terça-feira, 2 de junho de 2009

Calma, nevoeiro e... Sinais

A procura daquele que me fugiu no fim de semana que corresponde à entrada anterior tornou-se o objectivo deste que passou, com início no Sábado, já que na Sexta só consegui chegar a Sines com a noite como companheira.
O descanso que necessitava, fez-me acordar tarde e ir para o mar aí pelas nove e meia... Um quarto para o meio dia, direitinho ao pesqueiro, onde se protagonizou a tal fuga, que se apresentava com uma leitura de sonda fraca à qual corresponderam sinais da mesma qualidade que não melhoraram com o tempo que lá passei a tentar, embora tenha capturado um Parguito e uma Sargueta.
Mudei de pesqueiro uma e outra vez, batendo uma área conhecida dos primórdios em que iniciei a minha pesca lá por aquelas bandas, tendo capturado mais dois Parguitos em pesqueiros diferentes, sempre com os mesmos sinais quer de sonda quer de toques dados pelos peixes. Decididamente... A coisa não estava a funcionar!
A tarde já ia longa, os peixes eram poucos e a decisão de ir embora ou tentar outro pesqueiro pairou no ar, ganhando a segunda opção.
Onde vou... Onde não vou? Já sei! Vou àquele pesqueiro ali de fora que não tendo até agora provado grande coisa em fins de tarde, talvez me surpreenda ou dê sinais que me façam tornar amanhã em hora mais adequada.
A leitura de sonda apresentada à chegada, não era nada de especial mas, devido ao adiantado da hora, era ali ou o porto, pelo que fundeei e atirei-me à pesca que se iniciou com pequenos toques, passando ao desaparecimento da isca do anzol de baixo, mais tarde do anzol de cima, mais tarde dos dois e, finalmente, com a captura de dois Parguitos maiores que vieram quase de seguida, seguindo-se um completo deserto de toques e a volta ao porto com a meia dúzia de peixes que consegui capturar.
O dia tinha estado um luxo de condições para a pesca, o descanso da noite anterior tinha-me reparado algumas funções vitais, o jantar estava assegurado e, muito importante, tinha mais uma noite de descanso e um dia de pesca pela frente, já com a ideia feita de voltar a este último pesqueiro em hora mais matutina considerando que se em hora tão tardia ainda tinha capturado dois "artistas", vindo um pouco mais cedo fazer o pesqueiro, talvez este se mostrasse mais produtivo, pensei, lembrando-me dos bichos com 2, 3 e 5 kg que já lá tinha capturado em horas de meio do dia e em idêntica época do ano. Os dados estavam lançados e o estômago já não me dava tréguas exigindo trabalhos de fim de pesca, banho, jantar e a incontornável conversa entre amigos sobre os acontecimentos do dia.
O Domingo acordou soalheiro e com uma aragem de Sul que em minutos fez cair um nevoeiro cerrado que nos cercou assim que saímos do porto, mantendo-se quase todo o dia mais ou menos fechado e fazendo com que eu e o Tavares nos sentíssemos únicos pescadores naquele mar imenso com horizontes insondáveis como se pode ver na imagem de abertura onde cana e carreto deixam sair a linha transportadora de provocações supostamente apetitosas, já com o barco fundeado no pesqueiro eleito na tarde do dia anterior.
Não me enganei e a história foi diferente!
A Sardinha começou a ser devorada à velocidade do som, os peixes pareciam loucos e a previsão de boas capturas tornou-se efectiva em pouco tempo.
Os Pargos mais pequenos começaram a entrar a intervalos curtos, primeiro para o Tavares depois para mim. À medida que entravam e aumentava o seu tamanho, as capturas iam ficando mais espaçadas deixando-nos pensar que algo maior podia por lá andar, mas se andaram não se interessaram pelas iscas que lhes propusemos.
Alguns "sustos" apanhámos em primeiros toques, como aquele em que ferrei a abrótea da foto abaixo.
Também o início da luta, em seguida, travada pelo Tavares que se revelou não ser nada do que parecia, atendendo ao afundanço de ponteira e ao resultado final...

... O Parguito da foto abaixo, mais "barulhento" que pesado, vindo a revelar-se um dos maiores do dia.

Tudo isto, já para não falar da primeira investida de qualquer das "raparigas dentudas" que se apresentam na caixa por razões óbvias e que, após o primeiro arranque enganador, se revelam de imediato como peso rebocável cujo mau feitio se manifesta no poço do barco sob a forma de voltas e mais voltas com distribuição de dentada a tudo em que tocam. Verdade se diga que os petiscos que originam acabam por merecer o trabalho que dão.

