segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Zagaia/Jigging! O nosso material e... Outros!

O mundo da pesca tem destas coisas... Principalmente quando estamos de sequeiro, fazem reflectir, optar, decidir!

A conversa prende-se com amostras e respectivas montagens dos anzóis de assistência.

Como em qualquer técnica que pratiquemos e se já o fazemos há algum tempo, com resultados mais ou menos positivos/negativos, haverá na nossa "caixa dos pirolitos" uma luta sem tréguas entre continuar a usar as amostras que já adquirimos ou avançar para aquisições contínuas de outras, supostamente mais actuais e efectivas em termos de capturas.

Quando tais dúvidas nos assolam, antes de nos atirarmos de cabeça para as aquisições, caso a carteira permita, devemos reflectir sobre o que temos, resultados já obtidos e, se possível, tentar comparar com as novidades que enchem as revistas na boca de peixes enormes e à frente de pescadores vestidos a preceito pelas marcas respectivas.

Não quero com isso dizer que as marcas não o devam fazer ou que tais pescadores e materiais não sejam mesmo muito bons. Antes que, no universo de amostras que nos mostram, muitas terão sido lealmente produzidas e testadas, outras nem tanto e, quem sabe, muitas delas poderão não se adequar à nossa pesca, aos locais onde a praticamos, às espécies que procuramos ou até à forma como as trabalhamos em determinado dia ou momento. Uma outra questão... Quem nos diz que as amostras que temos, com algumas alterações ou diversificando o tipo de animação que lhes imprimimos, não nos venham a dar alegrias insperadas!? Complicado...

Verdade se diga... Se não aparecesse nada de novo, para além de corrermos sérios riscos de nos tornarmos "cinzentos", esta reflexão não teria qualquer hipótese de chegar a ser pertinente. Por tal, tiro o meu chapéu às marcas que estudam, desenvolvem, testam e divulgam os seus materiais. Gostaria de ter tempo e dinheiro para as testar todas em diversos mares do mundo e contar-vos das verdades ou nem tanto, mas... Isso é, para mim, algo de difícil senão de impossível execução.

Às reflexões dum fim de semana sem pesca que se acabam de descrever, sucederam-se outras, relacionadas com as amostras que já possuo, onde considerei alguns resultados já obtidos e dos quais já vos tenho falado, assim como, sobre as acções de cada uma delas decorrentes de alterações e animações diversas que tenho o cuidado de testar à vista antes do uso efectivo.

Em consequência, optei por continuar a usar as amostras que tenho, decidindo-me a montar as suplentes que ainda não estavam montadas ou cuja montagem, por razões diversas, me pareciam pouco satisfatórias e, também, a alterar outras no sentido de as aproximar daquilo que me parece pretenderem algumas das novidades do mercado que, eventualmente, se terão baseado em alterações já tentadas com sucesso por aqueles pescadores que andam, lá no mar, procurando continuamente a "verdade".

As montagens que vos apresentarei e que tentarei descrever, fundamentam-se em leituras de autores que sabem muito mais disto do que eu, em pescas feitas por amigos que conheço e que poderiam ter um blog muito mais rico de capturas, em alguns resultados obtidos pessoalmente e divulgados neste lugar, assim como, em algumas suposições que certamente carecem de teste.

Então vamos lá falar de comportamentos, cores, opções, opiniões, suposições e... Outras questões...

Relativamente a comportamentos, vamos reflectir sobre que tipos de situações poderão determinar o ataque de um predador, no sentido de tentarmos aferir que movimentos e consequentes animações poderemos imprimir às nossas amostras, considerando a relação animação/reacção de cada uma delas, por sua vez, determinada pelo respectivo formato, simples ou modificado.

Do que se lê e se vê sobre a vida selvagem, salvo as habituais excepções, pode entender-se que os ataques de predadores decorrem essencialmente do factor alimentação. No entanto, qualquer deles que esteja em pleno cortejamento, acto sexual ou cujo território seja invadido, certamente atacará quem quer que o incomode mesmo que, neste último caso, o alvo do ataque não seja habitual na sua dieta.

Considerando a última análise pode dizer-se que, se enquanto alimento, a presa despertará o ataque por via do movimento e/ou côr, quando invasora de "privacidade" estará tramada à chegada. Claro que os anzóis da amostra imitadora não respeitam as razões do ataque sendo que o predador incomodado poderá ser capturado independentemente delas e nós enganados, pensando que a animação imprimida funcionou muito bem num local em que a sonda nem mostrava muita comedia.

Das hipóteses de ataque referidas, é certamente a relacionada com alimentação que melhores condições de detecção do pesqueiro poderá oferecer ao pescador. Este, com a ajuda da carta de pesca, dicas de outros e trabalho de sondagem, procurará locais cujas características de fundo tendam à concentração de comedia e, consequentemente, de predadores interessados. Fundos com paredes ou pontões altos apresentam, entre outros, características preferenciais por reterem pequenos organismos que se elevam através de correntes ascendentes, alimentando os pequenos peixes de cardume ou outros habitantes das paredes, por sua vez, alimento daqueles que procuramos.

A descoberta da comedia será portanto um factor essencial na eleição do pesqueiro onde actuaremos, colocando-se então outra questão: como animar a nossa amostra para que um determinado predador a escolha entre tanta comida viva e habitual que por ali está?

Vamos nesta altura socorrer-nos de um conjunto de conhecimentos largamente divulgados na literatura e documentários televisivos ao nosso dispôr que, relacionados com a selecção natural e com a tendência animal para o máximo consumo de calorias ingeridas para um mínimo de esforço dispendido, indicam que um predador atacará preferencialmente um animal que se comporte indiciando doença ou incapacidade e que uma fuga próxima do alvo supostamente doente poderá maximizar a rapidez e agressividade com que o ataque se despolete.

As animações, tendo em conta a análise supra, deverão ser feitas de forma a que a nossa amostra imite o tal peixe em dificuldades, através de movimentos de subidas e descidas curtas que promovam posicionamentos pouco usuais num peixe, intervalados de fugas repentinas com paragens abruptas, sem qualquer tipo de regularidade de acção em todo este processo e em qualquer patamar da coluna de água. De preferência onde a sonda nos indique que está a comedia ou em cada subida para mudança de amostra, deriva ou pesqueiro. Nunca poderemos estar certos se ela vem ou não perseguida por um qualquer predador, como já me aconteceu com um Robalo que veio dos 50 metros, atacando a amostra por volta dos 15, sem que nada o fizesse esperar.

E o papel da côr... Qual será?

A maioria dos escritos sobre escolha da côr, tendem a defender, para além das amostras parecidas com peixes, o uso de amostras de côr clara, em águas e dias claros; de côr escura, em águas e dias tapados; e outras, em dias em que nada funciona. Resumindo, tudo indica podermos iniciar com uma determinada côr tendo em conta as regras mas só a experimentação, em dadas condições, nos poderá trazer a "luz".

Sobre este assunto lembro-me de dois exemplos que poderão fazer-nos pensar sobre as regras normalmente aplicadas à escolha da côr, vejamos:

Na última entrada, mostrei-vos dois Robalos capturados no espaço de +/- 30 minutos, na mesma profundidade, local e, à vista desarmada, em condições idênticas de claridade água/ar.

O primeiro foi capturado com aquela amostra velhota, cinzenta e artilhada com um polvinho do amarelo para o laranja, escolhida pensando nas regras; o segundo, com a Sea Rock côr de rosa, escolhida porque a primeira entretanto não capturou e, por experiências passadas em que já tinha resultado quer com Robalos quer com Pargos quando outras não funcionaram. Porquê? Talvez o movimento tenha sido factor determinante... Não sei ao certo.

Como segundo exemplo, lembro-me de um mergulho de garrafas que fiz há uns anos, na "Barca das 19", um cargueiro de carvão do tempo da II Guerra Mundial, afundado a 30 metros, ao largo da Praia do Barranco... Ali entre Sagres e a Praia da Ingrina. Iniciámos o mergulho com a água visivelmente tapada à superfície e, durante os primeiros 15 metros, sem perspectivas de um mergulho com visibilidade. De repente, ao passar os 15 metros, conseguimos vislumbrar a totalidade do barco, com uma visibilidade impensável para o local, o dia e as nossas águas.

Ora, caso estivéssemos à superfície pensando em zagaiar, atendendo ao que víamos e cumprindo as regras, teríamos talvez escolhido uma amostra escura!

Fica a pergunta... Teria funcionado?

Concluindo, pode dizer-se que as regras poderão ser tidas em conta no início da pesca mas, caso falhem, não será de todo disparatado atender a estes dois exemplos, entre outros que certamente muitos dos que têm mais experiência desta técnica poderão apresentar.

O trabalho de casa foi feito, seguimos para o mar, procuramos, sondamos e, finalmente, encontramos um pesqueiro daqueles cheio de comedia. Olhamos a água, olhamos o céu e enquanto determinamos o rumo da deriva, começamos a olhar as amostras tentando escolher a que mais se adeque, em termos de movimento possíveis, característicos e côr, para a pesca que vamos iniciar.

Apresento-vos então algumas das minhas amostras e respectivas "armas" montadas e remontadas neste passado fim de semana em que a pesca andou longe.

A Sea Rock, côr Cavala, de 200 grs:
No mesmo dia e na mesma passagem, capturou um Pargo na encosta dum pontão, pelos 37 metros e, logo a seguir, no bico do mesmo pontão que subia aos 29, um Robalo, para além de outras vitórias em outros dias. Versátil, não é?

Quando desce livremente, meneia-se e deita-se ora para um lado ora para outro. Em subidas longas, abana-se em pequenos "Ss" e roda sobre si, fazendo mexer os amarelos dos fios que amarram os anzóis. Junto ao fundo e na coluna de água, quando lhe damos pequenos toques, elevando a ponteira da cana aos soluços e subindo-a progressivamente aí a um metro ou dois do fundo, deita-se e apruma-se de forma irregular, caindo erraticamente quando a largamos de repente, ferrando peixe quase parada nos toques curtos, a descer e nas subidas longas com curtas paragens e arranques súbitos. Um espectáculo, esta amostra.

Depois, tem as irmãs mais novas e primas coloridas das quais sou fã!

A de 150 grs:
Esta só leva um anzol... Não tem comprimento para mais e não gosto de colocar anzol em baixo para evitar os "arrochanços".

Gosto dos fios amarelos, nesta côr. Perguntarão porquê... Foi com eles que capturei mais peixe, embora tenha testado com outros. Teria sido da côr ou simplesmente não estavam lá quando tentei? Não faço ideia mas, pelo sim pelo não, mantenho-a!

No que respeita à côr dos fios, o mesmo não se pode dizer das primas coloridas...

A Côr de Rosa de 150 grs:

Na última pesca, capturou um Robalo a estrebuchar junto ao fundo e mais tarde um Atum pequeno, numa paragem de "doente", entre os 5 e os 10 metros da superfície. Alguma coisa os peixes vêem nela que não a largam.

E esta? A que resolvi chamar Peixe Piça... Está em experiência!
Como esta... Quase branquinha, com fio, anzol e decoração a condizer:


Não há dúvida... Tenho as Sea Rocks no coração!

O formato de corpo e as montagens que se fazem, permitem animações variadas, fáceis e actuantes a subir, a descer e nos movimentos mais curtos que se imprimem. Quase se pode dizer que capturam peixe de qualquer maneira, assim demos com ele.

