segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pesca... Bastante! Capturas... Nem por isso! "Baterias"... Carregadas!

Até que enfim!

Um fim de semana de bom tempo, direi mesmo... Muito bom tempo!

Sol, algum calorzinho, malgrado o frio da noite, embora nos deixe uma certa sensação de limpeza, num mundo cada vez mais sujo, não só por tudo o que deitamos para a atmosfera para assegurarmos supostos conceitos de qualidade de vida, mas também pelas mentes tortuosas que povoam ministérios, governos, países... Contribuíndo para o mal estar geral!

Desabafos que me saem, não sei bem porquê!? Talvez por ter passado dois dias no "céu" e ter voltado.

Mas é dos dias no "céu" que vos quero falar! O resto não interessa... Pelo menos para já!

A chegada a Sines, na Sexta à hora de jantar, depois de mais uma reunião intercalar; o jantar com amigos, a conversa de tudo e de nada, importante pela sua falta de importância, cheia de significado pela suposta insignificância das conversas simples que não têm objectivos para além da convivência e bem estar entre pessoas a quem lhes apetece unicamente conversar.

À degustação de comida e de momentos seguiu-se a ida para o barco, agora para lidar com verificações, abertura do mastro de fundo que alimenta a refrigeração do motor e... Anzóis, canas, linhas, carretos, montagens, iscas, cartas... Tanta coisa a solicitar concentrações específicas sobre o dia seguinte e, o corpo a pedir a posição horizontal depois dum dia comprido.

Não são muitos os momentos assim! Bom será que se disfrutem, minuto a minuto, passo a passo, quando as circuntâncias o permitem! Pessoalmente, não perdi pitada ou, pelo menos, acho que não!?

Acordei com o Sol alto, saí cá para fora deixando que o calor do Astro Rei, batendo por ali de chapa logo pela manhã, me aquecesse os miolos fazendo-os funcionar e, lentamente, permitir-me pensar na calma reinante e nos passos seguintes, sem obrigações, relógio ou pruridos quanto à hora de iniciar a pesca.

Muitas outras sensações poderão ser tão boas e concerteza muito melhores, mas, nestes momentos, não pensamos nelas!

Poupando a lentidão de processos, certo é que saí a boca do Porto de Recreio por volta das 11.00 horas, iniciando-se por essa altura o turbilhão de pensamentos que levariam à tomada de decisões sobre para onde ir em busca dos grandes.

Nada faltava para os capturar, só o pesqueiro inicial... Escolha difícil, depois de tanto tempo sem que o mar permitisse que lhe chegássemos perto e, em simultâneo, ocultando-nos as mudanças no seu seio, operadas por tanta vaga e tanto vendaval.

Pensei primeiro! Vou para Norte e pesco ali junto ao Cabo de Sines, por fora, procurando iscas vivas, fundos a condizer e labutando nas correntes que se formam entre pontões altos, mesmo pensando nós que não estão lá!

Depois pensei! Vou antes para Sul e para fora, mas para onde?

Lembrei-me então de um pesqueiro... Um daqueles que procurei e testei sem nunca lá tornar.

Lembro-me que lá capturei um único Pargo, para aí com um quilo e meio, nada mais tendo entrado, num dia em que nem Sardinha levava. É isso! Vou lá!

Não tinha o pesqueiro bem marcado, mas sabia a localização aproximada pelas referências de fundo oferecidas pela carta.

Cheguei ao local e iniciei a sondagem que, ao fim de algum tempo, não muito, me revelou o local e me apresentou sinais suficientes para me decidir a fundear nos 76 metros indicados pela sonda.

A acção desenrolou-se! Sardinha para baixo, Sardinha para cima, durante quase uma meia hora, sem que o peixe desse sinais de interesse por tal isca!? Ataquei com Lula e Caranguejo a ver no que dava. As iscas foram desaparecendo através de toques tremidos... Miúdos... Cada vez mais intensos e contínuos, deixando perceber que o frenesim aumentava lá em baixo e que alguns frutos daí poderiam advir.

Experimentei outra vez a Sardinha e desapareceu em segundos, revelando talvez, ser verdade que estando magra é necessário "motor de arranque" para que o peixe pegue nela. Algo que já por aqui referi em entradas anteriores e que mais uma vez evidencia uma suposta veracidade! Certo é que, nunca mais parou... Iscas para baixo, anzóis nús para cima, deixando o pescador expectante, sabendo que em algum momento de toda aquela azáfama, algo "de nota" poderia acontecer!?

Então, uma pequena prisão seguida de uma tensão mais forte e um peso que teimava em não lutar contra a cana e as maniveladas de carreto que o subiam! O que é? O que não é? Pensei com os meus botões! Na volta, um daqueles peixes que preferimos não apanhar!?

