terça-feira, 18 de novembro de 2008

O que é bom, é bom! O que é mau, fica para outros dias!

A imagem que introduz esta entrada, parece-me reveladora de tudo o que não esperava!


A vida traz-nos bons e maus momentos, muitas vezes inesperados, quer uns quer outros!


Quanto aos maus, já estamos habituados! Aos bons nem tanto!


Por tal, posso dizer que este passado fim de semana fui abençoado!


As perspectivas de muito trabalho e acompanhamento da neta, com todo o gosto; ao que se seguiria mais uma semana de trabalho sem pesca pelo meio, por força de circunstâncias favoráveis; viraram 180º.


Acelerei, gastei a Sexta Feira em trabalho árduo, no apoio à família, atirando um ou outro olhar nostálgico pela janela, olhando o bom tempo que se manifestava num Sol radiante e na ausência de vento, pensando, não muito convencido, que outros dias melhores viriam. Até que, a conjugação de trabalho a correr bem, a libertação circunstancial de algumas tarefas e o olhar atento da minha família, abriram-me de repente os horizontes, fazendo com que fosse a tempo de arranjar isca e, pelas 12.00 horas de Sábado estivesse ao volante, em direcção a Sines, com perspectiva de pescar na tarde de Sábado e no Domingo.


Aos pormenores quero poupá-los! Saí para o mar e tirei a foto que abre a entrada, a qual olho como imagem de alegria, libertação e bom rumo!


Procurei um pesqueiro, onde fundear o barco, não muito longe, não complicado! Queria colocar o meu trio de canas a pescar o mais rápido possível, atendendo ao tempo de luz que me sobrava deste dia soalheiro!


Fundeei ao fim de duas tentativas, devido à variação da velocidade do vento e duma pequena aguagem que se orientava a Norte, com uma velocidade certinha, contrastando com a do vento.


A cana de isca viva, levou com caranguejo mexido, a de isca morta a pescar no caneiro, levou com Sardinhas quase inteiras e na cana de mão comecei com iscadas como a que abaixo apresento.


O peixe roubava em toques pouco perceptíveis, não permitindo ter certezas quanto aos peixes que por lá andavam!


Não subiam Cavalas, Bogas ou outros peixes que dessem sinal! Os toques não eram aqueles tipo "tremideira" típicos de peixe muito miúdo, eram mais do tipo puxa devagar e por vezes mais intenso, mas curto, lembrando os Sargos e as Douradas no auge da "malandrice" conhecida, o que, atendendo ao pesqueiro onde me encontrava, fazia todo o sentido.


Insisti! Estive para mudar de pesqueiro, mas algo me dizia que era uma questão de tempo! Não me enganei!


Já por volta das quatro da tarde, entrou-me este Sargo!


Não via a minha cara, mas agora penso que deveria estar com um sorriso malandro, pelo sinal que se apresentava e pelo gozo do raciocínio correcto. Sentia-se que algo iria acontecer.

Entraram Douradas! Primeiro pequenas! Devolvi-as, embora estivessem acima da medida legal.


Tinha decidido que não levava para terra, nada inferior ao tamanho do meu pé!


Mantive as iscadas de Sardinha na cana de mão, substituí as iscas comidas das outras canas e variei com caranguejo, iscado como mostro abaixo:


Tiro-lhes o casco, corto-os ao meio e deixando-lhes as patas só de um dos lados, coloco a metade sem patas com o miolo para o lado do anzol e a parte com elas, da mesma forma, com as ditas a cair para baixo. Já resultou, muitas vezes, com grandes e não tão grandes.


Repeti as iscadas várias vezes; anzol de baixo com Caranguejo, Sardinha no anzol de cima e vice versa, sendo que a Sardinha desaparecia e o Caranguejo vinha limpo de carne, inteiro e sem ser amassado. Mau sinal, pensei! As Douradas não estão interessadas nele!


Para meu espanto, tiro duas Douradas quileiras, ambas na Sardinha, em detrimento do Caranguejo apetitoso que lhes tinha preparado.


Vá-se lá perceber!? Será que a fome é tanta que optaram por mais calorias de cada vez? Se calhar é isso e as "fulanas" acham que: Caranguejo "não puxa carroças".


Deixei de lado o Caranguejo e, atendendo, ao Sol vermelho que já se queria esconder na linha do horizonte, insisti com a Sardinha, em postas grandes e suculentas, sempre na cana de mão, já que nas outras nada resultava e algum maiorzito poderia sentir-se interessado por tanta fartura.


A coisa acabou por se dar! Não foi um daqueles... Mas deu para lembrar!