A amostra seguinte é uma outra, da qual nem me lembro o nome mas que... descendo rápido, trabalhando bem em pequenas animações curtas e subindo em meneios, fará, mais dia menos dia, as alegrias deste pescador. Penso até que ainda não o fez porque também não lhe dei a atenção devida.

E agora aí vêem outros alvos do meu carinho... As "Velhotas"

A de cima, tão antiga que me foram oferecidas uma série delas... Ninguém as comprava! Paciência...

Dei-lhes um jeito ao rabo, enfeitei-as um pouco, ensinei-as a fazer o pino e... Quer a de cima quer a de baixo, já me agradeceram conforme vos mostrei na entrada passada.


Quem não há-de caber em si de contente será quem as fez... O Zé Vicente! Nunca ele pensou que esta coisa aqui em baixo, cabeçuda e com ar abrutalhado capturasse alguma coisa... Ou terá pensado?
Certo é que estas duas "cinzentonas" e mais a de baixo, uma "Zé Vicente", já aperfeiçoada pelo meu amigo Carlos Cruz... Ficaram loucas!

Elas descem a pique, mudam de repente de direcção e começam a descer de lado, sendo tão irregulares às animações que mais "doente" que aquilo nunca vi. Quando sobem a toque de manivelada, abanam-se de tal modo que até fico tonto! Velhas gaiteiras... É o que são!

Esta aqui de baixo ainda não capturou nada, mas que raio... Também ainda não lhe dei tempo!

Depois... Sou sincero! Não resisti!

Se, como tudo indica, o cinzento funciona e sendo eu um fã das Sea Rocks, por razões óbvias; porque não tentar arranjar uma nessa côr?

O mercado não as tem mas o meu amigo Nuno, da 7even, atirou-se ao assunto e conseguiu desencantar quem as imitasse. Não são perfeitas, mas trabalham bem e agora, só falta experimentá-las... Vamos ver!

Cá está ela! Pronta a actuar! Não vejo a hora de a experimentar, talvez em zona mais profunda ou em dia de deriva mais rápida, já que o peso que se conseguiu, foram as 230 grs.


Ainda na onda das cores escuras, achei que alguma claridade mesclada poderá vir a prestar algum serviço quando a frieza da água me levar para maiores profundidades, onde algum brilho influirá talvez sobre as atenções de outras bocas, talvez maiores ou até as mesmas que andaram pelas águas baixas quando estiveram quentes... Só vendo!

O resultado destas reflexões originou a montagem desta Knife, cujas irmãs vestidas de rosa e azul já me deram alegrias, não se podendo dizer o mesmo desta negra, cinza e prata, com montagem a condizer.

O trabalho desta amostra é estranho!

Pequenas elevações progressivas (sobe... Sobe... Sobe...) da ponteira da cana, imprimem-lhe um movimento de pêndulo derivado da tendência a cair para um qualquer lado entre os movimentos de subida e, larga-se a seguir... Deixando que desça em queda livre, qual folha de Outono percorrendo uma linha irregular de aspecto... Como direi? Quase helicoidal... Os ataques têm acontecido todos durante a animação própria da descida, perceptíveis pela linha que fica a boiar, obrigando a recolhas de fio e elevações rápidas da cana para ferragens efectivas. Até agora, só capturei Pargos com as irmãs de que falei. Um assunto que parece sério!

Já chega de escuridão! Alegria... Precisa-se!

Aí está ela! A exuberância em formato de peixe!

Amarelo, laivos pretos, barriga esbranquiçada, envolvimento fluorescente das hastes dos anzóis que vinham montados de compra, à parte, sendo que ao testá-los antes de os colocar a assistir qualquer amostra o fio soltou-se, de imediato e com um mínimo de pressão, daquele envolvimento duro e fluorescente que envolve a haste. Ficaram em espera até à chegada desta amostra que vinha montada com um anzol triplo na "cauda" e que aqui o "engenheiro" resolveu alterar. Vamos ver o que dá... Num dia claro, num fundo escuro ou em qualquer situação em que a sonda mostre peixe com fartura e nada mais funcione... Outros testes para fazer. Não digam a ninguém, mas... O comportamento dela é muito parecido com o das velhotas cinzentas... Outra "doente" em potência!

A conversa está cada vez com um ar menos sério, mas também não estamos aqui para acender velas ao acto de pescar. Por isso, há que "parvejar" de vez em quando, embora com ar inteligente, mesmo que pouco...

Considero que a seriedade está sediada naqueles que investem para nos fazer pensar o material que usamos que, como atrás inferi, utilizando resultados de experiências frutuosas, estudando o movimento e comportamentos das espécies alvo, inovam continuamente em novas formas, novos materiais... Com o objectivo de comercialização que claramente se deverá fundamentar na qualidade e na melhoria de resultados procurados continuamente por qualquer pescador, cabendo a este não aceitar outra forma de ser tratado.

Da seriedade de trabalho referida, parecem-me poder ser um exemplo as amostras abaixo, recentes, mistas de materiais duros e macios, com formatos variados e cores para todos os gostos (peixe e pescador), indiciando animações extremamente versáteis e, segundo vários pescadores e documentos produzidos, com resultados muito bons.

As Inchiku, à esquerda e a Tai-Jig à direita, nomes tipo destas "feras", comercializadas por várias marcas, têm vindo a fazer furor. Um dia destes experimento!

No entanto, convenhamos... Não posso abandonar as minhas "meninas", sob pena de nunca chegar a saber da real efectividade da maioria delas. Tenho de testá-las em várias épocas, profundidades... Jogar com as cores e as condições dos dias em que fôr, fundamentando-me na necessidade de as trocar, caso me venham a falhar. Parece um bocado "saloio"...

Mas a "saloiada" ainda não acabou! Olhando para as Inchiku, pareceu-me que poderão ser a evolução do que vários pescadores já faziam, montando polvinhos de vinil nas fateixas triplas e duplas, aplicadas nas caudas ou cabeças de amostras mais compridas, como aliás já vos mostrei naquela primeira "Velhota". Nas Inchiku, os polvinhos trabalham fora da linha central da amostra, tudo indica, provocando movimentos ainda mais acentuados. Esta constatação, fez-me pensar e resolvi adaptar uma das minhas amostras, a sénior Intruder, bem conhecida dos pescadores de Capatões que há muito a usam ou usaram, com bons resultados, ali pelas zonas da Arrifana e Carrapateira, e... Resolvi dar-lhe um ar louco!

Este que aqui vêem!

Um Pargo, por exemplo, olha para isto e, enquanto os instintos de ataque se vão instalando em crescendo, pensará para com os seus botões: epá... Aquilo é um Carapau! Coitado... Deve estar mesmo mal ou aquelas hipóteses de polvos nem se chegavam a ele. Mas está ali muita comida?! Entretanto dá uma voltas e apercebe-se que o bicho nem consegue ir muito longe e estrebucha de forma "muito doente" fazendo com que os polvinhos mexam os raios incessantemente, também danadinhos para parar o que resta do desgraçado. O Pargo, quase decidido, dá mais uma volta rápida sem perder o pitéu de vista, tira-lhe mais uma vez as medidas e... Zás! Atira-se àquilo com tanta voracidade que quando se apercebe já se tramou, iniciando-se a partir deste momento a felicidade de um qualquer pescador, lá na superfície. Talvez "moi"...

"Filme" à parte... Esta amostra era oferecida pela marca, unicamente com uma fateixa tripla na cauda, mais tarde coberta com um polvinho por pescadores mais avisados, o que eu, neste devaneio e pensando nas Inchiku, resolvi alterar!

Troquei a fateixa tripla por uma dupla mais forte, supostamente menos fácil de se prender lá no fundo. Para lhe criar mais irregularidade de movimento resolvi cobrir cada haste da fateixa dupla com polvinhos de vinil montados em oposição. Não satisfeito e já a rir-me... Para dentro, não fosse a família pensar em "doideira repentina"; espetei-lhe com um anzol de assistência, com polvinho, na zona da cabeça; cobrindo a hipótese do tal predador resolver atacar por esse lado e, eventualmente, promovendo animações ainda mais loucas. Sinceramente... Não faço ideia do que vai dar, nem estou preocupado.

Possivelmente, a "Rambinha", nome com que resolvi baptizar o artefacto por razões óbvias, na primeira descida, toca o fundo e fica presa por excesso de armamento, terminando assim a sua carreira ou... Talvez não! Depois conto.

Bom... Entre seriedade e baboseira, já me diverti à grande enquanto estive para aqui a badalar e, podem crer, não vou ficar só com estas amostras; mais dia menos dia vou à procura de outras... Devagarinho e pensando em coisas mais macias, os vinis... Ando para aqui a magicar...

Logo ficaremos a saber...

Boa noite a todos os leitores!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aproveitar o inesperado...

A vida é cheia de programações e... Inesperados!

Programamos isto e aquilo, pensamos que tudo vai correr de uma determinada forma, mesmo a curto prazo mas, de repente, por circunstâncias que não fomos capazes de prever ou que não dominamos, lá vão as programações ao ar o que, por norma, nos traz dissabores ou a necessidade de improvisar, alterar, modificar... Em curtos espaços de tempo. Nestas situações podemos aproveitar para nos testarmos quanto à capacidade de resolver e ganhar o que parecia perdido. Também, noutras situações em que o inesperado nos é vantajoso, certamente o devemos aproveitar, gozando-o ao máximo, atendendo a que estes são momentos mais raros que os primeiros, parecendo pouco aceitável que não os exploremos a preceito.

O passado fim de semana trouxe-me precisamente um destes momentos!

Tudo estava programado para um tempo de casa, de família, em que a pesca se limitaria ao teclado do PC... Também gosto!

Os Deuses, no entanto, foram favoráveis e, por razões boas que não importa descrever, fizeram com que a família me mandasse pescar!

Como devem calcular, sabendo de antemão que o tempo estava bom e a pesca me iria passar ao lado, quando tais condições se reuniram, em poucos momentos, arrumei, preparei, encomendei iscas, corri à loja de pesca para suprir faltas de última hora e, ainda sem pensar muito na sorte dei comigo a guiar em direcção a Sines, elaborando os pensamentos que até aqui descrevi. Belos pensamentos! Penso eu...

O relógio do carro mostrava-me as 14.30 e enquanto conduzia, ia elaborando as tácticas a seguir: zagaia assim que chegasse, em pesqueiro perto e conhecido que o tempo de luz não era muito; Procurar as Douradas no Sábado... Talvez com uns Pargos à mistura; e, Domingo, outra vez zagaia mas em pesqueiro novo e para mim inexplorado nesta técnica. Dei comigo a sorrir de orelha a orelha, pensando que se alguém me visse nestes propósitos acharia talvez estranho, embora tal não viesse a influir minimamente no sono reparador que certamente faria nessa noite.

Abreviando...

A primeira deriva, lenta, na zona quente encontrada na sondagem, aconteceu às 16.00 horas e o traçado do GPS por ela efectuado indicou-me que tinha acertado em cheio no rumo NW - SE que o vento indicava, ficando também a saber que não corria aguagem num mar calmo com vaga larga e maneira... Cheirava-me que alguma coisa se ia dar!