Nada disso! Fui presenteado por outro tipo de habitante do fundo, aquele pedaço de espécie de coral, amarelo, lindo e carregado de informação que se vê na foto de entrada, indicando a riqueza do habitat em que pescava, quer pelo próprio quer pelo pedaço de raiz envolvido de pequenas algas, conjunto ideal para depósitos de comedias, muitas vezes início de uma qualquer cadeia alimentar.

Os sinais estavam lá todos, mas o que procurava tardava em aparecer, não por muito tempo!

Para aí duas ou três descidas das montagens após a "captura" do pedaço de fundo, eis que sinto aqueles três toques característicos com aumento de intensidade e o primeiro Pargo de quilo entrou com luta já conhecida!

O entusiasmo renovou-se, a azáfama continuou e, não tinham passado quinze minutos, entra outro da mesma estirpe, embora um tudo nada maior! Tiro foto, não tiro foto? Não! Guardo-me para coisa mais importante... Pensei!

Mas o tempo passava, as iscas desapareciam e a "coisa maior" não entrava! Choupa daqui, Choupa dali, o fim do dia ia chegando e nada mais acontecia para além dos peixes miúdos que iam ficando nos anzóis 4/0 e que encontravam o caminho de volta assim que o aço lhes era tirado com todo o cuidado.

O Sol caía, já perto da linha do horizonte, indicando a proximidade da hora de volta ao porto, a linha era subida, mais uma vez, talvez com restos de isca, quando, o característico ataque de uma cavala a meia água, interrompeu a monotonia das subidas e descidas sem resultados, alimentando-me a vontade de iscá-la e tentar mais uns lances.

Filetei-a em troços finos e compridos que encheram o anzol de baixo, deixando-o cair em direcção ao fundo, esperançado na captura do exemplar do dia, embora sem grande convicção.

Chegou! Recolhi a linha que estava a mais, deixando o resto no limite entre tensão e lassidão permitidas pela vaga calma e não muito alta, começando a sentir alguns dos toques já conhecidos e que não previam nada de bom. De repente deixei de os sentir! Já??? Terão roubado a cavala tão rápido?

Pensei em levantar a pesca para sentir se ainda tinha isca, mas entretanto questionei-me... Então e se lá está algum grande de volta? Se levanto a pesca, assusto-o e vai-se embora! Vou arriscar!

Aguardei com todos os sentidos alerta e senti primeiro um pequeno toque, diferente, depois um pequeno afundar que se confundiu com a passagem da vaga, seguido de um toque um pouco mais forte, sem ser violento, que me fez elevar a cana de 3,60 mts, num movimento seco, forte e alto, sentindo de imediato aquela prisão e sucessivos afundanços típicos de peixes de maior envergadura.

Não queria acreditar! O peixe não era um daqueles grandes, mas já lutava! A luta, imagine-se, quanto mais durava mais se parecia com aquela da Dourada!

Então e não é que era mesmo!

Aqui está ela na foto abaixo, pesando mais tarde 1,800 kgs!

Não é nada que por aqui não se tenha visto, mas é o resultado de insistência e de gosto por estar no mar, tentando continuamente ler o que por lá se passa!
Isquei Cavala outra vez, na esperança da repetição que não raras vezes acontece, mas, nada mais se passou! A pesca estava terminada, o porto esperava por mim, assim como os trabalhos de limpeza do barco, as conversas à chegada, o banho, o jantar e mais conversas sobre o mar, a pesca, os erros, os sucessos... Tanta coisa ainda para gozar até ao ínfimo pormenor.
Quando vou o fim de semana inteiro, o Sábado é espectacular! Tem acordar no barco, pequeno almoço descansado, pesca, volta da pesca, conversa a perceito, jantar, mais conversa, os preparativos para mais a jornada do dia seguinte com o saber do dia anterior, mais um sono descansado... Magnífico!
Lá fomos no Domingo, eu, o Zé Beicinho e o Zeca, todos a matar saudades de pesca em conjunto!
O dia correu bem, embora o peixe que procurávamos continuasse a falhar, malgrado as tentativas, as mudanças de pesqueiro, as apostas em mais ou menos tempo de espera... Mas sempre se capturaram uns quanto Parguitos, uma Bica pequena e as Choupas Azuis que estão por todo o lado. Também apanhámos o almoço e mais um dia espectacular, embora sem história de realce.
Não fora a Abrótea de quilo que se interessou no pedaço de Sardinha que lhe ofereci, os outros exemplares, para além do seu significado numa mesa farta, não me inspiram para outras escritas!
Cá está ela! A tal Abrótea.


Chegou o fim do dia! Hora de arrumar e voltar a casa, disfrutar com a família os acontecimentos dos dias passados fora e iniciar preparativos para a semana de trabalho que se avizinhava, mas agora com melhores cores, dadas pelo Sol, pelo Mar e pelos bons momentos disfrutados!

Não duram muito as tais cores, mas são lindas enquanto duram!

