quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Vamos lá pôr a escrita em dia.


A escrita está atrasada... é um facto!

Não desapareci do mapa, não deixei de pescar, mas, na verdade, alguma irregularidade nas saídas, aliada a outros factores, tem contribuído para que este espaço não tenha sido alimentado como os seguidores, que continuam a passar por cá gostariam, assim como eu, muito por encontrar aqui descontracção e conforto, entre outros sentimentos que tenho dificuldade em definir.

As minhas relações com a pesca não deixaram no entanto de existir, muito pelo contrário. Entre vários workshops sobre a utilização de Sonda e GPS na procura de pesqueiros e no acto de fundear e a organização da 5.ª Feira de Pesca Lúdica e Desportiva de Setúbal, algumas pescarias foram realizadas, sendo também um facto, a dificuldade de encontrar peixe de jeito, nomeadamente no período que mediou entre Março e Julho. Mas alguma coisa se conseguiu por força de procura, insistência, tendo em conta a irregularidade de saídas já referida.

Antes de vos contar sobre as pescarias e métodos, tenho de referir o que, para mim, foi o ponto mais alto deste período sem escrita... levar a minha neta à pesca! Uma delícia!

Não a levei logo ao peixe grande, por achar que poderia levar uma grande seca e por que considero que existem passos que se têm de percorrer para que a motivação se instale. Daí que montei umas pescas para os diversos, só levei camarão como isca e dirigi-me para um pesqueiro perto, com pouca profundidade e mar calmo, com o objectivo de diminuir a influência de condições agrestes que complicariam o sentir e o ferrar, principais factores, influentes no bem estar duma primeira saída.

Relativamente às montagens, não enveredei pelos habituais três estralhos curtos e com anzóis diminutos. Antes para dois estralhos de 40 e 50cm de comprimento, com anzóis números 2 e 1, referindo-se as medidas mais pequenas ao estralho de cima, e, as maiores, ao estralho de baixo. Isto, pensando em apresentar melhor as iscas a algum peixito mais corpulento que aparecesse.

Na verdade, o tal peixito maior não apareceu, mas os objectivos, para esta primeira abordagem, foram cumpridos, considerando que sentiu peixe com fartura, e até ferrou, parecendo bem agradada com a experiência.
Deixo-vos a foto da pescadora, com uma pequena Choupa, posteriormente devolvida por não ter medida, facto que lhe expliquei, compreendeu e aceitou de bom grado.



Importa referir que esteve sempre com o colete vestido, mas, na hora da foto, pediu-me para o tirar por causa do estilo, estão a ver... vontade que não resisti a fazer-lhe, esperando que tal não se configure numa contra ordenação.
O bichinho está lançado, vamos ver o que dá em futuras edições.

Depois deste regozijo, é hora de avançar para outras pescas, não documentadas neste longo período de ausência na escrita.

Em termos de métodos, tem sido a pesca ao fundo, em embarcação fundeada, a que essencialmente se tem praticado, com algumas saídas ao Jigging, raras e nada produtivas, muito talvez pela raridade afirmada, sabendo nós que só indo e insistindo se vão conhecendo e explorando pesqueiros.

Estralhos compridos, 60 a 100cm, anzóis grandes, 5/0 e 6/0, muita sardinha, testes contínuos em pesqueiros conhecidos e procura incessante de novos pesqueiros, tudo isto lutando contra a pouca frequência de saídas, poderá ter contribuído para que o período entre Março e Julho, tenha sido difícil e pouco produtivo em capturas de maiores exemplares, o que tem vindo a melhorar neste folgado mês de Agosto, tornando-se as capturas mais regulares e de melhor qualidade.

Dos amigos que me acompanharam e das pescarias com melhores resultados, deixo-vos a história que se segue, em texto e imagens, tentando de algum modo colocar a escrita em dia, enquanto tempo e paciência me deixam.

Era dia 1 de Março, saímos para o mar para pescar mais fundo, como habitual nessa época do ano, eu e o meu amigo Nuno, participante nos workshops que costumo realizar.
O dia estava excelente e o peixe não parava de subir, muito por via dos Serrajões que foram uma constante durante todo o santo dia, chegando ao subir aos pares, atirando-se a anzóis negros, já despidos de isca.


Iscavam-se os anzóis com duas e três postas de Sardinha e, com a baixada muito agarradinha ao fundo, lá se iam conseguindo subir alguns Parguitos de bom tamanho, compondo a pescaria que se vê na imagem, a última com alguma qualidade no período de pesca que decorreu até Março.


A partir desta data a coisa foi difícil.

Embora se vissem marcações de peixe, certo é que comiam mal, ou não comiam, subindo por vezes um outro peixe de qualidade mas de pequeno tamanho que muitas vezes era até devolvido ao mar, podendo assinalar-se um ou outro exemplar, como este Robalo que entrou ao Tózé, em dia pouco produtivo e sem que nada o fizesse esperar. 


Em Junho e Julho, já se começou a aquecer, em mares menos profundos, com melhores capturas, como este Pargo do Zé Beicinho... 


