentos sobre pesca.

ToZe

João Martins disse...

Viva Ernesto
Aqui está mais um artigo para o TOP!
De facto e sem qualquer margem para dúvidas, isto sim, é segurança!
Percebi agora em pleno o porquê de observações que faz (e acato) e de algumas atitudes suas nas nossas saídas no Makaira.
Quanto aos coletes (pelo que tenho lido os auxiliares são outra coisa bem mais simples e para nada servem nalguns cenários) incomodam de facto se usados em permanência.
Infelizmente estou convicto que na prática muito poucos observam estas regras de ouro num barco e atrevo-me até a dizer que a grande maioria nem terá "ideias organizadas" sobre o tema.
E a ser assim, até entendo as disposições da lei. Entendo-as contrariado mas "sem grande revolta".
Podia-se ter optado por uma medida mais pedagógica e muito mais sólida para o futuro, lá isso podia...

Abraço JM
.

Anónimo disse...

Viva Ernesto
Excelente análise . Abr.
Serafim

Ernesto Lima disse...

Boa noite Pessoal

A todos agradeço os comentários.

Ao Tózé:

Não sei se salvará vidas, mas certamente contribuirá para diminuir erros que podem custar caro, tanto física quanto materialmente.

Ao João Martins:

Quanto à lei, nem é uma questão de revolta, é a verificação de que tenho profundas dúvidas de que seja por aí que os principais acidentes, na prática da pesca lúdica embarcada, vão ser resolvidos ou minimizados... infelizmente. Espero sinceramente estar enganado.

Ao Serafim:

Penso que é a primeira vez que acede aqui à zona de comentários pelo que lhe endereço um grande seja Bem Vindo.

Abraço para todos

Anónimo disse...

Gostei muito de ler este artigo, muito bom mesmo, parabéns pela escrita. Este é precisamente o motivo pelo qual ainda não ganhei coragem para experimentar a embarcada no mar. Gostava de fazer uma pergunta: qual o maior susto que apanhaste no mar desde que pescas embarcado no makaira?

Ernesto Lima disse...

Boa noite Sr. Anónimo

Depreendo que seja conhecido e se esqueceu de assinar, de qualquer modo, grato pelo comentário.

A sua questão pôs-me a pensar e, de facto, não me lembro de um susto.

Não entenda tal, como valentia parva ou estar-me a armar ao pingarelho, antes porque na verdade, as situações que foram complicadas, resolveram-se sem susto, talvez derivado a ter percorrido os passos necessários desde a caça submarina e depois na pesca, com vários barcos e em várias situações, aprendendo com os erros e tendo cada vez mais cuidado com os métodos... não posso dizer ao certo, nem me vanglorio disso.

Agora, situações complicadas que se resolveram, aí sim, tive algumas, desde cabos enrolados no hélice a um amigo que caiu ao mar pela abertura da porta que dá acesso à plataforma de banho, passando por dentadas de Moreia e os normais cortes e picadelas de espinhas de peixe, tive um pouco de tudo e não me sinto livre de tornar a tê-los, embora em situações diversas, sempre difíceis de prever e por tal os cuidados que sempre tenho.

Posso dizer-lhe que, entre todos, a queda desse meu amigo ao mar, foi talvez o momento menos complicado, sendo que, quando ele se desequilibrou, eu apercebi-me, agarrei de imediato na bóia de retenida, fiz saltar os sapatos e quando cheguei à borda, já ele estava agarrado à plataforma de banho, não se tendo sequer tido tempo de apanhar seja que susto fosse. Depois dei-lhe toalha seca e uma muda de roupa inteira, coisa que não falta lá no barco.

Fora isto, foram mais complicados:

- Um reboque por entupimento do circuito de combustível, devido às impurezas do gasóleo. Sem problemas nem sustos
- Um cabo no Hélice, logo à saída da marina que me obrigou a mergulhar para o tirar, após fundeio do barco. Sem problema.
- Mais três enrolamentos no cabo do hélice, um porque o cabo do barco se rebentou e veio ao hélice, o que me fez passar a ter 15 metros de cabo de 16mm de diâmetro na ponta. Outros dois, por erro na manobra de alar ferro, em momentos separados e que me fizeram aumentar a largura das manobras e deixar a bóia longe, por preferir fazer um pouco mais de força e gastar mais tempo a alar o ferro, do que ter de mergulhar para resolver o problema, coisa que aconteceu em ambas ocasiões.

