sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Material, resultados..., complicamos, simplificamos, ou nem por isso?


O Porto de Recreio de Sines, à popa, o motor a aquecer antes de acelerar em direcção ao pesqueiro previamente escolhido, e a minha consciência a moer-me sobre a escrita no blogue, os amigos, ou nem tanto, que há muito não me ouvem..., mas porque raio, logo agora que vou pescar, me fui lembrar disto?
Talvez porque se sente a falta do que se gosta, talvez porque se sentem algumas obrigações, talvez até, neste momento de descontracção, só meu, a escrita tenha sido um complemento em falta para que o estado de graça fosse completo!?

Não adianta, nem se justifica, começar a desfiar razões sobre tanto tempo sem escrever e, muito menos, desculpas. Tinha de vos contar a minha vida toda e não é para isso que me visitam. Portanto, vamos mas é falar de pesca.

O tema que escolhi, sendo importante, em termos de escrita e até de discussão presencial, não me é grato. Escolhi-o talvez por acontecimentos e conversas recentes, ou até por penitência.
Por tal, vou tentar ser breve e nem pensem que vou fazer uma entrada como aquela que mais se lê neste blogue - Material de Pesca..., uma dor de cabeça - e que continua, na minha opinião, perfeitamente actual.

O principal objectivo desta entrada é tentar poupar passos a pescadores menos avisados, reflectindo sobre a influência do material nos nossos sucessos ou insucessos, face a outros factores que poderão ser tão mais importantes, mas cuja discussão me parece menos usual, podendo as mais habituais trocas de ideias sobre materiais em uso, de algum modo, escamotearem variáveis tão importantes como a escolha do pesqueiro, o fundeio correcto, as iscas e formas de iscar, ou, quanto a mim, bem mais influentes, os comportamentos dos pescadores em acção de pesca.

As reflexões vão iniciar-se pela escolha dos fios - multifilares e monofilares - essencialmente no que respeita a espessuras e qualidades a utilizar para determinadas técnicas de pesca embarcada, e também nos anzóis - tipos e tamanhos - situando-me essencialmente naquela que mais pratico: no mar, ao fundo, em embarcação fundeada.

Antes de avançar, importa referir que fios e anzóis participarão de uma montagem que, por sua vez, se aplicará num carreto e numa cana, ou pesca de mão, com uma chumbada no fim, formando o que defino como "Conjunto de Pesca"(CP). Por tal, não se poderá falar de fios e anzóis, sem abordar algumas características dos restantes materiais que complementam o conjunto, não esquecendo o factor mais importante: o homem, ou mulher, que vai usá-lo, suas preferências e comportamentos em acção de pesca..., complicado!?

Certo é que..., para podermos simplificar, teremos primeiro que complicar, se não muito, pelo menos um pouco.

A qualidade de um fio, seja ele mono ou multifilar, ou de qualquer anzol, deverá sempre ser a melhor possível face aos preços que cada um pode ou acha que deve pagar, exceptuando talvez os monos usados para base de enchimento de carretos, ou aqueles para servirem para fiel da chumbada.

No que respeita às escolhas de espessuras / resistências de fios, e dos tamanhos e formatos de anzóis, vejamos alguns fundamentos possíveis que, conjugados, proporcionem o equilíbrio dum CP, em acção, e minimizem as hipóteses de perder o peixe da vida.

Fundamentos relativos a escolhas de qualidades, espessuras / resistências de fios:

Os fios a adquirir deverão, quanto a elasticidade / rigidez, adequar-se ao CP, com o objectivo de cumprirem, o melhor possível, quatro funções:
- apresentar bem a isca;
- sentir;
- ferrar;
- lutar com o peixe até que o coloquemos no poço do barco.

Influência da elasticidade e da rigidez dos materiais no desempenho das funções do CP:

CP com mais elasticidade:
- tende a apresentar melhor a isca, tendo em conta que esta ficará sujeita a menos movimentos bruscos não controlados, tanto no que respeita aos movimentos de fundo que o mar sempre imprime, quanto aos do próprio barco, quando sujeito a vagas largas e altas, ou de cachão de vento;
- assegura uma luta mais equilibrada e segura com qualquer tipo de peixe, nomeadamente com exemplares de maior porte;
- diminui a capacidade de sentir os toques do peixe;
- diminui a capacidade de ferragem, ao aumentar o esforço para a efectuar, tendo em conta que a cana terá de ser elevada a altura superior, e por vezes, até coadjuvada com algum enrolamento prévio do carreto, para contrapor a elasticidade do fio;
- permite trabalhar com a embraiagem do carreto mais fechada, atendendo a que a elasticidade do conjunto colmatará melhor possíveis falhas do material, do pescador, ou de ambos, principalmente no que se refere a lutas com exemplares de maior porte.

CP mais rígido:
- nas mesmas condições de mar e vento, e pelas razões opostas à elasticidade, tende a não apresentar a isca tão bem, a dificultar a luta com um exemplar de maior porte, mas sem dúvida que sentirá muito melhor e ferrará com maior rapidez, e menos esforço, que um conjunto mais elástico. Verdade também que, no caso de determinados peixes, em determinados dias, e condições de mar e vento, embora este tipo de CP possa sentir e ferrar melhor, pode também acontecer a um pescador menos avisado que, ao sentir o primeiro toque, tente ferrar demasiado rápido e tire continuamente a isca da boca do peixe.
- Em oposição a um conjunto mais elástico, obrigará obviamente a diminuir a pressão da embraiagem do carreto.

Porque de fios se trata, relativamente à elasticidade ou rigidez destes, tenhamos ainda em conta outras reflexões:

- Um maior comprimento de um mesmo fio, fará com se sinta mais a sua elasticidade, mesmo que seja um fio rijo.
- Um menor comprimento de um mesmo fio, fará com que se sinta mais a sua rigidez, mesmo que seja um fio macio.
- Dois cortes de comprimentos iguais, de um determinado fio, da mesma marca, mas em diâmetros diferentes, será mais elástico o que tiver menor diâmetro.
- Em luta com um peixe, e com nós iguais, um maior comprimento de um determinado fio, tenderá a partir mais tarde que um menor comprimento do mesmo fio, devido ao aumento de tempo  necessário para que atinja o limite da sua elasticidade.

Importa também referir que as reflexões acima assumem a sua notoriedade, essencialmente nos monofilamentos, em nylon ou fluorocarbono, sendo muito menos perceptíveis nos multifilares.

Considerando a conversa desfiada, parece-me  importante que as escolhas dos materiais que vão compor os nossos conjuntos de pesca se direccionem na procura do equilíbrio entre elasticidade e rigidez, face às nossas opções de pesca. Para tal teremos em conta, não só os fios, seus comprimentos, diâmetros e potências, assim como as canas, e a forma como regulamos a embraiagem do carreto.

Um CP, para"diversos", ou maiores exemplares, ao fundo, em embarcação fundeada, é, hoje em dia,  normalmente composto pelos seguintes elementos:

Cana: mais rija, ou menos rija, com acção de ponteira, ou acção progressiva, telescópicas ou de encaixe, com comprimentos variando normalmente entre os 2,70 e os 4,00m.

Carreto: adequado ao que se pretende capturar, às profundidades em que se pretende pescar e à frequência com que se pesca, tendo em conta o dispêndio monetário a efectuar.
A regulação da embraiagem deverá ter em conta:
- a elasticidade / rigidez do CP;
- a potência do ponto de ligação mais fraco;
- os objectivos de captura, em termos dos tamanhos dos exemplares;
- as preferências do pescador;

Os fios a aplicar no carreto:

Base de enchimento: monofilamento, em nylon, que, iniciando o enchimento da bobina, tem com única função criar uma base segura de aplicação do fio principal, assim como, colmatar diferenças entre a capacidade da bobina e a quantidade de fio principal que temos disponível, sem emendas. Este primeiro fio não vai participar na acção de pesca, pelo que pode ser de fraca qualidade. Quanto ao diâmetro poderá ser maior que os que a seguir se aplicam, tendo em conta, algum aumento de potência face à rara possibilidade de um dia, um determinado peixe levar tanta linha que lá possa chegar.

Fio principal: multifilar entrançado, com a melhor qualidade possível e espessura / resistência adequadas, que será amarrado à ponta da base de enchimento e encherá, quase na totalidade, a bobina do carreto, assegurando a rigidez necessária às funções a que se destina.
Pela sua rigidez, este tipo de fio assegura o melhor desempenho no que respeita às funções sentir e ferrar, em oposição às funções apresentação da isca e luta.

Ponteira de amortecimento ou Chicote: Corte de monofilamento de boa qualidade, com diâmetro e potência suficientes que lhe permitam lutar com os peixes que procuramos.
Um comprimento adequado à elasticidade que pretendermos ter, face ao equilíbrio do CP, colmatará a rigidez do multifilar e contribuirá para uma melhor apresentação de isca e um bom desempenho em luta com um exemplar de maior porte. Tudo isto, colocando minimamente em causa as funções sentir e ferrar.

Madre da baixada: Corte de monofilamento de boa qualidade, de potência igual, ou inferior, à do fio da ponteira de amortecimento, com comprimento adequado ao conjunto de estralhos que vai levar, tendo em conta os comprimentos e intervalos necessários para que os anzóis de baixo não cheguem às inserções dos estralhos de cima, ou ao elemento de ligação com a ponteira de amortecimento.

Estralhos: Cortes de fio de boa qualidade, de potência igual ou inferior ao da madre da baixada, com comprimentos que se entendam serem os mais adequados.

