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domingo, 7 de abril de 2013

Em resposta ao Carlos... vamos fundear!


As condições de mar e vento parecem começar a compor-se ao fim de três semanas de chuva, mais chuva, ainda mais chuva, vento, vaga..., tudo contra. Para não variar, este Domingo em que o tempo até deu uma folga, eis senão quando, tenho actividades para acompanhar. Paciência... a minha hora de ir há-de chegar e não vale a pena pensar muito no assunto.
Entretanto um comentador aqui da página  - o Carlos, de Vila Praia de Âncora - resolveu perguntar (haja Deus...) sobre fundeio e solicitar que pormenorizasse, coisa que vou tentar, esperando que lhe sirva e, já agora, também a outro pessoal que por aqui ande.

Como sabemos, fundear um barco para pescar ao fundo não é tarefa fácil, muito devido às variáveis de vento e aguagem, ou ausência de ambas, em cada dia de pesca. Daí que, em certos dias, a manobra de fundeio pode tornar-se uma autêntica dor de cabeça para a maioria de nós, podendo muitas vezes levar à diminuição significativa do tempo útil de pesca ou até ao falhanço completo na consecução de objectivos de uma ou mais jornadas. Isto porque, ou fundeamos mal e pensamos que não há peixe, ou, verificando que não ficámos onde queríamos e embora até sintamos alguns sinais, tendemos a não confiar no pesqueiro e a nossa pesca poderá já não correr como gostaríamos, para além de, caso não aconteçam as capturas que  procurávamos, ficarmos sem saber se tal se deveu ao fundeio deficiente ou a qualquer outro factor ou variável.

Face ao referido e à solicitação do Carlos, reflectindo sobre o assunto e no sentido de passar os conceitos em que me baseio para efectuar a referida manobra, criei algumas imagens que, espero, melhorem o significado das palavras e, consequentemente, o nosso raciocínio.

Consideremos então algumas reflexões e conceitos:

O melhor posicionamento do barco será no local em que, face às condições encontradas de mar e vento, conseguimos colocar as nossas iscas, com relativo rigor, no pesqueiro que visualizámos na sonda e nos pareceu mais interessante. Não podemos esquecer que para o nosso barco ficar onde queremos, tem outra posição a encontrar... o ponto do fundo onde queremos que o ferro fique preso, permitindo a conclusão correcta  da manobra e o consequente início da acção de pesca conforme a imaginámos.
Considerando o referido, vamos ter de encontrar três posições interdependentes, correspondentes a:

A: a posição onde largar o ferro para que prenda no fundo, permitindo que o barco se posicione no ponto...
B: local onde, nas condições de mar e vento existentes, podemos colocar as linhas na água, sabendo que as nossas iscas cairão na posição submersa...
C: a zona onde caem as nossas iscas que deverá corresponder ao pesqueiro eleito.

Na imagem seguinte, apresenta-se o exemplo de um fundeio com intervenção do vento, sem aguagem, um dos mais fáceis de conseguir.


Para que se comece a ter uma ideia do aumento da dificuldade do fundeio, introduzindo outras dificuldades, vejam a imagem, com relevos de fundo idênticos, mas agora com intervenção de vento e aguagem, ambos  com o mesmo rumo, obrigando neste caso a posicionar o barco de outra forma face à beirada do pontão, de modo a que as iscas caiam no ponto C, o tal que elegemos após sondagem.


Levanta-se agora outra questão: como determinar as posições A e B que conduzirão à C pretendida, em condições diversas de mar e vento?
Para tal teremos que entender o conceito Rumo da Deriva, que podemos descrever como:
- A linha da deslocação do barco, cuja orientação determina para que ponta da Rosa dos Ventos este se deslocará, após desligado o motor e a partir do ponto em que parou completamente. Esta linha vai-se desenhando no GPS, a partir do ponto em que parámos o barco e após limparmos outras linhas de rumo que lá estejam e que possam confundir. Este rumo dependerá das seguintes condições de mar e vento:
- rumo do vento, na ausência de aguagem
- rumo da aguagem, na ausência de vento
- rumo concertado entre o vento e a aguagem, quando ambos estiverem presentes com rumos diversos, derivando o barco mais para o lado de um ou de outro, conforme a direcção e intensidade específicas.
Importa ainda referir que, havendo ao longo do dia entradas de vento ou de aguagem, quando um deles não está presente; assim como, paragens ou variações de intensidades e/ou rumos, em suas presenças; o barco mudará de posição, decorrendo de tal, alterações significativas relativamente ao local onde as nossas iscas estão a actuar (posição C). Se estas alterações vão melhorar ou piorar a nossa pesca... depende!? Uma consulta à sonda para verificar as estruturas de fundo, a profundidade e a actividade do novo pesqueiro, assim como os sinais dos toques, poderão decidir se ficamos e insistimos, ou antes, levantamos ferro e melhoramos o fundeio.

Vamos então complicar a manobra!

Para tal, observemos a próxima imagem, tendo em conta o seguinte:

- As três situações correspondem ao mesmo barco, com o ferro preso ao fundo, no mesmo ponto (A), em condições diversas de mar e vento, obrigando a posicionamentos diversos do barco (1, 2 e 3) e consequentemente à variação da posição C, aquela onde vão cair as iscas.

- As três situações identificadas, pretendem ser exemplos base passíveis de adequação conforme outros rumos e intensidades de vento e/ou aguagem que se possam verificar, sendo importante analisar tais condições, em cada jornada e atendendo até a variações ao longo da mesma.

- Relativamente às setas indicadoras de vento e aguagem, para evitar alguma confusão, as de vento, vêm do Norte e as de aguagem vão, da esquerda para a direita, para: Sul, Oeste e Norte.


Analisemos e reflictamos sobre as imagens.

Posicionamento 1 

Rumo da Deriva: Só com vento, só com aguagem ou com ambos no mesmo sentido, o rumo da deriva será apresentado no GPS, pelo segmento de recta que se irá desenhando de A para a proa do barco, posicionando-se este, centrado com o referido segmento.

Ponto C, sem aguagem: fica na vertical do barco

Ponto C, com aguagem: fica afastado da popa do barco, tanto mais longe, quanto maior for a intensidade desta.

Posicionamento 2:

Rumo da Deriva: será apresentado no GPS, pelo segmento de recta que se irá desenhando de A para a proa do barco, posicionando-se este, atravessado face ao referido segmento, com um ângulo  que poderá variar durante a jornada, na medida de possíveis variações das intensidades do vento e / ou da aguagem.

Ponto C: Vai ficar afastado do barco, no rumo da aguagem e tanto mais longe, quanto maior for a intensidade desta.

Posicionamento 3:

Rumo da Deriva: pode apresentar-se no GPS, conforme linha irregular, descrita entre o ponto A e a proa do barco, podendo também desenhar-se para o lado contrário ao que se vê na figura, dependendo da posição em que parámos o barco antes de fundear. Normalmente a linha de rumo apresentada, configura-se com intensidades idênticas de vento e aguagem e pode variar só para o rumo da aguagem, com barco atravessado a aguagem e vento, quando a intensidade da aguagem for superior à do vento ou vice-versa.
Em caso de intensidades fracas e variáveis, esta situação pode tornar-se uma dor de cabeça, atendendo a que o barco não parará quieto todo o santo dia.

Ponto C: vai ficar na linha da aguagem, tão distante quanto a intensidade desta e contribuirá para a dor de cabeça pois, face a possíveis e contínuas variações da posição do barco, ora pescamos para a proa, ora para baixo do casco, ora... etc..

Considerando as análises e reflexões produzidas, parece poder afirmar-se que:

- Depois de eleito o ponto C, após observação do Rumo da Deriva e cálculo de como o barco se posicionará, importa encontrar o ponto A, revelando-se este, talvez como o mais importante para a posição de fundeio que pretendemos. 

Que características deverá ter o ponto A?

1. Relativamente à configuração e estrutura de fundo, deverá assegurar que o ferro fique preso. Portanto terá de ter um ou vários pontões com altura suficiente para que, face às intensidades de vento e aguagem corresponda à prisão que queremos.

2. Quanto à sua localização, situar-se-à sempre contra o Rumo da Deriva, no alinhamento desta e com o afastamento necessário face às intensidades do vento e / ou da aguagem, assim como da altura da vaga, considerando que vento e aguagens mais fortes e vaga alta, obrigarão a dar mais cabo o que, consequentemente, implicará num maior afastamento entre o ponto A e o C.

