sábado, 28 de fevereiro de 2009

O depósito que rompeu e a "rapidinha" de Sexta!

Apetecia-me iniciar este relato com: "era uma vez um depósito de combustível roto..." Mas não!
Prefiro iniciar orientando-os para a foto de abertura que, infelizmente, não saíu tão boa quanto gostaria. Se bem que, a riqueza de fundo evidenciada poderá talvez desculpar os descuidos do fotógrafo!? Adiante!
No passado fim de semana, no final da pesca com os meus amigos Nuno, Ricardo e Daniel; apercebi-me, ao fazer as verificações do costume após lavagem de barco, que tinha uma fuga de gasóleo vinda do depósito.
Não era coisa preocupante! Mas fugas de gasóleo ou de outros fluídos acomodados em depósitos, como sabemos, tendem a aumentar, principalmente quando sujeitos a trepidações ou movimentos bruscos como é o caso.
Este acontecimento fez com que tomasse a decisão de resolver o assunto o mais rápido possível, colocando-me em campo, primeiro falando com amigos que percebem do assunto, depois procurando depósitos plásticos para acomodar o gasóleo que lá tinha e bomba para efectuar a respectiva retirada de modo a poder desmontar o depósito para seguir para reparação. Tudo isto ficou combinado para hoje, Sábado, sendo que, a pesca ficou à partida sem hipóteses! Pensava eu na altura!
À medida que a semana decorria, as habituais visitas ao WindGuru, deixavam-me "traumatizado"! Logo agora... Sem vento, com mar calmo, com peixe por lá em fim de tarde, é que isto me ia acontecer. Não desarmei!
Lembrava-me que a fuga era pequena, só "babava"! Sabia que o peixe não andava longe, logo, não teria de navegar muito. Então, estava à espera de quê? Porque não aproveitar o fim de tarde de Sexta e ir dar uma "rapidinha"? De pesca... Claro!
No Sábado tinha que desmontar aquilo e encher-me de cheiro de gasóleo... Não se perdia nada, quanto muito podia ganhar-se!? E Bumba... Se bem o pensei melhor o fiz!
Quando tomei a decisão, o telemóvel ferveu na procura de Caranguejo e Sardinha que após conseguidos, já tarde na Quinta Feira, deixaram que me sentisse aliviado, assim ainda pescava. Não sei bem porquê, as últimas pescas deixaram-me a sensação que algo estava para acontecer. Peixe de qualidade com capturas sucessivas ao fim de tarde, muitas vezes pode ser indicador de que os grandes não andam longe e, quanto mais se for, mais hipóteses de dar com eles!
Estava num frenesim! Aulas da manhã, carregar a agenda com tudo o que esta tarde me obrigará a fazer nas noites da semana que vem, trabalhos a efectuar antes de arrancar para Sines apanhando o Caranguejo no caminho, ir direito ao Zé Beicinho carregar a Sardinha, tratar de todos os pormenores para sair para a pesca... Antes das três e meia da tarde não estou a pescar!
Acalmei e deixei rolar o tempo, pensando que é por estas e por outras que ele passa tão depressa! Não valia a pena correr tanto, era só mais uma tarde de pesca! Seria?
Cheguei ao restaurante do Zé, eram duas da tarde e, para minha surpresa, ele que raramente abandona o estabelecimento, diz-me: "também vou"! Boa... Pensei! Com companhia ainda se faz melhor!
Fui buscar o meu enxalavar ao qual, por cortesia do meu amigo Fernando, tinha sido mudada a rede para malha enquadrada na nova Portaria, não fosse capturar algum peixe com menos de 16 mm. Cumprimos as rotinas e andámos para o mar que se apresentava estanhado e sem vaga, com uma pequena aragem de Oeste/Noroeste, ideal para aproar o barco. Já estávamos como queríamos!
Navegámos pouco! Direi mesmo muito pouco!
Assim que abri a sonda, dei com aquela imagem da abertura e não resisti a uma foto tirada à pressa! Fundeei, apercebendo-me da existência de aguagem a Norte e comecei a imaginar os predadores sentindo os cheiros das nossas iscas e as vibrações decorrentes do frenesim dos pequenos enquanto se deleitassem com elas. Pensei para comigo que só faltava começarem a roubar iscas assim que estas chegassem ao fundo... Então e não é que começaram! Ai, ai, ai!!!
O Mar cheirava a peixe! Os anzóis vinham limpos! Os toques tinham uma agressividade conhecida e os resultados começaram a aparecer!
O Zé tira uma Sargueta boa! Eu tiro uma Dourada para aí de 800 grs e os Sargos, do tamanho ou maiores que o meu pé, como o que se segue, começaram a entrar.

