sábado, 24 de novembro de 2007

Materiais... Pormenores... Reflexões...

Não! Não é outro! Nada de sustos! É o mesmo da semana passada numa foto diferente (acho que merece)!
Não fui pescar! Está um vento desagradável e eu gosto de gozar a acção, sem sofrer muito!
Então vim para aqui, entreter-me e pregar uns sustos ao pessoal! (os smilies faziam jeito!)
De toda a história contada, falta alguma informação sobre as montagens utilizadas e resolvi colmatar essa lacuna!
É preferível falar sobre isso que vir a ouvir de algum de vós o que ouvi de alguns curiosos que vieram ver pesca: "ainda o outro dia me fugiu um desses! Partiu-me tudo!"
Então vamos lá!
A cana: 3,70 metros de ponteiras finas, acção semiparabólica progressiva, isto é, uma cana sensível, fina, que vai aumentando a parábola que define, em função da luta oferecida pelo peixe!
Carreto: um 6000 com embraigem extremamente fiável, cheio com multifilamento 0,28 e com uma ponteira de amortecimento de 0,40, com 10 das "minhas braças" de comprimento, o que dá +/- 16 metros!
Rabeira: Dois destorcedores cruzados, ligados por +/- 1,20 metros, de mono 0,40 de muito boa qualidade, daquele que: resiste ao nó, fica direito quando se estica e não se parte fácilmente quando roça em alguma superfície mais rugosa!
O destorcedor cruzado de cima é ligado, por nó (Clinch knot/ver net), directamente à ponteira de amortecimento que vem do carreto, como aliás o são, o estralho e a linha que liga ambos os destorcedores!
Ao destorcedor de baixo, através da sua argola inferior, é ligado (mesmo nó) um troço de mono de 0, 35, com 20 cm de comprimento e ao qual se liga, na outra extremidade, um vulgar destorcedor de alfinete (escuro) que prenderá a chumbada, sendo o primeiro a partir caso esta se prenda no fundo.
A posição do destorcedor é a que se vê na imagem abaixo, sendo que o destorcedor livre rodará sobre a zona cilindrica, permitindo uma rotação regular e levará um estralho de 0,40, com +/- 60 cm de comprimento.
A segurança do nó referido, está numa boa lubrificação e aperto quando se executa e, em deixar uma pequena ponta saída, para o caso de escorregar um pouco em situaçao de esforço.