Tendo por base o acima descrito, as técnicas que pratica, os exemplares que procura, a frequência com que pesca, as condições variadas de cada jornada e o investimento a que se dispuser, entre outros factores, um determinado pescador poderá então optar de várias formas:
- adquire e prepara um conjunto mais rígido;
- adquire e prepara um conjunto mais elástico;
- adquire e prepara um conjunto intermédio;
- adquire e prepara dois conjuntos, um, mais elástico, e outro, mais rígido;
- adquire e prepara conjuntos diversos, tantos, quantas os que achar necessários para cobrir, com eficácia, as variáveis descritas;

Independentemente do que decidirmos adquirir e preparar, qualquer conjunto pode ser adaptado, independentemente de alguns elementos fundamentais, mais ou menos rijos. Isto é:

- podemos colmatar a rigidez duma cana, usando tipos e comprimentos de monofilamentos que tornem o conjunto mais macio, ou seja: não esquecendo a potência necessária do monofilamento, se, por exemplo, aumentarmos o comprimento da ponteira de amortecimento, conseguimos amaciar o CP. Acção contrária, pelas mesmas razões, aumentará a rigidez de um conjunto elástico.

Se formos atrás de modas e comprarmos continuamente o que está na berra, todos estes factores tendem a complicar as aquisições e preparações de conjuntos. Podemos no entanto facilitar..., se entendermos adaptar o que já temos, recorrendo a materiais actuais, bem escolhidos, que pelas suas características, poderão resolver as nossa necessidades.
Não critico nenhuma das opções - complicar ou simplificar - vou limitar-me a falar das minhas, com base nas observações efectuadas e resultados obtidos.

Os anzóis..., tamanhos e características:

Se falar de fios é complicado, quando passamos aos anzóis, nem sei que diga.

A escolha dos anzóis dependerá sempre, entre outros possíveis, dos seguintes factores:

- Qualidade superior, procurando o menor peso para o mesmo efeito.
- Adequação aos exemplares que se procuram.
- Adequação à montagem em uso. Em montagens de anzol único num estralho, ou líder, o anzol tenderá a ser maior do que se montarmos dois anzóis em tandem no mesmo estralho, ou líder.
- Adequação à técnica em uso. A pescar à chumbadinha, atendendo ao tamanho das iscadas, com um anzol, ou dois, em tandem; anzóis direitos e mais abertos tendem a prestar melhores serviços.
- Adequação às iscas e formatos de iscadas. Ter em conta as reflexões nos pontos anteriores.
- Adequação face à espessura / potência das linhas (estralho ou líder) em uso. Montar um anzol 5/0, ou maior, num estralho 0,30, ou mais fino, não tem grande lógica. Em fios mais grossos e rijos, os nós em anzóis de argola são mais fiáveis.
- Versatilidade face à maioria dos factores acima descritos. Parece difícil, mas existem anzóis no mercado que, pela variedade de tamanhos, formatos e resistências, se adequam a quase todas as situações. Tal permite-nos, eventualmente, reduzir o número de tipos e marcas a adquirir, garantindo a operacionalidade que pretendemos.

Face ao descrito, importa encontrar um equilíbrio entre fios e anzóis quanto a comprimentos e espessuras ou potências, no caso dos fios, e, entre formatos e tamanhos, no caso dos anzóis, não esquecendo a adequação aos conjunto de pesca escolhidos, e aos nossos objectivos de captura. Depois, temos de pescar e adaptar o nosso comportamento às condições de pesca com que nos depararmos, em determinado dia. Quer isto dizer que:

1. Não existem conjuntos de pesca infalíveis.
2. Desde que tenhamos um conjunto de pesca actual, minimamente aconselhado, quando não capturamos, as razões raramente estarão sediadas no material, antes..., na nossa incapacidade de nos adaptarmos a ele, face às condições do dia; na escolha de pesqueiros; nas rotações que o barco dá, quando fundeado; na escolha das iscas e formatos de iscadas; ou até, na frustração de não sabermos como lidar com situações de insucesso. Por tal, na grande maioria dos casos, não valerá a pena culpar o material e ir à corrida comprar igual ao do fulano que capturou..., melhor será tentar perceber, com o nosso material, como lidar com situações idênticas.
O mesmo sucede em dias que tudo corre bem, capturamos, estamos felizes, tudo funcionou e o material que usámos é o melhor do mundo, ou..., terá unicamente ajudado, num dia em que todos os outros factores estiveram a nosso favor?

Penso que dá para entender que já testei muito material, gastei mais que o necessário e bati muitas vezes com a cabeça na parede, factos que me permitiram as reflexões produzidas, assim como ter, há algum tempo, um conjunto de opções de material, relativamente simples, que adequo, mas pouco altero.

Como fui alterando o material:

Levei o meu tempo a ir contra o que estava mais instituído..., fios finos e anzóis pequenos, mas:

- os peixes que se soltavam, tudo indicava, porque agarravam a isca e os anzóis, mas não se ferravam por falta de tamanho adequado;
- os dias de peixe miúdo que roubava iscas e também não ficava nos anzóis, ainda que pequenos;
- os peixes que se perdiam porque os fios finos, por mais que se trabalhasse a embraigem do carreto, ou partiam por falta de resistência, ou permitiam que o peixe se desferrasse por demasiadas hipóteses que o tempo de luta lhe dava;
- os embrulhos de linha que estralhos mais finos tendiam a provocar. mesmo com sistemas efectivos que tendiam a evitar estas torções;
- a escolha  de iscas maiores, que pediam anzóis de tamanhos acima e consequentemente fios que se lhes adequassem;
- a percepção de que com materiais mais pesados e iscas maiores e diversas, as capturas de peixe maior eram mais regulares e frequentes, mesmo face a outros pescadores a pescarem mais fino;
- a constatação de que estralhos mais compridos, para além de afastarem as iscas das madres e inserções de estralhos, tendem a acompanhar melhor os movimentos do mar e consequentemente a apresentarem melhor a isca, assim como permitirem que peixes mais desconfiados comam, sem sentirem as prisões iniciais dos iscos;
- a constatação de que mesmo os peixes, na gíria, mais "mafiosos", como sargos, douradas e até os famigerados besugos, caíam tão bem a anzóis e iscadas grandes, e linhas mais grossas, por vezes até melhor, comparativamente a quem decidia montar um conjunto de pesca, todo malandro, "especial besugo", ou o que lhe queiram chamar;
- a constatação de que, na maioria dos casos, a conjugação entre os comportamentos dos pescadores, em acção de pesca, e os posicionamentos no barco, face às condições de mar e vento, mais que os materiais em uso, eram nitidamente as variáveis mais influentes nas capturas...;

... portanto, entre outras observações, tudo o acima referido, coadjuvado pelos resultados que se foram obtendo, levaram a concluir que:

1. A introdução contínua de variáveis, ao nível de novos materiais, sem variações significativas de espessuras ou tamanhos, para além de não permitirem testes efectivos sobre as que se abandonavam, de algum modo escondiam a influência de outras variáveis tão, ou mais importantes.
2. As variáveis mais influentes nas capturas não estavam essencialmente centradas no material em uso.
3. Os fios e anzóis, respectivamente, mais grossos e maiores, com iscas adequadas, melhoraram nitidamente a qualidade de capturas.

Num exemplo extremo de adaptação, que, de algum modo, sempre tenho presente, deixo-vos saber o seguinte:

Os pescadores profissionais de Sines, de há muitos anos, e até aos dias de hoje, pescam às douradas nesta época, fundeados, com engodo de caranguejo, linhas de mão, em monofilamento de 0,80, madre de 0,60, um anzol em cima para peixe menor e, com um estralho de baixo, bem comprido, em 0,50/0,60, onde aplicam um anzol sempre maior que 4/0, iscado com caranguejo. E meus amigos, capturam douradas à séria, ao fundo e a meia água, usando chumbadas que, em muitos casos, chegam às 400g.

O material que usam é o mais adequado? Certamente que sim, face às adaptações aos seus hábitos, ao número de pescadores a bordo (1 a 2), aos barcos que usam, e à forma como escolhem, fundeiam e trabalham os pesqueiros eleitos.

Alguns de vós poderão questionar-se:

Olha o gajo..., então se aquela forma de pescar é assim tão produtiva, porque é que ele não faz o mesmo?

A quem tais dúvidas assolem, passo a explicar:

- não sou pescador profissional, pelo que não posso escolher um pesqueiro, fundear uma bóia, com três ferros e com o nome do barco que chega a ficar semanas no mesmo local, legalmente respeitada quanto a distâncias, por outros pescadores profissionais, ou lúdicos;
- não dá jeito nenhum, com 3 ou 4 pescadores a bordo, ter 100 metros de fio a passear dentro do barco, sujeito a ventos e consequentes embrulhadas, pelo que uso os meus conjuntos de pesca com cana, carreto e etc.;
- na qualidade de pescador lúdico, tenho de procurar os meus pesqueiros, fundear correctamente, e, no caso do barco rodar durante a jornada, se necessário, tornar a posicioná-lo de modo a que as minhas iscas actuem onde devem, devido à impossibilidade de, como os profissionais, bastar folgar um dos cabos e caçar dois dos outros, ou vice versa, para ficarem sempre posicionados no local mais quente.

De qualquer modo, tal não implica que ande sempre a mudar de material, só porque num dia ou outro, a coisa não me saiu bem. Na verdade, também a eles acontecem dias em que nada funciona, mas, regularmente, as capturas acontecem.

