segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Breve história de... Uma grande ausência!

Era uma vez...

Epá! Acho que nunca tinha estado tanto tempo sem escrever por aqui... Mas, a verdade é que as razões que a tal levaram são mais que justificadas.

Tudo começou numa aula de Educação Física, no dia 2, Sexta Feira do corrente mês.

Estão lembrados que, para além destas facetas de "escrevinhador" e pescador de horas vagas, sou professor dessa disciplina... Para além disso, sou daqueles que, não olhando à idade, ainda insisto em mexer-me como se 30 anos tivesse, o que, não sendo mau, comporta riscos directamente proporcionais ao avanço dos anos sobre o respectivo esqueleto, normalmente traduzidos em lesões mais ou menos importantes, eventualmente agravadas pelos esforços que se vão fazendo na pesca. Desta vez foi tudo a somar e a coisa não esteve fácil.

No dia referido, após um aquecimento, senti como que um pequeno cansaço aqui ao fundo da coluna, nada que já não tivesse acontecido e que um sono reparador não costumasse resolver. Para além do mais, o pequeno incidente deu-se na última aula da manhã de Sexta. Estão a ver... Aquela aula a que se costuma suceder o momento mágico de largar tudo e rumar a Sines. Quais costas... Quais cansaços ao fim da coluna... Mais à noite logo se descansaria, depois de ir zagaiar nas duas ou três horitas de luz que ainda restassem quando chegasse a Sines.

Tudo correu bem! Fui zagaiar, não capturei nada e fiz os preparativos para a pesca de fundo carregando materiais, a saca com os Carangueijos, incontornáveis como isca nesta época do ano, seguindo-se uma volta na carta de pesca, procurando onde fundear no dia seguinte, tendo em conta a movimentação esperada das Douradas, nesta altura do ano, cuja tendência é estarem já a caminho dos locais de desova, sendo passível de as encontrarmos em entralhados e perto de pontões baixos aí pelos 40/50 metros. Tudo isto sempre sentindo o tal cansaço no fundo da coluna, mas sem lhe ligar grande coisa.

O Sábado chegou carregado de nevoeiro e lá seguimos para o mar: eu, o Raimundo, o Pedro e o Vitor, companheiros habituais, todos com a cabeça cheia de peixes grandes, vencendo a parede de névoa com o Radar e o GPS, em direcção ao pesqueiro que me pareceu mais lógico quanto a probabilidades de boas capturas.

A coisa não correu bem, considerando os, supostamente, bons sinais que se apresentaram com o peixe miúdo a comer desalmadamente, mas sem que as capturas de nota se manifestassem.

O dia correu com alguns Parguitos, muito poucos, outros peixes sem história e acabando na procura de besugos ali por fora do Molhe Oeste, mesmo estes muito escassos.

Sou sincero! Estranhei bastante os resultados deste dia, ficando sem saber como os explicar, mas achando que algo não tinha estado bem...

A possível explicação poderá talvez encontrar-se no dia seguinte em que o Brás e o Luís me fizaram companhia e resolvi voltar ao mesmo pesqueiro em que tinha iniciado a pesca no dia anterior.

Questionarão os leitores:

Então se não se apanhou lá nada de jeito, porquê insistir?

Ao que responderei:

Os sinais estavam lá, a marcação de sonda também dizia que "sim"... Não custava nada insistir e era mais uma experiência a realizar, passível de trazer mais conhecimento com peixe à mistura ou não.

Nunca se sabe se uma qualquer alteração técnica não trará novidades... E, na verdade, acabou por trazer!

Começámos a iscar com a Sardinha que desaparecia em um minuto e alternámos com o Carangueijo, cujo miolo era roubado mas não tão depressa e, num momento, as coisas alteraram-se!

O Luís, mais insistente com o Carangueijo, não tardou a ver a sua cana dobrar-se beijando a água. A luta foi dura e o Pargo de três quilos e tal que abre esta entrada, entrou a bordo iniciando o seu pescador na rota de outros peixes, por ser o primeiro da sua vida.

O entusiasmo generalizou-se, continuando eu a insistir em iscadas grandes de Sardinha e os meus companheiros a alternarem, com insistência nítida no Carangueijo.

