terça-feira, 30 de outubro de 2007

Que Vício!? - 28/Out/2007


Este fim de semana, não era para ir à pesca!?

Reunião de apoio, marcada para Sábado! Estar com a família no Domingo! Nada de ir para Sines! Nada de zagaias nem de pescas de fundo! Este era o pensamento reinante na minha "caixa dos pirolitos"... Até Quinta Feira!

Mas, eis senão quando, comecei a pensar que, no próximo fim de semana, também não podia ir! Epá isso não é muito tempo? E se entretanto chove? E se acontece outra coisa qualquer?

Com estes pensamentos a atormentarem a minha cabecita, resolvi abrir a net e espreitar o Winguru! A partir daqui tudo se desenrolou rapidamente! Na Sexta Feira vai estar bom! E se eu for só fazer a tarde!? Levo as zagaias (com montagens novas para experimentar)! Não tenho de comprar iscas, o barco tem gasóleo! É só chegar e arrancar para a pesca! A brincar, ainda faço para aí umas quatro horas de pesca! Está feito!

Sem mais delongas, preparei tudo, aguardei pela manhã para despachar alguns trabalhos pendentes, e zás! Eram 13.00 horas, estava em Sines a preparar o barco para sair!

Sou sincero! Este não é o meu formato preferido de fim de semana! Gosto de ir à Sexta de tarde, pescar um pouco, preparar tudo para Sábado, jantar, beber uns "canecos" com pessoal amigo lá de Sines, dormir, pescar Sábado e, calmamente, arrumar tudo e voltar para o ninho!

Mas, foi mais forte que eu! Esta estória da zagaia atormenta-me e deixa-me cheio de vontade de ir, insistir, experimentar, aprender! Que vício!!!

Pronto, cheguei ao local e atirei-me a eles! Primeiro devagar, para aquecer os braços, depois energicamente, variando as velocidades e as amplitudes dos movimentos da cana, imprimindo vida ao bocado de chumbo colorido, pesado e com dois anzóis pendurados da cabeça; um mais acima e outro mais abaixo! Mas que raio é que o peixe vê nisto!? Pensei para comigo, enquanto, por minha acção, o dito objecto se mexia com ar de louco, lá pelos 40 metros de profundidade! Digo que assim acontecia, porque previamente o testei com movimentos idênticos perto da superfície! E, de facto, aquilo não é comportamento de um peixe normal!

Enquanto estes pensamentos me assolavam e após ter testado a distância do fundo em que a amostra trabalhava, levanto a cana amplamente, como quem se quer aliviar do esforço contínuo e baixo-a outra vez, calmamente, deixando a linha bamba começar a esticar-se, mas, ela continua bamba!? Será peixe! Levanto a cana, tensa e rapidamente! Está lá! É peixe! Dá-se a luta e aí vem ele! O enxalavar? Onde está? Aqui, mesmo à mão de semear! Coloco-o por baixo do peixe e vá para dentro do barco! O primeiro já cá canta! Não é grande! Mas é mais um testemunho de que tudo funciona! O local, a amostra, o movimento, as derivas...

Tudo me parece bem! Sinto-me um felizardo e redobro a atenção para o que me rodeia: o mar, a sonda, o GPS, a manobra do barco à procura de outra deriva, paralela e perto da anterior! As acções decorrem, perdidas no tempo! Entram mais dois peixes, com a mesma amostra e em momentos espaçados! O fundo não está como de costume! A comedia é pouca e muito agarrada à pedra! Será por isso que não sinto mais movimento!? Também, já não me posso queixar! Tenho dois Pargos e uma Bica e nem sequer trouxe isca!

O vento aumenta! O tempo corre! Entra uma aguagem, contrária ao vento, que faz com que o barco se mantenha no mesmo sítio, não permitindo a exploração de fundo habitualmente proporcionada pela deriva!

Também já chega!? Tenho peixe suficiente e juntei mais conhecimento para guardar em algum recanto do meu cérebro, o que, um destes dias, me poderá valer na captura daquele... Do tal... Enorme!!! Poderei então dizer, uma vez mais, tudo valeu a pena!!!

Deixo-vos com a foto dos três da tarde e com a promessa, de melhor completar as informações sobre esta técnica, quando sentir mais segurança na sua execução!

A Zagaia a dar nas vistas "Domingo 2"! - 21/Out/07


Ora aí está!

O serranídeo em estudo!

Este fez as delícias de todos nós!

As do Zé Beicinho que nunca tinha apanhado um bicho destes! Ainda por cima, utilizando esta técnica pela primeira vez!

As do Zeca, porque já tinha vindo uma vez, mas não chegou a molhar o bico e assim dá para crer que a coisa resulta!

Finalmente as minhas, porque o meu barco nunca tinha visto tal animal, porque utilizando esta técnica cada vez se sente com mais intensidade que muito há para estudar, testar e aperfeiçoar! E porque, tenho vindo a perceber, através dos resultados obtidos, a enormidade de espécies, locais, amostras, montagens..., etc. que se nos abrem nesta área e, ainda, porque acho que soube adaptar ao momento, atendendo à distribuição das montagens, tendo em conta o material de pesca e humano existente a bordo! Isto sem desprimor para as capacidades dos meus companheiros!

Sobre tudo o que vou testando, estou a preparar um artigo de fundo que, um dia destes estará à disposição, num blog perto de si!

PS: Chamo a atenção para a amostra! Um vinil de 14 cm, branco e vermelho, para trabalho a baixa velocidade! Depois falamos!

Zagaia a dar nas vistas "Domingo 1"! - 21/Out/07


Chegou o Domingo!

A Sexta Feira foi agitada. Trabalho de manhã, viagem para Sines, preparação do barco e pesca até à noite!

O Sábado, teve hora marcada para as 7.30 e o dia foi comprido; quase 12.00 horas de pesca, com pouco peixe e muito mudar de sítio!

Domingo, estava decidido, quem viesse comigo, podia já pensar em esquecer marcações de horas matutinas e coisas desse género, assim como, pensar em pescar até ao cair da noite!

Coisa higiénica precisa-se! Sair tarde, voltar cedo e com pouco ou nenhum peixe, mas, se vier que se veja! O plano estava feito! O Zeca e o Zé Beicinho aderiram e diga-se, em boa hora! Principalmente o Zé Beicinho! Já vão ver porquê!

Saímos pelas 11.00 horas, depois de uma noite descansada e um pequeno almoço farto, não sem antes ter preparado as amostras e as canas a serem utilizadas!

Chegámos à zona de pesca e iniciei a sondagem de fundo, apercebendo-me de que os pontões e as embeiradas que procurávamos, estavam cheios de comedia agarrada e alvorada relativamente ao fundo, estando assim assegurados, bons sinais para o tipo de pesca a que vinhamos!

Como habitual, limpei os traços de rumos já feitos no ecran do GPS e, enquanto aguardei pelo traçado da deriva, fui preparando a minha cana para trabalhar na vertical e a cana a utilizar ora pelo Zeca, ora pelo Zé Beicinho, com uma montagem para trabalhar bem com a deriva do barco, tipo corrico de fundo, não obrigando a grandes movimentos, já que, estes meus amigos, estão a iniciar-se nestas lides.

Assim, eu Zagaiáva com a amostra de trabalho vertical, um dos meus amigos, à vez, trabalhava com a cana que derivava ao fundo, e, o que estava livre, ia observando a sonda e dando indicações sobre as variações de altura e o peixe indicados por esta.

A azáfama iniciou-se e ao cabo de +/- uma hora, eis que me entra o primeiro Pargo! Após subida e descida com linha parada, ferro com violência e entra um Pargo com quase dois quilos! Aquele que figura na foto acima!

O entusiasmo instala-se e inicia-se a deslocação do barco para mais uma passagem! E vá de Zagaiar vertical e vá de corricar com a amostra de fundo, uma, duas vezes! Até que o Zé Beicinho, sente a linha ficar leve e levanta a pesca, parecendo esta ficar arrochada, mas não! É um peixe! E é bom! Ele luta e quer tirá-lo rápido, tentando dar ao carreto! Eu digo-lhe para ter calma e deixar o peixe cansar-se! Ele assim faz! O peixe leva linha e ele deixa! O peixe afrouxa e ele puxa! Até que chega cá acima um vulto castanho! Parece um Mero! É de facto um serranídeo que pesou 4,800kgs! Mas, inclino-me mais para que seja o que os brasileiros chamam badejo, embora, para o qual não encontre nome equivalente em Português, já que o Badejo, para nós, é parecido com o bacalhau! Também não me parece Mero! Falta-lhe cabeça e barbatanas, para além da cor! Não sei! Alguém que leia e me tire esta dúvida.

Enquanto festejamos, e fotografamos, não nos apercebemos que um barco com quatro pescadores que nos viu tirar o peixe, vem de mansinho e larga ferro precisamente em cima do bico onde estávamos a fazer a deriva! Para quê? Com as técnicas e isca que vão utilizar, dificilmente apanharão melhor que uma Sagueta ou outra, Cavalas, Andorinhas...; enfim, o mar é de todos e sonhar é bom! Pena é, andarem atrás de outros em vez de tentarem perceber o mar, o peixe, a pesca...! Mas, é assim! há muito mar e nós não nos importamos de procurar!

