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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Fim de Semana 8 e 9/06/2007 - Sexta Feira


Viva a quem me lê, e a todos os pescadores que gostam do mar, de pescar quer apanhem quer não, de aprender com os erros, e que continuam a adorar esta actividade onde as hipóteses de derrotas ou de vitórias coexistem de forma mais ou menos alternada e persistente.

Este fim de semana fui na Sexta à tarde com premonições de mar espectacular e de peixe grande na pesca à Zagaia.

Saí das aulas e corri para Sines onde a premonição de bom tempo se realizou.
Quando passei a costa Norte e vi o mar, meu Deus... aquilo parecia uma banheira!
O meu coração bateu mais forte e mais rápido com a antecipação de navegar e pescar num mar daqueles, já a ver os pargos de não sei quantos quilos a atirarem-se às zagaias e a saltarem para dentro do barco. É assim..., sonhar é fácil!
Preparei o barco e as canas de médio spin, coloquei à mão as amostras todas que pensei utilizar, assim como, luvas grossas para safar alguma "arrochadela", sem ficar com bocados de carne a menos nos dedos, o bicheiro, o enxalavar, e saí para o mar, eram três da tarde, cheio de vontade e "más intenções"..., para com o peixe, claro.

Fui direito ao pesqueiro que tinha em mente, pelos sucessos que já lá tive na pesca ao fundo e porque acho importante explorar o mesmo pesqueiro em dias com luas e marés diferentes, podendo assim enriquecer o conhecimento sobre cada local.
Já lá tinha estado a zagaiar há umas três semanas e não deu nada para além de alguns carapaus e ganopas. Sim! Estão a ouvir bem! As "malditas" também caem à zagaia!

Cheguei, sondei, determinei o sentido da deriva, apercebendo-me que esta variava com a aguagem e o aumento e diminuição da aragem de Sul que persistia em não ser constante, e zagaiei..., zagaiei..., voltei ao local inicial, explorei a zona pelo Norte, pelo Sul, por Leste e Oeste, mudei as zagaias, diversifiquei as formas de as trabalhar, tudo isto até às 08.15 da tarde, quando resolvi que era hora de aceitar a derrota e pensar em ir tomar um banho e deliciar-me com um carapau azul enorme que apanhei, entre outros mais pequenos e algumas ganopas.

Concluindo:

O local parece-me bom e tinha comedia com fartura, não se verificando, movimentação da mesma, na leitura da sonda.
Parece-me que é altura de experimentar outros locais onde a passagem dos Capatões ou Picachos, como lhes chamam em Sines, já tenha sido notada, o que me parece ter acontecido lá mais para o Sul (segundo umas dicas..., e tal.).

Bom..., melhores dias virão.
Gostaria de, ainda este ano, ser capaz de vos mostrar resultados que justificassem toda esta prosa e de ver coroar de êxito os esforços que vou despendendo, mas também, isso é o que todos queremos. 

Vamos ver!?

Deixo-vos com a foto de uma das ganopas que caíram à zagaia, gozando comigo e brincando convosco.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

À Procura de Pesqueiros 2.ª Parte - 05/Fev/07


Cá estou eu outra vez para continuar a cumprir com o prometido!

Onde é que eu ia?
Já sei!
Ia começar a contar o que se passou na minha primeira pesca em Sines, com base na minha procura, fundamentada na anterior entrada.

Ora bem... neste meu primeiro teste, importa referir que ia pescar neste barco e usar toda a electrónica pela primeira vez, embora já a tivesse estudado. Estávamos em fins de Maio de 2002 e lembro-me que a lua se encontrava em 3.º ou 4.º dia de Quarto Crescente.
Tinha ainda outra preocupação! A minha mulher que também gosta de pesca e ia comigo à "inauguração", tem por vezes alguns problemas de enjoo, e, o mar, não estando mau, tinha alguma marejada de Norte, o que não me permitiria sondar durante muito tempo, já que sei ser essa a situação em que mais facilmente lhe aparecem os tais sintomas que alguns de nós tão bem conhecemos.

Não querendo começar mal a experiência "Sineira", optei por não ir muito longe e sondar o mínimo possível, pelo que saí do Porto em direcção a Sul para uma zona a +/- 3 milhas, onde na carta do GPS, aparece uma zona de pedra à qual se segue um limpo, perto de batimétricas com curvas pronunciadas, sobre a areia, e onde esperava encontrar alguma fertilidade (ver foto desta entrada, onde se vê uma cruz esbranquiçada, junto à batimétrica, em cima da areia, muito perto da zona de pedra e quase junto ao "P" de Praia de São Torpes).