A zona quente já tinha passado e voltei para outra deriva iniciando-a a NW do pontão. A Zagaia caseira feita à mão pelo Zé Vicente, cinzenta como a tarde, trabalhava bem imitando um peixe em sérias dificuldades, ora junto ao fundo ora um pouco acima, mesmo ali onde a comedia controlada pela imagem de sonda se encontrava. Passei o bico aos 29 metros e trabalhei a amostra na queda abrupta de SE, caindo a tocar o fundo e subindo em estertores, qual peixe a lutar por réstea de vida, provocando um predador que não resistiu a coisa fácil, proporcionando-me um toque violento e afundante seguido de luta a condizer, terminada no poço do Makaira, onde peixe novo e amostra antiga permitiram a imagem de abertura com que vos brindo nesta partilha. A coisa prometia e atirei-me à labuta.

Derivas e mais derivas, trocas de amostra, naquele e em outros pontões ali próximos, sempre em tensão, sentidos alerta e a noite a querer fechar-se sem outra captura. Tudo bem! Queria mais o quê? Cheguei... Capturei 2,700 kgs de peixe duma assentada... Eram horas de andar que o Sábado já me sorria para além dos pequenos prazeres que me aguardavam até à hora de pescar outra vez. Ah! Esquecia-me... Ainda havia o Domingo.

O Sábado acordou calmo, cinzento e agradável. Já em direcção ao mar, percebia-se a ausência de vento e a vaga alta e larga anunciada que não incomodava, reflexões quase inconscientes na minha mente, à mistura com outras relacionadas com as opções que ainda tentava definir relativamente à escolha do primeiro pesqueiro.

O objectivo era a captura dos grandes como sempre mas, as Douradas atendendo à época, faziam sem dúvida parte dos planos. Perguntei-me: será que já estão perto dos pontões altos ou ainda andarão por aqueles entralhados e pontões mais rasos? Talvez procurar um pesqueiro não muito afastado de pontões altos mas com entralhados nas imediações?

Escolhi esta última opção antes que O GPS, à minha frente, me olhasse e dissesse: "vê lá se te decides"!

A zona era conhecida, sabendo eu que por fora dela, por aqui e por ali, existiam umas pequenas elevações, com entralhados ricos à volta onde o sucesso já tinha "batido à porta".

Sondei durante algum tempo, batendo a zona e acabei por encontrar o que queria... Uma elevação para aí com uns dois metros de altura que se estendia sensivelmente por uns 50 metros, não mostrando muito peixe no topo mas em torno dela e agarrado ao fundo, em extensões consideráveis. Era mesmo isto que eu queria!

Fundeei no cimo da elevação e deixei o barco derivar para a zona mais funda, sentindo que tudo funcionava.

As postas de Sardinha saltaram para os anzóis grandes e desceram cheias de fé. Ficaram por lá por alguns momentos, sem qualquer toque, fora a falsidade que a vaga larga apresenta para pescadores menos avisados, parecendo que algo está por lá para além dos pesos da chumbada e da isca. Mexi a isca várias vezes, elevando e baixando a cana mas... Nada! Subi as iscas, intactas, como se nenhum peixe por lá estivesse, mas estavam!

Isquei de novo, deixei cair e aconteceu precisamente a mesma coisa. Verifiquei a posição do barco... Era a mesma! Liguei a sonda e... A marcação de peixe era igual.

Mudei a isca, colocando Caranguejo no anzol de baixo e Sardinha em cima. As iscas chegaram ao fundo e senti o primeiro toque, não ferrei... Esperando um segundo. Ele veio, tão macio que o percebi tarde de mais. Levantei a cana e senti que o peso da isca já não era o mesmo. Subi a baixada e o Caranguejo tinha desandado com a rapidez característica usada normalmente por aquele espárido de que tanto gostamos: a Dourada!

A pulsação acelerou e resolvi iscar Carangueijo em cima e Sardinha em baixo. Não queria deixar a Sardinha de lado... Nunca se sabe! Mas, por vezes, a Dourada parece comer melhor em cima e pelos vistos só queria Caranguejo. Outra coisa que me pareceu, devido a não haver ataques de peixe miúdo à sardinha, foi que poderia haver concentração importante de Douradas e o peixe miúdo não se chegava à isca... Acho que não me enganei!

Enquanto reflectia sobre as razões acima, já a baixada descia, chegava e eu ali em alerta vermelho. Primeiro toque... Segundo e ferragem alta, brutal! Já está! Não enganava nada a luta que se seguiu... O peixe cabeceava intensamente e aos soluços, não como o Pargo que dá aquelas cabeçadas intensas e longas, só parando para descansar, repetindo-as até à exaustão.

A Dourada não era grande, para aí com um quilo, chegou, entrou no enxalavar e de seguida para a geleira. Não havia tempo para fotos, o ritmo tinha de se manter... Pescas para baixo e logo ferrei outra, com toque e peso idênticos. Não restavam dúvidas... As fulanas andavam por ali.

A Sardinha começou também a desaparecer, sinal de frenesim e promessa de outros peixes que poderiam entrar mais tarde... A coisa compunha-se!

O Caranguejo entretanto começou a subir chupado e de casca inteira, indicando que elas poderiam lá estar sem se fazerem à isca, tentando perceber a razão dos sinais de stress deixados pelas amigas capturadas... Seria? Vou insistir na Sardinha e daqui a pouco volto ao Caranguejo, pensei, enquanto sentia um ventinho a querer entrar mais fresco, fazendo-me olhar para a proa e deixando-me apreensivo pela faixa de nevoeiro que trazia com ele e que não tardou a envolver-me, de tal modo que só via a vaga que elevava e baixava a proa do barco.

Entraram, a terceira Dourada e um Pargo pequeno nas duas descidas seguintes, entre sensações de entusiasmo pelo que estaria para vir da pesca e, de apreensão, pelo que poderia vir do nevoeiro. Na zona onde estava, costuma haver tráfego de navios grandes e nunca lá teria fundeado se o nevoeiro já existisse quando cheguei mas agora já lá estava e o peixe "comia-me o fundo ao barco"... Deixei-me ficar atento a tudo... Ao peixe e aos sons por detrás do nevoeiro.

As Douradas continuavam por lá, entraram mais três, entremeadas com outro Pargo, maior que o primeiro, sinalizando que a pesca não ficaria por ali... A coisa ainda podia "inchar"!

Mirei as gaivotas, companheiras na redoma de nevoeiro e não resisti a uma foto, enquanto mordia uma bifana e deixava os peixes lá do fundo banquetearem-se com meias Sardinhas e Carangueijos inteiros, não funcionando nem uns nem outros mas garantindo a continuidade da actividade no pesqueiro.
O som de aviso, cavo e prolongado, de um navio em aproximação ao porto, veio de NW e provocou-me um pequeno arrepio na coluna dorsal, deixando-me em alerta e aguardando o seguinte que me indicaria melhor respectivos rumo e proximidade.
O que temia tinha acontecido... Vinha um navio a entrar e certamente não passaria muito longe do ponto onde eu estava, puz o motor em marcha, levantei e acomodei as canas, ficando em espera, completamente dependente dos sons que atravessariam o nevoeiro.

O segundo toque foi ainda mais próximo e mais prolongado indicando, sem grande margem de erro, quer a proximidade quer o rumo da "besta". Liguei o radar e "vi-o"... Estava a menos de meia milha do Makaira e o rumo dado pela deslocação não enganava... Era mesmo em direcção a ele.

Com toda a calma que a distância observada me permitia, rumei para desprender o ferro, afastando-me do rumo do "outro" e puxei o cabo para dentro. Estava livre e pronto para ver o que lá vinha. "Ele" apareceu, enorme... Passando precisamente onde tinha estado fundeado.

Enquanto observava a passagem lenta daquela "enormidade" reflecti sobre o assunto, concluindo que tomei as melhores atitudes atendendo aos acontecimentos mas, mais acertado e seguro, teria sido ter levantado ferro e procurado outro pesqueiro ou voltado para o porto na altura em que o nevoeiro invadiu a zona, mesmo com toda a electrónica disponível. Nunca se sabe o que pode correr mal e não vale a pena correr riscos.
Eram 15.30, o nevoeiro dava ares de querer andar dali para fora mas ainda persistia, procurar outro pesqueiro ou manter-me debaixo de nevoeiro não me pareceram boas opções e voltei para o porto, pensando por um lado que se tivesse ido para o mar em horas "decentes" talvez a pesca viesse a ser outra e, por outro, quero lá saber... Tenho jantar, peixe que chegue e amanhã é outro dia!
Cheguei ao porto arrumei, lavei e preparei os peixes para a pose antes de os amanhar e gelar, excepto aquela Dourada mais pequena que fez as minhas delícias, escaladinha na brasa, lá no Zé.

A incontornável conversa de pesca acompanhou o jantar e a zagaia programada para Domingo encerrou os temas de conversa, ficando unicamente a trabalhar nesta cabecinha, imaginando novos pesqueiros, outros peixes e, quem sabe, aquele... O tal... Talvez seja desta que entre ao chumbo.
O Domingo mostrou-se com menos vaga, de tecto tapado e sem vento, deixando-me testar os mares que queria... Estava decidido, iria para Norte do Cabo de Sines procurar pontões altos ou paredes onde correntes ascendentes, carregadas de nutrientes atraíssem comedia e os respectivos predadores.
Ao fim de algum tempo de sondagem que não medi, dei com o que queria: uma parede de pedra subindo dos 74 para os 50 metros de altura, ao longo da qual procurei comedia, encontrando-a farta no que me pareceu ser uma zona de reentrância.
Escolhi outra vez uma amostra cinzenta como o dia, com o anzol triplo tapado com um "polvinho" de vinil e vá de trabalhar em cima da bola, deixando-me derivar e animando o peixinho, dando-lhe o ar mais doente e irregular que achei. Passei uma vez, duas, três... Com rumos de deriva variados originados pelo vento que ora vinha de Oeste ora de Noroeste e a coisa acabou por se dar, através de um pequeno toque, seguido de fuga errática, diversa de qualquer Pargo que se preze e subindo o Robalo que se apresenta, ferrado naquela amostra estranha de outros tempos.
O peixe não era nada do outro mundo, mas garantia-me que o pesqueiro era interessante, a zona quente e a amostra bem escolhida... Ou seria que com qualquer outra faria maior captura? Insisti na zona com a mesma amostra, passando e tornando a passar sobre as comedias, sem que a questão de mudar de amostra me saísse da cabeça, acabando por trocá-la.
O dia tinha aberto um pouco e optei pela Sea Rock côr de rosa que, sem demora, capturou outro Robalo, gémeo do primeiro. O que se apresenta a seguir.
Um conjunto de questões ficam por responder. Vejamos:
Os Robalos foram capturados na mesma zona da parede, logo a seguir ao início da queda, pelos 57/60 metros, e... Os tamanhos eram idênticos. Então, o que é que influiu? As amostras ou o local de concentração? Inclino-me sinceramente para esta última mas, certezas... Quem quiser que as tenha.
E se tenho mudado de amostra quando as trabalhei até ao fundo da parede, será que teria interessado algum maior, por ali escondido, aguardando a sua oportunidade, preferindo talvez outro tipo de chumbo? Não sei! Para a próxima experimento, pois este raciocínio que agora faço, não o fiz lá onde poderia ter feito mais falta.
A hora de tornar ao porto e a casa aproximava-se a passos largos e só me lembrei de trabalhar a amostra em toda a coluna de água, ao reparar que a comedia se alongava até cá acima. Inesperadamente tive um ataque aí a uns cinco metros da superfície, seguido de tentativa rápida de fuga, superior à luta oferecida pelos Robalos mas diferente, indiciando outra espécie.
E era mesmo! Este atunzito aqui de baixo resolveu comer e ferrou-se na amostra, marcando-a com aqueles dentes que parecem serrilha.

