sábado, 3 de março de 2012

O pombo, os peixes e... coisas de certos pesqueiros!?


O pombo chegou... com um som de bater de asas pouco habitual e poisou na porta de acesso à popa do Makaira. Acontecimento inédito para o barco e não para mim, pois já há uns anos largos, em outro barco - o Anequim - dois companheiros deste fizeram o mesmo, em dia de nevoeiro, talvez cansados ou desorientados após longa jornada.
De imediato procurei forma de lhe colocar água e umas bolachas secas partidas, pensando que talvez precisasse, enquanto me olhava numa suposta indiferença, parecendo-me ficar muito mais preocupado quando as gaivotas que comiam as bogas que iam subindo, faziam a sua aproximação, provocando-lhe alguma inquietação derivada talvez de outros encontros pouco agradáveis.

O animal ficou por ali, aparentemente calmo, sem qualquer receio da nossa presença mesmo quando nos aproximávamos e lhe oferecíamos de comer que não aceitou e de beber que acabou por aceitar ao fim de uma boa hora de estada naquele poleiro que elegeu.

Enquanto por lá esteve, a pesca foi-se desenrolando, funda, morna e improdutiva; fazendo-me pensar sobre estes últimos três dias de pesca, trocando impressões com o João Martins, meu companheiro de todos estes dias.
Tínhamos ido no Sábado, já tarde; no Domingo, o dia inteiro, com o Zeca e o Zé Beicinho; e, nesta segunda feira, cá estávamos outra vez, talvez já cansados e até meio moles, tanto pela calmaria do dia, quanto pelos resultados que não se comparavam aos do dia anterior e nem sequer aos de Sábado que já tinham sido parcos.

Tudo isto me passava pela cabeça, enquanto me preocupava com o pombo que me parecia muito "caído" e ainda me morria de cansaço ali pelo barco, como já me tinha acontecido uma vez... história por aqui já contada.

Também as procuras e resultados destes dias, eram pensados e comentados entre nós, enquanto as iscadas desciam e os anzóis limpos subiam, umas vezes com bogas e outras sem nada. Tudo diferente do dia anterior que foi relativamente produtivo.

Enquanto o pombo descansa, vou então relatar-vos os fundamentos, as procuras e os resultados destes dias 25, 26 e 27 de Fevereiro.

Este início de ano, como tenho vindo a relatar-vos, tem sido difícil no que a capturas se refere, fazendo-me recorrer a dados de anos anteriores e lembrando-me que, à excepção do mesmo período de 2011, esta é uma época de alterações da localização dos grandes exemplares.
Certo é que, muito mar tem sido corrido e os resultados têm-se mantido baixos, tanto em qualidade, quanto em quantidade.

Os pesqueiros mais profundos têm sido, sem dúvida, aqueles que nesta altura do ano se costumam apresentar mais produtivos, sendo também mais difíceis no que respeita a fundeios e até a manutenção da pesca ao longo do dia, devido à normal existência de aguagens e à sujeição a mudanças de direcções e intensidades do vento que podem facilmente estragar a pescaria. Depois, bem... depois tem uns artistas que não gostam muito de se levantar cedo o que aliado a dias mais pequenos tende a diminuir significativamente o tempo útil de pesca. Desculpas!? Não!!! Simples constatação de factos!

Mas o pessoal é jovem e por vezes não quer pensar nestes pormenores de somenos.

O Sábado (25), já com Sol muito alto, levou-nos a pesqueiros de Verão dos mais profundos onde, ao fim de umas duas horas, só uma Dourada de quilo e pouco entrou, em pesca suportada por sinais mornos que acabaram por nos indicar mudança de pesqueiro por volta das duas da tarde, hora em que, não justificando já andar mais para fora, poitámos ali na baía, em pesqueiros bem conhecidos, onde entraram 4 Sargos daqueles quileiros e um Pargo que, de "tão grande", voltou à água!

O jantar estava assegurado e mais uma zona, testada por teimosia, tinha sido eliminada do circuito sazonal. Havia que ir mais fundo no dia seguinte, com o Zeca e o Zé Beicinho!

O Domingo nasceu calmo, com algum nevoeiro e a saída para o mar às 8,30, levando-nos a procurar as coisas de uns certos pesqueiros, difíceis e profundos e com plano estratégico delineado à mesa do restaurante do Zé Beicinho.