Mas como digo... sustos não posso dizer que tenha tido, antes chatices de imediato resolvidas e algumas documentadas por aqui.

Mas não os quero ter e, por saber que podem acontecer com alguma facilidade, tenho isso sempre presente quando saio para o mar.

Abraço

Anónimo disse...

Olá Ernesto, obrigado pela resposta. Na minha zona (Aveiro) pesca-se muito longe da costa (penso que demoram cerca de duas horas a chegar, 14 milhas?) e tenho muito receio que uma alteração do estado do mar repentina, mesmo que para quem esteja habituado não cause grande mossa, possa tornar a situação em algo que não queiramos recordar e o pessoal aqui vai para o mar para estar lá o dia todo.. por outro lado costumo comparar as previsões do windguru e weather online com o estado real do mar e do tempo e por vezes falham e o mar cá para cima tenho ideia que se pode alterar com facilidade. Isto sou eu que digo que não tenho experiência nenhuma, quem vai diz maravilhas, mas também quem vai com regularidade todos dizem que já tiveram experiências menos boas ao nivel do estado do mar, se houvesse maneira de distinguir dias em que não há a minima duvida que vai ser pacífico ainda arriscava, assim vou vendo os relatos das boas pascarias que por lá fazem. Cumprimentos Filipe (esqueci-me de assinar na mensagem anterior, não foi por mal)

Anónimo disse...

Já agora foi precisamente por saber do percurso que tens que direccionei a pergunta para a tua experiência no makaira, porque acho que o saber adquirido pela experiência é fundamental para não cometermos erros, e depois nunca arriscar, e o pessoal às vezes fica cego pelo peixe que pode tirar e o mais importante é passar um dia bem passado no mar, se a isso juntarmos uns peixes bons porreiro, se não já valeu pelo dia passado na pesca. Obrigado pela partilha. Filipe

Ernesto Lima disse...

Viva Filipe!

Sobre a questão do anonimato, não tem problema e, por acaso, pela forma de escrever, fiquei logo com a ideia que podias ser tu.
Quanto ao que referes sobre o estado do tempo, há dias em que é possível ter quase a certeza de que vai estar bom, nomeadamente aqueles dias enquadrados em 4 ou 5 dias de tempo fiável, com ventos de terra e vaga mais baixa, com períodos acima de 10 segundos.

De qualquer forma, sempre poderá ao longo do dia haver alguma alteração que provoque uns balanços chatos e desconfortáveis.

Quanto a ir para fora, quando estava aqui em Setúbal, pescava muitas vezes entre as 16 e as 20 milhas do porto, com um barco de 6 metros e um motor Honda de 90 HP, mas só ia com calmarias e cuidados a condizer.

Convenço-me que os barcos de que falas, serão de MT, maiores e certamente os mestres sabem o que fazer e têm os barcos preparados e com os meios necessários para se salvaguardarem dessas situações, embora o mar por aí seja agreste, mas é a zona deles e certamente conhecem-na.

Quanto a riscos, pois... estão sempre presentes, mas não me parecem superiores a andar de carro em qualquer estrada nacional, desde que o conhecimento do mestre e a embarcação estejam ao nível das pescas que fazem.

Abraço

Anónimo disse...

Os ventos de terra são sempre os melhores para acalmar o mar, certo? Quando tirei a carta de patrão local o comandante que nos deu o curso disse-nos uma vez que quando o vento começasse a rodar para norte comecar a recolher o material, e se rodasse para nordeste então era zarpar o mais rápido possível porque iamos levar porrada. As MT por aqui têm barcos desde 8,5 a 11, mas também ja me disseram que os Silcar 8, 5 mt são dos que melhor de portam, que sentimos menos o mar, não sei o que pensar. Ainda por cima por aqui dizem que a melhor época é o inverno que por norma tem sempre o tempo mais agreste. De qualquer forma dá alguma confiança ouvir alguém com conhecimento de causa e sem interesse falar sobre o assunto. Isto do mar e das previsões é algo que me interesa bastante e dava muito que falar mas também não quero entupir o blog com duvidas. Obrigado mais uma vez pelo esclarecimento. Filipe

Ernesto Lima disse...

