domingo, 24 de janeiro de 2010
Mais 1 ano... E vão 3!
Ontem, dia 23 de Janeiro de 2010, completou-se mais um ano de existência deste espaço.
Não me esqueci! Unicamente, coincidiu com um dia de trabalho, cheio de actividades desportivas, impossibilitando que cá viesse falar convosco, mas, descansado e impossibilitado de pescar devido às condições meteorológicas que teimam em se mostrar avessas nos fins de semana, cá estou para assinalar a data.
Em cada aniversário tenho, de algum modo, feito um balanço do que para aqui escrevo, baseando-me nas Vossas visitas e comentários, assim como nos resultados que tenho obtido. Sinceramente, tendo hoje percorrido, muitas das entradas, comentários e fotos, senti-me bem! Senti-me numa casa com algum espaço, frequentada por amantes da mesma actividade: Pescadores! Um local onde me sinto cada vez melhor e quero manter em funcionamento!
Olhando melhor, sinto estar num sítio, tipo loja de pesca ou café de clube náutico, onde se mantém um grupo de companheiros habituais, conversando, procurando momentos em que calculam poder encontrar-se e falar de pesca, sem certezas ou verdades absolutas, dissecando ao pormenor resultados positivos ou negativos de cada pescaria e tentando entender como melhorar as condições da sua pesca.
Vêm também aqueles que entram, falando umas vezes e até juntando-se aos habituais, engrossando o grupo; assim como, muitos que olham para tudo o que está exposto, passam algum tempo e não se relacionam. Por vezes... Nem Bom Dia dizem!
Talvez por timidez, talvez por tantas outras razões mais ou menos conhecidas, normais e certamente discutíveis no universo desta nossa actividade.
Não me estou a queixar nem a fazer juízos de valor, unicamente a constactar o que me parecem ser factos.
Todos são Bem Vindos!
Quero agradecer, aos que me comentam: as críticas construtivas, questões colocadas e palavras de incentivo que me têm dirigido. Aos que me visitam, a assiduidade que consigo verificar e a preferência pela escolha. A todos os leitores por, no seu conjunto, formarem comigo esta pequena comunidade onde tão bem me sinto.
Em termos de futuro, o que posso afirmar "de boca cheia" é que me sinto bem aqui, quero continuar e, pelo menos, manterei a coerência com os pressupostos descritos na primeira entrada que aqui coloquei (http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/minha-pesca-23jan07.html.), não tendo em qualquer momento faltado às orientações que me impuz, principalmente no que respeita a reflectir e procurar, versus definir e afirmar, tendo por base os resultados por mim obtidos, verificados e expostos pelas formas mais claras que me tem sido possível.
Festejando o momento... Ergo o meu copo e desejo a todos vós o único bem que nos pode tirar a pesca e a vontade de conversar sobre ela: Saúde!!!
Abraço e continuação de um bom Domingo!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Material de Pesca... Uma dor de cabeça!
Além do mais, sempre que se aborda o tema em locais deste tipo, existe a tendência para se pensar que alguma marca estará por trás da conversa, atendendo a que alguns de nós (pescadores e outros...) usam e abusam dessa estratégia, de forma mais ou menos declarada.
Considerando o prólogo, vou-me atirar à tarefa tendo em conta a minha história abreviada de relações com o material, desde o início até aos dias de hoje, passando por alguns conceitos que fui desenvolvendo sobre razões, escolhas, aquisições e... Outras questões, direccionadas essencialmente para a pesca embarcada ao fundo, em barco fundeado.
O primeiro homem que pescou, penso eu, deve ter olhado em primeiro lugar o comportamento dos peixes e, após o despertar do interesse na sua captura, certamente olhou à volta e procurou algo que lhe servisse para o efeito, iniciando-se eventualmente nesse preciso momento a história do material de pesca. Este pescador teve de pensar e fazer tudo pela sua cabeça coisa que, como sabemos, não acontece nos nossos dias, nem sequer quando me iniciei... Não sou assim tão velho!
Na primeira vez que fui, emprestaram-me uma cana e mostraram-me como trabalhar com tudo aquilo, empatar anzóis, fazer a madre, primeiras iscadas, enfim... O mínimo essencial seguido do velho: "agora desenrrasca-te"!
A tudo isto, seguiram-se as primeiras experiências e claro, a consequente aquisição dos primeiros materiais... Algo parecidos com o que se encontra na imagem abaixo, sendo que o SOFI foi de facto o meu primeiro carreto, montado numa cana de fibra de 1,80 mts, de acção total e tão macia que qualquer Choupa, pouco maior que a actual medida mínima, a fazia vergar até ao cabo.
Fios aconselhados: 0,50, para o carreto; 0,45, para a madre; e, 0,40, para os estralhos que eram amarrados à madre pelas célebres voltas de fiel rematadas abaixo e acima. Em monofilamento, claro!A montagem referida assegurava, segundo os "velhos", a quebra sucessiva de estralhos, madre e fio do carreto, em caso de "arrochanço" ou de peixe maior, na altura, uma miragem para mim! Já o "arrochanço"... Não tanto.
Quanto ao resto do material, anzóis, destorcedores, etc.; era tudo a condizer.
Verdade se diga que, já na altura, os "velhos" se pegavam em discussões sobre material, nós, montagens e eu não entendia muito bem... Como é que havia de entender? Ia numa traineira com mais 25, o dinheiro só chegava para o que tinha, até apanhava uns peixes... Queria lá saber!
Ainda assim, pergunto-me... Será que, actualmente, o início de um pescador será muito diferente?
Certamente, dependerá de quem o leve, de quem o oriente, de algum conhecimento anterior, em suma, de todo um conjunto de circunstâncias e motivações que o levem a decidir-se pela pesca. Uma coisa é certa, se for minimamente avisado, tem à sua disposição um conjunto de informação impensável para aquela época ou, se quisermos ser cépticos, um conjunto de desinformação originado pela quantidade de oferta, pela falta de seriedade de alguma dela e pela consequente dificuldade de discernir sobre a melhor relação preço/qualidade/adequação à técnica escolhida/etc.. Isto sem contar com os esclarecimentos de alguns lojistas que colocam por vezes a venda cega em primeiro lugar, esquecendo-se que mais tarde terão largas hipóteses de perder um cliente. Mas mais tarde... Quando? Porquê?
O quando, dependerá do tempo que esse pescador levar a evoluir na técnica que escolheu e o porquê, terá a ver com o momento em que essa evolução o faça entender que o tal lojista lhe vendeu um produto inadequado ao que pretendia, muito porque não o ouviu bem e só pensou em vender ou pura e simplesmente não sabia. Também acontece.
Outra questão pertinente tem a ver com outros pescadores a quem se solicite conselho que, por estarem num patamar mais avançado, poderão indicar-lhe materiais que, sendo ou parecendo adequados para os próprios, não se coadunarão com os conhecimentos e capacidades do nosso iniciado, podendo vir a significar o ditado Português: "colocar a carroça à frente dos bois".
Para todos os efeitos, parece poder dizer-se que a aprendizagem e consequente evolução dum pescador em determinada técnica ou técnicas, aliadas a uma carteira não muito recheada ou a alguma "sovinice", serão factores de diminuição dos "barretes" enfiados ou de escolhas inadequadas quando não péssimas. Isto porque, a aprendizagem e a evolução ensiná-lo-ão sobre as características dos materiais de que necessita e, o controlo monetário... A contenção em compras menos pensadas.
Neste percurso, estaremos sempre em luta com um inimigo, talvez o pior de todos... Nós!
Em algumas fases desta nossa evolução, por já termos alguns resultados e nos sentirmos com algum conhecimento; por querermos capturar mais e/ou melhor ou achando que alguém, por via do material, tem melhores resultados; tendemos a esticar-nos nas aquisições como se essa fosse a resposta real, o que muitas vezes pode não ser verdade. Penso que essa estará mais sediada no conhecimento e comportamento face à pesca, pesqueiros e espécies que no material utilizado; não pretendendo com esta afirmação colocar em causa a importância deste.