Ah... Também cá andam? Pensei para comigo. E os vossos familiares mais crescidos... Será que não gostam também?

Devolvi-o à agua! Procurei outros! Mas nada mais se atirou!

Voltei ao porto, pensando no dia e concluindo satisfeito: o que aprendi hoje... O que tenho para explorar... O que tenho para aprender...

Dei comigo a sorrir largo e a pensar já na próxima saída onde certamente vou agarrar em mais estas gramas de conhecimento, mesclá-las com outras e tentar fazer melhor, mesmo que mais uma vez não acerte no alvo que procuro.

O fim de semana que aí vem não vai deixar pescar... Só se aparecer qualquer outro inesperado...

Pelo sim pelo não... Fica a leitura! Se a meteorologia tiver razão sempre haverá quem fique a "pescar" em casa.

Boa noite a todos os leitores.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Com o Astro Rei por companhia...

A saga continua... As costas ainda refilam comigo e o fim de semana passado trouxe outras pescas... Outras vivências...

Os dias e as horas passaram mornas, fui com o Zé Beicinho à zagaia na Sexta e acabei por ir a solo, no Sábado, pescar fundeado, atendendo a que o pessoal que estava para vir comigo acabou, por razões diversas, não o poder fazer. Acontece!

O Domingo ainda foi dia de dar uma fugida à zagaia, devido a querer voltar cedo para estar com a família.

Este ano só consigo chegar a Sines às 15.30 de Sexta, o que diminui significativamente o tempo útil de pesca, principalmente agora que a hora mudou... Uma chatice! Paciência...

As hostilidades iniciaram-se na Sexta, logo que chegámos ao pesqueiro eleito onde a sondagem mostrou a imagem que abre a entrada, indicando bolas de comedia alvoradas, em torno daquele pontão. A aguagem corria ao Sul com alguma intensidade, alinhada com o vento de força variável e com tendência a mudar continuamente de quadrante.

Procurei a deriva que me faria passar sobre a zona supostamente mais "quente" do pesqueiro, aquela que a sonda tinha mostrado, e, iniciei a primeira passagem largando a amostra que animei com gestos curtos e rápidos, intervalados com outros mais longos seguidos da queda errática da amostra escolhida que tanto trabalhava a subir como a descer, embora de formas diversas.

A passagem iniciou-se junto à beirada do pontão, obrigando-me a retirar a amostra, para que não se prendesse no início da parede, tornando a lançá-la no pico na perspectiva de explorar a beirada oposta enquanto o barco derivava.

Assim que a amostra terminou a descida já no início da beirada referida e logo que iniciei a animação um pouco acima do fundo, vi a linha "bamba", elevei um pouco a cana, senti um tremelicar e ferrei alto! Era "um"... Não havia dúvidas!

A luta deu-se! Nada do outro mundo mas fazendo-me pensar: Já... Isto começa bem!

O "artista" chegou cá acima com a "língua" de fora, passou ao estrelato e seguiu directamente para a geleira da ordem. Nem o pesei... Entretenham-se e façam cálculos!
Continuámos, com entusiasmo, a animar as amostras, mudando-as conforme a claridade se ia esvaindo e as passagens se sucediam sobre as zonas mais prometedoras, sem que qualquer outro peixe se conseguisse capturar.
É assim! Só lá estaria este ou não conseguimos acertar com as passagens e amostras seguintes? Não sabemos!
Voltámos ao porto e jantámos o Parguito cozido, com todos e regado a tinto. Ainda deu para quatro e sobrou qualquer coisa.
O dia seguinte prometia na pesca fundeada que, só para o fim da noite soube, faria a solo atendendo a que o pessoal amigo que era para vir, por razões diversas, não poderia fazer-me companhia. Convidar outro pessoal e deixá-los com água na boca por já terem outras coisas combinadas também não achei bem. Por tal, deixei rolar.
Certo era que tudo estava preparado, não constituindo tais circuntâncias impedimento para a minha pesca.
Fui para o mar ao sabor do tempo que o Astro Rei me indicava, desprezando por completo aquela máquina a que chamamos relógio. O peixe não quer saber dele e eu? Vou preocupar-me com tal artefacto para quê?
Fundeei perto, depois de ter pensado em não sei quantos pesqueiros e, atirei-me à pesca com todos os sinais a prometerem, até uma pequena aguagem a Sul, normalmente contribuinte para o sucesso.
As coisas correram de feição, os toques iam ficando mais agressivos e o habitual roubo de iscas sucedia-se, entrando primeiro um Parguito de quilo, depois uma maiorzito e a seguir o que aqui abaixo se apresenta, perto dos dois quilos.
A pesca prometia e não me fiz rogado, mantendo o ritmo e aguardando outra revoada deles.
A aguagem aumentou, variei iscadas em tamanho, forma e qualidade mas, meus amigos, nem mais um peixe entrou durante as duas a três horas que se seguiram.
Não faço ideia das razões... Talvez o local onde passou a cair a isca, talvez a aguagem os tenha afastado para outro lado, talvez a proximidade das mexidas de mar que aconteceram durante a semana, talvez tanta coisa... Até a minha teimosia em manter uma pesca activa correspondente aos sinais que se mantinham. Se tenho estado com companhia, possivelmente teria mudado de pesqueiro mas, fui ficando por ali e continuando até achar que tanto a insistência esgotante quanto a hora tardia, indicavam o caminho de terra para tratar do barco, de mim e dar descanso às costas que já refilavam, fazendo-me temer pela fugida à zagaia que pensava fazer Domingo antes de voltar cedo a casa para estar com a família.
Fui zagaiar talvez uma hora mais cedo... A mudança da hora foi certamente a culpada!
Preparei cana e carreto e espalhei as zagaias no tabuleiro das iscas, mirando-as e pensando em quais apostar, tentando adivinhar as cores de água, considerando todos os conselhos dos mestres, assim como alguns resultados por mim obtidos; e, desandei para o mar.
Escolhi pesqueiro sondando sempre. Os sinais não eram dos melhores mas apareciam comedias por aqui e por ali onde, lançava as zagaias e batia incessantemente. Não dava... Mudava de pesqueiro e recomeçava o trabalho, insistindo... palmilhando... Agitando as amostras sem qualquer outro sucesso para além da desgraça do Peixe Piça da foto abaixo que, eventualmente zangado pela invasão de território por animal tão feio, resolveu intimidá-lo e... Tramou-se!
É caso para dizer que até para ser Peixe Piça é preciso ter alguma sorte!

O Sol já tinha começado a descer do seu ponto mais alto, indicando-me serem horas de voltar procurando o aconchego de casa conforme prometido e voltei... Satisfeito com as decisões tomadas e com o fim de semana passado com o Astro Rei por companhia.

Até uma próxima, uma boa noite a todos os leitores!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Breve história de... Uma grande ausência!

Era uma vez...

Epá! Acho que nunca tinha estado tanto tempo sem escrever por aqui... Mas, a verdade é que as razões que a tal levaram são mais que justificadas.

Tudo começou numa aula de Educação Física, no dia 2, Sexta Feira do corrente mês.

Estão lembrados que, para além destas facetas de "escrevinhador" e pescador de horas vagas, sou professor dessa disciplina... Para além disso, sou daqueles que, não olhando à idade, ainda insisto em mexer-me como se 30 anos tivesse, o que, não sendo mau, comporta riscos directamente proporcionais ao avanço dos anos sobre o respectivo esqueleto, normalmente traduzidos em lesões mais ou menos importantes, eventualmente agravadas pelos esforços que se vão fazendo na pesca. Desta vez foi tudo a somar e a coisa não esteve fácil.

No dia referido, após um aquecimento, senti como que um pequeno cansaço aqui ao fundo da coluna, nada que já não tivesse acontecido e que um sono reparador não costumasse resolver. Para além do mais, o pequeno incidente deu-se na última aula da manhã de Sexta. Estão a ver... Aquela aula a que se costuma suceder o momento mágico de largar tudo e rumar a Sines. Quais costas... Quais cansaços ao fim da coluna... Mais à noite logo se descansaria, depois de ir zagaiar nas duas ou três horitas de luz que ainda restassem quando chegasse a Sines.

Tudo correu bem! Fui zagaiar, não capturei nada e fiz os preparativos para a pesca de fundo carregando materiais, a saca com os Carangueijos, incontornáveis como isca nesta época do ano, seguindo-se uma volta na carta de pesca, procurando onde fundear no dia seguinte, tendo em conta a movimentação esperada das Douradas, nesta altura do ano, cuja tendência é estarem já a caminho dos locais de desova, sendo passível de as encontrarmos em entralhados e perto de pontões baixos aí pelos 40/50 metros. Tudo isto sempre sentindo o tal cansaço no fundo da coluna, mas sem lhe ligar grande coisa.

O Sábado chegou carregado de nevoeiro e lá seguimos para o mar: eu, o Raimundo, o Pedro e o Vitor, companheiros habituais, todos com a cabeça cheia de peixes grandes, vencendo a parede de névoa com o Radar e o GPS, em direcção ao pesqueiro que me pareceu mais lógico quanto a probabilidades de boas capturas.

A coisa não correu bem, considerando os, supostamente, bons sinais que se apresentaram com o peixe miúdo a comer desalmadamente, mas sem que as capturas de nota se manifestassem.

O dia correu com alguns Parguitos, muito poucos, outros peixes sem história e acabando na procura de besugos ali por fora do Molhe Oeste, mesmo estes muito escassos.

Sou sincero! Estranhei bastante os resultados deste dia, ficando sem saber como os explicar, mas achando que algo não tinha estado bem...

A possível explicação poderá talvez encontrar-se no dia seguinte em que o Brás e o Luís me fizaram companhia e resolvi voltar ao mesmo pesqueiro em que tinha iniciado a pesca no dia anterior.

Questionarão os leitores:

Então se não se apanhou lá nada de jeito, porquê insistir?

Ao que responderei:

Os sinais estavam lá, a marcação de sonda também dizia que "sim"... Não custava nada insistir e era mais uma experiência a realizar, passível de trazer mais conhecimento com peixe à mistura ou não.

Nunca se sabe se uma qualquer alteração técnica não trará novidades... E, na verdade, acabou por trazer!

Começámos a iscar com a Sardinha que desaparecia em um minuto e alternámos com o Carangueijo, cujo miolo era roubado mas não tão depressa e, num momento, as coisas alteraram-se!

O Luís, mais insistente com o Carangueijo, não tardou a ver a sua cana dobrar-se beijando a água. A luta foi dura e o Pargo de três quilos e tal que abre esta entrada, entrou a bordo iniciando o seu pescador na rota de outros peixes, por ser o primeiro da sua vida.

O entusiasmo generalizou-se, continuando eu a insistir em iscadas grandes de Sardinha e os meus companheiros a alternarem, com insistência nítida no Carangueijo.

Os peixes entraram espaçados, com umas Sarguetas, Choupas gradas e um ou outro Sargo pequeno à mistura.

Algum tempo depois foi a vez do Brás, com a Dourada de quilo que se apresenta aqui em baixo.