... este do Eduardo...


... ou este do Mário


Até eu consegui capturar uma coisita melhor...


... e também mostrar a crock com este Sargo legitimo...


... e este Veado (Sargo... nada de confusões)


Chegou então o Agosto... a paragem nas actividades náuticas que organizo, as férias com a mulher e a neta, momentos de pesca em família, dos quais já vos dei nota no início da entrada, e, por fim, a pesca entre amigos, com momentos e qualidade de exemplares assinaláveis, talvez proporcionais à frequência de saídas, da qual, tudo indica, decorre uma melhor percepção das zonas onde o peixe anda activo, se bem que, estamos a entrar no período que considero mais produtivo para este tipo de pesca, que se costuma estender até Fevereiro/Março.

Do conjunto desta fase, realço a pescaria com o Ricardo Chumbinho, meu colega de organizações, seu pai e filhos, numa comunhão bonita de gerações, com uma pescaria a condizer, num dia de mar espectacular.
O pesqueiro, era na beirada de um pontão a 22 metros de profundidade que caía num limpo a 28 metros, local em que, após fundeio, colocámos as nossas iscas. Entrou de tudo um pouco, como se vê na foto.
Ele foi Alfaquim, Douradas e até um Pregado com um tamanho que não via desde os meus tempos de caça submarina.


Também a Matilde capturou alguns peixes nesta sua primeira vez, sentindo-se pela sua alegria que a pesca, eventualmente, não lhe passará ao lado no futuro.  


Fica a imagem da totalidade da pescaria e os sinceros parabéns a estes meus amigos, graúdos e miúdos, que mesmo nos momentos menos produtivos do dia se mantiveram à altura, pescando e insistindo sempre.


Uma semana passada e eis que vêm pescar o Tózé, o Luís e o Miguel, pessoal amigo de longa data, sendo o Miguel, na juventude dos seus 14 anos, um fervoroso iniciado nestas lides, mais no que respeita ao sentir e ao ferrar, já que iscar é coisa que não lhe agrada sobremaneira, mas, com o tempo, vai lá.

Fomos direitinhos ao pesqueiro da última jornada, mas embora se tivessem tirado dois Sargos de bom tamanho, cedo a coisa parou, talvez por efeito da água suja levantada pela draga que está a preparar os fundos para aumentar o Cais 21, ali em Sines, que neste dia operava incessantemente, sendo que a água em torno de nós se colorou de castanho amarelado e o fundo deixou de mostrar peixe, sugerindo-nos que era hora de mudar.

A procura de novo pesqueiro é sempre algo que nos faz pensar... ora, considerando a época do ano, propícia a encontrar peixe em menos profundidade, assim como tendo em conta que o peixe não andaria longe dali, navegámos para fora, procurando águas mais limpas, fora da influência das obras do porto.
Logo que as encontrámos, olhei a carta do GPS e resolvi sondar uma zona de pesqueiros, produtiva há uns anos atrás, mas que nos últimos tempos pouco me tem dado, embora nunca tenha deixado de testá-la, nesta época, uma ou duas vezes por ano.
Certo é que as leituras de fundo apresentaram-se ricas, convidando-me a fundear, largando o ferro num pequeno promontório submarino, aos 34 metros e deixando o barco derivar, dando cabo, até uma cova entre bicos, a 37 metros, que se apresentava com uma marcação de peixe agarrado ao fundo, bastante promissora, considerando resultados obtidos em outras jornadas com marcações idênticas.

O peixe começou a picar, timidamente, mas cedo entrou o primeiro Parguito que de imediato suscitou piadolas do tipo: e o teu avô... onde anda?

Mais um ou dois peixes entrados e eis que o Tózé ferra, não digo o avô, talvez antes o irmão mais velho ou, quem sabe, o pai.
A cana do homem, para mim uma aventureira do reino das canas, vergava quase até ao cabo, mas lá ia dando conta do recado, trazendo à luz do dia, pela mão do seu dono, o bicho que se vê abaixo.



Um Pargo que pesou 4,5kg. Muito bom!

O pesqueiro, a breves intervalos, ia dando uns peixes como o que apresenta o Miguel e até um pouco maiores.


Pode dizer-se que foi um dia bonito de pesca que nos obrigou a parar de pescar, pesar peixe e controlar o peso, atendendo à legalidade da coisa, culminando na pescaria que abaixo se vê.


A pesca oferece-nos destas coisas, ou seja, num dia em que parecia que tudo se estava a complicar, acabou por se fazer uma pesca bonita, sendo a sardinha a isca rainha.

Dois dias depois, dia 30 de Agosto, estava apontada a última pescaria antes de voltar para a família, nesta altura já em casa, sendo a vez do meus amigos Zeca, Matias, Nelson e Teófilo, me fazerem companhia.

Por achar que seria pouco provável, no mesmo pesqueiro, repetir uma boa pescaria e considerando que a zona é toda ela boa, resolvi ir um pouco mais fora, procurando os 50 metros, nuns pesqueiros habitualmente frutuosos em Pargos e Douradas, nesta época.

