terça-feira, 30 de outubro de 2007

Pesca à "Zagaia" - Amostras e funcionamento geral - 07/06/2007

Muito trabalho, pouca pesca e alguma manutenção extraordinária do barco, têm-me arredado aqui deste outro vício! Com algum sofrimento, é verdade, mas a vida é o que é, não nos permitindo, por vezes, dar atenção ao que mais gostamos!

Mas cá estou eu, neste feriado em casa, a tentar cumprir com o prometido no que respeita a este tipo de pesca, falando alto sobre o que já vi, li, experimentei e continuo a experimentar nesta área da pesca lúdica embarcada. Ao pretendermos iniciar-nos neste tipo de pesca teremos que ter em conta um conjunto de variáveis enorme que condicionará o tipo de material a adquirir e muitos dos conceitos que anteriormente desenvolvemos enquanto pescadores de fundo em embarcação fundeada! Assim vejamos:

  • Deixamos de apresentar ao peixe, comida verdadeira cujo formato, cheiro e apresentação, só por si, constituem pontos de interesse suficientes para o ataque esperado. Com o mesmo objectivo, o ataque! Apresentamos-lhe algo que através de côr, reflexos e movimentos imprimidos, supostamente surtirá o efeito pretendido.
  • O barco já não vai estar fundeado, mas sim, à deriva sobre os locais pretendidos, implicando, o conhecimento sobre estes e o tipo de leituras de fundo que percentualmente possam ser mais favoráveis, assim como, o controlo sobre a velocidade da deriva imposta pelas correntes e ventos dum determinado dia.
  • Será da nossa inteira responsabilidade a escolha de materiais (canas, carretos, amostras, decorações, montagens...,); tendo em conta os formatos, cores e pesos das amostras; as profundidades em que estamos a pescar; o estado do tempo e do mar; e, os movimentos que queremos imprimir, por acharmos serem estes os mais adequados ao desenvolvimento daquele ataque brutal que pretendemos!

As considerações apresentadas indicam que tudo se baseia no movimento imprimido às amostras que pretenderá, o mais perto possível dos pretensos "interessados", simular fugas ou dificuldades duma também "pretensa" presa, tentando assim, criar condições de interesse para o ataque do predador mais próximo.

O movimento:

Os peixes, atendendo ao ambiente hiperbárico em que se movimentam e para o qual estão perfeitamente adaptados, movimentam-se normalmente em velocidades regulares, mais lentas ou mais rápidas dependendo da espécie, só alterando a regularidade destas velocidades ou os comportamentos; para comer, fugir, procriar ou, caso estejam feridos ou doentes; tendo a procura deste movimento regular, quer de presas quer de predadores, objectivos relacionados com a economia de energia.

No caso dos predadores, na sua constante procura de comida, a relação entre o gasto energético e as calorias conseguidas é uma lei inalterável, indicando que uma presa que fuja e pare de forma constante e irregular ou que evidencie comportamentos desiquilibrados e fora do normal, alternados com os anteriores, despertará com facilidade o interesse de qualquer predador, atendendo a que se apresentará como uma presa fácil, cumprindo assim os requisitos para o ataque que se pretende, caso a desconfiança não se instale por alguma razão que desconhecemos.

Estes acontecimentos podem dar-se em toda a coluna de água, em qualquer profundidade, dependendo da existência de actividade que pode ser verificada pela sonda ou por sinais à superfície. No primeiro caso, a sonda mostrará, de preferência, bolas de comedia espalhada por baixo, acima do fundo e eventualmente com uns pontinhos vermelhos no meio e à volta dela; no segundo caso os sinais serão peixe a fugir à superfície, bandos de aves sobre estes, não sendo raro os golfinhos estarem a comer em cima e pargos a comer por baixo, mesmo em profundidades relativamente importantes.

