terça-feira, 8 de junho de 2010

Depois do trabalho... Cá vem mais pesca!


Pois é gente! Em vez de pescar, foram fins de semana de actividades náuticas seguidos... É a vida!

Não digo que não goste, mas este ano aconteceu tudo muito seguido, sem intervalos para pescar. Mau... Francamente mau... E ainda não acabou!

Sou franco! Também gosto desta minha actividade de organização e segurança de provas náuticas... Estou no mar e as imagens que se proporcionam, enchem o olho... Como se pode ver nas fotos que se seguem, ora evidenciando alguma dureza...


... Ora decorações vélicas interessantes!?


Como se não chegasse, também pequenas reparações no barco se juntaram à festa, impedindo-me de ir ao mar durante quase um mês, quase me levando a repetir o título desta entrada no que a saudades se refere... Mas não! Cada dia é um dia... Cada relato, com a sua própria identidade!

Chegou então o momento, enquanto me dirigia a Sines na passada Sexta Feira, em que tudo ficou para trás da placa de Setúbal... Sublime!

As programações estavam feitas... Finalização das reparações na Sexta à tarde, pesca no Sábado e a família a visitar-me no fim do dia de Sábado e no Domingo; pena o vento que mais uma vez se previa limitador de tudo o que se queria fazer... Mas, com esse, logo me entenderia! Só esperava que tudo corresse de modo a não me estragar ponta do fim de semana, o que de facto se verificou. Já merecia... Acho eu!

Adiante... Vamos tratar do nosso interesse, a pesca de Sábado!

Estes intervalos grandes, francamente... Não são bons!
Para além do equilíbrio natural do pescador, afastam-nos do domínio dos pesqueiros. Estão a ver... Onde é que está a dar, a que profundidades, tipos de fundo, leitura nas entrelinhas das nossas e de outras pescas que se vão fazendo, como por exemplo: "no outro dia pescámos no fundo tal e resultou", e ainda,  "quatro dias depois, o fulano de tal safou-se... Apanhou uns Pargos deste e daquele tamanho e tal...". Ora, tendo em conta a época do ano, os nossos resultados e sabendo nós que o tal fulano pesca por aqui e por ali, usa determinados materiais e iscas... Podemos ficar com uma ideia mais razoável dos tipos de fundo onde o peixe pode andar, tendendo a aumentar as nossas hipóteses de sucesso.
Assim, sem referências de pescarias próprias e completamente afastados dos "acontecimentos", resta-nos usar o que pensamos saber, os resultados obtidos em épocas idênticas, a leitura de sonda, sinais e... Trabalho. É um desafio maior, mas... Desafios, são coisas de que, muito sinceramente, gosto!
Verdade também que, em dias assim, podemos aprender mais e/ou consolidar aprendizagens anteriores.

As reparações de Sexta correram bem, a pesca de Sábado estava garantida e o jantar esperava-me já, acompanhado do João Martins e do Fernando Fontes, com a participação do Zé Beicinho, sempre presente, e, a esperada companhia, ao café, do Zeca que comigo e o João completava a campanha para Sábado, já que o Fernando esperava outros amigos para o seu barco. Dá para perceber que, salvo raras e hilariantes excepções; o mar, a pesca, os pesqueiros, os materiais, as iscas... Também jantaram connosco. Que mais pedir... Que mais esperar? Absolutamente nada!

Sábado de manhã, tudo em ordem e ala para o mar!

A linha de pesqueiros que queria testar, estava já delineada na minha "caixa dos pirolitos", considerando as únicas informações que tinha, ou seja, outros resultados em épocas idênticas, como o primeiro Pargo de mais de cinco quilos capturado em Sines, ou pescarias de Bicas e Pargos feitas nas zonas que pensava sondar. Sorri interiormente e comecei a procurar.

O primeiro pesqueiro mereceu uns bons 15 ou 20 minutos de sondagem e não agradou. Do segundo, já o mesmo não se pode dizer.
O fundo deste último é misto de areia e pedra e com poucas diferenças de profundidade entre a zona mais rija e o limpo que o circunda. Verdade que não está a mais de 100 metros de uma zona profícua de pedra, mas, ali à volta, tudo se mistura, garantindo zonas de depósito de comedia.
Iniciei a sondagem pelos 38 metros, em cima da zona mais rija, em direcção à linha do vento, procurando os limpos e entralhados que apareceriam pelos 39/40, esperando que as marcações de peixe que se verificaram em cima da pedra se alongassem por eles, o que aconteceu de facto, como em outras pescas de outras épocas.
Tornei a passar na mesma linha, assegurando que o peixe lá estava, aproei ao vento e fundeei, colocando o barco num fundo de 40 metros entre um pequena zona mais rija a 39 e o pontão mais alto a 37/38, onde tinha iniciado a sondagem. Perfeito! Pensei para comigo. Agora era necessário sentir os sinais através da relação entre as marcações de sonda e os ataques às nossas iscas.
Baixadas para o fundo que o vento não se sabe ao certo quanto tempo nos vai deixar pescar!

