quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sábado 14... Domingo 15!

A pesca é daquelas actividades, onde a dificuldade de conseguir dois dias parecidos, encontra a sua melhor expressão! O estado do tempo e do mar, os resultados... Podem ser melhores ou piores mas as parecenças são difíceis, salvo pormenores que por vezes nos escapam!


No Sábado, fui com o Raimundo e o Pedro, aquele pessoal de Pegões, também já por aqui conhecido!


Assim que nos encontrámos, contei-lhes do dia anterior e gostaram!


Não exteriorizaram, mas pareceu-me que não quiseram "embandeirar em arco", preferindo pensar que a coisa poderia não correr bem e tal... Não forçar a sorte! Mas, lá no íntimo, esperando que os resultados fossem idênticos ou até melhores!


Andámos à volta com a Sardinha que saíu ao preço do ouro, lá por Sines, mas lá nos safámos e mar com eles!

Optei por voltar ao pesqueiro do dia anterior! Não é meu hábito! Como já referi algures em entradas anteriores, gosto de mudar de pesqueiro no dia seguinte a uma pesca boa e voltar a ele caso a coisa não funcione!


No entanto, a pesca de Sexta Feira, deixou-me curioso, não tanto pelo peixe capturado, mas pela velocidade a que aconteceu, não é usual! Muito menos se tivermos em conta que só entraram Pargos e a Dourada! Já me tinha acontecido, mas não com aquela rapidez!


Chegámos ao local e a sonda mostrou que a actividade submarina continuava intensa. O vento era muito fraco e uma pequena aguagem em direcção a NW, não me permitia fundear com a mesma proa do dia anterior.


Andei às voltas, conseguindo o fundeio no local pretendido, largando pouco cabo, para evitar que as mudanças contínuas da intensidade do vento conjugadas com a aguagem, não interferissem tanto com a fixação do barco sobre o fundo pretendido, prevendo desde logo uma mudança estratégica assim que o vento de Norte, esperado para mais tarde, entrasse.


A pesca começou, Os toques pareciam bons e, ao fim de alguns minutos, entraram dois Parguitos, mais uma Bica, tudo à volta de quilo! Uma Sargueta deu um ar da sua graça, as Chopas sem medida começaram a subir e as bogas não se fizeram rogadas... Estamos feitos! Pensei!


Liguei a sonda e apercebi-me de que havia por lá muita coisa que não nos interessava, mas, pelo meio, os pontos de côr mais intensa, tiraram-me a vontade de pensar em mudar de local. Para além disso, o vento começava a soprar mais forte indiciando desvios na posição do barco, sendo que a hora de o reposicionar se aproximava a passos largos.


E as Bogas... Não nos largavam! E as Chopas... Sem medida! E os ladrões... Deixavam-nos sem isca num piscar de olhos!


Ele era Sardinha... Ele era Cavala... Ele era Choco... E o Camarão! Tudo marchava perto da velocidade do som!


O barco tinha mudado de posição, descaíndo muito para a zona de limpo e, atendendo ao que acontecia, parecia indicar que o peixe melhor estaria posicionado mais junto da pedra! Era tempo de parar, reposicionar o barco e comer qualquer coisa! Para além disso aproximava-se a hora em que as capturas tinham acontecido no dia anterior, pensando eu que seria esse o factor predominante nos resultados de Sexta Feira 13.


Levantámos ferro e reposicionámo-nos, tendo o cuidado de ficar sobre a zona rija, onde esta acabava à queda do pontão! Caso não aparecesse o que procurávamos, podiamos dar cabo e tentar mais pelo limpo! As opções estavam lá todas, faltava ver no que dava!


Não me enganei! Os Parguitos começaram a entrar!


Não com a frequência de Sexta! Entravam espaçados um agora outro logo, precedidos pela Douradita empunhada pelo Raimundo na imagem de abertura!


Estava diferente, mas resultava!


Parguito aqui... Boga acolá... Roubo de isca a entremear e a pesca ia-se fazendo, sempre à espera duma surpresa maior que não aconteceu! Falo "daqueles" que enchem as fotos! Paciência... Maus hábitos...