Assim, chegados ao local, verificado o interesse deste, devido aos sinais fornecidos, há que determinar o sentido da deriva, dirigir a embarcação no sentido contrário e para um ponto para além daquele onde detectámos a comedia, onde largaremos as amostras procurando a profundidade adequada e começando a imprimir-lhes os movimentos necessários:

  • O movimento de fuga poderá ser feito através do enrolamento mais ou menos rápido e irregular da linha ou, pela elevação ampla duma cana de 3,00 ou mais metros.
  • Os movimentos de desiquilíbrio, poderão ser feitos por enrolamentos curtos com a cana elevada, seguidos pelo baixar e elevar irregular da mesma ou de outras formas que cada pescador poderá testar, até movimentando a amostra à superfície e vendo o comportamento desta.
  • Poderão ainda ser feitos movimentos de cana e carreto que englobem os dois anteriores.

Deverão ser feitas várias passagens em cada local com um tipo de amostra, e, outras tantas variando as amostras, sendo vantajoso que existam vários pescadores a pescar com amostras e técnicas diferentes, o que permitirá, após uma captura, perceber qual o tipo de amostra e técnica, talvez mais produtivas, reagindo os restantes pescadores em consonância. O local só deverá deixar de ser explorado, quando os sinais se desvanecerem ou a paciência não aguentar!

As amostras:

Quem pretender dedicar-se a esta pesca, deverá ter em conta, ao adquirir amostras, que:

  • Não pode, não deve e não vai conseguir comprar ou usar tudo o que o mercado lhe oferece! Mesmo que vá muitas vezes ao mar!
  • O movimento é imprimido pelo pescador, logo, mesmo uma amostra que não tenha um grande comportamento, essa característica poderá ser contrabalançada pelos movimentos que o pescador lhe imprima!
  • Cada amostra poderá ser decorada (artilhada) de várias formas, para além do seu formato inicial!
  • Qualquer amostra em qualquer dia, poderá resultar mesmo quando já a pusémos de parte!
  • É conveniente ter algumas amostras de cores e formatos variados, tendo o cuidado de levar para o mar duas de cada tipo, para o caso de perder uma que está a resultar!
  • Os anteriores pontos não pretendem ser limitação à aquisição de novos materiais já testados com bons resultados, mas, a amostra perfeita, não me parece que exista e as variáveis são tantas que devemos testar bem o que já temos antes de embarcar em toda a publicidade que nos é fornecida!

A foto desta entrada, aliás já apresentada na primeira que fiz sobre este tema, reune um conjunto de amostras que eu já vi ferrarem peixe ao meu lado! Daí poder confiar plenamente nas mesmas!

Este conjunto apresenta cores formatos e consequentes capacidades de movimentação que aliadas às decorações que se podem diversificar, formam um grupo equilibrado, considerando as regras a cumprir relativamente às utilizações das cores tendo em conta as cores e luminosidades do mar e do ar em determinado dia.

Segundo a maioria dos entendidos, as regras, de forma um pouco simplista, são:

  • Água clara e dia claro, amostras claras! Água escura dia escuro, amostras escuras!
  • Imitações de alguns peixes (cavala, sardinha...,), tendencialmente funcionam bem!
  • Caso as regras anteriores não funcionem, as amostras contrastantes com as cores da água do mar e do ar, são por vezes as que funcionam!

É evidente que as coisas nunca são assim tão simples! Ou serão?

O que é certo é que as cinco amostras que vos apresento, todas apanharam peixe ao longo de um dia, do qual eu contarei a história, lá mais para a frente, porque não me vou esquecer dele nunca mais, por razões que compreenderão.

Claro que se estivermos vários pescadores com amostras diferentes e com montagens como aquela do "Pargo do meu contentamento", as hipóteses de encontrar a amostra e/ou montagem certa, para a hora e dia em que estivermos, aumentam significativamente.

Relativamente a este tema, eventualmente intervalando com alguma pescaria que por aí apareça, penso colocar três entradas, sendo elas por esta ordem:

  • Pesca à Zagaia - Canas, Linhas e Carretos - onde serão justificadas várias opções.
  • Pesca à Zagaia - As decorações nas amostras - funções e materiais.
  • Pesca à Zagaia - Uma história para rir ou talvez não!

A noite já vai entrada e vou terminar por hoje!

Um abraço a todos os leitores.


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