quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quatro dias de férias... À solta!

Estas têm sido umas férias atribuladas!

O trabalho entrou pelo tempo de sossego; a família, agora aumentada pela neta, precisou de apoio; e, o barco, como se não bastasse, também necessitou de cuidados diferenciados. Tudo isto acabando por limitar o tempo útil de pesca assim como o cuidado na escrita agora dividida entre este espaço e o Porto de Abrigo.

Não se aprende! Quanto mais coisas temos para nos ocupar o tempo... Mais arranjamos! Haja saúde!

Entre toda esta azáfama, a determinada altura, apareceram os momentos de sorte... De repente, fui libertado durante quatro dias para me dedicar exclusivamente à pesca, ao barco e a Sines! Nem queria acreditar... Mas a verdade é que aconteceu e esta cabecinha, agora dedicada à escrita, entrou em perfeito estado de graça!

Os dias de liberdade começavam na noite de 17 para 18 de Agosto depois de uma reunião do Comando do Porto de Abrigo e acabavam a 21, antecedendo as férias com a família que gozo neste momento entre dias de Sol, pesca, passeio, leitura e escrita.

Comentarão alguns leitores... Epá! Mas isso são tudo férias! Ao que responderei: é verdade! Mas a grande diferença é que, naqueles quatro dias que referi, fiz o que me deu na real gana, nas horas em que muito bem entendi e sem quaisquer interferências de terceiros. Não sei se dá para entender!?

Bom... Vamos então ao que interessa!

Terça Feira, dia 18, fui para o mar eram 12.00 horas, depois de um sono reparador da reunião do site que acabou às 00.45, seguida de viagem para Sines e conversa com o João Martins até às 4.00 da madrugada... Não somos doidos! Unicamente tinhamos o tempo todo do mundo por conta e fartámo-nos de "pescar"!
É claro que à hora a que fui para o mar, não podia pensar em pesqueiros longínquos, pelo que me fiquei ali pelos 20 metros de água e vá de fazer pesqueiro... Só levei Sardinha, não me quis dar a mais trabalhos... o que viesse, ou era bom ou não valia a pena a canseira.

Sondei a zona, a água estava tapada e, assim que lancei as primeiras iscadas, os toques corresponderam aos sinais mostrados pela sonda e às condições de água apresentadas. Vai entrar alguma coisa! Pensei para comigo com o entusiasmo natural de quem sente que tudo se conjuga para que tal aconteça.

O peixe comia que nem desalmado; as Choupas e Sarguetas pequenas entravam e saíam do barco à mesma velocidade que se tinham de repôr iscas, tal a voracidade com que a "gente miúda" despedaçava qualquer formato de Sardinha que lá caísse. A antecipação de uma captura importante ganhava forma na minha mente de pescador e a coisa deu-se!

Não tinha passado uma hora desde o momento em que colocara as primeiras iscas no fundo, quando um pequeno afundanço seguido de ferragem alta, precedeu uma fuga, em direcção a Porto Côvo, travada pela embraigem do Cabo 60.

O peixe não era nenhum monstro (3,530 kgs) mas, devido à baixa profundidade, lutou duro colocando à prova materiais e pescador, acabando por cair no enxalavar para ser fotografado ao lado daquele Robalo (1,200 kgs), tornando-se ambos estrelas da foto de abertura de mais esta entrada que vos ofereço.

O Robalo entrou uma meia hora depois, tempo durante o qual os toques, os roubos, as Sarguetas e as Choupas, mantiveram comportamento idêntico ao que precedeu as capturas, mantendo-se estas condições ao longo da tarde, sem outros casos de nota, salvo o Sargo (1,200 kgs) que se apresenta na foto abaixo, último exemplar já em tempo de pesqueiro a denotar irregularidade de toques, precedendo a completa ausência destes e o retorno alegre ao porto, onde me aguardava o João Martins para testemunhar a pesca e antecipando já a imperial fresquinha lá no Zé Beicinho, o jantar... Tanta coisa boa que me esperava!

A pescaria para o dia seguinte já estava combinada!