Sobre os destorcedores cruzados (não confundir com os triplos ou pater noster), posso-vos dizer que embrulham muito pouco os estralhos e são extremamente fiáveis, nomeadamente quando se tentam exemplares maiores; embora, no caso de linhas mais finas e pescas a peixe mais miúdo, possam também ser utilizados, adequando o seu tamanho.
A foto abaixo tenta, por comparação, dar uma ideia do tamanho dos que utilizo.
Anzóis: Gosto deles leves, fortes, com o bico torcido relativamente ao plano da haste e em tamanhos que variam entre o 1 e o 4/0! Na foto abaixo, podem ver-se quatro anzóis idênticos, com tamanhos variados, sendo que, só o mais pequeno, tem dificuldade em abarcar uma posta de Sardinha, apanhando-lhe a espinha!
Quanto ao isqueiro (BIC grande), não costumo apanhar nada com ele, está lá só para termo de comparação (que pena os smillies)!
Chumbadas... e cores!
Pois! As chumbadas terão o peso que a profundidade, a aguagem, o tamanho das linhas e iscas que descem e, por vezes, a existência de peixe miúdo a comer a meia água, exigirem!
Agora as cores!? Porquê?
Bom! Como a maioria dos mortais pescadores, utilizei durante anos e anos as vulgares chumbadas, cinzentas como ministros! Até que, as colorações há muito utilizadas por outros companheiros, nomeadamente, da zona de Sesimbra, me fizeram reflectir sobre o assunto!
Duas variáveis me pareceram importantes: disfarce e/ou atracção!?
Vejamos:
Sempre procurei que as minhas baixadas fossem o mais discretas possível! Mas o que poderá ser discreto lá no fundo? Qual a cor? Como veêm os peixes? Que estímulos poderão determinadas cores provocar nos nossos "interlocutores"? Sinceramente, não sei! E não foi por falta de leitura e estudo, atendendo à documentação consultada! Simplesmente tudo me parece inconclusivo, nomeadamente quanto às reacções dos "principais visados"!
Baseei-me então na experiência de mergulho e caça submarina dos meus tempos áureos, lembrando-me que o fundo submarino está cheio de cores variadas; vermelhos, amarelos, castanhos, cinzentos..., e, em locais de pesca mais intensa, aparecem algumas chumbadas e fios que lá ficaram "arrochados"!
Os factos anteriores aliados aos anzóis de outros que já tirei de peixes capturados, fizeram-me reflectir sobre as experiências de um peixe com vários anos!
Quantos aparelhos de anzol e rede já não foram vistos por estes animais? Quantos evitaram e a quantos conseguiram fugir rebentando-os ou sei lá como? E toda esta experiência, não os terá tornado desconfiados quanto a tais objectos mais ou menos flutuantes, mais ou menos depositados no fundo!?
Isto fez-me pensar que, se mais não for, qualquer coisa que se diferencie dos aparelhos cinzentos, da cor dos ministros, poderá simultaneamente, funcionar como disfarce e/ou atractivo! E, já que o fundo do mar é rugoso (ideia de um amigo meu), pois que a cobertura colorida também o seja!
E pronto, apresento-vos abaixo as chumbadas coloridas, rugosas e com brilhantes de festa que o tal amigo conseguiu produzir e que tenho usado! Quanto a resultados, não me queixo! Só não sei ao certo se não os teria com a cor antiga dos "tais senhores"!
Bom! A conversa já vai longa, mas acho ainda que devo dar algumas indicações quanto ao que escrevi:
- Não falo de marcas e sim de tipos de material que, concerteza, saberão procurar, pois as marcas como sabemos, todas têm material muito bom, bom e menos bom!
- Sobre as medidas e tamanhos, são essencialmente indicativos e, discutíveis!
- Certo, é que todo o material de que falo contribuiu para as capturas apresentadas! Só não sei se outros materiais permitiriam apanhar ainda melhor!? Só o tempo e o desenrolar da pesca o dirão!

Quanto a dúvidas! Estou por aqui! Alguma coisa é só dizerem! Não tudo! Mas, alguma coisa, arranja-se sempre!

A todos os leitores, uma boa noite!

10 comentários:

Anónimo disse...

Boa pescaria.Muitas dessas!
serafim

Ricardo disse...

Isso é que é transpirar pesca!
Quando não se faz, ensina-se.
Obrigado mais uma vez!

João Martins disse...

Viva Ernesto Lima

Hoje ficámos em terra
Mas é sempre bom
Escrevo-lhe por causa dos destorcedores
Da sua experiência é indiferente trabalharem em qualquer posição ou o destorcedor acoplado deve estar sempre para cima trabalhando em cima do corpo cilindrico do destorcedor principal?
Sobre o artigo e já que fala em pormenores
O isqueiro Bic existe em dois tamanhos...
Como o blogue está para durar e todo ele é qualidade uma fita métrica nas fotos técnicas ficava a matar
Até resulta com as de papel oferecidas aos clientes pelo Aki e Ikea

Este comentário não precisa de ir para a montra
Um abraço e fico à espera de mais páginas
João Martins

Ernesto Lima disse...

Viva a todos!
Grato pelos Vossos comentários!

Quanto ao João Martins:

Obrigado João pelos comentários construtivos e com piada que por aqui fazes!

Relativamente aos destorcedores, sim! o acoplado, deve trabalhar por cima da zona cilindrica o que permite rotação regular!

O Bic é o tamanho maior!

A fita métrica muito boa ideia!