Vamos para a próxima entrada onde vos mostro o Zé Beicinho com o tal Serranídeo e acabo a estória!

Zagaia a dar nas vistas, "As culpadas de Sexta"


Aí estão! As duas culpadas!
À esquerda: A "caseirinha" do Zé Vicente! Quem diria? Mas têm que a ver a trabalhar na descida! Um espectáculo!
À Direita: Uma daquelas XPTO, não sei a marca de cabeça, nem estou preocupado! Trabalhava muito bem e já provou várias vezes! Quanto à marca, podem sempre deitar-se a adivinhar! Procurando, até é fácil!
Os Anzóis, são montagem aqui do pescador! Os cabinhos, são de vela, de 2 mm, e, os nós? Pois, são nós de oito! Vulgares de Lineu! Só têm de ter um cuidado! Molhem o cabo antes de apertar o nó!
Boa noite a todos! E, não esqueçam, falta o relato de Domingo! Tem um peixe... E a amostra? Não digo! Vão ter de esperar!

A Zagaia a dar nas vista 3! - 19/Out/07


E, depois do Robalo, continuei!

Passagens e mais passagens, até que resolvi mudar de amostra e fazer mais umas, antes de ir à procura da janta!

Amostra por amostra, cores por cores! Apostei numa maior e com cores de peixe! Vamos ver o que dá!? Esta, também já provou! Se vier vem, se não vier, paciência!

Percorro a deriva da passagem do lado direito! Ponho o barco a jeito e atiro a amostra, deixando-a tocar o fundo, controlando com cuidado, para não arrochar!

Olho para o GPS e vejo a deriva a correr certa! As bolas de peixe começam a aparecer na sonda! Apercebo-me da amostra a tocar o fundo e inicío o trabalho desta! Elevo e baixo a cana, primeiro em movimentos curtos e rápidos e depois em movimentos mais longos, observando a linha bamba a descer! Até que à segunda descida, a linha fica a boiar! O que é isto? O fundo!? Não pode ser!? Mesmo agora tirei de lá a amostra! Enquanto penso, elevo a cana com violência e lá está! Temos luta! Mais grossa!

O peixe tinha-se atirado e levado a amostra lutamos os dois, com garra! Mais ele que eu que tento estar frio para melhor o derrotar! E consigo! Um Pargo com 3, 600 kgs! É quase noite! Comtemplo o bicho! Fotografo-o e decido que a pesca acabou! Foi bonito! Fechei com chave de ouro mais uma jornada a solo, não programada! Mas acontece!

Fui jantar e os meus pensamentos continuaram a girar em torno do que me aconteceu nas últimas horas! Saboriei o jantar e todos os momentos que vivi, como se fosse o último dia da minha vida! São estes momentos, entre outros, que melhoram a vida dos que amam esta actividade!

Mas o quê? Julgam que terminou!? Nãããoo! O melhor está para vir!

Mas vão ter que esperar pelos relatos do Domingo, dia 21! As surpresas são boas! E vão ficar, talvez, umas dicas!

A hora vai adiantada e amanhã trabalha-se! Assim que puder, conto o resto!

Vou-vos só deixar uma próxima entrada com uma foto das amostras que actuaram e bem!

Zagaia a dar nas vistas 2! - 19/Out/07


Continuando!

Depois dos dois primeiros Pargos, continuei, insisti com as passagens, mantendo uma deriva central, uma esquerda e outra direita, sempre encostadas, passando mesmo em cima, ao lado direito e ao lado esquerdo de um local com pontões embeiradas, encimadas por bolas de peixe impressionantes! E a coisa deu-se outra vez!

Numa das subidas, num fundo de 50 metros, já com meio comprimento de linha recolhido, um ataque! Epá, que é isto? Tão em cima? O que é? O que não é? E, eis que me aparece este robalo de quilo e pouco, com a amostra do Zé Vicente, mais uma vez, a provar o que vale!

Só não sei, como é que o robalo me conseguiu abrir o destorcedor que agarra a amostra? Mas chegou cá acima! Isso é o mais importante!

A felicidade existe! Nós é que, por vezes, nos arredamos dela! Isto parece estúpido! Mas é como me sinto! Vou fazer o quê?

Vamos ver o que ainda aconteceu neste dia! Passem para a próxima entrada!

Zagaia a dar nas vistas 1! - 19/Out/07


Cá está o pargo de 1,800 kgs, com a amostra caseira do Zé Vicente a mostrar o seu melhor!
Esta pesca, decorreu entre as 16.00 e as 19.oo horas! Bonito, não é?

Este peixe, foi apanhado na primeira passagem que fiz sobre o pesqueiro! Imaginem a vontade de continuar com que fiquei! Às vezes, andam-se horas até que entre um qualquer peixe ou nenhum! Mas não! Assim que cheguei, vi e venci! Acontece!

Na terceira passagem, apanho outro Pargo de 1,200 kgs! Este não está documentado!

A coisa corre, sem dúvida, bem!

Vamos ver a próxima entrada!

Fim de Semana 19 a 21/Out/2007 - A Zagaia a dar nas vistas!


Um fim de semana em que a pesca à Zagaia marcou decididamente pontos importantes!

Os locais, as marcações de sonda, as amostras utilizadas, os modelos de aproximação às derivas, os movimentos imprimidos às amostras...; enfim, começam-se a vislumbrar um conjunto importante de conhecimentos que, aplicados, funcionam! Isso, meus amigos, é o objectivo, senão o sonho da maioria de nós, pescadores!

Os resultados, em maiores exemplares, comparativamente ao que por aí já se vê, não pode dizer-se que sejam uma coisa do outro mundo! Mas, são portugueses, de Sines, e, muito importante para mim, começam a ser regulares! Coisa que, nesta técnica, não me parece que se possa considerar fácil!

Ainda importante, entre outros, muitos, factores; foi ver o trabalho das amostras, antes de as utilizar! Isso fez com que usasse uma amostra caseira, feita pelo meu amigo Zé Vicente, cá de Setúbal, que, na Sexta Feira apanhou os dois Pargos mais pequenos e o robalo que se podem ver na foto acima!

Não vou hoje, debruçar-me muito sobre as técnicas utilizadas! Vou aguardar e testar mais, para que a informação seja o mais correcta possível!

Nas próximas entradas, mostrar-vos-ei as amostras que funcionaram e os peixes que se apanharam na Sexta e no Domingo, já que no Sábado fui pescar ao fundo com os meus amigos, Morais, Teles e Tó, sendo que a pesca não foi nada de especial, embora todo o pouco peixe apanhado tenha sido de qualidade, como Sargo, Bica, 2 Pargos de quilo e algumas Sarguetas de bom tamanho! É assim, não consegui dar com eles neste dia!

Dia com o pessoal do Portal


Relato apressado 2 - 17/10/2007


No Sábado, fui com o meu amigo Tavares! A coisa não correu muito bem!?

Peixe difícil! Barco a rodar constantemente! Aguagens a entrar!

Mesmo assim, ainda apanhámos uma boa teca de Besugos e dois Pargotes pequenos!

No Domingo, recebi cá o Mário, o João Borges e o Fernando!

Fomo-nos a eles! Insistimos! Tornámos a insistir! Finalmente, entre grande camaradagem, patuscada e pesca dura e crua, com visita a dois locais diferentes; eis que apanhámos dois Pargotes e 23 kgs de Besugo, como manda a lei e sem a depauperar, também não precisávamos de mais!?

Não concordamos! Mas cumprimos!

Deixo-vos a foto de um dia que valeu muito, por tudo o que passámos juntos e pela pescaria que, não sendo a que procurámos, foi a que conseguimos; assim como este relato, limitado pelo tempo que disponho, de momento, para vos continuar a entreter!

Assim que puder, elucido-os com mais promenores, destas pescas ou das vindouras!

Relatório apressado 1! - 17/10/2007


O trabalho é muito! O tempo escasseia! Quem perde é aqui o blog!

Trabalho é trabalho! Cocnac é cognac!

Este fim de semana, a coisa correu bem, embora os grandes exemplares tenham estado arredios! Não, por falta da procura e da insistência habituais! Mas há dias assim!

Quero, no entanto, salvaguardar a Sexta à tarde, onde a pesca da zagaia me trouxe umas alegrias, na forma do Pargo de 2,300 kgs que se vê na foto, e na da fuga de mais quatro peixes! Dois não se chegaram a ferrar! Só atacaram! Outros dois, lutei com eles quase até cá acima e desferraram-se, fazendo-me sentir a "morrer na praia" e, ao mesmo tempo, dando-me indicações sobre o bem fazer e escolher, quer os locais, quer as amostras!

Talvez tenha de rever a montagem dos anzóis, mas isso, é algo que necessita mais teste! O que, penso continuar no próximo fim de semana, se o tempo se mantiver sossegado.

Para já, não vos posso elucidar mais! Mas, os relatos mais apurados, estarão por aí, assim que me for possível!

Passo para a próxima entrada os pequenos relatos de Sábado e Domingo! Não são como eu gosto! São os possíveis!

Sábado! O dia do Mário! - 7/10/2007


Mais um dia calmo, com aviso para as 9.00 horas da manhã!