Os peixes entraram espaçados, com umas Sarguetas, Choupas gradas e um ou outro Sargo pequeno à mistura.

Algum tempo depois foi a vez do Brás, com a Dourada de quilo que se apresenta aqui em baixo.

Eu, entretanto, tirei um Parguito pequeno e uma Dourada também pequena, respectivamente com Sardinha e Carangueijo, este último, sem dúvida, revelando-se a isca rainha do dia e assim se consagrando, ainda através do Luís, com a Dourada de dois quilos e pouco que culminou a jornada, ganhando ela e o seu pescador o direito de figurar na imagem seguinte. Bonito!

Pela minha parte, nada de nota aconteceu, para além do que se passava com as minhas costas que teimavam em incomodar-me de forma pouco usual, pensando eu ainda que uma noite de descanso sério e o feriado de 5 de Outubro, resolveriam a questão. Enganei-me!

Não vos vou maçar com descrições morosas de maleitas que muitos de vós já conhecem mas, até fui ao médico, coisa que já nem me lembrava como era. Pior que tudo, foi andar a dar aulas meio de rastos, não poder pensar em pesca e nem conseguir estar sentado ao computador o tempo suficiente para poder contar-vos deste fim de semana e de outras coisas que tenho em mente falar por aqui durante estes passados quinze dias. Mau... Francamente mau!

Verdade também seja dita... Se eu não escrever, o que por aqui já está escrito embora merecendo uma média de centena e meia de visitas diárias em páginas diferenciadas, não consegue fazer com que, para além do pessoal que costuma comentar, outros o façam e me permitam conversar com eles de forma mais curta, talvez respondendo a críticas ou dúvidas. Mas também não é coisa que me faça parar pela simples razão de gostar do que faço.

As costas já melhoraram sem estarem completamente boas e o apelo da pesca fez-me voltar a Sines este último fim de semana, culminando a paragem forçada e trazendo-me outras alegrias, tanto pela companhia como pelo resultados obtidos que passo a contar.
Com a saúde relativamente composta, programei as hostilidades tendo em conta os meus amigos e colegas Chico e Albino, os tais que só pescam comigo, sem serem de facto pescadores, conjunto habitual de comes e bebes com pesca à mistura, para Sábado; e, uma sincera disposição para ir à zagaia no Domingo, isto se as costas se comportassem.
Tudo funcionou... Até as costas!
No sábado lá fomos à hora habitual (10.00 horas... Um quarto para o meio dia), procurámos pesqueiro e vá de iscas para o fundo. Não foi um dia de muito peixe, só o suficiente para alegrar o pessoal, ver o Chico com medo que os Carangueijos o mordessem e a cortar a madre em vez das patas do Carangueijo, assim como o Albino, a partir-me a primeira cana de ponteiras finas que adquiri para aí há uns quinze anos, pensando que conseguia tirar a tampa do fundo com ela.
Coisas de "pescadores"...
Mesmo assim, ainda tiveram direito a umas fotos, vejamos!
O Parguito do Chico que se atirou à Sardinha, já com a montagem nova!
A Douradita do Albino, escolhendo o carangueijo, após substituição da cana!

A Abrótea também do Albino e ainda com a cana nova que conseguiu sobreviver até ao final do dia de pesca.