Ao largar o ferro que cuidados ter para aumentarmos as hipóteses de que chegue ao fundo e, por arrastamento da deriva, se fixe no ponto A?

1. O ferro e o cabo, devem estar prévia e completamente desimpedidos a bordo para que possamos agarrar e largar, no momento que entendemos mais adequado, tanto mais importante quanto mais duras forem as condições de mar e vento.

2. Na presença de vento e aguagem, não nos podemos esquecer que a descida do ferro será afectada , na sua verticalidade, essencialmente pela aguagem, obrigando a navegar até ao ponto A, em rumo contrário ao da deriva e, para além deste, em rumo contrário ao da aguagem, atendendo a que podem não ser os mesmos.

3. Mesmo só com vento, devemos largar o ferro sempre um pouco para além do ponto A, no sentido de aumentar a segurança na eficácia da prisão do ferro e aumentando o tempo para gerirmos o soltar de cabo necessário ao posicionamento final, principalmente com maior intensidade de vento.

Outras considerações:

Encontrar mais ou menos facilmente um ponto A, depende muito do conhecimento que temos de cada zona  de fundos em que actuamos.

Se em condições adversas (aguagens contrárias, ventos fortes..., etc.) não conseguirmos posicionar-nos em determinado pesqueiro, mais vale procurar outro que conhecemos melhor ou onde as condições nos permitam maximizar o tempo útil de pesca.

Em dias daqueles muito calmos, com muito pouca deriva e com mudanças lentas e muito variáveis da posição do barco, o ideal será procurar pesqueiros cujos fundos apresentem poucas variações de profundidade e tentar que os pontos A e C, fiquem o mais perto possível um do outro, o que se pode fazer dando o mínimo de cabo possível, até porque, atendendo à pouca deriva não será necessário dar muito.
As razões desta consideração têm a ver com o seguinte:
- Se estivermos numa zona com poucas diferenças de profundidade, não corremos o risco de, ora estar a pescar numa beirada, ora no bico de um pontão alto.
- Se não houver muito cabo na água, tenderemos a manter-nos perto da zona onde queríamos estar e actuar sobre ela sem grandes afastamentos.

Caso não acertemos no fundeio ou, em determinado momento devido a alterações de vento e / ou aguagem, a posição do barco mude, devemos marcar o Rumo da Deriva, olhando a proa marcada na bússola  e verificar se o cabo está centrado com o barco ou apresenta algum ângulo, levantando o ferro de imediato e melhorando o fundeio face às verificações efectuadas. Não o fazendo, corremos o risco de ficarmos indecisos quanto à credibilidade na acção de pesca, isto porque, o nosso comportamento numa situação de descrédito sobre o pesqueiro em que actuamos, tenderá a não ser o mais correcto. Digo eu... posso estar enganado.

Sobre a questão colocada pelo Carlos, relacionada com o levantamento do ferro, informo que uso a bóia para tal e exceptuando fazê-lo com guincho, não conheço melhor forma de o fazer.
Para melhor informação sobre procedimentos para alar ferros, materiais, formatos e bóias, vou deixar-lhe aqui alguns links que poderão complementar...
- Características do ferro - Pode ajudar quanto a materiais a usar tendo em conta a proporcionalidade face a barcos de tamanhos diversos.
- Descrição de materiais e manobra de alar ferro com bóia - Mais materiais e descrição escrita da manobra
- Descodificação de termos (Pontões, beiradas, etc.) - Pode complementar face à utilização da sonda e compreensão dos termos.
- Filme em inglês sobre a manobra de alar ferro com a bóia - Caso não se entenda a língua, as imagens parecem-me elucidativas.

Nota importante:

Por mais que se tente passar conhecimentos nesta área, só a prática de cada um poderá melhorar este tipo de acção.
Espero sinceramente ter dado um pequeno contributo que sirva de base à prática que vão ter de desenvolver para o fazerem cada vez melhor, até porque, por muito que se pratique, vai haver um ou vários dias em que por esta ou aquela razão, a coisa falha, restando-nos tentar perceber porque falhou e emendar a manobra.

Para qualquer questão estarei à disposição, na medida do possível, para analisar, reflectir e tentar convosco concluir sobre tal.

A todos os leitores desejo uma boa noite

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pescar com Aguagem... comentários e mais reflexões!


O Porto de Sines está no horizonte sempre visível durante todo o dia de pesca, fornecendo-me marcas de terra orientadoras para tomada de conhecimento das variações de posicionamento do barco, variáveis e determinantes de fases diversas ao longo de toda a acção, sustentando opções tomadas quanto ao fundeio ou mudanças de pesqueiro. Amigo... aguarda-me e aos meus pensamentos de fim de jornada, normalmente orientados para a análise de cada dia quanto a acontecimentos, variações de montagens, capturas, sossego e limpeza da alma. Grande porto!
Tanto o vento quanto a aguagem, mudaram de sentido e obrigaram, em conjunto com os sinais dos toques, à tomada de atitudes, quer no que respeita às mudanças de pesqueiro, quer às opções das montagens utilizadas.
As análises que venho fazendo, enquanto navego neste mar de sonho, apresentam-se directamente relacionadas com a última entrada - Pescar com Aguagem - assim como, com a presente, cujo objectivo é completar a anterior, face ao debate de ideias constantes nos comentários produzidos pelos leitores, indicadores de que muito ficou por dizer, ou não seja assim sempre que se fala sobre pesca. Matéria não falta... o que falta, talvez e na maioria das vezes, é a exposição de cada um sobre os seus erros, sucessos e razões que levam a uns e outros. Normalmente, só os dias repletos de peixe aparecem, sem grandes explicações para além do óbvio... fulano de tal, capturou este(s) ou aquele(s) peixe(s)! É bonito e não critico, limito-me a constatar factos.
Mas vamos primeiro às últimas acções e resultados.

Tudo estava programado... dia 19, ida para Sines; 20, 21, 22 e 23; pesca!
Esta semana, seria levantado o barco para limpar e pintar o fundo, o que infelizmente não aconteceu, devido ao mau tempo... paciência!
Ficaram as jornadas de 20 a 22 para contar e sobre elas reflectir!

As duas primeiras (20 e 21), muito idênticas quanto a condições de mar, vento e resultados; a última (22), com mau tempo esperado e opções diversas, tanto derivadas dos resultados das primeiras, quanto às dicas de quem acha que as deve dar, neste caso, o João Carlos Silva, a quem deixo aqui o meu sincero agradecimento!

As opções das duas primeiras jornadas centraram-se no mesmo pesqueiro, por ser produtivo nesta época, quer com exemplares maiores, quer com variedade de espécies de bom porte.
Em ambos os dias, apresentaram-se as seguintes condições: mar calmo, vento fraco, aguagem leve a Norte, até ao meio dia / uma da tarde, mudando para aguagem de intensidade média, a Sul, a partir desta hora e até ao fim da jornada.
As condições descritas obrigaram, para manter o barco e as baixadas na zona mais "quente", a recolocação do fundeio em ambos os dias, no momento da mudança da aguagem que coincidiu sempre com a entrada de uma brisa de N/NW, criando uma deriva S/SE, também coincidente com o rumo da aguagem.
Verdade também que os melhores exemplares entraram após a mudança de aguagem, quer de rumo, quer de intensidade, ficando por se saber se as razões se prenderam com a produtividade da zona para onde derivaram os cheiros das nossas iscas; com a velocidade a que viajaram, talvez informando peixe mais longe; ou ainda, com o aumento do tamanho das iscadas e do comprimento do estralho de baixo para quase 2 metros, assim como, a eliminação do estralho de cima, atendendo a que sistematicamente e em cada subida, capturava Cavalas enormes, enganando-nos ao primeiro toque.
Inclino-me sinceramente para o sucesso do conjunto de modificações que acabaram por corresponder aos sinais, sempre presentes, de actividade intensa no ataque às iscas.
Agora... será que, dentro do conjunto, cada uma das modificações poderia ser melhorada? Não sei!?
Outra questão... uma cana esteve sempre a pescar (em "automático") à Chumbadinha, tendo no segundo destes dias capturado uma Dourada pequena, iscada com Cavala fresca atada com fio elástico, única iscada que assegurava duração significativa. Então porque não entraram Pargos maiores? Talvez porque não estivessem neste alinhamento, pois todo o santo dia caíram sardinhas, umas atrás das outras, atacadas e desfeitas em minutos, por vezes em segundos, num frenesim e largando cheiros que, tudo indica, convidariam qualquer predador maior a juntar-se à festa!?
Alguns apareceram... como esta Dourada e uma outra do mesmo tamanho, maiores exemplares de quinta... 