Ao chegar à zona indicada, abri a sonda, coloquei a popa ao vento e iniciei a sondagem antes do fim da pedra e em direcção ao limpo.
A zona de pedra ia aparecendo em todo o seu esplendor (29 mts) e eu continuei até que o fundo limpo sucedeu ao último pontão que apresentava na sua queda (32 mts) marcações interessantes de peixe agarrado ao fundo. Não hesitei. Aumentei o zoom do GPS duas vezes, virei a proa ao vento percorrendo o caminho anterior, e, assim que o pontão apareceu, passei-o para o outro lado e larguei ferro de imediato, dando o cabo que me pareceu necessário sem arriscar em demasia.
Com o barco fundeado, tornei a verificar a sonda e pareceu-me que ainda estava muito em cima da pedra (30 mts), mas como não sabia se havia alguma aguagem, resolvi testar o pesqueiro e iniciámos a acção de pesca.

Começámos com duas canas. Eu com uma de 3,30 e a minha mulher com uma de 2,70 metros, com baixadas de 0,40; estralhos de 0,35, com 45cm; anzóis números 2, em cima, 1 em baixo e chumbadas de 100grs na minha cana (mais macia) e de 120 na cana da minha mulher (mais rija... Nada de brincadeiras com a rijeza das canas!?).
Iscando com bomboca, sardinha e caranguejo, em alternância, as picadas começaram logo que as linhas chegaram ao fundo, mas o peixe, "ganopas" e "piças" (peixe de casamento como lhe chamam em Sines), indicavam que estávamos demasiado em cima da pedra como me tinha parecido, pelo que resolvi dar mais uns 20 metros de cabo e então é que as coisas aqueceram.

A sonda mostrava o limpo e os "toques" mudaram de tom, começando a entrar a bordo sarguetas, choupas e carapaus de tamanho considerável, não tendo que esperar muito para que aparecessem os pargos. Primeiro os filhos e mais tarde os pais. Foram 11, entre os 0,900 e os 2,200 kgs (sem exageros).
Penso que se pode dizer que é uma pesca para recordar, da qual, infelizmente, não temos fotos. Paciência...

Nesse verão passámos as férias em Sines e pescámos muitas vezes, com algumas derrotas, mas de uma forma geral com muito bons resultados, principalmente com capturas de pargos que se têm verificado até ao momento, e, seguindo os processos que descrevi, em zonas e profundidades diversas, podendo hoje dizer que me sinto integrado entre os pescadores lúdicos da zona e até com alguns profissionais com quem, entretanto, me relacionei, fruto do que penso ser algum reconhecimento sobre a forma como desenvolvi a minha pesca.

Sobre o processo de procura de pesqueiros, posso-vos dizer que sempre que me dirigi a locais com as características descritas, encontrei fundos com boa qualidade, mais ou menos produtivos e que após marcados na carta, alguns deles acabaram por revelar, em épocas diversificadas, as suas reais capacidades. Claro que não convém esquecer as derrotas que se têm nesta procura incessante, mas, as vitórias e o reconhecimento dos companheiros valem bem a pena.

Espero que entendam que não pretendo, com as anteriores descrições, armar-me em "doutor" da pesca, ou em professor do que quer que seja, o que pretendo é de facto estar perante vós como na pesca, isto é, dar e receber. Enfim... ser útil!
Para saber disso, só preciso que me comentem, que de imediato vos responderei neste mesmo local!

Abraço

E até à próxima.

À Procura de Pesqueiros 1.ª Parte! - 04/Fev/07


Olá pessoal embarcado, das canas, carretos, anzóis e etc..

Cá estou eu outra vez, todo corado com os elogios do A. Ferreira e do Luís do http://www.katembe2.com/ , cheio de vontade de escrever coisas sobre a nossa "Doença", e que melhor forma de agradecer senão porfiar com a escrita para tentar continuar a merecer tais honrarias.

Na sequência da troca de experiências e cumprindo a promessa feita na entrada de 26 de Janeiro ( a da malfadada Portaria), cá vou falar sobre porquê e como fiz a minha procura de pesqueiros em Sines quando decidi que essa seria a minha zona de pesca por razões que se prendiam, na altura, com a facilidade de colocar o barco a nado e pela proximidade da minha zona de residência.