Continuámos com sargos por aqui e por ali... Entravam certinhos mas cada vez em espaços maiores, dando ideia de que algo os fazia temer!
As iscas aguentavam mais tempo, embora viessem roubadas, com a Sardinha a marcar presença obrigatória, embora entremeada com o Caranguejo que já me tinha dado a Dourada, iscado no anzol de cima!
Resolvi variar e isquei Sardinha em cima e um Caranguejo "enorme", partido ao meio, no anzol de baixo.
Deixei a pesca chegar ao fundo, levantei a cana para tirar o seio provocado pela aguagem e enrolei até deixar a linha ficar naquela posição de, nem lassa nem esticada!
Vieram os primeiros toques! Não reagi, pensando que a Sardinha já tinha ido, deixa ver o que fazem com o Caranguejo?
Aguardei! Senti um toque miúdo e aguentei-me! Senti um ligeiro puxar insistente para baixo e resolvi levantar a cana à bruta! Não falhou! Era mesmo o que parecia!
A cana ficou toda dobrada, querendo ainda dobrar mais por efeito do "bicho" que estava do outro lado. Não o conseguia tirar do fundo! Tentou primeiro libertar-se por ali, mas tudo o que tinha contra ele não deixava! Tentou fugir para longe e levou linha com ele! Uma... Duas... Três vezes!
Tudo funcionava! A embraigem, as montagens... Ele foi-se cansando e eu também! Começou a fraquejar e eu recuperei! Levou linha outra vez, numa última tentativa de escapar ao tacho, mas os dados estavam lançados e acabou por ser estreada a rede nova do enxalavar, com mais de 16mm de malha, no Pargo Dourado que vos apresento na imagem que se segue! Lindo Não é?
Não o pesei na altura, nem depois, já com o rabo cortado como manda a lei. Também, o peso deste não conta para nada! É exemplar! Por enquanto!?
Deixo à Vossa imaginação os cálculos de balança! Para mim fico com a luta que deu!
A pesca continuou e como era de esperar, durante algum tempo, só os "gaiatos" comiam a isca, parecendo qua a luta com o grande deixou alguns receios lá pelas profundezas.
Não tardou muito para que os Sargos recomeçassem a entrar! Um daqui... Outro dali!
De repente, vejo o Zé todo atarefado com outro peixe à séria. A cana batia com sacões contínuos e pesados, mais indicadores de Dourada do que de Pargo! Agarro no enxalavar, o tal com a rede nova, por causa da lei e coiso... E vou apoiá-lo, enquanto se concentra na captura do animal, não tardando a colocar, a rede nova, por baixo da Dourada apresentada a seguir pelo meu amigo.

É assim a pesca! Dias há que andamos por lá horas a penar sem capturar exemplares de nota, mas estas duas horas e tal... Foram assim!
O Pargo, a Dourada do Zé e mais outra, aquela de que falei no início; também uns dez Sargos de quilo! Pedir mais o quê? Nada!!!
A claridade já se ia, os toques começavam a fraquejar e a hora de voltar estava iminente. Não precisávamos de mais peixe, estávamos de peito inchado, mas sabem como é... Estes são os dias que gostamos de prolongar, mais que não seja para olhar insistentemente as capturas e relembrar cada pormenor passado! Mas tudo acaba e, desde que seja em bem, outros dias virão com vitórias, derrotas, sortes, azares... Mas sempre com pesca! Deixá-los vir!
Com tudo isto, ainda estou em estado de graça! Quero lá saber dos trabalhos que hoje passei a tirar o gasóleo do depósito, mais os parafusos que sempre teimam em resistir às chaves manuseadas por mãos escorregadias, mais carregar tudo às costas, combustível... Depósito... Mangueiras... Bomba... Enfim, depois dum banho reconfortante e do almoço com amigos lá no Zé, ainda passei pela Feira de Pesca de Grândola, revi gente conhecida, alguns materiais e vim para casa onde, após estar com a família, não resisti a vir até aqui e desatar a contar à "malta" os últimos acontecimentos. Acho que é de pescador!!!
Boa noite, bom Domingo e uma boa semana de trabalho para todos vós!

21 comentários:

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Mas que grande "rapidinha", espectáculo de peixe.Parabéns.