Eu, entretanto, tirei um Parguito pequeno e uma Dourada também pequena, respectivamente com Sardinha e Carangueijo, este último, sem dúvida, revelando-se a isca rainha do dia e assim se consagrando, ainda através do Luís, com a Dourada de dois quilos e pouco que culminou a jornada, ganhando ela e o seu pescador o direito de figurar na imagem seguinte. Bonito!

Pela minha parte, nada de nota aconteceu, para além do que se passava com as minhas costas que teimavam em incomodar-me de forma pouco usual, pensando eu ainda que uma noite de descanso sério e o feriado de 5 de Outubro, resolveriam a questão. Enganei-me!

Não vos vou maçar com descrições morosas de maleitas que muitos de vós já conhecem mas, até fui ao médico, coisa que já nem me lembrava como era. Pior que tudo, foi andar a dar aulas meio de rastos, não poder pensar em pesca e nem conseguir estar sentado ao computador o tempo suficiente para poder contar-vos deste fim de semana e de outras coisas que tenho em mente falar por aqui durante estes passados quinze dias. Mau... Francamente mau!

Verdade também seja dita... Se eu não escrever, o que por aqui já está escrito embora merecendo uma média de centena e meia de visitas diárias em páginas diferenciadas, não consegue fazer com que, para além do pessoal que costuma comentar, outros o façam e me permitam conversar com eles de forma mais curta, talvez respondendo a críticas ou dúvidas. Mas também não é coisa que me faça parar pela simples razão de gostar do que faço.

As costas já melhoraram sem estarem completamente boas e o apelo da pesca fez-me voltar a Sines este último fim de semana, culminando a paragem forçada e trazendo-me outras alegrias, tanto pela companhia como pelo resultados obtidos que passo a contar.
Com a saúde relativamente composta, programei as hostilidades tendo em conta os meus amigos e colegas Chico e Albino, os tais que só pescam comigo, sem serem de facto pescadores, conjunto habitual de comes e bebes com pesca à mistura, para Sábado; e, uma sincera disposição para ir à zagaia no Domingo, isto se as costas se comportassem.
Tudo funcionou... Até as costas!
No sábado lá fomos à hora habitual (10.00 horas... Um quarto para o meio dia), procurámos pesqueiro e vá de iscas para o fundo. Não foi um dia de muito peixe, só o suficiente para alegrar o pessoal, ver o Chico com medo que os Carangueijos o mordessem e a cortar a madre em vez das patas do Carangueijo, assim como o Albino, a partir-me a primeira cana de ponteiras finas que adquiri para aí há uns quinze anos, pensando que conseguia tirar a tampa do fundo com ela.
Coisas de "pescadores"...
Mesmo assim, ainda tiveram direito a umas fotos, vejamos!
O Parguito do Chico que se atirou à Sardinha, já com a montagem nova!
A Douradita do Albino, escolhendo o carangueijo, após substituição da cana!

A Abrótea também do Albino e ainda com a cana nova que conseguiu sobreviver até ao final do dia de pesca.

Eu continuei sem dar grandes ares da minha graça, entre montagens de madres e canas de substituição sem que tais acontecimentos me sirvam de desculpa e, pensando que tinha de poupar as costas para a pesca à zagaia que tinha programado para o dia seguinte.
Tudo isto, entremeado com o excepcional frango frito com alho que o Albino faz questão de trazer, obrigando-nos a consequente paragem técnica para degustação respectiva. Enfim... Tudo isto é pesca!
O jantar dos guerreiros sobreveio ao dia de pesca, assim como o copo do costume e o descanso merecido lá pela Pensão Carvalho, onde sempre somos bem recebidos pela D. Irene.
O Domingo surgiu ao abrir de olhos precedido pelo som cavo do roncar matinal do Chico e à normal actividade do Albino que acorda cedo e já não dorme, tendendo a acordar tudo o que se encontra à sua volta. Apreciei este acordar... Dirigindo-se a minha mente de imediato para o pequeno almoço, para as zagaias, canas e estratégias que iria utilizar na pesca que se avizinhava. É caso para dizer: esta cabecinha não pára!
Vai-se ver, não devia ser assim... Mas sou!
Despedimo-nos após o pequeno almoço lá pelos "Galegos", como é denominada a pastelaria Vela de Ouro, a mais antiga de Sines. Eles seguiram à vida deles e eu desandei para o porto de recreio, em felgas para preparar os materiais e sair para o mar, sentindo um pequeno incómodo nas costas, remanescente da lesão recente, avisando-me certamente para não abusar com as correrias.
O Makaira esperava por mim, lavadinho do dia anterior, com um ar de cavalo fresco que quer correr e eu não me fiz rogado, preparei uma cana rija e curta, feita por medida e oferecida pelo meu amigo Nuno da 7even, parecendo esta ser a ideal para me poupar as costas enquanto trabalhasse as amostras que dispuz no tabuleiro de iscas, de modo a poder chegar-lhes sem me dobrar, assim como vizualizá-las em conjunto, escolhendo as que mais hipóteses teriam de sucesso considerando experiências anteriores, estado do mar e do vento, cores da água... Etc..
Com tudo preparado, saí para o mar eram umas 10.30, dirigindo-me para uns pesqueiros onde no dia anterior a sonda me tinha mostrado comedias ao fundo e os pássaros andavam em grande actividade, o que não aconteceu no Domingo, como aliás é normal... Os peixes e os pássaros não costumam parar!?
Procurei por ali uns pontões altos conhecidos e, gostando dos sinais (já referidos em entradas lá para trás) atirei-me ao trabalho!
Passei e tornei a passar nos pontos supostamente mais quentes, mudando as amostras, as animações, os sentidos das derivas, trabalhando mais ao fundo, mais no cimo dos pontões e... nada!
Parei para comer e decidi visitar um local onde há dois anos tive algum sucesso que contei por aqui... Podia ser que a coisa se desse, pensei para comigo enquanto vencia a moleza originada pela paragem e punha o motor em marcha.
O novo pesqueiro apresentava-se com marcações razoáveis, nem boas nem más... Suficientes para me atirar ao trabalho, cheio de fé!
Identifiquei o sentido da deriva e vá de trabalhar! Passagem para a esquerda, passagem para a direita, mudança de amostras, as horas a passar e a decisão de voltar à terra a aproximar-se a olhos vistos, empurrando-me para a racionalidade, imposta por jornadas anteriores em que tive sucesso, como estratégia final.
Escolhi uma amostra vencedora e vá de derivar, animando-a com toques curtos e rápidos intervalados com outros mais longos e lentos, seguindo-se puxões rápidos após cada descida lenta, até que, à queda dum pontão, a coisa deu-se!
A linha não baixou quando a cana o fez e ferrei alto, enrolando carreto e elevando a cana com força! O puxão para o fundo não enganava... Estava com um "jeitoso" no outro lado da linha!
Lutámos... Venci... Fografei!
Mais um Dourado com 3 kgs e qualquer coisita, ali ao pé da Croc da ordem!
A pesca estava garantida e bela mas, achei que devia insistir, talvez andasse por lá mais qualquer coisa. A zona prometia e a hora era boa, considerando resultados anteriores.
Fiz mais duas passagens e não resultou! Troquei a amostra, mantendo o tipo mas mudando a côr de Cavala para Rosa, passei outra vez e... A coisa tornou a dar-se!
O peixe, mais pequeno, atirou-se mais uma vez quando a amostra descia... Aqui está ele, um Bandeireiro com um quilo e pouco.

Ainda passei mais umas vezes, mas a hora já era de andar para o porto e as passagens já se faziam à pressa, olhando para o relógio o que não me pareceu bom nem razoável. A indicação estava dada! Este local ainda vai dar que falar esta época! Vamos ver!
Voltei para casa, satisfeito com o Fim de semana, a companhia, a pesca e, por ter assunto para quebrar tão grande ausência da Vossa companhia neste local.
E aqui vos deixo a "Breve história desta minha ausência"! Espero estar perdoado...
Uma boa noite a todos os leitores.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Fuga!

Este fim de semana que passou, literalmente... Fugi!

Nada fazia esperar que fosse pescar! Tudo indicava que o Sábado seria de trabalho. A Travessia do Sado a Nado agendada e com as 19.00 horas como hora prevista para o seu término, acrescida de muito trabalho da escola, não previam nada de bom para a realização de mais uma pescaria e, mentalmente, já estava preparado para ver Sines passar ao lado, não fossem os banhos de multidão durante toda a semana, dos quais não sou fã e, possivelmente, teria passado o Domingo com a família.

Salas de professores apinhadas, não sei quantas reuniões, a confusão normal gerada por um milhar de alunos em cada intervalo lectivo, seguidos de um sábado com 130 nadadores, muitos voluntários, barcos de apoio, telefonemas para aqui, comunicações rádio VHF para ali... Acabaram por me decidir por uma fuga sem olhar a meios.

A meio da dita prova de Sábado, estava a telefonar para casa informando: vou à pesca!

Acho que o pessoal compreendeu!

Na minha mente estava unicamente presente que queria ir, sem dar cavaco a ninguém, sem me preocupar com pormenores, unicamente pensado em curtir cada momento que esta inesperada decisão me poderia proporcionar.

Acabou a prova, arrumei as bóias e ferros da montagem do percurso de natação, despedi-me da equipa organizadora e desandei para casa. Tomar um banho e pegar na mala e materiais de pesca, eternamente preparados, foi um ápice. Passar numa grande superfície e comprar umas sardinhas congeladas, um suplício, mas... Estava salvo! Já ia a caminho de Sines, pronto para os tais momentos, com o Bob Marley por companhia... Búfalo Soldier... lá, lá, lá, lá, lá lá, lá, lá...

O mundo era meu enquanto esta fuga durasse!

A viagem decorreu, na companhia já referida do Bob, seguindo-se o Mark dos Dire Straits, como convidados de honra na viatura. Sou sincero... Para além da fiabilidade, como isca, das sardinhas com mau aspecto que levava nem em pesca pensei. Fui ouvindo com agrado os convidados e deixei-me ir naquela de: "o que vier soará"!

Jantei no Zé Beicinho e segui para o barco, onde preparei as canas e as montagens da ordem, tudo em perfeito estado de graça, esquecido do mundo, para o que contribuiu significativamente, ter ficado sem bateria no telemóvel e nem o carregador trazer comigo, o que sucedeu por mero acaso mas certamente por obra dos deuses que mais uma vez me acompanharam.