Viva Filipe.

Podes entupir o blogue à vontade... sem problema.

De forma algo simplista e abreviada, quanto aos ventos, tudo depende das intensidades dos mesmos.
Os ventos de terra normalmente são indicadores de tempo mais estável, no entanto se forem intensos, criam cachão grosso e muito chato, para voltar ao porto, se tivermos de navegar de proa a eles.
Por sua vez os ventos dos quadrantes S a W, embora favoráveis para a volta a terra, tendem a ser indicadores de condições instáveis e borrascas das grossas, principalmente os vindos de Sul até NW, passando pelo W que também criam normalmente dificuldades superiores nas entradas de barras na costa Oeste, dependendo da orientação dos molhes e da dificuldade de entrada característica de cada uma delas. Portanto, serão sempre as suas intensidades ao longo do dia que poderão ditar, mais ou menos chatice e conforto/desconforto.
De facto, andar 14 ou mais milhas para terra, com vento forte pela proa ou través fechado a esta, é uma grande chatice e dá cacetada com fartura, obrigando a uma navegação cuidada, quanto a rumo e velocidade, e, adequada ao barco que se tem e ao seu comportamento face ao cachão grosso (vaga relativamente alta e com um período curto).
Verdade também que em caso de avaria, quanto mais agrestes estiverem as condições de mar e vento, mais difícil a sua resolução.
No meio disto tudo, encontra-se o equilíbrio, coisa que caberá ao mestre entender, assumir e reagir face à segurança pela qual é responsável.

Abraço

Anónimo disse...

Já agora fazia mais uma pergunta, falaste da entrada na barra, pelo que dizes e pelo que ja ouvi dizer é sempre um ponto crítico da navegação quando as condições não são as melhores, quais os cuidados a ter aquando da entrada em condições desfavoráveis? Contou-me um amigo que costuma ir que já chegou a navegar às voltas durante mais de uma hora para conseguir entrar.. deve ser uma situação complicada... Filipe

Ernesto Lima disse...

Viva Filipe

Entradas de barras... outro assunto que dava para escrever um livro ou um livrinho por cada uma das mais complicadas.

Conheço algumas, barras e entradas que nem se podem chamar barras, mas onde o perigo espreita, principalmente em determinadas condições.

Também de forma muito simplista, quanto mais profundidade tiverem, menos tendência para formar vaga que se enrola e parte em qualquer momento.
Em barras onde o mar se junta com o desaguar de algum rio e se este tem corrente forte de vazante e enchente e baixios aqui e ali, tudo se complica, ainda mais se for de águas pouco profundas.

Dizem os marinheiros antigos e muitos homens do mar, mais ou menos isto: "... quando se levanta tempestade o melhor porto é o mar".
Este dito refere-se muito a que mais valerá ficar no mar, com motor a trabalhar frente à vaga, do que tentar entrar numa barra complicada com determinadas condições que no seu conjunto nos podem fazer "morrer na praia" outro dito.

Imaginemos uma barra com águas pouco profundas ou até nem tanto que, na foz de um rio com uma corrente de vazante forte e com vento também fresco ou forte, soprando no sentido contrário ao rumo da vazante. O que vai acontecer é um aumento de vaga por efeito do vento e um encurtamento entre vagas, derivado do frente a frente do vento com a maré, com hipóteses francas de que a vaga se enrole e parta de quando em quando, sem a regularidade que o mar aberto muitas vezes oferece, tudo se complicando se a maré já tiver umas 3 a 4 horas de vazante.
Numa situação deste tipo, a maioria dos barcos, com maior perigo para aqueles menores que 8 a 10 metros e sub motorizados, vão sofrer bastante, os mestres vão ter de estar muito atentos e toda a gente a bordo deve envergar o colete de salvação e não o auxiliar de flutuação individual, porque os coletes de salvação, sem excepção, mantém as cabeças fora de água.