O primeiro quarto de hora passou-se quase sem toques ou com mordidas insignificantes e sem ritmo. Insistimos, confiando nas imagens de sonda visualizadas.

Outros toques apareceram, aqueles mais secos, normalmente indicadores de peixe melhor testando as iscas e começou!
Primeiro um Besugo, peixe que nunca tinha capturado em tal pesqueiro. Depois uma Sargueta que, embora pequena e de imediato devolvida, me deixou alerta pois, fundo onde se juntem estas duas espécies tem, normalmente, muito para dar, considerando as características de ambas e resultados anteriores.
Tudo o que se pensava explodiu de repente com as capturas do João, mestre das duplas...


Um Parguito e um Besugo duma assentada que precederam uma hora e meia de azáfama, entre Bicas, Pargos, alguns Besugos e outros, compondo uma caixa de peixe em tons de vermelho e prata com alguns cinzentos para compor como testemunham as imagens seguintes:

Uma Bica, das várias tiradas, por todos nós:


O maior Pargo que nem do enxalavar saiu, não deixando perceber os seus reais dois quilos e pouco, mais uma vez pela mão do João:


A pesca decorria, intensa, bonita, só com peixe de qualidade, exceptuando uma ou outra Sargueta ou Choupa que ficavam em anzóis supostamente inadequados ao tamanho das suas bocas, sendo que uma delas esteve como isca viva em cana à parte, esperando também ela a entrada de algo maior que não se chegou a verificar.

As capturas iam-se espaçando... Diminuindo a sua frequência e culminando em algo que já previra de viva voz, junto dos meus companheiros... Para além do exemplar maior que sempre se aguarda, aquele fundo e os sinais indicavam há muito que, mais cedo ou mais tarde, uma cabecinha decorada a ouro poderia aparecer. Aí está ela!


O tal cinzento de qualidade que faltava para quebrar a "monotonia" de tanto vermelho numa caixa branca.

O vento sentia-se mais forte e indicava que não ficaria por ali. Eram quase 14.00 horas, o local onde estávamos era desabrigado, o peixe já não entrava e os pequenos roubavam muito.
Se o vento não levantasse, seria local para continuar, insistindo para a tarde, mas tudo indicava que ou íamos embora ou procurávamos pesqueiro mais abrigado, tentando outra vez, atendendo a que ainda nos restava algum tempo de pesca que poderíamos aproveitar. Consultados os companheiros decidimos encostar ao porto e a terra, em zona abrigada e ver o que dava. Para todos os efeitos, a pesca estava feita e, sinceramente, gostava de tentar outros pesqueiros com a intenção de me colocar em dia com os sinais. Lá fomos, agora para os 22 metros de profundidade, tentar perceber o que se passava e quem sabe compor ainda melhor a "caixita".
Procurei a zona, sondei mais uma vez e lá estavam os sinais de época: muito peixe por cima dos bicos a 18 metros e também nas covas a 20, indicando que algo mais subiria a bordo, enquanto o vento e a nossa vontade de aguentar o desconforto por ele provocado o permitisse.

Chumbadas mais leves, as mesmas montagens com anzóis grandes e estralhos de 50/70 cm, e, a Sardinha em postas generosas; continuaram a sua saga, caindo ao fundo, sendo devoradas por bocas pequenas, aguardando as maiores que sempre se procuram.
Desta vez foram os Sargos, de tamanhos acertados, como este do Zeca...


... Ou este do João...

 
... E ainda um Parguito; os que completaram a pesca até ao aumento da intensidade do vento que já não dava tréguas, indicando o caminho do Porto.

Concluindo, pode dizer-se que tudo se compôs! Uma pesca bonita, dentro da lei, a consolidar conhecimentos anteriores e a permitir testar dois pesqueiros que não me deixaram, uma vez mais, ficar mal.

Outros dias virão, as férias já não estão longe e espero que os maiores venham parar aos meus anzóis, de onde têm estado arredados, mais dia menos dia.
Até lá, divirtam-se com os relatos e reflexões que para aqui vos vou oferecendo, sempre que o trabalho e a vida o permitem.

Boa noite a todos os leitores!

9 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia a todos!

Actividades, trabalho, pouco tempo para pescar mas...