Ou este Pargo, aqui apresentado pelo Fernando Fontes, maior exemplar de sexta...


... tudo indicando a necessidade de procurar noutros locais, ainda mais, tendo como aconselhamento as já referidas dicas do João Carlos Silva sobre peixe maior, por ele capturado mais à terra, em zona que em outros anos já se apresentaria pouco profícua nesta época, mas, pode dizer-se... este tem sido, sem dúvida, um ano "sui generis", nomeadamente, no que respeita aos exemplares que procuro e aqui pela zona de Sines!?

Sábado, 22 de Setembro, manhã calma em que os meus companheiros Tózé, Nuno e João; vieram pescar comigo, em hora, como direi... matutina.
Saímos para o mar em busca dos pesqueiros de terra, sondámos, poitámos e vá de gastar sardinha, num fundo de 29 metros, onde se fazia sentir uma aguagem para Sul, leve e pouco usual neste pesqueiro. Os toques iniciaram-se, as iscas levavam algum tempo a desaparecer, ora com toques secos e curtos, ora com tão pouca intensidade que nem se sentiam... "cheirava" a peixe de jeito, mesmo cá em cima!

Não demorou muito até que o Nuno se estreasse com o primeiro Parguito... cá vai ele!


As capturas, principalmente entre Parguinhos, Pargos e Sargos; iam acontecendo a espaços, embora num ritmo agradável, sendo os maiores iguais a este aqui apresentado pelo Tózé!


O pesqueiro mostrava-se rico e com espécies variadas... uma Dourada perto do kg, uma Bica jeitosa, um Robalo de 42cm e, parecendo coisa maior, este Sargo Veado tirado pelo João. 


O pesqueiro estava uma delícia e a promessa de maiores manteve-se viva até que o barco desviou de sítio, reposicionou-se no mesmo local, onde me calhou mais um Pargo igual ao do Tózé. Entraram mais uns Sargos, a aguagem parou por completo e, passado algum tempo, instalou-se a ventania de S/SW que já se esperava desde as 13.00 horas; mostrando-nos o caminho do porto, onde se espalhou o peixe e tirou a foto global!


Uma pescaria bonita, onde o tal, ou os tais, não se fizeram representar. Uma pena... seriam as cerejas no topo do bolo!

Relativamente aos três dias relatados, parece poder dizer-se que, no que respeita a capturas de melhor qualidade, houve influência positiva da aguagem. Nos dois primeiros, a intensidade verificada obrigou a alteração de montagens; e, neste último, tudo indica que quando esta deixou de se fazer sentir, também as capturas de melhor qualidade pararam.
Fica-me uma questão... se por acaso se têm alterado as montagens, neste último dia, será que o tal maior teria entrado? Não o fizemos porque não se sentiu essa necessidade e o peixe estava a corresponder bem, por tal, nunca o saberemos!

O relato produzido, considerando também o artigo anterior e os comentários produzidos pelos leitores, por ordem de intervenção:  João Martins, Filipe, Luís Ramalho e João Carlos Silva; remete-nos para o tema do artigo, permitindo-nos aprofundar análises e reflexões.

Antes da produção de definições e aprofundamento de conceitos, importa referir que umas e outros, não devem considerar-se estanques; não raramente acontecendo que muitas outras sub definições e / ou sub conceitos poderão estar presentes, ou até, situações de várias intensidades, de mesmo rumo ou rumo contrário, na coluna de água, pouco perceptíveis e passíveis de baralhar tudo isto. Resumindo, não vamos olhar para o que vai sair daqui como "chapa batida", mas sim como orientação de base, fundamentada em experiências e resultados obtidos pelo autor, com alguma regularidade, mas falíveis em diversas ocasiões.

Vamos então considerar quatro áreas de reflexão:

1. Distribuição das intensidades da aguagem em três categorias, usando como referências: o peso da chumbada e o ângulo formado pela linha do carreto no ponto em que, com a baixada no fundo, se insere na linha de água; e, a linha de água, prolongada até à vertical da ponteira da cana.
2. Comportamento dos peixes, versus intensidade da aguagem.
3. Análise de montagens, face às categorias de intensidade e aos sinais produzidos por toques e capturas.
4. Comportamentos do pescador... atenção, reposição de iscas, utilização do material face às montagens em uso e outros que vão surgindo das reflexões produzidas.

1.1. Intensidade limite, conforme já definida no artigo anterior: ângulo de 45º ou um pouco menos, para chumbada com um peso máximo de 350grs. Talvez mais adequada para pescar com montagem de fundo que para a chumbadinha, se bem que nesta última também se podem usar chumbadas mais pesadas que as que se ouvem falar (trinta a cento e algumas gramas).
1.2. Intensidades médias, também definidas no artigo anterior: ângulos de 45º ou um pouco menos, para chumbadas de 150 /180 gr. Adequadas para qualquer técnica.
1.3. Intensidades leves: ângulos com mais de 45º para qualquer chumbada até 150 / 180 gr. Estas, as que parecem ser mais produtivas, talvez por razões que se prendem com vários factores, como sejam: menos afastamento do local de fundeio; mais controlo sobre o local onde se coloca a baixada; facilitação das funções, sentir e ferrar; e, entre outras possíveis, menor esforço para o pescador.

Relativamente às intensidades, repararam certamente os leitores nas referências, em singular, relativamente à 1.ª; e, em plural, às restantes. A razão de tal, prende-se com a dificuldade de melhorar a aproximação ao local de fundeio no caso da "aguagem limite", versus as possibilidades de variação, através do aumento do peso da chumbada, possível na média, caso se pretenda pescar mais perto do barco; e, o aumento e / ou diminuição do peso da chumbada, caso se pretenda aproximar ou afastar, quando em presença de uma intensidade leve.
Pode portanto afirmar-se que, com menor esforço, quer a intensidade média, quer a leve, permitem melhor exploração de fundos, e, consequentemente, pescar melhor!?

Uma outra questão parece pertinente no que respeita às aguagens, tanto verificando que já existem logo que fundeamos, quanto à sua entrada após algum tempo em acção de pesca... continuamos no pesqueiro ou mudamos?
Tal decisão, parece... terá muito a ver com os sinais dos toques. Se estes lá estiverem e as iscas, de vários tamanhos, forem consumidas com mais ou menos agressividade, tudo indica que devemos manter-nos, principalmente na presença de uma aguagem de intensidade limite. Isto poderá querer dizer que algum abrigo perto, permite aos peixes, certamente esfomeados, atacarem as nossas iscas e, os predadores, tendencialmente, não faltarão ao encontro, mais cedo ou mais tarde.
Em presença de aguagens médias ou leves, ou já existem sinais, ou devem procurar-se explorando mais ou menos afastados do barco, só mudando, caso os sinais não existam, aliás, como em situação de água parada.
Estas últimas reflexões remetem-nos para a análise seguinte, ou seja, o comportamento dos peixes face à intensidade da aguagem.

2.1. Relativamente ao comportamento dos peixes, este será tão alterado quanto maior a intensidade da aguagem.
Não é fácil começarmos a adivinhar sobre o tema, no entanto, podem elaborar-se algumas reflexões lógicas, conjugando: experiências de caça sub com aguagens normalmente médias ou leves; algumas leituras de sonda, em presença de aguagens de intensidade limite ou superior; sinais e resultados obtidos em presença de intensidades variadas e algumas regras comportamentais conhecidas no que se refere a comportamentos alimentares na vida selvagem. Dava para escrever um livro, mas vamos tentar abreviar, tentando fazer algum sentido.
No caso da caça sub, com aguagens de leves a médias, era usual ver muita vida em torno de pontões altos, sendo que os peixes alimento movimentavam-se junto ao lado do pontão contrário à aguagem, subindo-o ou ladeando-o até serem apanhados por esta e voltando ao abrigo do refluxo, tudo indicando que iam comendo o que a aguagem lhes trazia e descansando no abrigo a intervalos, lutando o mínimo contra esta.
Uma caça de espera agarrado ao fundo, ou um mergulho a favor da aguagem, ladeando o pontão com cuidado, descobriam por vezes predadores de água livre que procuravam os peixes alimento que por ali andavam. Já os Sargos; tendiam a entocar-se em frinchas ou buracos virados à aguagem, abrigando-se e recebendo sinais que esta lhes trazia. Com aguagens mais intensas as dificuldades de encontrar peixe aumentavam exponencialmente, tanto pela nossa capacidade de nos aguentarmos, quanto à mobilidade do peixe, tão rápida e fugaz que só num frente a frente rápido e instintivo se conseguia uma captura. A hipótese era mergulhar numa zona conhecida, normalmente entre pontões, procurando a profundidade ideal e, deixando-nos levar pela aguagem, fazer passagens atentas aguardando um encontro sério. Neste caso, após emersão, entrar no barco de apoio, tornar a voltar ao ponto de partida e repetir, repetir, repetir... também este, um comportamento predatório extenuante que só valia por se saber que a recompensa poderia ser grande!? Claro que, invariavelmente, ao fim de algumas passagens deste tipo, procurávamos local menos agressivo.