Eu fixei-me só naquilo que estava a pensar e, verdade seja dita, ao prestar-se informação deve-se ser o mais correcto possível! Essa, assim como a do isqueiro passaram-me ao lado! Ainda bem que há gente interessada que lê tudo e tem o gosto por me fazer melhorar este espaço!

Tinha que publicar este teu comentário! É valioso!

Um abraço!

Ernesto

PS: as pontas saídas dos nós, não devem ser tão compridas e deverão ser cortadas com um Corta Unhas ou Tesoura para evitar aquele aspecto, mas a pressa de escrever tornou-me um pouco descuidado! Lolol...

valter disse...

Foi-me pedido para ver se podia meter este link de um forum de pesca que eu frequento.
http://www.pescador.com.pt/livre/index.php
E já agora se pudesse ir lá dar uma ajuda sobre o trabalhar das sondas, é que eu não percebo nada disso. Sò sei ver se está peixe debaixo do barco.

Ernesto Lima disse...

Viva Valter!

Grato pelo comentário!

Relativamente à sua primeira solicitação, já está atendida, como pode verificar!

Quanto à segunda, sobre as sondas, eu já tenho algumas indicações aqui pelos posts que tenho colocado, mas, se puder ajudar em algo mais, pois estarei à disposição, podendo até preparar um post específico, com base na utilização que normalmente faço!

Quanto a participar no vosso fórum, essa é uma responsabilidade que não gostaria de aceitar, atendendo a que já participo num outro, tenho o blog e muito trabalho! Pelo que, sem qualquer outra razão, agradecendo a distinção e esperando que não o entenda como presunção ou qualquer outra coisa; fico ao dispôr para as questões que quiserem colocar, neste espaço!

Abraço!

Ernesto

Anónimo disse...

Antes de Mais, Parabéns pelo Blogue. Devo dizer também que é dos poucos locais da net onde se escreve sobre a pesca Desportiva com a verdadeira atitude e espirito do Pescador.

É com grande Alegria que venho todas as semanas visitar este Blogue, para ler estas histórias das Pescarias feitas em Sines.

Primeiro porque sou natural de Sines e é uma forma de matar saudades da terra visto estar a viver agora em Lisboa.

Segundo porque sempre que posso zarpo até Sines para a bordo do meu barco "MARE NOSTRUM I" fazer umas pescarias e assim estou informado como vão as coias por lá.

Aproveito ainda para perguntar onde posso arranjar umas chumbadas vermelhas e rugosas como as da fotografia no blogue.

Saudações Nauticas e que os cabeçudos continuem a chegar ao prato

Rui Viegas

Ernesto Lima disse...

Viva Rui!

Grato pelo comentário!

Quanto às chumbadas rugosas, elas são feitas em Setúbal, na loja Planeta Pesca, na Rua Ocidental do Mercado. A rua onde os vendedores se movimentam (estando lá, é fácil dar com a loja).
Terá de encomendar ao Nuno, pessoalmente ou pelo móvel: 917864406.

Abraço!

rose disse...

Nuss,parabéns pela descoberta.Mas gostaria de saber como faser para que elas fiquem coloridinhas pois meu esposa tambem -as fabrica.PARABENS adorei ler suas linhas.

Ernesto Lima disse...

Viva Rose!

Agradeço o seu comentário!

Penso que se refere às chumbadas!

Eu não as fabrico, mas, vejo como fazem!

Existem no mercado, pós de várias cores que aquecidos se solidificam e fazem o efeito pretendido!

Tendo encontrado o pó, você o coloca numa vasilha diferente por côr! Aí você aquece a chumbada com um secador de cabelo forte, no máximo da temperatura, mergulhando em seguida a chumbada no pó da côr desejada ou, se quiser duas cores, mergulha primeiro na côr base e em seguida na outra côr que deseja! Depois mergulha em água fria para que as cores se solidifiquem.

Também já vi fazer com verniz de unha barato! Primeiro cola areia da praia na chumbada e em seguida pinta com o verniz!

Eu prefiro a primeira, embora seja um pouco mais cara.

Espero ter correspondido!

Abraço!

Ernesto