Os verdadeiros pescadores, acharão isto um ultraje! Mas, horas matinais já as tenho no trabalho! Para quê também aqui!?

Convidei o companheiro Mário, um homem que dá o que tem, inclusivé a piada na hora certa!

Começámos com a zagaia, mas a coisa não resultou! E, diga-se a bem da verdade, a vontade de andar para ali a levantar e baixar amostra também não era muita! Há dias assim!

Fomos lá fora, poitámos e pescas para o fundo!

Primeiro peixe, um Pargo de quilo!

Segundo peixe, um Pargo de quilo e muito! Mas o que é isto? Se continua assim, estamos aqui estamos em terra com o peso legal atingido!? Mas não! A coisa continuou, mais morna, com Carapau daqui, Besugo dali, iscas roubadas de acolá! Então? e o "grande"? Não entra!?

Parámos, almoçámos e continuámos!

As capturas aconteciam ao mesmo ritmo e antes que nos deixássemos dormir, levantámos ferro e fomos para a terra!

Escolhemos! Tornámos a poitar e vá de canas para o fundo! E vá de roubo! E mais roubo! E Bica! E Pargo pequeno! E Dourada de quilo e muito! Dourada? Eh pá, espera! Disseram Dourada? E quê!? O Mário é que apanhou isso tudo!?

Bom! Não há dúvidas! Foi mesmo o dia do Mário!

Salvé Mário! Temos de repetir isto!

PS: Vejam bem a satisfação estampada na cara do Mário! Parece um poema!

O Alfaquim de Sexta! - 7/10/2007

Cá está ele!
O Alfaquim de Sexta! Bonito, não é?
Mas devo ter alguma ligação com o peixe!? Já viram que este parece ser o prolongamento do meu bigode? Olha se fosse!? os problemas que eu teria para comer, beber, ..., etc.!?
A Sardinha foi a culpada!
Conforme estiquei a linha, à chegada lá abaixo, senti levar sem pressas, mas insistente e firmemente! Procedi em conformidade, com insitência e firmeza em sentido contrário, ao que se seguiu a habitual luta pesada e com poucas nuances! Mas, no prato, este é de facto um dos melhores manjares que o mar nos pode oferecer!

Um fim de semana calmo! - 7/10/2007

Foi isso mesmo!
Um fim de semana calmo, em que procurámos e acabámos por encontrar!
As pressas e os nervosos não estiveram presentes; procedendo-se á preparação, viagem, procura, poitada do barco e início da pesca, sem que, pelo caminho, não se deixassem de lembrar estórias conjuntas e de cada um, de outras pescas, outras jornadas!
O dia esteve espectacular, como se pode ver pela foto do Vítor que, calmamente, apanha um dos vários Besugos, inicialmente detectados pela sonda na forma de pequenos traços azuis agarrados ao fundo, não se fazendo rogados às iscas que também eu, o Pedro e o Raimundo lhes propusemos! Esta, uma pequena "família", formada pelo saber estar e cordialidade desenvolvidos ao longo de alguns anos de pesca falada, vivida e aprendida!
O dia esteve tão calmo que, as entradas e paragens de aguagem, nos obrigaram a corrigir por várias vezes a poitada da embarcação! Mas, assim que se batia no sítio certo, a coisa funcionava e lá foram entrando Besugos, Pargos de quilo, um Alfaquim de dois quilos e tal e Carapaus q.b.!
Tudo isto até atingirmos o peso máximo legal, ou seja, os quatro exemplares, um por cabeça, e, os 25 kgs que os pescadores em embarcação de recreio, acima de dois num barco, podem capturar.
Não se entende!?
Porquê?
Se pagamos licença igual aos da Marítimo Turística e estes podem capturar 1 exemplar e 10 kgs por cabeça e por dia! Se estes não pertencem ao Parlamento! Se não são da Comunicação Social! Se não são, certamente, todos do partido do Governo! Então qual é a prerrogativa? Estranho!!!
É só uma brincadeira! Mas não deixa de ser estranho!
Enfim, um Sábado bem passado, onde aqui o "je", ainda apanhou um Alfaquinzito para aí com uns dois quilos e "teca" que mostrarei na próxima entrada! Nesta, já não cabe a foto!
Vai daqui um abraço para os meus companheiros de Sexta! E continuam nas próximas entradas, o tal do Alfaquim e as peripécias de Sábado com o Mário Batista!

Opção Zagaia! - 30/Set/2007


Não tinha dito nada, mas já tinha decidido! Este seria um fim de semana de "Zagaia"!

Depois das pescas da última semana, na passada Segunda Feira, pensei que nem que me esfarrapasse todo, esta Sexta e Sábado me ia dedicar por completo a esta técnica! E claro que me desunhei em consultas de carta, conversas com pessoal amigo e preparação de materiais, com esses objectivos presentes!

Até Quarta Feira, o Windguru dizia que o tempo iria estar bom, mas, na Quinta, as coisas alteraram-se e o São Pedro encarregou-se de me pôr os "palitos", sob a forma de ventos inadequados para Sábado!

Já tinha pensado em convidar uns amigos e tal! Mas, só para pescar na Sexta à tarde e aturarem as minhas maluquices, não me pareceu boa ideia!

Bom, resolvi encarar a coisa à séria, mesmo para pescar entre as 14.30 e o fim de tarde, e, preparei tudo como se fora pescar todo o fim de semana!

Cheguei a Sines, cumpri com os habituais procedimentos para colocar a pesca e o motor em marcha, acrescendo ainda a tarefa (penosa $$$) de encher o depósito de combustível e lá saí para mais uma (1/2) jornada, qual soldado perante o início de operação de alto risco, já com a adrenalina que antecede a luta a querer aflorar a periferia.

Os pressupostos, para determinar o pesqueiro a testar, já estavam definidos!

Não poderia ser muito longe, pois as horas para pescar não eram muitas!

Teria de ser um fundo conhecido, abrupto, recheado de entralhados à volta, e que, normalmente, tivesse muita comedia! Permitindo-me assim, fazer muitas e longas passagens, derivando por cima de bicos, cetombas e limpos à volta, desde que os sinais emitidos pela sonda fossem suficientes para me fazerem acreditar na viabilidade de tal pesqueiro para a utilização da técnica em causa!

Sou sincero! Não andei muito! Nem quero dizer quanto!

Lá estava tudo! Ele era bicos, ele era quedas! E os entralhados à volta? Tudo carregado de comedia, um pouco agarrada ao fundo para o meu gosto, mas havia que trabalhar e logo se veria!?

Parei o barco e, enquanto esperava que a deriva fosse determinada, olhei para as cores da água e do ar, escolhi a primeira amostra (daquelas que por aqui já mostrei!) e montei-a na cana previamente tratada para a receber.

Determinada a deriva, percorri várias linhas paralelas a esta, até encontrar o percurso que durante mais tempo poderia ser percorrido, apresentando sinais de poder ser produtivo em toda a sua extensão, após o que, naveguei para o seu ponto inicial, desliguei o motor e mantendo a Sonda e o GPS ligados, iniciei a acção de pesca!

Fiz a primeira passagem, imprimindo movimentos diversificados à amostra! Voltei atrás e percorri uma outra linha, encostada e à direita da primeira passagem! Voltei atrás e percorri outra linha, encostada e à esquerda da primeira passagem! Nada!

Dei uma volta, sondando em torno das zonas onde já tinha pescado e concluíndo que os melhores sinais estavam, de facto, nas três linhas inicialmente desenhadas! Optei! Vou-me "gastar" nesta zona, até que a paciência ou a exaustão decidam outra coisa!

Voltei à linha da primeira passagem, troquei a amostra e vá de trabalhar, primeiro nesta e depois nas outras duas já conhecidas e, assim sucessivamente, trocando de amostra a cada passagem nas três linhas referidas!

Comecei nestes propósitos às 15.00 horas da tarde, são 16.30 e nada! Porquê? A sonda não está boa!? Não acertei com a amostra!? Será que os movimentos estão incorrectos à passagem em cada local ou será que estou a subir a amostra onde o peixe está e a baixá-la onde não está!? Já sei! Isto é fome! Vou comer e a seguir as coisas vão melhorar! Ou então mudo de sítio!? Mas, para onde é que vou a esta hora!?

Sento-me e como! Pouco, para não amolecer! E lá começo outra vez!

A velocidade de deriva diminuíu, vou passar para uma amostra para trabalhar na vertical! E cá vou eu! Estou a chegar ao primeiro cabeço, quando estou em cima dele, subo a amostra e deixo-a cair de novo para que trabalhe na cetomba que vem a seguir! Inicio os movimentos e zás! Lá vai cana para o fundo! A luta fica feia e dura! Parece que "o" vou tirar do fundo e, de repente, a linha "arrocha"! Insisto "ele" luta um pouco e a pesca torna a "arrochar", agora de forma consistente, obrigando-me a encetar trabalhos no sentido de a libertar!

Tento dar a volta ao barco, mas, com cana na mão, barco na outra e deriva a puxar, a coisa não é fácil! Calço uma luva e deito a mão à linha, folgo e sinto de novo o peixe que parece ter "entocado" irremediavelmente, ao que se seguiu linha partida, perda da amostra e consequentemente do peixe, que terá ficado com um piercing maior do que, "ele" ou eu, certamente, gostaríamos! Mau para ele, mais que para mim, pois aquilo ainda vai levar um tempo a sair! Desculpa peixe! Mas, melhor isso que a panela! Penso eu!?