As anteriores considerações, como já devem ter percebido, decorrem de boas e más experiências porque passei nestas lides da pesca, levando-me a considerar um conjunto de conceitos que vão evoluindo e alterando conforme os resultados da prática vão sugerindo ou requerendo, lembrando-me que, talvez falando sobre eles, consiga que outros se precavenham, evitando um conjunto de situações já testemunhadas por mim e certamente por muitos outros de entre nós.
Como exemplo deste percurso, apresento-vos o meu "dossier de material de pesca":
Mas o que é isto? Também há pergaminhos por aí? Perguntarão alguns de vós!
Não! É um dossier A5, com umas 50 bolsinhas plásticas do mesmo formato, cada uma com uma montagem lá dentro; elaborado desta forma por não haver nada mais barato que contivesse tantas montagens. A seta indicava o sentido das aberturas, para evitar que o agarrasse ao contrário e as espalhasse; e, o "F", o lado por onde se devia abrir. O aspecto surrado e bafiento tem a ver com as "cacetadas" e os ambientes húmidos a que esteve sujeito durante a sua vida mais activa.
As baixadas eram elaboradas em casa, coisa que agora se torna difícil, em tanta quantidade e diversidade, quantas as perseguições a espécies que tentava fazer, consoante o tempo e os conhecimentos que ia adquirindo ainda na fase de pesca em Setúbal.
Abrindo o "livro", podem encontrar-se as baixadas para Gorazes, à esquerda e os anzóis para pesca grossa, à direita; montados em estralhos de aço pela abundância de várias espécies de Tubarões na zona. Ambas fazendo parte da fase em que procurava estas espécies e outras, habitantes de zonas profundas. As dos Gorazes, actualmente desactivadas devido às alterações do número de anzóis previstas na Lei.
Passando as "páginas", deparamo-nos com montagens para pescas profundas a Pargos, ainda sem anzóis, os quais seriam montados no momento ou assim se mantinham como suplentes. Chamo a atenção para a proliferação de missanguinhas, perolazinhas, tubinhos e coisas do género... O trabalhão que aquilo dava!
Nas "páginas" seguintes, as montagens para "diversos", com vários tipos de ligações dos estralhos à madre, testemunhando também estes a evolução procurada, testada, alterada... Na medida do material a que se tinha acesso e das necessidades que se sentiam no que a "destorcer" respeitava.
Este "livro", agora guardado em casa, encerra alguma da minha história relacionada com o material, contendo no entanto alguns materiais recentes e em uso, aguardando outros dias, principalmente no que respeita à pesca grossa lúdica, assim como o testemunho de que houve um percurso e uma evolução quando, ao folhear as últimas páginas, se encontram montagens com Cross Beads, um dos últimos tipos de ligação estralhos/madre considerados mais efectivos na actualidade, na pesca em barco fundeado, embora cada vez menos as use... Mas, lá chegaremos!
Ainda sobre as ligações dos estralhos à madre, lembro-me dos nós directos, das alças entrelaçadas partindo do nó de Barril; adequados quando bem feitos, mas pouco fiáveis para diâmetros mais pequenos na presença de maiores exemplares.
De todas as ligações efectuadas, lembro-me da primeira com bons resultados, a que se segue: constituída por destorcedor de barril, encaixado entre duas missangas, sendo os travamentos feitos por dois tubinhos de latão que se esmagavam, apertando o fio a seguir a cada missanga...
Na maioria dos casos, se os materiais forem idênticos, procuram-se outras razões. Caso os materiais de ambos os pescadores sejam diferentes, a tendência é não analisar para além do material. E se não for do material? Como vamos saber? E porque não olhar outros factores, talvez mais importantes, em vez de ir à corrida comprar as missangas, anzóis, fios, destorcedores, etc., supostamente factores influentes no sucesso do outro? De pouco nos valerão se de facto foi o comportamento do nosso companheiro a principal razão do seu sucesso naquele dia. Só que, parece-me mais fácil actuar sobre o factor material do que assumir que o nosso comportamento em acção de pesca pode não ter sido o ideal e... Alterá-lo!
Outras questões se colocam... Quanto mais alterações ao material, em curto espaço de tempo útil de pesca, para o mesmo tipo de pesca e pesqueiros, mais variáveis se introduzem e consequentemente mais difícil será ter a percepção das possíveis razões de sucesso/insucesso e ainda nem começámos a falar de monofilamentos em nylon ou fluorcarbono, multifilamentos, anzóis, canas, carretos... Dava para fazer uma "Bíblia" de pesca! Impossível de completar antes da chegada do bom tempo... Aquele em que temos de sair do PC e andar para o mar.
Discutível, não é?
E não o é tudo? Na pesca e etc.?
Às últimas questões colocadas, respondo sim!
A resposta, implica consequentemente que me limite a descrever os raciocínios que me levaram a optar por determinados materiais, sem os considerar os melhores em termos gerais, mas sim, os que mais gosto de utilizar na pesca a que me dedico, considerando manuseamento, resultados... Sem deixar de ter em conta que certamente existirão outros melhores que não conheço ou não testei, talvez por ainda não ter sentido essa necessidade.
Antes de passar às funções e características mais relevantes sobre material, importa relembrar algumas questões, testemunhos, conceitos... verificados durante o meu percurso histórico pela pesca.
Desde a aquisição dos primeiros materiais (a tal cana de acção total de 1,80 mts, o Sofi, anzóis nacionais e fio a condizer...) por volta de 78/79 e da prática de pesca embarcada durante estes mesmos anos, tinha-me iniciado entretanto na caça submarina que durou até 1992, ano em que adquiri o meu primeiro barco e reiniciei a pesca embarcada, verificando para meu espanto que os materiais que tinha adquirido, cana e carreto, estavam ainda em uso por muitos pescadores da zona de Setúbal. O mesmo não acontecia com os fios e os anzóis... Procuravam-se já, fios mais finos para as montagens e anzóis diversos, embora salvaguarde que talvez já antes acontecesse, mas não tinha tido tempo de me aperceber de tal.
A pesca, essa mantinha-se como antes!
As montagens eram as usuais: anzóis n.º 6 a 8, montados em dois ou três estralhos de 25 a 40 cm de comprimento, com 0,30 a 0,35 de diâmetro; amarrados, com voltas de fiel acima e abaixo, a uma madre de 0,40 ; e, como conceito: "... Vamos pescar aos diversos, talvez encontremos os Besugos ou Parguetes, enquanto esperamos o peixe da nossa vida..." Esta a única pesca que conhecia a partir de barco, para além da caça submarina.
Um "à parte"... Para além dos materiais utilizados, será que existem diferenças significativas entre as baixadas e os conceitos actuais, na pesca embarcada, para a grande maioria dos pescadores que a praticam em MTs, barco próprio ou até na competição? A zona de comentários aqui do blog está já aí ao fundo da página!
A minha pesca iniciou-se, o interesse foi aumentando entre sucessos e insucessos na pesca de "encher o balde", usando as iscas e materiais que todos usavam e conseguindo boas prestações, mais pela capacidade de colocar o barco no sítio certo que certamente pelo material que usava.
O hábito, adquirido na caça submarina, de procurar maiores exemplares, os sinais indicadores da sua presença que fui aprendendo a ler e que muitas vezes existiam, lutavam contra os conceitos de café: ah e tal... Não há peixe nenhum! As redes, os covos, os arrastões... Dão cabo de tudo!
Não digo que não fosse verdade ou ainda que não o seja hoje em dia mas, como acreditei tanto tempo naquilo que diziam pescadores que sempre pescavam nos mesmos pesqueiros, com as mesmas iscas, montagens e materiais? Umas vezes apanhavam e eram os maiores, outras não apanhavam e as razões eram sempre as mesmas: "... Hoje não há peixe!", "... O peixe estava lá e não queria comer!". Acredito agora que isso acontecia no pesqueiro ou pesqueiros onde tinham ido, com a mesma isca, montagem... De sempre. Mas, com um mar tão grande, porque frequentavam só aqueles pesqueiros? Em qualquer época do ano só lá estavam os "diversos"? E as iscas... O peixe só comia Lingueirão, Casulo e Ganso? Pelos vistos sim! Quem não levasse estas iscas para o mar, já nem acreditava na pesca! Que credibilidade poderiam ter os materiais e iscas usadas? Como poderíamos saber que eram esses os factores determinantes?
Era o que se conhecia, o que se aprendia, o que se praticava... Aqui pela minha zona, Setúbal!