As ideias para a próxima ida já começam a fervilhar! Até lá... Boa noite a todos os leitores!

9 comentários:

Anónimo disse...

Pois...deixaste-me com água na boca!Este sol desperta a vontade de partilhar uma destas tuas idas!
Belo relato, como é habitual!
Grande abraço Mestre!

Nuno Paulino

Anónimo disse...

Confesso que estava farto de vir aqui e dar de caras com as "sucessoras" e os consequentes azedumes de espirito que provocam, esta entrada foi uma lufada de ar puro e fresco que nos invade a alma e põe-nos lá longe onde o mar é azul e o vozerio dos homens tontos não nos fere os ouvidos.

Embora sem peixe de "relevo"( ainda um dia me vais dizer onde é o teu caixote do lixo...)foi um fim de semana daqueles que nos enchem o peito e nos preparam para as manhas do dia-a-dia, por mim fiquei-me por fazer "sKu" na Serra da Estrela com os meninos...Enfim cada um tem o que mereçe, ou não....

Grande abraço

Mário Baptista

Bruno Mendes disse...

ora viva e aseja bem vindo este new look :) aquelas sucessoras deixam nos deprimidos e com pena de viver neste país.
Mas falando daquilo que nos move aos fins de semana a pesca.
É sempre bom ver uns peixinhos, sejam eles medianos ou grandes entao para mim que nao vou ao mar desde Dezembro ui ui. Mas esta para breve a estreia espero que seja bem recheada lolol .
A ver se entro no activo para ir ai a Sines experimentar esse mar.
um abraço

Anónimo disse...

Viva
Até que enfim, já temos de volta o Ernesto a sério!
Mais uns "peixitos" para variar...
Despertou-me a curiosidade o coral "carregado de informação" (excelente imagem!)
Nessa zona o fundo é colorido como a "captura" deixa imaginar ou foi um acaso?
Já fez mergulhos aí?
Um abraço

João Martins

João Rosa disse...

Como não podia deixar de ser o relato do meu amigo revela na integra o sentir da natureza mar espaço envolvente e o complemento dos nossos amigos peixinhos que algumas vezes resolvem não colaborar. Tenho um amigo, que costuma frasear " se os pescadores apanhassem sempre peixe eram os mais ricos do mundo".Não foi o caso, no sábado cá pelos Algarves o peixe também não colaborou, ao que dizem os entendidos quando está vento leste não picam.
Um abraço
Joao Rosa

Vitor disse...

Não sei se és escritor mas se não és podias muito bem ser porque ofereces uma leitura tão agradável que me faz parecer que também lá estive e que vivi esses momentos. Espectacular.
Descobri o teu blog recentemente. Vou passar a visitá-lo periodicamente.
Bem haja

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

A todos vós, grato pelos sempre agradáveis comentários e as minhas desculpas por só agora vos responder.

Ao Nuno e ao Mário:

Um dia destes temos de pescar e patuscar! Lol

Ao Bruno Mendes:

Grato pelo elogio ao novo look, mas... Há para ali qualquer coisa que ainda não está à minha vontade... Lol

Ao João Martins:

Bem... O Ernesto a sério é coisa que normalmente acontece, daí, de vez em quando, apanharem com coisas menos agradáveis de ler. Lol

Quanto ao coral, nunca lá mergulhei! É muito fundo para mim e para as minhas capacidades de mergulho. Mas, informação, tento recolhê-la de tudo o que sobe, observando... Quanto à "captura" foi um mero acaso.

Ao João Rosa:

Viva João!

Isso do vento Leste, não acredito muito... Mas pode ser verdade!

Mas verdade... Verdade, é que o peixe vive lá no mar e com vento de qualquer quadrante, ele tem de fazer tudo aquilo que necessita. Nós é que não sabemos bem quando, como e onde o faz! Isso é que torna esta nossa actividade uma maravilha.

Ao Vitor:

Viva Vitor! Bem Vindo ao espaço!

Quanto a ser escritor... A verdade é que não me sinto como tal! Acho que escrevo porque gosto, sobre um tema de vida que adoro, fazendo um esforço de relacionamento com quem quer que me oiça.

De qualquer modo, é sempre bom agradar a quem me lê e sabê-lo!

Abraço a todos!

Ernesto

Paulo karva disse...

Viva Ernesto
De volta o pescador, o mestre o escritor, bem hajas homem, que já foste ao mar.

Mais a Norte, neste fim de semana, também matei o vicio de mar, deu bem para carregar baterias.

O mestre Caparica foi para a neve? viva o luxo. O tempo começa a estar bom. LOL

Abraço
Paulo karva

Ernesto Lima disse...

Viva Paulo!

Sejas Bem Vindo!

Olha lá... Pescador já chegava! Lol

Ainda bem que foste e também tu as carregaste... às baterias!

Um dia destes tens de vir carregá-las a Sines.

Grato pelo comentário!

Abraço!