O João Martins lá se decidiu a experimentar uma pesca embarcada. Prepararam-se materiais, iscas, montagens... Combinaram-se as horas, 9.00, cedíssimo! Direi mesmo... Quase de madrugada.
O primeiro pesqueiro testasdo, mostrou-se com bons sinais mas pouco produtivo, mal grado o tempo que lá gastámos. Saímos para outro que nem sequer deu um ar da sua graça no que se refere aos sinais que procurávamos... Aqueles, dados pelos pequenos ladrões!
O vento dava sinais de querer entrar fresco e decidimos fazer uma última tentativa num pesqueiro mais fundo, não muito longe do caminho para a calma do porto de Sines. Nesta altura tinhamos dois Parguitos a bordo, daqueles que não merecem foto.
Eu estava em pulgas para ver o meu amigo João estrear-se e a coisa tardava...
Chegámos ao pesqueiro e nem tivemos tempo de testar os sinais... Passados alguns minutos, desde a descida das pescas, eis que acontecem duas ferragens quase simultâneas, a minha com um peixe que lutou no início e se tornou num peso rebocável; este Requeime que se mostra na imagem seguinte...

... E, o João com a sua estreia espectacular... O Pargo de 2 kgs que mostra com ar feliz, opositor numa luta inesperada e dura para um iniciado nestas lides da embarcada, a que correspondeu com o saber de outras lutas, talvez travadas nos areais de que tanto gosta. Bonito de se ver!

Este pesqueiro apresentou-se bem e a regularidade de capturas em tempo útil de acção de pesca, não enganava.

Procurámos outros maiores, mas até à passagem do vento de moderado a fresco, só conseguimos mais uns cinco Parguitos. Os tais que, tendo tamanho para alimentar dois "mamíferos", não conseguem encher as fotos de que gostamos.

Ficávamos agora com um "problema"... Tinhamos de jantar; e, aquele Requeime olhava par nós, ria-se e dizia-nos: eu faço uma bela massa... Eu faço uma bela massa... Tinhamos de fazer a vontade ao Requeime!

Então, telefonámos ao Zé Beicinho que, prontamente, nos fez ouvir o som dos violinos ao dizer: Tragam isso! É para já!

Os sorrisos abertos despontaram mostrando os nossos dentes a brilhar por causa da água que já corria entre eles.

A massa estava uma delícia, a conversa prolongou-se e o cacau do Náutico terminou um dia excepcional, já entrado no seguinte, onde a pesca seria supostamente interrompida. Mas não foi! já vão ver porquê...

O terceiro destes dias, em que me deixaram à solta, começou com o pequeno almoço onde me encontrei com o Zé Beicinho que estava com ar infeliz antecedendo mais um dia fechado e cheio de trabalho no restaurante. Vendo-o com aquela tristeza, típica de quem precisa de férias ou de uma qualquer mudança de rotina, disse-lhe: Oh Zé... Então tu não consegues, ali entre as 3.00 e as 7.00 da tarde, fazer uma paragem? Vamos, num saltinho, ver se apanhamos uns peixes... Olha que tudo indica que anda "material" aqui por perto e eu trato de tudo, só tens de arranjar Sardinha para iscar.

O Zé parou... Pensou... E retorquiu: fica combinado! Telefono-te depois de almoço e, se tudo correr bem, vamos a eles!

Voltei ao Porto, dei uma volta por ali, falei com este e com aquele, preparei as canas, montagens, o barco e... O telefonema chegou! O Zé já vinha a caminho com lanche e Sardinha. accionei o motor e andámos direitos ao último pesqueiro do dia anterior. Havia que aproveitar pois o tempo era limitado... às sete da tarde o Zé tinha de estar no restaurante, pronto para os clientes do jantar.

Procurei pouco, sondei o necessário e fundeei, cheio de fé!

As capturas não se fizeram esperar, com peixe a dar sinal e iscas a desaparecer.

Primeiro o Zé e depois eu, começámos a dar neles, pequenos de início e maiores a entrar de vez em quando. Já tinhamos uns 7 ou 8 Parguitos a rondar o quilo, sendo que um ou outro o superava significativamente e, vá de trabalhar para o grande.

A Sardinha desaparecia a uma velocidade impressionante, resolvendo eu iscar uma posta no anzol de cima e uma grande iscada de Cavala no anzol de baixo, esperando que não fosse esta última consumida tão depressa.

Lancei as iscas, chegaram ao fundo e estiquei a linha, deixando-a quase no limite da tensão com alguma folga, pouca. Durante um momento nada aconteceu, elevei a pesca devagar sentindo o peso da isca intocada e tornei a baixá-la lentamente, esperando que nenhuma boga, Cavala ou Choupa se atirasse à isca enquanto esta estava alta. Percebi logo a seguir que isso seria difícil, pois um pequeno afundanço contínuo seguido da ferragem alta que arrisquei, iniciaram uma luta feroz entre mim e o Pargo maior do dia que fugiu para Norte, em direcção da pequena aguagem que se fazia sentir, levando mais linha que a habitual num Pargo do seu tamanho... Aquele que abaixo se mostra, pesando 4 kgs de musculos e gordura, mostrando-se lustroso e arredondado e que afinal escolheu a posta de Sardinha do anzol de cima. Lindo!