Importava então: alterar!
Acreditar que era possível capturar melhores exemplares de forma mais assídua! Diversificar locais, iscas, baixadas, técnicas... Adequar materiais a estas alterações! Estes conceitos não surgiram na minha mente de um momento para o outro como erradamente pode indicar a forma como os descrevo; antes, foram-se desenvolvendo com a prática e o pensar continuamente a pesca, enquanto ia capturando Sarguetas, Choupas, Besugos e Parguetes nos locais habituais e em outros que fui descobrindo a solo ou com o apoio de outro pessoal como o Edmundo, o António Júlio, o Zé Carlos, entre outros... Ainda na fase de Setúbal, onde já começava a ler a carta de pesca e a tentar encontrar, por mim, novos pesqueiros e melhores exemplares. Fase esta, continuada em Sines e sempre em estudo teórico e prático que penso continuar enquanto a vida e a Lei o permitirem.
Analisando as reflexões produzidas até ao momento, dei comigo a pensar: a esta hora, estarão os leitores sem entender o porquê de tanta conversa para falar de material... Mas, a verdade é que não consigo falar de material sem continuamente pensar nas razões porque utilizo este ou aquele e essas enquadram-se com alguma história que sinto necessidade de contar, mais não seja, para justificar "porquês"!
Das práticas e experiências efectuadas na pesca ao fundo em barco fundeado, tentando ser mais prático, as principais funções do material de pesca tendo em conta: espécies procuradas, iscas utilizadas, estado do mar... Entre outros factores e por ordem de acção; parecem ser as seguintes:
- Apresentar a isca de forma natural;
- Sentir os toques;
- Ferrar;
- Lutar até à superfície;
- Subir, para trocar ou repôr iscas;
- Destorcer;
- Elevar peixe para o poço do barco.
Para cumprir com estas funções, os materiais utilizados, desde a cana até à chumbada, passando por carreto, fios, destorcedores, construção das baixadas, anzóis... Conceptualmente, deverão ser proporcionais e adequados entre si, apresentando consequentemente determinadas características sobre as quais passaremos a reflectir. Vejamos então!
Apresentar a isca de forma natural:
O comportamento natural da isca, atendendo a observações subaquáticas ou até ao senso comum, parece ser conseguido quando os pedaços acompanharem os movimentos imprimidos pela aguagem ou, na ausência desta, por aqueles de "vai e vem" que sempre existem no ambiente marinho. Para tal, haverá que adequar o tipo de fio do estralho e o comprimento deste, tendo em conta o tamanho das iscadas. Quanto ao fio, parece lógico que um mais fino e macio, em estralho mais comprido, deixará que a isca se movimente melhor; no entanto, um fio macio tenderá a resistir menos ao nó, a embrulhar-se com mais facilidade e a diminuir a capacidade de sentir, tendo em conta a sua elasticidade. Tudo se complicará ainda mais se a iscada for grande e o peixe que por lá ande for pequeno ou esteja a comer mordiscando pelas pontas. Ainda sobre a espessura, haverá que ter em conta as espécies que estamos a procurar.
As anteriores considerações parecem, quanto à dureza do fio, indicar que a escolha deverá recair sobre um fio mais para o lado do rijo que do macio, principalmente se o estralho for maior que 40/50 cm e a iscada for grande (posta de sardinha, bomboca ou camarão inteiros, caranguejo, cabeça+tripa de lula...). As iscas mais pequenas poderão ser bem apresentadas com fios mais finos, macios e em estralhos mais curtos, parecendo neste caso ser importante também considerar a leveza do anzol, o que, em iscadas mais pesadas, com fios mais grossos e em estralhos mais compridos, poderá ser um factor menos significativo.
Resumindo, a relação: leveza da montagem/comprimento dos estralhos/tamanho das iscadas, numa proporção adequada, tendo em conta as anteriores reflexões, parece poder influir significativamente na apresentação natural da isca, contribuíndo também para a melhoria da função "sentir".
Sobre o comprimento dos estralhos, importa ainda referir que a proximidade da isca com a madre da montagem, dificilmente assegurará uma apresentação natural da isca, nomeadamente para os maiores exemplares. Já os "pequenotes" não se ralam muito, atacando, zelosa e proficuamente, iscas em estralhos de 20/25 cm, em montagens que parecem autênticas árvores de Natal, parecendo até serem atraídos por tanta côr.
Como sugestão de fios para a baixada:
- Um Fluorcarbono de diâmetro adequado, dos menos rijos, atendendo à sua resistência ao nó, pouca memória e apregoada invisibilidade ou, para maiores profundidades (+ de 70 metros), um mono daqueles que esticamos e caem direitos, parecem ser escolhas adequadas para a elaboração das baixadas enquadradas nos parâmetros sugeridos.
Anzóis:
As reflexões sobre este importante elemento da nossa baixada, serão efectuadas desde já, tendo em conta a sua influência significativa em três funções:
- Na apresentação da isca, atendendo a que, por exemplo, um anzol pesado, embora pequeno, aplicado em estralhos curtos e finos e com uma isca leve, certamente não proporcionará uma apresentação adequada; tendendo a fazer afundar o estralho e encostando-o à madre ou aproximando-o da chumbada.
- Na ferragem, onde o tamanho, abertura, linha de tracção, penetração, inclinação do bico face à haste... Deverão ser mais ou menos adequados às espécies que se procuram.
- Na luta até à superfície, onde os factores tamanho, penetração, resistência e comprimento da barbela; influirão significativamente em boas ou más ferragens e manutenções das mesmas. Salvaguardo aqui que, para aqueles de entre nós que pratiquem o "pesca e liberta", a barbela terá um valor secundário e incoerente, obrigando-se estes, para colmatar a falta dela, a um apuramento técnico de luta onde qualquer perda de contacto com o peixe significará uma alta percentagem de a perder.
Se me dissessem para eleger o material de pesca onde a escolha e aquisição se torna mais difícil, acho que apontaria de imediato para os anzóis! Porquê?
São baratos, relativamente a todo o restante material. Os formatos, cores e apresentações são extremamente variados e, o mais engraçado de tudo... Senão todos, quase todos, ferram peixe em algum dia ou momento.
Pelas razões apresentadas, resolvi adquiri-los pelo seguinte raciocínio:
Tamanho:
- Olho para a boca duma determinada espécie em que estou interessado, calculo a olho qual o maior anzol que poderá capturar um Juvenil e adquiro anzóis com um ou dois tamanhos acima. Não será bem assim, mas penso que dá para ter uma ideia.
Formato:
- Abertura... Nem muito fechada, nem muito aberta.
- Comprimento da haste... Nem curta nem comprida.
- Tipo de bico... O mais aguçado que encontrar e "reversed" (inclinado face à haste... Nalgum sítio espetará!).
- Peso... O menor possível.
- Resistência... A maior possível, tendo em conta a espécie e o peso do anzol.
- Côr... Escuros ou prateados. Já tive bons resultados com dourados mas, para além de me gozarem por isso, são difíceis de encontrar em tamanhos maiores, pelo que desisti deles.
É caso para dizer: Tenho encontrado a felicidade no meio termo e na simplicidade!
Eis alguns dos eleitos:
Sobre os destorcedores, já falaremos!
Sentir, Ferrar e Lutar até à superfície:
Estas três funções, sendo diversas em cada um dos seus momentos, interligam-se por antagonismo de tipos de materiais; exigindo, para um bom desempenho do pescador, um conjunto pensado desde a mão até à isca, facilmente adaptável a profundidades e condições de mar diversas. Para iniciarmos a construção do nosso conjunto, algumas caraterísticas e interacções dos vários materiais parecem essenciais:
- Sensiblidade, para perceber os toques; Dureza, para a ferragem; e, alguma Maleabilidade do conjunto, para a luta.
- Adequação da interacção entre: profundidade/condições de mar/cana/fios/carreto/peso da chumbada.
Profundidade:
- Quanto mais fundo se pescar, mais difícil será sentir e ferrar o peixe!