Tendo em conta a conversa desfiada, eis os materiais que actualmente, e já há alguns anos, uso:

Canas para fundo e chumbadinha:

- 7EVEN,  CARSON e NBS Stell Power antiga, todas entre os 3,50 e os 3,70 metros, de 3 partes com ponteiras, já descontinuadas, com acções progressivas mais para o lado do rijo.
A Stell Power, devido ao seu peso, uso-a essencialmente para pescar à chumbadinha, ou com isca viva, apoiada no caneiro.
A 7EVEN e a CARSON vão a todas e, destas 3 canas, nenhuma tem menos de 8 anos, e, não digam a ninguém, mas ainda tenho uma 7EVEN, igualzinha, oferecida por um amigo, quase a estrear.

Carretos:

- Cabo 60 da Quantum, o que mais uso a pescar na mão, muito maltratado e capaz de tudo. O 1.º que apareceu à venda em Setúbal, penso que há mais de 8 anos.
- Banax Mighty 2000, também oferecido, uso de vez em quando e nunca se queixou, tendo em conta a sua relação preço/qualidade.
- Penn 8500 SS, uso essencialmente para pescar com isca viva, apoiado no caneiro. Tem 22 anos.

Multifilares:

- Corstrong da Cormoura, 0,27, o que mais tenho usado nos últimos anos, sem qualquer problema. Ultimamente, estou a mudar para fios com cores variadas, pelas vantagens que apresentam relativamente à percepção da quantidade de linha que está na água, e não devido a qualquer outra razão. Nestes fios coloridos tenho o Sufix num carreto, e estou agora também a experimentar o Daiwa J-Braid x 8, em 0,28, muito devido à qualidade que parece ter e ao preço acessível. Se este fio se comportar, usá-lo-ei o máximo de anos possíveis.

Monofilares:

Ponteira de Amortecimento:

- Gorila da Tubertini UC-4 0,45, ou 0,50, se for para a chumbadinha.

Madre da baixada para pescar com dois estralhos:

- Gorila da Tubertini UC-4 0,45, ou 0,50. Isto porque, quando me falham as linhas dos estralhos, em fluorocarbono, faço estralhos com o Gorila 0,50 e capturo na mesma. Não faço com o 0,45 porque se embrulha com facilidade.

Estralhos:

- flurocarbono P-line 100%, 0,41, ou Asso 100% 0,45. Na falta destes, uso mesmo o Gorila UC-4, em 0,50.

Bases de enchimento de carretos e fiéis da chumbada:

- qualquer 0,40 da colecção de fios da treta que, em tempos, desnecessariamente experimentei e já não uso.

Comprimentos e adequações:

Ponteira de amortecimento: 12 a 15 metros, dependendo da profundidade a que pesco. Se pesco menos fundo, aumento o comprimento, porque é mais fácil sentir em menos profundidade e porque preciso de mais amortecimento em luta, atendendo a que menos profundo, as lutas são mais vivas e brutais.
Quando pesco mais fundo, diminuo o comprimento da ponteira de amortecimento, porque preciso de sentir melhor e porque as lutas são menos vivas e mais pesadas, levando-me, por vezes, a aumentar os diâmetros para 0,50, principalmente quando a pescar perto de estruturas altas.

Madre da baixada: entre 120 e 150cm, dependendo do tamanho dos estralhos.

Estralhos de cima: 60 a 80cm

Estralhos de baixo: 80 a 100, por vezes 120cm

Nota 1: Sobre as variações dos comprimentos dos estralhos, tendo cada vez mais a ir para os mais compridos, independentemente das condições que se apresentem e principalmente se houver aguagem.

Nota 2: Uso as mesmas espessuras e comprimentos, independentemente das profundidades a que pesco, desde os 20 até aos 100 ou mais. Por vezes, quando o peixe miúdo é muito e só sobem bogas e cavalas, corto o estralho de cima, aumento o comprimento do estralho de baixo para 150cm, ou mais. Aumento também o tamanho do anzol e isco com sardinhas inteiras ou outras iscas fortes, como Lula, Cavala..., etc., deixando comer à vontade. Nesta situação, tal adaptação tem resultado com regularidade.

Anzóis pesca ao fundo com dois estralhos, ou chumbadinha com montagem tandem:

- Hayabusa FKS 130, em uso há mais de 14 anos.
- Barros Gora-EN, uso recente, escolhido por ser de argola, barato, resistente e um pouco mais aberto que o Hayabusa,
- Asari ANOS, em uso também há bastante tempo.

Anzóis para chumbadinha, com montagem de anzol único:

- ainda uso os Kong da Hiro em tamanho 8/0. Quando acabarem tenho de procurar substitutos direitos, abertos e também grandes.

Tamanhos dos anzóis:

- Os tamanhos variam entre os 3/0 e 8/0. Os 3/0 e 4/0 para montagens em tandem; 5/0 e 6/0, para montagens de dois estralhos, com um anzol por estralho; e, maiores, para montagens de chumbadinha com anzol único.

Portanto, meus amigos, estes têm sido os materiais eleitos nos últimos anos, sendo que as marcas até podem mudar, mas os tipos e formatos vão-se mantendo.

Quando a pescar ao fundo, com estralhos, ou à chumbadinha, uso respectivamente as mesmas montagens para todo o tipo de peixe que procuro e, conforme os sinais dos toques e o que vai acontecendo ao longo do dia, vou adequando o meu comportamento aos conjuntos de pesca em uso, podendo também adequá-los, quanto a comprimentos, anzóis únicos, ou em tandem, pesos de chumbada, etc.. Desta forma, em conjunto com o tipo de materiais que ao longo do tempo elegi, adequo-me às restantes variáveis que são muitas, e quanto a mim, bem mais importantes, embora mais difíceis de entender e, consequentemente, dominar.

Certo é que, com base nas reflexões produzidas e nas escolhas efectuadas, a regularidade de capturas, mesmo neste ano da graça de 2016, em que a pouca frequência de pesca, por razões diversas, foi um caso nunca visto, ainda assim permitiu algum sucesso.

O Tózé, ali por alturas de Março:


Ainda o Tózé, no mesmo dia:


Douradas de verão, já ao lado do meu pé:


Pescarias pouco profundas de início de Verão:


Nem em Sines parei de trabalhar, raios partam isto:


Mais Douradas, ainda no Verão:


Olha..., Robalos também, ao fundo:


Parte de uma pescaria a solo:


Parte de outra acompanhado:


Mais outra..., no seu início:


Um Parguinho de fim de Verão:


Também um Robalito:


E por último, após um interregno de mais de um mês, com manutenção e arranjos de barco à mistura, eis, de 28 de Novembro, 2.ª feira, um moço mais crescido... 


..., acompanhado por outros, não muitos, nem do mesmo tamanho e qualidade.


É hora de voltar ao porto...


..., sem promessas de quando volto, mas com a vontade de que seja com a brevidade possível.

Sobre a presente entrada, não sei se demasiado comprida, espero ter-vos poupado algum tempo e dinheiro, assim como, ter passado a mensagem de que, para além do material que usamos, muitas outras variáveis poderão influir sobre as nossas desditas e os nossos sucessos, cabendo-nos talvez analisar melhor, antes de acharmos que o material nos faz pescadores, em vez de o olharmos como uma parte, que embora importante, não será certamente a panaceia para todos os nossos males.

Os meus sinceros cumprimentos a todos os leitores

Abraço

Ernesto

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Atitudes e Comportamentos do Pescador Versus Factores Sorte/Azar


A jornada de pesca chegou ao fim, ruma-se ao porto, pensamentos sobre os resultados do dia, e o que a eles levou, envolvem-nos, como que prolongando o prazer de mais uma deliciosa jornada e, quase inconscientemente, fazemos comparações com resultados, melhores ou não tão bons, de outras jornadas, em épocas idênticas, nos mesmos pesqueiros, ou em outros.

Não sei se acontece convosco, mas comigo sempre assim terminam as jornadas de pesca, sendo que tais pensamentos se prolongam, em análises e reflexões contínuas, até que volto para a família e outros afazeres, tornando a assolar-me nos tempos livres, em seco.

Muitos dos pensamentos, análises e reflexões referidas, têm sido partilhados convosco através das linhas que vou escrevendo, espalhadas no tempo, mas, de vez em quando, importa dar-lhes uma orientação, como direi..., talvez mais prática.

Na última de três saídas de pesca com pessoal amigo, relativamente iniciado nestas lides, em que as pescarias foram bastante regulares, em qualidade e quantidade, quando navegava para o porto dei comigo a pensar que para além destas assim terem corrido, também as anteriores, desde Julho/Agosto, assim como muitas outras, principalmente quando a frequência de pesca é mais assídua, se têm revelado, com algumas excepções, normalmente produtivas.

Tais pensamentos levaram-me, logo em seguida, para questões relacionadas com os factores sorte e azar, muito badalados nesta nossa actividade, fazendo-me inicialmente pensar que sou um "sortudo", o que de facto tenho sido, com a saúde e a hipótese de pescar assiduamente, mas, no que respeita a capturas, já não acredito tanto, pois seria muita sorte junta.
Então, lembrei-me que muita da minha "sorte" na pesca, poderá estar sediada nas Atitudes e Comportamentos, os quais têm vindo a ser afirmados em muitos dos escritos que por aqui tenho produzido, parecendo-me no entanto carecerem de reflexão específica, ordenada e prática, para melhor entendimento, meu, e de quem lê o que escrevo.

No sentido de identificarmos alguns conceitos, analisemos algumas frases, normalmente ouvidas em conversas habituais em círculos diversos de pescadores...