Eles, mais cedo ou mais tarde tinham de aparecer, estavam reunidas as condições, e tu estava lá.

Abraço
Paulo karva

Anónimo disse...

Parabéns Ernesto!

Com rapidinhas dessas nem nós, os alentejanos, queremos as nossas...
E ainsa por cima perto?? Fantástico. Só mesmo o Ernesto para os apanhar assim e ainda vir partilhar connosco. Obrigado

Anónimo disse...

Boas

boa pescaria, eu tambem quero um peixe desses,lololol

abraço
Marco

Anónimo disse...

Ah grande Ernesto!
Tudo em Grande! o Título, o Relato e a Captura... o resto da "sargalhada pra cima de quilo" e a "douradeca" nem contam... hehehe
Um abraço

João Martins

PS: a foto do "pequeno" merecia encher o cabeçalho do blogue!
Até aparecer um irmão ou outro familiar mais velho... o que não parece ser difícil para si...

bruno disse...

ora viva tou a ver que foi em cheio essa rapidinha, Parabens.

desses ainda nao senti os dentes mas ha de chegar o dia, agora venham mais dias assim de bom peixe e bom convivio.

Abraços
Bruno

Pedro disse...

Caro Ernesto Lima,
parabéns por mais um escrito "daqueles especiais".....
A forma como faz o relato prende-nos como se tratasse de um filme baseado num livro da Agatha Christie.
Felicito-o sinceramente pelo belíssimo pargo mas acima de tudo pela forma emotiva como comparte com os seus leitores as suas saídas de sonho.
Obrigado
Pedro Carvalho

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

A todos gratos pelos comentários!

Estas "rapidinhas" trazem acima o entusiasmo de qualquer um...
Espero que me desculpem alguma exuberância e, eventualmente, dar a ideia que não ligo aos Sargos ou Douradas daquele tamanho.

A verdade, é que, o objecto da minha procura são, de facto, aqueles exemplares maiores e por vezes pode acontecer dar a ideia que só esses me contentam... Não é verdade.

Verdade também que, quando se luta com estes bichos maiores, as outras lutas mais pequenas perdem algum significado, mas nunca a nobreza de cada uma delas ou a continua tentativa de adivinhar o que lá vem e o que possa significar em termos do que possa vir a seguir.

Bom mesmo, é pescar e falar com todos vós!

Abraço!

Ernesto

Anónimo disse...

Viva Ernesto!

Parabéns pela Pescaria e por mais um belíssimo troféu!
Ele há dias assim, em que tudo se conjuga e se faz uma grande pescaria!

Ainda nunca apanhei nenhum desses pargos dourados, mas vou continuar a insistir lá mares de Sines. Talvez seja contemplado um dia com essa alegria!

Com este seu relato fiquei em pulgas para voltar a pescar!!!

Um abraço

Rui Viegas

Ricardo disse...

Boas Ernesto,

Mais uma vez a provar a máxima de que quem procura sempre alcança!

Mas que peixes maravilhosos, lindos!

Espero que tudo se resolva rapidamente com o problema do depósito.

E sim, foi mesmo de pescador!!!

Grande Abraço!

Ricardo Silva

Anónimo disse...

Agora que já não era preciso...Apareceu o "BARRASCO" da Xácara!

Finalmente estás de bem com os Deuses e o inguiço está quebrado. A partir de agora; Cuidem-se!

A persistência tem os seus frutos...

Grande abraço!

Mário Baptista

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

Ao Ricardo:

Sem dúvida, em terra, não se apanha peixe daquele, nem de outros! Lol

Ao Mário:

Aquele, se fosse porco, pelo porte, sem dúvida que seria "Barrasco"! Lol

Quanto ao que vem a seguir... Alguém deve saber eu não! Lol

Abraço!

Ernesto

Daniel Pedro Silva disse...

Os Meus Parabens Aqui Ficam.

É de facto LINDO!!!
Concordo tambem com a abertura, a imagem da sonda é quase tão linda como o Pargo.

Realmente só para quem lá vai e tem a bagagem nesse nivel

Um Abraço

PS: Ainda se gasta Muita cebola para fazer a cama no forno a esse bicho.... eu tenho cá uma saca em casa... :D

Ernesto Lima disse...

Viva Daniel!

Pois é... Não há cebola que chegue!

Quanto à bagagem de que falas, talvez com alguma leitura, uma dica ou outra e alguma crença, seja mais fácil do que parece. Lol

Abraço

Ernesto

Anónimo disse...