Eram seis da tarde e continuámos a tentar maiores que não apareceram, mas a pesca tinha corrido bem, o Zé já tinha outra cara e dois Pargos pequenos fizeram as nossas delícias, cozidos com todos, num jantar tardio, posterior aos dos outros comensais e onde a conversa sobre o mais importante do dia ocupou longos momentos, entremeada com o pão molhado no azeite, vinagre e caldo da gordura do peixe. Existem outros momentos, melhores... Piores... Mas estes, já estão do lado de cá! Venham mais!

No momento em que vos escrevo, as férias estão prestes a terminar, aguardam-nos as pescas dos fins de semana possíveis, quer pelas condições de mar e vento quer pelas imposições da vida profissional. Aguardemos!

Até lá... Uma boa tarde a todos os leitores.

16 comentários:

Anónimo disse...

Viva Ernesto
Grandes dias, os pargos já nem sabiam onde se esconder!
Mais que tudo, fico feliz por ver "A Minha(Sua) Pesca" refrescada com mais uma bela página! Já não era sem tempo...
Sobre o meu protagonismo em bons momentos destes dias à solta, já tive oportunidade de escrever no Porto de Abrigo como foi a minha primeira vez na embarcada. Inesquecível, como todas as primeiras vezes que acontecem numa vida! Fica na memória!
Só me resta agradecer-lhe a sua teimosia em desafiar-me e o muito que me ensinou nas longas conversas que temos tido e sobretudo a vê-lo pescar
E que dizer da apreciação séria e sugestões posteriores que fez ao meu "trabalho" nesse dia?
O meu obrigado também por isso... tanta coisa que sei que precisaria de aprender se me quisesse dedicar com sucesso à pesca embarcada
Quanto aos vermelhos que continua a apanhar são mais que merecidos, sabe procurá-los e trabalhá-los e os resultados têm de aparecer
Até um próximo cacau...

João Martins
.

FISGOPEIXE disse...

as férias estão a acabar, mas pelos vistos correu tudo bem e sempre com excelentes capturas..parabéns

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Que ricas férias, 4 dias só de pesca e bem acompanhado com grandes pescarias, que mais se pode crer. Sabes me dizer se o jovem que aparece aí na foto com um Pargo na mão, ficou suficientemente viciado para deixar as areias? LOL

Abraço
Paulo karva

amorim disse...

Boas Ernesto

Que saudades que eu já tinha de ler uma entrada neste bloguezão...

... ninguem melhor do que o João Martins para definir o magnífico companheiro que tu és, sempre pronto a partilhar conhecimentos e experíências que tens desenvolvido com muita perseverança e trabalho.

Abraço

Amorim

Anónimo disse...

É sempre um prazer ler as aventuras do Ernesto em Sines.
Temperadas com saber, companheirismo e amizade.
Destaca-se a partilha.
Obrigado pelo seu diário de bordo.

LusoOne

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

A todos vós agradeço os comentários e apresento as minhas sinceras desculpas por só agora responder.

Ao Paulo Karva, tenho a dizer que o homem não vai largar a areia... Nem pensar!

Mas que se ajeita com a embarcada, não há dúvida nenhuma!

Vamos ver se consigo não interromper tanto a escrita por aqui...

Abraço a todos.

marco disse...

Viva Sr. Ernesto,
Eu sou o Santana um "puto" com 33 anos, o "smanitos" do pescadesportiva-pt.net, pesco no Tejo.
Tenho notado a sua ausência no forúm, mas em contrapartida costumo aceder ao seu blog e é com bastante gosto que leio a sua escrita, deveras interessante não só pela qualidade dos seus textos como também pela emoção e entusiasmo que provocam!
Adoro a pesca embarcada, tenho um pequeno barco de 5 mt (Caher 500)e até ver é que se pode arranjar, um dia quando a vida permitir gostaria de ter um com guarda-patrão, aí a brincadeira torna-se outra.
E é justamente por isso e só a titulo de curiosidade que gostaria saber que tipo de barco é que o sr. tem,e qual a motorização?
Caso não ache oportuno respoder através do seu blog poderá enviar um mail para smanitos@gmail.com

Muito obrigado e boas marés.

Atentamente
Santana

Ernesto Lima disse...

Viva Santana!

Grato pelo comentário!

Respondi-lhe por mail, atendendo a que quando se colocam links aqui nos comentários do blog, estes não dão acesso directo às páginas, obrigando a copiar e a ir ao google outra vez e...