É do senso comum que a regra base orientadora dos comportamentos, quer de peixe alimento, quer de predadores; é a que se refere ao máximo de ingestão de alimento, para um mínimo de gasto energético; regra esta  que, na vida selvagem, se relaciona também com a eliminação dos mais fracos e / ou doentes, mais fáceis de capturar, preservando assim, a saúde e fortaleza das espécies.

Na pesca embarcada e em profundidades diversas, calcula-se que os comportamentos sejam idênticos, pelo que será muito difícil conseguir colocar as nossas iscas na hora certa e no ponto ou alinhamento certos, em presença de aguagens com intensidades para além da definida como limite. Aliás, com aguagens deste tipo, pode talvez afirmar-se que um predador podendo, quando ela entra, aproveitar-se de "incautos" apanhados e levados, tenderá posteriormente a procurar zona menos agreste para caçar. Nós, enquanto predadores, teremos de actuar em conformidade.
Em presença de aguagens com intensidades leves ou médias, os peixes gastam menos energia, têm mais  capacidade de fuga e / ou tempo para preparar ataques, sentem os cheiros e vibrações vindos de longe e correm mais água em procura. Nós, podemos fundear melhor; pescar com melhor noção sobre os fundos onde actuam; adequar e colocar melhor as nossas baixadas, em função dos sinais; e, despender menos esforço. Portanto, tudo indica que existem vantagens significativas em pescar com aguagens leves a médias.

As reflexões produzidas, essencialmente apoiadas em vivências da caça sub e na regra básica orientadora de comportamentos alimentares, podem ainda ser suportadas pelas leituras de sonda, sinais de toques e resultados obtidos em acção de pesca, em presença das intensidades analisadas.

A sonda, no caso de aguagem de intensidade limite ou superior, usualmente mostra muito pouco peixe por cima dos bicos e algum, muito concentrado, na beirada contrária ao rumo da mesma. Em alguns casos, vêm-se sinais de actividade por cima dos bicos, mas numa segunda passagem já só se vê um deserto, indicando que o peixe ou está em movimento, ou está completamente agarrado na zona de abrigo do pontão, local onde será extremamente difícil colocar as nossas baixadas, tanto mais, quanto maior a intensidade. Melhor será procurar pesqueiros noutra zona.
Outro figurino pode acontecer... em determinados pesqueiros, principalmente em pontões muito altos, estes apresentam-se escavados do lado frente ao rumo da aguagem e cheios de actividade decorrente deste abrigo criado pela própria erosão das correntes predominantes. Nesta situação, quando conseguimos fundear afastados e colocar as baixadas perto deste abrigo, mesmo com aguagens de intensidade limite ou até mais fortes, as hipóteses de capturas interessantes aumentam significativamente.
As decisões de ficar ou desandar para situações mais favoráveis de pesca, dependerão sempre dos sinais dados pelos toques. Se existirem logo que descemos as nossas iscas, vamos ficando, analisando e procedendo conforme evolução da intensidade destes e de eventuais capturas conseguidas; se, ao fim de algum tempo, nada se sente, está na hora de ir pregar para outra freguesia.

3.1. As montagens a utilizar, poderão variar face às circunstâncias referidas, considerando: a proximidade do barco a que queremos pescar; as iscadas com isca maior, menor e mais ou menos rija, em uso; assim como, a exploração que entendermos fazer na coluna de água ou ao fundo, face aos sinais e tipologia das estruturas onde, em determinado momento, exercemos a nossa acção. Os peixes poderão atacar qualquer delas, dependendo de tantos factores que só a experimentação e a análise de resultados, poderão nortear as nossas opções nesta área.

As montagens que se seguem, não são a "descoberta da pólvora", simplesmente são as que me têm resultado ou a companheiros que vi em acção de pesca, cuja fiabilidade técnica e resultados, não deixam margem para dúvidas quanto à fiabilidade destes materiais, tanto a pescar ao fundo, quanto à chumbadinha. A primeira, com bons resultados com qualquer intensidade de aguagem; a segunda, parecendo-me mais adequada para aguagens de intensidade leve a média.

Com ou sem aguagem, a montagem que mais uso está mais que descrita, em artigos variados, aqui pelo blogue; ou seja, aquela de dois estralhos, entre os 60 e os 100cm, separados 120 a 150cm; com`fusível à chumbada, entre os 25 e os 30 cm, usando destorcedores iguais ao que se encontra na montagem da figura seguinte.
Esta montagem, permitindo variações do comprimento e espessura / resistência do único fio do estralho, assim como do comprimento do fiel da chumbada, pode adequar-se para iscadas grandes, mortas ou vivas, pescando com ou sem aguagem, na mão, ou com a cana a pescar no caneiro; tendo provado a sua eficácia, principalmente, com existência de alguma aguagem. Importa referir que um estralho mais comprido, tenderá a melhorar a apresentação da isca, para peixe maior, na maioria da situações. Com aguagem, o estralho comprido assegura sempre alguma capacidade de sentir os toques atendendo a que a linha, por força da água, estará esticada. Cada pescador adequará os comprimentos, segundo a sua própria sensibilidade, sendo que, segundo experiências efectuadas, nunca menos de 150cm e podendo chegar aos 300cm ou mais.


Como podem reparar o estralho fica alinhado com a madre, diminuindo folgas e, consequentemente, parecendo melhorar a capacidade de sentir e ferrar.

Para aguagens com intensidades leves a médias, explorando a coluna de água e fundo, deixo-vos uma montagem de chumbadinha, com anzol simples, já divulgada em várias revistas da especialidade e que já actuou com resultados muito bons lá a bordo do Makaira (com Pessoal amigo do Team Chumbadinha). Aliás, nunca até ao momento conseguidos por mim, muito por ainda não me ter dedicado a sério a esta técnica. Mas os primeiros passos estão dados e veremos o que acontece!?


A pérola de protecção ao nó, foi coisa que não vi, mas que me parece importante, nomeadamente, quando os furos das chumbadas se encavalitam neste.

Nas montagens anteriores, pode optar-se, em vez de um único anzol, por montar dois anzóis em tandem, pelo que vos deixo duas sugestões: a da esquerda, para a montagem que apresentei na primeira imagem; a da direita, para a chumbadinha, obrigando a um pormenor diferente no que respeita à prisão e consequente forma de correr da chumbada, para evitar que esta encoste ao primeiro anzol (na sua direcção) que estando preso por um tubo plástico, tenderá a correr para cima do da ponta, por força da tensão da chumbada sobre ele, principalmente no acto de lançamento.


Nesta montagem o anzol da ponta está empatado e o que se encontra na linha, de argola, corre nesta com alguma pressão fornecida pelo envolvimento do tubo de plástico, permitindo variar distâncias entre anzóis, face ao tamanho da isca e evitando outro nó que certamente, devido à proximidade, enfraqueceria significativamente o estralho.
No caso do tandem para a chumbadinha, importa referir que o estralho que vem do destorcedor aos anzóis,  podendo ser mais grosso que a madre, não deve exceder os 50cm entre o destorcedor e o anzol da ponta, sob pena de se embrulhar quando se lança ou se deixa a baixada descer, acreditem que já testei!
À excepção do cuidado apontado, a chumbada corre lindamente, promovendo um afastamento significativo da iscada, assim como, uma exploração liberta da coluna de água, talvez mais que com a chumbada furada.
Duas outras vantagens, me parecem ter este último sistema: uma, a facilidade de mudar os pesos da chumbada; outra, a possibilidade de colocar um lider mais grosso, mantendo fios de suporte mais finos e, consequentemente, menos levados pela aguagem.
Na imagem seguinte deixo-vos o pormenor do clip real para ligação à chumbada que melhor funcionou nos testes realizados.