Esse teu "bloco de notas" colmatado com o tal bigode, não perdoa. Lol

O relato cheio de preciosas dicas nas entrelinhas como já nos habituáste, as fotos de arrancar os cabelinhos da cabeça e a felicidade estampada no rosto do João não deixam dúvidas que realmente Sines tem algo de místico.

Vai da Caparica o abraço da ordem.

Mário Baptista

Kaywox disse...

Olá ernesto

para alem do trabalho em sí o organizar actividade nauticas deve ser quase meias férias e se umas fotos já enchem os olhos então ver o acontecimento a vivo e a cores deve realmente ter qualquer coisa de espectacular.

na pesca, parabens por quebrar o jejum de ir pescar, para quem segue o mar a alguns anos, mesmo sem saber o que se passa depressa se dá com os nossos amigos.

nesta pescaria quase que me arrisco a dizer que quem levou a melhor foi o nosso amigo joão, pelo menos é o que transparece, mas não deixo de dar os parabens a tripulação toda desta jornada.

1 abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Pessoal!

Grato pelos comentários!

É verdade Márinho... Para mim, Sines é... Sines!

Viva Zé!

Trabalho é trabalho!
Bonito... Sem dúvida, mas sempre trabalho!

Quanto ao João... É verdade! No que respeita ao melhor exemplar, cumpriu os objectivos da jornada e não se ficou por aí...

Abraço para vocês

Ernesto

João Martins disse...

Pois é
Mais uma vez tive o privilégio de participar, com óptima companhia, num "jantar técnico" e em nova saída do Makaira
Tudo guardado na memória para ir revivendo aqueles momentos e analisar os erros ou que me pareceu que fiz menos bem
Embora o relato não o demonstre e muito menos as fotos, a figura do dia foi como sempre o Ernesto... é só o mar empinar, a conversa com os peixes passa a ser outra e está bom de ver o que sucede!
Resumindo, obrigado por mais esta lição, pelas muitas ajudas e retoques de pormenor que ao longo do dia me foi dando
Mais que Sines é o Makaira que tem mística, respira-se amizade e o gozo pela pesca, há ali trabalho de equipa e a procura concertada de resultados
Pesca do melhor nível!
Um grande abraço Ernesto

João Martins

Fernando disse...

Bons ventos a todos,
Não pude deixar de ler, com entusiasmo, este relato de mais um dia de "faina" a bordo do Makira, e a avliar pelo que se falou na noite anterior à volta de umas sadinhas, e pelos resultados do dia seguinte, parece-me que começa a aproximar-se o momento da rendição de equipamentos por parte do amigo João Martins, cada vez que lá vai não faz a coisa por menos, bandeiradas e exemplares de respeito.
Simplesmente fantástico,tudo.

Um garnde abraço

Fernando F.

Nuno Paulino disse...

Um relato com as qualidades a que já nos habituas-te. A cheirar a mar! Enquanto leio o que por lá se passou, o cheiro intenso da sardinha invade o teclado e a salmoura parece que se cola à pele e deixa-me ainda com mais vontade de ir pescar. A falta disso contento-me com as tuas aventuras e da tua companha.
E o sorriso do João diz bem do espirito que se vive a bordo do "Makaira".
Abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Nuno!

Grato pelo comentário!

Viva o cheiro do mar... E da Sardinha!

Ab

Ernesto

helder disse...

Eu tinha mesmo que dizer qualquer coisa: creio que já li todos os seus artigos deste blogge e como tal quero-lhe, no mínimo, transmitir-lhe um enorme agradecimento por partilhar, todos os seus vastíssimos conhecimentos, de forma desinteressada, com todos os seus assíduos leitores.
Creio que eu faço parte daquele grupo que, anónimamente, vamos dizendo bem de si, elogiando a sua partilha de conhecimento,junto dos nossos amigos pessoais. Resumindo o tudo eu gostaria de dizer-lhe: MUITO OBRIGADO!!! UM GRANDE BEM HAJA!!!
P.S. É devido a pessoas como o senhor que a raça humana diferencia-se de todas as outras. Mais uma vez obrigado.
Helder

Ernesto Lima disse...

Viva Helder!

Bem Vindo e grato pelo comentário.

Se não falamos entre nós pescadores, temos mais dificuldade em aprender ou, na procura do sucesso, temos de recorrer a processos, digamos talvez... Pouco éticos. Não sei se escolhi bem a definição, mas acho que dá para entender.

Houveram bons amigos que me colocaram no caminho da aprendizagem. Porque não fazer o mesmo por outros?

Conversar é bom! Escrever e ler também! Então seja! Ehehehe...

Abraço

Ernesto