O material a preparar era agora a minha companhia e a pesca o único pensamento que teimava em não me abandonar, tudo decorrendo no silêncio duma noite calma, sem vento e pouco húmida... Perfeito!
A concentração estava toda na montagem das canas, alinhando os passadores ao milímetro; na passagem dos fios, assegurando que nenhum deles era saltado; as montagens iam sendo colocadas, os nós perfeitos, testados, as pontas cortadas e a aplicação cuidada.
Depois os carretos... A verificação do funcionamento, a taragem das embraiagens para peixe maior, pensando já em evitar mexidas em acção de pesca. Assim foi com a cana de mão, a cana para isca morta e a cana para isca viva, às quais foram presas as montagens para a viagem, seguindo-se a sua acomodação, no poço do barco, onde passariam a noite enquanto o seu dono dormiria o sono dos justos. Quanto à isca... Nem olhei para ela, estava congelada e o dia seguinte logo diria de sua justiça.
Os trabalhos de preparação estavam terminados, gozei um pouco mais o tal silêncio, acabando por sentir aquela moleza típica que muitas vezes sucede a tarefas cumpridas, rabo lavado e barriga cheia, deixando-me levar para o vale dos lençois onde caí redondo, dormindo à bruta até às 9.00 da manhã de Domingo, sem dar em absoluto por qualquer dos barulhos que normalmente me acordam mais cedo. Não me levantei logo... Rolei para um lado, para o outro e estirei-me, esperando que as funções vitais se aproximassem do normal, enquanto ouvia o vento prometido para Domingo dizer: presente!
Mentalmente falei com ele: já sei... Estás aí! Não é preciso lembrares-me tão cedo que existes e que hoje vais estar por cá... Vê lá como te portas... Pelo menos deixa-me pescar!
Eram 10.30 e lá ia eu no Makaira, já comido e com a aviação acomodada, agora na companhia do vento que ainda se comportava àquela hora. Verdade seja dita que, ao longo do dia, nunca se portou francamente mal, mas bem... Também não se pode dizer que tenha estado. Coisas do vento... Fazer o quê?
Dirigi-me ao primeiro pesqueiro onde as probabilidades me pareciam fortes e onde a ocupação do mesmo, por um navio carregado de contentores fundeado, me surgiu como primeiro contratempo do dia. Não desarmei! Em vez de ficar chateado ou coisa que o valha, puz-me a sondar ali à volta. Por vezes, vamos a um determinado pesqueiro e esquecemo-nos que, em torno dele, poderão haver alguns outros... Lembrei-me disto e não corri logo para outro conhecido, pura e simplesmente resolvi sondar, investindo em novos locais para outros dias em que os conhecidos não correspondam.
Ao fim de uma hora e tal de sondagem, fiquei com mais três marcas que, não apresentando sinais merecedores de fundeio, indicaram pela configuração de fundo serem hipóteses a testar mais tarde ou em outro dia.
A coisa não estava a correr mal mas era hora de pescar e, sem correrias ou mais demora, lá fundeei em pesqueiro conhecido, pelos 48 metros de fundo e vá de montar canas e pescar. Isto por volta daquela hora em que muitos pescadores acham que o peixe respeita o nosso tempo de alimentação.
As baixadas desceram indicando que a aguagem era forte, a favor do vento e que os peixes que por lá se encontravam se estavam borrifando para a nossa hora do almoço... Comiam a uma velocidade impressionante e mal grado a qualidade da isca que não era das melhores, certo é que os sinais estavam lá, a aguagem ajudava a transportar "a palavra" e as condições estavam criadas para mais um dia cheio de hipóteses e de pesca muito dura, derivada do continuo roubo de isca e consequente subir e descer já que as cavalas não entravam e a sardinha era presa fácil para os meus engodadores ajudantes que, lá pelos fundos, trabalhavam com uma sofreguidão diabólica.
O tempo passava, a aguagem ora aumentava ora diminuía e, salvo uma ou outra Choupa, Boga ou Peixe Piça; nada mais entrava levando-me a fazer contas à vida... O que faço? Os sinais são bons, a isca não é grande coisa, peixe maior não entra... Mudo de sítio? Insisto por aqui?
Decidi-me por ficar! Ia testar aqueles sinais até ao fim mas precisava que a isca se aguentasse mais tempo; por tal, resolvi aumentar o tamanho dos anzóis e passei a iscar meias sardinhas, conforme a primeira forma de iscar à esquerda da foto que abre a entrada, já conhecida duma outra, mas a única que tenho como ilustração da iscada referida.
Estas iscadas sendo maiores, faziam mais atrito a descer, obrigando-me a aumentar o peso da chumbada assim como a dureza do trabalho a efectuar. Não me preocupei com isso... Dureza é coisa que faz bem ao corpo, alimenta a alma se tiver um objectivo definido e mantém-nos alerta enquanto se labuta.
Fui recompensado ao fim de uns dois lançamentos, não só pela maior agressividade do peixe sobre tão grande carnada, mas ainda pela captura de uma Choupa quase de quilo, da qual não tenho foto, muito por, nesta altura da pesca, estar ciente que algo iria acontecer e o certo é que aconteceu mesmo.
Sentia-se de facto diferença na agressividade do peixe perante esta nova iscada e o primeiro ataque sério e luta interessante deram-se daí a alguns momentos, convertendo-se na captura do pargo de 1,700 kgs que se vê na imagem abaixo.

Mas porque é que não comecei com isto mais cedo? "Ganda toino"!!! Pensei para comigo, com vontade de me dar uma tareia séria!
Voltei a trabalhar à posta, não fosse dar-se o caso de os artistas estarem lá em baixo a comandar tropas, mas não... Era mesmo necessário manter as iscadas grandes!
Continuei na labuta, com vento a aumentar e aguagem a manter-se na força mais baixa entre as diferentes ao longo do dia. Após uma das descidas que já tinha como últimas da jornada, senti um primeiro toque, deixei comer, aguardei o segundo e, logo que este se iniciou, ferrei alto por desconfiança que não sei explicar. A ferragem deu-se! o trabalho começou e o peixe fugiu para a aguagem lutando duro com esta a trabalhar contra mim e o material.
Percebi que não era nenhum monstro, mas vendeu cara a sua sorte este Pargo de 4,000 kgs que vos apresento a seguir, ao lado daquela tesoura que haveria de ajudar a amanhá-lo para que a sua cabeça fizesse as minhas delícias hoje à noite e que a respectiva digestão me inspirasse enquanto vos conto desta minha fuga.

A pesca não durou muito mais, o vento insistia em aumentar e encontrava-me também só para as lavagens e arrumações do barco. Levantei ferro com todos os cuidados, correu bem e vim para terra onde tudo fiz a pensar no dia e na mais valia de ter confiado nos sinais. Ah... Se tenho resolvido pensar mais cedo em iscar daquela forma... O que teria acontecido?

Outro dia experimento!

Até lá ou talvez antes, despeço-me desejando-vos uma boa noite!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quatro dias de férias... À solta!

Estas têm sido umas férias atribuladas!

O trabalho entrou pelo tempo de sossego; a família, agora aumentada pela neta, precisou de apoio; e, o barco, como se não bastasse, também necessitou de cuidados diferenciados. Tudo isto acabando por limitar o tempo útil de pesca assim como o cuidado na escrita agora dividida entre este espaço e o Porto de Abrigo.

Não se aprende! Quanto mais coisas temos para nos ocupar o tempo... Mais arranjamos! Haja saúde!

Entre toda esta azáfama, a determinada altura, apareceram os momentos de sorte... De repente, fui libertado durante quatro dias para me dedicar exclusivamente à pesca, ao barco e a Sines! Nem queria acreditar... Mas a verdade é que aconteceu e esta cabecinha, agora dedicada à escrita, entrou em perfeito estado de graça!

Os dias de liberdade começavam na noite de 17 para 18 de Agosto depois de uma reunião do Comando do Porto de Abrigo e acabavam a 21, antecedendo as férias com a família que gozo neste momento entre dias de Sol, pesca, passeio, leitura e escrita.

Comentarão alguns leitores... Epá! Mas isso são tudo férias! Ao que responderei: é verdade! Mas a grande diferença é que, naqueles quatro dias que referi, fiz o que me deu na real gana, nas horas em que muito bem entendi e sem quaisquer interferências de terceiros. Não sei se dá para entender!?

Bom... Vamos então ao que interessa!

Terça Feira, dia 18, fui para o mar eram 12.00 horas, depois de um sono reparador da reunião do site que acabou às 00.45, seguida de viagem para Sines e conversa com o João Martins até às 4.00 da madrugada... Não somos doidos! Unicamente tinhamos o tempo todo do mundo por conta e fartámo-nos de "pescar"!
É claro que à hora a que fui para o mar, não podia pensar em pesqueiros longínquos, pelo que me fiquei ali pelos 20 metros de água e vá de fazer pesqueiro... Só levei Sardinha, não me quis dar a mais trabalhos... o que viesse, ou era bom ou não valia a pena a canseira.

Sondei a zona, a água estava tapada e, assim que lancei as primeiras iscadas, os toques corresponderam aos sinais mostrados pela sonda e às condições de água apresentadas. Vai entrar alguma coisa! Pensei para comigo com o entusiasmo natural de quem sente que tudo se conjuga para que tal aconteça.

O peixe comia que nem desalmado; as Choupas e Sarguetas pequenas entravam e saíam do barco à mesma velocidade que se tinham de repôr iscas, tal a voracidade com que a "gente miúda" despedaçava qualquer formato de Sardinha que lá caísse. A antecipação de uma captura importante ganhava forma na minha mente de pescador e a coisa deu-se!

Não tinha passado uma hora desde o momento em que colocara as primeiras iscas no fundo, quando um pequeno afundanço seguido de ferragem alta, precedeu uma fuga, em direcção a Porto Côvo, travada pela embraigem do Cabo 60.

O peixe não era nenhum monstro (3,530 kgs) mas, devido à baixa profundidade, lutou duro colocando à prova materiais e pescador, acabando por cair no enxalavar para ser fotografado ao lado daquele Robalo (1,200 kgs), tornando-se ambos estrelas da foto de abertura de mais esta entrada que vos ofereço.

O Robalo entrou uma meia hora depois, tempo durante o qual os toques, os roubos, as Sarguetas e as Choupas, mantiveram comportamento idêntico ao que precedeu as capturas, mantendo-se estas condições ao longo da tarde, sem outros casos de nota, salvo o Sargo (1,200 kgs) que se apresenta na foto abaixo, último exemplar já em tempo de pesqueiro a denotar irregularidade de toques, precedendo a completa ausência destes e o retorno alegre ao porto, onde me aguardava o João Martins para testemunhar a pesca e antecipando já a imperial fresquinha lá no Zé Beicinho, o jantar... Tanta coisa boa que me esperava!

A pescaria para o dia seguinte já estava combinada!

O João Martins lá se decidiu a experimentar uma pesca embarcada. Prepararam-se materiais, iscas, montagens... Combinaram-se as horas, 9.00, cedíssimo! Direi mesmo... Quase de madrugada.
O primeiro pesqueiro testasdo, mostrou-se com bons sinais mas pouco produtivo, mal grado o tempo que lá gastámos. Saímos para outro que nem sequer deu um ar da sua graça no que se refere aos sinais que procurávamos... Aqueles, dados pelos pequenos ladrões!
O vento dava sinais de querer entrar fresco e decidimos fazer uma última tentativa num pesqueiro mais fundo, não muito longe do caminho para a calma do porto de Sines. Nesta altura tinhamos dois Parguitos a bordo, daqueles que não merecem foto.
Eu estava em pulgas para ver o meu amigo João estrear-se e a coisa tardava...
Chegámos ao pesqueiro e nem tivemos tempo de testar os sinais... Passados alguns minutos, desde a descida das pescas, eis que acontecem duas ferragens quase simultâneas, a minha com um peixe que lutou no início e se tornou num peso rebocável; este Requeime que se mostra na imagem seguinte...

... E, o João com a sua estreia espectacular... O Pargo de 2 kgs que mostra com ar feliz, opositor numa luta inesperada e dura para um iniciado nestas lides da embarcada, a que correspondeu com o saber de outras lutas, talvez travadas nos areais de que tanto gosta. Bonito de se ver!

Este pesqueiro apresentou-se bem e a regularidade de capturas em tempo útil de acção de pesca, não enganava.

Procurámos outros maiores, mas até à passagem do vento de moderado a fresco, só conseguimos mais uns cinco Parguitos. Os tais que, tendo tamanho para alimentar dois "mamíferos", não conseguem encher as fotos de que gostamos.