Esta peça existe em vários tamanhos, parecendo ser os mais adequados, aqueles entre 1,5 e 2cm.

4.1. De posse dos seus saberes e eventualmente de algo que por aqui se escreveu, resta ao pescador ir para o mar, procurar, fundear, aperceber-se das condições e, caso a aguagem se manifeste, determinar a respectiva intensidade, optar por materiais, montagens, iscas e tamanho de iscadas a utilizar; e, ir experimentando, diversificando...; mantendo, no entanto, alguns comportamentos que porventura já adquiriu, mas que não custa referenciar por aqui.

- Caso queira pescar o mais próximo possível do barco e ao fundo, escolhida que está a gramagem da chumbada, se lançar um pouco contra a aguagem, as baixadas atrasam o afastamento. Deverá ainda, neste caso, ir travando a saída da linha, para diminuir o seio que normalmente se forma e lhe dificultará as funções: sentir e ferrar.
- Caso queira testar mais afastado, pode ir deixando cair na vertical ou lançando cada vez mais na direcção do rumo da aguagem, travando sempre linha para diminuir o tal seio. Isto utilizando a mesma chumbada, sendo que diminuir o peso desta com o mesmo objectivo, pode também ser uma opção, principalmente se tal significar uma poupança de esforço.
- Após chegada da baixada ao fundo, a cana deve ser elevada e retiradas as folgas de forma a que fique a pescar com a ponteira o mais direita possível, sendo que uma colocação da ponteira da cana, acima do nível da cintura e perpendicular ao rumo da aguagem, poderá facilitar a visualização dos toques e a rapidez de ferragem, após a qual, a cana deverá manter-se elevada, quer para verificação da ferragem, quer para manutenção da luta com capacidade de resposta a maiores arranques do peixe.
- No caso da chumbadinha, há que lançar e deixar ir, facilitando a saída da linha e esperando que, chegada a chumbada ao fundo, a aguagem pegue na isca e estique a linha, o que poderá ser ajudado com algumas cuidadas voltas de carreto, se bem que esta opção poderá diminuir a exploração da coluna de água pela iscada.
- Em ambos os casos - pesca ao fundo e chumbadinha - a atenção em acção de pesca deve manter-se muito activa, logo que a linha começa a descer, principalmente no caso da chumbadinha.
- A atenção aos toques do peixe miúdo e o sentir do peso com e sem isca, é outro pormenor sempre a ter em conta, pois pescas desiscadas não fazem nada lá pelo fundo. Muito tempo sem sentir, tanto pode querer dizer que nenhum peixe lá foi, como, desiscaram e não sentimos... acontece aos melhores!

Ainda percorrendo pormenores referenciados pelos comentadores que originaram este complemento ao artigo anterior, importa deixar algumas notas sobre o material, principalmente no que se refere a fios e canas.

Sobre os fios:

- Nomeadamente o fio do carreto, atendendo a que é o que maior quantidade terá na água, deverá ser o mais fino possível, face aos exemplares que se esperam, no sentido de diminuir o atrito provocado pela aguagem.
- Os fios da ponteira de amortecimento e dos estralhos ou do líder, terão espessuras adequadas, deste que as resistências, quer à tracção, quer à abrasão sejam também adequadas aos "fregueses".

Sobre as canas:

- No caso da pesca ao fundo com chumbada pesada, uma cana de 3,5mt ou um pouco mais, de acção semiparabólica progressiva, com alguma rijeza, ou próxima da acção de ponta; parece ter tanto mais vantagens para sentir e ferrar, quanto maior for a intensidade da aguagem. Principalmente porque terá de lutar, na ferragem, quer com o seio do fio, quer com uma chumbada de 180 gr ou mais, para além da boca rija do peixe. Verdade também que quanto mais rija for, mais dura será em luta, exigindo mais cuidados e esforço do pescador.
- No caso da chumbadinha, atendendo a que as chumbadas em uso, tendem a ser muito mais leves, parece mais indicada uma cana de acção semiparabólica progressiva, de comprimento idêntico e menos rija que assegurará, com boa prestação, as funções: sentir, ferrar e luta. Isto porque, tudo indica que a maior tensão que esta cana terá, em espera, será aquela provocada pela força da aguagem sobre algum seio do fio e a isca.

Sobre a aguagem, penso que, para já, considerando o anterior artigo e os comentários produzidos, temos aqui matéria farta de discussão, esperando que os leitores e / ou os comentadores interessados se pronunciem com base nas suas experiências.
Quanto àqueles que se iniciam, aguardam-se questões e espera-se que o escrito vos sirva!?

Do conjunto de intervenções produzidas, falta referir a questão colocada pelo Filipe. A resposta vem no fim, atendendo a que se refere a correntes de maré em rio e estuário, o que, de algum modo estando relacionado, foge um pouco ao tema.
Sobre o assunto, considerando algumas experiências no Rio Sado, nomeadamente com Douradas e segundo consulta a registos vários, pode dizer-se que, os melhores resultados se verificaram, na maioria dos pesqueiros, em situação de marés vivas, com variações entre os 3,70 / 3,90, na maré alta; e, os 0,30 / 0,50, na baixa.
Importa referir, entretanto dois factores importantes:

1. O Sado, tem menos corrente que o Tejo
2. Quando as marés eram maiores que as referidas, procuravam-se pesqueiros perto de zonas de refluxo, onde a maré corria menos e acabavam por se melhorar resultados. O mesmo acontecia, no caso de marés que corriam menos... neste caso, procuravam-se canais de corrente mais intensa e muitas vezes se melhoravam também os resultados.

O acima descrito, tem a ver com a procura de pesqueiros para além daqueles que nos são habituais e mais produtivos, em determinadas condições que consideramos ideais, tendo por base o conceito de que o peixe sempre se alimenta procurando as condições mais vantajosas para ele.

Sobre este assunto, para já, fico-me por aqui, esperando que tenha aprofundado minimamente.

A todos os leitores e comentadores, desejo uma boa noite e envio um forte abraço.



Reflexões complementares, considerando comentários enviados:

A participação de leitores através de comentários face a este artigo, faz-me sentir obrigado a complementá-lo; pelo que escolhi fazê-lo aqui, em vez de responder na área dos comentários, por achar que quaisquer reflexões nesse formato, acabam por se ocultar daqueles outros menos atentos.

As questões levantadas situam-se em torno do material, área que, embora possa não parecer, considero como extremamente importante nesta nossa actividade como se pode ver se lerem ou relerem o artigo por mim escrito - http://aminhapesca.blogspot.pt/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html - que, no momento em que publico este complemento, conta com 5709 visualizações, sendo o artigo mais lido desde sempre na história deste blogue.
Não pretendo com tal afirmação nada mais que realçar a preocupação e interesse que nós, pescadores, sentimos por esta área.
Fica também patente no artigo referido que, quando abordo questões relacionadas com material, evito a transmissão de alguns conceitos, como sejam, entre outros:

- Falar de uma só marca ou deixar no ar que esta ou aquela marca é melhor que aquela outra; isto, por achar que todas as marcas têm materiais bons e menos bons.

- O material que uso é melhor que este ou aquele; isto, porque o material que uso é aquele que melhor me tem servido, face às minhas características físicas, à sua qualidade, versus a capacidade da minha bolsa e também porque não conheço todos os materiais que existem por esse mundo fora.

- O material topo de gama assegura a melhor prestação; isto, por achar que o material é importante mas não faz o pescador.

Principalmente pelas razões apresentadas, evito falar de marcas, preferindo falar de acções e características dos materiais, versus as funções esperadas a desempenhar. Certamente, melhor qualidade trará maior duração, menor necessidade de manutenção e poderá poupar um ou outro dissabor, mas neste caso continua a mandar a carteira.
Uma outra questão, relacionada com a carteira que também me preocupa, prende-se com a nossa adaptação a um tipo de material que possuímos que, podendo não ser o mais adequado para determinada situação, através de alterações do nosso comportamento em acção de pesca, poderá corresponder melhor, evitando outros gastos.

Finalmente, sempre que falo de material e de marcas por achar que é necessário, gosto de deixar algumas notas introdutórias idênticas às descritas, no sentido de não melindrar aqueles defensores de outras ideias sobre o tema e / ou materiais específicos, muito por este se relacionar com actividades comerciais e com gostos, características e necessidades muito específicas, pessoais e diversas no que respeita a experiências e consequentes opções.