Mas a coisa compunha-se e alguns maiorzitos deram um ar da sua graça!


Como este que me calhou na foto abaixo, com dois quilitos e muito!

Depois o que se segue, apanhado pelo Raimundo, passando do quilo e devolvendo-lhe a fé que andava perdida entre pescas anteriores menos boas! A coisa está-se a compor companheiro!


E foi assim o Sábado, um bocado para o lado do Portugal dos Pequeninos, embora tenham entrado uns catorze, mais a Dourada, Carapaus grandes, umas quantas Sarguetas e duas Chopas das grandes!


Há dias piores, outros melhores! Este foi bom!


Pensou-se a pesca! Riu-se! Pescou-se bem! E... fomos servidos de belas refeições para os tempos mais próximos! Talvez até à próxima pesca!


Chegou o Domingo 15!

Zé Beicinho, Tavares e Zeca; pessoal lá de Sines com pesca prometida há uns tempos e cheios de fé, como eu que sempre a trago comigo, assim como algum cansaço acumulado nos dois dias anteriores, o qual só sinto ao acordar e no fim da pesca, principalmente quando esta não é famosa!


As condições de mar e vento não eram as mesmas!


Ao longo do dia, o vento entrou mais cedo e acabou mais cedo também, proporcionando-nos um belo dia de mar, inicialmente cinzento, depois brilhante e calmo!


Não iniciámos no mesmo local! Fomos lá para o Sul, para outros pesqueiros famosos, nesta época!


Entraram bicas, entraram Pargotes, para aí uns oito ou nove, mas a coisa não estava fácil!


Muito roubo de iscas, mudança de pesqueiros, um Pargo aqui... Outro ali... Dois Sargos de bom tamanho e o melhor exemplar, entre sete ou oito apanhados no total, aqui apresentado pelo Zé Beicinho, mesmo assim, com jeito, quase cabia no chapéu do homem!


Bom... O chapéu também é grande!


Belos dias, bons peixes, boa companhia e a sensação de que os Pargos de Verão, já cá andam junto à terra, parecendo que este ano a coisa começa no tempo normal, malgrado as alterações climatéricas!


Vamos ver o que aí vem e que aventuras e exemplares nos trará este Estio!?


Eu vou contando...


PS: O fim deste relato faz-me lembrar aquele dito popular; onde vais Manel? Vou prá feeeeessstaaaa!!!! Donde vens Manel? Aiii... Epá, venho da festa.

7 comentários:

MarioBaptista disse...

Viva grande Comandante!

Pelos vistos a coisa deu-se uma vez mais!

Choras choras, mas a mala térmica vem sempre com aquela côr ambar tão do nosso agrado.

É o que faz a persistência e a interpretação dos sinais aliado aos conhecimentos adquiridos.

Tenho que levar o meu barco para Sines, está visto!

Ahhh? não me dás as marcas dos pesqueiros?

Eh eheh, quero lá saber; é só ir atrás de ti, o GPS fará o resto.

Mas fica descansado que em terra quem paga o jantar sou eu!

Isto aqui pela barra do tejo, é só chólinhas, lá entram umas maiores, mais uns bons sargos legitimos (poucos mas bons), mas o tempo tem sido pouco para as lides embarcadas.

Aquele abraço e continuação de boas proas!

Mário Baptista

Daniel Rodrigues disse...

Boas Pescas!!

O amigo Zé beicinho, a mostrar , que é mestre também na pesca, não é só nos petiscos..!lol

Abraço,

Daniel Rodrigues

Paulo karva disse...

Viva Ernesto
Mais uma grande faina, desta vez a coisa foi melhor que na sexta. Tens de arranjar uma montagem anti-boga. Eu depois digo-te como. Parabéns.
O que é que o Mestre Mário anda aqui a fazer? Humm? Queres marcas? Então marca aí um choquo frite prá gente, anda. LOL

Abraços
Paulo karva

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Márinho... Queres marcas para quê? Com as dicas do blog, um GPS e uma carta estás feito! Lol

Bom... Uma ajudita inicial arranja-se sempre! Lol

Daniel... O beicinho já sabe mais que o que lhe ensinaram! Lol

Karva... Essa da montagem anti-boga, quero ver!? Lol

Abraço a todos!

