segunda-feira, 7 de julho de 2008

Zagaia... Competição e... Vento! Muito vento!

Este tem sido um ano de stress!


A pesca não tem corrido mal, mas já há uns bons meses que não sei o que é chegar a Sines com as pescas e programa de festas orientado!


Tudo tem funcionado porque o barco está sempre pronto, os materiais no seu lugar, e, quando vou, tento sempre chegar com tempo, assentar a adrenalina do trabalho e dedicar-me de corpo e alma aos objectivos que ali me levam: relaxar e pescar, pescar, pescar e, finalmente... Pescar!


Bom... Não esquecer a alimentação! Não é só uma necessidade física, quando por ali ando; tem contexto lúdico e social significativo!

Este último fim de semana, tenho para contar... Mais pelo conjunto de experiências e condições que se reuniram, do que pelo peixe capturado, isto, no que se refere aos exemplares maiores que normalmente persigo.


Cheguei a Sines na Sexta ao fim da manhã, com estadia programada para Sábado e Domingo!


Em segundos fiz o programa das festas!


Sexta: Zagaia para os mares de Sul!


Sábado: Levar uns amigos de longa data, de Setúbal, dedicados agora à competição de Pesca Embarcada de Alto Mar, que me tinham solicitado, umas semanas antes, uma saída para treino, ao que acedi de imediato, tendo em conta a amizade antiga e, sou sincero, alguma curiosidade por este modo de pescar que, ao vivo e com todos os pormenores, nunca tinha presenciado.


Domingo: Pescar com o Zé Beicinho, o Zeca e o Tavares ou... Talvez não! Atendendo às previsões de vento que se verificavam. Mas, o Domingo estava longe e muito havia por viver até lá!


Sexta e a Zagaia nada produziram, para além de um Robalo aparentando uns dois quilos, que perseguiu uma Sea Rock cor de rosa de 200 grs, algures entre os 60 metros de profundidade e a superfície, onde brincámos ao gato e ao rato, acabando o "artista" por me virar as costas e demandar o fundo com um real desprezo quer pela amostra quer por mim! Está certo! Eu ou a amostra que trabalhava, não fomos capazes de decidir um ataque sério por parte de sua majestade...


Para além deste incidente, nada mais se passou; pensando eu, poder atribuir o desaire à agua castanho esverdeada e fria (15,6º); às comedias que não se apresentavam na sonda como gostaria; a não estar no lugar certo, na hora certa, com a amostra certa; e, a não sei quantas outras variáveis que não domino! O tempo e outras experiências o dirão!


No Domingo, acabámos por ir, eu o Zé Beicinho e o Zeca, já que o Tavares estava em obras no barco dele, sendo que, o vento acabou por nos estragar os planos, embora ainda se tivessem conseguido uns oito Parguetes e três Bicas, entremeados com algumas Sarguetas de bom tamanho e Carapaus! Tudo "fruta da época" lá por Sines, e, com a validade que o estado do mar e do tempo possam acrescentar às capturas conseguidas.


É o Sábado, sem dúvida, o acontecimento deste fim de semana!


Não direi que não conhecia já a maioria dos materiais, processos e conceitos próprios da competição de embarcada de alto mar; mas, ver o pessoal a colocar em prática as suas capacidades e os seus conhecimentos, foi uma mais valia para a minha educação, no que à pesca diz respeito. Não, certamente, pelo tamanho dos exemplares maioritariamente apanhados e procurados, mas, a velocidade dos desempenhos, a atenção aos pequenos pormenores, os cuidados com as montagens, as iscas, os acessórios... Deixaram-me uma impressão ainda mais forte, quanto ao que já escrevi sobre as capacidades destes homens... Se se dedicassem a outros peixes e se a competição fosse, de algum modo, orientada de outra forma, muita história haveria para contar e que lindos exemplares poderiam mostrar à chegada!


De qualquer modo, foi um "fartar vilanagem"!


As Sarguetas e outros peixes pontuáveis, subiam à velocidade do som! Pelo meio saíram dois Alfaquins, o do Carlos Barrento, com uns 2,500 kgs, cuja foto abre esta entrada e o do Nando Zé, com 3,600 kgs, que se encontra na imagem seguinte.