Quando para lá fui, decidi que não perguntaria a ninguém sobre pesqueiros e que não aceitaria de nenhum dos amigos que me dessem "marcas" ou contactos de outros amigos com "marcas" de pesqueiros, embora vários o tivessem sugerido.
Não se entenda o que referi, como orgulho ou arrogância (estúpidos), mas sim, como uma vontade de provar a mim próprio que qualquer pescador com barco e respectivo licenciamento para com ele navegar, que pretenda aprofundar os seus conhecimentos de leitura de cartas, navegação, electrónica marítima, fundos, técnicas de pesca; e, com vontade de ir à descoberta, poderá, mantendo uma actualização contínua, pescar em qualquer sítio no mundo recorrendo aos meios referidos, podendo assim ficar com "armas" para um relacionamento de igual para igual (ou quase) com os "lúdicos" da zona e usufruir então das trocas de experiências que, neste caso, me parecem ainda mais enriquecedoras e significativas que as meras trocas de pontos de GPS.

Resumindo... primeiro, procuramos e mostramos resultados, depois, estamos em condições de ir para a necessária troca de conhecimentos adquiridos, tendo algo para trocar.

Porquê?
  • Porque a maioria dos Pescadores não gostam de dar as suas melhores zonas de pesca, assim de mão beijada!
  • Porque a maioria dos Pescadores não gostam de estar com não sei quantos barcos à volta, por vezes a distâncias pouco recomendáveis!
  • Porque a maioria dos Pescadores gostam do silêncio quando pescam!
  • Porque a maioria das vezes que se solicitam informações sobre locais de pesca a pescadores da zona, as respostas são normalmente evasivas ou a informação prestada vem na forma de um conjunto de "marcas" de GPS que toda a gente conhece, sendo que muitas delas nem sequer foram testadas na sua totalidade.
  • Porque o peixe muitas vezes não está nos pontos de GPS, mas sim, nos fundos da zona que melhor se adequam às suas vontades do momento.
  • E, principalmente, porque penso que os anteriores "porquês", e outros, deverão ser respeitados por todos nós, o que nos granjeará certamente o respeito dos nossos homólogos da zona.
Então, após toda esta amálgama pretensamente informativa, o que é que fazemos?

O que posso fazer, já que a isso me propus, é contar-vos como, baseado nos anteriores pressupostos, desenvolvi a minha experiência neste belo pesqueiro de Sines.

Como?

Para além do GPS e da Sonda, adquiri de imediato a carta de pesca da área de Sines (AP4), porque embora possamos ter GPS com carta, a homóloga real oferece outras hipóteses, na medida em que podemos ter uma visão de zonas muito mais alargada e assim fazer o trabalho de casa antes da jornada de pesca. No caso de não se ter carta no GPS, podem-se tirar coordenadas da carta real para o aparelho e vice-versa, tendo em conta a actualidade da carta e os acertos de contas que possamos ter de fazer.

As cartas referidas, à semelhança das dos GPSs, mostram um conjunto de cores que identificam o tipo de fundo, em que o cinzento se refere a zona rochosa, o amarelo torrado, a areia com cascalho; o amarelo, a areia e o verde, a lodo. Mostram ainda um conjunto de informação escrita e umas linhas todas cheias de curvas, as batimétricas (ver foto acima), que, significando cortes transversais em altura, nos permitem perceber onde as montanhas submersas têm as suas falhas de contorno, podendo estas falhas indicar zonas de depósito de nutrientes (vulgo: comedia) vindos com as correntes, ou a existência de abrigos para as espécies.

As batimétricas têm a indicação, em metros, da profundidade a que se encontram, o que nos permite entender que, quando muito juntas, indicam desníveis mais ou menos importantes sendo tanto maiores quanto a maior diferença de profundidade e a menor distância entre elas. Ora, se conjugarmos os desníveis, a mistura de tipos de fundo e as irregularidades de terreno, em função das espécies que queremos capturar, a nossa procura será cada vez menos aleatória, restando-nos sondar estes locais, escolher um fundo com "bom aspecto", fundear a embarcação com alguma precisão e testarmos as nossas montagens, materiais e iscas.

Outros locais que deverão ser testados, são zonas de pedra mais ou menos alta, isoladas no meio de fundos limpos - muito bons para pargos - ou zonas de entralhados e fundos ditos "sujos" nas mesmas condições, onde tendencialmente o besugo é rei, por vezes, entre outros visitantes mais pesados. Teremos de ter em conta também as variáveis: profundidade, época do ano e marcação de sonda, entre outras. Lá iremos.

Então, munido destas ideias, de iscas variadas (sardinha, cavala, bomboca, caranguejo, lula,...) canas, carretos e etc., comecei a minha procura por baixo, ou seja, em fundos de 25 a 40 metros, não me podendo esquecer da minha primeira pesca em Sines que contarei com todos os pormenores, em próxima entrada.

Não saia do seu lugar! O programa segue dentro de momentos!