Será do meu pc? Não consigo fazer zoom ás fotos , cliko mas não abrem mais do que já está.Gostava de ver as baichadas que voc~e mostra mas as fots são muito pequenas.

obrigado pelos ensinamentos

Raul Silva

Ernesto Lima disse...

Viva Raul!

Grato pelo comentário e seja Bem Vindo aqui ao "recreio".

Não é do seu PC! Não sei porquê, estas saíram assim... Pura e simplesmente não permitem zoom!

As baixadas, são as que já descrevi várias vezes por aí, mas posso especificar.

Fio Madre e estralhos: Escamma fluorcarbono 0,40, pode usar o Asso 100% ou o 7even... Se não são iguais, andam por lá e são mais baratos que outras marcas que sendo boas, têm o pequeno defeito de serem carotas, na minha opinião claro!

Comprimento da madre +/- 1,50 mts

Comprimento dos estralhos: 60 cm o de cima e 80 cm o de baixo (só uso 2) e às vezes troco, colocando o de cima mais comprido.

Anzóis: Hayabusa Pró Value, n.º 18

Distância da chumbada à inserção do estralho de baixo: +/- 25 cm

Ligação dos estralhos à madre: Destorcedores de barril acoplados

Ligação à chumbada: destorcedor de alfinete, castanho, normal.

Nós de ligação aos estralhos e à linha que vem do carreto: Clinch knot, com duas passagens iniciais em lugar de uma.

Não sei se dá para perceber?

Alguma dúvida, disponha!

Abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Raul... Outra vez!

Impõe-se uma rectificação, por necessidade de "chamar os bois pelos nomes", Lol.

Os destorcedores que refiro como "de barril, acoplados", deverão ser entendidos por "combinados, tipo Crane"!

Chamaram-me a atenção para este pormenor e não custa nada deixar os nomes correctos!

Bom dia!

Anónimo disse...

Ok!!!
Amigo, Ernesto percebido e entendido ;), aos Pargos pesca com Zagaia ou isca viva?
Com a zagaia não tem de vez enquando um desgosto de ela ficar presa no fundo? E com a isca viva pesca no fundo ou a + ou - 2 braças do fundo?

PS= Temos de aprender com quem sabe, obrigado

abraço

Raul Silva

Ernesto Lima disse...

Viva Raul!

As pescas que faço, também estão descritas por aí mas... Cá vai!

Aos Pargos, pesco com isca morta encostada ao fundo e com isca viva a 1 ou 2 braças do fundo, dependendo da vaga... Se for alta pesco mais alto que se for baixa, quer para evitar enrocamentos, quer devido a evitar que a isca ande no meio de areias levantadas no fundo, o que poderá acontecer com mais mar e aguagens fortes.

Também pesco com zagaia e, por vezes, ficam lá uma ou mais... É um preço que se paga!

Para tentar evitar perdê-las, há que ter atenção, em levantá-las rapidamente, assim que tocam o fundo, quando pescamos encostados a ele.

Também ter algum cuidado, controlando os tipos de fundo pela imagem de sonda.

Verdade... Verdade! è que não se consegue evitar completamente, pode-se é tentar diminuir as hipóteses, principalmente a trabalhar amostras junto ao fundo, daí, comprar sempre que possível, zagaias aos pares, para no caso de perder uma que está a resultar, não ficar "descalço"!

Abraço!

Anónimo disse...

Muito obrigado pelo seu esclarecimento das minhas duvidas.

Boas pescarias é o que lhe desejo

Raul Silva

bruno mendes disse...

viva, hora bem esta na hora de começar a pensar em por uma bandeirinha no ultimo porto a sul (a mim )em falta, por nada melhor que pedir ai uns contactos 5******, para em Abril fazer uma pescaria por ai.A malta do Zuca tambem quer ir, alguns pelo menos.
Vamos ver se damos com eles eheheheh os peixes claro que eu nao sou esquesito e como nao pesco ao tempo ja nem sei destinguir um piça de uma safia, quanto mais um parguinho.eheheh

Ernesto Lima disse...

Viva Bruno!

Relativamente à Vossa solicitação, eu, até final de Maio, devido a actividades profissionais, não vou conseguir ter controlo sobre quando é que posso ir pescar. Logo não será fácil ter certezas quanto a combinações.

Mas tenho solução para a Vossa vinda!

Façam uma coisa! Mandem-me um comentário com o Vosso mail, eu não o publico e contacto-vos nesse sentido!

Abraço

Ernesto