Que peixe terá sido? Pela tipo de luta conjugado com o "entocanso" e as características do local, apetece-me arriscar que terá sido um Mero!? Será? Talvez!? Aquilo não era luta de Safio ou Moreia! Se não? Não estou a ver outro artista!? Eu volto lá! Talvez ainda recupere a amostra!?

As coisas mudaram! Os sinais estavam certos e parece que a amostra e cá o pescador, não funcionaram mal de todo!? O peixe venceu, mas não se pode, nem me parece bom que se ganhe sempre! Aprendemos menos!

Reinicio a pesca, reparando previamente a montagem e colocando uma amostra igual! Não vou passar na mesma linha, para já; pois andará por lá "pessoal" de sobreaviso! Vou antes passar ao lado! Passo na linha ao lado esquerdo e apanho uma cavala! Passo na do lado direito e ferro uma boga pelo meio, coitada, estava tão encostada à amostra que não teve tempo de fugir do movimento que lhe imprimi! Azar! Uma coisa é certa! A amostra deve ter influência, porque até ao momento em que a coloquei, não tinha sentido nada! Ou será a hora!? Que horas são? 18.15! Como é possível!? Estou nisto há três horas e nem dei por isso! Vamos lá mais uma ou duas vezes! Já me dói tudo, mas nem me apercebo!

Inicío outra deriva! Passo o primeiro cabeço, passo a cetomba deste, passo o segundo e quando estou a trabalhar no entralhado que se segue, uma cabeçada boa! Nada comparada com a primeira, mas lutando bem! O que é? Parece Pargo, mas não muito grande, e sai-me este "bandeireiro", o da foto, com 1,500 kgs! Como prémio de tanto esforço, pois, não será grande coisa!? Mas é melhor que nada!

São 19.00 horas! Telefona-me o Zé Beicinho, interpolando-me com o habitual "com'é que é"? Eu digo-lhe o que tenho e encarrego-o de pôr a panela ao lume e arranjar pessoal para comer o "Parguito", ao que responde: "traz isso amanhado"! E pronto! Está feito o dia, não sem antes ter passado lá mais duas vezes, sem melhores resultados!

A coisa funcionou! Os resultados não foram os melhores, mas deixaram-me de sobreaviso para a próxima e, com o tempo, ainda vamos ter por aqui, coisa que se veja, atendendo à técnica utilizada.

PS: a foto, mais uma vez não é grande coisa! Muita logística para um homem só!

Fases de um dia de pesca! - 24/Set/2007


Um dia de pesca implica um conjunto de acções físicas e mentais que, muitas vezes, se iniciam na Segunda Feira anterior, isto para quem trabalha, o que acontece à maioria de nós, pescadores!
Sinceramente, isto de trabalhar, não é normal! O homem fez-se para pescar, caçar, pensar, ... Procriar!?
Mas enfim! As relações do mundo são o que são, e tivemos que nos habituar a esta escravatura semanal!?
Pessoalmente, na Segunda Feira que se segue a um fim de semana de pesca, assim que termino o trabalho, costumo vir aqui ao blog, penso no que se passou na pesca anterior, e, após consulta do tempo para o fim de semana seguinte, inicio as tomadas de decisão e começo a delinear os passos a efectuar em função das decisões tomadas.
Das acções a desenvolver, constam:
- O acompanhamento diário da evolução do estado do tempo, cujas alterações poderão influir drasticamente nas decisões inicialmente tomadas ou até, tornar impossível a prática tão desejada!
- A manutenção do bem estar familiar! Pois não é bom, termos o pessoal lá de casa "de candeias às avessas" conosco, às vezes, por coisas sem qualquer importância e mantermos essas situações até ao fim de semana seguinte! É mau para tudo e para todos! Não sei se me faço entender!? Claro que este cuidado, eleva a Pesca a elemento essencial de equilíbrio familiar! Quem diria?
- Trabalhar até mais tarde, se necessário, de forma a evitar que coisas deixadas para trás, nos obriguem a trabalhar no fim de semana! Porque sabemos que do trabalhinho depende potencialmente a pesca!
- Consultar a carta de pescas! A pesca embarcada, seja qual for a modalidade, implica uma consulta contínua da carta, pois descobrimos sempre novas zonas e hipotéticos pesqueiros a testar!
- Manter viva alguma informação sobre o que se passou com as pescas, durante a semana, na zona onde costumamos pescar, tentando perceber os tipos de capturas e os pesqueiros ou zonas mais prováveis, em termos de localização. Isto, sem confiar totalmente nos informadores, tentando descodificar as conversas "em letra pequena" e sem nunca perguntar sobre o local exacto! O pessoal normalmente não gosta e a informação poderá sair ainda mais distorcida!
- A par do anterior trabalho de "manutenção", à medida que o dia se aproxima e que tudo se torna mais certo, há que negociar as iscas e decidir se vamos sós, acompanhados e, no caso dos que, não tendo barco próprio, vão com um amigo ou em Maritimo Turística, tentar antecipadamente falar com o mestre, auscultando que locais pensa percorrer e a que espécies se vai dirigir na pescaria que se avizinha.
- Já no final de toda esta preparação, importa preparar meticulosamente o material a usar, ou seja, iscas, montagens, canas, carretos, suplentes, roupa, comida; e, arrumá-los meticulosamente, de modo a que em qualquer situação sejam fáceis de encontrar sem se tornarem um empecilho para a acção de pesca!
E então, chegou o dia!
No meu caso, a saída para a pesca é um ponto alto da semana, atendendo a que todo o trabalho referido é feito a par com muitas horas do "outro trabalho", aquele que me permite os momentos que se seguem! Sei que para a maior parte de nós, aqueles que amamos esta actividade, as sensações serão concerteza idênticas!
O dia começou! Navegamos, sentimos o cheiro do mar misturado com o das iscas (qual Channel!?) e observamos tudo, como se fosse a última vez que o pudéssemos fazer, até que chegamos ao local e iniciamos os preparativos para que se iniciem as hostilidades!
Referir-me-ei, a partir deste momento, ao que se passa comigo a bordo, pois seria penoso e talvez pretencioso tentar abarcar todas as situações possíveis.
Chego ao pesqueiro, cheio de "fé", acreditando em tudo o que pensei nos últimos dias, começo a sondar e gosto do que vejo num determinado ponto! Paro o barco e apago da carta do GPS, a linha percorrida!
Preparo o ferro para largar sem precalços! Preparo as iscas e as canas, já com as montagens que anteriormente lhes distribuí, colocando-as nos locais onde vão "actuar" e dirijo-me ao leme!
Olho para o GPS, verifico a direcção da deriva entretanto efectuada pelo barco e preparo-me para aproar a esta e largar o ferro!
Sondo em linha paralela à deriva ou sobre esta, em sentido contrário! Encontro o fundo e os sinais mantêm-se! Dou desconto, tendo em conta se a aguagem é muita ou pouca e se o local onde vou largar o ferro pelo seu relevo e dureza de fundo me obrigará a dar mais ou menos cabo! Largo o ferro, acompanhando a passagem do cabo com a mão, e, assim que chega ao fundo, controlo a sua saída! Asseguro a fixação e dou cabo até que a sonda me dê sinais do fundo que previamente escolhi! Isto sem arriscar muito, pois se houver aguagem, terei de deixar que o barco fique antes do pesqueiro, para assegurar que as iscas vão cair no local desejado.
Outras coisas me deixam atento! Neste momento a aguagem e o vento são fracos! se aumentarem, o cabo esticará mais e poderei sair do pesqueiro! É verdade que a marcação de peixe está por todo o lado! Mas, nunca fiando! Estarei atento aos sinais!
Inicio a acção de pesca, não sem antes, iscar todas as montagens, excepto a da isca viva que fica a aguardar pelo peixe certo que uma das suas "amigas" há-de capturar!
As pescas chegam ao fundo, os "toques" sucedem-se! As iscas são roubadas! O peixe não se deixa apanhar! Também com anzóis e iscas desse tamanho! Querias o quê? Penso e insisto em não apanhar peixe miúdo! Os grandes hão-de aparecer! Mas há sinais que ainda não estão cá!?
Entra um Carapau! Boa! Entra outro! E agora uma Sargueta grande! Isto está a compor-se! Um Pargo pequeno! Onde está o teu pai ou o teu avô?
As cavalas já apareceram! Uma das pequenas já lá está, viva, a desafiar um qualquer cabeçudo!
De repente, oiço ranger e olho para a cana que está no apoio! Afocinhou e está aos tremeliques! Corro para ela e levanto-a! O que é? Está "arrochada"!? Não!!! A pedra não puxa para baixo!? Começo a luta e ao fim de alguns momentos tenho dois quilos e tal de Dourada a bordo! Vou para a tirar e não tenho tempo!? A cana que estava na mão e que coloquei no apoio, enquanto lutava com esta, teima em beijar o mar! Largo tudo! Tenho outra luta, mais violenta e mais afundante! Começo a vê-lo, é vermelho, lindo! Um Pargo quase do tamanho da Dourada! mas o que é isto? Os deuses devem estar loucos!?
Arrumo os peixes! Verifico os estralhos e os anzóis procurando sinais de enfraquecimento nuns e noutros! Os anzóis estão bons, mas o estralho que apanhou a dourada, necessita de ser mudado! Faço-o e começa tudo de novo! Vejo as horas e verifico que já passaram duas e meia, desde que comecei a pescar! Como é possível? Tenho seis peixes, todos de bom tamanho e nem dei por nada!? E a cana com isca viva? Está tudo igual!
Continuo, em tensão, mas as ratices roubam-me as iscas e vão ficando mais fracas! O que se passa? Mudo as iscas, mudo a forma de as iscar, contínua e alternadamente, nas duas canas! Nada acontece para além das ratices e do roubo descarado, continuamente efectuado por um gang submarino organizado!
Está na hora de mastigar alguma coisa, o que faço sem perder de vista as ponteiras das canas! Nada acontece! Agora as iscas já nem são roubadas, mas sim ratadas, vindo quase inteiras para cima!
As dúvidas acumulam-se! Já se passou uma hora e meia após a última captura! São três da tarde e começo a não acreditar no que estou a fazer, apercebendo-me que diminuí o esforço de pesca e que não estou a imprimir o ritmo inicial! Acorda homem! Para os sinais que isto teve, algo ainda tem de aparecer por aí!
Atiro-me às canas! Volto a acreditar! Aumento as iscadas! Desafio o peixe elevando e baixando as canas, parando-as por alguns momentos que me parecem uma eternidade! Subo as pescas ainda carregadas de iscas e troco-as, assegurando a sua frescura e enviando odores fortes lá para baixo! Doem-me os braços e tento não pensar nisso! Enquanto estou nisto, a coisa dá-se! Ponteira para o fundo e começa a luta! Outra Dourada! Esta é mais pequena! "Só" tem 1,900 kgs (isto só soube depois)!
A pesca continua, entra uma Bica do tamanho da Dourada, mais um Pargo de tamanho idêntico e dois mais pequenos! Isto tudo, para aí em 45 minutos! Abro a arca e penso que tenho de pesar o peixe! Um dia destes não merece chatices com as autoridades, por levar peixe a mais!
Peso o peixe e encontro 9,500 kgs mais a Dourada maior! Olho para as horas e são quatro e meia da tarde! Já tenho que chegue e vou sossegado para a terra! Acomodo tudo, ponho o motor em marcha e levanto o ferro! Aqueço a máquina e dirijo-me ao Porto! A pesca está feita!
Enquanto navego de regresso, comtemplo tudo e penso deleitado em todos os acontecimentos do dia: nas opções tomadas, no que apanhei porque acreditei e no que teria apanhado se acreditasse mais ou durante mais tempo seguido. Nunca o vou saber!? Também não é importante! Tenho o ego nas nuvens e aproveito, porque sei que outro dia, aí para a frente, virei certamente a pensar onde é que errei, se trabalhei, procurei e acreditei tanto!?
Esta é a descrição das minhas acções, pensamentos e estados de espírito, antes, durante e no final de uma jornada de pesca, sendo que, o antes, pertence a um qualquer dia e os durante e depois, correspondem ao dia que está referenciado aqui no blog, na entrada com o nome "O que parece ser necessário"!
É como veêm! Não pesquei no passado fim de semana e a melancolia deu-me para isto!
Deixo-vos uma foto de dias melhores!