- A luta oferecida por um peixe ferrado, em maior profundidade, tenderá a ser menos intensa e mais pesada, muito devido à pressão a que está sujeito. Já o mesmo peixe, em pouca profundidade, por razão inversa, poderá oferecer uma luta bem mais dura, ágil e por vezes mais longa. Se no primeiro caso a preocupação com o conjunto de material, deverá dirigir-se mais no sentido do "sentir" e da "ferragem" salvaguardando a "maleabilidade"; no segundo, as preocupações com a "maleabilidade" deverão aumentar significativamente no sentido de corresponder aos arranques súbitos e intensos a que este estará sujeito.
Condições de mar:
Quanto maior e/ou mais desencontrada for a vaga de fora com a vaga de vento, também as dificuldades de sentir e ferrar se agravarão quer pela continua subida e descida do barco face à linha de fundo, quer pelos movimentos laterias que tenderão a desiquilibrar o pescador e consequentemente desconcentrá-lo do acto de sentir e complicar-lhe o acto de ferrar.
Cana:
- Uma cana de acção parabólica macia, tenderá a oferecer boas condições quanto à maleabilidade na luta com o peixe e não tão boas, quanto ao sentir e ao ferrar.
- Uma cana rija de acção de ponteira, oferecerá certamente belíssimas condições quanto ao sentir e ao ferrar mas, deixará muito a desejar quanto a uma luta dura com um peixe maior, devido à sua falta de maleabilidade.
- As características das canas referidas serão tanto mais adequadas, quanto os comprimentos escolhidos, tendo em conta a necessidade de uma boa alavanca que tanto poderá influir positivamente no sentir e no ferrar, quanto na maleabilidade que o comprimento lhe poderá trazer em luta.
Olhando para os comprimentos, importa entender que uma cana de acção parabólica, macia e com 3,00 ou mais metros, poderá unicamente ser um excesso de peso, atendendo a que, parecendo o comprimento ser um factor essencialmente introduzido para aumentar a alavanca na ferragem, esta alavanca perder-se-à devido à curva que a cana formará antes de levantar a pesca do fundo ao tentarmos ferrar, principalmente se estivermos a pescar fundo, com vaga alta e chumbada pesada.
O comprimento útil, para alavanca de ferragem, poderá aumentar em canas mais rijas, tendo em conta as proporções relacionadas com as consequentes variações de maleabilidade e peso.
Procurando a cana ideal, parecem-me ser as semi-parabólicas de acção progressiva com alguma rijeza, entre os 3,00 e os 3,60, as canas mais versáteis para pescar fundo ou baixo. Isto porque permitem sentir e ferrar muito perto das de acção de ponteira e, em luta, ganham maleabilidade conforme o peixe que lá vier. Relativamente a esta última característica, ela poderá ainda ser melhorada através dos fios usados, principalmente para pescar em menores profundidades e mares calmos.
Apresento-vos as que uso presentemente:
À esquerda, a First Edition 3,60 metros, de 3 partes, da 7even. Uma acção parabólica progressiva, bastante leve, sensível e eficaz em luta.
À direita, uma Steel Power, da NBS, com o mesmo tipo de acção, mesmo comprimento e partes, extremamente sensível, atendendo ao seu peso (quase o dobro da primeira) e potência que lhe permite adequar-se à luta com qualquer peixe, sobrando sempre força a esta "besta".
Fios:
O que vamos escolher? Como adequar ao conjunto sensivel, ferrador e maleável em luta?
Rijos para sentir e ferrar, certamente! E a maleabilidade como vamos consegui-la?
A procura de fios mais rijos era já uma preocupação antes do reinado dos multifilamentos finos que vieram colmatar a necessidade de melhor sentir e ferrar, instalando-se através de marcas diversas, com características variadas sendo, os tipos Dyneema e Spectra, mais utilizados actualmente, oferecidos com cores, texturas, diâmetros, resistências e preços, para todos os gostos, técnicas e bolsas.
No entanto, se como fios principais, em qualquer carreto, asseguram o sentir e a ferragem; maleabilidade é coisa que não têm, provocando, caso não se tomem outras medidas, uma luta extremamente violenta, por vezes difícil de controlar quando enfrentamos um exemplar de maiores proporções, mesmo pescando com uma cana mais macia e recorrendo ao carreto com a embraigem mais leve que, se por um lado, permitirá minimizar a dureza da luta; por outro, aumentará significativamente as hipóteses de fuga de tal peixe por deficiência na pressão contínua aplicada.
A forma encontrada para diminuir os efeitos da falta de elasticidade deste fio, para além de troços elásticos em silicone, com resistência e invisibilidade duvidosas; foi a denominada ponteira de amortecimento: um determinado comprimento de monofilamento, com diâmetro e dureza adequados aos objectivos da nossa pesca que, ligado ao multifilamento do carreto num extremo e à baixada no extremo oposto, poderá assegurar uma luta mais regular, mantendo pouco alteradas as capacidades de sentir e ferrar.
Como conceito, poderemos talvez dizer que: colocando uma ponteira de, por exemplo, 15 metros de monofilamento, num dia de mar calmo e sem aguagem, pescando a qualquer profundidade com peso de chumbada adequado, o sentir e o ferrar acontecerão, com variações pouco significativas, como se estivéssemos a pescar a 15 metros de profundidade só com o monofilamento em uso.
É claro que o conceito anterior não é assim tão linear e as coisas complicam-se havendo vaga e aguagem num pesqueiro fundo, assim como, numa luta com peixe maior a 15 ou 20 metros de profundidade; mas, nestes casos, para além de outros cuidados, poderemos sempre variar o comprimento da ponteira de amortecimento, encurtando-o em dias mais complicados e a pescar mais fundo; ou, aumentando-o em dias mais calmos e/ou em pescas de pouca profundidade.
Aqui vão alguns dos que estão a uso:
No canto superior esquerdo, o Extreme da Golden Fish 0,40, um mono normal, para o lado do rijo, actualmente em uso para ponteiras de amortecimento.
No canto superior esquerdo, o Multifilamento da Sufix, penso que um 0,28, como fio base para o carreto, a par com o 7even e o Rapala Titatnium, também do meu gosto.
Em baixo, à esquerda, o fluorcarbono da Rapala 0,418 e, o da Golden Fish; um fluor bastante maleável, com 0,405, detentor de resistência admirável. Ambos para baixadas e estralhos.
Ainda sobre amortecimento, a luta até à superfície, as subidas para trocas e reposições de iscas e o respectivo "motor"...
... O Carreto!
As básicas:
Armazenamento da linha de que necessitamos para a nossa pesca, em quantidade e qualidade suficientes, o que influirá a escolha do tamanho do carreto a utilizar ou adquirir.
Deixar sair linha e recolhê-la, de forma livre, rápida e sem emaranhados ou outras complicações, o que influirá a escolha do formato mais adequado para a pesca a que nos dedicamos ou queremos dedicar. Alguns carretos, derivado do seu formato ou devido a "demasiados" pormenores mecânicos exteriores, tendem a prender a linha quando se deixa cair a baixada para o fundo ou, pior, enrolá-la para o veio interior quando se inicia o enrolamento ou a luta, após um intervalo em que possamos deixar a linha "bamba".
A capacidade máxima para suportar tracção, com a embraiagem completamente travada. Esta, mais importante talvez para a Zagaia/Jigging, já que na embarcada ao fundo, em barco fundeado, muito raramente será utilizada num carreto de tamanho adequado.
A fiabilidade ao deixar sair linha, amortecendo antes do ponto de ruptura de destorcedores, fios, nós... Em uso. Esta, dependente essencialmente do tipo de rodízio do braço do carreto (c/s rolamento), tipo de embraiagem, da taragem que lhe aplicarmos e dos materiais e cuidados de manutenção exigidos nestas áreas.
Para que cumpram o seu papel, as chumbadas, deverão ter um formato que se movimente facilmente através do meio aquático, nos dois sentidos (subida e descida) e um peso adequado à profundidade, às condições de mar e aos materiais que constituem o conjunto com que pescamos num determinado dia.
O formato deverá, por razões actualmente óbvias, andar perto do de um torpedo, tanto mais quanto mais espaço tenha de ser percorrido.