Três toques seguidos, levantar de cana, afundanço de ponteira e luta a lembrar maiores, eis senão quando me sai o bicho, abaixo feito estrela, com 2, 850 kgs!

Fiquei satisfeito!


Nada esperava! Tudo se desenrolou na linha das circunstâncias momentâneas, das observações atentas e reacções a condizer!


Ainda insisti, já com pouca luz, e entrou mais um com 1,700kgs que não mereceu o estrelato, por não o procurar! Saíu-me, pronto!

Voltei ao porto, guardando na mente estes momentos, para deles me lembrar nos dias cinzentos que sempre aparecem.


Tratei das arrumações, fui-me ao banho e ao jantar, seguidos de conversa com este e com aquele, por aqui e por ali, deitando-me a pensar no que me traria o dia seguinte, sem fazer planos, abandonando-me ao sabor do tempo.


Levantei-me com o Sol alto, comi e andei para o mar e para a pesca, tentando sempre os maiores, mas não os encontrando!


Valeram as Douradas que já por lá andam!


Apanhei oito, de quilo, e outras tantas que devolvi, porque não tinham o tamanho do meu pé; e, mais três parguitos do mesmo tamanho!


Olhei para as horas, eram 15.30 e achei que já chegava! Ainda queria amanhar o peixe, estar com a família e não correr neste Domingo que agora antecedia uma Segunda Feira radiosa.


Boa noite a todos os leitores.

6 comentários:

Daniel Rodrigues disse...

Boa Pescaria e Mais um bom relato.

É impressionante, a capacidade de relatar as suas pescas, sem ser repetitivo...Parabéns!

Para o Próximo fim-de-semana, lá nos encontramos pelo nosso porto!!

Um grande Abraço.

Ps: tenho andado entretido com um Blog e até já tenho uma entrada!lol

Pargomania.blogspot.com

Daniel Rodrigues

bruno mendes disse...

eheheeh elas andam a dar um da sua graça, por aqui em sesimbra ainda nao :( la vai saindo uma ou outra mas nada de relevo e os pargos esses sim ainda pairam por la, tirei mais um esta semana mas pequeno.É assim na pesca quem manda sao eles e seus apetites, nos so temos de acertar na isca e seja o que deus quiser.
Gostei do promenor das iscadas :)
Mais um bom relato como sempre, um abraço e continuaçao de boas capturas.

Anónimo disse...

Cá estou eu, Ernesto, esta semana um pouco atrasado
Grande sábado, grande relato e... lá estão as iscadas
O que eu gostava de ter lá estado!
Há pormenores de escrita e técnicos brilhantes nalguns parágrafos
Percebi hoje que a componente emocional também entra nos seus escritos
Basta comparar esta página com a antecedente, de 10.Novembro
A iscada de caranguejo está bem descrita mas é preciso ler com atenção, tinha ganho com 2 ou 3 fotos mais, focando os passos intermédios
A forma de gerir os seus tamanhos mínimos é mesmo à Ernesto, é caso para dizer que "tem a régua sempre ao pé"
Um outro pormenor, a chumbada vermelha que julgo ser "Made in Doctor"
Não quer explicá-la já que contrasta com a enorme simplicidade das suas montagens?

Estou a precisar de fazer uma saída consigo, para o ajudar nas fotos...

Um grande abraço

João Martins
.

Daniel Pedro Silva disse...

Começo a ganhar o "vicio" de comentar frases neste blog

As eleitas da semana são:
"Não via a minha cara, mas agora penso que deveria estar com um sorriso malandro"

e esta ultima que tão bem a entendo
"antecedia uma Segunda Feira radiosa"

A minha segunda feira não foi nada assim por isso mesmo.... o casco não tocou na agua...

Que assim ou melhor continue a acontecer com o Ernesto.

Abraço

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Este fim de semana já te deu umas boas alegrias, confessa lá. ;-)
Elas ainda andam com vergonha.

Parabéns pela pescaria.

Abraço
Paulo karva

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

Desculpem a resposta atrasada, mas o tempo tem sido curto!

Sobre as demandas do João Martins, vou tentar ser o mais claro possível numa próxima entrada, em que a paz de espírito, deixe o meu cérebro correr à vontade, sem pensar nos Secretários de Estado A e B e respectiva chefe de banda!

Deêm-me um espacito que a coisa funciona!

Promessa de Ernesto!

Entretanto, se quiserem podemos falar, dia 29, na mostra de pesca do PD-PT, sem prejuízo do que por aqui escreva.

Um abraço sentido a todos vós!

Ernesto Lima