Na verdade, meus amigos, enganei-me redondamente!

Após dois fundeios, em que tentámos tudo o que sabíamos para que peixe de melhor qualidade se fizesse às nossas iscas, pouco conseguimos, começando a desenhar-se fraca pescaria, embora o entusiasmo não esmorecesse a bordo.
Os pesqueiros prometiam, com roubos de isca e um ou outro peixito de melhor qualidade, mas acabavam por se tornar mornos, até no tipo de toques. Era hora de tomar atitudes e resolvi voltar ao pesqueiro de dois dias atrás. Chegámos, liguei a sonda e... pasmei!

A leitura que se apresentava mantinha-se igual à de dois dias atrás... peixe agarrado ao fundo, na tal cova, e até peixe a meia água, tal e qual como da última vez.

Fundeei entusiasmado, e tudo foi idêntico, exceptuando as capturas, onde as Douradas foram os melhores exemplares capturados.

Deixo-vos a imagem com os melhores exemplares do dia.


E assim foram estes dias de tentativas, erros, correcção dos erros e muita persistência.

Fica a nota de que a lula, como isca, teve um papel importante na captura das Douradas, assim como o caranguejo, sem desprimor para a sardinha que fez o seu papel engodador e também capturou.

E assim termino histórias deste interregno, com vontade de voltar em breve, tanto à pesca, quanto à escrita.

Veremos o que nos trazem os próximos tempos.

Boa noite a todos os leitores


4 comentários:

Anónimo disse...

Viva Ernesto, em 1º lugar quero-lhe dar os parabéns pelo seu blogue. Sendo eu pescador apeado desde os 6 anos de idade (tenho 54), não me considero especialista nas artes embarcadas, embora de quando em vez, lá vá apanhar uns peixes. Eu, pescador de Sintra, tenho muito terreno para bater, mas como pesco também aí no seu quintal, pois acampo no SITAVA e regra geral, desde a praia norte de Sines até Milfontes, também vou batendo o terreno por essas bandas. No entanto, gostaria de saber a sua opinião sobre o papel da sonda em acção de pesca; já reparei que alguns mestres, depois de poitarem, desligam a sonda para não interferirem com os peixes lá em baixo. É treta ou incompetência? Ou será que têm razão? Diga-me por favor a sua opinião.

Um abraço,
José Carlos Oliveira

Ernesto Lima disse...

Boa tarde José Carlos Oliveira

Grato pelo comentário.

Relativamente ao papel da sonda... é sem dúvida o aparelho que nos permite visualizar a linha de fundo, o que se passa abaixo da linha de fundo e a coluna de água, por baixo do nosso barco.
Consequentemente, permite-nos eleger o local onde queremos colocar as iscas, assim como o local onde o barco terá de ficar e claramente o local onde teremos de colocar o ferro para que os anteriores sejam verdade.

Quanto a deixá-la ligada, pessoalmente costumo desligar, pois acho que a partir do momento em que as iscas lá chegam abaixo, nada mais deverá interferir com o funcionamento do pesqueiro, mas, quando desconfio do pesqueiro, face aos resultados e até à saída do barco do pesqueiro eleito, ligo-a e até nem acho que interfira grandemente com o peixe.

Quanto a considerar tais acções como tretas ou incompetências... não me parece. Isto porque o ultra som poderá afastar o peixe, mas logo a seguir por curiosidade o peixe poderá voltar. No entanto será sempre uma interferência com o pesqueiro que poderá influir através de variáveis que não controlamos, sendo por tal preferível deixá-la desligada após fundeio.

Abraço

Ernesto

Anónimo disse...

Obrigado, Ernesto.
No Tejo, com a febre das corvinas, as sondas estão sempre em funcionamento em acção de pesca e como se pesca "à rola" é conveniente encontrar as grandes massas de cardumes e consequentemente ir atrás delas, tentando a sorte. Sei que as sondas interferem com os grandes cetáceos, nomeadamente aquelas que são usadas em fins nada pacíficos, mas, por se tratarem de animais de grande porte e com sistema de comunicação naturais por ultra sons. É natural, que interfira. Quanto aos peixes, com uns feixes não tão fortes, tenho as minhas dúvidas que a linha lateral dos peixes, seja assim tão sensível... Mas aceito, que não faz mal nenhum em desligar a sonda (é como o "Melhoral").
Já agora, a propósito de corvinas; este Junho, fui pela 1ª vez às corvinas e já aprendi a minha 1ª lição - pescar directo com o meu multifilamento 0,30 - então não é que levei dois toques, seguidos de arranque que me cortou a baixada mono de 0,50... e tinha o drag aberto (mas não solto), devia de ser cá uma bicha...

Abraço,

José Carlos Oliveira

Ernesto Lima disse...

Viva José Carlos Silva

Relativamente à sonda estávamos a falar de pesca fundeada, com isca, ao fundo.

Por exemplo, quando faço Jigging, ando sempre com a sonda ligada, para controlar os fundos mais "quentes" ou a ausência deles.

Abraço