domingo, 30 de março de 2008

Estratégias!

O tempo continua de espera e preparação!
Tempo instável, com ventos variáveis, ao longo do dia, em intensidade e direcção, com fundos alterados devido às recentes mexidas de mar! Tempo próprio para manutenções de barcos, aquisição e testes de alguns novos materiais; fundamentalmente, tempo de "limpar armas", preparando-nos para a "guerra" que se avizinha, prometendo mares mais calmos, estabilização dos fundos, concentrações de peixe "forragem" e, consequentemente, daqueles "outros" que os vêm comer, principal motivo do nosso interesse!

Tempo ainda de repensar estratégias, relembrando sucessos e insucessos anteriores e adequando estes a novos testes, a novas procuras, a novos locais, sempre perseguindo os grandes! Aqueles que gostam de grandes iscas mortas, vivas ou imitações das últimas, no caso da pesca à zagaia.

Pensando alto; para uma pesca embarcada, ao fundo, em barco fundeado! O que fazer? Como Fazer?


A época do ano:

Esta a primeira variável que costumo ter tem conta, já que me permite um balanço anterior, tendo em conta os atrasos ou antecipações relacionados com datas que não costumam ser lineares, assim como, as capturas de anos anteriores em determinados locais.


As capturas dos profissionais:

Tentar perceber o que os profissionais da rede e do aparelho fino andam a apanhar, poderá ser uma boa indicação, tendo em conta os locais por onde possam andar e as artes utilizadas, não querendo isto dizer que os locais onde andam são os ideais para a nossa pesca, mas sim, a qualidade de pescado que está a aparecer em determinada época, o que nos poderá indicar que tipos de fundo escolher para uma próxima jornada.