Mas ainda melhor, nesta situação... é preferível ficar cá fora, em águas profundas, aguentar a vaga de mar, de proa, calmamente, e aguardar que a maré comece a encher (melhor de dizer aqui sentado do que fazer...), sendo que com vento e vaga a favor, tudo se simplificará, com estados de mar quase a 180º da situação anteriormente descrita, pela simples razão de o vento e a vaga alinharem rumo.
Assim fiz várias vezes na Barra de Setúbal e também entrei com a situação mais complicada, podendo afirmar que fechei o barco todo, vesti e mandei vestir coletes e a coisa fez-se. Mas tinha-se feito muito melhor se tenho esperado uma horita lá fora.
Portanto em barras deste tipo, importa conhecer os alinhamentos mais seguros para entrar e sair, as horas de vazante e enchente, evitando sair para o mar em dias que indiquem ventos mais frescos ou fortes em hora de volta com a vazante ou simplesmente entrar a uma hora que evite a situação.
Outra verificação a ter em conta será: quanto menos profunda for a barra, nomeadamente se os fundos forem de areia, maiores alterações nas entradas mais fiáveis, poderão ser induzidas por tempestades prolongadas e fortes, sendo bom, após situações deste tipo, olhar a entrada da barra de pontos mais altos, ou na falta destes, observar o partir da vaga durante a baixa-mar, tentando perceber se algo se passou para que não se seja apanhado de surpresa.

Ainda melhor que tudo isto é não sair com previsões meteorológicas a descambar para a chatice, coisa que acho, os pescadores lúdicos e desportivos deverão fazer, mas que já não posso pedir a 100% àqueles que têm de dar de comer aos filhos com o pescado capturado, mais conhecedores e sempre com os olhos no mar por necessidade. A esses que muito respeito, só lhes peço: por favor... tenham cuidado. Principalmente ao pessoal que tem de sair de barras, quase sempre em aventura.
Pessoalmente, na barra do Porto de Sines que é uma pêra doce, pouco mais posso fazer.

Espero ter dado uma ideia...

Abraço

Anónimo disse...

Viva Ernesto,
Em meu entender está um artigo do melhor, mais útil que já fizeste. Arrisco até a dizer que sinto que talvez tenha sido o artigo mais "técnico" e mais difícil para ti escreveres. Mais difícil porque noto que deve ter sido complicado para ti escrevê-lo de forma a ser entendido por todos, isto é, ser percebido facilmente sem dares informação a mais e com muitos termos técnicos. nota-se essa preocupação que todos agradecemos. Um artigo/bíblia, um verdadeiro ABC...Z da segurança. Já li, reli e faço conta de, como faço com muitos outros artigos teus, voltar mais vezes.
No entanto, cada vez que tenho vindo aqui ler este artigo(e já foram algumas) dou comigo a pensar porque raio num curso náutico, não nos falam num décimo disto??
Quando tirei patrão local, até escolhi uma escola que nem era a mais barata, mas que tinh boas referências, com o intuito de aprender alguma coisa e o curso até foi mais longo do que o normal. Segundo consta, e falando com amigos que tiraram o mesmo curso noutros lados, até se falou e aprendi mais algumas coisas. Agora, comparado com o que aqui nos explicas e, até com o tenho aprendido no mar nas minhas saídas ao longo destes anos, sinto que foi muito pouco. Será que não estaria na hora das escolas, quem faz os exames, decide as matérias se actualizarem? Para quê tantas horas a fazer cálculos de rumos, posições, ect, quando estamos a falar de cursos direcionados, e que habilitam, para uma navegação costeira e até com os aparelhos modernos que estão acessíveis a todos já? Não me lembro de me terem "ensinado" a importância da organização a bordo, nem de como levantar um ferro, ou experimentar um extintor ou um facho de mão sem ser em simulações. E a minha escola até nos deu aulas prácticas nocturnas... Agora “empinar” um sem números de regras, de bandeiras, de normas, isso sim, lembro-me bem e foi MUITA MUITA coisa. Que, por acaso, não me lembro de ter aplicado quase nada, mas enfim...
Talvez até nestes anos que passaram se tenha actualizado alguma coisa, embora não acredite muito.
Quanto à pesca, como sempre, belíssima.
Obrigado por esta "enciclopédia"
Um abraço
João Carlos

Roberto Vicente disse...

Boas amigo Ernesto,

Uma vez mais, é com prazer que leio este artigo.
Escrito de forma irrepreensível, como já nos tem habituado e muito completo, tão completo que confesso ter demorado mais de um dia a ler...
Um artigo desta importância, não poderia ser lido à pressa, numa escapadinha de trabalho!