O peso parece ser uma questão bem mais complexa e variável. Vejamos:
O peso da chumbada deverá assegurar que sintamos continuamente onde ela está... Assente no fundo, ou a determinada altura deste, independentemente de: profundidade; existência ou não de vaga e/ou aguagem; materiais com que estamos a pescar; e, assegurando que as iscas maiores ou mais pequenas que vão nos nossos anzóis desçam a uma velocidade que lhes permita passar, mais ou menos intocadas, por eventuais cardumes de peixes que se encontrem a meia água e que as poderão consumir antes que cheguem ao fundo.
Que circunstâncias nos decidirão a adequar o peso da chumbada, aumentando-o?
A profundidade: quanto mais fundo, maior o peso necessário.
O tamanho das iscas: Quanto maiores, mais atrito e, consequentemente, factor de aumento de peso!
Material utilizado: canas e fios mais rijos, atendendo ao pouco tempo que levam a reagir ao peso, solicitarão também mais peso de chumbada.
Aguagem/corrente: Sem dúvida, outro factor de aumento do peso da chumbada.
Existência de vaga: a vaga afasta e aproxima continuamente o barco do fundo marinho o que, aliado a canas e fios rijos ou mais grossos poderá ser outro factor de aumento do peso da chumbada, tentando evitar que a baixada se eleve do fundo sem nos apercebermos.
As circunstâncias contrárias ou conjugadas, como tudo indica, serão factores de diminuição de peso.
As escolhas mais correctas, essas, só o tempo e a prática nos ensinarão.
Deixo-vos, da esquerda para a direita, algumas das chumbadas que utilizei e utilizo:
Já temos o conjunto de pesca completo, largamos para o fundo com iscadas enormes e deliciosas, o peixe gosta e atira-se! Lutamos com ele e temos sucesso! Chega à superfície! É grande! Temos de subi-lo para o barco! Onde está o Enxalavar?
Este apetrecho, constante de um cabo e um aro com rede, cumpre a última função: elevar um peixe de maiores dimensões para o poço do barco.
As dimensões, o peso e os materiais, deverão estar adequados aos peixes maiores que esperamos, à distância entre borda do barco e água e a evitar emaranhados com os anzóis, chumbada e linha que trazem o peixe.
O aro, deverá ser em tubo de alumínio anodizado ou, de preferência, em tubo de inox, com um diâmetro nunca inferior a 50 cm.
A rede aplicada, deverá ter malha larga elaborada com um monofilamento grosso, atendendendo a que os cabos multifilares são um material onde os anzóis sempre se vão espetar, criando "empachanços" e consequentes perdas de tempo que influirão negativamente o ritmo na acção de pesca.
O cabo deverá ser leve, com comprimento adequado à distância à água, sendo a leveza tanto mais necessária, quanto maior o comprimento que tenha.
Os cabos em fibra de vidro têm-se revelado uma boa escolha.
O homem que colocar o enxalavar para subir o peixe, quando este estiver completamente à superfície, deverá ter o cuidado de afundar um pouco o aro com rede, afastado-o do peixe e aguardar que o pescador em luta coloque o peixe sobre o enxalavar. Durante esta acção deverá estar atento e atender às solicitações que o pescador for apresentando. Ele é o "dono" do peixe! Ele é que deve decidir sobre o desenrolar da acção!
Salvo algumas situações de improviso que só em presença poderemos resolver, estas serão talvez as melhores opções técnicas.
O peixe finalmente está capturado e a salvo! Posso então, em momento de despedida, deixar-vos algumas curiosidades relacionadas com outras aquisições ao longo dos tempos:
A primeira cana de ponteiras finas que adquiri, por volta de 95/96, na procura de mais sensibilidade, capacidade de ferragem e amortecimento em luta. Uma feeder da Browning, com 2,90 a 3,30 metros; comprimentos que se conseguiam conforme se usava um extensor que saía ou se retraía no cabo. Esta, já com acção parabólica quase progressiva.
domingo, 10 de janeiro de 2010
As Douradas ainda lá estão, mas…
A ausência foi, mais uma vez, longa!
O Zeca, entretanto, tirou um Pargo com uns dois quilos que não fotografámos. Parece estranho… Então um Pargo com dois quilos já não merece foto? Merece com certeza! A questão prende-se talvez com o objectivo… As Douradas! Que loucura!
Nesta altura, com alguma desconfiança, pensava-se que aquilo não ficaria por ali; de facto não ficou, mas a regularidade de capturas alterou-se, principalmente quanto a Douradas, já os Pargos, de um a dois quilos, iam entrando de vez em quando, mais ao Zeca, estando eu a tentar um exemplar maior, iscando grande e variado; e ele, muito assíduo com o Caranguejo.
O Zeca acabou por capturar a dele… Cá vai ela!
Abrimos a arca do peixe, olhando os vermelhos e os prateados listados a ouro, pensando que não sendo a pesca brilhante de outras jornadas, era bonita e suficiente.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Feliz e "Dourado" Natal! Um Próspero Ano Novo!
É tempo de cumprimentar e de desejar o bem, pena que não seja assim todo o ano mas, se fosse, certamente tornar-se-ia vulgar, perdendo-se talvez o misticismo e eventualmente a vontade de estar continuamente de bem com tudo e com todos, assim como a tolerância, características próprias do momento.
A todos os leitores, deixo os meus votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo, oferecendo-vos a imagem simples de abertura, o presépio com as figuras inquebráveis que a minha neta terá como primeiras e poderá manusear à vontade, no primeiro Natal em que já algo percebe, podendo assim ouvir as histórias que lhe vou contando a partir de cada figura escolhida pela sua mão, aprendendo talvez a respeitá-las.
Mas não vos quero deixar sem prenda!
Por isso e atendendo a que, entre trabalho acrescido de final de período lectivo e condições climatéricas adversas, a nossa pesca parece estar longe; vou deixar-lhes o meu presente de Natal na forma de uma análise sobre as últimas quatro pescarias cujo objectivo foi: obviamente... Douradas!
Tudo começou no dia 28 de Novembro, com a pescaria contada na última entrada, da qual não resisto a colocar a foto abaixo, outra, da dupla tirada pelo João. Depois, seguiram-se outras, respectivamente nos dias 8, 12 e 13 de Dezembro; sempre com capturas no limite do peso legal mas com características diferentes, principalmente no que respeita às variáveis: pesqueiros, iscas mais produtivas, estado do mar, hora de maior intensidade de capturas e concentração de barcos em acção de pesca na zona.
No dia 8 de Dezembro fui com o Zeca e o Vira, sabendo de antemão que o pesqueiro a Sul, onde tinha pescado na última vez, estava repleto de barcos; decidimos ir para Norte, para a calma e isolamento que também fazem parte da pesca.
A sonda trabalhou, o fundo rico apareceu com marcação conhecida e, depois dos trabalhos de fundeio, iniciámos a pesca sentindo de imediato roubos conhecidos.
Entraram os Pargos de quilo e logo a seguir as "Primas", escolhendo elas unicamente o Caranguejo enquanto a eles tudo servia... Caranguejo, Sardinha e Bomboca estavam em igualdade de circunstâncias para estes "Glutões".
O barco mexia-se um pouco com as variações de vento sendo que, quando se aproximava da pedra, entravam os Pargos; e, quando se afastava, entravam as Douradas com o aspecto desta que o Vira mostra.
Considerando o que atrás referi sobre o acerto na escolha do pesqueiro, quer num dia quer no outro, imagine-se que tinha ido para outro local, sondado e encontrado o que queria, fundeando... Se as Douradas também resolvessem cair às iscas só a partir das onze e tal, num pesqueiro sem ninguém, certamente o pessoal que ia comigo iria esmorecer e deixar de acreditar que "elas" andassem por ali, embora a sonda o indicasse. A acontecer, estava meio caminho andado para o insucesso da jornada, tendo em conta que, se não acreditamos, tendemos a perder o entusiasmo e consequentemente a minimizar o empenho e o ritmo da acção de pesca.
Nada que se pareça com as fotos que se seguem, indicadoras de actividade contínua e do sucesso da pescaria do segundo dia.
O Zé Beicinho, com uma das duplas:
E eu... Também a fazer o gosto ao dedo na fase mais intensa de pesca.
Com tudo isto, continuo a dizer que, pessoalmente e em caso de ter ido a solo, procuraria outro pesqueiro, longe da multidão; certificava-me que as características de fundo, correspondiam em dureza, profundidade, configuração e marcação de peixe; e, apostava! Ainda o quero fazer este ano! Vamos ver se as condições o permitem!?