"... para mim o que interessa é ir pescar. Se der, deu, se não der, logo dá para a próxima".

Esta dá para tudo...

Ouve-se muito a pescadores que vieram de papo cheio, assim como a outros a quem a coisa não correu bem.
Independentemente das intenções com que se profere, tem contido um conceito com forte ligação à influência dos factores sorte/azar.

"... hoje não havia peixe", ou, "o peixe não queria comer".

Neste caso, porque o peixe habita e come no mar, ou o pesqueiro foi mal escolhido, ou o fundeio mal efectuado, ou o peixe queria outras iscas/formatos de iscadas, ou ainda, desistiram de pescar antes da hora do peixe ficar activo a comer.
Pode acontecer, por exemplo, na época de desova/acasalamento das Douradas, atendendo a que, em determinada hora, de determinado dia, enquanto os bichos estiverem a tratar da "vidinha" deles, não comem. Certo é que, com marcações de sonda ricas de actividade, não raro, só começam a comer a determinadas horas do dia, mas como andam por ali e não querem ser incomodadas, os peixes miúdos são "chutados" e também não comem.
Para todos os efeitos, esta é outra frase típica onde é forte o crédito nos conceitos relacionados com os factores sorte/azar.

Mas ainda mais engraçado é que habitualmente, quando um pescador "carrega" de peixe, tende a achar que sabe muito, e até explica como foi; tem o melhor material do mundo e usou da melhor forma a única e melhor tratada isca. Se a coisa correr mal, na maioria dos casos, este mesmo pescador atribui o seu desaire aos factores sorte/azar.

Fica a questão: então se soube tanto quando capturou, como é que sabe tão pouco quando se verificou o contrário?

Muitas outras frases se ouvem, atribuindo culpas a quem comanda o barco, ao material, ao lugar em que pescou no barco, mas, de forma recorrente, raramente se ouve um pescador assumir que hoje não lhe correu bem porque acha que falhou, aqui ou ali, se desinteressou, não soube reagir a adversidades, fez tudo igual a muitos outros dias, num dia diferente, em suma, assumir a sua falta de conhecimento sobre os peixes, os pesqueiros onde actuou, a adequação de iscas e materiais face às condições de mar e vento que se apresentaram e um conjunto de outros factores.
Certo é que o conhecimento sobre determinados assuntos, só se consegue adquirir quando a nossa atitude for assumir que desconhecemos e, a partir daí, estudarmos, observarmos, perguntarmos, praticarmos, testarmos, modificarmos, e assim sucessivamente, repetindo os ciclos de aprendizagem, ao longo da vida.
Caso o não façamos, vamos baseando a nossa pesca essencialmente na qualidade e quantidade de materiais que vamos adquirindo, continua e compulsivamente, deixando aos factores sorte/azar a grande fatia sobre o controlo dos resultados da nossa pesca.

Face ao descrito e tentando alinhar pensamentos, parece-me existirem duas grandes áreas onde devemos investir no sentido de melhorar a nossa pesca:

- Conhecimento
- Atitudes e Comportamentos

Conhecimento:

Tentando ordenar, em termos de áreas, deixo-vos a minha opinião sobre o conjunto de conhecimentos, entre outros (nunca são demais), que se devem tentar adquirir, e continuamente melhorar:

- Tipologia de fundos e razões da sua relação com a visita e/ou permanência das espécies que procuramos, em épocas determinadas, o que farão deles zonas de pesqueiros, ou não.
- Comportamento das espécies que se procuram, tendo em conta alimentação, acasalamento e relação entre profundidades e épocas mais produtivas.
- Adequação de iscas naturais, mortas ou vivas, ou artificiais, tendo em conta espécies a capturar, pesqueiros onde se actua, técnica de pesca em uso e momento de determinada jornada.
- Aquisição e adequação de materiais, para além de modas e marcas, tendo em conta as funções que devem cumprir em cada técnica utilizada, simplificando-os o mais possível, sempre considerando os factores de conhecimento anteriores.

A ordenação e divisão das quatro áreas acima referidas não querem dizer que estão divididas ou que deverão ser abordadas à vez, e por ordem. Estão directamente relacionadas, não têm fronteiras e devem ser consideradas interdependentes no processo de aumentar os nossos conhecimentos, tanto teóricos, quanto práticos, sobre as mesmas.

Vejamos exemplos práticos:

Considerando a presente época e, mais uma vez, a pesca direccionada às Douradas, deveremos procurar dominar, em simultâneo, um conjunto alargado de conhecimentos, como sejam:

Tipos de fundo, profundidades, comportamentos da espécie ao longo da acção de pesca, iscas, iscadas, materiais, técnicas em uso, e, muito importante, como aplicar tudo isto, nos locais e à hora certa, face às condições de mar e vento que se apresentarem logo de início, tendo em conta que poderão alterar-se ao longo da jornada, influindo negativa ou positivamente no pesqueiro ou zona de pesqueiros onde se actua, sendo que tal poderá obrigar a alterações de fundeio, de técnica e eventualmente de iscas e formatos de iscadas.

Por exemplo..., sem aguagem, as Douradas poderão pairar em fundos entralhados, junto às bases de estruturas rochosas, mais ou menos importantes, e até sobre os seus bicos, abrindo um leque de opções e técnicas, todas elas passíveis de bons resultados.
Na presença de aguagem, e dependendo da sua intensidade, é natural que os comportamentos se modifiquem, normalmente com os peixes a abrigarem-se dos efeitos desta ou a utilizarem-na em deslocações para locais que entendam mais propícios, sendo que neste caso as nossas iscas deverão actuar nesses locais, ou nas zonas de deslocamento.
Num dia que começa sem aguagem, e em que a determinada altura esta entra, ou vice versa, é quase certo que teremos de alterar algo, tanto no caso de estarmos fundeados, quanto no caso de estarmos à deriva ou "rola". Mas serão sempre os resultados e os toques do peixe, ou ausência deles, os indicadores da necessidade de alterações.

Considerando o exemplo supra, que em si já indicia a necessidade de aquisição dos conhecimentos referidos, e não só no que a Douradas se refere, sem dúvida que as nossas atitudes, ao longo de uma jornada de pesca, a que chamo positivas, entre outras possíveis, deverão ser de:

- Constante observação
- Constante reflexão e análise
- Constante concentração na acção de pesca
- Constante abertura a melhorar fundeios, alterar derivas ou mudar de zona de pesqueiros, se assim o acharmos necessário, bastando para tal que, pela relação entre capturas não conseguidas, toques ou ausência deles, deixemos de acreditar no pesqueiro ou zona onde actuamos.
- Constante abertura a mudar de técnica e consequentemente adequar iscas, iscadas e materiais, tendo em conta, o puro teste, ou o que achamos que estará a acontecer face à ausência de resultados conjugada com alterações significativas das condições de mar e vento. assim como movimentações de embarcações em acção de pesca muito próximas de nós.

Neste processo, devemos esquecer conceitos do tipo:

- Hoje não há peixe
- O peixe não quer comer
- Hoje não é o meu dia

Se não conseguimos capturar, então foi porque não soubemos escolher o pesqueiro, fundear e/ou derivar correctamente, usar as iscas certas e iscadas no formato adequado. Eventualmente não teremos usado o material da forma mais correcta, ou não soubemos adequar todas as variáveis referidas ao estado do mar e do vento, enfim... precisamos ir mais, conhecer mais, e não nos dispersarmos unicamente no que é mais normal..., as discussões intermináveis sobre o material em uso - a única coisa que conseguimos ver fora de água - já para não falar da sorte e do azar.

Na verdade, quando se procurar conhecer, versus suportar insucessos e sucessos nos factores sorte/azar, ou unicamente no material em uso, vão sentir-se, a curto médio prazo, alterações significativas nas nossas "Atitudes e Comportamentos". Isto porque na medida dos conhecimentos adquiridos, verifica-se a tendência para a organização de processos dinâmicos que, permitindo-nos relacionar opções com resultados obtidos, promovem a regularidade no que respeita a conseguirmos capturas das espécies que procuramos. Umas vezes mais... outras menos.

Como habitual, gosto de fundamentar as reflexões e análises que vou produzindo, com relatos que penso, as fundamentam. Vamos a eles!

Alguns dos leitores já se aperceberam que, de vez em quando, organizo uns Workshops de Pesca Embarcada, agora em colaboração com a Escola Náutica Longitude. Eis os títulos:

1 - Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear
2 - Iscas, Iscadas, Materiais e Montagens / Aplicação ao longo de uma jornada de pesca

Nota: Clicando nos títulos, têm acesso aos respectivos conteúdos.

Pormenorizando um pouco... o primeiro, desenvolve competências, ao nível da utilização das Cartas de Fundo, Sonda e GPS, no que respeita à autonomia na procura de pesqueiros e no fundeio ou deriva correctos. O segundo, desenvolve competências no que se refere à Acção de Pesca, caracterizando iscas, iscadas, materiais, montagens..., e respectiva utilização face a cada dia, e cada momento, tendo em conta o que os toques e o enquadramento geral da jornada nos dizem.

Estas acções, antes constando unicamente de um dia em sala de aula, com apresentação em Power Point, passaram, de há um par de anos para cá, para um dia em sala e um dia com aplicação prática no mar.
Realizam-se normalmente em fins de semana - Sábado em sala e Domingo no mar - sendo que, tanto devido às condições climatéricas, quanto ao número de alunos por acção, as aulas de mar poderão ser logo no Domingo seguinte, ou alargar-se por vários dias, atendendo a que estes programas são abertos a um máximo de nove participantes e, por uma questão de acompanhamento e qualidade, só levo ao mar três ou quatro de cada vez, nomeadamente no Workshop que trata da acção de pesca.