Venho para comentar e encontro ainda um curso intensivo compacto, de entrada e saída de barras...
Do melhor!

O tema, não poderia ser melhor.
Muito actual, tendo em conta infelizes acontecimentos recentes e repetidos...
O perigo está sempre à espreita, mas nós podemos estar prevenidos, atentos, preparados e ter, ou conhecer, mecanismos para agir de acordo com a situação.

Apesar da minha curta experiência, apenas um ano nestas lides, já tive um q.b. de situações que, não sendo propriamente aflitivas, já deram para assustar.
Tomo a liberdade de relatar a mais problemática.
Foi uma situação que ninguém espera que aconteça e é por isso que, por mais preparação que se possa ter, com motores auxiliares, duas ou três baterias, ferramenta que dava para abrir um loja de ferragens, existe sempre algo que pode nos surpreender.
Após uma tarde bem passada, sempre no mesmo pesqueiro, decido dar por findada a pescaria e regressar ao porto, aperto a "pêra" do combustível e dou ignição, como de costume, a máquina não me deixa ficar mal e arranca com um trabalhar certinho, engato de seguida avante mas o barco não se mexe, engreno à ré, sente-se na perfeição as engrenagens a funcionar mas ainda assim não há movimento, decido subir o trim e, para espanto geral, não está lá o hélice?!?!
Parece que, o anterior dono da embarcação (que comprei usada) facilitou e colocou um perno de segurança da porca em ferro oxidável em vez de usar um inox e este haveria desaparecido sem que eu me apercebesse, maçarico...
A ré que engrenei ao fazer a poitada terá sido determinante para a porca desapertar, uma vez que só desaperta com máquina à ré e, consequentemente, fazer o hélice saltar fora.
A situação foi resolvida com recurso ao hélice "suplente" que não era mais do que o hélice de origem que estava a determinada altura foi trocado por um novo e ficou no barco para qualquer eventualidade, ora aí está ela!
Não tinha a porca pelo que tive de improvisar com umas abraçadeiras de inox do tipo canalizador para evitar perder o último hélice a bordo.
No caminho de regresso e atracagem tive o cuidado de não usar a ré e manter uma velocidade baixa e constante.
Agora, além do hélice suplente, tenho também uma porca e um perno suplente, para qualquer eventualidade...

Outro percalço que me lembro, foi um mergulho não programado, em barco fundeado, fruto de um desequilíbrio na estreita passagem do poço para a proa, curiosamente, sem auxiliar de flutuação e ainda assim, estou aqui a escrever...
O maior visado foi o telemóvel que estava no bolso, que ainda assim também sobreviveu e continua no activo. (o texto pode não deixar passar a ironia pretendida).
Um muda de roupa resolveu o resto da situação.

Despeço-me porque já vai longo,
Um abraço,
Roberto Vicente

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal

Aos últimos comentadores, agradeço os comentários.

Ao João Carlos Silva:

Sobre a questão das escolas de navegação, penso sinceramente que se evidencia necessário uma actualização que está mais dependente de quem faz as leis do que das escolas que têm de cumprir um programa, algumas procurando acrescentar informação àquela obrigatória por lei.

Sem colocar em causa o ensino e conhecimento, penso que algum do que se continua a passar deveria sê-lo em termos históricos e deixando caminho para interessados nessa área. Já tem outros conhecimentos que precisavam de aprofundamento e estão a ser passados de forma quase informativa. É uma opinião... claramente discutível.

Ao Roberto Vicente:

Antes de mais agradecer pelo caso apresentado, atendendo a que não falei dessa possibilidade (a falência do hélice) que poderá, mais facilmente, num motor fora de borda ou interior com transmissão por coluna (Z-drive), para além de soltar-se, desvulcanizar-se, sendo que neste caso só se conseguirá navegar ao ralenti e por vezes nem isso, obrigando a ter sempre um hélice e meios de aperto suplentes.

Abraço

Luís de Lima disse...

dae, beleza? como curti muito o blog, recomendo assistir a fishtv na net now para vc ter mais conteúdo ainda pra postar. Flw, cara!
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ganhar curtidas disse...

Incrivel!

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