Analisando estas quatro saídas, no que à pesca de Douradas diz respeito, fico a pensar:
1. As variáveis que se mantiveram constantes foram:
- O tipo de fundo, macio e encostado ao início de um pontão;
- A profundidade, sempre entre os 63 e 66 metros. Foi onde se encontraram, embora pudesse ser mais fundo. Em profundidades inferiores, nesta altura do ano, as probabilidades de "as" encontrar costumam diminuir significativamente.
- A marcação de peixe na sonda, uma linha aí com uns 3 mm de espessura, colorida a amarelos, verdes e laranjas, encostada ao fundo, partindo do fim do pontão e alongando-se pela embeirada e terreno limpo; e, as baixadas, sempre as que já por aí tenho descrito.
- A variação das formas de iscar sempre que existissem interrupções de capturas, em determinados momentos.
- A cooperação a bordo em termos de apoio nos momentos de "empachanços", "arrochanços", ponteiras partidas, iscadas mais produtivas... Versus, cada um tentar capturar mais peixe que o parceiro do lado.
- A quantidade e qualidade das capturas que, embora variando um pouco no 2.º dia, não me parece poderem retirar-lhe o sucesso.
- Os exemplares acima de dois quilos não se capturaram, embora os tivéssemos tentando variando iscadas, subindo a baixada acima do fundo ou atirando-a para mais longe. Se calhar estavam noutro lugar, mais calmo ou, quem sabe, estivessem por ali e preferissem qualquer outra coisa que por lá estivesse.
2. As variáveis inconstantes foram:
- Em nenhum dos dias fundeei no mesmo pesqueiro, embora nos 1.º, 3.º e 4.º tenha fundeado em pesqueiros na mesma zona muito por, aqueles em que antes tinha estado, estarem ocupados.
- O Caranguejo que, no 1.º dia, partilhou em pé de igualdade o sucesso com a Sardinha, tendo esta, em alguns momentos, capturado os maiores exemplares; revelou-se nos outros dias a única isca fiável.
- No 1.º e no 2.º dia, estivemos a pescar sem outras embarcações por perto; no 3.º e no 4.º aquilo parecia um encontro de embarcações, embora respeitando distâncias de fundeios da ordem dos 100 a 200 metros.
- As horas mais produtivas que nos primeiros dias não se evidenciaram, capturando-se com alguma regularidade ao longo de todo o tempo de pesca; revelaram-se após as onze horas, nos dois últimos dias sendo que, até a esta hora, só esporadicamente entraram uma ou duas Douradas.
- Nos dois últimos dias o mar esteve com mais vaga e mais incerto em termos da intensidade do vento que nos restantes, obrigando-nos a ter maior atenção aos toques sorrateiros, à manutenção da chumbada no fundo e obrigando para tal a que acompanhássemos os movimentos da vaga com o subir e baixar da cana, dificultando consequentemente os actos de sentir e ferrar.
- A aguagem que se fez sentir nos últimos dois dias e que correspondeu, em simultâneo, a um aumento de capturas, embora antes da sua entrada já se capturasse num ritmo interessante.
- As canas parabólicas mais macias que, nos dois primeiros dias, com menos vento e vaga, provaram bem; nos restantes, com o aumento da vaga e do vento, apresentaram grandes dificuldades nas capturas face às parabólicas progressivas mais rijas.
Acabei de produzir estas reflexões! É Domingo, dia 20 de Dezembro de 2009 e interrompi a escrita para irmos jantar, eu e a minha mulher. Comemos, conversámos e, enquanto fazia o café e olhava a chuva e o frio que fazem lá fora, pensava para comigo:
Agora vou "descascar" todas aquelas variáveis de que falei! Mas, enquanto a água fervia e pensava nelas, lembrei-me que as variáveis inconstantes podem ter tido muito pouca importância para os resultados obtidos... Senão vejamos:
Escolheram-se pesqueiros diversos, zonas diferentes, houve aguagem, o mar esteve diferente, pescámos no meio da multidão e isolados mas, com toda esta diversidade de condições... Tivémos sempre sucesso; mesmo com aguagens que levavam os engodos dos outros no sentido oposto ao local onde estávamos. Então o que importou afinal?
Inclino-me sinceramente para as variáveis constantes, ou seja:
1. A escolha do pesqueiro, considerando o que as Douradas procuram nesta época do ano. Não esqueçamos que, embora diferentes, as características dos pesqueiros foram sempre as mesmas ou muito parecidas.
2. A marcação de peixe visualizada na sonda, idêntica em qualquer dos pesqueiros escolhidos.
3. As baixadas, sempre efectivas em qualquer das condições existentes. Salvaguardo neste caso que outras pudessem obter melhores resultados, mas... Não experimentámos, nem tivémos ou arranjámos tempo!
4. As variações de iscadas quando as capturas se interropiam.
5. A contínua troca de informação sobre toques e iscadas de sucesso a par com a entreajuda em momentos em que as coisas não correram bem a algum de nós.
Considerando as reflexões produzidas, pode talvez dizer-se que o conhecimento dos fundos, o conhecimento sobre os hábitos das espécies, a escolha do material adequado, a cooperação a bordo, a leitura dos sinais em acção de pesca, a prática intensa, a confiança nestes conceitos e o contínuo colocar em causa de tudo isto, excepto a cooperação a bordo; são certamente conceitos de sucesso nesta nossa actividade espectacular, na generalidade, e, na pesca às Douradas, em particular.
A reflexão sobre estes quatro dias fica por aqui, embora com o receio de que algo tenha passado ao lado mas, se passou, só têm que conversar comigo... Certamente analisaremos o que estiver omisso e completaremos esta prenda que vos ofereço com aquela insegurança que sempre se apodera de nós quando esperamos que o nosso melhor amigo(a) goste daquilo que escolhemos para ele(a), no aniversário ou no Natal.
Boa noite a todos os leitores
domingo, 29 de novembro de 2009
Pesca às Douradas... Tudo bons rapazes!
Isso aconteceu este passado Sábado, após um interregno de três fins de semana em que a pesca não foi possível e a respectiva "azia", já para o final, acabou por se instalar!
Um dia com pesca... Precisava-se! Um dia com pesca se procurou! Um dia com pesca se encontrou!
Nem sempre é assim! Mas desta vez foi!
Sem grandes combinações prévias, juntámo-nos eu, o Mário Baptista e o João Martins, combinámos tudo e, às 8.00 da manhã de Sábado, estávamos a tomar o café lá perto do Mercado de Sines, onde fomos buscar a Sardinha para juntar ao Caranguejo que eu tinha trazido de Setúbal, ambas as iscas adquiridas em função de um objectivo principal: as Douradas de época e claro, com o pensamento nos Pargos que com elas costumam partilhar pesqueiros.
Agora que me lembro de nós três, cavaqueando calmamente à mesa do café, pergunto-me se a algum outro pescador que nos olhasse lhe passaria pela cabeça que em seguida partíriamos para o mar com tais objectivos? Isto porque, pura e simplesmente, conversávamos de tudo e de nada, disfrutando de cada momento como que, face ao dia que nos esperava, de preliminares se tratasse.
A calma reinou, enquanto descemos ao porto de recreio, transportámos, montámos e acomodámos os materiais e iscas, continuando durante a saída lenta para a baía de Sines, enquanto a máquina do Makaira atingia a temperatura ideal para a velocidade de cruzeiro e disfrutando uma manhã luminosa, com pouco vento, de temperatura amena e mar a condizer. As canas balançavam nos caneiros, com as baixadas já montadas e parecendo, pelos movimentos imprimidos pela navegação, estarem impacientes para chegarem ao pesqueiro e entrarem em acção de pesca ou seriam os seus donos, escondendo estes pensamentos debaixo daquela capa de calma e frieza que punham pelos ombros. Perfeito!
Escolhemos o pesqueiro, tendo em conta os pontões altos e entralhados próximos, escolhas habituais das "moças" nesta época, afastando-nos dos locais mais conhecidos onde se originam concentrações importantes de barcos e por vezes de alguns pequenos sarilhos.