Ernesto

Paulo B disse...

Olá Ernesto

Começo por lhe dar os parabéns pelo seu blogue, do qual sou um frequentador recente mas já assíduo. Agradeço também, a sua genuína generosidade na partilha quer das suas histórias quer dos conhecimentos que foi amealhando. A sua paixão pela pesca é contagiante. Obrigado!!!

Temos, para já, duas coisas em comum: a paixão pela pesca e pelo mar (que a partir de agora passarei a fazer numa embarcação sonhada há muito tempo ) e a profissão embora noutra área do conhecimento (artes).
Aspiro a mais coisas em comum, nomeadamente, algumas vitórias ( e certamente derrotas ..).

Mas sem querer abusar da sua generosidade e do seu tempo, pergunto-lhe se por acaso tem algum contacto de alguém que faça os "ferros" artesanais, que o Ernesto tem exemplificado no blogue. Aqui por Lisboa, o único contacto que tive pedia-me para lá deixar o escalpe...
Ainda a propósito do sistema de balão para levantar a âncora, o Ernesto faz a tracção inicial com o cabo preso na proa ou na ré?

Antecipadamente grato pela sua resposta.
Um abraço e continuação de épicas pescarias.

Paulo B

Ernesto Lima disse...

Viva Paulo B!

Grato pelo comentário!

Quanto à tracção inicial para levantar o ferro eu faço-a pela proa. Tem mais força devido ao movimente ascendente e descendente originado pelas vagas, mesmo pequenas.

Conduzo a estibordo! No arranque viro a bombordo para controlar visualmente a bóia, volto ao rumo controlando a passagem do cabo a estibordo e quando o ferro já está preso na bóia, faço a manobra de aproximação e subo tudo.

Caso conduza a Bombordo, na minha opinião, deverá fazer a manobra inversa, sempre controlando a situação do cabo, no sentido de evitar que vá ao hélice!

Quanto aos ferros... O Inox é caro, a mão de obra também e a maioria do pessoal que trabalha para embarcações de recreio acha que somos todos ricos, independentemente do tamanho do barco e das nossas opções!

Em lisboa não conheço ninguém, pois não me movimento por lá.

O meu conselho é que tente arranjar alguém curioso que o faça, mesmo que compre voçê o material, cujas medidas e peso serão adequados ao barco.

Não sei se terá algum amigo que pesque consigo e lhe possa dar uma ajuda?

Quanto às medidas, se me disser que barco tem, eu posso, por comparação, dar-lhe uma ideia das mesmas!

Posso ainda ver, aqui em Setúbal, uma loja que por vezes os tem, já feitos, a um preço aceitável; continuando para tal a necessitar de saber as medidas do ferro ou o tamanho do barco!

Espero ter ajudado!

Ao dispôr!

Abraço!

Ernesto

Paulo B disse...

Caro Ernesto.

Obrigado pelas dicas. Quanto ao ferro é para uma embarcação de 5,40 , entre os 7 e 10 Kg de peso. Como não conheço ninguém que me faça o obséquio, não estive pelos ajustes e ontem "aproei" a Setúbal pela tardinha com a perspectiva desencantar um torneiro que me tinha sido indicado. De facto, posso assegurar que mesmo com a gasolina quase ao preço do whiskey, compensou e de que maneira. Face aos 200 que me pediram aqui em Lisboa a coisa ficou pelos 80 no amigo Eleutério, e ainda como brinde deu-se uma banhoca na Praia dos Galápos. Portanto, um dia de "vitória retumbante", eheehehe.
Ainda passei pela Casa Pita, mas saía mais caro e não me agradou muito a conversa do empregado. De qualquer das maneiras deu para ver que os amigos aí de Setúbal em termos de Lojas de Pesca e de Iscos estão muitíssimo bem servidos.
Obrigado pelas diversas ajudas.
Continuação de grandes vitórias.
Um abraço

Paulo B