Nem só de pesca vive um homem! - 23/Set/2007


Este fim de semana, na prática, a pesca não esteve presente!

Da minha actividade profissional, enquanto prof. de Educação Física, complementada com os conhecimentos obtidos, ao longo dos anos, relacionados com o meio aquático; integro uma equipa de trabalho, na Câmara Municipal de Setúbal, onde se desenvolve um projecto denominado Jogos do Sado, no qual, sou responsável, entre outras, pelas actividades/desportos náuticos que o integram.

Entre a Vela, Canoagem, Remo, Natação, Pesca e outros, realizou-se no dia 22 de Setembro, a Travessia do Sado a Nado/2007; prova a contar para o Circuito Nacional de Águas Abertas, promovida pela Federação Portuguesa de Natação e organizada pela referida edilidade em parceria com o Clube Naval Setubalense e o Clube de Canoagem de Setúbal.

Considerando os apoios necessários a esta prova que reuniu um total de 172 atletas federados, distribuídos por vários escalões masculinos e femininos, entre os 15 e os 70 anos de idade que percorreram uma distância de 2800 metros, entre a Marina de Tróia e a Praia da Albarquel; temos certamente de agradecer a todas as entidades oficiais e particulares que prestaram o seu apoio e que aqui não vou nomear, atendendo a que já foram bastante referidas em todos os meios de comunicação social.

Sendo o responsável pela coordenação e segurança na água, quero sim, chamar a atenção e agradecer a pessoas que, sem desprimor para qualquer dos restantes intervenientes, me merecem um especial respeito, por nada terem a ganhar com a sua participação, para além do prazer que têm em apoiar eventos que decorrem na sua cidade, mesmo quando, para tal, sejam obrigados a deixar de lado o que mais gostam de fazer num fim de semana, em que as condições climatéricas se apresentaram excepcionais para a sua prática, ou seja: PESCA!!!

Pois é pessoal, para além dos barcos de apoio das várias entidades: Serviço Municipal de Protecção Civil, da Polícia Marítima e das canoas do Clube de Canoagem de Setúbal; lá estavam treze barcos de amigos pescadores da embarcada que deixaram de ir pescar para apoiarem esta prova e aos quais quero aqui deixar o meu sincero e comovido agradecimento!

É assim que o mundo anda, propulsionado pela grande importância das pequenas coisas que gente anónima está sempre disposta a produzir!

É, em grande parte, por gente como esta que gosto de descrever o que consigo e não consigo fazer na PESCA, tentando pensar alto sobre as razões que possam estar na base dos bons e menos bons resultados que se sucedem!

PS: a foto que ilustra esta entrada, não mostra a realidade dos números deste evento desportivo, muito porque, quem a tirou, não teve tempo para fazer melhor!

A labuta não chegou! - 18/Set/2007


Sábado e Domingo passados a pescar!
Sábado lá fora e à terra! Domingo lá fora e à terra, em locais diferentes de Sábado!
Em ambos os dias, pouco peixe e sinais fracos! Melhor Domingo que Sábado!
A quantidade foi pouca e, no Domingo, a qualidade traduziu-se em uma Bica de 1,200 e um Pargo de 1,800 kgs. Pouco peixe para tanta procura! Porquê?
Não sei!?
Os sinais eram fracos, com peixe a comer a medo e quase impercetível! Melhor quando rouba a isca com toques francos!
A aguagem ia a Sueste, coisa pouco usual, mas possivelmente, indicadora de que o peixe grande pode andar muito alvorado, a comer em outros locais!? Neste caso a pesca ao fundo em barco fundeado pode não ser a mais adequada!?
Ao abrirmos o Pargo e a Bica, verificou-se que tanto um como outro tinham cavalinhas inteiras no estômago e não as habituais comidas de fundo, como vermes, carangueijo e outros!
A temperatura subiu para os 19ºC e havia muito peixe por cima de água!
Todos estes sinais empurram-me para "corricos" e "zagaias"! O que vou testar nas próximas saídas, quando o trabalho e o tempo deixarem!?
Estas são as elações que me parece poder tirar! A época é para isso e a prática o dirá!?
Agora, só no fim de semana de 29, é que talvez lá vá!? Vamos ver!?
Os peixes apanhados não tiveram direito ao "estrelato"! Deixo-vos antes, uma ilustração da labuta!

O que parece ser necessário? - 09/Set/2007


Boas noites a todos os que me leêm, aos quais não tenho o prazer de conhecer, e, um cumprimento especial para o Valter que se deu ao trabalho de comentar neste lugar e a quem dedico esta entrada!
Este fim de semana, enquanto o trabalho não aperta, fui pescar na Sexta e no Sábado, e, mais uma vez, os peixes de que gosto me perseguiram! Será Karma? Não me parece!? Posso ainda dizer que vários, "por engano" certamente, me desejaram "boa pesca"!
Mas o que é certo, é que, com muita labuta, tempos de espera e concerteza alguma sorte, a coisa funcionou, conforme atesta a foto que ilustra a presente entrada, tirada na minha pesca, a solo, de Sexta Feira.

Fazendo um apanhado das pescas de Sexta e Sábado:
Sexta - as duas Douradas, o Pargo e a Bica da foto, três Pargos de +/- 0,8oo kgs, dois Sargos e uma Sargueta de bom tamanho e seis Carapaus. Para que não restem dúvidas quanto à legalidade da pesca, trouxe 9, 500 kgs + 1 exemplar (a Dourada maior que se vê na foto).
Mais adianto que me vim embora por volta das 16.00 horas, por ter atingido a proximidade do peso legal! Isto, porque estava a pescar sózinho como já referi!