Relativamente ao comentário do João Martins, acho o seguinte:

O multifilamento como fio do carreto, atendendo à sua falta de elasticidade, para além de permitir menores diâmetros para a mesma resistência do mono, o que tem vantagens em situação de aguagem por oferecer menos resistência hidrodinâmica, assegurará sempre um melhor sentir de toques, assim como uma melhor ferragem.
Quanto ao mono, reconhece-se-lhe uma grande virtude… a eficácia em luta devido à sua elasticidade, podendo funcionar muito bem caso se tenha uma cana e carreto a pescar a solo, neste caso contando principalmente com a auto ferragem.

Quanto às chumbadas, as do tipo torpedo ou similares, para a pesca ao fundo e as do tipo oliva ou redondas, furadas, para a chumbadinha, parecem-me as mais adequadas, principalmente atendendo à sua hidrodinamia. Quanto às hipóteses de se prenderem ao fundo, pois, não vejo que tenham desvantagens face a outros formatos.


Sobre as canas, continuo a defender o mesmo tipo de cana, quer para a pesca ao fundo com chumbada quer para a pesca à chumbadinha.
Uma questão que me parece pertinente, principalmente no caso da chumbadinha, prende-se com os passadores da ponteira com uma largura mais facilitadora da saída de fio que a habitual nas canas de ponteiras. Acho até que uma cana para pesca aos Pargos ao fundo e / ou à chumbadinha, poderia ser algo parecido com uma cana de spinning de duas partes, situando-se em comprimentos entre os 3,00 e os 4,00m, sem ponteiras, sensível e de acção semi parabólica progressiva. A variação de comprimentos terá essencialmente a ver com os gostos e capacidades físicas de cada um.
Pessoalmente, contínuo a pescar com a 7even 3,60, de 3 partes e com a Steel Power, da NBS, de 3,60 também de 3 partes. Poderão não ser as melhores, mas são as que tenho e servem-me bem. Ambas têm o mesmo tipo de acção, semi parabólica progressiva; a 7even é uma pluma que se aguenta muito bem com qualquer peixe; a NBS é um pesadelo que aguenta tudo, mas gosto de exercitar o braço. Manias de Professor de Edcação Física. Há melhores? Não tenho dúvidas que sim!

Finalmente, relativamente ao referido pelo Luís Ramalho, tenho a comentar o seguinte:

Sobre a questão do carreto, sem dúvida que um topo de gama poderá melhorar as prestações em qualquer situação, com ou sem aguagem, excepto no que respeita ao Jigging, onde me parece mais importante a escolha da gama alta atendendo às exigências particulares da técnica. Já no que respeita às pescas em análise, parece-me, no conjunto, ser a cana a peça a pensar melhor, sem desprimor para o carreto.

Importa ainda referir que um destes conjuntos (cana / carreto) deverá ter a leveza, como característica extremamente importante, conjugada com preço de aquisição e eficácia face à técnica em uso, gostos e característcas físicas específicos de cada um.

Uso os seguintes: Penn 6500SS, Penn 8500SS, Cabo 60, Cabo 80, ICON VG e Ryobi Safari 5000. Vario as utilizações, face à técnica em uso, sendo que os mais usados para pescar na mão ao fundo ou chumbadinha são por ordem de minha preferência: O Cabo 60, o ICON VG e os Penn 6500SS. Os outros, uso-os quer nas canas a pescarem no caneiro, quer no Jigging.

Relativamente aos anzóis, se ao nível do conjunto cana / carreto a escolha é difícil, neste caso é uma autêntica loucura de variedade, pelo que vos mostro os que actualmente uso:


O Kong da Hiro para a chumbadinha em 6 e 8/0, os chinus de argola ou pata, de marcas variadas para pescar ao fundo, normalmente entre os 5 e os 6/0. Sendo que neste caso, os Hayabusa da foto são os meus preferidos.

Quanto aos óculos, assim como a roupa confortável e outros acessórios, considero que são extremamente confortáveis e por tal importantes para que o pescador mantenha a sua melhor performance ao longo do dia. Também aqui a escolha é infinita e há que testar. Eu, por acaso, uso ténis e roupa velha de algodão já feita ao corpo e uns óculos da Rapala de 27 euros que acho bons. Talvez porque não experimentei outros. Não sei ao certo!?

Outras questões poderão certamente ser pertinentes, penso que respondi minimamente às últimas, se não, estou por aqui!

Uma boa noite a todos os leitores.


Reflexões complementares, considerando comentários enviados (continuação):

Outras questões se colocaram... outras questões merecem reflexão e análise!

Considerando o último comentário do Luís Ramalho, duas variáveis nesta pesca com aguagem merecem análise para além da já produzida que terá pecado por insuficiente.


1. A leitura "errada" da sonda
2. Engodo / preparação do pesqueiro

1.1 A palavra "errada" muito bem colocada, entre aspas, pelo Luís Ramalho, refere-se certamente a leituras de sonda que apresentando muito pouca ou nenhuma actividade nos locais esperados, podem não querer dizer que o peixe não ande por ali ou não se capture.

As imagens de sondagem, na presença de aguagens limite ou mais fortes, tendem a não mostrar peixe, a mostrar peixe por cima de bicos à 1.ª passagem e já não mostrar à 2.ª e, por vezes, mostrar pequenas bolas de peixe muito concentradas no lado do pontão, oposto ao rumo da aguagem. Penso que isto acontece porque respectivamente o peixe não está logo ali onde normalmente se situa o pesqueiro, está em movimento ou está abrigado nos refluxos provocados pela força da água em zonas tão abrigadas que dificilmente conseguiremos lá colocar as nossa iscas. Portanto a imagem de sonda não está errada, o peixe é que fica com um comportamento que, na maioria das vezes, não se deixa apanhar em imagem.

Nada disto impede que não se fundeie e não se tente, nomeadamente se a zona  é propícia à concentração ou passagem de peixe grande, muito pela configuração de fundos por baixo do barco, na linha em que as nossas baixadas vão actuar e zonas em volta. Quer dizer com isto que o fundo onde nos encontramos e o seu enquadramento na área circundante, se tiverem características para abrigo do peixe, mesmo com aguagem forte serão sempre pontos de referência onde, mais cedo ou mais tarde, as surpresas podem acontecer, quer pelo peixe que já lá possa estar abrigado, quer por outros que ali venham procurar abrigo e/ou alimentação. 
Uma zona de pesqueiros deste tipo, caracteriza-se normalmente por mostrar zonas de limpo e entralhados rodeadas por pontões mais ou menos altos, ou zonas de pedra concentradas, muito irregulares e com diferenças significativas de profundidades, isoladas no meio de zonas extensas de areia e/ou lodo. Importa referir que estas serão as configurações mais propícias, salvaguardando outras condições existentes que possamos não dominar e nos condenem ao fracasso.

Numa das zonas referenciadas, após fundeio ou se já lá estivermos fundeados quando se verifica a entrada de aguagem, há que, respectivamente, preparar o pesqueiro e / ou alterar iscas, iscadas e até montagens se sentirmos essa necessidade, o que nos leva à segunda questão levantada pelo Luís: engodo / preparação do pesqueiro...

1.2 A preparação do pesqueiro ou como gosto de lhe chamar... "trabalhar o pesqueiro", passa sempre por uma acção de engodagem com dois objectivos: um, espalhar cheiro de comida que atraia "clientes" de vários tamanhos e dois, criar frenesim de comida cujas vibrações causadas pelos "gaiatos", em torno das nossas iscas ou engodos, venham a atrair a atençaõ daqueles que de facto queremos. Importa referir que o frenesim, tudo indica, será tanto mais intenso, quanto mais peixe pequeno disputar as nossas iscas, atendendo à competição criada. Se lá estiver peixe grande em concentração e com fome, o que por vezes (mais raras) acontece, as ferragens podem tornar-se sucessivas e com pouca intervenção do pescador.

A engodagem pode ter dois formatos essenciais:

A. Através de formas de engodar específicas e variadas para além das nossas iscas, como por exemplo, as analisadas neste artigo: Engodar ao fundo.
B. Através das nossas iscas, tendo em conta tamanhos, formatos, frequência de roubos e de reposição das mesmas.