A análise e reflexão sobre a parte prática do último destes cursos - Acção de Pesca - penso, poderá fundamentar dias bons, e não tão bons, de pesca pensada e feita, através de um olhar crítico para atitudes, comportamentos e opções que podem muito bem ser as razões de uns e de outros.

Data prevista do curso: 14 e 15 de Novembro de 2015

Dia em sala: 14 Novembro.

Saídas para prática de mar: dias 15, 16 e 19 seguintes.

Caracterização dos alunos: a maior parte deles, iniciados nas lides da pesca lúdica e só dois, dos oito participantes, tinham material de pesca, e barco.

Técnica em uso em todas as jornadas: Fundeado, com madre de dois estralhos compridos.

Iscas em uso: Sardinha e Caranguejo

Em todos os dias foi minha função escolher o pesqueiro e fundear, explicando aos participantes porquê, tendo em conta a época, o tipo de fundo, os exemplares procurados - Pargos e Douradas - e as imagens de sonda.
Ao longo de cada jornada apoiei continuamente todos a bordo, quanto ao manuseamento e escolha de materiais, assim como, quanto às reacções aos toques sentidos, analisando e realçando continuamente as alterações que se iam verificando e as suas relações com a nossa acção sobre os pesqueiros.

Relato de dia 15:

O melhor exemplar do João Almeida:



O melhor exemplar do Pedro Nunes:


A pesca toda de dia 15:



Relato em imagens de dia 16:

O melhor exemplar do António Alegria:


O melhor do Mário Tomás:


Num pequeno espaço de pesca, calhou-me a melhor do dia:


A pesca toda de dia 16:



Relato em imagens de dia 19:


Analisando os resultados de cada dia, importa referir que nos dias 15 e 16, pescámos no mesmo pesqueiro onde, face às condições de mar e vento, nos mantivemos todo o dia no mesmo local, sem variações do posicionamento do barco.

No dia 19, mudámos de pesqueiro e devido a variações contínuas de direcção e intensidade do vento (sempre fraco), e ausência de aguagem, o barco rodou todo o santo dia, sendo possível identificar que sempre que colocávamos as iscas na zona quente, capturávamos, e, logo que o barco rodava, deixávamos de capturar. Neste dia as capturas foram bem mais modestas, indicando talvez má escolha do pesqueiro e eventualmente da técnica em uso.

Considerando o acima referido, penso que se tenho ido para o mesmo pesqueiro - o de 15 e 16 - a aguagem, tendendo a ser mais forte, em dia de vento fraco, manteria o barco no mesmo pesqueiro, decorrendo eventualmente de tal uma maior produtividade.
Outro possível erro, poderá ter sido a técnica em uso..., eventualmente uma mudança para pesca à deriva, usando a Chumbadinha como técnica, poderia ter permitido passagens contínuas sobre a mesma zona quente, tendo em conta o acompanhamento das alterações da deriva ao longo do dia.
Caso sejam outras as razões da menor produtividade do dia 19, pura e simplesmente, desconheço-as e por tal não se conseguiu melhor. Tenho de aprender mais, pois a sorte e o azar não tiveram nada a ver com o assunto, ou pode ainda dizer-se que o "azar", deste dia, foi directamente proporcional à minha incapacidade de discernir e optar bem.

Com base em tudo o que foi dito, no passado Domingo, dia 17 de Janeiro, também durante a parte prática do workshop Procurar Pesqueiros, Sondar e Fundear, após todos terem conduzido o barco, sondando e identificando estruturas submarinas, suas dimensões, suas orientações e suas áreas supostamente mais quentes, até à interiorização prática dos conceitos que estão na base destas acções, resolvemos pescar.

Analisemos os factores que estiveram na base da escolha do local:

Os trabalhos práticos do workshop terminaram pelas 12.30, o que nos limitou o tempo útil de pesca que neste caso foi um bónus, atendendo a que normalmente este workshop não tem acção de pesca.

O vento era fraco, esperava-se que rondasse durante o resto do dia, e, pela determinação da deriva, percebeu-se que tinha aguagem contra ele, no fundeio inicial.

Considerando as condições descritas, o grande objectivo a cumprir, seria maximizar o tempo útil de pesca que já escasseava.
Para tal importava não ir para muito longe, poupando tempo na viagem, e, no sentido de evitar andar a mudar de zonas, fundear num local adequado à época, pensando em Pargos, Douradas e Sargos, onde a influência das rotações esperadas do barco, afectassem minimamente a acção de pesca..., uma escolha difícil para quem não conhecesse os fundos por ali.

Escolheu-se uma zona. a pouco mais de uma milha do porto, cujos fundos base andam pelos 50/52 metros, constituída por fundos mistos de areia e pedra rasa (entralhados), e rodeada por estruturas que subiam aos 29 e 37 metros.
Sondada a zona, verificou-se que um pouco por todo o lado se via actividade, sendo esta mais intensa junto às bases das estruturas mais altas.

Com a premissa de que o barco iria rodar, fundeámos entre bicos, com pouco cabo e com a intenção de, para onde quer que o barco rodasse, não ficasse muito longe da base de uma estrutura mais alta.

Fundeio efectuado, e vá de actuar sobre o pesqueiro, com sardinha e caranguejo, esperando que tal despertasse a atenção e gulosice daqueles que, considerando a leve aguagem para Norte, tendencialmente se deslocassem entre estruturas, na procura de comida mais ou menos fácil.

Com tudo isto iniciámos a acção real de pesca já passava das 13.00 horas, e devagarinho fomos compondo uma pescaria engraçada, com entradas muito intervaladas de peixe, muito devido, penso eu, à constante mudança de lugar do barco.
Mas uma coisa é certa, em todas as posições por onde o barco passou, ou parou por momentos, sempre se foi capturando um exemplar ou outro, culminando com 6 Pargos, à volta do quilo e meio, um Sargo legítimo perto de quilo, uma Dourada do tamanho dos Pargos, algumas Sarguetas, e, já no fim, como cereja no topo do bolo, saíram-me 6,300kg deste "marmanjo":


Agora poderão dizer-me: foi sorte!

Ao que respondo: talvez..., mas atenção que, nesta mesma zona, com condições de mar, épocas idênticas, iscando da mesma de forma, com o mesmo tipo de iscas, já lá capturei uns quantos destes, e se não destes, bastantes dos outros (Pargos, Douradas e Sargos).
Certo é que, em paralelo com resultados anteriores, a leitura de sonda, as condições de mar e vento, a época do ano..., tudo batia certo.
Tais acontecimentos dizem-me que o factor sorte pode ter lá estado, mas muito diminuído, atendendo aos factores descritos, já para não falar no acreditar no pesqueiro e na insistência em nos mantermos no mesmo local, actuando sobre ele com as nossas iscas, e não desistindo, mesmo nos momento em que já parecia que o peixe tinha desaparecido, sensação que sempre foi contrariada quando se ligava a sonda.

Como que concluindo, parece-me poder dizer que uma pesca frequente e pensada, tende a diminuir significativamente a influência dos factores sorte / azar, desde que consigamos assumir que a melhoria dos resultados da nossa pesca depende essencialmente das nossas atitudes e comportamentos, antes, durante e após acção de pesca.

Boa tarde a todos os leitores

domingo, 11 de outubro de 2015

Gestão de Zonas de Pesqueiros, Pesqueiros, Épocas do Ano...


A gaivota sabe o que quer... comer todos os dias. Por tal, tem de conhecer os sinais que a podem servir, em cada momento, sendo nós, pescadores, um animal a observar, o que ela faz continuamente, apercebendo-se das deslocações dos barcos, dos movimentos a bordo e consequentemente de qualquer distracção relacionada com iscas, assim como, de peixes que atiramos ao mar, principalmente aqueles que achamos indesejáveis, elementos importantes que para ela podem significar comida mais ou menos fácil.

Grosso modo, pode dizer-se que as capacidades de observação e, no nosso caso, análise, deverão estar sempre presentes, de forma ainda mais intensa, pois a frequência com que vamos ao mar nada têm a ver com a das gaivotas que lá vivem a tempo inteiro.

Porque não conseguimos visualizar o comportamento dos peixes, é pela relação que estabelecemos entre o que vimos na sonda, o que sentimos através do material e iscas utilizadas, e os resultados que vamos obtendo, que conseguimos, em cada época, decidir quais as zonas de pesca e pesqueiros mais adequados a explorar, de modo a conseguirmos as capturas que pretendemos. Isto sem esquecer que um fundo com características de bom pesqueiro, se-lo-à sempre. Mas, em determinadas épocas, ou até em alguns anos, o peixe, por razões diversas, pode não andar por ali.

Nesta entrada vou reflectir convosco sobre estas questões, tendo em conta a captura de exemplares maiores (Pargos, Douradas...) e baseando-me em: frequência de pesca, acção desenvolvida sobre diversas zonas de pesqueiros e resultados obtidos, na área de Sines, se bem que, acho tais reflexões passíveis de serem extensíveis a outras zonas do país e até do mundo.

Considerando o referido, o que é um bom pesqueiro?

Zona submarina em que a profundidade, textura e contornos de fundo se adequam, em determinada época, dia e momento, à concentração, permanência ou passagem da espécie ou espécies que pretendemos capturar, utilizando uma determinada técnica (fundeado, com isca morta ou viva; à deriva, com zagaia, ou isca viva;…).