Considerando o comentário feito pelo Valter, na entrada anterior, referindo a sua vontade de dirigir a sua pesca neste sentido, sinto a necessidade de, para todos vós, reforçar algumas das "dicas" que sendo fruto dos resultados que tenho obtido, se têm revelado importantes na "minha pesca" e estão já bastante documentadas em entradas anteriores, importando talvez reforçar algumas delas!?

Material: Ver entrada "Os Materiais que uso" (procurar link no mês de Outubro, à direita da página, em arquivo do blog).
Montagens e iscas: Ver entrada "Eu e as Douradas" e "Dei com eles" (mês de outubro).
Técnica geral: Ver as entradas anteriores e ler bem, nas linhas e entre linhas, a maioria dos relatos já postados.
Barco e locais: se tem barco ou tem um amigo com quem costuma ir!? Aconselho a leitura das entradas "À Procura de Pesqueiros 1 e 2" e "Dei com Eles" (mês de Outubro).
Se não tem uma ou outra das hipóteses anteriores, deverá informar-se, penso que na zona da Ericeira e Cascais, sobre os mestres de MT que se dedicam a estas pescas e tentar conseguir uma saída.
As anteriores "dicas" e conselhos que, reafirmo, são fruto dos resultados por mim obtidos, da análise dos insucessos/sucessos e do estudo contínuo; de nada servirão, se o pescador não estiver preparado para:
- Acreditar na sua pesca e confiar no mestre que o colocou no pesqueiro!
- Ler os sinais que as picadas lhe transmitem ou perceber a ausência destas!
- Ter longos momentos em que não tira um peixe, sendo as iscas continuamente roubadas ou até ignoradas!
- Aceitar que o pesqueiro, na maioria das vezes, é "feito" por si próprio, e, isso pode levar algum tempo!
- Não ficar nervoso porque o parceiro do lado já apanhou e ele ainda não! Deverá ficar satisfeito, pois se isso acontecer pode querer dizer que os Pargos já lá estão!
- Não conseguir capturar os exemplares que pretende, partindo do princípio que não plantou lá nada e que o peixe é que, certamente, sabe o que quer!
- Ao longo do dia, mudar de isca e forma de iscar, mesmo para iscas e formas que já utilizou e não resultaram! Às vezes, parece-me necessário que a isca certa caia no fundo na hora certa!
Tudo o que referi e, eventualmente, outros factores que não me lembro ou não domino, são os comportamentos que a mim imponho quando pratico a "minha pesca" e que se verificaram extremamente importantes nas pescas deste fim de semana e em muitas outras anteriores!
PS: desculpem a foto não ser tirada no mar, mas por estar só, não foi possível! Também, por não ter mais que as duas mãos habituais, ter de a tirar naquele estilo de "escolha o dedo"

Vejamos então o que me parece necessário!
Iscas mais produtivas: Cavala apanhada no momento e Sardinha! Não dispenso a Bomboca, Lula e carangueijo!
Sábado - fui com os meus companheiros Raimundo, Vitor e Pedro, tendo entre nós capturado, uma Dourada (o Pedro), uma Bica, 7 Pargos entre os 0,800 e os 2,000 kgs, dois Sargos, Carapaus e duas Sarguetas, ficando muito áquem do peso legal possível, mas, assegurando a qualidade da pescaria!

Semana "alucinante" - 06/Set/2007


A semana de 27 de Agosto a 2 de Setembro, a minha última de férias, foi uma daquelas semanas que, hoje em dia, não é fácil para qualquer mortal, casado e pai de família!
O pessoal lá de casa achou que eu devia ter, nas férias, uma semana à minha vontade e, vai daí deixaram-me à solta em Sines estes dias todos! Claro que eu não gostei nada!
Bom, comecei a pescar na Segunda Feira à tarde e acabei no Domingo, tendo parado unicamente na Sexta Feira para descansar e fazer pescas novas, pois entre as que utilizei e as que cedi a amigos, acabei com o stok completamente, pelo que tive de "limpar armas".
Até Quinta Feira já vos tinha contado nas entradas anteriores, a Sexta foi um dia de relax, entre almoço, pescas feitas e escrita no blog, seguindo para jantar e conversa sobre os pesqueiros a testar no Sábado e no Domingo, com os meus amigos Zeca e Zé Beicinho, tendo o Zeca ido comigo no Sábado e, no Domingo, ele e o Zé Beicinho!
Como devem estar lembrados, os que têm acompanhado estas andanças, na Segunda e na Terça testei os mares de terra, apercebendo-me nessa última tarde que o peixe deveria estar mais fora! Na Quarta e na Quinta, fartei-me de dar "neles", embora com diminuição na Quinta Feira, o que atribuí ao mau pescar desse dia com aguagem e vento contrários.
Dos resultados obtidos, ficou alguma indecisão sobre o que fazer Sábado e Domingo!? Continuar a testar lá fora ou ir experimentar à terra outra vez!?
Da análise feita com os meus amigos, decidiu-se que, em virtude de na Quinta Feira os sinais de peixe terem continuado lá fora, pelos 76 metros, haveria que insistir, e, em função do que acontecesse, pois diversificaríamos ou não os pesqueiros.
Sou sincero! Eu tinha um pressentimento! Achava que em virtude do aumento da temperatura da água que entretanto se verificou, haveria grandes possibilidades de os Pargos terem encostado, mas, com os sinais dados pelas duas últimas pescas ainda na cabeça, resolvemos continuar a pescar lá fora!
Não me enganei muito! Tanto no Sábado como no Domingo, apanhou-se peixe lá por fora, mas com os sinais a diminuirem, menos no Sábado e bastante no Domingo, obrigando-nos quer num dia quer no outro a completar as pescas nos mares de terra com bons resultados!
Assim, no Sábado, começaram a entrar Besugos logo que chegámos e quanto aos Pargos, só dois de quilo se dignaram comer os "manjares" oferecidos! Isto lá fora!
Decidimos então vir para uns pesqueiros aos 23 metros, pertinho de terra, aqueles de que falei numa das primeiras entradas de Agosto, e então não é que capturámos mais 4 Pargos de 1 a 1,500 kgs e uma bica de muito bom tamanho!?
E no Domingo!? Teimosamente tornámos a ir lá fora e os sinais ainda pioraram, não falando da perda de tempo devida à abordagem da Guarda Fiscal que nos veio pedir os documentos! Fomos salvos por dois Pargos de quilo que entraram logo no início da pesca e depois eram só cavalas, daquelas enormes que nos enganam quando não alvoram a pesca!
Mesmo assim, levantámos ferro e viemos à terra, para uns pesqueiros lá de Sul, que nos forneceram 6 Pargos de 1,500 kgs e alguns Sargos de bom tamanho!
Pode portanto dizer-se que os "malandros", decididamente, encostaram à terra, e que, se eventualmente temos ido para lá directos, as coisas ter-se-iam composto doutra forma.
Ao certo nunca o saberemos, mas a história está feita e as elações poderão, por comparação, ser talvez retiradas daqui a uns tempos, quando se repetirem condições idênticas! Talvez sim ou talvez não!? Veremos!
Penso, no entanto, que a temperatura da água poderá ter sido um factor importante! Veremos este próximo fim de semana o que nos trás!
Posso ainda dizer-vos que a Sardinha, foi a isca que mais resultou, em qualquer dos locais testados! E acreditem que lá estiveram a Cavala, a Bomboca, o Carangueijo e a Lula, distribuídos em paralelo por todas as canas! Terão estas iscas ajudado a compor os pesqueiros? Pois, não sei!? Mas os resultados, sem serem extraordinários foram jeitosos e até "compostinhos"!
Deixo-vos a foto dos meus companheiros, no Domingo, com 4 dos apanhados! Ná havia mãos para mais!
Até ver!
PS: Epá! Vocês que andam para aqui a ler, são uns gandas chatos! Não dizem nada! Só comem, não dão nada a comer! Que raio de gente!!!

"Os Pargos de Verão" mudaram de sìtio - 31/Agosto/2007


Desde que pesco e tenho barco, sempre entendi que se quero experimentar novos locais e técnicas de pesca, sujeitando-me, por vezes a secas enormes e a muito pouco ou nada capturar, perfiro ir só! Assim, não sujeito pessoal que só quer pescar, sem outras preocupações, a apanhar com alguns descalabros que acontecem muitas vezes, quando insistimos na procura e inovação no que respeita ao nosso conhecimento particular actual.

No dia 29, tinha combinado com o Morais e o Lelo, e, no dia 30, com o Albino; todos amigos de longo data, embora de áreas diversas das minhas relações.

Pensei para comigo! Ainda bem que a procura que desenvolvi nos últimos dias (ver entrada anterior) parece ter permitido dar com algum peixe, daquele que eu gosto, para assim poder talvez proporcionar, aos meus companheiros, dias de pesca daqueles que toda a gente gosta!

Isto é, vamos para um pesqueiro, fundeamos, iscamos, iniciamos a acção de pesca e todo o dia estamos a tirar bom peixe, sem ter de mudar de pesqueiro e chegando ao fim com uma pesca de boa qualidade e quantidade.

Assim, no dia 29, foi uma festa!