Para todos os efeitos, a engodagem em que mais se pode confiar, parece-me, será sempre a provocada pelas nossas iscas, atendendo a que os anzóis estarão na fonte da engodagem, normalmente, o local final onde aqueles que queremos acabarão por chegar, mesmo que levem mais tempo e obriguem a muito mais esforço do pescador face a outros tipos de engodagem.

Quanto a outras formas de engodagem, sem dúvida que, desde que as nossas iscas e consequentes armadilhas se encontrem na linha de engodo ou próximo, serão menos cansativas e mais produtivas. O problema estará no controlo que possamos ter sobre estes factores de alinhamento que, muitas vezes, podem não ser o que parecem, nomeadamente com aguagens limites ou mais fortes, em que, para além de muitas vezes acontecerem aguagens de rumo inverso ao longo da coluna de água, até podem haver variações de concentração de peixe grande na coluna de água e muito acima das nossas iscadas.

Para todos os efeitos, parece-me... serão sempre os sinais fornecidos pelos toques e restos de iscas que retornam, ou, a ausência destes que nos farão tomar a decisão de ficar ou procurar outras paragens para a nossa acção de pesca.

Temos ainda uma outra hipótese... face ao pesqueiro em que actuamos, à época do ano e a experiências recentes conseguidas em condições idênticas, podemos decidir que: "não se passa nada, mas o peixe há-de entrar" e, assim decidindo, ficamos e a coisa acaba por se dar!
Já me aconteceu algumas vezes embora na ausência de sinais prefira procurar outros locais!

As questões aqui levantadas, constarão das alterações ao workshop de sonda, a realizar no próximo dia 18 de Novembro, assim como a outra sobre iscas, formas de iscar, montagens e materiais ao momento, a realizar a 16 de Dezembro e que brevemente divulgarei por aqui, ma minha página do FB e no fórum do site Porto de Abrigo Porto de Abrigo

Mais uma vez me despeço, salvaguardando o retorno caso sejam colocadas outras questões.

Boa tarde a todos os leitores.




segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comentários anónimos e pesca com hora marcada… Como conjugar isto?

O fim de semana teve pesca, Sexta à tarde e Sábado com hora marcada para chegar a Setúbal e jantar com a minha mulher antecipando o seu aniversário.
Não foram grandes pescas, mas a tarde de Sexta valeu um um bom jantar e o meio dia de Sábado, ainda deu para a fotografia. Mas já lá vamos.
A talhe de foice quero contar-vos, entretanto, sobre um comentário enviado por um anónimo.
No Domingo, dia dos "Cravos", de manhã, vim por aqui dar uma volta, deparando-me com dois comentários novos: um, de um novo comentador que gostou do que leu e normalmente se identificou e comentou; outro, de um anónimo, de poucas palavras, nítida e anormalmente ofensivo.
Ao primeiro respondi como normalmente faço; o segundo, deixou-me a pensar... O que faço? Vale a pena fazer algo? Publico... Não publico? Respondo… Não respondo? Recuso... Não recuso?
A verdade é que o blogue já tem 3 anos e tal de vida e nunca tal tinha acontecido?! Senão vejamos:
O leitor anónimo, supostamente zangado, em poucas palavras e referindo-se à última entrada sobre material (http://aminhapesca.blogspot.com/2010/01/material-de-pesca-uma-dor-de-cabeca.html) "manda-me" literalmente "... Meter as minhas teses e teorias...", naquele sítio da minha anatomia onde tenho dificuldade em conter a saída de alguns gases, principalmente quando vejo, leio ou oiço certas coisas... Ninguém é perfeito!
Convenhamos... Não é bonito!
Uma outra dificuldade criada à pretensiosa "ordem" dada por este Sr. Anónimo, prende-se com a quantidade enorme de "teses", "teorias" e resultados que as baseiam... Imaginem-me a ter de meter no "tal sítio" tudo o que já escrevi, mais as capturas que fundamentam os escritos?!
Decididamente, o meu "tal sítio" não tem hábito, treino ou capacidade para tanto e congratulo-me por isso.
Vai-se ver, este Sr. Anónimo tem um "tal sítio" com enormes capacidades e pensa que toda a gente é parecida... Mas parece-me que está redondamente enganado.
Brincadeiras à parte... Este tipo de intervenção não se coaduna minimamente com o espírito d' A Minha Pesca ou com o ambiente que por aqui se vive, o que me fez não deixar o caso passar ao lado. Não quero qualifica-lo, mas é bom que tenhamos os pés na terra quanto a intervenções deste tipo. Existem de facto!
Quanto ao Sr. Anónimo, quero informa-lo que o seu anonimato pode não estar salvaguardado, dependendo para tal a escolha que fez do conjunto PC/net utilizado.
As ferramentas de identificação que tenho aqui na página dizem-me que: a partir de Lisboa, esteva cá entre a 1.18.46 e a 1.44.04 horas, da madrugada de Domingo; entrou através de link existente num blogue de pessoal amigo e escreveu um comentário na referida entrada que não publiquei. A mesma ferramenta de identificação deixa-me o IP utilizado, assim como a identificação alfanumérica do servidor de internet, no seu caso a netcabo. Quem sabe… Talvez ainda nos venhamos a conhecer…
Para todos os efeitos, as “teses” e “teorias” que coloco por aqui em vez de no “tal sítio”, acabaram, em tempo de pesca reduzido e procurando pesqueiros que me pareceram adequados ao súbito aumento da temperatura das águas (18º), por resultar em alguns bons peixes.
Na Sexta, iniciei a solo, pelas 15.00 horas e, após trabalho árduo de reposição contínua de iscas, ainda entraram uns Parguetes, algumas Sarguetas de bom tamanho, dois Sargos para aí de meio quilo e este maiorzito da foto.
DSC03890
Coitado do bicho, embora mais gordo que o habitual para esta altura do ano, reparem na barbatana caudal… Sofreu para ali um ataque de dentes grandes… O que teria sido?
Certo é que fez as delícias do Zé Manel, do Joaquim e minhas. Estava um espectáculo!
À conversa animada após o jantar, sucederam a recolha de iscas para o dia seguinte e o merecido descanso.
O Sábado acordou bonito e calmo, antevendo algumas horas de pesca sem percalços e balanços, na companhia do meu amigo Zeca.
O tempo de pesca seria curto, mas arriscámos os pesqueiros de terra, na procura de surpresas que podem acontecer nestes momentos em que as temperaturas da água aumentam.
As iscadas de Sardinha iniciaram o seu serviço em fundos de 23 metros com boa marcação. A cana com isca viva, iscada com um Peixe Piça, solicitava um ataque de peixe maior, mas, ao fim de uma hora e tal, a trabalhar o pesqueiro, os sinais desvaneceram-se obrigando-nos a procurar outros fundos. Fomos para fora, procurámos, sondámos e fundeámos agora mais fundo… A 48 metros.
A acção de pesca iniciou-se dando bons sinais, tanto pelo tipo de toques, quanto pelo roubo das iscadas. Entraram Sarguetas, Parguetes, Choupas grandes, espaçados no tempo e com promessa de que algo mais interessante poderia acontecer. O tempo esgotava-se e o maior entrou! Cá está ele… Mais uma Saima para o rol!
DSC03892 Não tem dúvida, esta época não me largam, estes listados!
Insistimos mais uma meia hora, mas a luta entre ir ficando ou cumprir com horas combinadas para jantar em Setúbal com a família, pendeu para este último lado e voltámos ao porto, com aquela sensação de que a tarde poderia trazer aqueles maiores que tão insistentemente procuramos.
Outros dias… Outras pescas vão acontecer, este ano mais espaçadas, primeiro pelas condições climatéricas e agora por trabalho. Vamos ver quando volto… Espero que breve.
Até lá divirtam-se e pesquem muito!
Boa noite a todos os leitores

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Fim de Semana de 22 e 23/11/98 e... As Chumbadas Coloridas!