Importa referir que, assim que os Alfaquins subiram, perguntei aos meus companheiros se queriam comer aquilo fritinho com açorda de alho, ao que me responderam tão afirmativamente que telefonei de imediato ao Zé Beicinho acordando o petisco e, ficando sem saber se tal acontecimento não os teria desconcentrado um pouco nas acções de treino que com tanto afinco desenvolviam!
O treino continuava! A atenção dos atletas recompôs-se da perspectiva do petisco anunciado e o bom viver a bordo, manifestava-se pelas brincadeiras e a camaradagem que se sentia haver entre os competidores, entretanto contabilizando os peixes e os respectivos pontos que representavam, calculando quem ia na frente e vigiando continuamente, com a intenção de ser mais rápido e mais eficiente em cada gesto e em cada momento, tentando conseguir o objectivo da competição, em suma, ganhar!
Digo-vos caros leitores! Fiquei bastante agradado, embora conhecesse todos os pescadores e deles não esperasse outra coisa, por ver que conseguiram competir da forma mais sã que me tem sido dado presenciar!
É caso para dizer: Clube Desportivo "Os Amarelos", parabéns por terem na vossa equipa tais competidores!
Digo isto por saber que, em todo o tipo de competição, a componente relacionada com comportamentos e atitudes face à acção, aos parceiros e a outros competidores é significante!
Por tal, parece-me poder dizer que o entusiasmo e o saber estar em situações de pressão, evidenciados por estes meus amigos, indiciam belos resultados! Que se cuidem os atletas que tenham que os defrontar!
Entretanto, o João Silva, capturava a Bica que mostra na foto abaixo, não deixando por mãos alheias que falassem da sua boa disposição! Veja-se a expressão de felicidade e bem estar evidenciada na imagem!
Enquanto isso, o António batia-se com as sarguetas, procurando o 2.º lugar, já que o João não estava a dar hipóteses relativamente ao 1º.
O treino foi-se desenrolando, cumpriram-se as cinco horas obrigatórias e as mudanças de lugar, no barco, de hora e meia em hora e meia! Tudo certinho, tal como mandam as leis!
O peixe medido na hora e libertado quando abaixo das medidas oficiais! Gostei de ver e gostei de fazer as contas no final, entre os ditos e brincadeiras de quem ia à frente ou de quem nem tanto... Bonito!
Ganhou o João Silva, ficando o António em 2.º, o Carlos Barrento em 3.º e o Nando Zé em 4.º!
Foi na pesagem que surgiu a minha dificuldade em compreender algumas regras da competição!
Então o Alfaquim só vale 10 pontos, face a uma Sargueta que vale 40 ou a uma chopa que atinge os 50!?
No meu conceito, acho pouco!
Então trazer um bicho com 3,600 kgs, com estralho 0,21, dos 76 metros de profundidade, só vale 10 pontos? Não posso concordar! E o tempo que isso levou? Mais valia partir o fio e continuar nas Sarguetas! Bom... Mas isto é conversa de gente de fora!
Compreendo que a competição pretenda priviligiar o trabalho em detrimento da sorte de aparecer um peixe grande, mas assim também não acho bem! É só uma opinião!
Terminado o treino, feitas as contas e atribuída a classificação, fomos tentar peixes maiores! Ainda se apanhou um Parguito, mas, talvez porque a adrenalina anterior, aliada ao petisco eminente, a sítio mal escolhido, a hora tardia, à vontade de falar sobre o dia à volta da mesa... Certo é que, nada mais entrou!
Voltámos ao porto para as arrumações e lavagens da ordem, retornando à calma e correndo para o restaurante do Zé Beicinho onde, debaixo de galhofa contínua, apreciámos os Alfaquins fritos com açorda de alho e rega de Pias! Lindo!
Resumindo; fui ao mundo da competição e gostei de ver! Não será para o meu feitio, mas, sinceramente gostei do que vi!
Só me ficou atravessado a tal do Alfaquim só valer 10 pontos! Mas isso são coisas onde já não me meto mais!
Entretanto, espero ter correspondido com bons fundos, para o treino dos meus amigos!? Se não... Pelo menos para o petisco do Alfaquim, contribuí certamente!
Um abraço para todos eles e uma boa noite a todos os leitores!

3 comentários:

valter72 disse...

Gostei deste post, em que faz referencia à competição. Infelizmente é verdade. O alfaquim só vale 10 pontos, assim como um sargo veado só vale 40 pontos. Quem fez as regras pelos visto não percebe que são peixes mais raros e que deviam valer mais. Mas gostei do relato. Pode ser que um dia nos encontremos por ai para um dedo de conversa.

Anónimo disse...

Boas tardes!

Eheh..Comandante pareçe que gostaste das técnicas, ainda um destes dias te vejo a pescar em 0.20m/m e anzois nº10...

Abração e já sabes...Estralhos 0.40 m/m e ferros 2 - 3/00, não se deve dar confiança ...

Mario Baptista

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

Ao Valter:

Terei todo o gosto em dar o tal dedo de conversa!
Quando se proporcionar, estamos lá!

Ao Mário:

Companheiro! Já o fiz (fora da competição) e não tenho problema em tornar a fazê-lo!

Posso dizer-te que quando começou a época das Douradas em Setúbal, em 98, eu pescava com 0,28, anzóis n.º 2, e, não me fugiam muitas, a 84 metros de profundidade!

O tempo é que não dá para tudo! Para além disso, os tempos são outros e os peixes que podem aparecer também!

Abraço!

Ernesto