Num fundo típico, a 76 metros de profundidade e com as técnicas e materiais já por aqui falados em muitas outras entradas, apanhámos 9 Pargos entre o quilo e os 3,500 kgs; para além de Besugos, os quais tiveram, a certa altura, de ser controlados pela balança de modo a não exceder os limites actualmente permitidos por aquela lei do nosso descontentamento! Mas está bem! ficámos felizes até outra oportunidade!

No dia 30, repetiu-se a pescaria com o Albino!

Os Besugos foram os primeiros a aparecer e os Pargos só entraram pelas 14.30, quatro deles, entre o quilo e os 2,200 kgs!

Neste dia as condições de mar não eram as mesmas, pois, a corrente ia à proa do barco e o vento e o mar estavam um pouco mais fortes, dando origem a mar "trapalhão", como se refere aqui em Sines, quando o mar está incerto e mexe o barco quer de proa à popa, quer de Bombordo a Estibordo.

A isca "rainha", em qualquer dos dias, foi sem dúvida a Sardinha fresca!

Aqui estão os relatos de duas belas pescas, fruto de muito correr, procurar em dias anteriores, insistir, ser perseverante, testar, diversificar, perceber os sinais e, principalmente, estar sempre disposto a aprender com os erros que se cometem.

Deixo-vos a foto do meu amigo Morais com o "melhor entre irmãos" dos dois dias de pesca!

Erros que se cometem!? - 31/Agosto/2007


Nas entradas anteriores, respectivamente, 15 e 21 de Agosto, iniciei um "falar alto" sobre o estudo de locais, tendo para tal, baseado a minha procura essencialmente na hora da maré, procurando o peixe mais à terra com a maré a encher e perto da Preia-Mar, ou mais fora, com a maré a vazar ou perto da Baixa-Mar.
A ingenuidade e por vezes alguma cegueira que raia a parvoíce, acontecem principalmente quando se pensa que começamos a dominar determinados assuntos e, afinal, esse domínio só aconteceu, porque para além das variáveis para as quais olhámos, ouve outras que por sorte estiveram conjugadas e nos permitiram julgar que tudo estava certo e a correr sobre rodas!
Não!!! Então a pesca só se baseia nas marés!?
E a lua? A temperatura da água? As correntes que se desconhecem? O estado do mar? Enfim, tanta coisa que dificilmente se domina uma de cada vez, quanto mais todas elas conjugadas a influirem nos resultados que temos na prática diária deste nosso "vício"! E o tempo disponível para estudar e testar tudo isto? Onde está ele?
Que veleidade a minha, pensar que poderia testar algo baseado unicamente na conjugaçao das horas e das marés!? Só mesmo a anestesia e a calma das férias podem servir de desculpa a tal presunção!
Não digo que, atendendo à subida da temperatura das águas que se verificou nessa altura, não tenha existido alguma relação com as marés e peixe capturado quer nos 23, quer nos 46 metros, mas, era de esperar que houvesse modificações e teriam sempre de ser tidos em conta outros factores! Quais? Pois, não sei!!!
O que sei é que, dia 23, 24 e 26, pesquei segundo as orientações relacionadas com as marés e fui castigado! Quase totalmente e com "mérito próprio"
Parei para pensar e, preparando a pesca de dia 28, resolvi insistir nos mares de terra que conheço e não tinha ainda testado de forma que considero suficiente, mas, já com a intenção de ir para pesqueiros mais fundos (+/- 80 metros), caso os testes à terra não provassem! Ou seja, tendo em conta que os Pargos, nesta altura do ano, sempre deram pelo interior do "Limpo de Morgável", com alguma regularidade, coisa que não parece ter acontecido esta época, haveria que procurá-los noutros pesqueiros ou até procurar novos locais, coisa que em Sines não falta!
E, assim foi!
Iniciei nos mares de terra, primeiro pelos 33, depois pelos 40 metros e, os sinais eram os mesmos; pouco peixe, muita ratice nas iscas e muito poucos toques francos que indiciassem a real gana de comer fosse qual fosse a isca utilizada ou tipo de rabeira montada! E, posso dizer-vos que estive umas boas duas ou mais horas em cada um dos dois locais que testei!
Finalmente decidi! Vou lá fora! E não me arrependi, já que ainda safei a pesca com 4 Pargos de quilo a premiarem a minha perseverança e a fornecerem indicações para as próximas pescas que foram diferentes e que descreverei na próxima entrada!
A foto desta entrada, mostra-vos um dos poucos peixes que me salvaram do castigo, total e merecido, a que me sujeitei nestas jornadas e, parece-me, pelos factos que descrevi!

Estudo de Pesqueiros (continuação) 21/Agosto/2007


Continuando a procura e os testes divulgados na entrada anterior, fomos pescar, eu e aminha mulher no passado Sábado, dia 18, com uma maré de 1,07/2,94, sendo a baixa-mar às 12.19 e a preia-mar por volta das 18.00 horas.
Iniciámos a pesca pelas 10.30, com vento NW já instalado e a prometer mais, pelo que, não pudemos iniciar a pesca pelos pesqueiros de fora, o que seria o mais lógico atendendo ao que foi referido na útima entrada, relativamente à possível tendência do Pargo se aproximar de terra com a proximidade da enchente e afastar-se em situação contrária.
No entanto lá nos dirigimos para mares abrigados de terra, começando a pescar à hora referida, portanto, a mais ou menos duas horas do fim da vazante.
Demos com uma cova a 23 metros, entre pontões baixos (+/- 20 metros), mostrando a leitura da sonda algum peixe agarrado ao fundo, e, usando as técnicas iscas e materiais, referidos na anterior entrada, embora diminuindo as espessuras dos estralhos para 0,30 e 0,35, lá iniciámos a acção de pesca.
Não havendo aguagem e atendendo à baixa profundidade, lancámos bocados de Sardinha e bombocas inteiras que deslizavam a pique em direcção ao fundo!
Os ataques de peixe míudo não se fizeram esperar, iniciando-se de imediato as capturas de Sarguetas e Choupas de tamanho bem superior à medida legal.
As cavalas começaram a aparecer e as iscadas com elas também! Até que, aí uma meia hora após o início da acção de pesca, pouco passando das 11.00, entra o primeiro Pargo! O da foto! Que pesou 2,900 Kgs!
A partir daqui, meus amigos, acabou! Só peixe miúdo! Exceptuando um Sargo que, coitado, estava tão magro que foi de imediato devolvido para ver se se alimenta, de forma a valer a pena que alguém o coma!
Pescámos até às 14.30, com o vento a aumentar e, quando já pensávamos levantar ferro, embora sem nunca desistir das iscadas fartas e dos anzóis a condizer, eis senão quando, a minha cana mergulha, a luta dá-se e capturo um Pargo com 1,600 kgs! Olho para as horas e penso! Será que vão entrar a partir de agora!? Estamos com duas horas de enchente!
Enquanto isto, continuo a iscar, a lançar e a deixar o peixe miúdo roer a isca, sem reagir e Bumba! Outro Pargo! Este é maior que o primeiro! Luta! Arranco-o do fundo, penso que já o tenho e solta-se neste momento! Porquê? Talvez mal ferrado!? Não sei!?
Olho para o relógio, são 15.15 e temos de ir embora! Outros compromissos e o aumento da força do vento, não nos deixam continuar! Que pena!? Vai-se ver e dava-se mais um pequeno passo para a confirmação da tese!
Não faz mal! Há mais marés que marinheiros! Fica para a próxima!
Mas dá que pensar! Vejamos:
A duas horas do fim da vazante deu o único Pargo até ao fim desta! Duas horas após o início da enchente entram dois Pargos à isca, capturando-se um e fugindo o outro! Isto à terra, num fundo de 23 metros!
Será que o primeiro estava de saída lá para fora e que os dois mais tardios estavam de entrada cá para a terra?
Não se sabe! Vamos continuar a testar, se a meteorologia e o tempo disponível colaborarem!
Depois conto!
Boa noite a todos!
Ah! Já me esquecia! Os dois que "subiram", entraram à cavala, nas canas a trabalhar na mão! À cana do caneiro, não tocou nada, para além das ratices do peixe miúdo!
Se alguém, entretanto, já testou e pode confirmar o que para aqui ando a tentar perceber, era bom que comentasse! Poupava-me algum trabalho de procura e de escrita!

Pargos de Verão em Sines: Escolha e Estudo...

Eu a Brincar aos Pargos e vejam só o meu amigo Cruz - 11/Agosto/2007


Viram as últimas entradas!? Lindos Pargos não são?

Pois, mas comparado com o que o meu amigo Carlos Cruz anda a fazer ali para os lados da Carrapateira, as minhas pescas são brincadeiras de crianças!

Claro que a Zagaia é uma pesca onde se sofre um bocado, mas permite estes "prémios"!

Mas, como tudo na vida requer muitas idas, muitos fracassos e muito mar percorrido antes de se conseguir atingir o nível aqui do meu amigo e companheiro de muitas pescas!

Espero que se deliciem como eu me delicio a ver capturas de animais tão belos.

Quanto às técnicas básicas já falei sobre elas aqui neste local! É só procurar nas entradas anteriores!

O que me falta são mais horas dispendidas nesta pesca! Mas eu vou lá! Depois conto!

Gozem entretanto o que por aqui há!

Pargos de Verão 5 - 10/Agosto/2007


E pronto! Para já, aqui fica o melhor da jornada!