Os locais:
Mais fundo, menos fundo, embeiradas de pontões altos, entralhados perto destes ou isolados! A escolha é múltipla, sendo a produção de capturas muito dependente desta, tendo em conta o relacionamento das variáveis anteriores e, certamente, os tais peixes que pretendemos.
Nesta época, por exemplo, tenho tido melhores resultados em profundidades para além dos 60 metros e em fundos entralhados, rodeados por pontões altos, zonas estas, normalmente com mais comedia e consequentemente, passíveis de maior concentração de predadores.
Outras zonas a tentar, ainda nesta época, serão: entralhados, pedras destapadas, peguilhos e pequenas quedas, nas embeiradas da plataforma continental, onde as correntes ascendentes sempre trazem consigo os nutrientes que alimentarão grandes cardumes de Cavala, Sardinha e outros, provocando também o aparecimento nos nossos "eleitos", por vezes, em concentrações importantes.
Em profundidades mais baixas, tem sido entre o fim da Primavera/início do Verão e o Fim do Outono que se verificaram as mesmas concentrações de peixe miúdo e, claro, os "tais" que os comem!
Para todos os efeitos, os fundos perto ou por cima de pontões altos, respectivamente para uso de isca morta ou viva, são os locais que maior percentagem de sucesso têm oferecido, em qualquer época do ano. Dependendo, do tipo de pesca que se faz. Por exemplo, é mais fácil acontecer a captura de um Pargo legítimo ao fundo, o mesmo já não se pode dizer de um Pargo Dourado, Bandeireiro ou Capatão!
Já com as Douradas, acontece muitas vezes, na época das grandes concentrações para a desova, estas serem capturadas, elevando a baixada a 20 ou mais metros do fundo!
Tudo isto terá em conta o sentir próprio de cada pescador e as experiências antes efectuadas, assim como, uma leitura atenta da sonda, não só enquanto procura o local, mas também, durante a acção de pesca. Não implicando que tenha a sonda continuamente em funcionamento, mas ligando-a de quando em vez, caso sinta essa necessidade em função dos sinais que os "toques" ou a falta deles vão dando. Nesta altura tentará aperceber-se se o peixe está mais alto ou mais baixo; se existem sinais de predadores em volta de bolas de peixe alvoradas ou se, pura e simplesmente, já lá está um deserto! Por vezes acontece!
As montagens:
Quanto às montagens, gosto de baixadas polivalentes no sentido de as poder iscar com isca morta ou viva, assim como não dispenso uma montagem específica para isca viva e uma outra para a captura de peixe miúdo que me assegure a tal isca viva, caso ela não caia nos anzóis maiores.
Para que tenham uma melhor ideia sobre o que faço nesta área, deverão consultar, como base, a entrada "Pormenores e Reflexões" que me parece estar ali para o mês de Novembro ou Dezembro!
As montagens para a cana a pescar na mão, são feitas com dois estralhos de 50/60 cm e os anzóis de que já falei! Mas, para assegurar a sua polivalência, os estralhos são montados a 150 cm um do outro, o que permite alterar os tamanhos dos estralhos para perto de 150 cm, caso me pareça que o peixe melhor reagirá neste caso ou, caso pretenda iscar um peixe vivo em vez de iscadas mortas!
A montagem específica para isca viva, trabalha normalmente numa cana a pescar no caneiro, é afastada do barco por um sistema de bóia, travada com nó em multifilamento suplementar, ficando a pescar a uns 5 metros do fundo. Esta baixada leva um só estralho, com dois anzóis montados em tandem, isto é, empatando primeiro um na ponta e outro a seguir, guardando entre eles uns 10 cm. Neste caso o peixe vivo será iscado pelo lombo, com o anzol da ponta e, abaixo do fim da barriga, antes da barbatana caudal, pelo anzol restante.
Dever-se-á descer esta pesca devagar, de modo a não pressionar demasiado o peixe que lá vai montado! Ele precisa de alguma energia para atrair os "outros"!
As iscas vivas:
A Cavala, o Carapau azul ou branco, a Boga, a Choupa pequena, o Peixe Piça... entre outros; são excelentes iscas vivas, sendo que, como mais resistente, o Carapau tem sido a estrela!
As iscas mortas:
Qualquer isca das mais usuais, Sardinha, Cavala, Camarão, Bomboca, Carangueijo, Lula, Choco, raio de Polvo... sei lá!? Tantas! Poderão em qualquer momento promover a captura de um bom exemplar! Todas elas contribuirão certamente, pelo cheiro, apresentação ou momento em que caem no fundo, para tal feito!
Cabe ao pescador utilizá-las nos seus anzóis com objectivos definidos para cada momento, variando a qualidade, quantidade e forma de iscar! Como? Promovendo o teste e a construção do pesqueiro! Vejamos alguns exemplos que têm resultado:
- Chegamos a um pesqueiro e, sabendo das propriedades atractivas da Sardinha, começamos a iscar com esta! Verificamos que continuamente vem para cima intocada ou só com as barrigas comidas muito superficialmente! Isto indica-nos que o peixe que lá anda, por razões variadas, não está muito interessado nesta isca! Neste caso costumo mudar para outras iscas, como a bomboca, o camarão ou a lula, em pedaços mais pequenos, e, espero para ver! Caso comecem a atacar desalmadamente, alimento-os durante uns tempos e volto à sardinha que, nesta altura e na maioria dos casos começa a ser também delapidada! Isto indica-me que criei interesse e frenesim lá em baixo, talvez porque o número de peixes aumentou e a luta por comida é feroz; condições estas, promotoras da aproximação dos predadores, nosso objectivo principal. A partir deste momento, ataco em força com a Sardinha e intervalo com Cavala fresca e Carangueijo inteiro ou quase, por serem iscas que levam mais tempo a roubar! Tem resultado!
- Outras vezes, chega-se, começa-se a acção, e, de imediato, começa o frenesim! Nesta altura meus amigos, tem resultado jogar, essencialmente, com a Sardinha como base, alternando continuamente com Cavala fresca, Carangueijo e sei lá mais o quê! Desde que seja mesa farta, eles têm acabado por cair!
- O primeiro caso tem sucedido mais frequentemente no Inverno, talvez derivado da magreza da Sardinha e consequente diminuição de cheiro atractivo!? O segundo caso mais frequente no Verão e Outono, talvez por razão inversa!?
- Em ambos os casos, logo que o frenesim começa, deve-se tentar capturar uma isca viva e alimentar a baixada elaborada para o efeito, colocando a respectiva cana a pescar no lugar que lhe compete!
Caso nada disto aconteça, duas atitudes podem ser tomadas: uma, aguardar todo o dia no local e esperar que o peixe entre mais tarde; outra, definir um espaço de teste qb, e, caso nada resulte, nem com o peixe miúdo, mudar de local e começar de novo! Normalmente, caso ainda seja cedo, opto por mudar de local, caso seja mais tarde, o tempo que se perde a mudar e a fazer pesqueiro pode não justificar a mudança, sendo preferível insistir, diversificar e aguardar melhor hora ou melhor dia!
Vejam, na imagem abaixo, o meu amigo Tavares em plena escolha criteriosa da isca a utilizar na próxima descida!
A sondagem:
Gosto de ir primeiro a um lugar onde nunca pesquei, mas cujas características sugeridas pela carta me indiquem que pode ser adequado, tendo em conta as variáveis que já referi, e, sondo! Perco algum tempo, tentando perceber o melhor local para fundear e se os sinais lá estiverem, arrisco o fundeio e vá de pesca! Parece estúpido!? Talvez!? Já resultou! Já deu fiasco! Mas, tornou-me mais rico e conhecedor tanto num caso como no outro! E os novos locais que já ganhei para o GPS? Bastantes! Posso-vos garantir!
Não dá! Paciência! Vou para outro local mais conhecido e sondo por cima do ponto e à volta! Por vezes, o peixe está ali, um pouco mais ao lado! Acontece muito, principalmente quando lá se vai pela primeira vez, na época; muito derivado a alterações do fundo, normalmente imperceptiveis na sonda.
O que procuro?
A imagem abaixo, um pontão e a sua embeirada, com desníveis algo acentuados e marcação de peixe em cima e ao fundo! Lindo!
Ou então, analisando a foto abaixo, a zona de entralhados, perto de um pontão que já passou, a cair para o limpo que se vê, indicado pelos azuis abaixo da linha de fundo e, se repararem, acima da linha de fundo, todo aquele peixe referenciado pelos pontos azuis e amarelos, a indicar que os predadores, mais cedo ou mais tarde, devidamente provocados, poderão juntar-se a nós!
Ou ainda outros tipos de fundo, com mais ou menos metros, mais ou menos pedra, mas sempre com o maior número de hipóteses de capturas possível, tendo em conta observações e experiências anteriores.
Muito fica por dizer sobre as estratégias a utilizar, as técnicas a desenvolver, as experiências a efectuar e tanto que resta e ficará por descobrir!
Espero ter suscitado dúvidas e eventualmente despertado o interesse por algumas das questões que abordei!? Estou por aqui! É só perguntar! Conversemos e discutamos ou, as perguntas que colocarem servirão certamente para ordenar e elaborar outras entradas que me permitirão continuar a falar duma das coisas de que mais gosto! Pescar!
Boa noite a todos!

