segunda-feira, 14 de abril de 2008

Dias perfeitos... dependem muito de nós!

Sábado em solitário e Domingo com um amigo!
Pesca muita! Peixe pouco!
Experiências a perder de vista, mas, os grandes, esses não dei com eles!
"Eles" andarão por lá, mas com tanto mar, tenho de procurar mais e melhor!
O Sábado estava bonito, com vento, mas bonito! Ideal para o que me propuz, isto é, não ir para muito longe, não levar muita tareia de mar e explorar um local até à exaustão; assim foi!
Acordei, com uma noite de oito horas de sono a bordo, descansadas! Não sei o que se passa, mas assim que chego a Sines, parece que tudo se transforma! As horas não existem, só o Sol ou a falta dele, e, a noite, com conversas leves ao jantar e no fim deste, enquanto se saboreia o digestivo, cuja última golada anuncia a volta para o barco, última ronda pelo material, iscas para o dia seguinte e, cama com ele! Delícia! "Ferro o galho" ao primeiro pensamento sobre a jornada que me aguarda e acordo a pensar no mesmo, sem sentir as pequenas dores musculares persistentes, próprias da minha profissão! Belo remédio!
Depois de subir à cidade e tomar o matabicho, eis que segui para o pesqueiro, sondei, sonhei com a imagem de sonda e montei tudo o que havia para montar!
A cana para a mão, a cana para o caneiro, uma outra para peixe mais miúdo a pensar na captura da isca viva e na interpretação de sinais e, finalmente, a cana para trabalhar com isca viva, cuja bóia, que promove o afastamento do barco e consequente previsão de emaranhados com outras linhas, se vê na foto abaixo se olharem com atenção!

E depois pessoal, trabalho... muito trabalho!

Pesca para cima... pesca para baixo! Verificação e mudança de iscas! Captura da isca viva e montagem, com verificação de quando em quando e reposição, caso necessário!

Muito roubo, muita mudança de isca e forma de iscar, enfim... tudo o que referi na última entrada, onde falo sobre "Estratégias"!

Nada!

O peixe que por lá andava ou era pequeno e esfarrapava tudo o que para lá ia colocando ou, havendo grandes, não se interessaram com as ofertas ou o modo como as apresentei! É a vida! há dias em que a coisa não funciona! Não desisti!

Fui buscar o engodador fixo, aquele de que já falei numa entrada lá para trás ("Engodar ao fundo"), esmaguei Sardinha, Camarão e Bomboca; enchi-o e pendurei-o perto do fundo!

Fui comer e aguardei que fizesse efeito! Eram duas horas da tarde e tinha a bordo, uma Sargueta, uma Chopa, um Carapau e um Parguito aí de um quilo! A acção ia decorrendo, consultei a sonda e o peixe continuava por lá, agora com mais densidade; e, veio a salvação!

Um Sargo, mais um e mais outro, ainda outro; tudo perto do quilo! Este último com 1,200. Pensei! Ainda tenho para aqui alguma surpresa!

O peixe tinha entrado espaçado! Os toques modificaram-se! A esperança entrou em alta e o trabalho não parava!

Um pequeno toque, quase imperceptível, mas diferente dos balanços da vaga, fez-me elevar a cana com determinação e o peso era outro, assim como a luta que, não evidenciando nenhum gigante, já me fez sentir algo diferente a contrastar com as outras escaramuças do dia. Estava a ver que não! Tanto trabalho, já merecia uma recompensazita!

E apareceu este gordo da imagem abaixo, bonito, em tons de castanho e prateado!


Pesou 2,200 kgs e foi a alegria do dia, que terminou com a captura de mais um Parguito de quilo, antes que desse por terminada a pesca!
Coloquei o motor em marcha, levantei o ferro e, enquanto navegava para o porto, vinha pensando no dia passado e no tempo em que nada mais importou para além da pesca! Oito horas! Sózinho! Nada importando! Nem os telefonemas que me interromperam, significando unicamente infimos intervalos, num dia perfeito.
O Domingo também!
Troquei a solidão que necessitava pela conversa amena e a procura e experimentação intensa, com mar trapalhão e ainda menos peixe!
Corremos muito mar, comemos, bebemos, conversámos... mas, o peixe, esse ainda não demos com ele! Esperemos com calma! Procuremos intensamente! Façamos valer cada dia! A recompensa virá! Vão ver! Depois fazemos a festa em outros dias que também tentaremos que sejam perfeitos!
Boa noite a todos!

4 comentários:

LusoOne disse...

Não restam dúvidas de que passou um excelente fim-de-semana. Só discordo da parte em que diz "A recompensa virá!". Então o meu amigo disfrutou de dois dias de paz no mar, trocou o relógio de pulso pelo relógio de Sol, desapareceram-lhe as dores musculares, teve todo o tempo dedicado ao prazer de pescar premiado com um veado gordo, um casal de pargos e meia dúzia de bons sargos, e ainda quer maior recompensa? Queremos sempre mais, não é?
Obrigado pelo relato e continuação de boas pescarias.

Anónimo disse...

Viva Ernesto!!!!!

Foi com aprazimento que li mais este relato das pescarias em Sines!!!
Aquele Mar tem a Magia de nos fazer desligar da nossa vida quotidiana, ao menos que isso nos valha porque peixe!!!! Esse anda por outros Mares ou nós é que não damos com ele.

No domingo foi outro dia para esquecer, e já lá vão 2 domingos que não dou com o peixe. Pelos vistos não sou o único.

Valeu neste domingo foi uma Saima com 2,4Kg, foi a menina dos olhos, achei graça pois tínhamos falado lá em Sines da sua pesca de sábado a tal Saina do relato com 2,2Kg e fiquei a pensar nesse maravilhoso peixe de beleza única.

Vai daí pesquei muito, insisti muito, lá foi o engodador (“o canhão” ) para baixo, sempre a acreditar que era possível sacar um peixe desses e não é o meu espanto que quando sinto um ligeiro toque, puxo e a luta começa, que bela sensação tudo corria bem o material trabalhava a 100%, e eu dizia tenho o tempo todo do mundo!!!! Surpresa quando chega a tona de água aquela prancha magnifica!!!

Vamos esperar que venham melhores marés e que tragam mais peixe, até lá Amigo Ernesto vamos passeando de barco e procurando novos pesqueiros naquela imensidão de oceano.

Um abraço.

Rui Viegas

MR disse...

Boas Ernesto, mais um grnde relato,
Lindo santo grall da embarcada com alguel já lhe chamou ( Saima ).

AB

Paulo karva disse...

Viva Ernesto
Há dias dificeis, nem todos os dias podem ser perfeitos, há dias em que o mar é que manda, ainda bem que assim é. Melhores dias virão.
Bonito relato, bonito Sargo, sim senhor. Parabéns.

Abraço
Paulo karva