A operação de sondagem iniciou-se à chegada, delineando os contornos do fundo e as concentrações de peixe que encontrámos ao fim de alguns minutos, precisamente à beirada dum pontão que descia, algo lentamente dos 59 para os 66 metros, parecendo quase uma cetomba com um declive pouco pronunciado. Então não é que a marcação de peixe, agarrado e um tudo nada acima do fundo, se prolongava numa distância considerável, ao longo da queda da cetomba, entre os 63 e os 66 metros de profundidade... Aquilo prometia e alguém no barco, olhando para a sonda e para a minha cara, proferiu algo parecido com: "até o bigode se encaracola..." Ou coisa do género!
É verdade! A coisa apresentava-se linda e a concentração no fundeio prolongou alguns momentos de silêncio a bordo, só interrompido quando o ferro ficou preso, o cabo esticado e o barco aproado à aragem de E/SE que se fazia sentir. A partir daqui só se ouviu: "passa a faca", tira as Sardinhas, enche o balde de água, f...-..! O Caranguejo mordeu-me e... Coisas do género; até ao momento em que as linhas desceram e os olhos se puseram com toda a atenção nas ponteiras das canas, para aí a uns três metros e tal de distância, sentindo-se o ambiente concentrado e algo tenso que costuma anteceder momentos, como direi... Daqueles como o que mostra a foto de abertura, com o João Martins em acção, pensando que trazia só uma e afinal eram duas, talvez porque só tinha dois anzóis? Mas já lá chegamos!
As pescas já estavam no fundo e nada se sentia o que parecia não corresponder aos sinais dados pela sonda... Ou correspondia!
Muitas vezes, quando o fundo tem concentrações de peixe maior, acontece as pescas chegarem e não serem atacadas, atendendo a que se pensa que estes "estudam melhor o assunto" que os mais pequenos que normalmente se atiram em massa e evidenciam uma total "falta de respeito" por qualquer tamanho ou tipo de iscada que se coloque à sua frente.
As iscadas de Sardinha e Caranguejo, foram poupadas durante duas ou três descidas e depois... Acabou-se!
O primeiro peixe a entrar foi um Pargo de quilo e tal que escolheu a minha baixada e, a partir daí, a acção acelerou! Tudo o que lá caía desaparecia num ápice, principalmente a Sardinha, sendo que por vezes subiam pequenos pedaços de Caranguejo, completamente amassados, prova quase certa que as Douradas estavam a actuar. Mais um sinal que não falhou!
Nem dez minutos passaram até o Mário tirar a primeira Dourada, com a cana dobrada quase até ao cabo e o carreto a trabalhar ao mílimetro, muito perto da perfeição. Esta que abaixo se vê!
As capturas sucediam-se de tal modo que, durante mais de uma hora, foi raro o momento em que um de nós não estivesse a recuperar linha, trabalhando um exemplar na outra extremidade sem que qualquer peixe para além de Dourada ou Pargo se atrevesse a tocar na isca. Impressionante e indicador de que aquele conceito de "o peixe miúdo anda lá e não deixa o grande chegar à isca", muito disseminado entre alguns pescadores, eventualmente terá de ser melhor explicado... Talvez dizendo: "se não estiver por lá peixe grande ou se este não se interessar pela isca que lhe propomos, o peixe miúdo rouba-nos indecentemente", sendo que, neste caso, talvez seja melhor precavermo-nos com iscadas maiores e supostamente mais difíceis de roubar ou... Mudar de pesqueiro!
Pessoalmente, prefiro a primeira opção, atendendo a que com toda a confusão que por lá haverá de peixe miúdo a roubar, mais cedo ou mais tarde, os grandes poderão visitar-nos e nessa altura teremos de estar preparados para eles.
Considerações à parte, a acção de pesca continuava em força e a dar frutos, cabendo-me também a parte devida tendo por exemplo a "Rapariga" que se sucede!
Segue-se o João, com um exemplo destas duplas capturas, tendo esta foto sido precedida daquela primeira em que se vê o trabalho do pescador e da cana.
Não estavam esquecidos os exemplares maiores, aqueles que vocês sabem... O peixe rondava o quilo e entravam, uma ou outra perto dos dois quilos, embora as alternâncias de iscas e iscadas quer em tamanho quer na forma, fossem uma tarefa contínua, discutida e analisada entre nós, aliás como toda a acção de pesca que desenvolvemos, não falando da entreajuda naqueles momentos em que acontecem pequenos contratempos como embaraços de linhas e outros.
Um problema se colocou bem cedo! O peso do peixe capturado aproximava-se perigosamente do limite legal e, para além de começarmos a libertar Douradas de 500 a 800 grs, tinhamos de alterar a estratégia, passando a iscar direcionados para exemplares maiores no sentido de emoldurar esta pescaria a ouro, não sem antes nos decidirmos por uma paragem técnica para degustação do frango assado e outros mimos com que o Márinho da Caparica decidiu brindar-nos!
A pesca continuou após o lanche, entrando os peixes suficientes para atingir um peso total de 24,930 kgs mais uma Dourada com dois quilos capturada pelo Mário sempre em pico de concentração durante todo o Santo dia.
Eram três da tarde, a pesca estava feita, o ventinho mais fresco indicando a mudança esperada de tempo já se fazia sentir quando decidimos terminar este dia com pesca! Digo "com" pesca e não "de" pesca porque, teve conversa, almoço, troca de ideias, brincadeira, amizade, entreajuda, lanche e mais conversa destes três bons rapazes... Já com peixe amanhado, tudo arrumado, junto aos carros onde nos despedimos com intenções sérias de repetir a coisa. Verdade se diga... Só pesca, porquê? Quando tanto se pode receber de um dia destes!
Fico por aqui! Perguntas e análises esperam-se!
Divirtam-se!
Boa noite a todos os leitores!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Zagaia/Jigging! O nosso material e... Outros!
Não há dúvida... Tenho as Sea Rocks no coração!
O formato de corpo e as montagens que se fazem, permitem animações variadas, fáceis e actuantes a subir, a descer e nos movimentos mais curtos que se imprimem. Quase se pode dizer que capturam peixe de qualquer maneira, assim demos com ele.
A amostra seguinte é uma outra, da qual nem me lembro o nome mas que... descendo rápido, trabalhando bem em pequenas animações curtas e subindo em meneios, fará, mais dia menos dia, as alegrias deste pescador. Penso até que ainda não o fez porque também não lhe dei a atenção devida.
E agora aí vêem outros alvos do meu carinho... As "Velhotas"
A de cima, tão antiga que me foram oferecidas uma série delas... Ninguém as comprava! Paciência...
Dei-lhes um jeito ao rabo, enfeitei-as um pouco, ensinei-as a fazer o pino e... Quer a de cima quer a de baixo, já me agradeceram conforme vos mostrei na entrada passada.
Quem não há-de caber em si de contente será quem as fez... O Zé Vicente! Nunca ele pensou que esta coisa aqui em baixo, cabeçuda e com ar abrutalhado capturasse alguma coisa... Ou terá pensado?Certo é que estas duas "cinzentonas" e mais a de baixo, uma "Zé Vicente", já aperfeiçoada pelo meu amigo Carlos Cruz... Ficaram loucas!
Elas descem a pique, mudam de repente de direcção e começam a descer de lado, sendo tão irregulares às animações que mais "doente" que aquilo nunca vi. Quando sobem a toque de manivelada, abanam-se de tal modo que até fico tonto! Velhas gaiteiras... É o que são!
Esta aqui de baixo ainda não capturou nada, mas que raio... Também ainda não lhe dei tempo!Depois... Sou sincero! Não resisti!
Se, como tudo indica, o cinzento funciona e sendo eu um fã das Sea Rocks, por razões óbvias; porque não tentar arranjar uma nessa côr?
O mercado não as tem mas o meu amigo Nuno, da 7even, atirou-se ao assunto e conseguiu desencantar quem as imitasse. Não são perfeitas, mas trabalham bem e agora, só falta experimentá-las... Vamos ver!
Cá está ela! Pronta a actuar! Não vejo a hora de a experimentar, talvez em zona mais profunda ou em dia de deriva mais rápida, já que o peso que se conseguiu, foram as 230 grs.