O peixe tem uma vida relativamente simples, ou seja, para além de se defender dos seus predadores, procura continuamente alimento e, em determinadas épocas do ano, procriar. Tais necessidades significam normalmente a passagem ou concentração de determinadas espécies, em determinadas zonas submarinas, onde o gasto energético compense as tarefas a executar para suprir as necessidades referidas. Cabe-nos tentar perceber, em cada momento de um determinado ano, quais as zonas onde tal, mais provavelmente, possa acontecer.

Partindo da definição de pesqueiro, analisemos texturas e contornos de fundo.

De forma algo simplista, pode dizer-se o seguinte:

As correntes submarinas transportam nutrientes, os quais se depositarão logo que encontrem acidentes / elevações submarinas, mais ou menos importantes, tanto nas suas beiradas, quanto nos fundos em torno, servindo de alimento a pequenos peixes e, consequentemente, aos seus predadores, criando médios ecossistemas que poderão tornar-se mais ou menos importantes e concorridos, em determinadas épocas.
Dependendo basicamente da qualidade e quantidade de alimentos, e da variedade de espécies em determinado ecossistema - factores que me parecem estar relacionados - este poderá ser mais ou menos produtivo, no que a capturas se refere.

Muitas outras variáveis poderão melhorar ou limitar a produtividade referida, e não será fácil abranger todas elas. Mas pode tentar-se, pelo menos, caracterizar zonas e/ou pesqueiros, assim como enquadrá-los em determinadas épocas, quanto à suposta produtividade, no que a capturas se refere.

Este o objectivo a que, com base no que tenho observado e conseguido, me proponho nesta entrada.


CARACTERIZAÇÃO DE PESQUEIROS

A título de introdução, importa referir que as subsequentes afirmações não devem ser entendidas como peremptórias, antes como ilações decorrentes de experiências, resultados, observações e análises; novas experiências, outros resultados, novas observações e análises..., num processo dinâmico que tenho vindo e continuo a desenvolver, ao longo de pescarias frequentes, vários anos, sempre reflectindo e adequando, não só através da minha pesca, mas também das de outros pescadores, tanto lúdicos, quanto profissionais.

Considerando a dificuldade, quase impossibilidade, de caracterizar todos os tipos de pesqueiros, vou centrar análises e reflexões nas características de pesqueiros que me parecem mais influentes e onde se costumam verificar capturas significativas e regulares, em determinadas épocas e/ou momentos, considerando técnicas diversas.

No processo de caracterização que se vai seguir, vão usar-se algumas medidas relacionadas com dimensões de estruturas, áreas e profundidades, que não devem ser encaradas como medida certa, antes como indicadores de pequeno, médio e grande, tanto no que respeita a dimensões de estruturas, quanto a variações de profundidades, sejam elas da coluna de água, ou, do fundo aos bicos mais altos das estruturas.
O mesmo deverá ser aplicado no caso de épocas, tendo em conta que as datas limites, funcionando como indicadores, tenderão a ser variáveis anualmente.

Antes de partir para outras análises, parece-me ainda importante definir dois conceitos e analisar duas relações:

Conceito de Pesqueiro: Ponto submarino, enquadrado na definição de "bom pesqueiro", onde, em determinado momento, ou jornada, apostámos colocar as nossa iscas, ou passar com amostras ou iscas vivas, e obtivemos sucesso. Este ponto pode ser definido com uma marca certa de GPS.

Conceito de Zona de Pesqueiros: Uma zona submarina que conhecemos, ou nos indicam, que pela dimensão das estruturas que a formam, nos permitirá encontrar vários Pesqueiros. Ideal para executar fundeios ou passagens à deriva, diversificados, face a condições variadas de mar e vento, assim como aos resultados de sondagens efectuadas.
Neste caso, o ideal será termos uma marca de GPS referente ao centro da zona e algumas orientações de profundidades e rumos de sondagem.

Relação entre Profundidades e Épocas do Ano mais produtivas: 20 aos 40 metros, entre o fim da Primavera e o início do Outono; 40 a 60 metros, todo o ano; mais de 60 metros, meados de Outubro, até ao fim da Primavera.
Não se pretende com as anteriores afirmações dizer que, em qualquer época e profundidade, dependendo em grande parte do tipo e localização dos pesqueiros, não se consigam as capturas que procuramos, antes, que as relações referidas se têm verificado as mais regulares nesse aspecto.

Relação entre Profundidades e dimensões das estruturas: Numa determinada profundidade, uma zona de pesqueiros poderá ser tanto mais produtiva, quanto maior for a extensão das estruturas que a formam, sinuosidade das mesmas, e diferença de profundidades entre o fundo e os picos mais altos, face à profundidade total. Ou seja, pegando num exemplo relativamente extremo, poderemos dizer que uma estrutura submarina, isolada, com menos de 100 metros na sua maior extensão, e variações de altura de 2 metros, poderá ser uma zona de pesqueiros, importante e produtiva, numa profundidade entre 10 e 50 metros, mas a sua efectividade tenderá a diminuir significativamente em profundidades superiores, atendendo à sua incapacidade de captação de nutrientes, face à coluna de água, que lhe permita tornar-se num pequeno ecossistema interessante para exemplares maiores.

Dos conceitos e relações descritos podem depreender-se quais as características mais importantes, que relacionadas, nos poderão indicar, em cada época, pesqueiros produtivos, mais ou menos regulares. Serão elas:
  • Textura, dimensões e contornos das estruturas de fundo
  • Enquadramento, das estruturas acima, na zona envolvente
  • Profundidades a que se encontram

Sobre texturas, dimensões e contornos de fundo, seus enquadramentos na zona envolvente e profundidades a que se encontram...
  • Quanto maior, mais sinuosa, abrupta e variável, em altura ao fundo, for uma estrutura submarina rochosa, maior capacidade terá de captar nutrientes. Por tal, oferecerá mais alimento a peixes miúdos, tendendo a ser mais frequentada, pelos predadores destes, ou seja, aqueles que queremos capturar.
  • Se a base da estrutura for constituída por entralhados - fundos mistos de areia, pedra e alguns organismos vivos, como pequenas algas e corais - e culminar na sua orla, em zona de areia, teremos um ecossistema ainda mais variado e tendencialmente mais produtivo, tanto para escolhermos onde colocar as iscas para pescar ao fundo, em embarcação fundeada, como para usar o Jigging, explorando os seus bicos e as suas bases, podendo, ou não, oferecer vários pesqueiros e consequente diversidade de fundeios, pescando com iscas mortas, e até vivas, ou derivas, no caso do uso de amostras ou também iscas vivas.
  • Um conjunto de estruturas do tipo acima, próximas umas das outras, formarão um ecossistema bem maior, ainda mais diversificado e produtivo em termos de capturas, permitindo fundear e pescar nos entralhados e limpos entre elas, ou derivar com iscas vivas e amostras sobre os seus fundos e bases. Em suma, um sonho para qualquer pescador embarcado, abrindo-lhe hipóteses infinitas sobre a aplicação de técnicas diversas, num conjunto de pesqueiros que permitirão actuar sobre eles, em boas condições, tendo em conta as variações de mar e vento que se apresentem.
  • Em termos de épocas mais produtivas e regulares, no que se refere a capturas, quanto mais diversificado for o ecossistema, melhor poderá adequar-se a épocas variadas, mantendo no entanto a tendência de ser mais produtivo em épocas determinadas, tendo em conta a profundidade a que se encontra.
  • A influência das profundidades, relaciona-se normalmente, com as deslocações de peixe miúdo, tudo indica, ditadas por relações entre transporte de nutrientes e aquecimento das águas, sendo que, no final da Primavera, Verão e início de Outono, as estruturas, ou conjugações destas, em profundidades menores - 20 a 40 metros - tendem a ser mais concorridas e consequentemente mais regulares e produtivas, não querendo dizer que não se capturem excelentes exemplares na faixa de profundidades entre os 40 e os 60, ou até mais fundo, factos verificados, em um ou outro ano, no mesmo período.
  • Gradualmente, entrando Outono dentro, os maiores exemplares, nomeadamente os Pargos legítimos, tendem a afundar um pouco mais, para cotas próximas dos 50 a 70 metros. Já os Pargos Dourados e as Douradas, dependendo de comedias, aguagens fortes, ou outros factores de difícil domínio, podem capturar-se, nesta época, bem abaixo dos 40 metros, principalmente nas beiradas, ou sobre cabeços, de ecossistemas maiores, ou sejam, aqueles que referi como conjuntos de estruturas relativamente grandes.
  • À medida que entra o Inverno, as tendências apontam para procurar maiores profundidades, estruturas ricas, ou conjuntos delas, de preferência em zonas que afundem ainda mais para além das suas bases, em declives pouco pronunciados. Pescar fundeado, na fronteira, entre as bases das estruturas e o início dos declives referidos, tem-se revelado uma aposta produtiva e relativamente regular, assim como, explorar com amostras, ou iscas vivas, toda a extensão destas estruturas, as bases junto aos declives, e os limpos em torno de tudo isto. Estamos, neste caso a falar de profundidades entre 70 e 150 metros.
Das análises, conceitos, reflexões e relações descritas, poderão os menos avisados depreender que tais prosas possam funcionar como fórmula, mais ou menos infalível, mas não funciona assim. Funciona antes como um processo dinâmico que se baseia na elasticidade de adequação dum pescador, face aos seus conhecimentos e às condições que se lhe apresentam em cada jornada de pesca.