A sonda mostrou-nos o primeiro que se apresentou na plenitude dos seus 96 metros, onde os entralhados espalhados em torno dum pontão que subia aos 87, mostravam alguma actividade, passível de nos oferecer o que procurávamos.
Iscas para o fundo, roubos mais ou menos rápidos e Pataroxas que subiam intervaladas, fazendo o Zé pensar de imediato no molho que havia de fazer com elas. Mas, ao fim de duas horas, nada mais entrava para além de bogas, com os sinais mortiços que estas dão àquela profundidade. Era hora de prosseguir com o plano e seguir para o pesqueiro seguinte, o qual, sinceramente, é muito mais do meu gosto, no entanto, de fundeio difícil. Alegrava-me saber que tanto a aragem de Norte, como a aguagem alinhada com ela, me diziam que iria conseguir colocar o barco mesmo onde queria. Aliás, o único local deste pesqueiro onde até agora, para além de outras espécies, me entraram Pargos dignos do nome.

Chegámos e as imagens de sonda correspondiam às melhores que tinha visto naquela parede de pedra que cai dos 50 para os 82 metros, do lado Norte, o que me permitia largar ferro num socalco a 86 metros; largar cabo, ficando pelos 84; e, deixar que a aguagem nos colocasse as baixadas nos 80 / 82. Perfeito!

As iscadas chegaram ao fundo e os toques violentos indicaram-nos de imediato que a coisa ia ser dura e certamente mais produtiva; e, meus amigos, foi o dia do João Martins! Não fora uma Abrótea apanhada pelo Zeca, uma outra e um Alfaquim, ambos à volta dos dois quilos capturados por mim, acompanhados por dois safios jeitosos e o João ficava com todos os louros da pescaria.

O homem, na sua calma peculiar, para além de umas 3 Abróteas grandes que lhe saíram intervaladas, acabou por capturar os melhores exemplares que entraram a bordo.

Ora vejamos!

O primeiro Badejo, para aí com uns dois quilos:


O Zeca intervalou com esta Abrótea, como que para exemplificar o tamanho médio das que saíram.


Outra vez o João, com mais um Badejo que não parece, mas pesava 5,050 kgs.


Não satisfeito, eis que se sai com o único Pargo do dia... bonito!


O pesqueiro não enganou totalmente, excepto no que se refere aos Pargos que costumam entrar em maior número e com exemplares também maiores à mistura. Melhor que tudo, supostamente estava indicada uma zona de pesca para dias vindouros, enquanto não se aproxima o Estio e a costumada aproximação à terra "daqueles" que queremos.

O Pombo ainda está no "poleiro" e há tempo de vos falar das coisas de certos pesqueiros, aplicadas precisamente a este último onde decorreram, na segunda feira, os pensamentos que agora se transcrevem.
Neste dia, calmo, as condições não eram as mesmas... o vento teimou em soprar todo o Santo dia de Oeste / Sudoeste; jogando mal, para o fundeio, com a aguagem de Norte, igual à do dia anterior; não nos permitindo poitar no mesmo local e obrigando-nos a deslocar um pouco mais para fora. Certo é que, os sinais não foram os mesmos e as capturas... nem pensar. Aliás, muito idêntico a outras experiências no mesmo local, permitindo assumir o risco de afirmar que, se em certos pesqueiros, mais para a esquerda ou direita, a coisa acaba por se dar, neste, muitas vezes, tal não é verdade!

O Pombo bebeu água pela quarta vez, bateu asas para se testar e voou rumo a Sul, sem aviso. Momento em que resolvemos também andar para casa, não sem antes pensar que caso as condições não se apresentem de feição para ficar por ali, outros pesqueiros, talvez mais fora, terão de ser testados em próxima jornada.

Boa tarde a todos os leitores

13 comentários:

Paulo Lourenco disse...

é sempre um prazer enorme ler esses relatos de pesca. não foi um mau dia de pesca e ainda com uma visita inesperada e desesperada por matar a sede e um pouco e descanso, talvez também a ver como corria pescaria.

Anónimo disse...

Pesca de qualidade, como sempre, parabens!

João Martins disse...