Um Parguito com 5,060 kgs!

Então não é uma beleza!?

Espero ter conseguido deixá-los com água na boca para o relato que vou fazer assim que puder! Ou, quando este trabalho árduo de estar de férias e pescar me deixar olhar para o PC!

Pargos de Verão 4 - 10/Agosto/2007


Este dia foi produtivo!

Como veêm eles estão a crescer!

Com paciência e algum saber a pesca foi-se compondo!

Ainda tem mais na próxima entrada! E, depois há-de vir o relato que está quase na hora da deita!

Pargos de Verão 3 - 10/Agosto/2007


Ora viva pessoal!

Cá estou eu outra vez!

Hoje fui com a patroa e a coisa correu bem! Ela não quer dar a cara, mas para além de pescar bem, é uma ajuda e companhia preciosas!

Saída às onze, com volta às três da tarde e vejam o que por aí vem, nesta e nas próximas duas entradas.

É preciso é calma!

Pargos de Verão 2 - 9/Agosto/2007


Vejam só!

O primeiro Pargo do meu genro!

O homem faz-se! Não se negou! Ouviu! Cumpriu!

E claro, foi comtemplado!Com o que se vê e mais uma Bica para aí de quilo.

Ainda não é um daqueles animais, mas, para quem começa, não está nada mal!

Outras oportunidades surgirão!

Pargos de Verão 1 - 9/Agosto/2007


A época de Pargos a encostar à terra já começou!

Olha aqui um, no dia em que fui com o meu genro pela 1.ª vez!

Vou-vos mostrar mais nas próximas entradas e mais tarde dou-vos umas dicas, com foto de sonda e tudo!

Não desesperem que há tempo para tudo! Ou não estivesse eu de férias!

"Aquecimento" - 30/Julho/2007


Ora cá estou!

Entre trabalhos de casa, encerramento do ano lectivo (se é que isso existe!?), arrumos e arranjos caseiros, eu e a minha mulher, lá fomos este fim de semana a Sines.

Aproveitámos para andar por lá a ver o Festival de Músicas do Mundo, preparar tudo para as férias e, inclusivamente, na Sexta Feira, fazer um pequeno aquecimento para a pesca que aí vem, o qual, não sendo mau de todo, não nos permitiu aceder áqueles exemplares que mais gostamos, ficando a coisa por três animais, iguais aos da foto, outros três um pouco mais pequenos e um sargo de quilo.

Esperava maiores exemplares, tendo iscado e posto em uso técnicas para isso, a maioria já referidas em entradas anteriores, mas a coisa ficou por ali!? Talvez porque fomos para o mar às onze e chegámos ao porto às quatro da tarde! Também não é coisa de verdadeiros pescadores! Mas é assim, continuar em stress também não é bom!

A calma parece vir aí! E o que tem de ser tem muita força!

Domingo 15/Julho/2007 - Mais um dia! mais uma lição!


Fim de semana alucinante!
Trabalho na Sexta! Trabalho e revisão ao motor do barco no Sábado! E, finalmente, pesca no Domingo!
É pouco (a pesca, claro)! E é duro! Mas é assim!
Após uma semana sem tempo para nada, em que só na Quinta Feira, ao fim do dia, me foi permitido saber o que poderia fazer no fim de semana! Não tendo sequer encomendado isca, sob pena de se estragar se não fosse, mas, lá segui para Sines, no Sábado ao fim da tarde, não sem antes combinar com o Zeca, o Zé Beicinho e o Brás, a pescaria de Domingo.
Antes de ir, fui consultar os meus apontamentos de pesca, verificando o que já calculava! Está na altura dos Pargos encostarem à terra, sendo uma boa aposta procurar os pesqueiros e zonas já conhecidas de outras pescas na mesma altura e insistir num local que apresente uma marcação de sonda indicadora de entralhados junto a pedra mais ou menos alta, com alguma marcação de peixe agarrado ao fundo e bolas intensas sobre os pontões mais próximos.
Os sinais referidos, significam comedia e consequentemente a possível presença de predadores por perto, portanto qualquer fundo que apresente estas condições será certamente um bom fundo para testar as nossas iscas e montagens.
Com a cabeça cheia dos anteriores pensamentos, telefonei ao pessoal de Sines e pedi-lhes que arranjassem sardinha e cavala, frescas, para as primeiras impressões, porque depois é apanhar cavala viva e iscá-la aos filetes, de várias formas (ver entrada "Dei com Eles"), enquanto está dura, sendo para mim das boas iscas para esta pesca, atendendo à sua resistência aos ataques do peixe miúdo.
Com ideias feitas, a sensação de relaxamento que sempre me envolve quando me dirijo ao Porto de Sines e tudo combinado, cheguei, aguardei pelo Brás para a revisão ao motor, preparei as pescas, e, com tudo em ordem, fui jantar com os meus amigos e antecipar o dia seguinte, com a conversa e brincadeiras do costume! É simples e é lindo como, com coisas tão simples, podemos estar tão bem!
Domingo amanheceu um dia cinzento, com nevoeiro e mar calmo, com uma aragem de sul suficiente para aproar bem o barco e que, proporcionou um dia sem frio, sem calor e com mar calmo. Em resumo, sem extremos de qualquer espécie!
Juntámo-nos no barco, às 8.00 horas, montámos as canas, todas entre os 3.00 e os 3,60 metros, com baixadas de dois anzóis entre o 1/0 e 0s 3/0, com estralhos de 0,40 a 0,60, em 0,35 e 0,40 de diâmetro, uns com fluorcarbono e outros não! Podendo dizer-se que não notámos a diferença, tanto apanharam os fios normais como o fuorcarbono, não me perguntem porquê, não sei explicar!? Esperemos que alguém saiba!?
Chegou a hora! Tudo a postos e começa a caça!
Dirijo-me ao primeiro pesqueiro, um pontão separado de outros, a cair dos 40 para os 46 metros de profundidade, não muito longe do porto, cheio de entralhados à sua volta, ligo a sonda, passo em cima do bico e apercebo-me da quantidade de peixe alvorado que por ali anda! Sondo à volta e para onde me viro vejo marcações de peixe agarrado ao fundo, entre o limpo e a pedra, pensando em voz alta para os meus companheiros: "pessoal! Se tivermos calma, iscarmos bem e resistirmos aos ataques do peixe miúdo, ou me engano muito ou vamos ter luta séria hoje e aqui neste lugar"!
A acção começou, primeiro com toques muito fracos, depois com outros mais definidos, mas, a isca desaparecia ou vinha toda ratada! Insistimos! As primeiras cavalas entraram, eu sorri, primeiro para dentro e depois para fora, cortei uns filetes fininhos, isquei um de cada vez, com uma só espetadela, quatro, num anzol 2/0, olhei para aquilo e pensei "se fosse Pargo, atirava-me a isto de certeza"! A baixada chegou lá abaixo! Tirei-lhe a folga e esperei! Senti um pequeno toque! Parou! Arrepiei-me com o sinal, e, ainda o arrepio não tinha passado, três toques rápidos e intensos, levanto a cana ao alto e lá está, lindo, aquele puxão inconfundível! Já o tenho! Agora depende de mim, a luta dá-se! Não é das maiores, mas é boa e eis que chega à borda o primeiro do dia, vermelho com listas prateadas a rondar os dois quilos e qualquer coisa, não importa, o mote estava dado e o entusiasmo a bordo notou-se de imediato, com os companheiros a renovarem iscas e a ficarem mais sérios e atentos! A acreditarem!
É importante ver as modificações de quem pesca num barco ao longo de um dia e sentir que um peixe vai entrar, só pelas alterações dos comportamentos dos vários companheiros a bordo! Parece-me bastante influente nos resultados dum dia de pesca, a capacidade dos pescadores acreditarem no que estão a fazer!
Neste dia, isso aconteceu!
Os Pargos não entraram seguidos, deram trabalho! Iscou-se muito, diversificou-se muito! Entravam um ou dois e esperava-se um bom bocado, acreditando que vinham mais, mesmo quando as iscas eram pouco tocadas! Variava-se com lula e longueirão e tornava-se a insistir com cavala e sardinha de várias formas e o tempo passava, sem darmos por isso! E terminou, como tudo na vida, permitindo a renovação em futuro próximo.
Durante e depois vieram as fotos, as conversas, as brincadeiras, mantendo sempre a festa dum dia em que os resultados se configuraram em 5 Pargos de 2,500 Kgs, 5 de 1,500, um sargo de bom tamanho, alguns besugos e carapaus, sarguetas e uma abrótea pequena.
Uma pesca bonita, estudada e concretizada num estilo misto de entusiasmo e calma contida!
Espera-se a próxima com ansiedade! Há que testar outros sítios e tentar a isca viva, procurar os maiores, talvez naquela profundidade, talvez mais fundo, não sei! Vou pensar e depois conto!
PS: Já aí está a foto dos mosqueteiros! Falta ainda fazer uma menção ao fotógrafo! Um pescador que está cada vez mais perto de aparecer numa foto com um ou mais destes belos animais! Aguardo com impaciência a chegada desse dia, pois com muito gosto a colocarei neste lugar, contando a sua estória, se ele assim o entender!