9 comentários:

Paulo karva disse...

Olá Ernesto.
Espetáculo este teu artigo sobre "Estratégias", fez-me lembrar os testes de isca, camarão vs caranguejo, feito na nossa pescaria.
Tenho uma questão que queria colocar.
É possível através da sonda e pelos "sinais" que esta te dá, perceber que tipo de depradadores poderão estar nos fundos?

Abraço

Paulo karva

Anónimo disse...

Mais Um dos Muitos Bons artigo que aqui param.
A Leitura da sonda já vi que tem que ser algo atenta. Não vale a pena esperar grandes Arcos de peixe. Tenho muitas duvidas sobre o Correcto Funcionamento aliado á correcta leitura da Sonda. Ou então tenho andado mesmo só em cima de Desertos. :(
Este FDS parece que já temos mar... a ver vamos como corre com a mudança de tecnica.
O amigo ernesto Fala em tempo de limpar armas... Digamos que as minhas estão já gastas de tanto as limpar...
Abraço e Obrigado
Daniel Pedro

Amorim disse...

Como dizia o Outro: "Penso logo existo", só que aqui neste BLOG é mais: "LEIO LOGO PESCO"

Má nada!!

E como já alguem por aqui disse, e muito bem.
ESTE BLOG DAVA UM LIVRO.

Obrigado Ernesto

Aquele abraço

Amorim

PS. Nãom citei o nome do Outro por causa das alergias . hehehe

Ricardo disse...

Viva Ernesto!

Mais um artigo precioso para juntar à já extensa colecção, obrigado!

Eu tenho umas coisas em comum com o Daniel: novato nestas coisas de ter um barco, mesma zona de pesca e mesmas dificuldades no retirar de informação útil da sonda.

Quer é tempo e sobretudo muita prática! Este fim-de-semana também espero ir lá, praticar e aprender mais um bocadinho...

Grande Abraço!

Ernesto Lima disse...