Viva Ernesto
Já lá vão dois meses de pescas estranhas e trapalhonas em que pesqueiros, peixes e táticas escapam a toda a lógica, tudo “parece” e acaba regra geral por “não ser”! Uma queixa generalizada de quem anda por Sines
No sábado safei-me à goleada (mais uma...) e à grade com dois sargos razoáveis no final da pesca, já em tempo de descontos
No domingo, num pesqueiro definido a preceito por si, a minha aposta em triplas de sardinha, duplas de camarão ou lula quase inteira em anzóis 6/0 resultou, se comparado com o conseguido pelos restantes companheiros
A pesca tem destas coisas, vale sempre a pena lutar e não esmorecer
Mas o que mais valorizo no presente é a procura incessante e entusiasta dos nossos amigos “especiais” que tem feito por todo o mar de Sines. Há-de chegar de novo a eles, mais dia menos dia
Nas reflexões ou no barco, conta sempre com o meu (fraco) apoio quando quiser e eu estiver por aquelas paragens.
Quanto ao pombo, foi um episódio que me fica na memória o resto da vida

Abraço
João Martins

Bruno Mendes disse...

Viva Voltamos a pesca e isso é sempre um bom sinal, o peixe esse há de aparecer mais tarde ou mais cedo.
Belos badejos Joao , e esse pargo nada mau eheheh

Isso quer é continuação

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

Vamos ver o que nos trazem os próximos tempos!

Na verdade, o importante é mesmo ir, estar, persistir!

Abraço

Ernesto

António Vinha disse...

Viva Ernesto

- Magnifica crónica.
- Peixe e carne... numa só jornada...

Abraço
Toze

Ernesto Lima disse...

Viva TóZé!

Grato pelo comentário!

Mas olha que o bicho bebeu água e voou... não ficou para o jantar! Eheheheheh

Rebolo disse...

Boas Ernesto,
Mais uma para o diário, desta vez com a presença de um pombo a fazer lembrar a visita do pássaro do " O Velho e o Mar", que por acaso aproveitei para reler este fim de semana , pois uma gripalhada não me permitiu ir ao mar.
Só espero que os falcoes não andem por esses lados....
Espécies diferentes que foram capturadas nesses mares e o Almirante João Martins, já completamente rendido aos sintéticos a dar cartas :).
Os meus parabéns senhor Almirante.
Isto ultimamente não tem estado fácil para estes lados e pelos vistos por ai também não.
Reparei que tens pescado a profundidades maiores possivelmente derivado as baixas temperaturas das aguas e a outros factores certamente.
Eu pessoalmente desde o inicio do ano que não faço uma boa pescaria.
Também não tenho apostado em profundidades maiores pois quando fui para os 80 metros as coisas mantiveram-se sem peixe.
À que insistir e tentar tirar ilações.
Desejo-te boas continuações destes teus relatos que trazem sempre um gosto especial.
Forte abraço.

Ernesto Lima disse...

Viva Tiago!

Grato pelo comentário!

Na verdade, profundidade nesta altura do ano, parece-me ter mais hipóteses, mas não é sinónimo de sucesso.

Há que insistir! Algo há-de sair!?

As tuas melhoras

Abraço

Os Pescas disse...

Olá Ernesto, como sempre um belo relato. Lá deste com uns exemplares jeitosos, nada mau. Olha algumas cores do teu fundo não se vê nada bem, o cinza nas letras não permite ver o que lá está escrito sem nos debruçarmos junto ao ecrã.
Um grande abraço.
Filipe.

Ernesto Lima disse...

Viva Filipe!

Grato pelo comentário!

Sobre a questão que referes, parece-me ter a ver com links que aparecem em algumas entradas e penso que já resolvi!?

Só ainda não consegui resolver as datas por baixo dos comentários, mas com jeito vou lá!

Se for outra área qualquer, diz qualquer coisa.

Obrigado

Abraço

Os Pescas disse...

Oi Ernesto

É com imenso prazer que leio estes relatos, são autênticas histórias que nos fazem viver o momento.
Sem duvida das melhor escritas que andam pelo mundo dos blog´s.
Mt experiência e saber se vê relatada na forma como são escritos.
Os meus parabéns pelas excelentes pescarias.
Um abraço
Pedro ( PJPescador )

Ernesto Lima disse...

Viva PJPescador!

Grato pelo comentário!

Abraço