Ficávamos agora com um "problema"... Tinhamos de jantar; e, aquele Requeime olhava par nós, ria-se e dizia-nos: eu faço uma bela massa... Eu faço uma bela massa... Tinhamos de fazer a vontade ao Requeime!

Então, telefonámos ao Zé Beicinho que, prontamente, nos fez ouvir o som dos violinos ao dizer: Tragam isso! É para já!

Os sorrisos abertos despontaram mostrando os nossos dentes a brilhar por causa da água que já corria entre eles.

A massa estava uma delícia, a conversa prolongou-se e o cacau do Náutico terminou um dia excepcional, já entrado no seguinte, onde a pesca seria supostamente interrompida. Mas não foi! já vão ver porquê...

O terceiro destes dias, em que me deixaram à solta, começou com o pequeno almoço onde me encontrei com o Zé Beicinho que estava com ar infeliz antecedendo mais um dia fechado e cheio de trabalho no restaurante. Vendo-o com aquela tristeza, típica de quem precisa de férias ou de uma qualquer mudança de rotina, disse-lhe: Oh Zé... Então tu não consegues, ali entre as 3.00 e as 7.00 da tarde, fazer uma paragem? Vamos, num saltinho, ver se apanhamos uns peixes... Olha que tudo indica que anda "material" aqui por perto e eu trato de tudo, só tens de arranjar Sardinha para iscar.

O Zé parou... Pensou... E retorquiu: fica combinado! Telefono-te depois de almoço e, se tudo correr bem, vamos a eles!

Voltei ao Porto, dei uma volta por ali, falei com este e com aquele, preparei as canas, montagens, o barco e... O telefonema chegou! O Zé já vinha a caminho com lanche e Sardinha. accionei o motor e andámos direitos ao último pesqueiro do dia anterior. Havia que aproveitar pois o tempo era limitado... às sete da tarde o Zé tinha de estar no restaurante, pronto para os clientes do jantar.

Procurei pouco, sondei o necessário e fundeei, cheio de fé!

As capturas não se fizeram esperar, com peixe a dar sinal e iscas a desaparecer.

Primeiro o Zé e depois eu, começámos a dar neles, pequenos de início e maiores a entrar de vez em quando. Já tinhamos uns 7 ou 8 Parguitos a rondar o quilo, sendo que um ou outro o superava significativamente e, vá de trabalhar para o grande.

A Sardinha desaparecia a uma velocidade impressionante, resolvendo eu iscar uma posta no anzol de cima e uma grande iscada de Cavala no anzol de baixo, esperando que não fosse esta última consumida tão depressa.

Lancei as iscas, chegaram ao fundo e estiquei a linha, deixando-a quase no limite da tensão com alguma folga, pouca. Durante um momento nada aconteceu, elevei a pesca devagar sentindo o peso da isca intocada e tornei a baixá-la lentamente, esperando que nenhuma boga, Cavala ou Choupa se atirasse à isca enquanto esta estava alta. Percebi logo a seguir que isso seria difícil, pois um pequeno afundanço contínuo seguido da ferragem alta que arrisquei, iniciaram uma luta feroz entre mim e o Pargo maior do dia que fugiu para Norte, em direcção da pequena aguagem que se fazia sentir, levando mais linha que a habitual num Pargo do seu tamanho... Aquele que abaixo se mostra, pesando 4 kgs de musculos e gordura, mostrando-se lustroso e arredondado e que afinal escolheu a posta de Sardinha do anzol de cima. Lindo!

Eram seis da tarde e continuámos a tentar maiores que não apareceram, mas a pesca tinha corrido bem, o Zé já tinha outra cara e dois Pargos pequenos fizeram as nossas delícias, cozidos com todos, num jantar tardio, posterior aos dos outros comensais e onde a conversa sobre o mais importante do dia ocupou longos momentos, entremeada com o pão molhado no azeite, vinagre e caldo da gordura do peixe. Existem outros momentos, melhores... Piores... Mas estes, já estão do lado de cá! Venham mais!

No momento em que vos escrevo, as férias estão prestes a terminar, aguardam-nos as pescas dos fins de semana possíveis, quer pelas condições de mar e vento quer pelas imposições da vida profissional. Aguardemos!

Até lá... Uma boa tarde a todos os leitores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O que a pesca nos dá...

Mais uma ausência para além do meu gosto, no que a este lugar se refere!
Se fosse político, justificava isto com a maior das facilidades. E tal... Porque assim e porque assado... Mas não consigo, porque fico com receio que não acreditem. Uma coisa é certa... foi por boas causas.
Também não interessa! Estamos aqui a conversar, estou de férias e na paz do Senhor, pronto para analisar, pescar, analisar e assim sucessivamente.
A pesca oferece-nos espaços de pesquisa e reflexão enormes, capazes de preencherem horas à nossa massa cinzenta, quando interessados no assunto!
Este passado fim de semana, como alguns de vós certamente se terão apercebido, realizou-se o convívio de embarcada do Porto de Abrigo, evento onde, implicitamente, teria de estar envolvido com todo o meu fervor!
Por tal, fui na Quinta Feira à noite para Sines, combinando antecipadamente com o Amorim, um dos membros que aderiu à iniciativa, fazermos na Sexta Feira um reconhecimento de pesqueiros e respectivos sinais por estes oferecidos, com a intenção de tentarmos estabelecer estratégias que, relativamente à acção intensa de pesca em perspectiva para o dia seguinte, pudessem contribuir para o sucesso da jornada.
Não fomos cedo! Eram para aí umas 10.00 horas quando chegámos ao primeiro pesqueiro que se revelou com bons sinais, interrompendo-os ao fim de meia hora, em que nenhum peixe entrou a bordo, embora as iscas inicialmente desaparecessem rapidamente o que veio a degradar-se em pouco tempo, obrigando-nos a demandar outro local.
Não muito longe, perto de meia milha para terra e para Sul do primeiro pesqueiro testado, encontrámos outro que evidenciava bons sinais na leitura de sonda, vindo a verificar-se produtivo mal grado os grandes intervalos de entrada de peixe. No entanto, as iscas desapareciam dos anzóis em segundos, assegurando uma engodagem séria e certamente um frenesim de peixe miúdo passível de promover a múltipla atracção daqueles com quem queriamos a confrontação.
Tudo corria segundo as probabilidades, num dia com algum vento que se sucedia aos anteriores, muito idênticos em condições do ar e temperatura de água.

Não tardou muito que entrassem os primeiros Parguitos iguais ao que se mostra na foto de abertura, espaçados em tempo e com muito trabalho exigido pelo contínuo roubo de iscas, caindo essencialmente ao Camarão e à Cavala, tudo indicando ser a velocidade a que a Sardinha desaparecia a razão principal dos resultados que se iam conseguindo com estas iscas.
Aumentámos o ritmo, iscando Sardinha nos dois anzóis duas ou três vezes seguidas e alternando com Camarão, Cavala e Lula, ora no anzol de baixo ora no de cima.
O vento começava a dar sinais do aumento previsto para a tarde e a cana de 3,60 da 7even, mostrou o equilíbrio entre a sua leveza, capacidade de ferragem e progressividade de acção, quando, levantada alto após um pequeno afundanço da ponteira, iniciou os trabalhos com o animal que abaixo se mostra, aguentando as suas investidas de forma gradual, sem pancadas bruscas, conduzindo-o em segurança em direcção ao enxalavar e fazendo perceber que está preparada para maiores. Muito boa!
Claro que o pescador terá algumas culpas no cartório, pois a cana sózinha fica quieta onde a deixarem!
Ainda entrou mais um Parguito, mas muito havia por fazer para o convívio que se avizinhava no dia seguinte e eram horas de retornar ao Porto de Sines, o que fizémos, alimentando a nossa alma com as perspectivas de muitos e maiores exemplares para os pescadores que aí vinham, considerando os resultados desta pequena sessão.
A pesca, no entanto, dá-nos de tudo... Uns dias com pouco trabalho e com resultados excelentes e outros com mais trabalho e com resultados possíveis, considerando as intenções que levamos, as consequentes preparações e as alterações climatéricas que se apresentam.
O dia seguinte acordou calmo, meio encoberto e abafado. O mar estava espelhado e o vento não se fazia sentir, dificultando a percepção sobre a posição em que o barco ficaria.
Os donos dos barcos que apoiaram o convívio (eu incluído), um tudo nada ansiosos... Desejando que as capturas abençoassem os pescadores aderentes, rumaram aos pesqueiros montando as suas estratégias, seguindo-se as operações de sondagem e fundeio.
As movimentações de peixe à superfície e as marcações de sonda, embora mostrando peixe ao fundo, indicavam muito peixe na coluna de água acima deste e em bolas compactas considerando todos os pesqueiros testados.
O peixe comia mal e não se atirava à Sardinha com a regularidade do dia anterior já para não falar da que é habitual nesta altura do ano.
Os barcos com melhores resultados foram aqueles que no primeiro pesqueiro tiveram os melhores sinais e por lá se foram aguentando. Os outros, andaram à procura, saltando de pesqueiro e capturando um peixe aqui, outros dois ali e nenhum acolá, sempre tentando fazer valer o convívio também pelas capturas efectuadas.

Comparativamente ao dia anterior, as diferenças eram significativas... O peixe não comia a Sardinha, só Camarão, Cavala e Lula, mesmo assim de forma irregular, indicando talvez quer o seu tamanho diminuto quer o possível interesse na Sardinha de outros maiores que poderiam lá andar mas que não chegavam a realizar os seus intentos por alguma razão que desconheço... Apresentação das iscas, maior interesse nos pequenos por serem em grande quantidade, dispersão de interesses em toda a coluna de água... Não faço ideia!
O único Pargo digno desses nome que entrou no Makaira, veio através da Cavala e um Sargo de quilo veio pela Sardinha, talvez por ter tamanho suficiente para não se intimidar...? Entrou de repente quando nada o fazia esperar. De resto, dois Safios, algumas choupas, uma ou outra Sargueta e dois Parguinhos pequenos completaram a pesca do dia... Sofrida!
O animal maior que entrou a bordo, foi o Leitão que comemos, regado com um Alvarinho de se tirar o chapéu, cortesia do nosso amigo Paulo Karva. Queixar do quê?
Certo é que, todos os barcos capturaram algum vermelhinho. Nenhum daqueles de encher as fotos, mas os suficientes para justificar a pesca direccionada proposta, senão vejamos:
- 5 barcos com 19 pescadores (donos incluídos); para além de alguns exemplares como um Sargo Veado de alguns quilos e alguns legítimos de bom peso; capturaram 25 Parguetes e Pargos; e, 3 Bicas. Os maiores... Esses não se conseguiram!
Em última análise, considerando os resultados e os sinais observados em sondagem e acção de pesca, pode dizer-se que talvez tivesse sido um dia em que a Zagaia pudesse ter outros resultados... Mas nunca o vamos saber. Sabemos é que, numa próxima oportunidade, vamos previamente com um olho colocado no assunto.
Verdade também que o dia terminou com o calor da camaradagem, muita conversa de pesca, as caras a reflectirem prazer e os estômagos compostos com o Arroz de Tamboril e o Ensopado de Borrego com que fomos brindados pelo Zé Beicinho que não se poupou a esforços para que terminássemos em beleza.
Fico-me por aqui, esperando que alguns arranjos no barco não me impeçam de cá retornar com a brevidade que gostaria.
Boa tarde a todos

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Convívio de Embarcada Porto de Abrigo


Trabalho já não é coisa normal... Mas quando aparece às mãos cheias ainda pior!
O Homem fez-se para caçar, pescar e... Procriar! Isso não chegava como trabalho? Era necessário esta correria louca e diária? Chatice...
Por essas e por outras é que não tenho aparecido por aqui! Não pesco e a inspiração vai-me falhando, mas passa!
Aliás, já começa a passar só de me lembrar da pescaria que se pensa fazer, no próximo fim de semana, lá por Sines.
Juntaram-se uns membros e amigos com barco, lá do nosso Porto de Abrigo, convidaram-se os membros que gostam de embarcada a aparecer e vá de marcar um convívio para o próximo fim de semana, o do 1.º de Agosto. Se o mar cooperar, vai ser pescar e conviver à farta. Vamos ver o que sai...
O acontecimento vai concerteza criar condições para martelar teclado, contar as histórias e, já agora, vamos ver se aparecem uns peixitos "daqueles" que enchem as fotos!? Ai, ai, aiiiii...
Se não, o jantar no Zé Beicinho está garantido e as "mentiritas" do costume também. Já não é mau!
Se quiserem saber mais, têm de aparecer e consultar a informação, lá pelo fórum. Também aqui podem perguntar que eu respondo, embora não seja possível fazê-lo com o detalhe, oferecido lá no "Porto".
De qualquer modo, depois de tal convívio, certamente não faltará inspiração para trocarmos mais umas dicas e conversarmos por aqui.
Boa tarde a todos os leitores.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Não tenho mais por agora... Dou o que tenho!