Relativamente à reflexão anterior, falemos por exemplo de, como direi... certas crenças:

"Aquele pesqueiro raramente me falha"!

Pessoalmente, não confio em pesqueiro nenhum. Penso antes que, em determinada época, uma certa zona de pesqueiros poderá ter condições ideais para conseguir as capturas que procuro, usando determinadas técnicas, materiais e iscas. Chego lá, e, ou porque a sonda não me mostra uma leitura minimamente aceitável, ou porque a aguagem é tão forte que dificilmente consigo chegar ao fundo com chumbadas bem pesadas, decido de imediato mudar de pesqueiro, talvez na mesma zona, procurando vida no fundo, ou para longe dela, na procura de aguagem menos intensa.

Como exemplo, há uns três anos, em pleno Fevereiro, fui procurar Douradas numa zona a 66 metros de profundidade, onde tinha na semana antes capturado, sabendo também que, dois dias antes, uns amigos meus também tinham lá feito uma boa pesca. Cheguei, não gostei muito da leitura de sonda, mas fundeei na mesma.
A aguagem era tão forte que as baixadas quase não tocavam o fundo, mesmo com chumbadas de 350g. Por tal, decidi ir para terra, procurar menores profundidades, onde a aguagem se sentisse menos.
Resultado... acabámos por conseguir belíssimas capturas de Douradas, em quantidade e qualidade, fundeados numa estrutura rochosa que subia aos 39 metros, colocando as iscas na sua base de entralhados, a 46 metros de profundidade, na presença de uma aguagem perfeitamente suportável com chumbadas de 160g.

A aguagem pode ser um factor importante para uma boa pescaria, a peixes de maior porte, mas se for demais, também pode limitar as movimentações destes predadores devido ao aumento de esforço a que os obriga.

Perguntar-se-à: então por isso ter acontecido dessa vez pode tirar essas ilações?

Ao que responderei: depois dessa vez, aconteceram outras, não iguais, mas idênticas.

Como habitual, acho importante fundamentar as análises e reflexões que produzo, com descrições de pescarias e resultados, normalmente compatíveis. Vejamos se concordam!?

A partir do final de Junho, a vida permitiu-me um aumento significativo na frequência de pescarias, proporcionando-me um Verão de pesca à antiga, com várias saídas por semana e uma ou outra interrupção que não foi além de 15 dias. Tal pode ser verificado na última entrada que aqui coloquei - Vamos lá pôr a escrita em dia - cuja consulta aconselho, para uma melhor percepção das relações entre época. tipo de estruturas, profundidades e regularidade de capturas.

Na entrada referida, podem verificar que na pescaria de 1 de Março, refiro ter pescado fundo e posso-vos dizer que a estrutura onde pesquei é enorme, tem a sua base a 84 metros, em alguns picos sobe aos 58 metros, sendo que colocámos as nossas baixadas a pescar num socalco na sua base, a 78 metros de profundidade.

Na pesca seguinte, com o Zé Beicinho, em 6 de Julho, pescámos fundeados num bico de uma estrutura, a 18 metros, enquadrado com outras perto, e colocámos os iscos na sua base de entralhados, a 21 metros de profundidade.

Em 29 de Julho, pesquei com o Tozé, o Eduardo e o Mário, fundeando numa estrutura, a 22 metros de profundidade, enquadrada para Norte, com outras estruturas mais baixas e, para Sul, com a orla de um limpo grande. Colocámos as iscas na orla com o terreno limpo, a 28 metros. Neste mesmo pesqueiro, capturei o Pargo maior que apresento na referida entrada, em 10 de Agosto, e tornei a pescar lá, da mesma forma, em 23 de Agosto, com o meu amigo Ricardo Chumbinho, o pai, e os filhos, conseguindo-se as capturas que certamente já viram.

Dia 28 de Agosto, volto ao mesmo pesqueiro, mas não sei se por efeito duma draga que perto trabalhava, na preparação do cais 21, as capturas não aconteciam, obrigando-nos a procurar águas mais limpas.
Conforme se lê, fundeámos num pesqueiro, com várias estruturas entre 34 e 37 metros de profundidade, colocando iscas nos 37 metros, com os resultados publicados. Neste mesmo pesqueiro, conseguir-se-ia a pescaria que encerra a entrada, a 30 de Agosto e uma outra, não documentada, mas muito razoável, no dia 31.

Continuemos então..., agora com novidades.

Enquanto um pesqueiro funciona e, principalmente, se estiver enquadrado com a época e continuar a apresentar boas leituras de sonda, costumo lá voltar, e testá-lo, caso as condições de mar e vento o permitam. Por tal, no dia 13 de Setembro, fui para o último pesqueiro referido, fazer uma pescaria com a minha mulher.
Por saber que não gosta muito de andar de pesqueiro, em pesqueiro, nem de pescar muito mais fundo que os 30/40 metros, parti do princípio que ficaria por ali todo o santo dia.
Na verdade o pesqueiro, embora mantivesse uma leitura de sonda aceitável, produziu muito pouco, e essencialmente exemplares pequenos, o que me fez pensar que teria, em próximas saídas, de procurar talvez um pouco mais fundo.

Dia 24 de Setembro. A zona de pesqueiros escolhida, foi um conjunto de estruturas rochosas, com uma extensão conhecida, num enquadramento de pedra rija para Oeste, com bicos a 42/45 metros, e caindo para uma base de entralhados, para leste, a 51/53 metros de profundidade.
Fundeio sobre os bicos, a 45 metros, e colocação das iscas nos entralhados, a 51/53 metros.

Resultados:

Um de dois Alfaquins, de tamanho idêntico..., ao meu pé.


Uma de várias Douradas:


Um Pargo, ao mesmo estilo:


O maior exemplar, pela mão do meu companheiro João Martins.


A caixa com os melhores do dia:



Dia 25 de Setembro. Mesmo pesqueiro e fundeio idêntico:

Resultados:

Uma dupla ao pé... do outro animal:


A maior Dourada:


O maior exemplar, pela mão do meu amigo João Maria:


A pesca toda do dia:



Dia 9 de Outubro. Mesmo pesqueiro e fundeio idêntico.

Resultados:

O melhor exemplar, bonito demais para comparar com o pé... ou talvez não!? 


Conjunto de melhores exemplares do dia:



Considerando os resultados quanto a produtividade e regularidade, na próxima saída, volto ainda ao mesmo pesqueiro, não por crença, mas pelas suas características, ou sejam: texturas, contornos de fundo, enquadramento na definição de pesqueiro, nas estruturas de fundo envolventes, na presente época, e tudo a fazer "pandam", com a profundidade.

E assim vai ser... sucessivamente, indo, testando, aprendendo sempre com sucessos e insucessos, e tentando passar os conhecimentos que acho ir adquirindo, em vez de mandar os companheiros tomarem Rennies para a azia quando capturo. Coisa feia, principalmente, vinda de outros companheiros cuja frequência de saídas para a pesca é muito maior que a da grande maioria. Mau seria se não conseguissem melhores resultados.


Falámos unicamente de pesqueiros e pode talvez dizer-se que uma boa escolha e um fundeio correcto, são meia pesca. A outra metade será assegurada, pelos materiais, montagens, iscas e iscadas em uso, e muito importante, o nosso comportamento em acção de pesca.

Sobre materiais e montagens, aconselho a consulta de um artigo aqui do blogue, com o título Material de Pesca... uma dor de cabeça

Quanto a iscas, foi a sardinha iscada de várias formas, a mais produtiva.

Quanto a comportamentos dos pescadores, têm muito para ler aqui na casa.

Não tenho dúvidas sobre o factor sorte estar sempre presente nesta nossa actividade, mas parece-me que podemos diminuir a sua influência!?

O que acham?


Uma boa noite a todos os leitores

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Vamos lá pôr a escrita em dia.


A escrita está atrasada... é um facto!

Não desapareci do mapa, não deixei de pescar, mas, na verdade, alguma irregularidade nas saídas, aliada a outros factores, tem contribuído para que este espaço não tenha sido alimentado como os seguidores, que continuam a passar por cá gostariam, assim como eu, muito por encontrar aqui descontracção e conforto, entre outros sentimentos que tenho dificuldade em definir.

As minhas relações com a pesca não deixaram no entanto de existir, muito pelo contrário. Entre vários workshops sobre a utilização de Sonda e GPS na procura de pesqueiros e no acto de fundear e a organização da 5.ª Feira de Pesca Lúdica e Desportiva de Setúbal, algumas pescarias foram realizadas, sendo também um facto, a dificuldade de encontrar peixe de jeito, nomeadamente no período que mediou entre Março e Julho. Mas alguma coisa se conseguiu por força de procura, insistência, tendo em conta a irregularidade de saídas já referida.

Antes de vos contar sobre as pescarias e métodos, tenho de referir o que, para mim, foi o ponto mais alto deste período sem escrita... levar a minha neta à pesca! Uma delícia!

Não a levei logo ao peixe grande, por achar que poderia levar uma grande seca e por que considero que existem passos que se têm de percorrer para que a motivação se instale. Daí que montei umas pescas para os diversos, só levei camarão como isca e dirigi-me para um pesqueiro perto, com pouca profundidade e mar calmo, com o objectivo de diminuir a influência de condições agrestes que complicariam o sentir e o ferrar, principais factores, influentes no bem estar duma primeira saída.

Relativamente às montagens, não enveredei pelos habituais três estralhos curtos e com anzóis diminutos. Antes para dois estralhos de 40 e 50cm de comprimento, com anzóis números 2 e 1, referindo-se as medidas mais pequenas ao estralho de cima, e, as maiores, ao estralho de baixo. Isto, pensando em apresentar melhor as iscas a algum peixito mais corpulento que aparecesse.