Eu continuei sem dar grandes ares da minha graça, entre montagens de madres e canas de substituição sem que tais acontecimentos me sirvam de desculpa e, pensando que tinha de poupar as costas para a pesca à zagaia que tinha programado para o dia seguinte.
Tudo isto, entremeado com o excepcional frango frito com alho que o Albino faz questão de trazer, obrigando-nos a consequente paragem técnica para degustação respectiva. Enfim... Tudo isto é pesca!
O jantar dos guerreiros sobreveio ao dia de pesca, assim como o copo do costume e o descanso merecido lá pela Pensão Carvalho, onde sempre somos bem recebidos pela D. Irene.
O Domingo surgiu ao abrir de olhos precedido pelo som cavo do roncar matinal do Chico e à normal actividade do Albino que acorda cedo e já não dorme, tendendo a acordar tudo o que se encontra à sua volta. Apreciei este acordar... Dirigindo-se a minha mente de imediato para o pequeno almoço, para as zagaias, canas e estratégias que iria utilizar na pesca que se avizinhava. É caso para dizer: esta cabecinha não pára!
Vai-se ver, não devia ser assim... Mas sou!
Despedimo-nos após o pequeno almoço lá pelos "Galegos", como é denominada a pastelaria Vela de Ouro, a mais antiga de Sines. Eles seguiram à vida deles e eu desandei para o porto de recreio, em felgas para preparar os materiais e sair para o mar, sentindo um pequeno incómodo nas costas, remanescente da lesão recente, avisando-me certamente para não abusar com as correrias.
O Makaira esperava por mim, lavadinho do dia anterior, com um ar de cavalo fresco que quer correr e eu não me fiz rogado, preparei uma cana rija e curta, feita por medida e oferecida pelo meu amigo Nuno da 7even, parecendo esta ser a ideal para me poupar as costas enquanto trabalhasse as amostras que dispuz no tabuleiro de iscas, de modo a poder chegar-lhes sem me dobrar, assim como vizualizá-las em conjunto, escolhendo as que mais hipóteses teriam de sucesso considerando experiências anteriores, estado do mar e do vento, cores da água... Etc..
Com tudo preparado, saí para o mar eram umas 10.30, dirigindo-me para uns pesqueiros onde no dia anterior a sonda me tinha mostrado comedias ao fundo e os pássaros andavam em grande actividade, o que não aconteceu no Domingo, como aliás é normal... Os peixes e os pássaros não costumam parar!?
Procurei por ali uns pontões altos conhecidos e, gostando dos sinais (já referidos em entradas lá para trás) atirei-me ao trabalho!
Passei e tornei a passar nos pontos supostamente mais quentes, mudando as amostras, as animações, os sentidos das derivas, trabalhando mais ao fundo, mais no cimo dos pontões e... nada!
Parei para comer e decidi visitar um local onde há dois anos tive algum sucesso que contei por aqui... Podia ser que a coisa se desse, pensei para comigo enquanto vencia a moleza originada pela paragem e punha o motor em marcha.
O novo pesqueiro apresentava-se com marcações razoáveis, nem boas nem más... Suficientes para me atirar ao trabalho, cheio de fé!
Identifiquei o sentido da deriva e vá de trabalhar! Passagem para a esquerda, passagem para a direita, mudança de amostras, as horas a passar e a decisão de voltar à terra a aproximar-se a olhos vistos, empurrando-me para a racionalidade, imposta por jornadas anteriores em que tive sucesso, como estratégia final.
Escolhi uma amostra vencedora e vá de derivar, animando-a com toques curtos e rápidos intervalados com outros mais longos e lentos, seguindo-se puxões rápidos após cada descida lenta, até que, à queda dum pontão, a coisa deu-se!
A linha não baixou quando a cana o fez e ferrei alto, enrolando carreto e elevando a cana com força! O puxão para o fundo não enganava... Estava com um "jeitoso" no outro lado da linha!
Lutámos... Venci... Fografei!
Mais um Dourado com 3 kgs e qualquer coisita, ali ao pé da Croc da ordem!
A pesca estava garantida e bela mas, achei que devia insistir, talvez andasse por lá mais qualquer coisa. A zona prometia e a hora era boa, considerando resultados anteriores.
Fiz mais duas passagens e não resultou! Troquei a amostra, mantendo o tipo mas mudando a côr de Cavala para Rosa, passei outra vez e... A coisa tornou a dar-se!
O peixe, mais pequeno, atirou-se mais uma vez quando a amostra descia... Aqui está ele, um Bandeireiro com um quilo e pouco.

Ainda passei mais umas vezes, mas a hora já era de andar para o porto e as passagens já se faziam à pressa, olhando para o relógio o que não me pareceu bom nem razoável. A indicação estava dada! Este local ainda vai dar que falar esta época! Vamos ver!
Voltei para casa, satisfeito com o Fim de semana, a companhia, a pesca e, por ter assunto para quebrar tão grande ausência da Vossa companhia neste local.
E aqui vos deixo a "Breve história desta minha ausência"! Espero estar perdoado...
Uma boa noite a todos os leitores.