A coisa tem corrido ao sabor do vento!

Pesquei no fim de semana de 4 e 5, pesquei neste último de 11 e 12 e não pesquei mais porque como sabem, trabalho... Como é normal ao mais comum dos mortais nos quais me incluo com prazer.

As semanas têm corrido agitadas pois nesta altura, em que já não temos os alunos, não há horários... O trabalho é muito e aparece donde menos se espera, sem qualquer hipótese de controlo do tempo livre que nos permita pensar a pesca ou organizá-la com a calma precedente.

Então, de repente, apercebo-me que o tempo está razoável, a família não se importa e lá vou com isca arranjada à última da hora, só ou com amigos que aparecem também de afogadilho e seja o que Deus quiser nas horas possíveis.

Pescas feitas antes de sair, decisões tomadas em cima do joelho e mesmo assim alguma coisa se tem arranjado, mas muito ao estilo do Portugal dos Pequeninos.

Peixe grande... Nada!

No dia 4, apanhámos três Parguitos e uns Polvos; no dia 5 foram 12, todos para o lado das 800 grs; no dia 11, apanhámos mais 4 e uma Bica com tamanhos idênticos; e, este último Domingo, para não variar, foram mais 9 da mesma raça.

A regularidade tem-se mantido, mas os grandes não entraram!

Razões não as encontro, nem tenho tido tempo para as procurar, mas não perdem pela demora.

A tudo isto se junta ter perdido o carregador da máquina fotográfica, ficando consequentemente sem ilustrações aqui para o blog e também para o Porto de Abrigo.

Para todos os efeitos, a última foto que consegui tirar, a de abertura; ilustra o melhor Pargo conseguido nestes dias, capturado pelo meu amigo Albino e precedendo uma cabidela, daquelas de se lhe tirar o chapéu, entre amigos e com conversa de pesca pela noite dentro. Mesmo aquilo que estava a fazer realmente falta nesta altura do "campeonato".

Pessoal de Educação Física, entre alguns outros que também lá estavam, são assim... Uns gozadores das pequenas coisas vida!

Certo é que, a regularidade das pescarias tem-se mantido, utilizando as estratégias de que tenho falado e tudo indicando que terei de mudar algumas, assim como, correr outros pesqueiros tentando encontrar os pais destes que têm aparecido.

As férias vêm aí e, ao que tudo indica, terei mais tempo e paciência para colocar por aqui e pelo Porto uns artigos que estão prometidos. Até lá, deixo-vos com este relatinho meio à pressa, meio desinteressante a que certamente não estão habituados mas que pretende deixar presente que vos respeito e não esqueço.

Boa noite a todos

terça-feira, 30 de junho de 2009

Se fosse peixe...


... Era certamente um predador, deambulando pelos mares, em busca persistente de comida para me manter forte, activo e em crescimento contínuo assegurando, sem pensar, estar nas melhores condições no momento de procriar com as belas fêmeas que sempre aparecem em certas alturas e locais com alguma regularidade.
Os "gaiatos" em cardumes vibrantes seriam a minha perdição, ora atacando-os abertamente, confundindo-os pelo medo, ora esperando-os na sombra de algum penedo onde nem dão por mim quando lhes caio em cima. Gosto mais desta última táctica, não me canso tanto, principalmente quando a corrente está contra mim. Aliás, a corrente é minha aliada, embora não me possa distrair muito com uns bocados de Sardinha e Cavala cheirosos que por vezes aparecem de borla, mesmo ali à minha frente, com aspecto tão apetitoso que me atiro a eles sem demora, mas aquela porcaria, depois de comida, agarra-se-me aos dentes e então não é que tenho de andar a puxar por aquilo e vejo-me danado para não chegar até à superfície. Que raio!
Até ao momento tenho-me escapado, mas não valem o cansaço esses bocados. Para além disso, deixam-me uma coisa qualquer aqui agarrada aos dentes, com um bocado de não sei quê a sair-me da boca de tal maneira agarrado que às vezes chega a altura de ir às fêmeas e aquela porcaria continua por aqui pendurada o que, diga-se de passagem, fica com um péssimo aspecto.
Mas mau, mesmo muito mau... Aconteceu a uns amigos meus que se distraíram outro dia e foram de encontro a um emaranhado de coisas daquelas que me ficam a cair da boca quando como aqueles pedaços... Então não é que ficaram por lá presos, foram desta para melhor e, enquanto os olhava pensando que tinha dimínuido significativamente a concorrência para a altura das fêmeas e tal... Não é que o tal emaranhado foi por ali acima, levando-os com ele... Pirei-me rápido que aquilo não era sítio para se estar. A verdade é que fui lá voltando de mansinho mas, embora o local seja pródigo em "gaiatos" saborosos, aquela porcaria está lá tantas vezes que deixei de frequentar a zona. Uma pessoa entusiasma-se atrás da comida e às duas por três enfia-se naquilo e desaparece sem deixar rasto. Ná! Não é cá para mim!
As águas andam a aquecer lá por cima, a comida que gosto procura águas menos profundas, mais claras e quentes e eu também terei de o fazer, o estômago é que manda.
Verdade seja dita que até prefiro!
Estas condições de água, trazem vantagens e desvantagens... Por um lado vejo melhor os tais emaranhados e outras coisas estranhas largadas para o fundo por uns peixes grandes que andam lá por cima e fazem um barulho que me dá cabo dos ouvidos, embora por vezes mandem comida cá para baixo, duvidosa, mas necessária. Por outro lado, os peixitos de que gosto também me vêem melhor e escapam-se com mais facilidade obrigando-me a canseiras desagradáveis.
Por vezes junto-me a uns camaradas, fazemos um cerco e é comer até não poder mais! No entanto, arranjar tais companheiros nem sempre é fácil.
Momentos há em que são os amigos Golfinhos que fazem o trabalho de cerco e nós alimentamo-nos por baixo, pena não ser coisa certa, aqueles Golfinhos nadam rápido estando hoje por aqui e amanhã não se sabe onde. Vida de predador não é fácil!
Há uns tempos atrás, íamos ali à terra e não havia grandes acidentes, mas agora, aparece por lá um daqueles peixes de superfície... Daqueles que fazem barulho e, sempre que aí aparece, vá de cair comida cá para baixo. Os "gaiatos" juntam-se no fundo por baixo dele em tanta quantidade que não consigo resistir a tentar tramá-los!
Primeiro ando por ali às voltas, com ar desinteressado, para que comam o que vem de cima à vontade, habituando-se à minha presença, são às centenas, de todos os tamanhos e, de vez em quando, lá vejo um ou outro subir por ali acima a estrebuchar, desaparecendo em seguida, talvez comido pelo peixe grande lá da superfície que na altura já costuma estar caladinho. O gajo não é parvo de todo!
Enquanto monto a minha estratégia vou-me cansando, a fome apertando e luto comigo mesmo para não atacar à parva o que nem sempre acontece... Um peixe não é de ferro e a comida não sendo fácil, é muita.
A comida parada ou mais lenta anda por lá e se eu quiser é toda minha, é só atirar-me a ela que os pequenos fogem a sete pés, mas então, são aqueles bocados de Cavala, Lula, Camarão... Aqueles que nunca se sabe se fazem mal aos dentes ou nos deixam com coisas feias penduradas. Raios partam isto! Não se pode comer descansado.
Ainda outro dia, estava eu nesta azáfama de tentar filar umas Cavalas gordas que andavam por ali distraídas a comer à grande mas, conforme me aproximava, as fulanas piravam-se! Dei voltas e mais voltas até que, não me aguentando mais, atirei-me a elas forte e feio!
Era Cavala para a esquerda, Cavala para a direita, Cavala para cima e para baixo quando, de repente, me apareceu à frente um bocado de Sardinha tão lindo e apetitoso que nem me deixou pensar... Comi-o de uma assentada, arrependendo-me logo que me voltei... Lá estava com aquilo espetado na boca, querendo nadar e sem poder mexer-me à vontade! Que chatice! Um peixe batido como eu, não sabia já que aquilo podia ser armadilha do peixe grande? Tinha de lutar com ele e escapar, sob pena das fêmeas desesperarem aguardando a chegada do garanhão habitual...
Fuji o que pode mas aquilo travava-me e pior que tudo, estava a consumir as minhas forças ajudado por uma aguagem que também estava contra mim. Isto está feio! Pensei!
Queria recuperar as forças e cada vez que o fazia algo me puxava em direcção ao peixe grande, já o via, a ele e a um outro, mais pequeno, parecendo estar às suas costas, com uma cabeça grande e com o que me pareceu ser uma antena gigante de lagosta pairando por ali. Esquisito!?
O medo deu-me forças e utilizei tudo o que sabia para me libertar o que aconteceu sem que o esperasse, embora tenha gasto quase a totalidade das minhas energias; de tal maneira que tive de pairar um pouco, nadando de lado e permitindo ganhar o fôlego necessário para me afastar daquilo.
Não tinha ficado com nada espetado ou pendurado... Senti-me vencedor e orgulhoso de mim, acabando por deitar um olhar malandro ao peixe grande que continuava no mesmo lugar, como se nada se tivesse passado. O mesmo não se pode dizer do peixe mais pequeno, com cabeça grande, às suas costas; este estava com uma cabeça ainda maior e já não tinha a tal antena gigante de lagosta. Será que a partiu? Quero lá saber... O que sei é que as fêmeas me podem aguardar sem receios! Tenho é de comer primeiro que a fome aumentou!

Não pesquei no fim de semana! Passei-o bem, lá pelo Torrão com o pessoal do Porto de Abrigo! Foi delicioso!
Agora chego aqui, vejo pessoal à procura de escrita e eu sem nada para dar... Não desisti e comecei a tentar pensar como um peixe. Talvez aquele último que me fugiu, quem sabe?
Uma boa noite a todos os leitores.