Mais um fim de semana em que não contava ir, mas fui!
Sábado, cheguei a Sines por volta do Meio Dia e encontrei-me com o Tavares com quem tinha, por telefone, combinado esta pesca de última hora.
Preparação de barco para a esquerda, iscas para a direita, montagens à mistura e canas armadas; saímos para o mar eram perto das duas da tarde, dirigindo-nos a um pesqueiro ali perto, na disposição de gozar a tarde no mar, com ou sem peixe, mas com todos os sentidos de pescador em alerta vermelho.
Iniciámos as hostilidades e, ao fim de uma hora e tal de esforço contínuo e conversas pelo meio, entra aquele bicharoco, da foto de entrada, ainda a saltar nas mãos do feliz contemplado. Feliz... Não propriamente pelo tamanho da captura mas por, uma vez mais, sentir que a poitada do barco, a leitura de sinais, a regularidade e velocidade da descida das iscas e a insistência teimosa, davam os seus frutos, deixando tudo em aberto para a entrada de coisa maior.
Tudo se desenrolou muito rápido!
Logo em seguida, entrou a Dourada que se vê abaixo e a vida sorria-nos!
Entraram, outra mais pequena e um Pargo para aí com 1,500 kgs. Não parava! Era isca para baixo, peixe para cima!
O Tavares apanhou outro Pargo igual ao anterior e o Sargo que mostra aqui em baixo, tudo isto para aí em 20/30 minutos. Alucinante!
Principalmente, se pensarmos no tempo que estivemos para ali a ser roubados indecentemente.

O Sol já se mostrava vermelho, como que incomodado por ver tanto peixe a sair e escondia-se na linha do horizonte, dizendo-nos talvez que o nosso tempo tinha acabado e eram horas de voltarmos ao porto, pois o jantar estava assegurado.

Não acreditámos no sol e insistimos, mas, ele tinha razão!

A satisfação reflectia-se nas nossas caras enquanto rumávamos a terra, com a promessa de que iríamos comer o Pargo e a Dourada das fotos, os dois maiores, com mais uns companheiros, escaladinhos na brasa, os peixes claro!

Não os pesámos, mas éramos seis à mesa e ainda sobrou para mais um que a nós se juntou! Só têm de calcular pesos...

Conversa de pesca, mais um copo ou dois e ala para a cama que o dia seguinte prometia!

Uma vez mais se revelou acertado o provérbio Português que diz: "Promessas não pagam dívidas"!

Nada fazia esperar o que aconteceu no dia seguinte! Há muito que não acontecia!

Fui com o meu amigo Cruz, também com convite de última hora e, digo-vos meus amigos! Não fora o Pargo de 2,600 kgs que caíu à cana dele, sem que nada o fizesse esperar e seria a pior pesca que teria feito, a bordo do meu barco, nos últimos tempos!

Tirando o referido Pargo, figurante na imagem superior, entraram algumas choupas, uma Dourada pequena e uma Sargueta ou duas, a maior parte delas devolvida à procedência!
Já olhei para a Lua, para as marés, para os registos que guardo de outras pescas boas e menos boas e não consigo explicar como ou porque aconteceu! Simplesmente aconteceu!

Mudanças de sítio, diversificação das iscas e formas de iscar, aumento e diminuição dos estralhos, mudança da cor das chumbadas, enfim... Nada resultou, excepto um dia de pesca, bem passado e cheio das recordações que ambos guardamos de tantas horas no mar que passámos juntos.

Outros dias e outras pescas virão, sendo que talvez num desses dias, numa dessas pescas, venhamos a entender o que se passou nesta jornada.

Entretanto, já que falei no assunto, aproveito e vou dar resposta ao comentário do meu amigo João Martins, feito na última entrada, sobre a explicação das chumbadas de cor, sendo que a minha favorita é a vermelha, rugosa e com uns pequenos brilhantes incorporados nesta cobertura feita com mestria por outro amigo, o Nuno Paulino.

Numa entrada não muito lá para trás, já avancei com as principais razões que me levaram a usar estes afundadores hidrodinâmicos, rugosos e coloridos. Prendiam-se essas razões, mais com a apresentação diferenciada das habituais chumbadas com aquela cor cinzenta, específica do material de que são feitas, do que, propriamente, pelo poder de atrair peixe ou coisa que o valha!

Entretanto, por acaso, num daqueles dias de vento que foram quase uma constante deste verão que acaba de se finar, queimando tempo de férias, fui passear a um passadiço alto lá do Porto de Recreio de Sines, por volta do Meio dia, na mira de observar alguns peixes de qualidade que costumam por ali deambular.

Do alto da posição que a altura do passadiço permite, olhando o fundo, este parecia deserto, nada mexia por ali, parecendo-me tal situação pouco provável.

Disse para comigo: em algum lado andarão!

Com o intuito de os atrair, voltei atrás, fui buscar uma pedra do tamanho dum punho fechado e deixei-a cair, sabendo que o movimento atrai, por norma, os nossos "amigos". Não me enganei!

Enquanto a pedra descia, ele era Sargos, Cavalas e até um Robalo; apareciam de todo o lado, em direcção à pedra, da qual, se desinteressaram completamente assim que verificaram ser aquilo a origem das vibrações causadas, sem sequer se dignarem investigar mais perto e tornando a desaparecer em seguida.

Fiquei a pensar nisto, enquanto dava mais uma volta por ali, cavaqueando com quem aparecia e dirigindo-me em direcção ao barco, onde sempre arranjo algo com que me entreter.

Chegado à embarcação, dou de caras com as chumbadas coloridas que estão por ali sempre à mão e surgiu-me instantaneamente a ideia de experimentar o que os nossos amigos fariam se eu atirasse a chumbada em vez da pedra! Já tinha com que me entreter!

Corri, com uma das vermelhas, direitinho ao ponto de observação, apercebendo-me que o falso deserto estava como antes e, sem demora, perdi o amor a um euro e qualquer coisa e atirei a chumbada para o fundo!

Os "artistas" apareceram rapidamente e, para meu espanto, primeiro os "miúdos" depois os "graúdos"; os primeiros com algum frenesim e os segundos com um pouco mais de calma, todos foram ao local onde a chumbada caíu, investigaram-na durante alguns segundos e foram-se retirando, reagindo mais lentamente nessa retirada, considerando o acontecido com a pedra.

O que dizer?

Não sei se foi pela cor!? Não sei se foi a rapidez superior de descida que, não lhes tendo dado tempo à observação, obrigou a que investigassem mais de perto!?

O que sei é que o fizeram!

Não sei se a 50, 70 ou mais metros, as reacções serão as mesmas!?

O que sei é que o movimento também acontece e a curiosidade dos nossos "amigos" é uma constante que devemos explorar, podendo contribuír para esta, qualquer coisa diferente e não agressiva que por lá caia.

Já capturei grandes e pequenos com vermelhas, azuis e vermelhas com branco misturado! Serão os brilhantes incorporados que fazem a diferença? Não faço ideia!

Assim como, também não sei se os teria apanhado mais cedo ou mais tarde com as cinzentas ou qualquer outra coloração.

Para todos os efeitos, pelo sim pelo não, vou-as usando! Mais as vermelhas, talvez...

Se esperavam uma fórmula secreta relacionada com as cores das chumbadas que só atraísse aqueles maiores de que gostamos, lamento desapontá-los!

Até ao momento, só os tenho conseguido capturar com muito trabalho, muita paciência, muita perseverança e muita pesca! Também com montagens, iscas, canas e carretos diversificados! Também em pesqueiros mais à terra, mais fora, mais a Norte, mais a Sul, testados sempre que posso em diferentes épocas.

Talvez um dia descubra a fórmula secreta... Mas, se isso acontecer, habituado como estou a tudo ser difícil, vai-se ver, nem vou dar por isso!

Boa noite a todos os leitores!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Resposta a Comentário - 05/07/2007


Viva Vitor Bragança!

Agradeço o seu comentário, nomeadamente, porque sei o trabalho que dá fazê-lo aqui neste blog.

Quanto ao que aqui escrevo, limito-me a testemunhar na primeira pessoa, aquilo que faço, apontando a mim próprio e a quem lê, os sucessos, os insucessos, os conceitos e a forma como tenho vindo a desenvolver a minha pesca, estudando, ouvindo, pesquisando e experimentando; preferindo muitas vezes trazer uma grade, a fazer todos os dias tudo igual ou, unicamente o que outros já fizeram!

Os momentos e sensações que esta forma de actuar me têm proporcionado, valem bem o trabalho que isto dá!

Agradeço a todos com quem aprendi e contínuo a aprender, e, também áqueles que comentando o que por aqui escrevo, me dão sinais de que, o que para aqui tenho dito, tem alguma valia para a sua prestação enquanto pescadores lúdicos, desportivos ou, como quer que os queiram nomear!

Quanto a si Vitor Bragança! Grato por me proporcionar estes momentos e sensações!

Deixo-o com uma foto minha em acção de pesca! Desculpe estar de costas, mas não tenho, de momento, outra foto em condições que não tenha ainda sido editada.