Ainda na onda das cores escuras, achei que alguma claridade mesclada poderá vir a prestar algum serviço quando a frieza da água me levar para maiores profundidades, onde algum brilho influirá talvez sobre as atenções de outras bocas, talvez maiores ou até as mesmas que andaram pelas águas baixas quando estiveram quentes... Só vendo!
O resultado destas reflexões originou a montagem desta Knife, cujas irmãs vestidas de rosa e azul já me deram alegrias, não se podendo dizer o mesmo desta negra, cinza e prata, com montagem a condizer.
Pequenas elevações progressivas (sobe... Sobe... Sobe...) da ponteira da cana, imprimem-lhe um movimento de pêndulo derivado da tendência a cair para um qualquer lado entre os movimentos de subida e, larga-se a seguir... Deixando que desça em queda livre, qual folha de Outono percorrendo uma linha irregular de aspecto... Como direi? Quase helicoidal... Os ataques têm acontecido todos durante a animação própria da descida, perceptíveis pela linha que fica a boiar, obrigando a recolhas de fio e elevações rápidas da cana para ferragens efectivas. Até agora, só capturei Pargos com as irmãs de que falei. Um assunto que parece sério!
Já chega de escuridão! Alegria... Precisa-se!
Aí está ela! A exuberância em formato de peixe!
Amarelo, laivos pretos, barriga esbranquiçada, envolvimento fluorescente das hastes dos anzóis que vinham montados de compra, à parte, sendo que ao testá-los antes de os colocar a assistir qualquer amostra o fio soltou-se, de imediato e com um mínimo de pressão, daquele envolvimento duro e fluorescente que envolve a haste. Ficaram em espera até à chegada desta amostra que vinha montada com um anzol triplo na "cauda" e que aqui o "engenheiro" resolveu alterar. Vamos ver o que dá... Num dia claro, num fundo escuro ou em qualquer situação em que a sonda mostre peixe com fartura e nada mais funcione... Outros testes para fazer. Não digam a ninguém, mas... O comportamento dela é muito parecido com o das velhotas cinzentas... Outra "doente" em potência!
Considero que a seriedade está sediada naqueles que investem para nos fazer pensar o material que usamos que, como atrás inferi, utilizando resultados de experiências frutuosas, estudando o movimento e comportamentos das espécies alvo, inovam continuamente em novas formas, novos materiais... Com o objectivo de comercialização que claramente se deverá fundamentar na qualidade e na melhoria de resultados procurados continuamente por qualquer pescador, cabendo a este não aceitar outra forma de ser tratado.
Da seriedade de trabalho referida, parecem-me poder ser um exemplo as amostras abaixo, recentes, mistas de materiais duros e macios, com formatos variados e cores para todos os gostos (peixe e pescador), indiciando animações extremamente versáteis e, segundo vários pescadores e documentos produzidos, com resultados muito bons.
As Inchiku, à esquerda e a Tai-Jig à direita, nomes tipo destas "feras", comercializadas por várias marcas, têm vindo a fazer furor. Um dia destes experimento!
No entanto, convenhamos... Não posso abandonar as minhas "meninas", sob pena de nunca chegar a saber da real efectividade da maioria delas. Tenho de testá-las em várias épocas, profundidades... Jogar com as cores e as condições dos dias em que fôr, fundamentando-me na necessidade de as trocar, caso me venham a falhar. Parece um bocado "saloio"...
Mas a "saloiada" ainda não acabou! Olhando para as Inchiku, pareceu-me que poderão ser a evolução do que vários pescadores já faziam, montando polvinhos de vinil nas fateixas triplas e duplas, aplicadas nas caudas ou cabeças de amostras mais compridas, como aliás já vos mostrei naquela primeira "Velhota". Nas Inchiku, os polvinhos trabalham fora da linha central da amostra, tudo indica, provocando movimentos ainda mais acentuados. Esta constatação, fez-me pensar e resolvi adaptar uma das minhas amostras, a sénior Intruder, bem conhecida dos pescadores de Capatões que há muito a usam ou usaram, com bons resultados, ali pelas zonas da Arrifana e Carrapateira, e... Resolvi dar-lhe um ar louco!
Este que aqui vêem!
"Filme" à parte... Esta amostra era oferecida pela marca, unicamente com uma fateixa tripla na cauda, mais tarde coberta com um polvinho por pescadores mais avisados, o que eu, neste devaneio e pensando nas Inchiku, resolvi alterar!
Troquei a fateixa tripla por uma dupla mais forte, supostamente menos fácil de se prender lá no fundo. Para lhe criar mais irregularidade de movimento resolvi cobrir cada haste da fateixa dupla com polvinhos de vinil montados em oposição. Não satisfeito e já a rir-me... Para dentro, não fosse a família pensar em "doideira repentina"; espetei-lhe com um anzol de assistência, com polvinho, na zona da cabeça; cobrindo a hipótese do tal predador resolver atacar por esse lado e, eventualmente, promovendo animações ainda mais loucas. Sinceramente... Não faço ideia do que vai dar, nem estou preocupado.
Possivelmente, a "Rambinha", nome com que resolvi baptizar o artefacto por razões óbvias, na primeira descida, toca o fundo e fica presa por excesso de armamento, terminando assim a sua carreira ou... Talvez não! Depois conto.
Bom... Entre seriedade e baboseira, já me diverti à grande enquanto estive para aqui a badalar e, podem crer, não vou ficar só com estas amostras; mais dia menos dia vou à procura de outras... Devagarinho e pensando em coisas mais macias, os vinis... Ando para aqui a magicar...
Logo ficaremos a saber...
Boa noite a todos os leitores!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Aproveitar o inesperado...
Abreviando...
Ah... Também cá andam? Pensei para comigo. E os vossos familiares mais crescidos... Será que não gostam também?
Devolvi-o à agua! Procurei outros! Mas nada mais se atirou!
Voltei ao porto, pensando no dia e concluindo satisfeito: o que aprendi hoje... O que tenho para explorar... O que tenho para aprender...
Dei comigo a sorrir largo e a pensar já na próxima saída onde certamente vou agarrar em mais estas gramas de conhecimento, mesclá-las com outras e tentar fazer melhor, mesmo que mais uma vez não acerte no alvo que procuro.
O fim de semana que aí vem não vai deixar pescar... Só se aparecer qualquer outro inesperado...
Pelo sim pelo não... Fica a leitura! Se a meteorologia tiver razão sempre haverá quem fique a "pescar" em casa.
Boa noite a todos os leitores.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Com o Astro Rei por companhia...
Até uma próxima, uma boa noite a todos os leitores!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Breve história de... Uma grande ausência!
Começámos a iscar com a Sardinha que desaparecia em um minuto e alternámos com o Carangueijo, cujo miolo era roubado mas não tão depressa e, num momento, as coisas alteraram-se!
O Luís, mais insistente com o Carangueijo, não tardou a ver a sua cana dobrar-se beijando a água. A luta foi dura e o Pargo de três quilos e tal que abre esta entrada, entrou a bordo iniciando o seu pescador na rota de outros peixes, por ser o primeiro da sua vida.
O entusiasmo generalizou-se, continuando eu a insistir em iscadas grandes de Sardinha e os meus companheiros a alternarem, com insistência nítida no Carangueijo.
Os peixes entraram espaçados, com umas Sarguetas, Choupas gradas e um ou outro Sargo pequeno à mistura.
Algum tempo depois foi a vez do Brás, com a Dourada de quilo que se apresenta aqui em baixo.
Eu, entretanto, tirei um Parguito pequeno e uma Dourada também pequena, respectivamente com Sardinha e Carangueijo, este último, sem dúvida, revelando-se a isca rainha do dia e assim se consagrando, ainda através do Luís, com a Dourada de dois quilos e pouco que culminou a jornada, ganhando ela e o seu pescador o direito de figurar na imagem seguinte. Bonito!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A Fuga!
A pesca não durou muito mais, o vento insistia em aumentar e encontrava-me também só para as lavagens e arrumações do barco. Levantei ferro com todos os cuidados, correu bem e vim para terra onde tudo fiz a pensar no dia e na mais valia de ter confiado nos sinais. Ah... Se tenho resolvido pensar mais cedo em iscar daquela forma... O que teria acontecido?
Outro dia experimento!
Até lá ou talvez antes, despeço-me desejando-vos uma boa noite!