Tenho duas entradas no blog que falam do barco: Uma sobre equipamentos e métodos, lá para o início, feita por solicitação de um comentador, referindo as principais características/equipamentos; à qual pode aceder pelo link que se segue:

http://aminhapesca.blogspot.com/2007/10/algo-sobre-equipamentos-e-mtodos.html

Tenho outra mais mais recente que se refere à manutenção, com fotos do barco e do casco, onde também poderá aceder pelo link seguinte:

http://aminhapesca.blogspot.com/2009/04/manutencao-de-barco-tambem-faz-parte.html

Caso tenha interesse em dicas relacionadas com características de barcos, consumos, etc., no sentido de futura aquisição, se aceder ao site: www.portodeabrigo.com, pode consultar um artigo meu que lá se encontra, clicando em "Artigos", depois em "Náutica de Recreio" e, finalmente nó título "Barcos: o nosso meio de locomoção".
Mais informo que não tem de se inscrever no site ou no fórum para poder consultar o referido artigo.

Ao dispôr

Ernesto

Joao Neto disse...

Olá, Ernesto

Tenho 35 anos e sou pescador desde que me lembro!...

Já passei pela pesca de competição no rio, mas há já alguns anos que me dedico exclusivamente ao mar, ao surfcasting, ao robalo com amostras e sempre que posso a uma saida ou outra de barco.

Como moro em Portalegre, já pode imaginar o sofrimento das temporadas de "sequeiro", o que me leva a "navegar" em águas virtuais em busca de videos e histórias de pesca que me façam atenuar este impulso que nós sabemos...

Foi nessas deambulações que me deparei com o seu blog e gostava de lhe dizer que a sua maneira de descrever as situações de pesca, a sua postura em relação a esta paixão e a forma de partilhar os conhecimentos que vai adquirindo são notáveis.

Já o "sigo" há algum tempo e chego a sentir falta dos seus artigos quando estão atrasados!

Espero que mantenha esta partilha de experiências por muito mais tempo e pode contar com este seguidor que semanalmente vai consultando a sua página, a ver se foi desta que saiu o pargalhão que persegue!

Abraço

João Neto

Ernesto Lima disse...

Viva João Neto!

Grato pelo comentário!

Sinto que as suas palavras acusam, de algum modo, a alteração na regularidade da escrita que ultimamente se tem verificado... Eu sei! A coisa alterou e eu também não me sinto bem com isso.
Não tem a ver com desistência ou pouca vontade de escrever, antes com obrigações profissionais que me têm limitado o tempo.

No entanto, esteja certo que não deixarei de renovar este espaço e que sou eu que mais sofro por não escrever tudo o que quero, quando me apetece...

Tenho duas entradas para sair, uma sai esta semana e a outra logo que possa.

Espero continuar a alimentar os tempos livres e calmos aí por Portalegre. Lol

Obrigado pela força!

Abraço

Ernesto

cardoso disse...

Caro Ernesto
Sou pescador de águas doces e como hoje fui convidado para uma pescaria ao pargo,logo aceite.
Como de pesca de barco nunca pratiquei so os comentários que ouvia
os quais nao me chegavam tive a feliz ideia de consultar os blogues dos mestres, por sorte logo o 1º o do sr. e qual vou seguir.
Desde já o meu obrigado pelas dicas que me vao deixar espero bem visto.
Mais uma vez obrigado
CARDOSO de Queluz

Ernesto Lima disse...

Viva Cardoso!

Seja Bem vindo ao local e grato pelo comentário!

Espero que o que para aqui tenho escrito lhe sirva nessa pescaria e que tudo corra bem!

Como mais uma dica: tenha em conta a persistência e o seu comportamento em acção de pesca... Não pare! Se pesca às Carpas à francesa, sabe como é... O ritmo e o acreditar no que faz podem valer muito. Principalmente se estiver muito peixe miúdo a comer bem.

Abraço

Ernesto

cardoso disse...

Viva amigo
Estou empolgado com o que se vai passar, mas como todos os outros sao mais novos, esta a ver vai valer um jantar o qual penso ganhar.
Calma tenho eu pois a pesca tem ensinado
Obrigado pela força
Cardoso

Ernesto Lima disse...

Viva Cardoso!

Que tudo corra pelo melhor e que pape o jantar à borla, são os meus sinceros desejos!

Abraço

Ernesto

artigos para pesca disse...

adorei seu blog - parabens

Ernesto Lima disse...

Viva Artigos para Pesca!

Grato pelo comentário

Ernesto