A pesca foi-se compondo, sem a presença de exemplares de nota mas com peixe de qualidade, saldando-se em 14 Parguitos à volta do tamanho do que o Tavares nos mostra , a Abrótea, as Moreias e uns quantos Carapaus que não resitiram aos encantos da Sardinha, da Cavala e da Lula que utilizámos como isca.

A jornada correu com actividade continuada e calma, tão calma que até o visitante, fotografado em cima da bóia do cabo, se deu ao luxo de poisar em cima da minha cana, da cana do Tavares e quase por todo o lado do barco, sendo esta a única foto conseguida. Uma pena... Eu a tirar um Parguito e o passarito poisado na cana como que dizendo: "se estivesses a tirar alguma coisa de jeito, eu não conseguia poisar aqui".

A azáfama acabou cedo, quer pela ausência de toques quer por ser Domingo, dia de tornar mais cedo a casa. Eram três e meia da tarde e já estávamos em terra o que nos permitiu tratar de todas as lavagens e arrumos, seguindo-se um lanche que antecedeu a volta ao lar... Doce lar.





Concluindo sobre o dia, pode dizer-se que o pesqueiro correspondeu ao que pensava dele, quer pelos sinais do dia anterior quer pela maior percentagem de vezes em que, com raras excepções, foi produtivo até às 15/16 horas.

A companhia era boa, a pesca foi razoável, os petiscos assegurados e aqueles grandes, bem... Esses ficam para outro dia.

7 comentários:

Bruno disse...

Olha olha uns parguitos o tempo que eu nao vejo um desses, verdade seja dita tambem nao pude ir ao mar com pena minha.
Estou a ver que ja arranjou motivaçao para andar mais uns tempos atras daquele menino "mais um " que fugiu, isso é bom é sinal que o mar ainda tem surpresas para nos.
A ver se consigo ir agora nesta semana dos feriados a ver se nao perco o jeito.
Sines, Azenha, Milfontes, Setubal,Sesimbra um desses portos ha de servir de porto.
Desejos de continuçao de umas boas capturas e que aquele famigerado de a costa.
Abraços

Anónimo disse...

Ernesto,
Uma pesca quase "sem sal" para si, mas uma óptima pesca para o comum dos mortais e sem dúvida um dia de pesca fantástico. O nevoeiro ajuda a "isolar" o dia e dá uma sensação de isolamento muito bos. Pelo menos, valeu pelo dia e pela força ganha para mais uma semana de trabalho. Parabéns

Daniel Rodrigues disse...

Boas amigo Ernesto.

até que enfim que tenho tempo pa dar aqui um pulinho. lol

Boa Pesca!

Temos de combinar a nossa pescaria.

Agora para a próxima semana temos os dois feriados.

Se quiser alinhar numa pescaria em algum desses dias... mais o amigo Zé beicinho ou no meu barco ou no seu. É só combinar da forma que lhe der mais jeito!

Um grande abraço.


Daniel Rodrigues

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

Ao Bruno:

Motivação nunca falta, às vezes falta é saber para dar com os maiorzitos! Lol

Ao companheiro Anônimo:

Pois... Isto da escrita sem sal tem a mais ver com o dia em que se escreve do que com a pesca.
O dia é que estava sonso, a pesca até foi boazita! Lol

Ao Daniel:

Viva companheiro! Temos de facto que fazer essa pesca, não sei é quando, isto agora está preto de trabalho e não domino o meu tempo. Daí que se vejo uma aberta arranco para Sines, quanto a combinações prévias e com alguma antecedência, não está fácil! Vamos ver o que se arranja!

Quanto às tuas ausências... És sempre bem vindo, com ou sem elas!

Grande abraço!

Ernesto

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Pesca razoável? Está bem está, com a escassez que anda por aí isso foi um luxo.

Humm, essas meninas vem mesmo a calhar para uma á Grega. LOL

Abraço

Paulo karva

Ernesto Lima disse...

Viva Companheiro Paulo!

Grato pelo comentário!

Que exagero! Lololol

Abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Miguel!

Sem querer recusei o seu comentário em vez de o publicar!

Pelo facto apresento as minhas desculpas.

Eram bons tempos esses... Sem dúvida!

É assim! As coisas mudam e nem sempre como gostaríamos.

Abraço

Ernesto