10 comentários:

Flávio Batista disse...

Sr Ernesto, só lhe posso desejar as rapidas melhoras, e que não deixe de escrever como tão bem escreve e nos brinda sempre com as suas peripécias semanais de pesca.
Da minha parte só lhe posso dizer que voltarei aqui sempre para o acompanhar nas suas voltas pelo mar de Sines.

Abraço, e as melhoras sentidas.

e obrigado por nos presentiar a todos sempre com a sua presença, nem que seja apenas informática.

Anónimo disse...

Oh Ernesto! Perdoado? Mais que perdoado! Mais que não fosse, pela certeza de que o Homem está de volta à saúde e às lides da pesca. Quer dizer que partir canas está agora na moda? A mim também me calhou e não gostei nada... Fico contente por o ver de volta e nada de deixar tanto tempo a malta sem saber do Pescador, faz-nos mal... Um grande abraço, já estávamos com saudades dos relatos. Esses dois da zagaia valem por todas as derrotas e preparam-nos para a semana de trabalho que sempre teima a vir a seguir ao maravilhoso fim de semana

João Carlos Silva

Nuno disse...

Excelente este blog, onde vou aprendendo bastante, ainda por cima com um colega de profissão. Grande abraço e continuação de boas pescarias!

Nuno JF

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

A todos agradeço os comentários!

Ao Flávio e ao Nuno dou as boas vindas aos comentários aqui no sítio!

Quanto àquela coisa do Sr... Deixem-se disso! Não condiz nada comigo! Lol

Abraço

Ernesto

MR disse...

já estranhava na lista dos meus blogs amigos não ver nenhuma actualização de a minha pesca, mas pensei que estava dedicado ao projecto porto de abrigo, agora já sei o que foi.
desejo as melhoras do problema que o tem importunado.

Ab

Ernesto Lima disse...

Viva Miguel!

Grato pelo comentário e pela atenção!

Abraço

Ernesto

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Alguém escreveu: "Acho que nunca tinha estado tanto tempo sem escrever por aqui..." è verdade, mas também sabiamos as razões. Valeu a pena a espera. Sinal que já estás melhor.
Mais um grande relato e mais umas lições na arte de bem pescar e partilhar.

Continuação das melhoras e das boas pescarias.

Abraço
Paulo karva

Anónimo disse...

Caro Prof. Ernesto,

Todas as semanas tenho vindo ver se temos lições novas nesta sua "ardósia" e até já pensava que se tinha esquecido destes seus alunos!
Agora percebo, foram os bicos de papagaio!!!
Eu pratiquei desporto de competição (basquetebol) durante bastantes anos sem nunca ter tido lesões graves e só desde que deixei de jogar, e com o natural aumento do perímetro abdominal, é que começaram a aparecer as lesões típicas do PDI!!! LOL
Elas foram: rotura da faixa plantar, rotura de ligamentos no tornozelo, os tais bicos de papagaio, etc.
O nosso corpo já não tem 20 anos, mas felizmente a cabeça ainda tem, e muito por culpa deste nosso hobbie/vicio tão saudável.
Ainda bem que já recuperou das suas mazelas.
Um abraço
Pedro

P.S. A do Prof. é só para me meter consigo!

Anónimo disse...

Epá... Ernesto já andava desolado sem ver por aqui os teus posts. O teu blog já é uma referência nacional na comunidade da pesca desportiva. Pelo menos aqui pela minha malta é muito apreciado. espero que neste momento estejas bem de saúde e que as pescas sucedam repetidamente!

1 abraço do amigo (e colega) Luis Ramalho

Ernesto Lima disse...

Ao Paulo, ao Pedro e ao Luís, agradeço os comentários e reafirmo que enquanto pescar e puder, não deixo de andar por aqui.

Escrevo ao sabor da corrente e dos acontecimentos... Têm estado adversos nos últimos tempos mas, a coisa compõe-se!

Abraço

Ernesto