Na verdade, o tal peixito maior não apareceu, mas os objectivos, para esta primeira abordagem, foram cumpridos, considerando que sentiu peixe com fartura, e até ferrou, parecendo bem agradada com a experiência.
Deixo-vos a foto da pescadora, com uma pequena Choupa, posteriormente devolvida por não ter medida, facto que lhe expliquei, compreendeu e aceitou de bom grado.



Importa referir que esteve sempre com o colete vestido, mas, na hora da foto, pediu-me para o tirar por causa do estilo, estão a ver... vontade que não resisti a fazer-lhe, esperando que tal não se configure numa contra ordenação.
O bichinho está lançado, vamos ver o que dá em futuras edições.

Depois deste regozijo, é hora de avançar para outras pescas, não documentadas neste longo período de ausência na escrita.

Em termos de métodos, tem sido a pesca ao fundo, em embarcação fundeada, a que essencialmente se tem praticado, com algumas saídas ao Jigging, raras e nada produtivas, muito talvez pela raridade afirmada, sabendo nós que só indo e insistindo se vão conhecendo e explorando pesqueiros.

Estralhos compridos, 60 a 100cm, anzóis grandes, 5/0 e 6/0, muita sardinha, testes contínuos em pesqueiros conhecidos e procura incessante de novos pesqueiros, tudo isto lutando contra a pouca frequência de saídas, poderá ter contribuído para que o período entre Março e Julho, tenha sido difícil e pouco produtivo em capturas de maiores exemplares, o que tem vindo a melhorar neste folgado mês de Agosto, tornando-se as capturas mais regulares e de melhor qualidade.

Dos amigos que me acompanharam e das pescarias com melhores resultados, deixo-vos a história que se segue, em texto e imagens, tentando de algum modo colocar a escrita em dia, enquanto tempo e paciência me deixam.

Era dia 1 de Março, saímos para o mar para pescar mais fundo, como habitual nessa época do ano, eu e o meu amigo Nuno, participante nos workshops que costumo realizar.
O dia estava excelente e o peixe não parava de subir, muito por via dos Serrajões que foram uma constante durante todo o santo dia, chegando ao subir aos pares, atirando-se a anzóis negros, já despidos de isca.


Iscavam-se os anzóis com duas e três postas de Sardinha e, com a baixada muito agarradinha ao fundo, lá se iam conseguindo subir alguns Parguitos de bom tamanho, compondo a pescaria que se vê na imagem, a última com alguma qualidade no período de pesca que decorreu até Março.


A partir desta data a coisa foi difícil.

Embora se vissem marcações de peixe, certo é que comiam mal, ou não comiam, subindo por vezes um outro peixe de qualidade mas de pequeno tamanho que muitas vezes era até devolvido ao mar, podendo assinalar-se um ou outro exemplar, como este Robalo que entrou ao Tózé, em dia pouco produtivo e sem que nada o fizesse esperar. 


Em Junho e Julho, já se começou a aquecer, em mares menos profundos, com melhores capturas, como este Pargo do Zé Beicinho... 


... este do Eduardo...


... ou este do Mário


Até eu consegui capturar uma coisita melhor...


... e também mostrar a crock com este Sargo legitimo...


... e este Veado (Sargo... nada de confusões)


Chegou então o Agosto... a paragem nas actividades náuticas que organizo, as férias com a mulher e a neta, momentos de pesca em família, dos quais já vos dei nota no início da entrada, e, por fim, a pesca entre amigos, com momentos e qualidade de exemplares assinaláveis, talvez proporcionais à frequência de saídas, da qual, tudo indica, decorre uma melhor percepção das zonas onde o peixe anda activo, se bem que, estamos a entrar no período que considero mais produtivo para este tipo de pesca, que se costuma estender até Fevereiro/Março.

Do conjunto desta fase, realço a pescaria com o Ricardo Chumbinho, meu colega de organizações, seu pai e filhos, numa comunhão bonita de gerações, com uma pescaria a condizer, num dia de mar espectacular.
O pesqueiro, era na beirada de um pontão a 22 metros de profundidade que caía num limpo a 28 metros, local em que, após fundeio, colocámos as nossas iscas. Entrou de tudo um pouco, como se vê na foto.
Ele foi Alfaquim, Douradas e até um Pregado com um tamanho que não via desde os meus tempos de caça submarina.


Também a Matilde capturou alguns peixes nesta sua primeira vez, sentindo-se pela sua alegria que a pesca, eventualmente, não lhe passará ao lado no futuro.  


Fica a imagem da totalidade da pescaria e os sinceros parabéns a estes meus amigos, graúdos e miúdos, que mesmo nos momentos menos produtivos do dia se mantiveram à altura, pescando e insistindo sempre.


Uma semana passada e eis que vêm pescar o Tózé, o Luís e o Miguel, pessoal amigo de longa data, sendo o Miguel, na juventude dos seus 14 anos, um fervoroso iniciado nestas lides, mais no que respeita ao sentir e ao ferrar, já que iscar é coisa que não lhe agrada sobremaneira, mas, com o tempo, vai lá.

Fomos direitinhos ao pesqueiro da última jornada, mas embora se tivessem tirado dois Sargos de bom tamanho, cedo a coisa parou, talvez por efeito da água suja levantada pela draga que está a preparar os fundos para aumentar o Cais 21, ali em Sines, que neste dia operava incessantemente, sendo que a água em torno de nós se colorou de castanho amarelado e o fundo deixou de mostrar peixe, sugerindo-nos que era hora de mudar.

A procura de novo pesqueiro é sempre algo que nos faz pensar... ora, considerando a época do ano, propícia a encontrar peixe em menos profundidade, assim como tendo em conta que o peixe não andaria longe dali, navegámos para fora, procurando águas mais limpas, fora da influência das obras do porto.
Logo que as encontrámos, olhei a carta do GPS e resolvi sondar uma zona de pesqueiros, produtiva há uns anos atrás, mas que nos últimos tempos pouco me tem dado, embora nunca tenha deixado de testá-la, nesta época, uma ou duas vezes por ano.
Certo é que as leituras de fundo apresentaram-se ricas, convidando-me a fundear, largando o ferro num pequeno promontório submarino, aos 34 metros e deixando o barco derivar, dando cabo, até uma cova entre bicos, a 37 metros, que se apresentava com uma marcação de peixe agarrado ao fundo, bastante promissora, considerando resultados obtidos em outras jornadas com marcações idênticas.

O peixe começou a picar, timidamente, mas cedo entrou o primeiro Parguito que de imediato suscitou piadolas do tipo: e o teu avô... onde anda?

Mais um ou dois peixes entrados e eis que o Tózé ferra, não digo o avô, talvez antes o irmão mais velho ou, quem sabe, o pai.
A cana do homem, para mim uma aventureira do reino das canas, vergava quase até ao cabo, mas lá ia dando conta do recado, trazendo à luz do dia, pela mão do seu dono, o bicho que se vê abaixo.



Um Pargo que pesou 4,5kg. Muito bom!

O pesqueiro, a breves intervalos, ia dando uns peixes como o que apresenta o Miguel e até um pouco maiores.


Pode dizer-se que foi um dia bonito de pesca que nos obrigou a parar de pescar, pesar peixe e controlar o peso, atendendo à legalidade da coisa, culminando na pescaria que abaixo se vê.


A pesca oferece-nos destas coisas, ou seja, num dia em que parecia que tudo se estava a complicar, acabou por se fazer uma pesca bonita, sendo a sardinha a isca rainha.

Dois dias depois, dia 30 de Agosto, estava apontada a última pescaria antes de voltar para a família, nesta altura já em casa, sendo a vez do meus amigos Zeca, Matias, Nelson e Teófilo, me fazerem companhia.

Por achar que seria pouco provável, no mesmo pesqueiro, repetir uma boa pescaria e considerando que a zona é toda ela boa, resolvi ir um pouco mais fora, procurando os 50 metros, nuns pesqueiros habitualmente frutuosos em Pargos e Douradas, nesta época.

Na verdade, meus amigos, enganei-me redondamente!

Após dois fundeios, em que tentámos tudo o que sabíamos para que peixe de melhor qualidade se fizesse às nossas iscas, pouco conseguimos, começando a desenhar-se fraca pescaria, embora o entusiasmo não esmorecesse a bordo.
Os pesqueiros prometiam, com roubos de isca e um ou outro peixito de melhor qualidade, mas acabavam por se tornar mornos, até no tipo de toques. Era hora de tomar atitudes e resolvi voltar ao pesqueiro de dois dias atrás. Chegámos, liguei a sonda e... pasmei!

A leitura que se apresentava mantinha-se igual à de dois dias atrás... peixe agarrado ao fundo, na tal cova, e até peixe a meia água, tal e qual como da última vez.

Fundeei entusiasmado, e tudo foi idêntico, exceptuando as capturas, onde as Douradas foram os melhores exemplares capturados.

Deixo-vos a imagem com os melhores exemplares do dia.


E assim foram estes dias de tentativas, erros, correcção dos erros e muita persistência.

Fica a nota de que a lula, como isca, teve um papel importante na captura das Douradas, assim como o caranguejo, sem desprimor para a sardinha que fez o seu papel engodador e também capturou.

E assim termino histórias deste interregno, com vontade de voltar em breve, tanto à pesca, quanto à escrita.

Veremos o que nos trazem os próximos tempos.

Boa noite a todos os leitores