Viva pessoal!

Grato pelos comentários!

Respondendo ao Paulo Karva:

Bom! Saber data de nascimento e n.º de BI, não será fácil!? Lol

Pode é acontecer que ao fundo ou a determinada altura da coluna de água, possam aparecer uns pontos/traços vermelhos, um pouco maiores que os outros pontos azuis, amarelos, verdes que por lá andem; e que se misturam ou estão por baixo e pelos lados da comedia! Isto quer dizer que lá andam predadores que poderão ser de vários tipos, dependendo muito da altura a que se encontram na coluna de água para tentar a identificação!

Estou a aguardar um dia em que tenha essa leitura de sonda e resultados! Depois logo trato da identificação! Lol

Quanto ao pessoal que está com problemas na leitura da sonda, nomeadamente o Daniel Pedro que, se não me engano, tem uma Humminbird 727! Penso que só indo, testando e praticando se conseguirão resultados! Principalmente se se utilizarem modos de trabalho simplificados e frequentando durante algum tempo os mesmos locais! Ou, melhor ainda, locais de fundos conhecidos, para que se possam fazer comparações!

Verdade também, que nem sempre é necessário que um bom fundo apresente peixe! A embeirada de um pontão pode ser sempre um bom pesqueiro! Há que fazê-lo melhor, com as nossas iscas e/ou engodos e/ou paciência!

Abraço!

Ernesto

Daniel Pedro Silva disse...

Ola Ernesto.
Sim não se enganou na sonda, de facto da ultima saida andei a testar a "capacidade de Zoom" da sonda. Já gostei mais, Marcas de peixe ... tenho duvidas. tendo o sinal Fish Id activo aparece um peixe de vez em quando.

Penso que tambem devo começar a sair mais para a prefundidade que o mar daqui a 30 Metros talvez seja pouco para a epoca do ano... não sei?!?! tentar mais para os 50.

as vezes parece que estamos nas poças a brincar... só a tirar peixe miudo e sempre na classe das rossadas. ainda apanhei 2 Pata roxas.... mas sem interesse

Um abraço
Um abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Daniel!

Quanto à profundidade, nesta altura do ano, costumo ter mais sucesso em profundidades maiores!

Quanto ao Fish ID da Humminbird, ele resulta!

Nas que eu tive, quando a figura do peixe se encastrava ou ficava muito encostada à linha de fundo, a pesca costumava ser de muito melhor qualidade, o que já não era tão frequente quando a dita figura se apresentava dois ou três metros acima da linha de fundo!

Mais lhe posso dizer que essa sonda tem testes muito fiáveis!

Agora... penso que o treino se não é tudo... é muito importante!

Disponha!

Abraço

Ernesto

Anónimo disse...

os melhores cumprimentos!
os meus parabens pelo seu blogg está muito bom.
vou varias vezes a sines sou da zona de coimbra e adoro a pesca.
gostaria de saber se é possivel ir á pesca com o senhor pois gostava de aprender e ostentar um exemplar como nas suas fotos.
bem haja
anibal

Ernesto Lima disse...

Viva Aníbal!

Grato pelo comentário!

Quanto ao que solicita, posso dizer-lhe que tenho muita dificuldade em dizer não a qualquer solicitação que me façam. No entanto, comprenderá que não será fácil!

Não tenho nenhum grupo fixo de amigos que por norma me acompanhem, mas, tenho muito pessoal amigo, de vários quadrantes da minha vida particular e profissional que alternadamente me acompanham, em pescas e com atitudes diversas, todas elas do meu gosto, assim como todos eles na sua própria diversidade.
Por tudo o que referi, o que posso dizer-lhe é que, se um dia destes aparecer por lá ou se nos encontrarmos por aí, havendo tempo e condições favoráveis, pois poderá acontecer. Não posso é garantir-lhe, quando ou como, tal venha a acontecer!

Gostaria de poder aceder a todas as propostas! Mas, é como lhe digo!
Eu sou só um! O barco só permite que pesquem 4 em boas condições! Tenho muitos fins de semana com actividades, como é o caso dos deste mês de Maio! Depois tenho as férias com a minha mulher que (graças a Deus) também gosta de pesca! Não é fácil!

Agora, se você me aparecer por lá e calhe eu estar só e proporcionar-se!? Tudo pode acontecer!

Grato pela distinção!

Abraço!

Ernesto